
Diretor do Núcleo LiHS/PR James Kava protocola ofício da LiHS dirigido à Câmara Municipal de Curitiba. Foto: James Kava.
No dia 15 de abril deste ano, a vereadora Carla Pimentel (PSC), da Câmara Municipal de Curitiba, protocolou um projeto de lei que pretendia conceder o título de Cidadão Honorário de Curitiba ao pastor Silas Malafaia. O projeto parece, claramente, ser mais uma destas ações cujo único interesse é religioso: Malafaia não tem qualquer ligação com Curitiba e não tem ações sociais e culturais reconhecidas especificamente naquele município. Por que concedê-lo este título, então?
Nas duas semanas seguintes, algumas organizações enviaram ofício ao presidente da Mesa da Câmara, vereador Paulo Salamuni, solicitando que o projeto fosse rejeitado. A LiHS também protocolou três ofícios na Câmara Municipal de Curitiba dirigidos ao presidente da Mesa, ao relator do projeto — vereador Pier Petruzziello — e ao líder do governo na Câmara — vereador Pedro Paulo. No mesmo dia em que nossos ofícios foram entregues pelo James Kava, Diretor do Núcleo da LiHS/PR, a Comissão de Legislação, Justiça e Redação da Câmara de Curitiba votou por devolver o projeto à autora dele, vereadora Carla Pimentel. Segundo esta comissão, o projeto não trazia informações sobre ações do pastor Malafaia em favor da cidade de Curitiba.
Ainda que o projeto possa voltar à tramitação, consideramos esta uma pequena vitória contra o uso da política — por meio das Casas Legislativas — para fins puramente religiosos. Como a LiHS argumentou nos ofícios enviados, Malafaia não reside ou residiu em Curitiba, e não tem ações de amplo reconhecimento público naquela cidade. Em 2012, aconteceu o mesmo em Salvador: a Câmara pretendia conceder o título de Cidadão Soteropolitano a Malafaia, mas a pressão pública reverteu isso. A tentativa de concessão desse título em Curitiba parece-nos apenas uma ação entre “amigos” (a legenda da vereadora é o Partido Social Cristão, o mesmo do deputador Pastor Marco Feliciano) e sem qualquer relevância social. LEIA MAIS…