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Preconceito contra garotas começa no útero

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Nas nações patriarcais da Índia, China, Bangladesh e Paquistão, os presquisadores encontraram evidências de discriminação de gênero na gestação. Mas em Sri Lanka, Tailândia e Ghana – que não são considerados dominados por homens – tais evidências não existiam. (Crédito: Louis Vest/Flickr)

MICHIGAN (EUA) – Mulheres na Índia e em outras sociedades de dominação masculina têm maior tendência a procurar assistência pré-natal quando estão grávidas de meninos, revelam novos estudos.

A prática da discriminação de gênero ainda no útero tem implicações na saúde e na sobrevivência das meninas. “Isso pinta um quadro bastante horrendo da situação”, diz Leah Lakdawala, professora assistente de economia na Michigan State University.

Ao estudar os dados do senso de saúde nacional de mais de 30.000 indianos, a pesquisadora descobriu que mulheres grávidas de meninos estão mais propensas a ir a consultas médicas pré-natais, tomar suplementos de ferro, fazer o trabalho de parto em facilidades médicas (ao invés de em casa) e de receber vacina contra o tétano.

Tétano é a causa principal de mortes neonatais na Índia. De acordo com o estudo, crianças cujas mães não receberam a vacina têm mais chances de nascer abaixo do peso ou morrer logo após o nascimento.

A pesquisa aparece na última edição do Journal of Human Resources e é a primeira a estudar a discriminação de gênero no acompanhamento pré-natal.

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A Vida em um Mundo Repleto de Imoralidade: A Ética de Estar Vivo

Nota: essa é uma tradução do texto de Aaron Swartz, publicado originalmente em seu blog em 2 de agosto de 2009. Ao final do texto, há alguns comentários meus.

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Foto de Aaron Swartz na wikipédia

Eu me considerava um indivíduo particularmente bom. Eu não matava pessoas, por exemplo. Mas aí Peter Singer argumentou que animais são conscientes e que comê-los leva-os a serem mortos e isso não é lá tão moralmente diferente de matar pessoas afinal. Então, virei vegetariano.

Novamente, achava ser um bom indivíduo. Mas aí Arianna Huffington me disse que por dirigir um carro eu estava emitindo gases tóxicos no ar e mandando dinheiro para ditaduras em outros países. Então, comprei uma bicicleta.

Mas aí eu percebi que o banco da minha bicicleta era costurado por crianças em más condições de trabalho em oficinas no exterior e sua tubulação era feita por metais extraídos da terra por minerações que causam problemas geológicos. Na verdade, qualquer dinheiro que eu gastasse provavelmente seria usado para oprimir pessoas ou destruir o planeta de alguma forma. E se eu ganhasse dinheiro, parte dele iria para o governo, que o usaria para explodir pessoas no Afeganistão ou no Iraque.

Pensei em viver só de coisas que encontrasse no lixo, como alguns amigos. Assim não seria responsável por incentivar sua produção. Mas aí eu percebi que algumas pessoas compram aquilo que não conseguem achar no lixo; se eu pegar algo do lixo antes de alguém, essa pessoa pode decidir, então, comprar.

A solução parecia clara: Eu teria que me desconectar e ir viver em uma caverna, colhendo nozes e frutas. Eu provavelmente ainda estaria exalando CO2 e usando alguns produtos da Terra, mas provavelmente somente em níveis sustentáveis. Read more…

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O Fracasso Fundamental da Premissa da Psicologia Evolutiva

[Nota do editor: a publicação dessa tradução não significa que o Bule Voador se posiciona a favor da opinião de PZ Myers sobre psicologia evolutiva, e inclusive o texto aguarda uma refutação de um dos membros da nossa diretoria]

Esta é outra adição à minha séria sobre psicologia evolutiva. Aqui está o primeiro, e infelizmente há muitos mais por vir.

Eu tenho um verdadeiro problema com a psicologia evolutiva, e vai direto à raiz da disciplina: ela é construída sobre uma fundação falha. Ela depende de um entendimento ingênuo e simplista de como a evolução funciona (um desentendimento básico que me lembra de outra disciplina hoje morta, sobre a qual falarei depois) – apesar disso, ela atrai muita gente, porque esse desentendimento alinha-se bem com a versão caricatural da evolução na cabeça da maior parte das pessoas, e isso também significa que toda vez que você critica a psicologia evolutiva, aparece um bando de defensores ignorantes que presumem que você esteja atacando a evolução em si.

