Arquivo para a categoria 'Colher de Chá'

Ateísmo X Religião: A Questão da Responsabilidade

IMAGEM bule_ateismoXreligiaoRichard Dawkins costuma afirmar que o ateísmo não induz ninguém a cometer crimes. Em seu Deus, um delírio, vemo-lo argumentar: “Mesmo que admitamos que Hitler e Stalin tinham em comum o ateísmo, eles também tinham bigodes em comum, assim como Saddam Hussein. E daí? (…) O que interessa não é se Hitler e Stalin eram ateus, mas se o ateísmo influencia sistematicamente as pessoas a fazer maldades. Não existe a menor evidência disso”.

Dawkins às vezes erra, como quando diz que a religião é pior do que o abuso sexual, mas nesse caso específico acho que ele está coberto de razão. Deixem-me explicar o motivo.

Anos atrás, a revista Veja publicou uma notícia curiosa: a atriz americana Rene Russo foi convidada para atuar em um filme de ação – se não me engano Thomas Crown, a arte do crime – cujo roteiro previa cenas picantes de sexo. Como cristã, ficou em dúvida se isso era moralmente certo ou errado, e resolveu ler a Bíblia de cabo a rabo para saber o que Deus tinha a dizer sobre o assunto. Ao constatar – não me perguntem como! – que o livro sagrado do cristianismo não continha nenhuma proibição às cenas que deveria protagonizar, decidiu aceitar a oferta.

Suponha agora que, em vez de cristã, Russo fosse atéia. O que ela iria consultar? Read more…

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Que Quilombo dos Palmares é esse?

Autor: Leonardo Veloso Pin
Editor: Tiago Angelo

“”[Em Palmares] negros fugidos dos engenhos de açúcar ou das vilas organizam-se para si   mesmos, na forma de uma economia solidária e de uma sociedade igualitária. Não retornam às formas africanas de vida, inteiramente inviáveis. Voltam-se a formas novas, arcaicamente igualitárias e    precocemente socialistas. Sua destruição sendo requisito de sobrevivência da sociedade escravista, torna   esses conflitos crescentes inevitáveis, seja para reaver escravos fugidos, seja para precaver-se contra   novas fugas. Mas também para acautelar-se contra o que poderia vir a ser uma ameaça pior do que as       invasões estrangeiras, que seria a sublevação geral dos negros.”[1]” Read more…

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A religião na política e a nossa liberdade

Autora: Luciana Ribeiro dos Santos
Editor: Tiago Angelo

Processo

Ao longo de sua história, o Estado brasileiro esteve fortemente ligado à igreja católica, que ainda hoje luta para que sua influência seja sentida em legislações no mundo todo e particularmente em países de maioria católica, como o Brasil [1]. Apesar dessa influência, no entanto, a mesma instituição se envolveu em escândalos que colocaram em questão não apenas sua organização interna, como também suas recomendações públicas. Paralelo a esse afastamento do poder, o país veio passando por um processo longo, mas já perceptível, de laicização. Se por um lado os feriados ainda celebram Nossa Senhora Aparecida, Sexta Feira Santa e Páscoa, por outro acontecem ações como a retirada de símbolos religiosos de casas de poder, fruto de reivindicações pelo Estado Laico.

A laicização do Estado não significa, no entanto, a laicização do povo. Apesar da fé não ser oficialmente considerada como o “pacote de valores obrigatórios” tanto quanto há algumas décadas, a religiosidade popular continua em alta. Com a queda da estima do catolicismo, no entanto, quem ganha destaque são as congregações evangélicas de massa, com grande apelo emocional, oratória intimista e a mesma base religiosa da nossa colonização: o cristianismo.

O que talvez não esteja claro para todos os fiéis, todavia, é que essas igrejas não estão livres do caráter político que a católica teve em todos esses anos. Aliás, ouso dizer que esse caráter é mais forte, graças a um direcionamento consciente à prosperidade e ao ganho de poder. Mais do que uma opção de culto desvinculada do mercado, muitas igrejas já nascem como empresas de fé, geridas e sustentadas como uma instituição econômica. Outras se transformam para não “perder fiéis” para as primeiras que, não à toa, são muito atraentes para quem busca conforto psicológico. Nelas, o discurso convincente visa o dízimo; o dinheiro recolhido paga técnicas de oratória, gestão, marketing, programações de rádio, televisão, jantares com políticos e amizades influentes[2]; essas técnicas e contatos permitem mais discursos envolventes; esses discursos, mais dinheiro… Read more…

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A Política Externa brasileira no governo Jânio Quadros

Autor: Leonardo Veloso Pin
Editor: Tiago Angelo

 Introdução:

Pretendemos, por meio desse artigo, analisar concisamente a política externa brasileira durante o breve governo Jânio Quadros. Pensamos que o artigo “Nova Política Externa do Brasil” escrito por Quadros em 1961, pouco antes de sua renúncia, pode ser utilizado para ilustrar-se algumas questões relacionadas à política externa do Brasil no início da década de 60.

