Bule Voador

Poderia a consciência ser física? — (Parte 1/3)

Teorias da Mente

Em tempos recentes tenho lido um bocado sobre um dos tópicos mais enigmáticos e importantes da filosofia da mente: o problema mente-corpo, também chamado de problema difícil da consciência («hard problem of consciousness»). O assunto, apesar de complicado e cheio de nuances, é instigante e central para pensadoras naturalistas como as que frequentam o Bule Voador.

Eu quero explicar porquê a consciência não é uma questão trivial para a naturalista — também chamada de materialista e fisicista, apesar dos termos terem históricos e até usos um pouco diferentes (e usarei os três termos de maneira intercambiável) — e porquê isso ocupou e ocupa a mente de tantas filósofas contemporâneas altamente competentes como Bertrand Russell, Daniel Dennett, e John Searle. Sem contar o boom de neurocientistas, cientistas da computação, psicólogas cognitivas, e até físicas teóricas, que se debruçaram sobre o tema desde a segunda metade do Séc. XX até hoje: figuras famosas como William James, Antonio Damasio, Francis Crick, e Roger Penrose. É uma área de investigação muito fértil, e muitas filósofas que trabalham no tema também são cientistas cognitivas — Daniel Dennett é apenas um de dezenas de excelentes exemplos.

Demonstrar que este problema é cabeludo será o objetivo da presente parte 1. Na parte 2, meu objetivo será caracterizar (talvez superficialmente) algumas propostas de solução para o problema, e o estado atual da discussão. Talvez ainda haja uma parte 3, dedicada à inteligência artificial e, quem sabe, à minha teoria favorita da mente. Ao final de cada uma das partes, vou recomendar os mesmos quatro livros muito legais (mesmo!) e não-técnicos sobre o tema, e depois recomendarei mais alguns que servem como introdução filosoficamente séria ao problema da consciência. Boa leitura!

A história começa com uma caracterização do fisicismo, a tese que tudo que existe é físico…
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I. Nossas investigações empíricas organizadas sobre a realidade (as ciências, como se diz) nos convenceram, eu inclusive, da teoria atômica da matéria. Ao que me parece, há mais de um século essa visão é amplamente difundida dentre pessoas instruídas na cultura ocidental, e a ideia é que tudo — tudo mesmo! — é composto de partículas espacio-temporais. (Já fui informado por um amigo físico que hoje ninguém sabe se há como quantizar o espaço-tempo, isto é, se há como entender partículas quânticas em termos espacio-temporais ou o espaço-tempo em termos quânticos. Varramos para debaixo do tapete esta complicação…)

Se tudo é composto de partículas, então também deve ser o caso que o elemento mais óbvio da mobília da realidade é composto de partículas: a consciência humana — nossas sensações, pensamentos, humores, e intenções. Eu acho incrível como deixei passar esta consideração óbvia durante toda a minha adolescência: para mim era claro que o corpo humano, incluindo o cérebro, era físico, composto de partículas — tal como todas as outras coisas com as quais interagimos. Mas nunca me perguntei se as minhas sensações, elas próprias, poderiam ser físicas e compostas de partículas!

O problema mente-corpo é justamente entender como nossos variados tipos de sensações podem ser nada mais do que coisas físicas — ou, se preferirmos abandonar o fisicismo e dizer que a consciência não é uma coisa física, devemos descobrir que tipo de coisa ela é e como poderia, sendo não-física, interagir com o nosso corpo que obviamente é físico!

(Nota terminológica: sensações também são chamadas de «experiências», «experiências fenomênicas», «experiências conscientes», «experiências qualitativas», e, mais notoriamente, o singular «quale» e o plural «qualia». São nomes diversos que costumeiramente designam a mesma coisa. Neste e no próximo texto, adoto o termo «experiências qualitativas», para ressaltar o fato da dor ser algo que «feels like something».)
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II. Normalmente, não é um problema entender coisas macroscópicas em termos de partículas. O motor de um carro nada mais é do que uma coleção enorme e altamente estruturada de átomos de diferentes tipos. Uma mesa, igualmente, é uma coleção de partículas, tal como o é a chuva, nossos corações, um notebook, e o nariz de um macaco-narigudo (haha!).

Fisicistas estão mais do que acostumadas a conceber uma confusão alucinada de partículas em um alto nível de abstração, ignorando os pequenos detalhes das partículas e prestando atenção no fenômeno macroscópico, coeso e estável, que as partículas constituem. Fica nítido como partículas estúpidas e cegas podem formar um agregado que possui um certo formato discernível e possui a capacidade de realizar certas funções complexas, como acelerar um automóvel, bombear o sangue, fatorar um número primo gigante, ou fornecer acesso ao querido Bule Voador (que também é composto de partículas!).

