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Há 60 anos, a dupla hélice começava a girar em nossas mentes!

James Watson And Francis CrickDia 25 de março de 2013 foi o Dia do ADN, por que há exatos 60 anos atrás, saiu o paper da Nature de Watson e Crick (baixe seu original daqui), que desvendou a estrutura exata da dupla hélice da molécula do ADN, base de nosso código genético. Neste mesmo número, saíram outros dois artigos complementares, pois alguns dos experimentos foram utilizados em comum (Wilkins, Stoke & Wilson e Franklin & Gosling).

Foi com as seguintes palavras que a dupla hélice entrou para o rol do conhecimento científico humano:

A structure for nucleic acid has already been proposed by Pauling (4) and Corey1. They kindly made their manuscript available to us in advance of publication. Their model consists of three intertwined chains, with the phosphates near the fibre axis, and the bases on the outside. In our opinion, this structure is unsatisfactory for two reasons:

(1) We believe that the material which gives the X-ray diagrams is the salt, not the free acid. Without the acidic hydrogen atoms it is not clear what forces would hold the structure together, especially as the negatively charged phosphates near the axis will repel each other.

(2) Some of the van der Waals distances appear to be too small.

Another three-chain structure has also been suggested by Fraser (in the press). In his model the phosphates are on the outside and the bases on the inside, linked together by hydrogen bonds. This structure as described is rather ill-defined, and for this reason we shall not comment on it.

We wish to put forward a radically different structure for the salt of deoxyribose nucleic acid (5). This structure has two helical chains each coiled round the same axis (see diagram). We have made the usual chemical assumptions, namely, that each chain consists of phosphate diester groups joining beta-D-deoxyribofuranose residues with 3′,5′ linkages. The two chains (but not their bases) are related by a dyad perpendicular to the fibre axis. Both chains follow right-handed helices, but owing to the dyad the sequences of the atoms in the two chains run in opposite directions (6) . Read more…

posted by Cicero Escobar in Ciência,Divulgação de Ciência and have No Comments

Acupuntura e os problemas com a avaliação de sua eficácia

A chamada medicina alternativa e complementar não é um todo coerente e de fácil delimitação. Na realidade, envolve uma série de diferentes estratégias terapêuticas que geralmente têm em comum apenas o fato de destoarem das estratégias terapêuticas tradicionais e por sua baixa (ou mesmo nula) validação científica. Estas terapias podem variar da alta plausibilidade das ‘ervas medicinais’, que são muito investigadas pelos departamentos de farmacologia e de produtos naturais das universidades, até métodosbule_academico como o reiki, os quais partem do pressuposto que algum tipo de ‘emanação energética’ misteriosa, sem qualquer base física, é transmitida pelos terapeutas, podendo ser usadas para diagnosticar e curar os pacientes com diversas enfermidades. Enquanto os problemas com as ervas medicinais estão, geralmente, mais associados a questões práticas como controle de qualidade, padronização das preparações, além da possibilidade de interações medicamentosas e de problemas do custo/benefício destes tratamentos em relação aos com fármacos convencionais (muitos dos quais foram desenvolvidos de substância ativas isoladas de plantas), no caso do reiki, é a própria coerência da

Crédito: OSCAR BURRIEL/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Crédito: OSCAR BURRIEL/SCIENCE PHOTO LIBRARY

base da terapia e a escassez de evidências [veja aqui] provenientes de estudos muito bem controlados de sua eficácia que são as questões mais pertinentes.

No meio do caminho estão tratamentos como a acupuntura que desde os anos 60 tem atraído a atenção de muitos pesquisadores que propuseram várias explicações para a suposta ação terapêutica da inserção de agulhas em pontos específicos do corpo dos pacientes, particularmente no alívio de dores específicas [1]. O problema é que, embora seja plausível que o ‘agulhamento a seco’ (isto é inserção de agulhas na pele de seres humanos) possa propiciar algum tipo de alívio da dor, a acupuntura é muito mais do que isso. Os mecanismos fisiológicos, propostos como os ligados a ‘teoria do portal’ de Wall e Melzack [2], proposta nos anos 60, são gerais demais, assim como as teorias baseadas na liberação de neurotransmissores moduladores da nocicepção e as baseadas no padrão de enervação [1].

