Aperte seu cinto, fortaleça sua mente

Autores: Sandra Aamodt e Sam Wang
Fonte: The New York Times
Tradução: Alê GM

Desenho: Michael Klein (NYT credits)

Preços de imóveis caindo, demissões aumentando, preço do petróleo decolando e uma grande crise de crédito diminuíram a confiança do consumidor ao seu ponto mais baixo em cinco anos. Com uma recessão relativamente longa parecendo cada vez mais provável, muitas famílias americanas podem estar planejando apertar os cintos.

De maneira interessante, restringir nossos gastos de consumo, no curto prazo, pode fazer com que afrouxemos os cintos em nossas cinturas. Qual é a conexão? O cérebro tem uma capacidade limitada de autorregulação, então exercer a força de vontade em uma área frequentemente leva a recaídas em outras. A boa notícia, porém, é que esse treino aumenta a capacidade de força de vontade, então no longo prazo comprar menos pode aumentar nossa habilidade de alcançar metas futuras – como perder aqueles 5 quilos que ganhamos quando não estávamos fazendo compras.

A reserva de força de vontade do cérebro diminui quando as pessoas controlam seus pensamentos, sentimentos e impulsos, ou quando modificam seu comportamento em busca de objetivos. O psicólogo Roy Baumeister e outros descobriram que as pessoas que tem sucesso em realizar uma tarefa que requer autocontrole são menos persistentes em uma segunda tarefa aparentemente não relacionada. Read more…

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Consumo Conspícuo e Seleção Sexual – Porque Preferimos o Mais Caro

Autor: Felipe Novaes
Fonte:
NERDWORKING
Editor: André Rabelo

Estamos vivendo numa época onde o ter sobrepuja o ser. Essa frase se tornou um clichê. Mas ela diz a verdade, realmente estamos muito mais sensíveis ao que o outro tem do que ao que ele é. Às vezes, o que se tem funciona como um indicador daquilo que se é. Claro que algumas pessoas fogem a essa regra, mas o quanto elas realmente fogem? Será que é possível fugir de tal tendência totalmente? Estudos interessantíssimos mostram que, além de avaliarmos a confiabilidade, beleza, respeitabilidade e status de alguém de acordo com o que essa pessoa possui, também levamos em conta – e muito – o valor gasto. Alguns estudiosos chegam a dizer que esse mecanismo está por trás não só da mente humana, mas também das relações de seleção sexual de outros animais, mostrando que essa é uma tendência antiga que compartilhamos com outros seres. Read more…

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Por que crenças ruins não desaparecem?

Autor: Gregory W. Lester (1)
Fonte: CSI: The Commitee for SkepticalInquiry (2)
Editor: Daniel Gontijo
Tradutor: Marcus Vinícius Alves

Tendo em vista que as crenças se desenvolvem para aumentar nossa habilidade de sobrevivência, elas são biologicamente projetadas para ser fortemente resistentes às mudanças. Para mudar crenças, céticos precisam apontar os problemas de significados e as implicações de “sobrevivência” do cérebro em adição à discussão das evidências.

Sendo o princípio básico tanto do pensamento cético quanto da investigação científica de que crenças podem estar erradas, é normalmente confuso e irritante para cientistas e céticos que as crenças das pessoas não mudem, mesmo quando em confronto de evidências que as neguem. Como, nos perguntamos, as pessoas são capazes de sustentar crenças que contradizem os dados?

Essa perplexidade pode produzir uma tendência infeliz por parte dos pensadores céticos de depreciar e menosprezar pessoas cujas crenças não mudem em resposta às evidências. Elas podem ser vistas como inferiores, estúpidas ou loucas. Essa atitude é engendrada pela falha dos céticos de entender o propósito biológico das crenças e a necessidade neurológica de que elas sejam resilientes e insistentemente resistentes a mudanças. A verdade é que por sua forma de pensar rigorosa, muitos céticos não possuem um entendimento claro ou racional do que são as crenças e porque até as mais absurdas delas não desaparecem com facilidade. Entender o propósito biológico das crenças pode ajudar os céticos a serem bem mais efetivos em confrontar crenças irracionais e em comunicar conclusões científicas. Read more…

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A Neurologia das Experiências de Quase Morte

Artigo de Alex Likerman, publicado em Happiness in this World
Traduzido por colaboração de Rodrigo Véras e André Rabelo


Eu nunca tive um paciente que confessasse ter tido uma experiência de quase morte (EQM), mas recentemente me deparei com um livro fascinante chamado O Portal Espiritual no Cérebro (The Spiritual Doorway in the Brain) de Kevin Nelson, que relata que cerca de 18 milhões de americanos podem ter tido uma. Se for verdade, as chances não são apenas que alguns dos meus pacientes estejam entre eles, mas também alguns dos meus amigos. O que me levou a pensar: o que exatamente a ciência tem a nos dizer sobre a sua causa? Read more…

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Corpos Sem Almas

Fonte: Project Syndicate

Autor: Paul Bloom

Tradução: Rodrigo Véras e André Rabelo

O principal estudioso da inteligência artificial do mundo, uma vez descreveu as pessoas como máquinas feitas de carne. Isso capta muito bem o consenso nas áreas de psicologia e neurociência, que nos diz que nossas vidas mentais são produtos dos nossos cérebros físicos, e que esses cérebros são moldados não por um criador divino, mas pelo processo cego de seleção natural.

