Governos discutem sobre a síria enquanto população é massacrada

Fonte: Uma Visão do Mundo

Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Bairro de Homs destruído pelo bombardeio do exército sírio

Vamos supor que você tem um vizinho que possui uns 10 filhos. Tudo ia muito bem até essa galera toda entrar na adolescência. Irritado com as constantes queixas e afrontas típicas desta fase, o pai um dia pega uma arma e mata um de seus filhos durante a madrugada. A vizinhança inteira sai à rua para ver o que ocorreu. O pai, então, sai ao portão dizendo que o filho chegou bêbado em casa, iniciou uma discussão e ele acabou matando seu filho sem querer.

A vizinhança volta às suas casas atordoadas com o acontecimento, mas a vida segue. Na noite seguinte, outro tiro e mais um morto. Em outra noite, outro tiro e mais um filho morto. A vizinhança se reúne e fala para o vizinho parar com aquilo. O pai dos adolescentes diz que está apenas se defendendo dos filhos que agora confrontam suas ordens dentro da casa. Mais uma noite, mais um tiro, mais um morto.

Os vizinhos tornam a se reunir e discutir com o pai no portão da casa. Ao final da discussão, todos retornam para suas casas e outra noite, mais um tiro e outro morto. Os vizinhos saem novamente para discutir, e discutir, e discutir, e outro morto, e discutir, e outro tiro, e discutir, e tiro, morte, discussão, todos para suas casas, tiro, morte…

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Israelenses e iranianos trocam mensagens de paz entre si

Fonte: Uma Visão do Mundo

Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Casal com um israelense e uma iraniana divulgam seu amor pela paz entre os povos

Com a velha e conhecida pose de bom moço, os americanos apontam seus mísseis em direção ao Irã. As desculpas são velhas conhecidas de outras guerras: eles (iranianos) são malvados; eles suportam o terrorismo; eles querem construir uma bomba atômica para destruir você, cidadão americano. A razão para essa campanha contra o Irã também é outra velha conhecida: dinheiro. O Irã já foi fantoche americano, exportando bilhões de barris para o seu parceiro insaciável por petróleo. A revolução islâmica, encabeçada pelo Aiatolá Khomeini, contudo, acabou com a festa dos americanos.

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Religiosidade no Neolítico – Parte 2

Autor: Leonardo Veloso Pin
Editor: Guilherme Balan

[confira também: Religiosidade no Neolítico - Parte 1]

Durante a constituição do modelo de cidade-Estado, que dominará o Mediterrâneo pelos próximos séculos [4000-3500 a.C em diante], veremos nascer criações fundamentais do ser humano. Apesar de constatar-se a domesticação de plantas selvagens do próprio local em regiões afastadas do Levante, as áreas ao redor do Crescente Fértil necessitavam do que era inicialmente produzido nessa área geográfica. A disseminação das culturas do sudoeste asiático “foi logo seguida pela de outras inovações que nasciam no Crescente Fértil ou perto dele, entre elas a roda, a escrita, técnicas de metalurgia, ordenha, árvores frutíferas e produção de vinho e cerveja.”1

Nas cidades-Estado hieráticas, o mundo sagrado das divindades era muito mais do que um ideal a se aspirar, mas, antes disso, um protótipo, um arquétipo da vida na terra. Os próprios deuses haviam ensinado as técnicas de construção das cidades aos homens e, por conta disso, concebia-se que tudo no mundo era uma réplica frágil de alguma contraparte divina, ou seja, as pessoas e objetos da realidade sagrada tinham suas imitações no mundo material2. Foi por volta do terceiro milênio AEC que surgiu “o profissional em tempo integral, iniciado e estritamente arregimentado, sacerdote de templo.”3

