Arquivo para a categoria 'Guilherme Balan'
Mastectomia da Angelina Jolie e bombas-relógio
Bandidos são os outros

Tweet de Mayara Petruso (fonte: IG)
Álvaro de Campos nunca conheceu quem tivesse levado porrada. Eu nunca conheci quem fosse bandido. Luciana Penteado, mãe da estudante de Direito Mayara Petruso, queixou-se recentemente: “Nossos dados pessoais e endereço foram expostos na internet como se fossemos criminosos” (aqui). De fato, Mayara incorreu em alguns tipos penais quando publicou seu comentário cheiroso contra nordestinos. Quem comete crime é criminoso, certo? Não na prática.
“Tirem o meu filho da cadeia, ele não é bandido”. Dizem as mães. Até aqui, poderia parecer apenas mais uma mãe coruja. Mas vai além. “Ele vai ficar naquele lugar horrível, cheio de bandido?”. O que não sabem essas mães é que esse lugar horrível, “cheio de bandido”, está repleto de gente que, tal qual o filho delas, furtou uma penca de bananas.
A mãe da Mayara e os demais parentes de “criminosos” não os vêem como tais, apesar de saberem que eles praticaram um crime, porque no imaginário popular “criminoso” é algo muito além do “incorrer em tipos penais”. Claro que a Sra. Luciana pode ter dito isso por acreditar que ofender nordestinos não é crime. Mas, na esmagadora maioria das vezes, a negação se dá por conta da construção quase mística da figura do “bandido”. Read more…
Homem gay preso por se recusar a deixar o parceiro doente no hospital é pai da fundadora do weareatheism.com
Esta história esteve por toda a Internet hoje: Um homem gay foi preso em um hospital por se recusar a deixar seu parceiro doente, pois ele não era reconhecido como “membro da família”.
O que você talvez não saiba é que Roger Gorley, o homem que foi preso, é pai de Amanda Brown, uma das fundadoras do WeAreAtheism.com e coordenadora da conferência Reasonfest.
Amanda escreveu uma versão bem mais detalhada e pessoal da história em seu website e é a versão que você vai querer começar a passar para as pessoas em suas redes sociais:
Meu pai, Roger Gorley, e seu esposo, Allen Mansell, estão casados há quase 5 anos. Eles vêm dividindo uma casa juntos, comprado carros juntos, têm todos os seus investimentos e todo o resto da documentação resolvida para este ser considerado um casamento real pela lei. No Estado do Missouri uniões civis não são reconhecidas, mas muitos casais homoafetivos vão em frente, seguem como toda a papelada e registram sua união no Estado para que possam ser reconhecidos como parceiros de vida para as outras pessoas em momentos como esses, e especialmente depois da morte da sua pessoa amada. Meus pais fizeram isso. Eles fizeram toda a documentação para que algo como o que eu estou prestes a contar pra vocês nunca acontecesse com eles. Read more…
Preconceito contra garotas começa no útero

Nas nações patriarcais da Índia, China, Bangladesh e Paquistão, os presquisadores encontraram evidências de discriminação de gênero na gestação. Mas em Sri Lanka, Tailândia e Ghana – que não são considerados dominados por homens – tais evidências não existiam. (Crédito: Louis Vest/Flickr)
MICHIGAN (EUA) – Mulheres na Índia e em outras sociedades de dominação masculina têm maior tendência a procurar assistência pré-natal quando estão grávidas de meninos, revelam novos estudos.
A prática da discriminação de gênero ainda no útero tem implicações na saúde e na sobrevivência das meninas. “Isso pinta um quadro bastante horrendo da situação”, diz Leah Lakdawala, professora assistente de economia na Michigan State University.
Ao estudar os dados do senso de saúde nacional de mais de 30.000 indianos, a pesquisadora descobriu que mulheres grávidas de meninos estão mais propensas a ir a consultas médicas pré-natais, tomar suplementos de ferro, fazer o trabalho de parto em facilidades médicas (ao invés de em casa) e de receber vacina contra o tétano.
Tétano é a causa principal de mortes neonatais na Índia. De acordo com o estudo, crianças cujas mães não receberam a vacina têm mais chances de nascer abaixo do peso ou morrer logo após o nascimento.