Jânio, a contragosto dos setores mais conservadores da política brasileira, tentou uma aproximação dos países do bloco socialista e também dos países do chamado terceiro mundo (termo que não significava países pobres e sim aqueles que não estavam inseridos nem no bloco pró EUA nem no bloco pró URSS), principalmente daqueles que estavam em processo de descolonização. Segundo o ex-presidente, em seu governo as portas do Brasil seriam abertas ao comércio com o mundo, “sem distinção de credo político ou ideológico”[1]

Todavia, grande parte daqueles que apoiaram a candidatura de Jânio faziam parte dos blocos conservadores da política nacional e sentiram-se profundamente incomodados com a sua política de estabelecimento e fortalecimento de laços diplomático-econômicos com os países do Bloco Soviético e o desenvolvimento de relações cordiais com Cuba com o discurso de direito a autoderterminação do povo cubano.

Pensamos que os interesses econômicos guiaram de certa forma a Política Externa Independente do governo Quadros, pois, apesar do discurso de apoximação em relação aos países do Sul e do bloco socialista, o país nunca deixou de mirar uma parceria privilegiada com os Estados Unidos ao mesmo tempo em que se posicionava de maneira ambígua em relação ao anticolonialismo e à revolução cubana. Read more…

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Niilismo e Ascetismo em Nietzsche

Autores: Leonardo Veloso Pin e Marcos Sabatini
Editor: Tiago Angelo

Segundo Nietzsche, não há nada que torne o homem mais especial do que qualquer outra coisa: não há intenções que o criaram como um ser sublime, não há nenhuma vontade especial que o admira, não há um fim, muito menos um começo, em que o homem seja o protagonista de uma trama universal e divina cuja inteligência o ponha em primeiro plano perante toda a natureza, de modo que “Houve eternidades, em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Pois não há para aquele intelecto nenhuma missão mais vasta, que conduzisse além da vida humana. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele.”[1] A vida repousa, então, sobre uma total ausência de sentido, ou seja, sobre o “[...] mais sinistro de todos os hóspedes [...]”[2]: o niilismo; disso resulta que também não há nenhuma verdade. para nos guiarmos, para alcançarmos, a não ser os nossos próprios valores, as nossas próprias morais tomadas como tal e, por isso, “a falsidade de um juízo ainda não é para nós nenhuma objeção contra esse juízo [...]”[3]: porque, justamente por não ter valor algum, o mundo pode ser “preenchido” por quaisquer valorações. No entanto, são tais valores que elevam ou sucumbem o homem e sua vida, e, aí, está o que deve ser motivo de objeção contra uma moral para Nietzsche; mas, por mais que enfraqueçam a vida – como é o caso do cristianismo –, elas tentam salvaguardar o homem desta ausência de sentido, mesmo que, para isso, devam torná-lo cada vez mais doente; através do Ideal Ascético – ou seja, a moral crist㠖, o cristão tenta combater o niilismo para reduzir o horror que esta ausência de sentido lhe causa. Mas, mesmo esse Ideal recai em uma forma de niilismo porque a crença contida nele continua no nada: mas “Não se diz ‘nada’: diz-se, em vez disso, ‘além’; ou ‘Deus’; ou a ‘verdadeira vida’; ou Nirvana, redenção, bem-aventurança…”[4]; assim, o próprio Ideal Ascético se torna niilismo porque o seu sentido está fora da própria vida, ou seja, no nada. Nota-se dois pontos: o cristão – e, através da estrutura de seu Ideal, também o socialista e o anarquista – tenta se defender de um niilismo no qual a própria vida existe: para tal, ele forja o que o Nietzsche chama de Ideais Ascéticos; mas, tais Ideais, acabam por não só deixar o homem no terreno em que estava – o do niilismo –, como também por torná-lo um niilista enquanto praticante e crente de tais crenças. Temos então a problemática, enquanto aparente paradoxo (torna-se niilista para se proteger do niilismo), que permite formular a pergunta: como o Ideal Ascético do cristão, do socialista e do anarquista (que quase são a mesma coisa, mudando apenas o nome) pode confortá-los contra o horror e o sofrimento que a vida causa enquanto existente no próprio niilismo se, para isso, eles se tornam niilistas? Read more…

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Além da atribuição na lenda do Einstein apologético

Autor: Edilson F.º
Editor: Tiago Angelo

 

“[…] ainda há quem diga que Deus não existe. O que me incomoda é que me citem para suportar seus argumentos
— Albert Einstein, LOWENSTEIN, Prince H. Z. Towards the Further Shore. Victor Gollancz Ltd: 1968.

