Autor: Fabio Marton
Esta semana me deparei com uma questão um tanto folclórica na minha caixa de entrada: se Deus não existe, como explicar as possessões demoníacas. Digo folclórica porque é daquelas coisas que deixam de passar pela cabeça da gente quando se afasta de religião; acabamos voltando mais esforços em explicar feitos atribuídos a deus que ao diabo, e possessão parece algo que nem os cristãos deviam mais estar acreditando. E, mesmo assim, para muitos crentes, é um dos fatos quase banais em seu dia-a-dia, num mundo impregnado de magia e sobrenatural que, de forma otimista, achamos ter ficado para os livros de fantasia.
Eu conto de diversas possessões em meu livro, inclusive uma de mim mesmo. Não falo aqui de exorcismo de pessoas com transtornos psiquiátricos graves, como parece ser o caso em igrejas em que são menos comuns. Falo do exorcismo como uma ocorrência banal, como acontece nas igrejas pentecostais que frequentei.
Dos poucos estudos que encontrei, a maioria falava de grande exorcismo, ao estilo católico, algo raro e dramático, e relacionava o fenômeno a doenças mentais. Sobre o pequeno exorcismo nas igrejas pentecostais, acredito ser melhor explicar isso a partir do que a psicologia entende sobre outro fenômeno, a hipnose.
Pura e simples hipnose é uma explicação comum para fenômenos religiosos diversos. E, de fato, isso pode explicar parte do fenômeno, inclusive minha própria experiência, em que apenas fiquei imóvel numa cadeira enquanto o pastor gritava com o demônio através de minha orelha. Anos depois, quando fazia uma matéria sobre hipnose, fui hipnotizado algumas vezes para ter uma experiência pessoal a relatar. Posso dizer que não pude deixar de notar a semelhança. Read more…