A pesquisa aparece na última edição do Journal of Human Resources e é a primeira a estudar a discriminação de gênero no acompanhamento pré-natal.
Papa Bento XVI renuncia: vítimas de abuso irlandesas se alegram com a renúncia
Um grupo que representa as vítimas de abuso infantil em Instituições dirigidas por Católicos na Irlanda comemorou nesta segunda-feira a renúncia do Papa Bento VXI depois que “ele prometeu muito mas não fez nada”.
“O papa teve uma grande oportunidade de finalmente abordar as décadas de abuso impingidas pela igreja, mas não fez nada além de promessas e no final não entregou nenhum resultado”, disse John Kelly do grupo de apoio Survivors of Child Abuse [tradução: "Sobreviventes de Abuso Infantil"], à AFP.
“Nós exigimos do papa sanções contra as ordens religiosas que cometeram abuso e contra os líderes religiosos da Irlanda que permitiram que o abuso acontecesse, mas para a nossa decepção, nada foi feito a respeito disso”, continuou Kelly.
O próprio Kelly passou a maior part de sua infância vivendo em Instituições Católicas e se lembra de ter sido açoitado com um chicote e ter suas mãos pisadas por um “irmão católico”.
Grupos como o Survivors of Child Abuse frequentemente pediram ao Vaticano para trazer à justiça os padres que perpetraram abuso.
“A igreja precisa reconhecer tudo o que aconteceu. Ela precisa reconhecer que permitiu a entrada do demônio e permitiu que ele habitasse em seu território por 50 anos”, disse Kelly.
“A igreja não pode seguir em frente. O mandato deste papa foi manchado por escândalos e continuará sendo assim a menos que o papa reconheça as raízes do problema. E isso só pode ser feito de cima pra baixo.
O surpreendente anúncio de que o papa de 85 anos renunciou marca também a primeira vez em que isso aconteceu na história moderna da Igreja Católica
Fonte: AFP
The Telegraph, 11 de fevereiro de 2013
Tradução: Guilherme Balan
Crowdfunding para projetos de ciência: o Bule apoia o ALEXA
Autalização dia 23/2: O projeto ALEXA já atingiu sua meta de crowdfunding, contando com R$5.220 e 92 apoiadores. Nosso muitíssimo obrigado a todo mundo que apoiou, e é uma honra para o Bule ser parceiro do projeto.
Confira lá no site as novas metas para o programa ALEXA.
Crowdfunding, em português algo como “financiamento coletivo”, é uma maneira cada vez mais popular de levantar recursos financeiros para diferentes iniciativas. Além de projetos relacionados à arte, jornalismo e filantropia, mais e mais o crowdfunding tem sido utilizado para apoiar projetos científicos ou de divulgação de ciência. Esse é o caso do “Programa ALEXA de Radioexploração Espacial”, um projeto de pesquisa bacana e de baixíssimo custo, que está sendo desenvolvido por jovens estudantes em Santa Catarina. O projeto, em parceria com a Agência Espacial Norte Americana (NASA) e com a Universidade de Stanford, pretende auxiliar nas medições de tempestades solares e também auxiliar diretamente o programa SETI (Search for Extra Terrestrial Intelligence) do SETI Institute.
Tulio Baars, um estudante de 16 anos, e alguns amigos conseguiram uma doação de materiais para construção de três radiotelescópios, dividiram os custos de importação destes equipamentos e agora estão tentando levantar recursos para construir as antenas (postes, cabos, fios, escada, pá, aterramento, PVC para mastro retrátil) e para montar um laboratório móvel que vai permitir operá-las.
Comentários a algumas repercussões do vídeo-resposta de Eli Vieira ao pastor Silas Malafaia
Pretendo neste post compartilhar comentários que surgiram no grupo de emails da Diretoria da LiHS, além de contribuições minhas, referentes a alguns textos publicados em repercussão ao vídeo do biólogo, geneticista e ex-presidente da LiHS, Eli Vieira, que respondeu a algumas opiniões emitidas pelo Pastor Silas Malafaia no programa De Frente com Gabi, do SBT. Disponibilizarei os links dos textos e reproduzirei apenas parte destes, com os subsequentes comentários de diretores da LiHS.
