Arquivo para a categoria 'Combate ao Preconceito'

Ateus e pagãos, vítimas do mesmo preconceito, precisam se unir

pagan-atheistObservando-se as ladainhas preconceituosas que culpam a “falta de Deus” pelas desgraças que acontecem no mundo, concluímos que não dá para ignorar que os ateus não são os únicos atingidos por tais discursos credocêntricos que arrogam às religiões monoteístas o monopólio da moralidade. Eles não são os únicos que não acreditam no deus único dos preconceituosos que não aceitam a existência de ética fora da(s) religião(ões) de deus único. Há mais pessoas vítimas desse tipo de declaração intolerante: os pagãos, ao mesmo tempo irmãos de descrença monoteísta dos ateus e portadores de um sistema de crenças peculiar.

Ao falar de paganismo e pagãos, me refiro aqui respectivamente a qualquer religião não abraâmica que tenha raízes nas tradições politeístas da Antiguidade e da Alta Idade Média – incluindo-se também o hinduísmo, o xintoísmo e religiões ameríndias e africanas nativas – e aos seus aderentes. Geralmente a máxima “O nosso Deus é o mesmo”, dita por religiosos monoteístas, não se aplica a eles, dadas as fortes diferenças entre as divindades pagãs e os deuses únicos como o bíblico e o corânico.

Quando alguém culpa a “ausência de Deus” por problemas como a violência urbana e os crimes brutais, o tal Deus é geralmente o monoteísta, o abraâmico, a personalidade central de livros sagrados como a Bíblia, a Torá e o Corão, que fundamentam as religiões monoteístas mundiais, podendo ser o “mesmo” também de tradições sincréticas como a umbanda e o espiritismo. E muitas vezes, a depender das especificidades religiosas do discurso preconceituoso, é especificamente o bíblico, aquele envolto por toda uma teologia cristã, excluindo-se até o Alá das tradições islâmicas ou o Deus dos espíritas que não sincretizam tanto com o cristianismo. Read more…

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Dez palavras sobre laicidade

Manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

Manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

 

Dez palavras sobre laicidade*

Obrigada pelo convite para estar no X Seminário LGBT do Congresso Nacional, em particular ao deputado Jean Wyllys pelo convite. Em dez minutos, desejo explorar a tensão teórica e prática da laicidade em movimento. Farei cinco afirmações sobre o que não é o Estado laico; e cinco afirmações do que é o Estado laico.

O que não é o Estado laico

1. O Estado laico não é um Estado ateu. O Estado laico não é nem católico, nem evangélico, nem espírita. Tampouco ateu. Ser ateu não é professar uma religião, mas assumir uma posição política e ideológica sobre o mundo e seus sentidos. O Estado laico não professa nenhuma verdade em matéria religiosa ou sobre o divino. Em termos simples, o Estado laico não tem religião, tampouco religiões no plural. Isso não significa que seja indiferente às crenças religiosas; apenas que não se rege pelos valores das crenças nem mesmo pela perseguição às crenças. É uma atitude respeitosa. Ao proteger a liberdade de crença e opinião, é o Estado laico quem garante a rica diversidade. Suas ações não se confundem com o de nenhuma comunidade religiosa em particular. Não há um posição atéia a ser proferida pelo Estado. Neutralidade é uma justa posição de respeito à diversidade.
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Padre Marcelo Rossi diz que “falta de Deus” é “um dos motivos” para violência

padre-marcelo-rossiMais um preconceito de sacerdote cristão contra a descrença em Deus ressoa pela internet. O preconceituoso da vez é o padre Marcelo Rossi, que, abordando de maneira rasa o problema da violência urbana, culpa a “falta de Deus” como “uma das causas” do aumento dos índices de criminalidade nas cidades. O artigo preconceituoso dele é intitulado “Com Fé venceremos a violência” e foi publicado no portal O Tempo no último sábado:

Acredito que o mundo nunca esteve tão violento, que um dos motivos para isso estar acontecendo é a falta de Deus na vida das pessoas e, consequentemente, a falta de amor nos corações de todos. A vida, ou o sentido de “viver”, nunca foi tão desvalorizada.

E ao contrário de alguns outros autores de texto “anti-falta de Deus”, Pe. Marcelo é mais enfático ao assumir essa “falta de Deus” como ausência de fé religiosa no cristianismo, ao escrever o trecho abaixo, anterior ao parágrafo acima:

Na internet, enviei, através das redes sociais, 25 cartões com mensagens criadas especialmente para aumentar a fé em Deus e para transformar, em todos os sentidos, os corações dos que sofrem com a violência e também dos que praticam tais atrocidades. Read more…

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O Enigma: direitos LGBT são direitos humanos

Presidente da LiHS, Åsa Heuser, discursando no 10º Seminário LGBT do Congresso Nacional. Foto: ASCOM Jean Wyllys.

