O conflito criacionista e evolucionista no Brasil

Autores: Rogério F. de Souza, Silvia Ponzoni, Cássia Thaís B. V. Zaia e Dimas A. M. Zaia

Fonte: Scientific American Brasil – Ano 11, edição nº 126

Editor: Alex Rodrigues*

O avanço obtido pelo conhecimento científico é capaz de modificar as concepções de origem e evolução da vida na sociedade? A resposta a essa pergunta parece estar longe da que os homens de ciência gostariam. Um exemplo de que pouca coisa mudou em pleno século 21 é o duelo entre criacionistas e evolucionistas. Geralmente, a rejeição ao evolucionismo está relacionada a facções fundamentalistas existentes em diferentes religiões. Nas últimas décadas, em alguns países, grupos criacionistas vêm modificando suas estratégias a fim de conquistar novos adeptos ou simplesmente burlar questões legais relacionadas ao ensino do criacionismo em sala de aula. Isso aconteceu por exemplo nos Estados Unidos, no início da década de 90, com o aparecimento do intelligent design (ID).

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Dossiê Darwin: as evidências, importância e o apoio à Teoria da Evolução

Fonte: Uma Visão do Mundo

Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

A Teoria da Evolução é um fato tanto quanto qualquer outro fato estabelecido pela ciência

Basicamente, a visão darwiniana tradicional sustenta que pequenas mudanças na estrutura e no comportamento, efetuadas pela seleção natural das variações, produz, após um longo período de tempo, organismos que diferem tão grandemente de seus ancestrais que eles não são mais o mesmo organismo, e devem ser classificados como uma espécie separada. Este ponto da Teoria da Evolução não é mais discutido entre os cientistas, sendo aceita como um fato que serve de base para a biologia e que é parte indissociável de outras ciências, como a paleontologia.

Contudo, pessoas que não conhecem profundamente sobre biologia nem sempre têm elementos suficientes para “acreditar” (a palavra correta seria “entender”) na Teoria da Evolução. Pensando nisso, coloco aqui uma série de argumentos e evidências que comprovam esta teoria, que é vital no mundo moderno (embora muita gente desconheça sua importância). Exponho estes argumentos de maneira que qualquer leigo possa ler e entender. A organização em tópicos é necessária, pois, o material é extenso e isso facilita a localização de trechos que venham a interessar. As fontes seguem sempre próximas ao assunto sendo exposto. Read more…

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A Fascinante evolução do olho

Autor: Trevor D. Lamb*

Fonte: Scientific American Brasil

Editor: Alex Rodrigues

Cicatrizes da Evolução - O olho dos vertebrados, longe de ser concebido de forma inteligente, contém inúmeros defeitos que atestam a sua origem evolutiva. Entre os defeitos que degradam a qualidade da imagem, estão uma retina invertida, que força a luz a atravessar corpos celulares e fibras nervosas antes de atingir os fotorreceptores 1 ; vasos sanguíneos que se espalham pela superfície interna da retina, provocando sombras indesejadas 2 ; fibras nervosas que se juntam, projetam-se numa abertura única na retina e viram o nervo óptico, criando um ponto cego 3.

O olho humano é um órgão extremamente complexo; atua como uma câmera, coletando, focando luz e convertendo a luz em um sinal elétrico traduzido em imagens pelo cérebro. Mas, em vez de um filme fotográfico, o que existe aqui é uma retina altamente especializada que detecta e processa os sinais usando dezenas de tipos de neurônios.

O olho humano é tão complexo que sua origem provoca discussão entre criacionistas e defensores do desenho inteligente, que o têm como exemplo básico do que chamam de complexidade irredutível: um sistema que não funciona na ausência de quaisquer de seus componentes e, portanto, não poderia ter evoluído naturalmente de uma forma mais primitiva.

Mesmo Charles Darwin admitiu em A origem das espécies, de 1859 – que detalha a teoria da evolução pela seleção natural –, que pode parecer absurdo pensar que a estrutura ocular se desenvolveu por seleção natural.

No entanto, apesar da falta de evidências de formas intermediárias naquele momento, Darwin acreditava que o olho evoluíra dessa maneira.

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Criacionismo em Revista Científica?

