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Genes criminais e cérebros criminosos

Já estamos lá?

Publicado em 7 de maio de 2013 por Patricia Smith Churchland, B. Phil no Neurophilosophy

Prevenir o crime, ao invés de esperar pelo crime ser cometido, é atraente. Identifica-se o indivíduo que irá cometer o crime, e aí se intervem. O que poderia ser mais sensato? Primeiro, entretanto, como se identifica o malvado incipiente? Calombos no crânio foram já considerado pelos frenologistas

Foto: JAMES KING-HOLMES/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Foto: JAMES KING-HOLMES/SCIENCE PHOTO LIBRARY

como fornecendo uma pista importante. A hipótese caiu sobre sua própria lâmina por que seu poder preditivo não pode ir além do zero. Estas ambições preditivas permanecem completamente vivas, contudo, o mais importante, os métodos de identificação foram aperfeiçoados. Conselho: Não perca seu tempo observando o crânio. Olhe dentro dele. O próprio cérebro. E também para os genes que fazem o cérebro.

No The Wall Street Journal (edição de Sábado/Domingo, 27-28 de de abril de 2013),  os psiquiatra/neurocientista Adrian Raine postulou uma assinatura cerebral da mente criminosa. A sugestão é que existiria uma ligação entre os baixos níveis de atividade nas regiões pré-frontais do cérebro com a psicopatia. Um segundo resultado envolveu não a atividade cerebral, mas a estrutura do cérebro: supostamente o tamanho do corpo estriado é, em média, maior em criminosos. Raine também alega que a genética começa a “identificar quais genes específicos promovem um comportamento [criminoso]“.

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Lógica e argumentação

AristotelesParece ser intenção inerente aos seres humanos a adesão ao que é verdadeiro e rejeição do que é falso. Essa alegação encontra suporte desde a filosofia grega: Aristóteles (384 – 322 A.C.), em seu livro Metafísica, já sublinhava o desejo de conhecer como algo natural de todos os homens. Em uma das versões clássicas, e provavelmente a mais aceita, sobre o conceito de conhecimento, Platão o definia como crença verdadeira e justificada. Além disso, não apenas a crença verdadeira é vista como uma busca pertinaz; igualmente o compartilhamento e o convencimento dos outros parece ser algo notável no comportamento humano. Não obstante, por motivos diversos, o uso do procedimento argumentativo pode ser um recurso valioso no exame daquilo que se tem como verdadeiro. Nesse sentido, uma possível maneira de definir o objetivo da lógica é estudar e sistematizar a validade ou invalidade da argumentação, além de proporcionar o estudo da inferência.

O estudo da lógica não se faz necessariamente apenas na filosofia, e mesmo quando se tratando dessa há vários tipos de lógicas dos quais os filósofos têm se dedicado ao longo dos séculos. Uma divisão aceitável é separar os argumentos entre dedutivos e não dedutivos [1]. No caso dos últimos, podem estar inclusas as generalizações e previsões, também chamadas de induções. Grosso modo, os argumentos dessa classe são caracterizados basicamente como intensidade que suportarem as conclusões a partir de premissas como prováveis, ou provavelmente verdadeiras. Vejamos o clássico exemplo de John Vickers:

Todos os cisnes vistos até hoje são brancos. (1)

Portanto, todos os cisnes são brancos. (2)

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Ciência e Inferência Parte IV: Probabilidades e probabilidades

Definir probabilidade não é uma tarefa fácil. Até hoje não há um consenso entre matemáticos, estatísticos, probabilistas e filósofos sobre o que, exatamente, significa este termo. Não obstante, é inegável a nossa dependência deste conceito que tem vastas aplicações. Apesar destangbbs4ceb73eb99a24 situação, conseguimos distinguir, pelo menos, duas classes de significados mais comummente atribuídos ao termo ‘probabilidade’.

