Brincar com jogos “de meninos” poderia ajudar as meninas em ciência e matemática?

Foto: EMELY/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Um artigo de revisão revela que homens ainda possuem melhores habilidades espaciais do que as mulheres – isso poderia ser explicado por diferenças individuais na identificação com os papéis de gênero.

As obervações de que os homens, aparentemente, são superiores às mulheres em alguns campos de estudos acadêmicos motivou uma gama de pesquisas que esperam lançar luz sobre se essas observações poderiam ser atribuídas à “natureza ou à criação”. Embora não haja diferenças na inteligência geral entre os sexos, estudos dos últimos 35 anos têm revelado, consistentemente, que, no geral, os homens saem-se bem melhor em testes envolvendo habilidades espaciais do que as mulheres. Essas diferenças podem ter algo a ver com o porquê de ainda existirem tão poucas mulheres no ensino superior estudando ciência, tecnologia, engenharia e matemática – todos assuntos em que possuir boas habilidades espaciais ajuda.

Uma avaliação mais profunda, entretanto, mostra que isso pode ser uma simplificação exagerada dos fatos. Um novo artigo de revisão, publicado no periódico da editora Springer, Sex Roles, lança luz em um dos fatores que contribuem para as diferenças, entre os gêneros, nas habilidades espacias: os papéis de gênero. Embora crianças nasçam meninos ou meninas, indivíduos diferem em seu nível de identificação com a masculinidade e feminilidade e quanto ao seu endosso aos papéis de gênero masculinos e femininos. A revisão foi levada a cabo por David Reilly e David Neumann da Universidade Griffith, em Queensland, na Austrália. Read more…

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“Escola de princesas” acende discussão sobre papéis de gênero e adultização de meninas

Na sexta-feira passada, o MG TV da filial da Globo no Triângulo Mineiro passou uma reportagem sobre uma “escola de princesas” em Uberlândia (MG). Menos detalhes do que nos interessaria foram passados na matéria, mas o que foi mencionado já nos convida a uma discussão franca sobre a socialização de meninas num papel de gênero determinado e a adultização de meninas que deveriam estar brincando – ao invés de se maquiando como adultas. No curso, crianças entre 8 e 12 anos aprendem noções de como princesas de famílias reais se comportam – ou, aliás, são obrigadas a se comportar – diante de um jantar de uma família real de uma monarquia, nos cuidados (muito precoces) com maquiagem, com vestuário etc.

É bastante perceptível o teor de aculturação de crianças num papel de gênero que a sociedade patriarcal ocidental, desde a Europa medieval até ainda hoje, espera de mulheres. A reportagem fala claramente de “cuidar da beleza”, serem meigas, usar maquiagens, arrumar quartos coloridos de rosa, usar brinquedos convencionalmente reservados a meninas, preparar a mesa do jantar, entre outros aspectos que de fato acostumam as pequenas garotas à ideia de que os princípios culturais das princesas de reinos europeus são bons para a sua “feminilidade”.

Nisso a “escola de princesas” acaba reforçando que o papel da mulher é ser dócil e encantadora (ou seja, dentro dos padrões de beleza vigentes) para a inspiração dos homens e se dedicar aos serviços domésticos – embora o curso de férias das pequenas “princesas” também fale da filantropia sócio-humanitária empreendida por princesas da modernidade, algo que, porém, pode ser feito por qualquer mulher, independentemente de status e classe social. Fora o engajamento filantrópico, não parece ensinar as meninas a se tornarem mulheres decididas, trabalhadoras (cujo trabalho edifique o indivíduo e a coletividade), independentes e dispostas a mudar as raízes dos problemas do mundo – entre eles a própria diferenciação sociopolítica entre princesas moradoras de palácios e mulheres comuns. Read more…

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Machismo onde menos se espera: charge difere julgamento de homens e mulheres pelos óculos

Autor: Robson Fernando de Souza
Fonte: Consciencia.blog.br

Este post vai fazer me chamarem de “radical”, de “policial do politicamente correto”, de “moralista” ou sabe-se lá mais que adjetivos ou substantivos podem achar no momento. Mas isso não me intimida de fazer a reflexão deste post. Trata-se aqui da charge acima, encontrada no Facebook, sobre como o óculos, segundo interpretei, planta ou derruba impressões preconceituosas sobre a aparência das pessoas.

