Compreender a sua mente é uma missão crítica

AutorJamil Zaki, autor convidado
Tradutor: André Rabelo

 

Cortesia da Digital Shotgun via Flickr.

No início deste ano, o senador Tom Coburn publicou um relatório chamado “Sob o Microscópio“, no qual ele criticou o financiamento de qualquer pesquisa que ele não pudesse imediatamente entender como importante. De valor particularmente duvidoso, na opinião de Coburn, são as ciências comportamentais e sociais—incluindo o meu próprio campo, a psicologia. Seguindo no seu relatório, Coburn propôs eliminar o financiamento da Fundação Nacional de Ciência para estas ciências “humanas”, escrevendo: “…alguns destes estudos sociais representam prioridades nacionais óbvias que merecem um corte do mesmo bolo que a astronomia, a biologia, a química, a ciência da terra, a física ou a oceanografia?” Mo Brooks, que ocupa a cadeira de um painel do congresso considerando tais cortes, ecoou esta opinião. Brooks explicitamente afirmou que as ciências humanas ainda têm que provar o seu valor.

Considerando que os pensamentos e as escolhas das pessoas, por definição, desempenham o papel mais poderoso na formação da nossa sociedade, porque estudar a mente humana parece um tipo de esforço dispensável? Uma razão pode ser que frequentemente as pessoas se sentem como se elas já compreendessem suas mentes, e que o estudo das pessoas e das culturas não pode revelar nada de novo para elas. Tópicos como redes sociais, emoção, memória e relações raciais soam menos científicos do que o estudo da estrutura celular, formação proteica ou força eletromagnética. Estes últimos tópicos parecem que irão revelar insights inacessíveis às nossas intuições, enquanto que as ciências humanas não poderiam. Isto não poderia estar mais distante da verdade: exames da mente humana frequentemente desenterram grandes surpresas. De fato, uma ampla mensagem emergindo dos últimos 50 anos de pesquisa psicológica é que forças além da nossa consciência guiam muitas das nossas operações mentais mais críticas—nossos julgamentos morais, preferências e operações semelhantes. Reconhecendo estas forças e botando elas para trabalhar tem o potencial de mudar—e até mesmo salvar—vidas. Aqui estão quatro maneiras que as ciências humanas podem nos ajudar em uma grande escala, e razões porque nós não podemos viver sem a investigação rigorosa das nossas próprias mentes.

posted by Andr in André Rabelo,Ciência,Mente/Cérebro and have Comments (2)

Aperte seu cinto, fortaleça sua mente

Autores: Sandra Aamodt e Sam Wang
Fonte: The New York Times
Tradução: Alê GM

Desenho: Michael Klein (NYT credits)

Preços de imóveis caindo, demissões aumentando, preço do petróleo decolando e uma grande crise de crédito diminuíram a confiança do consumidor ao seu ponto mais baixo em cinco anos. Com uma recessão relativamente longa parecendo cada vez mais provável, muitas famílias americanas podem estar planejando apertar os cintos.

De maneira interessante, restringir nossos gastos de consumo, no curto prazo, pode fazer com que afrouxemos os cintos em nossas cinturas. Qual é a conexão? O cérebro tem uma capacidade limitada de autorregulação, então exercer a força de vontade em uma área frequentemente leva a recaídas em outras. A boa notícia, porém, é que esse treino aumenta a capacidade de força de vontade, então no longo prazo comprar menos pode aumentar nossa habilidade de alcançar metas futuras – como perder aqueles 5 quilos que ganhamos quando não estávamos fazendo compras.

A reserva de força de vontade do cérebro diminui quando as pessoas controlam seus pensamentos, sentimentos e impulsos, ou quando modificam seu comportamento em busca de objetivos. O psicólogo Roy Baumeister e outros descobriram que as pessoas que tem sucesso em realizar uma tarefa que requer autocontrole são menos persistentes em uma segunda tarefa aparentemente não relacionada. Read more…

posted by Luiz Henrique Coletto in Alê GM,Bule Traduz,Ciência,Mente/Cérebro and have Comments (3)

Cientistas Aprendem a Ler Mentes: Estaria o Big Brother Muito Distante?

Fonte: Psychology Today
Autora: Sarah Estes Graham
Tradução: André Rabelo

Como muitas crianças, eu passei muito tempo sonhando com um mundo onde realidades interiores imaginadas poderiam de alguma forma se manifestar no ambiente externo. Uma vez eu desejei tanto o dom de voar que eu comecei a bater as minhas asas em público (muito depois da idade onde isso teria sido fofo). Eu rapidamente deicidi parar de ser tão observavelmente estranha, mas o sonho persistiu. Se a popularidade de filmes como “A Origem” é alguma indicação, eu não estou sozinha.