Presidente da LiHS, Åsa Heuser, discursando no 10º Seminário LGBT do Congresso Nacional em 14 de maio de 2013. Foto: ASCOM Jean Wyllys.

 

Há 23 anos, numa quinta-feira, a Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu retirar a homossexualidade da sua lista de doenças mentais. Era 17 de maio de 1990. Este dia, desde então, foi marcado como um dos símbolos da luta internacional da comunidade LGBT pelo fim da homofobia. Em 2004, por iniciativa de uma organização francesa, começou-se a celebrar o Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia (IDAHO na sigla em inglês). Daquele ano em diante, muitos países reconheceram a data como Dia Nacional Contra a Homofobia — no Brasil, o então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu esta data em 2010. Para mais detalhes sobre o 17 de maio, veja a nota publicada hoje pelo presidente do Conselho LGBT da LiHS, Sergio Viula. Read more…

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Annise Parker – Mãe, lésbica, fiel e prefeita da quarta maior cidade dos EUA

Esta é uma publicação especial para o dia das mães, dedicada a todas as mães que, mesmo não se encaixando nos tradicionais padrões de família, são responsáveis pela construção de uma sociedade mais justa e cheia de afeto.

Desta forma, abaixo se encontra um depoimento de Annise Parker,  mãe, homossexual, prefeita de Houston (EUA) e uma das maiores defensoras dos direitos LGBT nos Estados Unidos.

Por Annise Parker

Sendo uma lésbica assumida desde o ensino médio, eu nunca esperei ter uma história tradicional  de maternidade. E hoje, no dia das mães, eu sei como teria sido difícil imaginar as dificuldade que eu e minha parceira, Kathy, passaríamos ao construir uma família.

Tudo começou em 1994, quando eu conheci Jovon, um adolescente homossexual expulso de casa por sua família. Kathy e eu o acolhemos sem hesitação, afinal, estar desabrigado é uma tragédia, e uma criança rejeitada não necessita apenas de uma cama, mas também de um abraço acolhedor. Read more…

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Bandidos são os outros

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Tweet de Mayara Petruso (fonte: IG)

Álvaro de Campos nunca conheceu quem tivesse levado porrada. Eu nunca conheci quem fosse bandido.  Luciana Penteado, mãe da estudante de Direito Mayara Petruso, queixou-se recentemente: “Nossos dados pessoais e endereço foram expostos na internet como se fossemos criminosos(aqui). De fato, Mayara incorreu em alguns tipos penais quando publicou seu comentário cheiroso contra nordestinos. Quem comete crime é criminoso, certo? Não na prática.

“Tirem o meu filho da cadeia, ele não é bandido”.  Dizem as mães. Até aqui, poderia parecer apenas mais uma mãe coruja. Mas vai além. “Ele vai ficar naquele lugar horrível, cheio de bandido?”. O que não sabem essas mães é que esse lugar horrível, “cheio de bandido”, está repleto de gente que, tal qual o filho delas, furtou uma penca de bananas.

A mãe da Mayara e os demais parentes de “criminosos” não os vêem como tais, apesar de saberem que eles praticaram um crime, porque no imaginário popular “criminoso” é algo muito além do “incorrer em tipos penais”. Claro que a Sra. Luciana pode ter dito isso por acreditar que ofender nordestinos não é crime. Mas, na esmagadora maioria das vezes, a negação se dá por conta da construção quase mística da figura do “bandido”. Read more…

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Defender a família é necessariamente defender aS famíliaS

familia-e-babacaConservadores falam muito que estão promovendo a “defesa da família”, quando na verdade eles próprios são a ameaça à integridade da instituição familiar contemporânea. Dizem “defender a família” enquanto atacam e ameaçam diversos outros modelos de família possíveis.

Defendem um único modelo familial, heteronormativo e às vezes patriarcal, com um pai dotado de autoridade sobre a esposa e os filhos, a mãe como autoridade sobre as crianças – e às vezes submissa ao marido – e uma pequena quantidade de filhos – confira-se a maioria das imagens que, no Google Imagens, são encontradas com o termo “família cristã”. É um modelo historicamente centrado nas classes socioeconômicas euro-americanas dotadas de poder aquisitivo avantajado.