Na primeira classe de definições as probabilidades são encaradas como frequências relativas de certos eventos de um total de eventos possíveis de interesse, ou, mais tecnicamente, como a razão limite de uma sequência de eventos reprodutíveis. Neste caso, uma declaração de que uma moeda teria 50% de probabilidade de dar cara caso arremessada é, normalmente, compreendida como querendo dizer que cerca da metade dos resultados de uma série de lançamentos darão ‘cara’, sendo esta razão cada vez mais exata quanto mais a série se estender. Já na segunda classe, as probabilidades são vistas de maneira bem diferentes, como o grau de conhecimento ou crença de um indivíduo em uma determinada hipótese ou desfecho dado uma situação de incerteza. Neste caso, a probabilidade pode ser aplicado não apenas às sequências, mas também a eventos individuais, como nos explica David Howie em seu livro [1] :

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Descrença e Esperança – 2. Seria A Descrença Uma Fórmula Para O Desespero?

Leia antes “Descrença E Esperança – 1. O Conceito de Esperança

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A Esperança (1986), quadro de George Frederic Watts

Com o conceito operacional de esperança esboçado no capítulo anterior em em mãos, posso agora voltar-me para a ideia de que a descrença é uma fórmula para o desespero. Imagino que esta ideia decorra, ao menos em parte, do fato de que realmente não há a menor margem para determinadas esperanças sem algum tipo de crença espiritual ou sobrenatural para ampara-las. Por exemplo, se nenhuma crença em domínios ou entidades espirituais é verdadeira, então não pode haver (a) imortalidade de qualquer espécie (e portanto nenhum pós-vida livre de males e sofrimentos no Paraíso, e nenhuma reunião com amigos ou entes queridos falecidos) e (b) nenhuma garantia de que, em última instância, a justiça prevalecerá. Se nenhuma crença em domínios ou entidades espirituais é verdadeira, então a morte encerra permanentemente nossa experiência consciente – a nossa e as de nossos amigos e entes queridos. Portanto, mesmo se desejamos viver eternamente no Paraíso ou em outro lugar, ou rever nossos amigos e parentes falecidos, estas não são possibilidades vivas para os descrentes. E se nenhuma crença em domínios ou entidades espirituais é verdadeira, então também não existe nenhum poder ou pessoa sobrenatural para assegurar que em última instância a justiça prevalecerá. Portanto, embora desejemos estar certos de que a justiça prevalecerá, esta também definitivamente não é uma opção viva para os descrentes. Consequentemente, a condição (3) não pode ser satisfeita para qualquer dos resultados desejados, e portanto os descrentes não podem ter qualquer tipo de esperança em relação a tais resultados.

Não obstante, não se segue que não haja margem para a esperança se alguém sustenta uma visão de mundo naturalista. Pois não faz diferença o quão importante as esperanças “perdidas” possam ser, sua exclusão não implica a exclusão de toda e qualquer espécie de esperança, assim como a exclusão de caminhões de 18 rodas das garagens residenciais típicas não implica a exclusão de todos os veículos motorizados. Na verdade, há uma ampla margem tanto para a esperança convicta como para a esperança francamente razoável numa visão de mundo naturalista: um descrente pode esperar convicta ou razoavelmente que obterá o emprego de seus sonhos, será admitido num bom programa de doutorado, exercerá um impacto positivo nas vidas de outras pessoas ou de sua comunidade, se recuperará de revertérios, encontrará o amor verdadeiro, viverá uma vida longa e frutífera, e assim por diante. Quando se trata desta categoria de coisas, os descrentes são tão qualificados para esperar convictamente ou razoavelmente por elas quanto os crentes no sobrenatural; pois tais coisas definitivamente não são desesperadamente improváveis numa visão de mundo naturalista e, em vários casos, elas justificam a confiança em sua concretização. Portanto, é patentemente falso que a descrença seja uma fórmula para o desespero. Read more…

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Descrença E Esperança – 1. O Conceito de Esperança