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posted by Rodrigo Veras in 1. Bule Voador,Ceticismo,Ciência and have No Comments

Antropólogas sofrem assédio durante trabalho de campo

"Pare". Imagem contra o assédio sexual no ambiente de trabalho. Fonte: mypokcik/Shutterstock

“Pare”. Imagem contra o assédio sexual no ambiente de trabalho. Fonte: mypokcik/Shutterstock

Antropólogas Assediadas

Nova pesquisa encontra alta incidência de assédio sexual e estupro entre mulheres realizando trabalho de campo antropológico.

Mais de 20% de mulheres bioantropólogas que participaram de uma nova pesquisa são vítimas de “assédio sexual físico ou contato sexual indesejado” durante o período de suas pesquisas científicas, principalmente pelas mãos de seus superiores (colegas de profissão) e até mesmo por parte de seus orientadores.

Depois de conversar com uma amiga que havia sido estuprada por um colega, a antropóloga Kathryn Clancy, da Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, decidiu investigar o assunto mais profundamente. “Foi como um tapa na cara descobrir que isto estava ocorrendo com minhas amigas,” Clancy afirmou ao ScienceInsider. Read more…

posted by Luiz Henrique Coletto in Ciência,Igualdade de Gêneros,Luiz Henrique,Sexualidade and have No Comments

O fascismo de saber coisas

science

Cena de “The Five Fists Of Science” por Matt Fraction & Steven Sanders

No último fim de semana eu passei parte do meu tempo bebendo cerveja e conversando com Sir Peter Blake sobre Kendo Nagasaki. Nesse fim de semana eu passei uma hora mordendo uma caneta como um cavalo Shire enquanto meu cérebro falhava em compreender um jornalista de quem eu estava sentado ao lado. Eu estava na QEDcon, numa mesa com o tema “A Ciência é a Nova Religião?”.

É o tipo de título popular com o pessoal da imprensa, como “a comédia é o novo rock and roll?” ou “tricô é a nova psoríase?”.

A resposta para “a ciência é a nova religião?” é obviamente sim, contanto que você redefina religião como sendo “um sistema auto-corretivo e baseado em evidências de explorar o universo que tenta desenterrar as leis e teorias menos incorretas que podem explicar o que existe ou pode existir enquanto ao mesmo tempo aceita que sempre deve haver espaço para dúvida e maiores questionamentos”.

Logo saímos do tema, quando o jornalista explicou que políticos, defasados pela incerteza, eram agora guiados nos bastidores por cientistas. Seja isso verdade ou não, a evidência oferecida parece escassa. Algo a respeito de fumo passivo e algo sobre política de educação. Do meu ponto de vista parecia que o máximo que realmente estava sendo oferecido era a ideia de que membros do parlamento talvez façam uma seleção dos dados para justificar as políticas que eles querem colocar em prática. Isso parece muito diferente da noção de que uma cabala poderosa de cientistas esteja levando a nação a uma ditadura da evidência sob a mão pesada do pensamento crítico avançado. Não vou me ater a minhas discordâncias com a posição do jornalista, esperemos que uma gravação seja disponibilizada em breve e você possa julgar por si mesmo e jogar um ovo ou um tomate virtual em mim pelos meios da comunicação futurista. Read more…

posted by Guilherme Balan in Alê GM,Ceticismo,Ciência,Religião and have Comments (6)

A discriminação entre dor e tato no cérebro humano em desenvolvimento.

A consciência é um dos maiores mistérios com que nos deparamos. Enfrentado pela filosofia há milênios, foi apenas muito recentemente considerada como um objeto legítimo de estudo científico. Essa mudança sem dúvida foi devida aos desenvolvimentos das ciências cognitivas e, principalmente, das neurociências que tiveram lugar nas últimas décadas. Hoje é muito difícil negar, frente a avassaladora montanha de dados comparativos, clínicos e das neurociências cognitivas, que o cérebro tenha um papel fundamental na gênese e manutenção das nossas memórias, da nossa capacidade de experienciar o mundo (e nossas ideias sobre ele) de uma perspectiva subjetiva e, por assim, dizer, do nosso senso de identidade pessoal. Mesmo as emoções, como mostram os estudos em ResearchBlogging.orgneurobiologia

Foto: HORACIO SORMANI/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Foto: HORACIO SORMANI/SCIENCE PHOTO LIBRARY

comparativa que deram origem a áreas como a neurociência afetiva, são consensualmente aceitas como dependentes da atividade cerebral e, de certo modo, compartilhadas com outros mamíferos e vertebrados sendo a base de nossos sistemas atencionais e motivacionais [Veja os títulos recomendados no final].