Tanto sonhadores quanto fãs de ficção científica podem segurar o fôlego – o futuro é agora. Cientistas do Gallant Lab da UC Berkeley publicaram um artigo na Current Biology mês passado apresentando a primeira abordagem bem sucedida para reconstruir filmes naturais da atividade cerebral. Estudos usando a tecnologia fMRI têm reproduzido imagens estáticas no passado, mas o fMRI mede mudanças no volume sanguíneo, não a atividade neural efetiva. Quando os neurônios estão ocupados disparando, eles demandam sangue rico em oxigênio para suprir suas atividades. Felizmente para os cientistas, este sangue possui propriedades magnéticas ligeiramente diferentes, correlaciona-se com a atividade das populações de neurônios e podem ser medidas usando-se o fMRI. Infelizmente, as mudanças no fluxo sanguíneo são muito pequenas comparadas à atividade incrivelmente complexa e rápida dos neurônios disparando. (A menor unidade mensurável sendo os píxels do tipo voxel, mas para o imageamento cerebral isto inclui cerca de um milhão de neurônios!). Enquanto medir o fluxo sanguíneo nos da uma riqueza de informações, isto não é veloz o suficiente para refletir acuradamente o que está acontecendo com as populações neurais em nosso sistema visual. Neurocientistas estão sempre em busca de maneiras de refinar os correlatos neurais de mudanças na atividade hemodinâmica. Read more…

posted by Andr in André Rabelo,Bule Acadêmico,Ciência,Filosofia da moral,Mente/Cérebro,Política and have Comments (5)

Psicologia Evolucionista

Fonte: Ciência – Uma Vela no Escuro

Autor: André Rabelo

 

Porque o ser humano é capaz de atos tão heróicos, mas também de outros tão cruéis? Porque fazemos sexo e fazemos guerra? Como indagava o grande Cazuza, porque que a gente é assim?

No final da década de 1980, pesquisadores de diversas áreas interessados no comportamento humano começaram a se perguntar se a teoria da seleção natural de Darwin poderia ajudar a responder esse tipo de pergunta, fundando uma das áreas mais influentes e importantes da psicologia atualmente – a Psicologia Evolucionista.

Darwin, ciente das implicações de sua teoria, conclui o seu livro A Origem das Espécies prevendo que “a psicologia será baseada em novos alicerces”. Provavelmente devido ao receio das reações que o seu provocativo livro causaria, Darwin não explorou muito a questão neste livro. Em livros subsquentes como A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais e A Origem do Homem e a Seleção Sexual, Darwin trouxe evidências que indicavam a importância de sua teoria para a compreensão da natureza humana.

Muitas questões levantadas por ele ficaram em aberto e só foram retomadas por volta de 100 anos após a publicação de A Origem das Espécies com o advento da Etologia, da Sociobiologia, da Ecologia Comportamental e, mais recentemente, da Psicologia Evolucionista. Boyer e Heckhausen (2002) consideram a Psicologia Evolucionista como um dos mais importantes desenvolvimentos recentes nas ciências do comportamento. Read more…

posted by Andr in André Rabelo,Bule Acadêmico,Evolução,Mente/Cérebro and have Comments (10)

Ciência, fé e as três origens

Autor: Marcelo Gleiser

Fonte: Folha de São Paulo

Via: Luis Nassif Online

Editor: Alex Rodrigues

Uma excelente ilustração da intersecção entre a ciência e a religião ocorre quando refletimos sobre o que chamo de “as três origens”: a do Universo, a da vida e a da mente.

Por milênios, mitos de criação de todas as partes do mundo vêm tecendo explicações para esses três grandes mistérios. No meu livro “A dança do Universo” (Ed. Companhia das Letras, 2006), explorei alguns dos temas míticos que reaparecem na ciência, em particular na cosmologia, no estudo do Universo.

Precisamos conhecer nossas origens. E, desde os primórdios, olhamos para os céus em busca de respostas. Hoje, sabemos que somos aglomerados de poeira estelar dotados de consciência. Para desvendar nossa misteriosa origem, precisamos saber de onde vieram as estrelas, como a matéria não viva se transformou em matéria viva e como essa virou matéria pensante.

