A renúncia do Papa tem um significado político

Hoje, 28, Bento XVI deixa o comando da Igreja Católica. Foto: Getty Images/The Independent

Hoje, 28, Bento XVI deixa o comando da Igreja Católica. Foto: Getty Images/The Independent

A renúncia do Papa é apresentada como uma decisão pessoal, devido à idade. Evidentemente, é preciso buscar as razões de fundo para um gesto inédito nos anais recentes da Igreja e que enfraquece ainda mais a sua credibilidade.

Os pontificados ficam historicamente identificados com alguns dos fatos ou decisões mais importantes que marcaram esses períodos. O Papa Pio XII, contemporâneo do nazismo e aliado de Hitler na sua ascensão ao poder, ficou indelevelmente marcado por essa aliança. Mais no passado, o que resta na memória popular de Papas como Rodrigo Borgia, ou Alexandre VI, senão a reputação cruel e de devasso, que nomeou o próprio filho Cesare Borgia, além de muitos outros parentes, como cardeais? De Júlio III, a nomeação como cardeal-sobrinho do amante de 17 anos, Innocenzo.

De Joseph Ratzinger, o Bento XVI, o elemento mais marcante de seu pontificado, antes da renúncia, parecia que iria ser a denúncia pública da pedofilia no clero. Poderá essa renúncia tirar o foco desse problema e sua sucessão lançar uma cortina de fumaça que oculte a série de escândalos?

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A religião na política e a nossa liberdade

Autora: Luciana Ribeiro dos Santos
Editor: Tiago Angelo

Processo

Ao longo de sua história, o Estado brasileiro esteve fortemente ligado à igreja católica, que ainda hoje luta para que sua influência seja sentida em legislações no mundo todo e particularmente em países de maioria católica, como o Brasil [1]. Apesar dessa influência, no entanto, a mesma instituição se envolveu em escândalos que colocaram em questão não apenas sua organização interna, como também suas recomendações públicas. Paralelo a esse afastamento do poder, o país veio passando por um processo longo, mas já perceptível, de laicização. Se por um lado os feriados ainda celebram Nossa Senhora Aparecida, Sexta Feira Santa e Páscoa, por outro acontecem ações como a retirada de símbolos religiosos de casas de poder, fruto de reivindicações pelo Estado Laico.

A laicização do Estado não significa, no entanto, a laicização do povo. Apesar da fé não ser oficialmente considerada como o “pacote de valores obrigatórios” tanto quanto há algumas décadas, a religiosidade popular continua em alta. Com a queda da estima do catolicismo, no entanto, quem ganha destaque são as congregações evangélicas de massa, com grande apelo emocional, oratória intimista e a mesma base religiosa da nossa colonização: o cristianismo.

O que talvez não esteja claro para todos os fiéis, todavia, é que essas igrejas não estão livres do caráter político que a católica teve em todos esses anos. Aliás, ouso dizer que esse caráter é mais forte, graças a um direcionamento consciente à prosperidade e ao ganho de poder. Mais do que uma opção de culto desvinculada do mercado, muitas igrejas já nascem como empresas de fé, geridas e sustentadas como uma instituição econômica. Outras se transformam para não “perder fiéis” para as primeiras que, não à toa, são muito atraentes para quem busca conforto psicológico. Nelas, o discurso convincente visa o dízimo; o dinheiro recolhido paga técnicas de oratória, gestão, marketing, programações de rádio, televisão, jantares com políticos e amizades influentes[2]; essas técnicas e contatos permitem mais discursos envolventes; esses discursos, mais dinheiro… Read more…

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“Queremos leis mais rígidas… para os outros”

Fonte: Uma Visão do Mundo

Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Força na Peruca - mensagem recebida por Demóstenes Torres

“Força na peruca! Família unida com o senhor! Lembre-se: já venceu!”

Esta foi a mensagem que o senador cassado, Demóstenes Torres, recebeu de sua afilhada no dia da votação da sua cassação. Tudo muito bonito se não fosse um problema: a garota está confortando um político indecoroso, fantoche no congresso de um contraventor (Carlinhos “Cachoeira”).

Este é um dos problemas na mentalidade do ser humano. Temos laços tão fortes (por interesse ou apenas afetivos) com certas pessoas, que iremos defendê-las mesmo ante as mais pesadas e inequívocas acusações. A mensagem da afilhada mostra uma família que não quer saber se o senador quebrou o decoro ou não: para ela, Demóstenes continua sendo um exemplo de funcionário público, mesmo tendo as gravações dos áudios telefônicos confirmado exatamente o oposto.

