Por que não estarei no TAM esse ano

Introdução: Com um atraso de 6 meses, apresento a vocês a tradução do texto de Rebecca Watson sobre o segundo capítulo de sua saga com o The Amaz!ing Meeting (TAM), escrita por ela dia 1 de junho de 2012. Ela já tinha ido ao TAM de 2011 sob ameças de morte e estupro da própria comunidade cética, por ter feito um comentário de 2 minutos sobre um constrangimento que ela passou em um evento cético; ela conta essa história nesse outro texto que também está no Bule, que envolve Richard Dawkins e um elevador, e cuja tradução é de Caroline Jamhour. Confiram o caso sobre o TAM de 2012 a seguir:

————–

“Falar sobre machismo não é o problema. Machismo é o problema”

Durante minha visita à Alemanha semana passada, uma pessoa presente na conferência que eu estava me perguntou o que eu achava que podíamos fazer para trazer mais mulheres para participarem de encontros céticos e ateístas. Eu dei a resposta que quase sempre dou: quando aumentamos o número de mulheres no palco, aumentamos o número de mulheres na platéia. Como sempre, eu dei este exemplo: A Amaz!ng Meeting (TAM) organizada pela James Randi Educational Foundation (JREF). Eu apontei que quando eu comecei a comparecer (TAM 3), havia muito poucas mulheres no palco e no público havia apenas 20% de mulheres. Expliquei que no ano passado (TAM 9) foi feito um esforço para que mulheres compusessem 50% do total de palestrantes. A maioria dessas mulheres estavam em mesas redondas e workshops, mas já foi um passo gigantesco. Isso, combinado com programas em andamento como a Skepchick, em que a Surly Amy arrecadou milhares de dólares para subsidiar viagens de dezenas de mulheres, ajudou a aumentar finalmente a porcentagem de mulheres na plateía para 40%.

Eu também aconselhei que mais conferências deviam instituir políticas anti-assédio, como o TAM fez ano passado, e que deviam fazer cumprir essas políticas para ajudar as mulheres a sentirem-se bem-vindas e seguras.

Por isso, é bem estranho para mim estar aqui anunciando que eu não vou participar do TAM este ano, pois não me sinto bem-vinda e nem segura e discordo fortemente das ações recentes do presidente da JREF, DJ Grothe. Read more…

posted by Guilherme Balan in Ateísmo,BlogosFeras,Ceticismo,Feminismo,Guilherme Balan,Igualdade de Gêneros and have Comments (59)

Das mulheres de tromba e das damas de paus

O mundo não me satisfaz e tenho vergonha da humanidade, em que ponto foi que tudo degringolou? Queria eu ter podido escolher e não estaria entre aqueles que se dizem animais racionais, seres superiores ou… pensantes. Quanta beleza naqueles que existem independente da vida do outro, em função da sua própria beleza que, se não é narcísica, enfeita-se naturalmente no intuito de simplesmente viver. Daquele que não julga e não encerra em classificações excludentes o outro, simplesmente por isso não melhorar em nada a sua vida.

Hoje em dia, apesar de vermos mais travestis e transexuais invadindo muitos espaços que até então, a nós era vetado, não podemos atestar pela qualidade de tudo quanto é dito ou escrito a esse respeito. É sobre essa mesquinha visão que falarei.

Fazendo um parêntese aqui: uso do masculino “ele” ao me referir a esse amigo hipotético de todas nós, as excluídas, mas podem substituí-lo pelo feminino, que também encontrarão o mesmo respaldo.

Todos sabemos que está na moda não ter preconceitos, não é mesmo? Foi algo conseguido pelo movimento gay e pelo movimento negro, suponho: já que estiveram sempre mais evidenciados. Algumas pessoas já me procuraram e disseram que gostariam de ter uma amiga transexual e eu me senti quase como um animal exótico: “seria tão bom ter um protegido pelo IBAMA, que ninguém mais tenha, em casa: seria de uma originalidade só!”. Ora essa, quando não, muitos usam das premissas que se salientam a todo tempo: “tenho curiosidade de saber como é transar com vocês” ou “tenho curiosidade como ficam os genitais de vocês”. Afinal de contas, a que servem travestis e transexuais? Sexo! É o que vem à cabeça da maioria esmagadora. Read more…

posted by Daniela Andrade in Combate ao Preconceito,Crítica,Daniela Andrade,Educação,Igualdade de Gêneros,Questões polêmicas and have Comments (21)

Consciencia.VLOG.br responde a vlogger que criticou feminismo

O vídeo abaixo é uma resposta do canal Consciencia.VLOG.br ao vídeo de Clarion de Laffalot, intitulado “Crítica ao Feminismo”.

