Dez palavras sobre laicidade

Manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

Manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

 

Dez palavras sobre laicidade*

Obrigada pelo convite para estar no X Seminário LGBT do Congresso Nacional, em particular ao deputado Jean Wyllys pelo convite. Em dez minutos, desejo explorar a tensão teórica e prática da laicidade em movimento. Farei cinco afirmações sobre o que não é o Estado laico; e cinco afirmações do que é o Estado laico.

O que não é o Estado laico

1. O Estado laico não é um Estado ateu. O Estado laico não é nem católico, nem evangélico, nem espírita. Tampouco ateu. Ser ateu não é professar uma religião, mas assumir uma posição política e ideológica sobre o mundo e seus sentidos. O Estado laico não professa nenhuma verdade em matéria religiosa ou sobre o divino. Em termos simples, o Estado laico não tem religião, tampouco religiões no plural. Isso não significa que seja indiferente às crenças religiosas; apenas que não se rege pelos valores das crenças nem mesmo pela perseguição às crenças. É uma atitude respeitosa. Ao proteger a liberdade de crença e opinião, é o Estado laico quem garante a rica diversidade. Suas ações não se confundem com o de nenhuma comunidade religiosa em particular. Não há um posição atéia a ser proferida pelo Estado. Neutralidade é uma justa posição de respeito à diversidade.
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Ateísmo X Religião: A Questão da Responsabilidade

IMAGEM bule_ateismoXreligiaoRichard Dawkins costuma afirmar que o ateísmo não induz ninguém a cometer crimes. Em seu Deus, um delírio, vemo-lo argumentar: “Mesmo que admitamos que Hitler e Stalin tinham em comum o ateísmo, eles também tinham bigodes em comum, assim como Saddam Hussein. E daí? (…) O que interessa não é se Hitler e Stalin eram ateus, mas se o ateísmo influencia sistematicamente as pessoas a fazer maldades. Não existe a menor evidência disso”.

Dawkins às vezes erra, como quando diz que a religião é pior do que o abuso sexual, mas nesse caso específico acho que ele está coberto de razão. Deixem-me explicar o motivo.

Anos atrás, a revista Veja publicou uma notícia curiosa: a atriz americana Rene Russo foi convidada para atuar em um filme de ação – se não me engano Thomas Crown, a arte do crime – cujo roteiro previa cenas picantes de sexo. Como cristã, ficou em dúvida se isso era moralmente certo ou errado, e resolveu ler a Bíblia de cabo a rabo para saber o que Deus tinha a dizer sobre o assunto. Ao constatar – não me perguntem como! – que o livro sagrado do cristianismo não continha nenhuma proibição às cenas que deveria protagonizar, decidiu aceitar a oferta.

Suponha agora que, em vez de cristã, Russo fosse atéia. O que ela iria consultar? Read more…

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Descrença e Esperança – 2. Seria A Descrença Uma Fórmula Para O Desespero?

Leia antes “Descrença E Esperança – 1. O Conceito de Esperança

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A Esperança (1986), quadro de George Frederic Watts

Com o conceito operacional de esperança esboçado no capítulo anterior em em mãos, posso agora voltar-me para a ideia de que a descrença é uma fórmula para o desespero. Imagino que esta ideia decorra, ao menos em parte, do fato de que realmente não há a menor margem para determinadas esperanças sem algum tipo de crença espiritual ou sobrenatural para ampara-las. Por exemplo, se nenhuma crença em domínios ou entidades espirituais é verdadeira, então não pode haver (a) imortalidade de qualquer espécie (e portanto nenhum pós-vida livre de males e sofrimentos no Paraíso, e nenhuma reunião com amigos ou entes queridos falecidos) e (b) nenhuma garantia de que, em última instância, a justiça prevalecerá. Se nenhuma crença em domínios ou entidades espirituais é verdadeira, então a morte encerra permanentemente nossa experiência consciente – a nossa e as de nossos amigos e entes queridos. Portanto, mesmo se desejamos viver eternamente no Paraíso ou em outro lugar, ou rever nossos amigos e parentes falecidos, estas não são possibilidades vivas para os descrentes. E se nenhuma crença em domínios ou entidades espirituais é verdadeira, então também não existe nenhum poder ou pessoa sobrenatural para assegurar que em última instância a justiça prevalecerá. Portanto, embora desejemos estar certos de que a justiça prevalecerá, esta também definitivamente não é uma opção viva para os descrentes. Consequentemente, a condição (3) não pode ser satisfeita para qualquer dos resultados desejados, e portanto os descrentes não podem ter qualquer tipo de esperança em relação a tais resultados.

