Autor: Gustavo Crivellari
Recentemente, o programa Manhã Maior da RedeTV! trouxe em sua programação uma história extremamente triste e, sem dúvida alguma, extremamente revoltante. É, em parte, uma história que tornou-se comum nos noticiários brasileiros, tamanho é o machismo arraigado em nossa sociedade: após o rompimento de um relacionamento hetero, o namorado não aceita a decisão de sua companheira e pratica atos violentos em conseqüência disso. Por outro lado, é também um caso que se destaca dos outros pela extrema barbaridade, que envolveu sessões de tortura por duas semanas.
Para evitar aqui o sensacionalismo típico de quem dá essas notícias, é de bom tom adiantar que os planos do rapaz que afirmava pretender matá-la no dia em que ela completaria 18 anos falharam e a jovem já está sob cuidados médicos e segura com sua família. O rapaz teve sua prisão decretada e está esperamos, por enquanto foragido.
A reportagem compreende uma entrevista da vítima que dá uma descrição algo detalhada das brutalidades cometidas. Queimaduras, estrangulamento, puxões que chegavam a arrancar os cabelos, mordidas, socos, joelhadas e, não menos terrível que o resto, a ameaça de morte com data marcada para o próximo aniversário da vítima. A brutalidade da tortura fez a vítima emagrecer 10 quilos, bem como tornou necessárias cirurgias para a reconstrução de alguns ossos da face.
É então que, em meio a esse festival de horrores, desse espetáculo do machismo extremo aplicado, a vítima profere a acusação que motiva essa nota. Ela comentava o fato de que ele deixava, para ela ver enquanto ele estava ausente, cartazes com mensagens positivas afim de que ela não cometesse suicídio atitude que, segundo ela, era desnecessária já que ela jamais tiraria a própria vida. A isso segue a acusação: Ele era uma pessoa… ele era um ateu, né?. Porque quem crê em Deus não faz isso com um irmão, né?
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Confessamos que quando confrontados com esta questão, formular uma resposta concisa e com um mínimo de exatidão não é trivial. Não que seja difícil de entender o humanismo secular, mas é que parece já tão natural para nós a essência desta cosmovisão, que uma definição formal tem que ser ativamente e artificialmente articulada.