Autor: Robson Fernando de Souza
Fonte: Consciencia.VLOG.br/YouTube

posted by Robson Fernando de Souza in Ativismo,Crítica,Direito,Direitos Humanos,Feminismo,Humanismo,Igualdade de Gêneros,Racionalismo,Robson Fernando de Souza,Videos and have No Comments

Conselho de Assuntos Femininos da LiHS agora é Conselho Feminista

Autoria: Vanessa Prates, presidente do CoFem (Conselho Feminista da LiHS)

Rosa Parks, uma de nossas inspirações

Quando esse Conselho nos foi oferecido, há mais ou menos um ano, ainda sentiamos muita resistência ao feminismo aqui pelas bandas da LiHS. Era notório como os participantes tinham um pé atrás não só com as feministas, mas com a própria palavra feminismo (talvez por desconhecer o próprio feminismo e também por não sacar que todo humanista é obrigatoriamente feminista)?. Backlash explica!

Só que como boas ocupadoras de espaços, não recusamos a oferta. Ou pegávamos ou pegávamos.

Acabamos aceitando sem muito pensar no nome mais apropriado – e naquilo que de fato desejávamos. E talvez pela falta de disposição de uma conversa mais séria, finalizamos em Conselho para Assunto Femininos.

Obviamente que não se tratava de dicas de maquiagem, receitas ou melhores posições para o sexo (rs). O espaço buscava informar, conscientizar e debater a existência do machismo na nossa sociedade, assim como maneiras de intervenção/atuação direta e/ou indiretamente através do nosso Conselho.

Daí vocês podem me perguntar: Mas por que essa mudança agora? Qual a diferença entre Conselho para Assuntos Femininos e Conselho Feminista?

Na prática, nenhuma. A diferença é mais na questão conceitual, já que o feminino não precisa, necessariamente, estar atrelado à?MULHER – e a figura mulher. A ideia de feminino lembra automaticamente o masculino, e isso nos remete a um binarismo. Sem dizer que comportamentos entendidos como autenticamente femininos (normas de gênero) nos são reforçados a todo tempo através da nossa cultura – verdadeiros agentes de opressão, já que é praticamente inquestionável uma mulher não ser feminina ou mesmo um homem ser feminino (com toda complexidade que o feminino representa).

E depois, nossa sociedade é plural. Temos mulheres não femininas. Temos homens femininos. Temos mulheres com pênis. Temos homens com vulva, etc.

Ademais, quando falamos de feminismo, num sentido político/filosófico, falamos de um movimento onde pessoas buscam um mundo socialmente igualitário para tod@s – homens e mulheres. E como nosso Conselho representa pessoas feministas na sua pluralidade (femininas, masculinas, andróginas, intersexuais), nada mais pertinente que nomeá-lo enquanto tal.

 O debate deve ser amplo e pra tod@s!

 “Se não posso dançar, não é minha revolução” – Emma Goldman

Se você deseja participar do CoFem e receber novidades, entre no grupo do site oficial de membros da LiHS. Se ainda não é membro da LiHS, inscreva-se!

 

posted by Guilherme Balan in Brasil Mulher,Declarações,Direitos Humanos,Diversos,Humanismo,Igualdade de Gêneros and have Comments (14)

Por que o ateismo é consistente com o feminismo e a postura pró-escolha

Fonte: RH Reality Check
Autoria: Amanda Marcotte
Tradução e introdução: Åsa Heuser

Gostaria de dizer, a título de esclarecimento, que em nenhum momento está sendo dito que o ateismo leva automaticamente ao feminismo. A autora do texto descreve a sua vivência particular e o seu modo pessoal de ver a questão.

——————————

Ouvintes habituais do meu podcast sabem que na semana passada entrevistei uma ativista atéia, Amy Davis Roth, que tem trabalhado como parte de um esforço mais amplo para combater uma forma de sexismo particularmente nojenta e virulenta na comunidade dos ativistas ateístas. A ignomínia que Amy estava discutindo continuou, e essa semana infelizmente parece que uma excelente blogueira resolveu desistir para evitar ser exposta por um homem que tem um compromisso notavelmente agressivo de tornar conferências seguras para os assediadores sexuais. Esta blogueira, que é conhecida pelo nome Natalie Reed, escreveu um texto comovente sobre a sua desilusão que eu recomendo muito que leiam.