Esta perspectiva científica da mente humana não é inócua, repercutindo em várias áreas importantes da nossa sociedade, como no tratamento e diagnósticos de condições mentais, nas discussões sobre a imputabilidade criminal, na resolução de dilemas éticos e na própria forma como vemos a nós mesmos. Entretanto, esmiuçar os recônditos do cérebro humano em busca da elusiva consciência continua sendouma tarefa e tanto na qual ainda engatinhamos por meio de uma abordagem fragmentada em que muitas frentes são exploradas ao mesmo tempo.

A capacidade de experimentar a dor é uma das janelas óbvias para a investigação da mente, mas ela é limitada pela capacidade de autorrelato dos indivíduos que só entra em cena muito tarde no processo de desenvolvimento, quando já não há mais dúvidas que o indivíduo é completamente consciente. Porém, ao invés da dor, é possível investigar um processo análogo intimamente ligado a ela, na verdade um pré-requisito para a mesma, a chamada nocicepção, isto é, a habilidade de conduzir e diferenciar (de outros tipos) estímulos nóxios (ou seja, aqueles associados ao dano tecidual) que, quando estamos completamente conscientes, experimentamos como a complexa e primordial experiência chamada “dor”.

Em 2011, Fabrizi e colaboradores [1] utilizando-se de técnicas não-invasivas de registro de eletroencefalográfico (EEG), relataram no periódico Current Biology que conseguiram detectar mudanças nos padrões de atividade neuronal que marcam o início da nocicepção e da discriminação tátil em bebês prematuros e não prematuros.

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Brincar com jogos “de meninos” poderia ajudar as meninas em ciência e matemática?

Foto: EMELY/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Um artigo de revisão revela que homens ainda possuem melhores habilidades espaciais do que as mulheres – isso poderia ser explicado por diferenças individuais na identificação com os papéis de gênero.

As obervações de que os homens, aparentemente, são superiores às mulheres em alguns campos de estudos acadêmicos motivou uma gama de pesquisas que esperam lançar luz sobre se essas observações poderiam ser atribuídas à “natureza ou à criação”. Embora não haja diferenças na inteligência geral entre os sexos, estudos dos últimos 35 anos têm revelado, consistentemente, que, no geral, os homens saem-se bem melhor em testes envolvendo habilidades espaciais do que as mulheres. Essas diferenças podem ter algo a ver com o porquê de ainda existirem tão poucas mulheres no ensino superior estudando ciência, tecnologia, engenharia e matemática – todos assuntos em que possuir boas habilidades espaciais ajuda.

Uma avaliação mais profunda, entretanto, mostra que isso pode ser uma simplificação exagerada dos fatos. Um novo artigo de revisão, publicado no periódico da editora Springer, Sex Roles, lança luz em um dos fatores que contribuem para as diferenças, entre os gêneros, nas habilidades espacias: os papéis de gênero. Embora crianças nasçam meninos ou meninas, indivíduos diferem em seu nível de identificação com a masculinidade e feminilidade e quanto ao seu endosso aos papéis de gênero masculinos e femininos. A revisão foi levada a cabo por David Reilly e David Neumann da Universidade Griffith, em Queensland, na Austrália. Read more…

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Ciência e inferência. Parte III: O bom e velho reverendo

bayesEm 1763 foi encaminhado para publicação, por Richard Price, aquele que viria a ser conhecido como o famoso ‘Teorema de Bayes’ [1] (“An Essay towards solving a Problem in the Doctrine of Chances”) envolvendo as chamadas ‘probabilidades condicionais’ entre eventos dependentes uns dos outros. Os métodos derivados deste simples teorema adquiriram grande importância, tornando-se muito comuns entre biólogos evolutivos (tanto entre os geneticistas de populações como entre os especialistas em filogenia), como também sendo amplamente empregados por astrofísicos, especialistas em bioinformática, genômica e proteômica, além de serem muito utilizados na medicina diagnóstica, análise de risco e tomada de decisões estratégicas etc.

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O autor do teorema, o matemático Thomas Bayes(que morrera dois anos antes da publicação de seu teorema), um obscuro clérigo presbiteriano, não deveria fazer ideia da importância que este pequeno teorema adquiriria. Muito menos teria antecipado, que tal teorema inspiraria uma nova abordagem filosófica de inferência científica, o ‘Bayesianismo’ (‘Epistemologia Bayesiana’) [4] que muitos dizem na realidade destoar bastante das intuições iniciais de Bayes. Alguns autores, na realidade, apontam que algumas das estratégias estatísticas mais bem sucedidas derivadas do teorema, como o ‘Bayes Hierárquico’, ao invés do viés indutivista dos Bayesianos, teria muito mais relação com o modelo hipotético-dedutivo [2]. Isso mostra que, apesar das aplicações serem inúmeras e seu emprego altamente disseminado, as interpretações para o teorema e seu papel como base da inferência científica são extremamente debatidos, dividindo os estatísticos, filósofos da estatística, filósofos da ciência e cientistas em dois campos, os dos ‘Frequencistas’ e os dos ‘Bayesianos’ [3].