Curiosamente a figura mostra três homens em quem o óculos faz parecer terem profissões diferentes, mas a mulher em específico, a única que aparece, não é mostrada com o contraste de profissões, mas sim em como ela, de acordo com o que é julgado de sua aparência, imaginariamente lidaria com homens que a paqueram – sem óculos, “fácil”; com óculos, “difícil”. E, claro, sendo um exemplo de mulher paquerável, é branca e loira, sendo “impensável” que fosse retratada como uma negra ou parda.

E não há nenhuma outra mulher na imagem. Fica então patente o contraste de caráter machista.  Em outras palavras, a presença ou ausência do óculos suscita prejulgamentos sobre com que o homem trabalha ou como a mulher serve aos homens. Read more…

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Pérola de “humor” machista insinua que rapazes héteros não devem ser virtuosos com moças

Fonte: Consciencia.blog.br
Autor:
Robson Fernando de Souza

Vi hoje no Facebook essa “piada”, que mostra bem como o machismo determina que os homens e mulheres heterossexuais devam se comportam. Nela, um fake da moça dos palitos Gina afirma que a mulher não conseguiria encontrar características como carinho, romantismo, atenciosidade e sensibilidade em rapazes heterossexuais, porque apenas homens gays possuiriam essas características. Uma clara generalização discriminatória que tanto nega aos homens héteros a capacidade de ter um temperamento virtuoso e não duro para com mulheres como legitima o papel de “machão” insensível que os mesmos “deveriam” adotar para se diferenciarem dos gays e das mulheres.

Para o autor da fanpage “Gina Indelicada” e o machismo que aflora de sua mentalidade, rapazes héteros não podem ser românticos, sensíveis, atenciosos, gentis e amorosos para com moças. Essas seriam características exclusivas de homens gays, e os héteros, pelo que se insinua, “devem” ser o inverso disso ou pelo menos não ter tais virtudes.

É assim que o machismo travestido de “piadas politicamente incorretas” impõe como os homens devem ser e se comportar. “Devem” ser rudes, frios, insensíveis e indelicados para com mulheres caso queiram manter sua masculinidade, senão “automaticamente” não gostam de mulheres, estarão sendo “gays, logo reprováveis” e/ou “femininos, parecidos com mulheres, logo inferiores”. Determina que orientação sexual molda comportamento e também caráter, estereotipando o homem “machão, indiferente e rude, logo hétero e por tabela bom e admirável” e o homem “sensível, romântico e atento, logo gay e feminino e por tabela ruim e repudiável”. Read more…

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5 estereótipos de gênero que costumavam ser o exato oposto

Fonte: Cracked
Autoria: J.F. Sargent
Tradução: Guilherme Balan

(Introdução do tradutor:) A Cracked é um site de humor, mas que trata de todo tipo de tema, como história, biologia, fatos curiosos ou macabros, tudo sempre com muitas piadas e às vezes sarcasmo. Muitos dos artigos lá são em tópicos (“5 coisas que…”) e eles normalmente não se explicam por completo o que estão afirmando (normalmente só o suficiente para informar, dar uma lição e para fazer tirar humor daquilo). Mas há sempre links para outros textos pela Internet que detalham o tema – portanto, se alguma alegação parecer suspeita ou mal explicada, sugiro seguir as fontes e descobrir por si mesmo se o que estão afirmando faz sentido. Tenho vários artigos da Cracked que gostaria de traduzir, mas esse texto sobre estereótipos que saiu nessa terça-feira (24 de abril) foi tão marcante que resolvi começar já por ele, tanto pelo meu interesse por questões de gênero, quanto pela minha experiência como cético.