Eu compartilho da angústia da Natalie, por causa da recente descoberta que o movimento ateu/cético tem um não tão pequeno e certamente bastante ruidoso subgrupo de participantes cujo sexismo é tão forte que preferem afugentar as mulheres totalmente do movimento a suportar a indignidade de tratar mulheres como gente. Para mim, ser uma ateia declarada sempre esteve firmemente interligado com o meu feminismo, e de fato realmente é o resultado do meu feminismo. Eu nunca realmente acreditei em qualquer tipo de deus, mas a noção de que o ateísmo é importante e devia ser abertamente discutido eu só desenvolvi realmente porque ela serve à meta maior de criar um mundo que tenha verdadeira igualdade de gêneros. Ativismo ateísta para mim sempre foi sobre objetivos maiores, porque acredito que enfraquecer o domínio mortal da religião sobre o poder é o que realmente é necessário para que as mulheres sejam verdadeiramente iguais. Read more…

posted by in Åsa Heuser,Bule Traduz,Ceticismo,Combate ao Preconceito,Diversos,Igualdade de Gêneros and have Comments (12)

Quem são os “transtornados de gênero”?

Fonte: A Capa
Autoria: Berenice Bento

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) é uma publicação da Associação Psiquiátrica Norteamericana (APA). Em 1980, na publicação de sua terceira versão, a transexualidade foi incluída e tipificada como um “Transtorno de Identidade de Gênero”. Em 1994 o Comitê do DSM-IV substituiu o diagnóstico de “Transexualismo” pelo de “Transtorno de Identidade de Gênero”. O Código Internacional de Doenças (CID) também passou a considerar o “transexualismo” como uma enfermidade.

Desde que o gênero passou a ser uma categoria diagnosticável, no início dos anos 80, é a primeira vez que ocorre um movimento globalizado pela retirada da transexualidade do rol das doenças identificáveis como transtornos mentais. O movimento Stop Trans Pathologization consegue adesões em vários países, o que revela a capacidade de resistência de múltiplas vozes que se unem contra o poder da APA e do CID. No dia 22 de outubro – Dia Mundial de Luta pela Despatologização das Identidades Trans – há manifestações na África, Ásia, Europa, América Latina e América do Norte. Atualmente, são mais de 500 organizações engajadas nesta luta.

Nestes documentos há uma sutileza nefasta ainda não compreendida por gays, lésbicas, transexuais e travestis. A entrada do gênero como uma categoria nosológica autorizou médicos e profissionais das ciências psi. (psicologia, psiquiatria e psicanálise) de todo o mundo a cuidar e “tratar” de crianças, adolescentes e adultos que não têm um comportamento “adequado” para seu gênero. Quais sintomas despertariam a atenção para um possível “transtorno” de gênero?

Um menino que gosta de brincar de bonecas, uma menina que tem preferências pelos jogos ditos masculinos, por exemplo. Mas qual o problema de um menino brincar de bonecas? O medo de que ele possua uma homossexualidade latente. O profissional que atenderá esta criança não poderá diagnosticá-la como homossexual, uma vez que há décadas não se pode mais patologizá-la. No entanto, o pai poderá sair do consultório com um laudo de que seu filho sofre de “transtorno de identidade de gênero na infância”. No dito popular: trocamos seis por meia dúzia. A homossexualidade continua sendo “tratada” e é o gênero que tem sido o passaporte para se praticar homofobia institucionalizada. Read more…

posted by Guilherme Balan in Ciência,Combate ao Preconceito,Guilherme Balan,Igualdade de Gêneros and have Comments (12)

Feminismo: um delírio!

Fonte: Skepchick
Autoria: Rebecca Watson
Tradução: Caroline Jamhour (publicada originalmente no Teoria da Conspiração)
Introdução: Guilherme Balan

O texto “Está frio aqui dentro?“, postado aqui no Bule há um mês, trouxe um pouco do “caso do elevador” de Watson, enquanto discutia sobre a dificuldade das mulheres em serem aceitas como iguais dentro de grupos como a própria comunidade ateísta/cética. Gostaria de compartilhar hoje a história contada pela própria Rebecca Watson, em que ela trata tanto da dificuldade de uma mulher levantar questões de gênero sem causar indignação (e até ameaças de morte), quanto da participação do próprio Richard Dawkins no coro dos privilegiados (uma tradução alternativa do título sugerida por Caroline Jamhour é “A Ilusão do Privilégio“).

