Non Ducor Duco

Autora: Rayssa Gon

Imagem: Folha 

Eu cursei todo o chamado ensino fundamental na mesma escola. Foram oito anos fazendo o mesmo caminho de ida e volta, cinco dias por semana. Eu fiz o primário de manhã e lembro do pai de um coleguinha levando-o de bicicleta todos os dias. Por algum tempo (anos?) ele foi na garupa, depois foi sentado de lado, no ferro central da bike. ainda recordo do pai pedalando com as pernas meio abertas, algo desconfortável (era meio cômico, inclusive). A proxima lembrança é a da minha mãe me falando que os dois tinham sido atropelados indo para a escola. Eu ja estava no ginásio e não estudava mais de manhã, mas minha irmã menor sim, por isso ela soube do acontecido. O menino se ralou muito, o pai ficou engessado, não lembro se na perna ou no braço. Meu irmão trabalhou de office-boy durante toda a adolescência. E durante um certo tempo foi e voltou do trabalho de bicicleta. De Pirituba até a Lapa, todos os dias. Com o dinheiro economizado da condução, ele acabou comprando alguma coisa, uma roupa, sei la. Mas era algo que ele não teria comprado se não fosse justamente a grana não-gasta do busão: a bicicleta não só se pagou, mas pagou essa outra coisa. Read more…

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Proibição do uso de celulares em bancos

Autor: Alex Rodrigues

Muitos (se não todos) já devem ter ouvido falar sobre o golpe conhecido como “saidinha de banco”.

De forma simples, funciona da seguinte forma: um ou mais indivíduos ficam dentro das agências bancárias ou nas áreas de caixas eletrônicos atentos a valores sacados por clientes. Ao perceber que alguém retirou uma quantia considerável, o ladrão liga por celular para seu(s) comparsa(s) e faz uma breve descrição da pessoa e do valor que carrega. Esse segundo time assalta o cliente logo na saída ou até mesmo a quarteirões de distância.

É, a imaginação humana não tem limites, para o bem ou, infelizmente, neste caso, para o mal.

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O SUS na visão da população

Autor: Alex Rodrigues

Não há como negar os inúmeros problemas existentes no nosso sistema público de saúde. Hospitais precários, falta de profissionais em algumas regiões, baixa qualificação e remuneração dos trabalhadores da saúde, filas absurdas, demora no atendimento e na marcação de especialidades, imensas áreas sem cobertura, e por aí vai.

Não obstante, nem tudo é um absoluto inferno, e há locais em que a assistência é prestada de forma exemplar, moderna e bem gerenciada, embora não sejam esses casos os que vão parar na mídia. Por exemplo, pouco se fala que temos um dos maiores programas de imunização pública do mundo, e não preciso me alongar demais aqui sobre os óbvios benefícios da vacinação em massa de crianças e quantas vidas são salvas com esse tipo de medida preventiva tão simples.

Mas o objetivo específico deste texto é apresentar, de forma resumida, os resultados do mais recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o assunto, chamado Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS).

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O que há de errado com o Bolsa Família?

Autor: Camilo Gomes Jr.

Também publicado em: A Voz da Espécie


Foto: Roberto Setton - Revista Exame.

ANTES DE TUDO, que uma coisa fique bem clara: não sou contra o Bolsa Família. Mas tenho sérias objeções à forma como este foi implementado. Digo, embora programas sociais — em especial, um grande programa de transferência de renda —, não sejam nenhum mimo do Estado para com o povo, mas, sim, uma necessidade urgente, num país onde 12% da população “vivia” — leia-se sobrevivia sabe-se lá como — em situação de extrema pobreza, antes do acesso ao benefício em questão,[1] o problema é que, como diz um velho e surrado adágio popular, “o diabo está nos detalhes”.

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Sete perguntas chatas sobre a ação no Rio de Janeiro

Autor: Daniel M. Barros
Fonte: Psiquiatria e Sociedade
Introdução: Alex Rodrigues

Infelizmente, assim como a Åsa Heuser em um post publicado no domingo (28/11), sinto a necessidade de declarar que não me oponho às ações ocorridas nesses últimos dias na minha eterna Cidade Maravilhosa. Inclusive até gostaria que tivesse sido realizada há mais tempo, por exemplo, antes que soldados do tráfico de outras comunidades lá se refugiassem.

Isso posto, sinto-me na obrigação de instigar a todos com quem converso, ou que leem o que escrevo. Questionemos! Não as ações em si, mas suas verdadeiras causas, seus possíveis efeitos, seus desdobramentos, sua legalidade, moralidade, publicidade e razoabilidade, sua eficiência, eficácia e efetividade.

Por que questionar? Ora, nós (a sociedade e nossos representantes) temos não só o direito, mas também o dever de acompanhar  todas as medidas que o poder público toma visando a tornar o Brasil um país melhor para todos. Assim, como forma de estímulo, compartilho as perguntas abaixo publicadas no blog Psiquiatria e Sociedade.

Claro que a lista não se encerra aqui, deve sim ser completada, aumentada e, porque não, questionada.  E acredito que, dada a qualidade dos leitores do Bule, muitos aqui têm respostas interessantes para alguns dos questionamentos abaixo, e esse foi um dos principais estímulos para que eu trouxesse esta publicação.

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Droga não é demônio

Autora: Eliane Brum

Fonte: Revista Época

Introdução: Alex Rodrigues

Eis um assunto extremamente espinhoso. Capaz de provocar debates infindáveis e acalorados.

Sejamos realistas, o modelo atual de combate às drogas é um fracasso. Também acho difícil afirmar que a legalização irrestrita de todas as drogas seria um sucesso.

Trago o texto e a longa entrevista abaixo (publicados em 14/06/2010) não como uma posição pessoal e firme sobre o assunto, pois ainda não me sinto suficientemente seguro para tal postura, mas apenas como um convite à leitura e à reflexão do tema.

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Legalizar o aborto

Autor: Tulio Vianna*

Fonte: Revista Fórum

Editor: Alex Rodrigues

O aborto não é crime na maioria esmagadora dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, se uma mulher desejar interromper uma gravidez por questões socioeconômicas, poderá fazê-lo sem maiores riscos para sua saúde em um hospital, de forma plenamente legal.

No Brasil, o aborto é tratado como crime e tanto a mulher que o praticar, como quem de qualquer forma auxiliá-la, poderão ser presos. Os rigores da legislação brasileira, porém, não impedem que os abortos sejam realizados clandestinamente. A Pesquisa Nacional do Aborto, publicada pela Universidade de Brasília (UNB) este ano, estimou que 1 em cada 5 mulheres brasileiras já realizaram aborto, sendo que metade delas foram internadas devido a complicações causadas pelo procedimento.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) constatou que, entre 1995 e 2007, a curetagem pós-aborto foi a cirurgia mais realizada no Sistema Único de Saúde (não foram levadas em conta cirurgias cardíacas, partos e pequenas intervenções que não exigem a internação do paciente). Foram 3,1 milhões de curetagens e estima-se que a maioria delas sejam decorrentes de abortos provocados.

Por que então não garantir às brasileiras o mesmo direito ao aborto já garantido às norte-americanas e europeias e evitar tantos riscos desnecessários à sua saúde?

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