Lendo sobre ceticismo e aplicando ele na minha vida, eu aprendi a gostar de desvendar alegações paranormais e todo tipo de lendas que se espalham pela Internet (via Ceticismo Aberto em boa parte das vezes, com sua investigação impecável). Com o tempo, vim tentando espalhar essa atitude para outras áreas, como minha visão geral da história (descobrindo, por exemplo, que a África tem uma história imensa!), noções de saúde e de realização pessoal, e também o padrões sobre relações pessoais, noções de grupo ou de estrutura familiar, e também estereótipos de gênero. Eu vejo muitas vezes essas distorções sendo causadas por crenças transcendentais, superstições ou tradicionalismo cego. Só que elas também podem ser causadas por noções erradas ou dogmatizadas da própria ciência, tanto pela inculcação de ‘propósitos biológicos’ em comportamentos culturais quanto pela negação de predisposições genéticas que alguns ou todos nós temos. Seja qual for a origem desses estereótipos, a perda é sempre gigantesca, tanto pra quem fica preso no modelo, quanto pra quem é segregado por estar fora do “normal”. Então vamos tentar quebrar alguns deles, dessa vez com humor.

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Os estereótipos mais difíceis de quebrar são aqueles tão velhos que vêm lá de trás, dos nossos dias de caçadores-coletores. Afinal, como você pode discutir com biologia? Mulheres carregam os bebês, homens têm a força no tronco para caçar gazelas. Ninguém inventou isso do nada.

Mas se a sociedade nos ensinou uma coisa, foi a facilidade que temos de enfiar mais e mais emendas nessa lei, a ponto de alegarmos que todos os estereótipos sexuais e de gênero remontam aos primórdios da evolução humana. Claro que, na verdade…

5. “Rosa é coisa de menina” é uma ideia recente Read more…

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A propaganda heterossexual

Publicado originalmente em Queer and Politics.

Esta é uma versão adaptada do texto original linkado acima, embora o tema central seja o mesmo.

Cena do filme dinamarquês Du Er Ikke Alene (Você não está sozinho), de 1978. Kim (Peter Bjerg) à esquerda e Bo (Anders Agensø) à direita.

Numa escala de grandes temas gerais ligados às demandas da população LGBT hoje (i.e. casamento civil, criminalização dos crimes de ódio e educação inclusiva/combate à homofobia escolar), o terceiro tema é o menos pacífico, mais enigmático, envolto em perigos tenebrosos. A razão é simples: há crianças no meio. E a nossa cultura moderna, mesmo que paradoxalmente conviva com infâncias nos lixões, em exploração sexual, em violência doméstica e famintas nas ruas, tem pânico moral quando você quer pensar o que fazemos com as crianças, quando se propõe a discutir a educação escolar delas. E mais: quando entra sexualidade (eu não disse sexo) na discussão, todo mundo corre para a redoma-da-assexualidade. O assunto costuma ser discutido com zero argumentos e mil pânicos inculcados.

Sátira em que se lê: Fujam para salvar suas vidas! É a agenda gay!!!

Evitando repetir tudo que já disse sobre algumas facetas desta questão, um resumo prévio: traduzi um texto de uma blogueira dos EUA que tem um filho gay de sete anos que é fã de Glee; tratei da expressão pronta (e paranóica) chamada “família brasileira” na crítica ao vídeo do PSC; contei sobre o trabalho de uma escola de Oakland (Califórnia) que ensina diversidade de gênero para as crianças das 4ª e 5ª séries (e ainda fiz uma entrevista bem esclarecedora com eles sobre o tema); fiz também um longo e cansativo texto, à época do veto de Dilma ao kit anti-homofobia, em que digo que abordar diversidade sexual na escola não é transformar (sic) as crianças em LGBTs. Caso queira, sugiro que (re)leia só o entretítulo Propaganda da homossexualidade, que diz respeito diretamente ao tema deste texto. Além disso, já tratei do conceito de heteronormatividade, que também está na base dessa discussão, e publiquei um texto fenomenal da antropóloga Débora Diniz sobre homofobia e bullying na escola. Read more…

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