É uma mentalidade egoísta típica do brasileiro. Todos querem leis mais duras e severas, mas NINGUÉM quer se submeter a elas. Pergunte para alguém que estaciona na vaga de deficiente físico se ele acha justa a lei que reserva vagas. Pergunte para alguém parado por dirigir alcoolizado se ele acha justo ser preso por conduzir um veículo estando embriagado. Todos querem mais polícia nas ruas, mas veja a revolta de quem é parado por uma blitz ou em um posto da polícia rodoviária. Afinal, a lei e a aplicação desta não é para todos? Por que com você tem que ser diferente? Há alguns casos bem emblemáticos para exemplificar o que quero dizer.

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Modernizando a discussão sobre o capitalismo: Sérgio Mendes vs. Dâniel Fraga

Fonte: Sérgio Mendes

Leia:

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Ameaças à laicidade – a covardia de Portugal e uma reação nos EUA

Autor: Alex Rodrigues

Texto também publicado no blog O Lado Oculto da Lua

Duas notícias vindas de lados opostos do Atlântico mostram duas faces das várias ameaças a Estados laicos.

A primeira notícia, publicada em 09/05 no site do Paulopes, informa que o governo de Portugal teve que praticamente pedir ‘benção” para o Vaticano a fim de eliminar de seu calendário dois feriados religiosos, com o objetivo de aumentar o número de dias úteis no país.

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Ateus e Cristãos Progressistas: uma agenda em comum

Autor : Márcio Retamero

 Não faz muito tempo que ateus e cristãos formavam um par binário de opostos. Quando muito, a questão girava em torno do debate se Deus existe ou não; se a religião é alienante ou não; se o criacionismo era uma teoria válida ou puro mito (e é mito!). Geralmente tais debates descambavam para enquetes bem rasas e ingênuas do tipo: você crê que Deus criou o mundo em sete dias ou crê na teoria do Big Bang?

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Confissão de Fé de 1967. Uma avaliação sociológica em perspectiva humanista.

Autor: André Tadeu de Oliveira

Toda entidade religiosa é organizada com base em uma confissão de fé, também conhecida como credo. No escopo do cristianismo, o primeiro documento composto com a finalidade de delimitar as crenças fundamentais foi batizado com a seguinte terminologia: Credo dos Apóstolos. Tal credo não foi redigido pelos seguidores diretos de Jesus, mas segundo estudiosos da teologia cristã contêm ensinamentos próximos aos defendidos pela tradição apostólica. De acordo com historiadores, o credo apostólico foi utilizado pela primeira vez no ano de 389, por ocasião do Sínodo de Milão.

Com o passar do tempo, outras afirmações de fé foram produzidas por todas as clássicas igrejas da cristandade, do catolicismo-romano ao protestantismo. Mesmo mantendo dogmas centrais, tornou-se usual a elaboração de diferentes documentos dogmáticos durante toda a história da religião cristã .

Não obstante, foi o protestantismo o ramo responsável pela elaboração do maior número de confissões . Do luteranismo ao calvinismo, encontramos uma elevada produção de elementos dogmáticos. Quais os motivos para tamanha pluralidade confessional?

O famoso preceito do livre exame pode ser uma resposta interessante. Estimulado a realizar sua própria interpretação do texto bíblico de uma maneira relativamente livre do  magistério eclesiástico, o protestante ampliou essa ideia de liberdade diante de seus documentos confessionais. Dentre as principais confissões de fé criadas durante o período da reforma, podemos citar como marcantes: Confissão de Augsburgo ( 1530- luterana), Primeira Confissão da Basiléia ( 1534- reformada), Confissão de Genebra ( 1536- reformada), Confissão Gálica ( 1559- reformada), Confissão Escocesa ( 1560- reformada), Confissão Belga ( 1561- reformada), Trinta e Nove Artigos da Religião ( 1563- anglicana) e Segunda Confissão Helvética ( 1566- reformada).

Uma das principais críticas direcionadas às formulações doutrinárias religiosas reside em sua suposta imutabilidade, isto é, não podendo ser alteradas pelo fato de lidarem com temas metafísicos. Contudo, tal premissa é falsa e não encontra embasamento no estudo histórico. Adolf Von Harnack, importante teólogo e historiador alemão, por meio de sua magistral obra  A História do Dogma , mostra como a dogmática cristã sofreu marcantes alterações. Assim, doutrinas religiosas não são pressupostos estáticos. Read more…

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Eu sou a Mosca

Autora: Rayssa Gon

Ha umas semanas, estava voltando da faculdade, e um menino me parou na calçada. Ele Deveria ter uns 10 ou 11 anos e vinha da igreja pentecostal do outro lado da rua. Me estendeu um folheto dizendo “moça, moça”. No começo eu não entendi nada, mas peguei o papel. Então ele disse: “jesus te ama”. Essa tal igreja abriu faz uns 5 anos na esquina da minha rua, embaixo de um salão de cabeleireiro.