Mapa da região da Mesopotâmia (fonte: Wikipedia)As cidades de Ur, de onde veio o Patriarca Abraão, Kish, Erech, Nipur, Shuruppak, Sipar e Lagash foram os palcos privilegiados dessa nova forma de se enxergar a realidade. Do alto das maravilhosas torres-templos chamadas zigurates os sacerdotes podiam admirar o cortejo das sete esferas eternas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, a Lua e o poderoso Sol, os mensageiros da lei e ordem universais. O número sete torna-se objeto de especial reverência por conta das sete “estrelas” errantes das quais derivou a semana4. Toda a cidade é uma cópia na terra da ordem do Cosmos e, de acordo com a concepção matemática de inspiração astronômica que dava suporte a essa consonância mágica, o universo (macrocosmos) unia-se à comunidade (mesocosmos) e esta, por sua vez, ligava-se ao ser individual (microcosmos)5.

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Religiosidade no Neolítico – Parte 1

Autor: Leonardo Veloso Pin
Editor: Guilherme Balan


“O céu continuaria a ser um símbolo do sagrado bem depois do período Paleolítico. Mas um progresso inicial mostrou que a mitologia falharia se falasse de uma realidade transcendente demais. Se um mito não permite que as pessoas participem de algum modo do sagrado, ele se torna remoto e escapa de sua consciência. A certa altura (…), as pessoas de diversas partes do mundo, isoladas entre si, passaram a representar o céu. Começaram a contar histórias sobre um “Deus Celeste” ou “Deus das Alturas”, que criou sozinho o céu e a terra, a partir do nada. Esse monoteísmo primitivo quase certamente data do período Paleolítico. Antes de começarem a adorar uma série de divindades, os povos de muitas partes do mundo reconheciam apenas um Deus Supremo, que criara o mundo e administrava os assuntos humanos do alto. “1 – Karen Armstrong

Esse Deus Supremo, que era a Causa Primeira de todas as coisas, não podia ser representado por imagens e não possuía templos ou sacerdotes, por ser sublime demais para as inadequadas categorias e culto humano. Por essa razão foi desvanecendo-se aos poucos até ser substituído por divindades menores e mais acessíveis, pois o mythos é paradigmático e precisa fazer-se presente e estar voltado à vida das pessoas para que possa florescer. No período Paleolítico as mitologias dominantes eram a do “valente xamã – cujo poder era atrair os animais para a queda” quer dizer, por meio dos rituais, o feiticeiro, meio homem, meio fera, encantava os animais para tornarem-se passíveis de serem caçados, como podemos constatar pelas pinturas de Trois Frères – e a do Mestre Animal, muito bem representada pelo ritual do culto ao urso e à rena e que estaria relacionado à magia que evitava “ser surpreendido pela vingança sangrenta” do espírito do ser o qual teve o sangue derramado durante a caçada ou luta. Porém, percebemos uma mudança clara na mitologia a partir de quando as sociedades passaram a cultivar o próprio alimento.

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Judeus e muçulmanos unem-se em orações para que chova na Terra Santa

Fonte: Angola Press

Editor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Introdução: Lembro bem do sarcasmo e zombaria para com os índios quando na sala de aula a professora explicou que eles dançavam para chamar a chuva. Também recordo dos inúmeros crentes que lamentaram a “ingenuidade” daquele líder espiritual que ficou encarregado de apaziguar o vulcão Merapi e acabou morrendo na tentativa.

Estas pessoas, que achavam ter uma crença mais “evoluída” que povos ancestrais, agora deverão mudar de idéia, já que seus sacerdotes efetivamente rezam crentes de que podem fazer chover mediante intercessão divina. As religiões “evoluídas” mostram que ainda carregam muito daquilo que sempre foram: um conjunto de crenças que nasceram pelo medo e desconhecimento do mundo natural. São tão arcaicas a ingênuas como todas as demais.

Não obstante, podemos ver sacerdotes de culturas inimigas se unindo em prol de uma boa causa. Sabendo que a religião não é o único componente que gera conflitos no Oriente Médio, esta é uma atitude a ser louvada, já que efetivamente está unindo povos antagônicos.

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