O desentendimento é o adaptacionismo.

Em uma tentativa desesperada de prevenir a turba que me acusará imediatamente de criacionismo e de negar a seleção natural, isso não quer dizer que eu ache que a seleção seja desimportante ou não essencial. Não quer dizer que eu ache que outros modos de evolução sejam mais importantes. Quer dizer que há uma grande coleção de mecanismos que, todos, têm um papel significativo na evolução, e que você não pode simplesmente fingir que só um é o que importa. Não apreciar a importância desses outros mecanismos é um pouco como ser um eletricista que acha que voltagem é tudo o que importa, e que resistência e corrente podem ser ignoradas.

Particularmente, a deriva genética aleatória, a variação em uma população causada por erro de amostragem, é bem mais significativa do que a maioria das pessoas (inclusive psicólogos evolucionistas) presumem. A maior parte da variação fenotípica óbvia que vemos nas pessoas, por exemplo, não é produto de seleção: seu nariz não tem o formato que tem, que é diferente do meu nariz, que é diferente do nariz do Barack Obama, que é diferente do nariz do George Takei, porque descendemos independentemente de populações que tinham diferentes padrões de seleção natural e sexual para o formato do nariz; não, o que estamos vendo são variações casuais amplificadas em frequência pela deriva em diferentes populações.

Por que? Porque a seleção é cega para pequenas diferenças. O acaso domina, a menos que o coeficiente de seleção seja relativamente alto. Read more…

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Queremos todos secretamente que o mundo acabe?

A psicologia sugere que temos uma atração irresistível por distopias – e pela satisfação de uma profecia autorrealizável

Por (este artigo apareceu originalmente na Scientific American)

Dia 21 de dezembro, de acordo com interpretações erradas e ultra sensacionalistas do calendário Maia, será o marco do fim do mundo. Não é a primeira declaração de que “o fim está próximo” e dificilmente será a última. Isto acontece porque, lá no fundo e por diversas razões, existe algo de atraente – pelo menos para alguns de nós – sobre o fim do mundo.

Desfrutando a Profecia autorrealizável

O neurocientista da Universidade de Minnesota Shmuel Lissek, que estuda o sistema do medo, acredita que em sua essência o conceito do apocalipse evoca uma propensão antiga e inata em muitos mamíferos. “A primiera resposta a qualquer sinal de alarme é o medo. Essa é a arquitetura com a qual fomos construídos”, diz Lissek. Através da história evolutiva, organismos com uma atitude de “é melhor se prevenir do que remediar” sobrevivem. Esse mecanismo teve consequências para o corpo e para o cérebro, em que a veloz amídala cerebelosa consegue ativar uma resposta de stress agudo de medo antes das as áreas “mais altas” do córtex terem uma chance de analisar a situação e responder mais racionalmente. Read more…

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A Espada Laser Flamejante de Newton (parte 2)

Fonte: Philosophy Now (edição 46, de 2004)
Autoria: Mike Alder
Tradução e comentário no final: Guilherme Balan

Leia também a parte 1 deste texto, sobre algumas brigas atuais entre a ciência a filosofía e como Platão entra nessa história

Praticamente uma espada laser

Há dois motivos básicos que fazem com que matemáticos e cientistas geralmente rejeitem os métodos Platonistas. Um deles vem da geometria Euclidiana. O axioma das paralelas foi proposto por Euclides e afirma que, através de um ponto, paralelo a uma certa linha, uma linha e apenas uma pode ser desenhada. Uma quantidade grande de pessoas ficou insatisfeita com este axioma. Para elas, este não parecia ter o título de um axioma adequado, porque não o consideravam autoevidente. Então, elas tentaram deduzi-lo a partir de outros axiomas. Muitas e muitas horas de trabalho de homens até de mulheres foram gastas tentando deduzir esta afirmação do resto dos axiomas de Euclides, ou acrescentar um axioma realmente evidente do qual este outro poderia ser deduzido. Todo mundo falhou, apesar de um matemático italiano ter achado que conseguiu ao supor que a afirmação era falsa e tentando deduzir uma contradição. Ele não conseguiu nenhuma contradição, mas deduziu muitos resultados que achou bizarros o suficiente para permitir que pessoas bem intencionadas aceitassem o axioma das paralelas.