Mitos de criação atribuem as três origens a forças sobrenaturais, capazes de realizar feitos que nos parecem impossíveis. Grande parte do conflito entre a religião e a ciência se deve à tensão entre esses dois modos antagônicos de explicação.

Qualquer entidade que, por definição, existe além das leis naturais está além da esfera da ciência.

Read more…

posted by Alex Rodrigues in Brasil,Ciência,Reflexões and have Comments (9)

O Silêncio dos Inconscientes: imagens cerebrais permitem que pessoa inconsciente se comunique

Fonte: Nature
Autora: Heidi Ledford
Tradução: Eli Vieira       

    

O imageamento cerebral permitiu que um homem que era antes considerado inconsciente respondesse uma série de perguntas de sim ou não. O estudo, publicado esta semana no New England Journal of Medicine [1], desafia a definição clínica de consciência e fornece uma oportunidade sem precedentes para a comunicação com aqueles que não mostram sinais externos de estarem conscientes.      

Pacientes são classificados como inconscientes, ou em ‘estado vegetativo’, se não são capazes de responder a nenhuma modalidade de uma série extensa de perguntas e chamados. Mas se o paciente está completamente incapacitado de se mover, uma mente consciente e comunicativa poderia estar fora de alcance para esse tipo de teste. “O problema com o estado vegetativo é que ele é um diagnóstico baseado em ausência de evidência”, diz o neurocientista Adrian Owen,  da Unidade de Cognição e Ciências do Cérebro do Conselho de Pesquisa Médica em Cambridge, Reino Unido.         

Read more…

posted by Eli Vieira in Ciência,Mundo and have Comments (3)

“Deus sou eu mesmo”: pesquisa aponta egocentrismo na crença teísta

Fonte: EurekAlert!
Tradução: Eli Vieira

As pessoas religiosas tendem a usar suas próprias crenças como um guia para pensar sobre o que Deus acredita, mas são menos compelidas a isso quando raciocinam sobre a crença de outrem, de acordo com um estudo publicado no último 30 de novembro na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Nicholas Epley (professor de ciência do comportamento na Universidade de Chicago) liderou a pesquisa, que incluiu uma série de exames e estudos de neuroimagem para saber até onde vai a influência das próprias crenças individuais dos crentes quando prevêem quais são as crenças de Deus. As descobertas de Epley e seus colaboradores de Chicago e da Universidade Monash da Austrália estendem trabalhos anteriores em psicologia que já mostravam que as pessoas são frequentemente egocêntricas quando inferem as crenças de outrem.

Read more…

Tags:
posted by Eli Vieira in Mundo,Secularismo and have Comments (4)

Penso, logo desisto

Fonte: Dúvida Razoável

Autor: Kentaro Mori

 

A maior das ilusões não é a Matrix, um mundo de experiências virtuais que só acontecem em sua mente. Não, a maior ilusão é a sua própria mente, em particular a sua consciência e algo chamado livre-arbítrio. Esta ilusão o acompanha por toda sua vida, mesmo neste exato momento, ao ler estas linhas.

Depois de conhecê-la, não há mais volta. Você toma a pílula vermelha ao descobrir que a ciência vem desvendando esta ilusão há vários anos, mas a “Matrix” parece não querer que você conheça a verdade. E ela está ao alcance de qualquer um.

  Read more…

Tags:
posted by Bule Voador in Ciência and have Comments (4)

Mais uma confirmação da materialidade da mente

Autor: Eli Vieira

Francis Crick

15 anos atrás, Francis Crick, um dos descobridores da estrutura do DNA, escreveu um livro chamado “A hipótese surpreendente“. Qual era esta hipótese e o que ela tinha de surpreendente? Crick defendeu que a mente humana está fundamentada em bases puramente naturais, e que portanto a ideia tradicional de “alma” estaria equivocada. Pode-se dizer que a hipótese de Crick não tinha nada de nova e muito menos de surpreendente. Desde que os cientistas começaram a estudar o cérebro, nenhuma explicação dualista (ou seja, que separa a mente do corpo, como fazia Descartes) ganhou tanto terreno quanto a “hipótese surpreendente”. Há dois dias (11/10/09), por exemplo, a revista científica Nature Neuroscience publicou uma nova pesquisa sobre como o aprendizado de novas tarefas visuais e motoras altera fisicamente a configuração dos neurônios no cérebro.

Read more…

posted by Bule Voador in Ciência,Eli Vieira,Filosofia,Mente/Cérebro and have Comment (1)