Enquanto isso, atacam fortemente modelos homossexuais e não monogâmicos, literalmente desejando que lésbicas, gays e casais bi ou poligâmicos e poliamorosos não tenham o direito de juridicamente constituir família e adotar filhos. Sua defesa monolítica de que “família é homem, mulher e crianças” rejeita explicitamente famílias com dois pais ou duas mães e todas as combinações não monogâmicas possíveis. Read more…

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Jovem sai do armário para o pai: qual a reação do público?

Vídeo mostra a reação das pessoas a um pai homofóbico no momento em que o filho sai do armário e revela ser homossexual.

O Programa What Would you Do?, da emissora ABC, avalia a reação das pessoas ao presenciarem uma situação de conflito.

Durante o episódio abaixo, um adolescente é ferozmente repreendido por seu pai ao se assumir homossexual. Toda a cena se passa em um restaurante na conservadora cidade de Provo (Utah, EUA), e as pessoas que frequentam o local não sabem que tudo não passa de uma encenação.

Neste vídeo, das 23 pessoas que presenciaram a cena, nove intervieram de alguma forma. Na mais louvável delas, um grupo de pessoas, as quais possuem homossexuais em suas famílias, iniciou uma pequena discussão contando suas histórias de como o amor superou o preconceito.

O vídeo foi legendado pelo editor do Bule Voador, Lenon Mendes. Confira abaixo:

Legendas: Lenon Mendes
Fonte: Plante uma Semente

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A imagem do humanismo é a classe média branca?

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Plateia ouvindo Steven Pinker na Voltaire Lecture, palestra anual promovida pela Associação Humanista Britânica. Foto: Rationalist Association

O texto abaixo foi publicado no site da Associação Racionalista (RA), uma organização britânica com mais de 125 anos de existência. A  pergunta que dá título a este post é bem provocadora, e não tem sido abordada com a regularidade e consistência necessárias nas discussões sobre humanismo no Brasil. É importante observar, primeiramente, que o texto abaixo trata da realidade britânica. Ainda assim, ele nos diz muito. Embora o autor dê mais atenção ao aspecto de classe na percepção dele sobre os eventos humanistas em Londres, ele também trata da questão étnica. Afinal, a face organizada do humanismo — suas organizações e seus eventos — é uma face branca e de classe média? Eu acrescentaria: uma face masculina?

No caso do Brasil, o cenário parece-me bem parecido com o que o autor descreve em relação à Inglaterra. Em relação à LiHS, por exemplo: dados sobre autoidentificação étnica e sobre renda ainda estão por serem melhor levantados entre a base de membros, mas a composição por gênero aponta menos de 20% de mulheres entre filiados(as). Este é um ponto, em específico, que demanda outras abordagens, como o do histórico apartamento da mulher em relação ao espaço público, o que está refletido na própria dificuldade de se eleger representantes mulheres no país, a despeito de serem maioria na população.

Esta curta introdução, na verdade, tem o objetivo de contextualizar um fato tanto agradável quanto surpreendente: o texto abaixo foi escrito por um jovem de apenas 16 anos, chamado Carnun Marcus-Page. Ele tem um blog, Os Devaneios de um Jovem Ateu, e coordena um grupo na escola dele para promover discussões baseadas em racionalismo e livre reflexão. Marcus-Page está no começo do Ensino Médio e pretende seguir carreira na área da Física. Boa leitura. Read more…

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Preconceito contra garotas começa no útero

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Nas nações patriarcais da Índia, China, Bangladesh e Paquistão, os presquisadores encontraram evidências de discriminação de gênero na gestação. Mas em Sri Lanka, Tailândia e Ghana – que não são considerados dominados por homens – tais evidências não existiam. (Crédito: Louis Vest/Flickr)

MICHIGAN (EUA) – Mulheres na Índia e em outras sociedades de dominação masculina têm maior tendência a procurar assistência pré-natal quando estão grávidas de meninos, revelam novos estudos.

A prática da discriminação de gênero ainda no útero tem implicações na saúde e na sobrevivência das meninas. “Isso pinta um quadro bastante horrendo da situação”, diz Leah Lakdawala, professora assistente de economia na Michigan State University.

Ao estudar os dados do senso de saúde nacional de mais de 30.000 indianos, a pesquisadora descobriu que mulheres grávidas de meninos estão mais propensas a ir a consultas médicas pré-natais, tomar suplementos de ferro, fazer o trabalho de parto em facilidades médicas (ao invés de em casa) e de receber vacina contra o tétano.

Tétano é a causa principal de mortes neonatais na Índia. De acordo com o estudo, crianças cujas mães não receberam a vacina têm mais chances de nascer abaixo do peso ou morrer logo após o nascimento.

A pesquisa aparece na última edição do Journal of Human Resources e é a primeira a estudar a discriminação de gênero no acompanhamento pré-natal.

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