Não obstante, não se segue que não haja margem para a esperança se alguém sustenta uma visão de mundo naturalista. Pois não faz diferença o quão importante as esperanças “perdidas” possam ser, sua exclusão não implica a exclusão de toda e qualquer espécie de esperança, assim como a exclusão de caminhões de 18 rodas das garagens residenciais típicas não implica a exclusão de todos os veículos motorizados. Na verdade, há uma ampla margem tanto para a esperança convicta como para a esperança francamente razoável numa visão de mundo naturalista: um descrente pode esperar convicta ou razoavelmente que obterá o emprego de seus sonhos, será admitido num bom programa de doutorado, exercerá um impacto positivo nas vidas de outras pessoas ou de sua comunidade, se recuperará de revertérios, encontrará o amor verdadeiro, viverá uma vida longa e frutífera, e assim por diante. Quando se trata desta categoria de coisas, os descrentes são tão qualificados para esperar convictamente ou razoavelmente por elas quanto os crentes no sobrenatural; pois tais coisas definitivamente não são desesperadamente improváveis numa visão de mundo naturalista e, em vários casos, elas justificam a confiança em sua concretização. Portanto, é patentemente falso que a descrença seja uma fórmula para o desespero. Read more…

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Descrença E Esperança – 1. O Conceito de Esperança

A Esperança (1986), quadro de George Frederic Watts

A Esperança (1986), quadro de George Frederic Watts

Há diversas razões pelas quais as pessoas apegam-se a suas crenças em coisas sobrenaturais. Várias dessas razões, penso eu, são psicológicas – as pessoas se apegam a crenças sobrenaturais porque não possui-las seria psicologiamente inaceitável de alguma maneira (ou de várias maneiras). Em outras palavras, elas tem – ou pensam que tem – certas necessidades psicológicas que não poderiam ser satisfeitas se elas não se apegassem a algum tipo de crença sobrenatural. Por exemplo, minha madrasta disse-me inúmeras vezes que ela tem que acreditar em Deus porque ela tem que acreditar que voltará a ver seus falecidos pais. Um exemplo mais extremo aqui é a tendência das pessoas a pensar que, sem a crença no sobrenatural, elas não seriam capazes de ter absolutamente nenhuma esperança. A descrença, elas pensam, é “uma fórmula para o desespero”. Esta visão da descrença provavelmente origina-se da crença de que a crença em Deus, ou pelo menos em algum poder sobrenatural, é “A” fonte ou o fundamento da esperança. Pois se se acreditar nisto, a rejeição do sobrenatural equivale à rejeição da fonte ou fundamento da esperança, o que torna a esperança impossível e o desespero a única reação apropriada.

Aqueles de nós interessados em libertar os outros da crença no sobrenatural devem tentar convence-los de que a descrença é psicologicamente aceitável. Mas como uma defesa satisfatória desta tese seria bastante extensa, o foco deste artigo será apenas dissipar a ideia comum de que a descrença é uma fórmula para o desespero. Após uma breve discussão da própria esperança, mostrarei que esta ideia bastante difundida é equivocada, mesmo se for motivada por alguma verdade acerca da descrença. Ao contrário do que muitos pensam, viver desprovido de absolutamente quaisquer crenças sobrenaturais ou espirituais não somente deixa espaço de sobra para a esperança, como pode auxiliar as pessoas a esperar de modo realista e psicologicamente saudável quando se trata de aspectos importantes da vida.