Fonte: EuAteu

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O cigano e o vampiro, ou De quando os brutos também amam

Autor: Camilo Gomes Jr.

Há um ditado que diz: “Gosto não se discute”. Não concordo. Prefiro dizer que gosto não se impõe, mas, de resto, tudo é discutível. Não existe isso de território restrito à discussão. Não acho, por exemplo, que criacionistas não possam discutir a factualidade da teoria da evolução. Discuti-la, eles podem; o difícil é refutá-la. É como aquele velho debate sobre se se deve ou não debater a existência de Deus. Alguns agnósticos acham que não. Outros agnósticos e praticamente todos os ateus acham que se deve, sim. Para estes, dentre os quais me incluo, não há isso de “indiscutibilidade” da noção de Deus.

Enfim… Gosto musical é mais uma dessas searas que, penso eu, se podem sim discutir, sendo censurável apenas qualquer tentativa de minha parte de tentar impor sobre os outros meu gosto em particular. Eu gosto de rock (desde rock’n’roll a heavy metal, ainda que não tudo dentro desse spectrum), gosto de blues e jazz, gosto de MPB (e também detesto muita coisa nesse mesmo gênero) e há muito aprendi a apreciar música clássica (sobretudo Vivaldi, Mozart, Bach, Dvorák e Chopin). Pop? Bem, também sou chegado a algumas coisas nesse gênero, sobretudo o pop dos anos 1980 e 1990. Ah, sim, folk songs (Dylan) também são legais! Por fim, vindo morar aqui, na Paraíba, também passei a achar interessante aquele forrozinho pé de serra, diferente de qualquer coisa parecida com o “forró” do Calcinha Preta, do Garota Safada etc. Quanto ao resto, sinto muito aos que curtem axé, sertanejo, pagode e funk, mas tenho verdadeira ojeriza disso tudo. Sem exceções. Read more…

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Bulecast nº 3: Evolução

Do Conselho de Mídia da LiHS
Convidados: Átila Iamarino do blog Rainha Vermelha e Tatiana Nahas do blog Ciência na Mídia.
Participantes do Bule: Eli Vieira, Pedro Almeida e Igor Cavalcanti.

Download em mp3: http://atheis.me/bulecast3

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Você é capaz de explicar o que é o amor? E quanto a Deus?

Autor: Jerônimo Freitas

Eu tenho visto repetidas vezes cristãos fazerem um paralelo entre a dificuldade que a maioria das pessoas tem em explicar o amor, com a impossibilidade da comprovação da existência de Deus.

Muitos cristãos quando se encontram diante de argumentos racionais que apontam para as incoerências factuais e intelectuais que questionam a existência de Deus tendem a papagaiar esse argumento chave, que lhes é passado qual um antídoto ao veneno da razão, durante os cultos religiosos.

Eles então perguntam: Como você explica o amor? E esperam então “ouvir o silêncio” de seus oponentes. Após o silêncio, eles apregoam que Deus é tanto ou mais difícil de explicar quanto o amor. Ainda assim, dizem eles, não é por não sabermos explicar o que é o amor que devemos acreditar que ele não exista. Assim sendo, não é por não podermos explicar Deus que vamos agora afirmar que ele não existe.

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Vulnerável como um filósofo na savana: Plantinga tenta atacar ateísmo com evolução

Autor: Eli Vieira

O filósofo cristão Alvin Plantinga elaborou mais um argumento contra o naturalismo/materialismo ateu, porque parece que os anteriores não adiantaram. Ele alega que a teoria da evolução e o naturalismo são como “água e óleo”. Ele lembra, corretamente, que a maior parte dos cientistas atualmente é naturalista, inclusive os biólogos (“biólogos evolucionistas” é algo já meio pleonástico), mas parece que esses cientistas sofrem de algum mal cerebral terrível, por serem ao mesmo tempo evolucionistas e naturalistas, quando as duas posições são logicamente incompatíveis entre si, coisa que, obviamente, somente iluminados como Plantinga são capazes de enxergar.