Até que os matemáticos Bolyai, Lobachevsky e Riemann apareceram. Bolyai tentou deduzir uma contradição, supondo que através de um ponto, paralelo a uma certa linha, muitas linhas podiam ser traçadas. Ele saiu deduzindo que nem louco, mas falhou em conseguir uma contradição, e eventualmente percebeu que ele havia inventado uma nova geometria, diferente da de Euclides mas igualmente respeitável. Riemann fez o caminho inverso. Ele supôs que através de um ponto, paralelo a uma linha, nenhuma linha podia ser desenhada. Ele se deu conta de que também tinha inventado uma nova geometria, na verdade a geometria dos grandes círculos sobre uma esfera.

Isso já é o suficiente para acabar com o Platonismo, pelo menos até onde vai o interesse dos matemáticos. Axiomas pararam de ser verdades autoevidentes assim que a obra foi lida e entendida. Ao invés disso, eles eram simplesmente postulados que por acaso podiam ser interpretados como afirmações verdadeiras sobre o mundo, talvez até de diferentes formas. Ou eles podiam simplesmente não ser interpretados. O Platonismo morreu para os matemáticos alguns séculos atrás e agora simplesmente parece bobo. Matemática não fornece verdades, fornece consequências. O axioma das paralelas é meramente o postulado de que o espaço em que se está trabalhando é plano. Isso não nos diz nada sobre o espaço em que vivemos ser realmente plano – talvez ele seja e talvez não. Nós precisaríamos descobrir por observação, e Gauss, que compreendeu o ponto imediamente, sugeriu colocar três telescópios em diferentes topos de montanha e calcular a soma dos ângulos do triângulo formado por eles. Se o resultado fosse 180 graus, o espaço era plano, pelo menos no que diz respeito aos limites de precisão dessas medições. Se fossem mais graus, nós vivíamos em um espaço Riemanniano, se menos, em um espaço Lobaschevskiano. A razão por si só não podia nos dizer qual. Read more…

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A Espada Laser Flamejante de Newton (parte 1)

Fonte: Philosophy Now (edição 46, de 2004)
Autoria: Mike Alder
Tradução: Guilherme Balan

* a parte dois já está disponível aqui.

Mike Alder explica por que matemáticos e cientistas não gostam de filosofia, mas fazem mesmo assim.

“verdades sobre como o universo funciona no geral não podem ser atingidas por razão pura”

Como matemático, eu tomo cuidado pra não ser pego fazendo filosofia. Quando eu compro minha cópia da Philosophy Now, eu peço pro jornaleiro embrulhá-la em um saco de pão, na esperança de que ela seja confundida com uma revista masculina.

Eu não estou sozinho nisso: a maioria dos cientistas e matemáticos consideram a filosofia com algo mais ou menos entre a sociologia e a crítica literária, ambas em uma posição bem abaixo, digamos, de beijar lesmas na lista de atividades saudáveis que podemos praticar antes do jantar. Por que? Nós não somos espertos o suficiente para entendê-las, muito rígidos em nosso pensamento para achá-las estimulantes? Muito superficiais para compreender questões fundamentais? Ou nós já resolvemos elas todas e estamos além disso? Eu tentarei explicar por que cientistas e matemáticos têm uma tendência a desconsiderar esse assunto. E por que nós estamos na verdade ainda praticando-o, mas o nome mudou, sem dúvidas para proteger os inocentes.

Quando eu era criança, com uns nove ou dez anos, um professor particularmente sádico propôs a seguinte questão: “O que aconteceria se uma força irresistível fosse de encontro a um objeto imovível?”. Minha primeira resposta foi que se a força é irresistível, então o objeto deve mover. “Ah”, disse o professor, que já tinha passado por isso tudo antes, “mas o objeto é imovível”.

Eu pensei nisso por três dias seguidos com breves pausas para dormir. Eventualmente eu concluí que a linguagem era maior que o universo, que era possível falar sobre duas coisas em uma frase que não pudessem ser encontradas ao mesmo tempo no mundo real. O mundo real pode concebivelmente conter um objeto que até agora nunca tenha sido movido, assim como pode conter uma força que nunca foi resistida de fato, mas a questão do objeto ser realmente imovível só poderia ser resolvida se todas as forças possíveis fossem testadas contra ele e o deixado ainda imóvel. Então, o problema podia ser resolvido testando a até então irresistível força contra o até então objeto imovível para ver o que aconteceria. Ou o objeto moveria ou não moveria, o que diria pra gente simplesmente que o tal objeto não era de fato imovível, ou que a tal força não era de fato irresistível.