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Tim Minchin declama seu poema rítmico, Storm!

Um pouco de enfrentamento, ironia, sarcasmo e, por fim, maravilhamento com a vida. Com vocês, o poema rítmico Storm, de Tim Minchin!

(coloque o vídeo em tela-cheia e habilite as legendas em português)

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Convite para participar de pesquisa de doutorado sobre ateístas

University of Nevada

Convidamos você a participar de uma pesquisa direcionada a ateus e outras pessoas não-religiosas (isto é, aqueles que não acreditam em deus(es)). Esta pesquisa está sendo conduzida por um estudante de doutorado da Universidade de Nevada, em Reno com a ajuda de Atheist Alliance International (AAI). A pesquisa busca compreender suas experiências como um ateu, incluindo o seu envolvimento (se houver) com organizações seculares e suas percepções de discriminação e preconceito (se houver) contra você como um ateu.

Nosso objetivo é aumentar a conscientização sobre ateus e outras pessoas não-religiosas através da divulgação dos resultados em revistas acadêmicas e outras publicações (como a revista da AAI, Secular World).

A participação nesta pesquisa é voluntária e anônima. Suas respostas serão combinadas com outras e nenhuma informação de identificação pessoal será gravada. Respostas honestas e completas são cruciais para tornar os resultados da pesquisa uma representação precisa das experiências dos ateus. A pesquisa levará cerca de 15-20 minutos para ser concluída e permanecerá aberta até 27 de março de 2013.

Para participar desta pesquisa, ou para saber mais sobre este estudo, basta clicar no link abaixo:

http://unrcfr.us.qualtrics.com/SE/?SID=SV_3QlZZFokgDdWBTf

[Veja aqui em PDF a tradução da pesquisa para o português, e participe!]

Se você tiver dúvidas antes ou depois de sua participação, envie um e-mail para Michael J. Doane em mdoane@unr.edu.

Sinta-se livre para compartilhar este link com outras pessoas que possam estar interessadas em participar desta pesquisa.

Desde já obrigado!

Michael J. Doane, B.A.
Pesquisador
Carlos A. Diaz
Presidente, Atheist Alliance International
Marta Elliott, Ph.D.
Orientadora

Confira aqui a pesquisa traduzida pela Liga Humanista

(para todo mundo participar!)

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posted by Guilherme Balan in Ateísmo,Conselho de Mídia,Divulgue and have Comments (4)

Todos no silício – reflexões sobre realidade virtual e a realidade como uma simulação

Book cover of "Everyone in silico", a book from Jim Munroe

Por causa de um vídeo perturbador chamado “Welcome to Life“, que reproduzo no fim deste post, cheguei a ”Everyone in silico” (“Todos no silício”, em minha tradução livre), um romance cyberpunk de Jim Munroe, autor canadense ainda desconhecido no Brasil. O caso é que, depois do vídeo, por cerca de seis dólares, uma edição digital de “Everyone in silico” acabou no meu colo.

A trama é simplista e as personagens não têm, nem de longe, a densidade das minhas personagens favoritas de Erico Veríssimo ou de Gabriel Garcia Márquez, mas o livro explora um conceito que fez muita gente — eu, inclusive — pirar por dias a fio. O livro funciona muito bem enquanto esse conceito. Ainda que a forma de descrevê-lo não seja perfeita, Munroe desdobra esse conteúdo de maneira majestosa.

