“As nojentas sanguessugas ficavam expostas em vidros, na vitrine da barbearia do Sr. Moura. Os médicos pediam-nas e o Sr. Moura enviava. Eram colocadas nos doentes, na parte onde deveria ser tirado o sangue. Agarravam-se à pele, geralmente do braço, pernas, nádegas, ou costas. Chupavam o sangue e se intumesciam. Quando fartas do repasto hemofágico, soltavam-se. Se fosse necessário, punham-se outras no mesmo local, para tirar mais sangue …”
(Moacyr Andrade, em “Coisas da medicina no início de Belo Horizonte”.
Revista do Arquivo Público Mineiro, vol. 33 nº xxxiii, p. 233).
Qual seria sua reação ao ler um anúncio de página inteira, publicado por um dos maiores hospitais do país, dando dicas de saúde sobre o tratamento de problemas cardíacos com sangrias e sanguessugas? E se esse anúncio tivesse sido publicado há poucos dias atrás, em pleno século XXI?!
Talvez isso ilustre parte da minha indignação ao deparar-me com o anúncio “Dicas de saúde para uma melhor qualidade de vida” publicado em uma revista de bordo da TAM (Almanaque de Cultura Popular, no. 163, p.27), em dezembro de 2012. Exatamente, dezembro de 2012! Não estamos falando de um anúncio da Revista Cruzeiro na década de 60 ou um folhetim do século XIX, mas de uma publicação no amanhecer de 2013.
“Remover sangue do paciente faz parte do processo de balancear os humores – sangue, fleuma, bílis negra e bílis amarela, que representam os quatro elementos, ar, água, terra e fogo – que devem estar equilibrados para que o corpo humano funcione corretamente.” (Galeno de Pérgamo, 129 A.C)
Surreal, certo? Read more…







No último dia 25 de maio foi sancionada em Natal-RN, pela prefeita Micarla de Sousa, a 