Disso você pode inferir que desde cedo eu estava destinado para a Ciência e não para a Filosofia. Read more…

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Panorama com Ian Hacking sobre o legado de Thomas Kuhn e 50 anos do “Mudança de Paradigma”

Fonte: Scientific American, 27 de Abril de 2012
Autoria: Gary Stix
Tradução: Rodrigo Véras

O trabalho seminal sobre as reviravoltas científicas periódicas pode ter sido ainda mais relevante para uma era anterior.

Thomas Kuhn, imagem: Molwick

 A resenha da Scientific American sobre A Estrutura das Revoluções Científicas de Thomas Kuhn, em 1964, terminou com a afirmação condencendente que o livro era “muito barulho por muito pouco.” O artigo curto, que apareceu dois anos depois da publicação de A Estrutura inicialmente como uma monografia na Enciclopédia Internacional da Ciência Unificada, descartou como banal a crítica de  Kuhn ao argumento positivista de que a ciência progride inexoravelmente em direção à verdade.

A rejeição loquaz do revisor errou o alvo. Sem dúvida, a obra de Kuhn tem agregado rebarbas incontáveis ao longo das décadas. Mas também é uma das mais influentes, obras de filosofia e história da ciência do século 20. A Estrutura já vendeu 1.4 milhões de cópias e o uso em demasia de “mudança de paradigma” alcançou o status de clichê gasto em inúmeras apresentações em PowerPoint em soporíferas conferências de negócios (veja “Revolucionário relutante”, de John Horgan,  uma entrevista com Kuhn de maio de 1991, na Scientific American).

Kuhn disseminou a ideia de que cientistas em um campo particular compartilham de um conjunto existente de práticas – um paradigma – que permite que eles trabalhem usando métodos comuns em  problemas de pesquisa semelhantes, o que ele chamou de “ciência normal”. Eventualmente, anomalias experimentais acumulam-se e fomentam mudanças revolucionárias, as alaredadas mudanças de paradigmas, que subverte a ordem existente e inauguram uma nova era que pode diferir radicalmente da antiga.

Essa “incomensurabilidade”, como Kuhn a denominou,  mantinha que,  após uma verdadeira revolução, um corpo existente de teoria não mantinha relação com o novo quadro teórico, algo oposto de “de pé sobre ombros de gigantes”. Em outras palavras, o conceito de massa no novo mundo de E = mc2 diferia fundamentalmente da mesma designação na mecânica clássica antiga, em F=ma. O uso de Kuhn da palavra ‘incomensurabilidade’foi distorcido para afirmar que ele defendia o descarte de considerações objetivas em uma nova teoria, a troca da racionalidade pelo “relativismo científico”, em que a voz mais alta sobre uma idéia de estimação prevaleceria, o que um crítico caracterizou como “psicologia de massas”. Read more…

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Estávamos lá: julgamento da Pussy Riot

Autora: Rachel Denber*
Fonte: Human Rights Watch
Tradução: Eli Vieira

Pussy Riot: Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevich, sob custódia do Estado russo desde março de 2012 por criticarem as relações promíscuas entre igreja e governo Putin. AP

Ficamos de pé nos degraus dentro do prédio do tribunal em Moscou – a sala de julgamentos ali perto estava lotada – ouvindo a juíza ler ao microfone sua sentença condenatória contra as três membros do grupo feminista punk Pussy Riot.

Senti um peso no meu peito com o pronunciamento. Tendo monitorado os direitos humanos na Rússia por mais de 20 anos, nunca vi esse tipo de atenção midiática, ou tamanha efusão de apoio público, para um caso político. Mas tampouco em qualquer momento esperei que as mulheres fossem inocentadas.

Enquanto a juíza continuou falando, pensei em como estavam as centenas de manifestantes a uma quadra dali, enquanto gritavam “Vergonha!” para o pronunciamento da sentença. Já tínhamos assistindo a polícia arrastar para fora dois homens que vestiram máscaras de esqui – marca registrada da Pussy Riot – em solidariedade à banda.

Minhas colegas e eu demoramos horas empurrando e nos apertando para passar por uma barricada policial e centenas de jornalistas para estar aqui. Senti-me sortuda por achar um lugar onde eu podia me apoiar na parede. Sentenças russas – lidas em voz alta por juízes – podem ser longas; esta durou quase 3 horas.