Na ficção de Munroe, por volta de 2030, os avanços da neurocomputação permitem simular cérebros inteiros em silício e não demora até que um serviço de “digitalizar” mentes apareça e comece a ser utilizado em massa pela população. Diferentemente da trilogia Matrix (dos  irmãos Wachowski), entretanto, onde seres humanos são escravizados como forma de gerar energia para as máquinas, em “Everyone in silico” as duas realidades — dentro e fora da matriz — convivem. Existem transmissões de TV direto do mundo virtual, é possível videotelefonar para mentes virtualizadas, é como se pudéssemos estabelecer contato com uma colônia da Terra. Além de pessoas que morrem e acabam tendo uma segunda chance, em uma vida virtual dentro de “Frisco”, é interessante quando pessoas, empresas e cidades inteiras, começam a, voluntariamente, querer “se mudar” para lá. Quando começam a existir mais mentes em Frisco do que na Terra, quando todos seus parentes, amigos e colegas de trabalho estão lá e não aqui, aonde você gostaria de estar? Read more…

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Palestra no Teatro da Reitoria da UFPR discute Ciência e Fé: debate ou proselitismo católico?

Texto de Vinícius Santana para o blog da Aliança Estudantil Secular de Curitiba, cedido gentilmente para o Bule Voador
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Há alguns dias recebi um email, que fiz questão de divulgar na página da AES, fazendo a chamada para uma palestra que aconteceu no dia 25 de fevereiro de 2013:

“As relações entre ciência e fé estarão em discussão na palestra que será realizada na UFPR no dia 25 de fevereiro, no Teatro da Reitoria. O tema será abordado pelo professor Paulo Henrique Neiva Lima Jr., doutor em Ciências pelo ITA, mestre em Astronomia pela USP e fundador da Associação Paulista dos Professores de Física. Os convites podem ser retirados gratuitamente no Departamento de História, Edifício D. Pedro I, Rua General Carneiro, 460, ou no dia do evento, por ordem de chegada. O início da palestra está marcado para as 20 horas.”

Dou todo o crédito a todos os títulos do palestrante, nem estou aqui contestando o que foi dito em 99% da palestra, que foi mais um apanhado geral de questões que provocam uma avaliação da postura de crença ou descrença do que uma discussão mais aprofundada sobre o assunto. No entanto, presenciei também um ato proselitista, quase uma missa católica no Teatro da Reitoria da – muito – laica Universidade Federal do Paraná. A palestra foi promovida pela Jornada Mundial da Juventude, um grupo jovem de peregrinação católica que tem visitado diversos locais do Brasil. Até onde entendi, esse grupo tem um viés humanista religioso católico e tem a intenção de colaborar com comunidades carentes, clínicas de recuperação de viciados em drogas, entre outras pessoas em situação de fragilidade como presidiários e prostitutas adultas e adolescentes. O motivo real do evento era a passagem dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude por Curitiba: a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora. Os símbolos foram postados ao palco do Teatro da Reitoria, praticamente transformando-o em uma igreja. Quanto à palestra, devo dizer que o palestrante seguiu uma linha interessante, defendendo que não se deve acreditar em qualquer informação à primeira vista. Também defendeu que as pessoas procurem se informar mais a respeito dos assuntos antes de  pronunciarem alguma opinião, que geralmente é baseada em “achismos” quando isso não acontece. Read more…

posted by Guilherme Balan in Ateísmo,Divulgação de Ciência,Reflexões,Religião and have Comments (16)

Mini-campanha em apoio a Luís Fernando Veríssimo

Luís Fernando Veríssimo portrait

Foto de Marcello Casal Jr./AB (cc) Wikipedia

Luís Fernando Veríssimo, um dos mais famosos escritores brasileiros dos últimos tempos, publicou um pequeno artigo intitulado “Deus hipotético”. O artigo explora a questão de o quanto é incrível tantas instituições terem sido criadas para cultuar uma … hipótese.

“Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição.

A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas.

Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão no comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo — o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma — seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição (…)”
(“Deus Hipotético”. Globo. 17/02/2013)

O artigo rapidamente ganhou certa notoriedade na Internet — sobretudo nos círculos ateístas e agnósticos — e foi encarado por muita gente como uma espécie de recuperação cética, depois de algumas declarações polêmicas realizadas logo após os tumultuados 24 dias em que esteve internado no hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, tratando uma infecção generalizada.