A Esperança (1986), quadro de George Frederic Watts

A Esperança (1986), quadro de George Frederic Watts

Há diversas razões pelas quais as pessoas apegam-se a suas crenças em coisas sobrenaturais. Várias dessas razões, penso eu, são psicológicas – as pessoas se apegam a crenças sobrenaturais porque não possui-las seria psicologiamente inaceitável de alguma maneira (ou de várias maneiras). Em outras palavras, elas tem – ou pensam que tem – certas necessidades psicológicas que não poderiam ser satisfeitas se elas não se apegassem a algum tipo de crença sobrenatural. Por exemplo, minha madrasta disse-me inúmeras vezes que ela tem que acreditar em Deus porque ela tem que acreditar que voltará a ver seus falecidos pais. Um exemplo mais extremo aqui é a tendência das pessoas a pensar que, sem a crença no sobrenatural, elas não seriam capazes de ter absolutamente nenhuma esperança. A descrença, elas pensam, é “uma fórmula para o desespero”. Esta visão da descrença provavelmente origina-se da crença de que a crença em Deus, ou pelo menos em algum poder sobrenatural, é “A” fonte ou o fundamento da esperança. Pois se se acreditar nisto, a rejeição do sobrenatural equivale à rejeição da fonte ou fundamento da esperança, o que torna a esperança impossível e o desespero a única reação apropriada.

Aqueles de nós interessados em libertar os outros da crença no sobrenatural devem tentar convence-los de que a descrença é psicologicamente aceitável. Mas como uma defesa satisfatória desta tese seria bastante extensa, o foco deste artigo será apenas dissipar a ideia comum de que a descrença é uma fórmula para o desespero. Após uma breve discussão da própria esperança, mostrarei que esta ideia bastante difundida é equivocada, mesmo se for motivada por alguma verdade acerca da descrença. Ao contrário do que muitos pensam, viver desprovido de absolutamente quaisquer crenças sobrenaturais ou espirituais não somente deixa espaço de sobra para a esperança, como pode auxiliar as pessoas a esperar de modo realista e psicologicamente saudável quando se trata de aspectos importantes da vida.

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Entrevista: Susan Haack contra a fé cega na ciência, o cientificismo

Susan Haack no Museu de Xangai, China

Com um oceano entre nós, a filósofa Susan Haack gentilmente concedeu-me esta entrevista sobre seu artigo “Seis  Sinais de Cientificismo“, que acabamos de publicar em português. Dotada de um currículo extenso e um pensamento claro e rigoroso, a professora inglesa radicada na Universidade de Miami, ex-aluna das universidades de Oxford e de Cambridge, atraiu a atenção de entidades como o CSICOP de Carl Sagan ao defender a ciência em duas frentes: tanto ao colocar em perspectiva que a ciência é uma forma de investigação valiosa e em vários aspectos singular, contra o que dizem os relativistas “cínicos” do pensamento acadêmico que convencionou-se chamar de “pós-modernismo” (como ela faz, por exemplo, no recém-traduzido, pela PUC-Rio, “Manifesto de uma moderada apaixonada“); quanto ao combater o excesso de deferência às ciências conhecido como cientificismo, assunto tratado aqui. A Dra. Haack agora integra o time de membros honorários internacionais da Liga Humanista, junto a Daniel Dennett, Daniel Everett e Maryam Namazie.

LiHS: Você considera o cientificismo uma forma de preconceito, como Hayek o chama em sua citação? Hoje em dia muitas pessoas preocupam-se bastante com preconceitos como racismo, sexismo e homofobia. Se o cientificismo é um preconceito como esses, o que ele tem em comum com eles?

 

SH: Citei Hayek usando a palavra “preconceito” ao descrever o cientificismo para indicar aproximadamente quando o termo “scientism” deixou de significar, simplesmente, “o hábito e modo de expressão de um homem da ciência” e passou a assumir um tom negativo. Mas, entretanto, não uso, eu mesma, a palavra “preconceito” nesse contexto.

 

Por que não? — Porque hoje (ao menos na língua inglesa) um preconceito é quase sempre entendido como um preconceito contra algo; de fato, o dicionário Merriam Webster — um dicionário padrão do inglês americano — define um preconceito como “uma opinião ou tendência adversa formada sem fundamentos justos ou conhecimento suficiente”.[1] Racismo, sexismo e homofobia são, como você diz, muitas vezes considerados preconceitos ou expressões dele — preconceito, isto é, contra este ou aquele grupo ou categoria de pessoas.