——————

Bem, PZ Myers, Jen McCreight, Phil Plait, Amanda Marcotte, Greg Laden, Melissa McEwan e outros já disseram isso, mas achei que deveria postar isto pra constar: sim, Richard Dawkins acredita que eu deveria ser uma boa menina e calar a boca sobre ser objetificada sexualmente, porque isso não o incomoda. Obrigada, homem branco, velho, heterossexual e rico!

Quando comecei este site, eu não me chamava de feminista. Eu tinha uma vaga idéia de que o feminismo era uma coisa boa, mas era algo para outras pessoas se preocuparem, não eu. Eu estava vivendo num tempo e cultura que transcenderam a necessidade de feminismo, porque no meu mundo, todos éramos ateus racionais, que abandonaram doutrinas relogiosas, então eu poderia fazer piadas de estupro livremente sem medo de machucar alguém que tenha sido estuprada.

Então eu fiz um comentário sobre como poderia haver mais mulheres na comunidade, e as respostas de meus companheiros céticos e ateus variaram de “Não, elas não são lógicas como nós“, até “Sim, aí podemos comê-las!“. Isso pareceu esquisito. Read more…

posted by Guilherme Balan in Bule Traduz,Ceticismo,Combate ao Preconceito,Guilherme Balan,Igualdade de Gêneros,Questões polêmicas and have Comments (19)

Está frio aqui dentro?

Autoria: Jennifer Ouellette
Fonte: Scientific American: Cocktail Party Physics
Tradução e Introdução: Guilherme Balan

Vale lembrar que o movimentos ateístas e céticos norte-americanos, e até internacionais, são diferentes da realidade do Brasil (até por juntarem lá fora os termos “ateísta” e “cético” a todo momento). Dito isso, talvez ainda seja cedo para levantar o assunto sobre a participação das mulheres nos movimentos ateístas e/ou céticos no Brasil – ou mesmo humanista secular, como a LiHS – principalmente os que ainda estão começando. Brincadeira :) . Nunca é cedo nem tarde para um movimento refletir se setores da sociedade estão bem representados dentro dele, principalmente se estamos falando de questões de gênero. Eu apresento a vocês um texto que está preocupado justamente em nos dar ferramentas para resolver essas questões. Por esse motivo eu convido a todos que freqüentam o Bule, no próximo momento que estiverem em uma situação social de qualquer grupo ou turma, a se perguntarem: “Está frio aqui dentro?”.

——–

Na semana passada, Linda Henneberg, uma jovem estagiária de ciência da comunicação no CERN [“European Organization for Nuclear Research”, tradução livre: “Organização Européia de Pesquisa Nuclear”], na Suíça – mais conhecido nos dias de hoje como a casa do Large Hadron Collider [t.l. “Grande Acelerador de Partículas”] – escreveu um post sobre suas experiências no laboratório, tanto enquanto mulher como enquanto não-física com PhD. Hesitantemente, timidamente, até um pouco se desculpando, ela confessou: “Eu nunca me senti mais constantemente objetificada, cantada e cercada do que no CERN”.

Ela teve cuidado ao dizer que ela não encontrou  machismo flagrante do tipo mais escandaloso, embora ela tenha aturado paqueras estranhas e indesejáveis: uma piscadela e uma mão no joelho, tentativas desastrosas de trocar esfregões de pé com ela debaixo da mesa durante as reuniões e, claro, insinuações pegajosas. Mesmo assim, ela relevou bastante a dos caras; “é apenas falta de jeito”, ela racionalizada, não uma tentativa mal-intencionada para fazê-la sentir-se desconfortável – e, ainda assim, ela se sente desconfortável. (Também pode haver fatores culturais em jogo, dada a diversidade internacional no CERN). Read more…

posted by Guilherme Balan in BlogosFeras,Ceticismo,Combate ao Preconceito,Diversos,Guilherme Balan,Igualdade de Gêneros,Questões polêmicas,Reflexões and have Comments (7)

O que um estupro NÃO é

Autora: Natasha Avital*

Este post foi inspirado em recentes reações, tanto da mídia quanto do público, ao ocorrido na semana do dia 18/01 no programa Big Brother Brasil. Pra quem não acompanhou, aqui vai um resumão (bem resumido mesmo, porque este não é um post sobre o BBB; é um post sobre o machismo geral presente em qualquer discussão sobre estupro): durante uma noite na casa onde ficam os participantes do Big Brother Brasil, uma das câmeras captou uma situação suspeita, onde aparentemente um rapaz fazia movimentos que indicavam sexo junto a uma moça que parecia estar desacordada. Embora a casa seja vigiada durante 24 horas por câmeras, e embora a imagem captada obviamente tenha sido o suficiente para fazer com que não uma, mas várias pessoas (inclusive membros da polícia e do Ministério Público, que estão investigando o caso) tenham suspeitado fortemente da ocorrência de um crime, ninguém foi mandado para averiguar a situação e interromper o que poderia ser um crime em andamento (não posso comentar sobre o vídeo em si, já que a Globo passou o dia seguinte inteiro removendo as imagens da internet, além de ter cortado, durante horas, o som das imagens transmitidas para assinantes pelo sistema Pay-Per-View.)

