Guerra dos bits: WikiLeaks versus Mundo

Autora: Simone D. Marques

Estamos em plena guerra, a primeira World War Web.

O caso WikiLeaks é um marco na História. O chamado Cablegate, além de vazar segredos de diplomacias de países democráticos, coloca a liberdade de informação sob um ponto de interrogação e apresenta ao mundo um novo tipo de guerra, consequentemente, uma nova divisão política do mundo.

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é acusado de violação sexual, um golpe quixotesco, uma vez que joga com sua vida privada e, por meio da difamação, busca deslegitimar os vazamentos. Ao mesmo tempo, Assange tem todas as formas de financiamento e hospedagem de seu site bloqueadas. A acusação de abuso sexual e os vazamentos de informações confidenciais, cujo conteúdo parece ter mais força enquanto segredo, embaralham-se na mídia e confundem opiniões.

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MasterCard & Visa: Ku Klux Klan pode, mas WikiLeaks não pode

Fonte: Techdirt
Tradução: Adelino de Santi Júnior

Bem, parece que nós podemos adicionar Visa à lista de empresas pressionadas a não trabalhar mais com o Wikileaks, seguindo o mesmo caminho temos o MarterCard. Pelo menos, diferentemente do MasterCard, a empresa Visa ainda não acusou o Wikileaks de ter cometido um crime. Ao invés disso apenas disse que suspendeu qualquer operação junto ao Wikileaks “até estudos mais aprofundados sobre a natureza das suas negócios e se ele viola as regras de funcionamento da Visa.”

Assim como [o jornalista] Charles Arthur mostra, o site do Ku Klux Klan redireciona para um site que pede tanto MasterCard quanto Visa, sugerindo pura arbitrariedade na decisão das duas empresas de cartão de crédito. É uma péssima ideia quando empresas começam a tomar decisões baseando-se em política. Existe todo tipo de companhia por ai que utiliza cartões de crédito para apoiar atividades censuráveis. Seria função das companhias de cartão de crédito selecionar quem eles consideram censuráveis para se trabalhar, e caso sim, quais as bases por elas utilizada para considerar Ku Klux Klan aceitável e Wikileaks censurável?

Isso apenas reafirma o ponto levantado recentemente sobre o papel dos intermediários corporativos em auxiliar governos na censura, embora não haja julgamento ou condenação. De qualquer maneira esse é um péssimo posicionamento, tanto do Visa quanto MasterCard e suas vontades de cederem a pressões governamentais.

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WikiLeaks e o lado perverso de Christopher Hitchens

Autor: Eli Vieira

Sim, estou prestes a criticar um dos “quatro cavaleiros” do “novo ateísmo” (que é tão “novo” quanto os escritos milenares de ateus indianos), e você não vai gostar nem um pouco. Mas acredite, vai doer em mim também. Então vamos aos fatos e às opiniões.

1 – Sobre Julian Assange e seus WikiLeaks.

Se você não estava sabendo, está na hora de saber que há poucas semanas explodiu o maior acontecimento diplomático deste planeta desde o 11 de setembro de 2001 e o 7 de julho de 2005.

Trata-se do vazamento de mais de 250 mil comunicações (estão sendo chamadas de “cabos”) de embaixadas dos Estados Unidos ao redor do mundo. Estes “cabos” receberam do governo americano classificações de sigilo leve a moderado, e revelam duas coisas importantes: a mentalidade geral da política externa americana, que chega a tolices como querer investigar a sanidade mental de Cristina Kirchner e o cartão de crédito do secretário geral da ONU, e informações mais politicamente relevantes. Entre as informações politicamente relevantes, que são muitas, eis algumas poucas que têm implicações para o humanismo como o enxergamos aqui no Bule Voador:

  • O Itamaraty recusou em 2005 o pedido dos EUA para receber presos de Guantánamo. E fez a mesma coisa com pedidos de asilo de cubanos em 2009. Nossa diplomacia usa um argumento furado de classificação de refugiado político para negar a alegada hospitalidade brasileira a quem mais precisa.
  • Ahmadinejad (batizado por este blog como Assassinejad) diz estar fazendo exatamente o mesmo que o Brasil na questão nuclear. Enquanto isso, a Polícia Federal teria abafado prisões de terroristas muçulmanos no nosso país, e há relatos de uma minoria significativa de radicais islâmicos na Tríplice Fronteira e em São Paulo.
  • A multinacional farmacêutica Pfizer, que pagaria milhões por um acordo com o governo nigeriano depois de ter sido acusada de administrar um antibiótico perigoso a 100 crianças com idades entre 3 meses e 18 anos, durante uma epidemia de meningite no país em 1996, supostamente causando a morte de 11 delas (algo que lembra o roteiro do filme O Jardineiro Fiel), conseguiu baixar o valor a ser pago pelo acordo pela metade (U$ 75 milhões) depois de ameaçar autoridades locais com dossiês de corrupção. O antibiótico, Trovan, foi reprovado três anos depois pelo maior órgão sanitário americano por causar danos hepáticos. Read more…
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