Observando-se as ladainhas preconceituosas que culpam a “falta de Deus” pelas desgraças que acontecem no mundo, concluímos que não dá para ignorar que os ateus não são os únicos atingidos por tais discursos credocêntricos que arrogam às religiões monoteístas o monopólio da moralidade. Eles não são os únicos que não acreditam no deus único dos preconceituosos que não aceitam a existência de ética fora da(s) religião(ões) de deus único. Há mais pessoas vítimas desse tipo de declaração intolerante: os pagãos, ao mesmo tempo irmãos de descrença monoteísta dos ateus e portadores de um sistema de crenças peculiar.
Ao falar de paganismo e pagãos, me refiro aqui respectivamente a qualquer religião não abraâmica que tenha raízes nas tradições politeístas da Antiguidade e da Alta Idade Média – incluindo-se também o hinduísmo, o xintoísmo e religiões ameríndias e africanas nativas – e aos seus aderentes. Geralmente a máxima “O nosso Deus é o mesmo”, dita por religiosos monoteístas, não se aplica a eles, dadas as fortes diferenças entre as divindades pagãs e os deuses únicos como o bíblico e o corânico.
Quando alguém culpa a “ausência de Deus” por problemas como a violência urbana e os crimes brutais, o tal Deus é geralmente o monoteísta, o abraâmico, a personalidade central de livros sagrados como a Bíblia, a Torá e o Corão, que fundamentam as religiões monoteístas mundiais, podendo ser o “mesmo” também de tradições sincréticas como a umbanda e o espiritismo. E muitas vezes, a depender das especificidades religiosas do discurso preconceituoso, é especificamente o bíblico, aquele envolto por toda uma teologia cristã, excluindo-se até o Alá das tradições islâmicas ou o Deus dos espíritas que não sincretizam tanto com o cristianismo. Read more…



Esta é uma publicação especial para o dia das mães, dedicada a todas as mães que, mesmo não se encaixando nos tradicionais padrões de família, são responsáveis pela construção de uma sociedade mais justa e cheia de afeto.
Conservadores falam muito que estão promovendo a “defesa da família”, quando na verdade eles próprios são a ameaça à integridade da instituição familiar contemporânea. Dizem “defender a família” enquanto atacam e ameaçam diversos outros modelos de família possíveis.