“A frase ‘é só uma gripe’ não tem sentido. Descobri que ‘só uma gripe’ pode matar. Também descobri que corrente, reza, pensamento positivo — tudo que complementa os milagres da medicina — funciona mesmo. É por isto que estou aqui, reaprendendo a andar e a escrever.”
(Primeira carta do mestre. Zero Hora,  16/12/2012)

Eram tantas pessoas — me contaram depois — rezando por mim e manifestando sua apreensão e solidariedade, principalmente desconhecidos, que deve ter feito uma diferença. Vou precisar rever minhas relações com a metafisica.
(Alguém sabe o que é ‘rabdomióise’?. Globo. 06/01/2013)

Algumas pessoas do Coletivo Ácido Cético (CAC, blog parceiro do Bule), dentre elas o nosso querido Horacio Dottori (palestrante no CHS 2012) e Ney Lemke, ao verem a reação ensandecida de religiosos a “Deus hipotético”, escreveram e-mails de apoio a Veríssimo e comentaram isso na lita do CAC.

Gostei da ideia. Mesmo de madrugada, mesmo de um teclado mequetrefe, escrevi um e-mail longo e pessoal. Falei de mim, da LiHS e de como eu fiquei feliz de ver aquele artigo. Expliquei que muitos “de nós” estão com ele. Basicamente, disse que fico feliz de ver que ele voltou a ser o “bom e velho” LFV, no melhor dos sentidos. Na verdade, acho que fui bem mais carinhoso que isso, pelo menos tentei. Falei o quanto eu gosto dele, o quanto de mim eu devo a ele e à família Veríssimo (Erico é um dos meus heróis literários) e o quanto é encorajador ver alguém com o carisma e a exposição na mídia de um Luís Fernando Veríssimo, escrevendo corajosamente como ele fez ontem – e, claro, em tantos artigos anteriores falando sobre o Estado Laico, homossexualidade, etc.

Então veio essa ideia de lançar essa “mini-campanha” de apoio. Enquanto religiosos estão soltando o verbo, escrevendo comentários nada tolerantes — eufemismo para truculentos — para Veríssimo, pensei que nós, céticos, ateus, agnósticos, deístas e teístas moderados, poderíamos também manifestar nosso apoio.

Como apontou Horacio, “nós que não nos subscrevemos a nenhuma religião, representamos aproximadamente 2,5 % dos habitantes do Brasil” (dados do censo IBGE 2010).

“Se as estatísticas são sérias, Veríssimo vai receber 20 e-mails com insultos para cada e-mail de apoio. Se receber 40:1 é porque nós ateus somos muito preguiçosos”.
(Horacio Dottori, em correspondência para colegas do CAC)

Horacio fez  a parte dele e nós do Bule pensamos que podíamos fazer a nossa. Pensamos em lançar essa “mini campanha” de apoio a LFV:

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Gaste 5 minutos do seu dia escrevendo um e-mail de apoio a Luís Fernando Veríssimo, que está sendo hostilizado por religiosos depois de questionar o deus dos cristãos.

Não tenho certeza que ele vai conseguir ler todas as “preces” de apoio que chegarem através do e-mail verissimo (arroba) zerohora.com.br, mas acho que vale a pena tentar.

 

Autor: Daniel Oliveira

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“Neo-ateus” no Facebook e dois pontos de vista

Um tema recorrente entre ateus e religiosos seria o comportamento extremista que alguns exemplares de ambos os lados adotam. Nossa editora, Júlia Jolie, fez um breve vídeo condenando algumas práticas que ela entende como negativas.  Como espaço democrático que é, logo surgiram respostas e discussões a respeito dentro do Youtube. Trazemos aqui, portanto, o vídeo dela e um vídeo-resposta, de forma que possamos conhecer mais os diferentes pontos de vista sobre a questão.

Júlia Jolie e os Neo-Ateus no Facebook

Vídeo-resposta de Clarion

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