Mas enquanto o cientificismo é, seguramente, “uma tendência formada sem fundamentos justos ou conhecimento suficiente”, ele é uma tendência favorável à ciência, não contrária a ela. Então, diferente do sexismo, ou do racismo ou da homofobia, o que é lamentável  sobre o cientificismo não é que ele seja um pré-julgamento contra algo, mas que é um pré-julgamento a favor de algo. Então, em vez de usar a palavra “preconceito” nesse contexto, eu simplesmente descrevo o cientificismo pelo que ele é: “um tipo de atitude excessivamente entusiástica e acriticamente reverente para com a ciência, uma incapacidade de ver ou falta de vontade de admitir sua falibilidade, suas limitações e seus potenciais perigos”.

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Entrevista com Susa Haack – Parte I

Susan Haack

Dando continuidade a série de posts sobre filosofia moderna que tem sido publicados no Bule Voador, trazemos desta vez uma entrevista com a conhecida filósofa inglesa, radicada nos EUA, Susan Haack, da qual já havíamos publicado uma tradução, em várias partes de um artigo sobre cientificismo. Haack tem uma vasto leque de interesses que vão da epistemologia a filosofia do direito passando pela filosofia da lógica, da linguagem e da ciência, sendo profundamente influenciada pela tradição pragmatista Norte Americana que têm em nomes, como Charles Sanders Peirce, William James, e John Dewey, seus maiores representantes.

A entrevista é conduzida pelo historiador e blogueiro cético Richard Carrier e faz parte de uma série de entrevistas com filósofas que o influenciaram que destinam-se a expor e discutir suas perspectivas, bem como tratar de questões sobre suas formações, influências e dificuldades no meio acadêmico de modo que se discuta a inserção das mulheres neste campo, além de apresentar a filosofia de uma maneira mais atraente e dinâmica, apontando para sua relevância e para a necessidade de maior representatividade de certos grupos, como as mulheres, entre seus praticantes. As perguntas de Carrier e seus comentários, por vezes contrastantes as respostas de Haack, tornam a entrevista ainda mais interessante e sugerem uma forma de diálogo que deveríamos abraçar e incentivar em que há espaço para pontos de vista divergentes (embora estejam inseridos em contexto mais geral de grande acordo entre as perspectivas adotadas por ambos), e em que os critérios principais a para a discussão são o respeito mutuo e defesa livre de ideias por argumentação rigorosa, mas sem ser por demais técnica.

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Evidências da inexistência de Deus (e de unicórnios)

Autor: Eli Vieira
Adaptado de Tetrapharmakos in Vitro*

A Unicórnio Rosa Invisível (URI) claramente não existe, defeito do qual não sofre seu concorrente, o Bule Voador. Arte de ~dethklocalypse

Uma das máximas mais famosas do sapientíssimo Carl Sagan, que ele formulou em contato com pessoas que acreditavam dogmaticamente que seres extraterrestres não existem, é esta: “ausência de evidência não é evidência de ausência”. É uma boa máxima, mas, de vez em quando, parece que alguns tomam isso como se implicasse que evidências de ausência (inexistência) não podem ser descobertas ou produzidas. Aqui, pretendo mostrar que há evidências da inexistência de dois seres concebíveis: os unicórnios, e o tradicional Deus dos monoteísmos classicamente definido como onipotente, onipresente e oniscente. Read more…

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A Espada Laser Flamejante de Newton (parte 2)

Fonte: Philosophy Now (edição 46, de 2004)
Autoria: Mike Alder
Tradução e comentário no final: Guilherme Balan

Leia também a parte 1 deste texto, sobre algumas brigas atuais entre a ciência a filosofía e como Platão entra nessa história