Mas, com exceção de uma pequena minoria de filósofos e cientistas, ninguém leva essa visão a sério. É ofensiva. Ela viola as doutrinas de toda religião e entra em conflito com o senso comum. Nós não sentimos, afinal, que somos apenas corpos materiais, pura carne. Ao contrário, ocupamos nossos corpos. Nós os possuímos. Somos espontaneamente atraídos para a visão defendida por René Descartes: Nós nascemos naturalmente dualistas, assim, vemos corpos e almas de forma separada.

Esse dualismo tem consequências significativas para a forma como pensamos, agimos e sentimos. O filósofo Peter Singer discute a noção de um círculo moral – o círculo de coisas que são importantes para nós, que têm um significado moral. Este círculo pode ser muito pequeno, incluindo apenas os seus parentes e aqueles com os quais você interage diariamente, ou pode ser muito amplo, incluindo todos os seres humanos, mas também fetos, animais, plantas e até mesmo o próprio planeta terra. Para a maioria de nós, o círculo é de tamanho médio, e destrinchar seus limites precisos – Será que inclui as células-tronco, por exemplo? – pode ser uma fonte de angústia e conflitos. Read more…

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Ciência, fé e as três origens

Autor: Marcelo Gleiser

Fonte: Folha de São Paulo

Via: Luis Nassif Online

Editor: Alex Rodrigues

Uma excelente ilustração da intersecção entre a ciência e a religião ocorre quando refletimos sobre o que chamo de “as três origens”: a do Universo, a da vida e a da mente.

Por milênios, mitos de criação de todas as partes do mundo vêm tecendo explicações para esses três grandes mistérios. No meu livro “A dança do Universo” (Ed. Companhia das Letras, 2006), explorei alguns dos temas míticos que reaparecem na ciência, em particular na cosmologia, no estudo do Universo.

Precisamos conhecer nossas origens. E, desde os primórdios, olhamos para os céus em busca de respostas. Hoje, sabemos que somos aglomerados de poeira estelar dotados de consciência. Para desvendar nossa misteriosa origem, precisamos saber de onde vieram as estrelas, como a matéria não viva se transformou em matéria viva e como essa virou matéria pensante.

Mitos de criação atribuem as três origens a forças sobrenaturais, capazes de realizar feitos que nos parecem impossíveis. Grande parte do conflito entre a religião e a ciência se deve à tensão entre esses dois modos antagônicos de explicação.

Qualquer entidade que, por definição, existe além das leis naturais está além da esfera da ciência.

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Mais uma confirmação da materialidade da mente

Autor: Eli Vieira

Francis Crick

15 anos atrás, Francis Crick, um dos descobridores da estrutura do DNA, escreveu um livro chamado “A hipótese surpreendente“. Qual era esta hipótese e o que ela tinha de surpreendente? Crick defendeu que a mente humana está fundamentada em bases puramente naturais, e que portanto a ideia tradicional de “alma” estaria equivocada. Pode-se dizer que a hipótese de Crick não tinha nada de nova e muito menos de surpreendente. Desde que os cientistas começaram a estudar o cérebro, nenhuma explicação dualista (ou seja, que separa a mente do corpo, como fazia Descartes) ganhou tanto terreno quanto a “hipótese surpreendente”. Há dois dias (11/10/09), por exemplo, a revista científica Nature Neuroscience publicou uma nova pesquisa sobre como o aprendizado de novas tarefas visuais e motoras altera fisicamente a configuração dos neurônios no cérebro.

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Respostas de cérebros de religiosos e de ateus a blasfêmias são similares

Autor: Eli Vieira
P330/0308
A respeitada revista científica PLoS One acaba de publicar um artigo de Sam Harris e colaboradores mostrando uma comparação entre o funcionamento do cérebro dos religiosos e o cérebro dos descrentes.
O estudo usou a técnica de imageamento cerebral por ressonância magnética funcional (fMRI) em 15 cristãos e 15 descrentes.
Já se sabia antes deste estudo que distúrbios nos circuitos neuronais mediados por dopamina, tais como a esquizofrenia, a epilepsia do lobo temporal e o transtorno obsessivo-compulsivo, estão associados à hiperreligiosidade.

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