Você pode ler tudo o que ele diz no blog Coletivo Ácido Cético. O filósofo parece imitar seu colega também cristão William Lane Craig, ao alegar que a maioria dos cientistas são irracionais. No caso de Craig, como mostrou o filósofo Michael Martin quase 15 anos atrás, a implicação lógica de sua epistemologia do Espírito Santo é que a maior parte da humanidade é irracional ao nível dos zumbis. Isso não impede, é claro, que Craig continue repetindo os mesmos argumentos até hoje. No caso de Plantinga, a implicação é que a maior parte dos cientistas é mais irracional que uma cobra comendo o próprio rabo.

O argumento de Plantinga pode ser resumido no exemplo que ele mesmo usou, do sapo que captura uma mosca. Em termos evolutivos, argumenta ele, é tão vantajoso evolutivamente (ou seja, adaptativo) que o sapo creia que a mosca seja mesmo uma mosca quanto que ele creia que a mosca é uma pílula capaz de transformá-lo num príncipe. O que interessa para a evolução é que o sapo que capturar a mosca terá vantagem em sobrevivência e reprodução. Se a seleção natural não enxerga a diferença entre crenças verdadeiras e falsas do sapo, também não enxerga a diferença entre crenças verdadeiras e falsas do nosso cérebro primata, tornando improvável que uma crença no naturalismo seja verdadeira, pois as nossas capacidades cerebrais teriam sido moldadas pela evolução de qualquer forma como estão, ainda que todas as nossas crenças fossem falsas (Plantinga até ensaia um cálculo de probabilidades, extremamente questionável, mas não vou me dar ao trabalho de atacar isso). Em poucas palavras, a evolução são sabe o que é a verdade, porque a verdade não interessa para as chances de sobrevivência e reprodução.

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O problema do cristianismo com a Teoria da Evolução

Autor: Jerônimo Freitas

Alguns acham que os cristãos combatem a Teoria da Evolução (TE), pelo fato de não entendê-la. Em minha opinião ocorre exatamente o contrário.

Eu acredito que a maioria dos cristãos realmente não a compreenda. Já tive muita prova disso. Mas aqueles que formam a opinião, “os cabeças” da seita, estes a compreendem.

O problema do cristianismo com a TE é que determinadas escolas cristãs, as coerentes, vêem a Bíblia como a palavra de Deus ditada aos Homens por intermédio do Espírito Santo. Segundo o cristianismo a Bíblia é a palavra de Deus transcrita. Sendo Deus onisciente, sua palavra deve ser interpretada tal qual está na Bíblia. Se fosse para ser diferente, Deus teria ditado diferente. O cristão que interpreta a Bíblia de maneira figurada, alegórica (o que EU acho mais sensato), está descredibilizando a palavra de Deus. Ele é prepotente, pois pretende ajeitar algo que, ninguém menos que o próprio Deus, criou, sendo Deus, segundo os cristãos, perfeito. A perfeição, como se sabe, não dá lugar a melhoras, posto que já é perfeita.

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A gestação e o nascimento de uma obra-prima

Autor: Charles Darwin

Fonte: Autobiografia 1809-1882

Introdução: Alex Rodrigues

Também vou aproveitar para deixar minha marca em homenagem ao mês de nascimento de Charles Darwin.

Imagino que grande parte (provavelmente a maioria) dos leitores do Bule têm uma certa familiaridade com a Teoria da Evolução, e muitos já tiveram a oportunidade de ler a obra-prima de Charles Darwin, “A origem das espécies” (inicialmente conhecido pelo singelo título “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida“). Mesmo aqueles que não leram o livro, sabem que este é um dos pilares da biologia, e seus principais conceitos são repassados a alunos de milhões de escolas ao redor do mundo.

Todavia, nem todo mundo conhece o caminho árduo que Darwin percorreu até a publicação do livro. Claro que a viagem que fez a bordo do Beagle plantou a semente do que viria a ser sua mais importante contribuição para a posteridade, porém no texto abaixo teremos uma imagem da época em que todo o sistema estava sendo organizado nesse maravilhoso cérebro. E veremos que, realmente, não basta apenas inspiração se esta não estiver aliada a muita transpiração.

E para quem interessar a ler o caminho percorrido por Darwin até a descrença em deus, também publiquei um outro trecho da Autobiografia intitulado “Um caminho para a descrença“.

Com a palavra, Charles Darwin.

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