O apresentador do programa chamou o ato de “caso de amor”. Daniel foi expulso, sob a genérica acusação de “comportamento inadequado”. Boninho, diretor do programa, declarou que “Não houve estupro, a lei brasileira é que é muito ampla [ao classificar como estupro de vulnerável a prática de ato libidinoso contra quem não pode oferecer resistência]” e que o que está sendo apurado é se houve “abuso”.

Bastou o caso vir a público para que começassem os ataques contra a suposta vítima: ela estava bêbada, ela havia “trocado carícias” anteriormente com o rapaz, ela seduziu Daniel, ela armou tudo para tirá-lo do programa (eita jeitinho trabalhoso esse de eliminar um concorrente hein? Com quem a moça aprendeu a elaborar esses “planos infalíveis”, o Cebolinha?) A cereja no bolo veio quando a Geisy Arruda declarou que Monique também deveria ser expulsa da casa, afinal “uma mulher sempre sabe quando um homem está mexendo nela” (Srta. Arruda, a senhora sabe que as pessoas tem padrões diferentes de sono e que algumas, principalmente após ingerirem bebida alcoólica, não são facilmente despertadas por toques ou ruídos, certo? Talvez não seja de seu conhecimento, mas algumas pessoas até mesmo morrem dormindo durante eventos como desabamentos ou incêndios. Também é de se perguntar se a senhorita acredita que a tendência machista de punir uma mulher por ser vítima de violência também deve se aplicar a estudantes que precisam de escolta policial para sair da faculdade devido a seu vestido curto, e são posteriormente expulsas do estabelecimento de ensino, ou se Vossa Senhoria só aprecia as qualidades da pimenta quando ela se encontra no olho alheio).

Read more…

posted by Natasha in Diversos,Igualdade de Gêneros,Natasha Avital,Sexualidade and have Comments (3)

Segundo promotor, comercial de Bündchen também discrimina os homens

Autor: Fausto Rodrigues de Lima*
Fonte: Folha de São Paulo, 5 de outubro, caderno Opinião, página A-3.

XKCD

Para gastar todo o dinheiro do marido e conseguir sua compreensão, a mulher brasileira precisa lhe conceder sexo. O ensinamento de uma campanha da lingerie Hope, protagonizada por Gisele Bündchen, causou justa indignação a ponto de a Secretaria de Políticas para as Mulheres pedir sua suspensão.

Essa e outras manifestações sexistas escamoteiam faceta pouca explorada: o homem também é discriminado. Ora, para a campanha referida, o marido ideal precisa ser o provedor; caso contrário, não pode ter uma mulher linda e disponível para o sexo. Como um cão no cio, necessita de sexo a todo momento e a todo custo. Não deve se importar com a satisfação da parceira; basta que ela finja prazer.

Se analisarmos comerciais dirigidos aos homens, veremos que, nessas peças, eles são tratados como crianças abobalhadas. Os de cerveja os perfilam como tipos pouco inteligentes, fazendo (e rindo de) piadas idiotas, e com um só objetivo na vida: sexo. Um recente comercial da Volkswagen mostra um pai com vergonha do filho pois o menino, além de não surfar ou tocar guitarra, ainda não “pegou” uma garota.

Como todo projeto de dominação e preconceito, a discriminação de gênero, embora baseada numa suposta inferioridade feminina, atinge a todos, porque cria regras “naturais” para o comportamento dessa ou daquela pessoa, baseando-se apenas em seu sexo. Adeus, individualidade e diversidade.

No mundo que se convencionou chamar masculino, não há lugar para poesia, para emoções. Sensibilidade é uma capacidade indesejável, ligada a tudo o que é considerado inferior, ou seja, ao feminino. Read more…

posted by Eli Vieira in Brasil,Brasil Mulher,Crítica,Direitos Humanos,Divulgue,Humanismo,Reflexões,Sexualidade and have Comments (57)