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A natureza do encéfalo e os desafios da era digital


Encéfalo
O encéfalo humano – que reúne dentro da caixa craniana, o cérebro, o cerebelo e o tronco – é, até prova em contrário, o pedaço de matéria organizada mais complexo em todo o universo conhecido. Muitos consideram o encéfalo humano uma espécie de apogeu da evolução da vida, mas não deixa também de ser um triunfo da história da matéria que compõe o próprio universo. Quase todos os átomos da Tabela Periódica foram gerados por nucleossíntese atômica no interior de antigas estrelas que depois explodiram como supernovas, liberando essa matéria que, então, pôde reorganizar-se em novas estrelas – agora com planetas e moléculas de todo tipo: sobre esse substrato material, a vida surgiu e desenvolveu-se, pelo menos em nosso planeta. Não podemos resistir à poética observação do astrônomo e divulgador da ciência Carl Sagan quando explica que somos basicamente a matéria das estrelas… contemplando-se a si mesma!

Essa minúscula porém inquieta massa de tecido neural pesa pouco mais de um quilo – cerca de 2% do nosso peso – mas consome mais de 20% da energia disponível, quase que apenas para manter a custosa comunicação eletroquímica entre os neurônios. O tecido nervoso difere de todos os outros na medida em que, nele, a diferenciação é a regra, não havendo duas células idênticas e, além disso, conectando-se mutuamente – estejam próximas ou distantes entre si – nos mais variados padrões de redes imagináveis. Outros tecidos do corpo são bem diferentes: compõe-se de células relativamente homogêneas, cada uma fazendo mais ou menos a mesma coisa, e quase sempre simultaneamente, ou seja, operam em massa. No tecido nervoso a ação celular massiva não é comum, exceto em situações patológicas, como numa convulsão. Read more…

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O mundo secreto do INCONSCIENTE

Antes de ontem (06 de fevereiro de 2013), caminhando pelo centro de Belo Horizonte, eu fui repentinamente capturado pela capa da revista Super Interessante deste mês. A imagem de um cérebro grande e vermelho e a palavra “INCONSCIENTE” fizeram-me parar, ler o subtítulo da matéria (veja abaixo) e, apesar do preço, levar um exemplar. Com um tal “novo inconsciente” no ar — ou bem amarrado nos labirintos do cérebro –, eu não poderia perder a chance de escrever uma resenha crítica e falar um pouco sobre um dos maiores construtos da psicologia.

“Sim, ele realmente existe. Controla quase tudo o que você faz e é capaz de coisas que você nem imagina. As últimas descobertas da ciência desvendam o lado oculto da mente — e confirmam a principal teoria de Freud.”

o mundo secreto do inconsciente-super interessante


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Programa ALEXA já arrecadou o dobro do pretendido

Anunciamos com muita alegria que o Programa ALEXA de Radioexploração Espacial, que tem parceria oficial com a Liga Humanista e que foi notícia aqui no Bule há exatamente um mês, já arrecadou R$9.310 e bateu todas as metas adicionais aos R$4.500 inicialmente pretendidos. Isso porque ainda faltam 33 dias para encerrarem as contribuições via Catarse, metade do tempo total em que o projeto ficará aberto para contribuições. São 128 pessoas até agora apoiando o projeto , que com certeza vai decolar. Confira tudo o que foi alcançado até agora:

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Tulio Baars, integrante do projeto, aponta na descrição do projeto no Catarse que tem mais metas pretendidas: “ainda nos falta um computador exclusivo ao projeto, um monitor, osciloscópio, frequencímetro, gerador de funções… várias coisas para equipar o lab!”. O Bule Voador vai acompanhar de perto as notícias que virão, que costumam sair primeiro na página de facebook do projeto ALEXA.

O ALEXA também foi notícia em vários portais de tecnologia. Confira algumas delas, em ordem cronológica, com trechos selecionados por nós: Read more…

posted by Guilherme Balan in 4. Bule Apoia,Ciência,Divulgação de Ciência,Divulgue and have No Comments