Praticamente uma espada laser

Há dois motivos básicos que fazem com que matemáticos e cientistas geralmente rejeitem os métodos Platonistas. Um deles vem da geometria Euclidiana. O axioma das paralelas foi proposto por Euclides e afirma que, através de um ponto, paralelo a uma certa linha, uma linha e apenas uma pode ser desenhada. Uma quantidade grande de pessoas ficou insatisfeita com este axioma. Para elas, este não parecia ter o título de um axioma adequado, porque não o consideravam autoevidente. Então, elas tentaram deduzi-lo a partir de outros axiomas. Muitas e muitas horas de trabalho de homens até de mulheres foram gastas tentando deduzir esta afirmação do resto dos axiomas de Euclides, ou acrescentar um axioma realmente evidente do qual este outro poderia ser deduzido. Todo mundo falhou, apesar de um matemático italiano ter achado que conseguiu ao supor que a afirmação era falsa e tentando deduzir uma contradição. Ele não conseguiu nenhuma contradição, mas deduziu muitos resultados que achou bizarros o suficiente para permitir que pessoas bem intencionadas aceitassem o axioma das paralelas.

Até que os matemáticos Bolyai, Lobachevsky e Riemann apareceram. Bolyai tentou deduzir uma contradição, supondo que através de um ponto, paralelo a uma certa linha, muitas linhas podiam ser traçadas. Ele saiu deduzindo que nem louco, mas falhou em conseguir uma contradição, e eventualmente percebeu que ele havia inventado uma nova geometria, diferente da de Euclides mas igualmente respeitável. Riemann fez o caminho inverso. Ele supôs que através de um ponto, paralelo a uma linha, nenhuma linha podia ser desenhada. Ele se deu conta de que também tinha inventado uma nova geometria, na verdade a geometria dos grandes círculos sobre uma esfera.

Isso já é o suficiente para acabar com o Platonismo, pelo menos até onde vai o interesse dos matemáticos. Axiomas pararam de ser verdades autoevidentes assim que a obra foi lida e entendida. Ao invés disso, eles eram simplesmente postulados que por acaso podiam ser interpretados como afirmações verdadeiras sobre o mundo, talvez até de diferentes formas. Ou eles podiam simplesmente não ser interpretados. O Platonismo morreu para os matemáticos alguns séculos atrás e agora simplesmente parece bobo. Matemática não fornece verdades, fornece consequências. O axioma das paralelas é meramente o postulado de que o espaço em que se está trabalhando é plano. Isso não nos diz nada sobre o espaço em que vivemos ser realmente plano – talvez ele seja e talvez não. Nós precisaríamos descobrir por observação, e Gauss, que compreendeu o ponto imediamente, sugeriu colocar três telescópios em diferentes topos de montanha e calcular a soma dos ângulos do triângulo formado por eles. Se o resultado fosse 180 graus, o espaço era plano, pelo menos no que diz respeito aos limites de precisão dessas medições. Se fossem mais graus, nós vivíamos em um espaço Riemanniano, se menos, em um espaço Lobaschevskiano. A razão por si só não podia nos dizer qual. Read more…

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Um cético e um ocultista respondem: “O que é a fé?”

Fonte: Textos para reflexão

Autor: Kentaro Mori, Marcelo Del Debbio e Rafael Arrais

Editor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Parte da série “Reflexões sobre a espiritualidade e a ciência”, onde o ocultista Marcelo Del Debbio e o cético Kentaro Mori respondem a uma mesma pergunta (a cada post). Para conhecer mais sobre esses dois distintos participantes, não deixe de ler sobre a premissa da série.

[Raph] Por muitos anos a física experimental esteve sempre a anteceder a teórica: primeiro a natureza era observada, ocorriam experimentos, e somente depois os cientistas elaboravam teorias para os resultados. Recentemente, no entanto, a física têm também considerado teorias que se sustentam apenas em modelos puramente matemáticos, e ainda não puderam ser testadas – como a Teoria das Supercordas. Há físicos que dedicam suas carreiras a tais estudos, na esperança de que um dia possam se comprovar.

Há fundamentalistas que creem que a fé é “a única salvação”. Há também anti-teístas que consideram toda a fé praticamente um “veneno para a mente”. Todavia, parecem haver vários tipos e gradações de fé. Sto. Agostinho defendia o “crer para compreender, compreender para crer”. A fé raciocinada, conectada ao que podemos observar na natureza, e sem se aventurar desprevenida pela imaginação pura, parece ser a fé dos religiosos mais moderados.

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