O que esse caso disse sobre o Estado de Direito e a liberdade de expressão na Rússia foi perturbador – e foi isso que a juíza disse sobre o papel que ela crê que o feminismo desempenhou neste caso. Read more…

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Por que o ateismo é consistente com o feminismo e a postura pró-escolha

Fonte: RH Reality Check
Autoria: Amanda Marcotte
Tradução e introdução: Åsa Heuser

Gostaria de dizer, a título de esclarecimento, que em nenhum momento está sendo dito que o ateismo leva automaticamente ao feminismo. A autora do texto descreve a sua vivência particular e o seu modo pessoal de ver a questão.

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Ouvintes habituais do meu podcast sabem que na semana passada entrevistei uma ativista atéia, Amy Davis Roth, que tem trabalhado como parte de um esforço mais amplo para combater uma forma de sexismo particularmente nojenta e virulenta na comunidade dos ativistas ateístas. A ignomínia que Amy estava discutindo continuou, e essa semana infelizmente parece que uma excelente blogueira resolveu desistir para evitar ser exposta por um homem que tem um compromisso notavelmente agressivo de tornar conferências seguras para os assediadores sexuais. Esta blogueira, que é conhecida pelo nome Natalie Reed, escreveu um texto comovente sobre a sua desilusão que eu recomendo muito que leiam.

Eu compartilho da angústia da Natalie, por causa da recente descoberta que o movimento ateu/cético tem um não tão pequeno e certamente bastante ruidoso subgrupo de participantes cujo sexismo é tão forte que preferem afugentar as mulheres totalmente do movimento a suportar a indignidade de tratar mulheres como gente. Para mim, ser uma ateia declarada sempre esteve firmemente interligado com o meu feminismo, e de fato realmente é o resultado do meu feminismo. Eu nunca realmente acreditei em qualquer tipo de deus, mas a noção de que o ateísmo é importante e devia ser abertamente discutido eu só desenvolvi realmente porque ela serve à meta maior de criar um mundo que tenha verdadeira igualdade de gêneros. Ativismo ateísta para mim sempre foi sobre objetivos maiores, porque acredito que enfraquecer o domínio mortal da religião sobre o poder é o que realmente é necessário para que as mulheres sejam verdadeiramente iguais. Read more…

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O massacre no Colorado, o controle de armas e a lei dos grandes números

Autor: Michael Shermer

Traduzido por: Camilo Gomes Jr.

Fonte: Skepticblog (31/07/2012)

James Holmes, o autor do massacre em Aurora.

É cedo demais para dizer qual foi o motivo por trás do assassinato em massa perpetrado por James Holmes num cinema de Aurora, no estado americano do Colorado, sobretudo agora que ele parou de falar com as autoridades encarregadas de seu caso. São conflituosos os relatos de amigos, colegas de universidade e professores, a respeito de sua personalidade, seus pensamentos e comportamentos. Ele era inteligente, brilhante na verdade. Não, não era; era um aluno abaixo da média, que largou o curso de doutorado na Universidade do Colorado após ser reprovado num exame preliminar. Ele era um sujeito reservado, que não disse coisa alguma que indicasse que estava prestes a surtar. Também não é verdade; ele deixou uma mensagem de voz incoerente e desconexa no serviço de atendimento de um clube de armas para o qual queria entrar, cujo proprietário destacou: “Era uma voz grave, gutural, balbuciando algo incoerente. Eu pensei, ‘O que é que esse idiota está tentando ser?’”. Ele equipou seu apartamento com dispositivos explosivos, porém, mais tarde, alertou a polícia sobre eles, depois de sua captura. Os primeiros relatos descreviam o evento como tendo sido espontâneo e aleatório, mas ele enviou um caderno pelo correio para seu psiquiatra na universidade, descrevendo em detalhes com diagramas precisamente aquilo que havia (pré-)planejado fazer.

Pode levar meses antes que tenhamos qualquer ideia de quais eram sua mentalidade e seus motivos. E exceto por algo óbvio, como um tumor cerebral que pressione sua amígdala (o centro emocional do cérebro) — semelhante ao que havia no cérebro de Charles Whitman, o atirador da torre do sino na Universidade do Texas, que, em 1966, matou 49 pessoas, incluindo a si mesmo, depois de deixar um bilhete às autoridades, pedindo que autopsiassem seu cérebro porque ele sentia que havia algo errado —, podemos jamais ficar sabendo o motivo por trás dos atos assassinos de James Holmes. Read more…

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