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Juilian Rodrigues, atual coordenador do CADS – Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo - publicou no Facebook um texto e em parte dele, Julian escreve o seguinte:
“Acabo de ver a vídeo do simpático geneticista que tenta responder ao telepastor. A intenção é boa, mas é todo cheio de equívocos. E, pior, já estamos no campo do inimigo. O debate tem que se dar no campo dos DIREITOS HUMANOS, das ciências sociais, da filosofia. Trata-se de discutir construções sócio-históricas. NÃO INTERESSA SE ALGUÉM É HOMOSSEXUAL OU PESSSOA TRANS POR FATORES BIOLÓGICOS, CULTURAIS OU O QUE FOR. O que interessa é que todas e todos temos os mesmos direitos, e temos direito de expressar nossa sexualidade e nossa identidade de gênero como bem quisermos. Não precisamos de nos escudar na NATUREZA para justificar nosso direito de ser quem somos.”
Segundo Guilherme Balan:
“Eu concordo que a ‘origem’ da homossexualidade não precisa ser foco (assim como a ‘origem’ da heterossexualidade não precisa), mas se o Silas Malafaia falou que a ciência acha isso e aquilo, nada mais óbvio que dizer ‘não é isso o que a ciência diz, você não sabe do que tá falando’.”
Assentamento Milton Santos, há 2 dias de ser o novo Pinheirinho
Retrato da ocupação pacífica do INCRA por moradores do Assentamento Milton Santos, que serão despejados de suas terras no dia 24, se a presidente não assinar um decreto de desapropriação por interesse social. Fotos e texto pelo fotógrafo Daniell Marafon.

O “Assentamento Milton Santos” é uma comunidade formada por quase 70 famílias há sete anos em terras cedidas pelo governo e localizadas na região do município de Americana, no interior paulista. Em 1976, a família Abdalla, antiga proprietária dessas terras, teve-as confiscadas pelo governo por conta de dívidas com a União. Em 2012, os Abdallas, juntamente com a Usina Ester (que usufruía da terra de maneira irregular), através de uma intimação judicial, conseguiram o direito de reintegração de posse dessas terras.
Essa intimação se deu por conta de uma cláusula que dizia que caso os bens confiscados fossem maiores que as dívidas da família, o bem seria devolvido, mas como a família Abdalla não registrou a propriedade no seu nome quando ação judicial averiguou essa mesma diferença ainda nos anos 90 – para assim ocultar o seu patrimônio -, essas terras, que estavam em posse do INSS, acabaram por ser repassadas para o INCRA, e assim foram desapropriadas pelo governo federal. Read more…
O verdadeiro escândalo trans não é a falha de um doutor, mas a crueldade de muitos
Indignação por conta dos ataques a Richard Curtis levou à criação da hashtag #TransDocFail no Twitter, que uniu a comunidade trans.
Seu médico já riu da sua cara durante uma consulta? Negou que seu problema existisse? Ou simplesmente disse que você era feio demais para merecer tratamento?
Ultrajante? Sim, mas também praticamente parte do percurso se você for trans. Você deve se preparar para um universo de abusos e humilhações ao encarar até a mais simples das interações com a profissão médica, relacionadas ou não a você ser trans. Quanto a fazer uma reclamação, poucos arriscam: a maioria é coagida ao silêncio, por conta da ameça implícita de que causar conflito pode fazer com que cancelem o tratamento do qual necessitam desesperadamente.
É claro que nada disso é novo. Sempre que houver um desequilíbrio de poder entre pacientes e profissionais que controlam o acesso aos recursos, há o risco de se criar uma relação insalubre. Do paternalismo benigno ao assédio moral e o desprezo explícitos, o padrão se repete a cada nova desigualdade – com mulheres, pessoas com deficiências e doentes mentais normalmente no lado oprimido.
