Compreender a sua mente é uma missão crítica

AutorJamil Zaki, autor convidado
Tradutor: André Rabelo

 

Cortesia da Digital Shotgun via Flickr.

No início deste ano, o senador Tom Coburn publicou um relatório chamado “Sob o Microscópio“, no qual ele criticou o financiamento de qualquer pesquisa que ele não pudesse imediatamente entender como importante. De valor particularmente duvidoso, na opinião de Coburn, são as ciências comportamentais e sociais—incluindo o meu próprio campo, a psicologia. Seguindo no seu relatório, Coburn propôs eliminar o financiamento da Fundação Nacional de Ciência para estas ciências “humanas”, escrevendo: “…alguns destes estudos sociais representam prioridades nacionais óbvias que merecem um corte do mesmo bolo que a astronomia, a biologia, a química, a ciência da terra, a física ou a oceanografia?” Mo Brooks, que ocupa a cadeira de um painel do congresso considerando tais cortes, ecoou esta opinião. Brooks explicitamente afirmou que as ciências humanas ainda têm que provar o seu valor.

Considerando que os pensamentos e as escolhas das pessoas, por definição, desempenham o papel mais poderoso na formação da nossa sociedade, porque estudar a mente humana parece um tipo de esforço dispensável? Uma razão pode ser que frequentemente as pessoas se sentem como se elas já compreendessem suas mentes, e que o estudo das pessoas e das culturas não pode revelar nada de novo para elas. Tópicos como redes sociais, emoção, memória e relações raciais soam menos científicos do que o estudo da estrutura celular, formação proteica ou força eletromagnética. Estes últimos tópicos parecem que irão revelar insights inacessíveis às nossas intuições, enquanto que as ciências humanas não poderiam. Isto não poderia estar mais distante da verdade: exames da mente humana frequentemente desenterram grandes surpresas. De fato, uma ampla mensagem emergindo dos últimos 50 anos de pesquisa psicológica é que forças além da nossa consciência guiam muitas das nossas operações mentais mais críticas—nossos julgamentos morais, preferências e operações semelhantes. Reconhecendo estas forças e botando elas para trabalhar tem o potencial de mudar—e até mesmo salvar—vidas. Aqui estão quatro maneiras que as ciências humanas podem nos ajudar em uma grande escala, e razões porque nós não podemos viver sem a investigação rigorosa das nossas próprias mentes.

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Possessão e hipnose

Autor: Fabio Marton

Esta semana me deparei com uma questão um tanto folclórica na minha caixa de entrada: “se Deus não existe, como explicar as possessões demoníacas”. Digo folclórica porque é daquelas coisas que deixam de passar pela cabeça da gente quando se afasta de religião; acabamos voltando mais esforços em explicar feitos atribuídos a deus que ao diabo, e possessão parece algo que nem os cristãos deviam mais estar acreditando. E, mesmo assim, para muitos crentes, é um dos fatos quase banais em seu dia-a-dia, num mundo impregnado de magia e sobrenatural que, de forma otimista, achamos ter ficado para os livros de fantasia.

Eu conto de diversas possessões em meu livro, inclusive uma de mim mesmo. Não falo aqui de exorcismo de pessoas com transtornos psiquiátricos graves, como parece ser o caso em igrejas em que são menos comuns. Falo do exorcismo como uma ocorrência banal, como acontece nas igrejas pentecostais que frequentei.

Dos poucos estudos que encontrei, a maioria falava de grande exorcismo, ao estilo católico, algo raro e dramático, e relacionava o fenômeno a doenças mentais. Sobre o pequeno exorcismo nas igrejas pentecostais,  acredito ser melhor explicar isso a partir do que a psicologia entende sobre outro fenômeno, a hipnose.

Pura e simples hipnose é uma explicação comum para fenômenos religiosos diversos. E, de fato, isso pode explicar parte do fenômeno, inclusive minha própria experiência, em que apenas fiquei imóvel numa cadeira enquanto o pastor gritava com o demônio através de minha orelha. Anos depois, quando fazia uma matéria sobre hipnose, fui hipnotizado algumas vezes para ter uma experiência pessoal a relatar. Posso dizer que não pude deixar de notar a semelhança. Read more…

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