No ano passado, uma sede da mundial abriu praticamento do lado dela. Acho que é uma característica do cristianismo  se espalhar com a mesma força e rapidez com que se divide em novas e diferentes linhagens. Até que em determinado momento uma dessas linhagens consegue se impor, suprime as outras e se mantem hegemônica por um tempo. Aí depois de um tempo novas seitas cristãs surgem, ganham força, se espalham, e uma delas se destaca, passa a abafar as outras, etc etc.

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Por que não sou mais um Cético – Parte 2 de 5

Fonte: Stephenplatz

Autor: Stephen Bond

Tradução: Alê GM

[Comentário do tradutor: É importante deixar claro que nem tudo o que é dito neste texto está de acordo com as opiniões do tradutor, dos editores do Bule Voador e da LiHS como instituição. Mas trata-se de uma (auto)crítica bem-vinda, e talvez necessária, à comunidade cética, embora em muitos aspectos ela faça pouco sentido fora do contexto original - isto é, a comunidade cética dos EUA, não do Brasil. De qualquer forma, manter-se aberto a críticas e ponderar sobre elas é essencial em um ambiente de livre debate. Esta é a segunda parte de um texto em cinco partes, postadas às sextas-feiras.]

SEXISTAS MALDITOS

Um setor demográfico com o qual os céticos ficam particularmente desconfortáveis é a fêmea da espécie. É um fato cada vez mais constatado que a comunidade cética está repleta de sexismo — especialmente depois da controvérsia do “cara do elevador”, sobre a qual falarei mais adiante. Mulheres são uma pequena minoria no mundo cético, e as poucas que se envolvem tem bosta atirada sobre elas constantemente por seus colegas céticos. Todo dia elas sofrem toda a gama de atitudes desde escárnio até olhadas maliciosas.

O ceticismo, é claro, é apenas um dos muitos interesses online que atraem sexistas mal-enrustidos. Mas a atração particular do ceticismo é também seu problema em particular: ele permite que o sexista disfarce seu preconceito como racionalidade e “bom senso”. Você pode encontrar caras assim facilmente em fóruns céticos: a palavra “feminismo” faz com que rastejem para fora, como lesmas depois de um aguaceiro. Para eles, o feminismo é uma disciplina não científica (mas como poderia ser de outra forma?), tão sem sentido quanto astrologia ou Catolicismo Romano, e está maduro e perfeito para ser refutado. Eles concordam com a liberação feminina, dentro do bom-senso; mas agora já foi longe demais, e a mão firme da razão deve segurar as rédeas. A razão, de maneira bem estranha, parece nunca perturbar seu próprio agarramento ao poder. Ela está sempre do lado do patriarcado. Read more…

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Por que não sou mais um Cético – Parte 1 de 5

Fonte: Stephenplatz

Autor: Stephen Bond

Tradução: Alê GM

[Comentário do tradutor: É importante deixar claro que nem tudo o que é dito neste texto está de acordo com as opiniões do tradutor, dos editores do Bule Voador e da LiHS como instituição. Mas trata-se de uma (auto)crítica bem-vinda, e talvez necessária, à comunidade cética, embora em muitos aspectos ela faça pouco sentido fora do contexto original - isto é, a comunidade cética dos EUA, não do Brasil. De qualquer forma, manter-se aberto a críticas e ponderar sobre elas é essencial em um ambiente de livre debate. O texto será postado em cinco partes, às sextas-feiras.]

REJEITANDO O CETICISMO

Essa não é uma história de como eu encontrei Jesus, de como a acupuntura curou minhas hemorroidas ou de como meus abdutores alienígenas revelaram a verdade derradeira sobre o 11 de setembro. Eu ainda não tenho fé em nada sobrenatural, místico, psíquico ou espiritual. Eu ainda considero o método científico a melhor maneira de criar um modelo da realidade e a razão a melhor maneira de descobrir a verdade. Eu não sou mais um cético, mas nenhuma das minhas crenças centrais mudou.

O que mudou é que vim a rejeitar o ceticismo como identidade. Identidades compartilhadas como o ceticismo são, na melhor das hipóteses, problemáticas por inúmeras razões, mas posso aceita-las como maneira de empoderar e dar voz àqueles a quem os direitos políticos são negados. E, de fato, é assim que céticos gostam de retratar a si mesmos: uma minoria preparada para o combate erguendo-se em defesa da ciência, o reduto solitário da razão em um mundo irracional, a vanguarda contra a velha ordem de ignorância e superstição. Como um cético, eu estava feliz em aceitar esta narrativa e acreditar que eu estava fortalecendo as barricadas.

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