Agora, porém, uma explosão totalmente imprevista de tweets indignados – vários milhares nas últimas 48 horas – podem ter rompido o silêncio em cima dessa questão de uma vez por todas. A história começou, sem muitas promessas, com um artigo do Guardian revelando que o doutor Richard Curtis, um dos poucos médicos que prestavam apoio a redesignações de gênero fora do Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra (NHS), estava sendo investigado pelo Conselho Geral de Medicina (GMC) a respeito de uma série de reclamações feitas sobre sua prática. Isso tocou em um nervo sensível, de diversas maneiras. Como Curtis oferece atendimento particular, seus serviços não estão ao alcance de todo mundo, bem como ele não pode oferecer todo o apoio providenciado pela NHS. Porém, por ser a principal – e provalvemente a única – alternativa na cidade, sua prática contínua oferece uma perspectiva diferente do percurso pela NHS, que é largamente tido como lento, controlador e indiferente.
Com novas estruturas de comissionamento prestes a se materializar, intensifica-se o medo de que a totalidade dos recursos para pessoas trans está prestes a ser forçada em uma camisa de força de tamanho único. Nessas circunstâncias, “a escolha do paciente” geraria nada além de pura risada. Read more…
Direitos humanos para humanos direitos?

Da mesma forma que presidiário ganhou status de assassino frio, o discurso sobre Direitos Humanos se tornou sinônimo de apologia à delinquência
A máxima que dá título ao presente artigo versa sobre uma questão bastante polêmica: o tratamento dispensado aos custodiados do sistema carcerário brasileiro. As opiniões, a rigor, acham-se decompostas em duas vertentes. A primeira se arrima, basicamente, na tese humanista endossada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo a qual “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, de modo que “ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. A segunda, por seu turno, ostenta um viés mais, digamos, radical e nada condescendente. A despeito da Declaração da ONU, proclamada há mais de seis décadas, algumas pessoas, ainda hoje, parecem ser mesmo simpáticas à Lei do Talião, tomada aqui em sua mais abjeta acepção.
Nos últimos meses, a controvérsia tem sido fomentada, sobretudo, pelo auxílio reclusão, um benefício pecuniário concedido pelo Governo aos dependentes do apenado. Determinada parcela da sociedade demonstra ferrenho repúdio a esse e a outro tanto de direitos conferidos à população carcerária, tidos como um ultraje ao cidadão de bem. “Ora, o delinquente não considerou os direitos da vítima ao empreender o crime!”, alegam os adeptos da ideologia do “olho por olho, dente por dente”, para os quais a garantia de direitos humanos àqueles que violam os direitos alheios emerge como um flagrante contrassenso.
De fato, não há como negar que o imediato e mais agudo sentimento que nos sobrevêm diante de crimes bárbaros é o de desforra. É até instintivo desejar que o pedófilo, o estuprador e o latrocida sejam punidos na mesma medida e moeda dos seus respectivos delitos. Quem não desejaria vê-los padecendo da mesma dor infligida às suas vítimas? Porém, anseios particulares à parte, há vários outros aspectos a serem apreciados aqui, pois que, na prática, não é bem assim que a coisa funciona. Embora a princípio possa ser revoltante ver um delinquente gozar de certos privilégios, é fato que a adoção da mesma “filosofia” violenta do criminoso contra ele próprio não é em primeiro lugar uma solução razoável, antes um paliativo de eficácia notadamente duvidosa.
A verdade é que, da mesma forma que presidiário ganhou status de assassino frio, o discurso sobre Direitos Humanos se tornou sinônimo de apologia à delinquência. Entretanto, a população carcerária não é formada predominantemente por pedófilos, estupradores e latrocidas. Também quando se fala em Direitos Humanos, não se está falando em tratar o custodiado a pão de ló e com luvas de pelica. O que está em pauta aqui são os direitos mínimos, básicos – e também as obrigações – afetos a qualquer cidadão, seja ele honesto ou criminoso. O que é preciso ter em mente, antes de tudo, é que do condenado é cerceada apenas a liberdade, jamais os direitos fundamentais concernentes à sua dignidade humana, posto que pena não pressupõe castigo. O art. 3º da Lei de Execuções Penais (LEP), e.g., assegura ao preso a preservação de todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei, uma proteção expressa ao indivíduo que, além de fazer coro com o art. 38 do Código Penal, tem força de princípio constitucional. Read more…
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