Este texto não é uma refutação à atribuição absurda da situação seguinte a Einstein. Sabidamente, não há prova nenhuma ou sequer consistência que confirme isto como sendo da autoria do cientista. Você pode encontrar algo que trate deste problema de referenciação neste excelente vídeo. Read more…

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A presença do acaso em nossas vidas

Autor: Fernando Gurgel Filho
Editor: Tiago Angelo


1 – O que é “acaso”?

Segundo os dicionários, acaso é “um conjunto de pequenas causas independentes entre si, que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas, e que determinam um acontecimento qualquer”.

É de se notar que, na definição de “acaso”, existe uma ligação direta entre causa e efeito, causa e consequência e que, mesmo desconhecendo a causa, esta foi determinante para o acontecimento. Read more…

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Ame o próximo

Autor: Jacob da Silva Reis*
Editor: Tiago Angelo

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22, 35-38).

“Ame o próximo como a ti mesmo.”(Marcos 12, 31)

“Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15, 12-14)

“Amai vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca.

Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo.” (Mateus 5, 44)

Esse é um dos mandamentos da bíblia que mais admiro. Estou convicto de que nossa sociedade, muito provavelmente, é baseada na empatia, um acordo social onde consideramos antiético fazer algo de ruim à outra pessoa. Esse tem sido nosso modus operandi, nosso processo evolutivo, desde quando vivíamos em cavernas. Depois, nem tanto tempo atrás, passamos a aceitar os negros e índios como seres humanos, passamos a aceitar, e então exigir, direitos igualitários para as mulheres. Já passou da hora de aceitarmos homossexuais como cidadãos respeitáveis em nossa sociedade. Read more…

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Seguindo ordens: Nazismo e lavagem cerebral

Autor: William Weber Cecconello
Editor: Tiago Angelo
Texto também publicado no blog Sociedade Primata

 

 

Como eu imaginava que ocorria a lavagem cerebral

Embora eu não goste deste termo, sempre achei interessante o que lia sobre ‘lavagem cerebral’, e por muito tempo achei que era algo oriundo do capeta que usava de recursos de lobotomia para mudar o modo das pessoas pensarem. Somente depois de entender o nazismo, fui perceber que isso não é algo que necessite conhecimento neurológico para ser feito, apenas é necessário saber aproveitar-se da plasticidade neuronal dos outros. Read more…

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Dos “Ateus antiateus”: explorando as culminâncias do intelectualismo ateísta

Autoria: Eder Rodrigo de Oliveira

Original: xkcd.com/774 (passe o mouse em cima para ler um texto que acompanha o quadrinho)

Alguém aí, como eu, já se deparou com um desses sujeitos que, embora aleguem apreciar futebol, fazem malabarismos retóricos dos mais enfatuados a fim de desvincular sua imagem pessoal do fanatismo das grandes torcidas e, concomitantemente, da imprensa esportiva crítica?

“Beeem [em tom de dublagem de testemunho americano], gosto do esporte bretão em si, mas não torço por time algum. Repudio tanto o fanatismo das torcidas organizadas quanto estes seguimentos da imprensa esportiva crítica que fazem apologia ao fim das uniformizadas em nome da paz nos estádios. Ora, não percebem eles que estão sendo tão fanáticos quanto aqueles que criticam? Estou, portanto, alheio a esse circo de fanatismo!”, dizem eles, como quem trás um oráculo encrustado por sobre a testa. Superiores que são, colocam-se a par do “submundo” das arquibancadas, feito representantes de um tipo mais evoluído de torcedor. Dawkins, decerto, classificaria essa posição como “Gosto de futebol, mas…”! E não é exatamente esta a categoria na qual se encaixam muitos ateus?! E é sobre eles que gostaria de discorrer aqui, os quais eu batizaria de “ateus antiateus”.

Vez ou outra topo, em debates de internet, com alguns ateus que insistem em se alçar, pretensiosamente, a uma posição superlativa face aos demais participantes, sejam estes ateus ou crédulos. Não creem em deus, são categoricamente contra o fanatismo religioso, maaasss, são igualmente contra o suposto dogmatismo de alguns ateus militantes que acaba, segundo eles, por equiparar, em termos de proselitismo, o ateísmo à religião. Justo! Porém, analisado d’outro prisma, isso denota um belo círculo vicioso:

Crente moderado ? criticado pelo crente ortodoxo ? criticado pelo dito neoateu ? criticado pelo “ateu antiateu” e pelo agnóstico ? criticado pelo crente (seja moderado ou ortodoxo) ? ad infinitum

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