Autor: André Tadeu de Oliveira

Toda entidade religiosa é organizada com base em uma confissão de fé, também conhecida como credo. No escopo do cristianismo, o primeiro documento composto com a finalidade de delimitar as crenças fundamentais foi batizado com a seguinte terminologia: Credo dos Apóstolos. Tal credo não foi redigido pelos seguidores diretos de Jesus, mas segundo estudiosos da teologia cristã contêm ensinamentos próximos aos defendidos pela tradição apostólica. De acordo com historiadores, o credo apostólico foi utilizado pela primeira vez no ano de 389, por ocasião do Sínodo de Milão.
Com o passar do tempo, outras afirmações de fé foram produzidas por todas as clássicas igrejas da cristandade, do catolicismo-romano ao protestantismo. Mesmo mantendo dogmas centrais, tornou-se usual a elaboração de diferentes documentos dogmáticos durante toda a história da religião cristã .
Não obstante, foi o protestantismo o ramo responsável pela elaboração do maior número de confissões . Do luteranismo ao calvinismo, encontramos uma elevada produção de elementos dogmáticos. Quais os motivos para tamanha pluralidade confessional?
O famoso preceito do livre exame pode ser uma resposta interessante. Estimulado a realizar sua própria interpretação do texto bíblico de uma maneira relativamente livre do magistério eclesiástico, o protestante ampliou essa ideia de liberdade diante de seus documentos confessionais. Dentre as principais confissões de fé criadas durante o período da reforma, podemos citar como marcantes: Confissão de Augsburgo ( 1530- luterana), Primeira Confissão da Basiléia ( 1534- reformada), Confissão de Genebra ( 1536- reformada), Confissão Gálica ( 1559- reformada), Confissão Escocesa ( 1560- reformada), Confissão Belga ( 1561- reformada), Trinta e Nove Artigos da Religião ( 1563- anglicana) e Segunda Confissão Helvética ( 1566- reformada).
Uma das principais críticas direcionadas às formulações doutrinárias religiosas reside em sua suposta imutabilidade, isto é, não podendo ser alteradas pelo fato de lidarem com temas metafísicos. Contudo, tal premissa é falsa e não encontra embasamento no estudo histórico. Adolf Von Harnack, importante teólogo e historiador alemão, por meio de sua magistral obra A História do Dogma , mostra como a dogmática cristã sofreu marcantes alterações. Assim, doutrinas religiosas não são pressupostos estáticos. Read more…