Propriedades macroscópicas também costumam ser facilmente redutíveis a partículas: a solidez de uma mesa de madeira nada mais é do que o resultado da interação eletromagnética entre o conjunto de partículas que chamamos de ‘mesa’ e o conjunto de partículas que compõem qualquer objeto macroscópico que entre em contato com a mesa. Os dois conjuntos de partículas se repelem, ao invés de se atravessarem, e assim temos mesas que seguram copos no lugar. Outros aspectos da solidez, como a resiliência a impactos físicos, são igualmente explicáveis pela estrutura microfísica da mesa.

Uma explicação similar pode ser feita com propriedades como a liquidez, a temperatura, a condutibilidade, a luminosidade, e até propriedades biológicas complexas como a capacidade de realizar digestão, fotossíntese, ou locomoção. Não é preciso supor um élan vital que dá o ‘sopro da vida’ aos animais: todo comportamento de qualquer ser vivo é, em última instância, causado e composto por sua fisiologia, que é facilmente caracterizável como um sistema físico e mecânico-químico-elétrico.

Não é, então, difícil entender como pequenos objetos que não são sólidos podem compor um objeto que é sólido; ou como uma série de partículas que não são cadeiras podem compor, em concerto, uma cadeira; ou como unidades não-vivas em congregação resultam num todo vivo e pulsante. Todo fenômeno parece ser redutível à microfísica, e o fisicismo reducionista triunfa! Ah, se a vida fosse tão fácil…
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III. O cérebro também parece ser obviamente nada mais do que um pedaço de matéria, um amontado de elétrons, quarks, múons, e glúons interagindo loucamente e formando algo que pode ser visto, num alto nível de abstração, como estruturas neuronais complexas.

Inclusive, este amontado de matéria, acinzentada em algumas partes e branca em outras (devido às gordurosas bainhas de mielina) que denominamos ‘cérebro’, pode ser estudado em alto detalhe em pessoas vivas, com máquinas de ressonância magnética funcional (fMRI) e scans de emissão de pósitrons (PET scan), dentre outras tecnologias fantásticas. Neurofisiólogas observam a estrutura dos neurônios em escalas minúsculas, em tecido neurobiológico morto, e muitas investigações foram feitas em todas as escalas do cérebro: da análise de um neurônio individual até a análise de conjuntos de mil, cem mil, dez milhões, um bilhão, e até os 86 bilhões de neurônios que compõem o cérebro (conforme a contagem mais recente da excelente neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel).

Mas sempre desafiou a inteligência das pessoas compreender como poderia ser o caso que um agregado altamente ordenado de partículas não-conscientes, não-qualitativas, poderiam compor alguma coisa que seja consciente, qualitativa — isto é, uma genuína sensação, como a dor! (Algo que, como gostam de dizer, «feels like something».) Talvez uma maneira mais ilustrativa de colocar a questão seja a seguinte: quando observamos o cérebro, não vemos sensação alguma ali. Não importa o quanto se peça para alguém pensar na cor verde, ou olhar para alguma coisa verde, não se observará o verde no tecido neurobiológico. Um fulano chamado Gottfried Leibniz, ainda no século XVII, ponderava sobre a visão do ser humano como uma máquina puramente física, e fez precisamente a mesma consideração:

“Somos obrigados a admitir que a percepção [a consciência, a sensação] e o que depende dela é inexplicável em termos mecânicos, isto é, por figuras e movimentos. Ao imaginar que há uma máquina cuja construção a permitiria pensar, sentir, e ter percepção, alguém poderia conceber que ela fosse alargada, mantendo suas proporções, de tal modo que pudéssemos entrar dentro dela, como um moinho-de-vento. Supondo isso, nós deveríamos, ao adentrá-la, encontrar apenas partes puxando umas as outras, e nada pelo qual explicar a percpeção [a consciência, a sensação].”

É possível que, tal como antigamente a confusão mental era tamanha que o fenômeno da vida erroneamente parecia inexplicável em termos mecânicos — isto é, em termos de unidades constituintes não-vivas —, hoje nossa embolação ideológica é de tal magnitude que erroneamente parece impossível que partículas não-qualitativas, inconscientes, possam gerar um todo coerente que seja qualitativo e consciente: uma mente humana. Eu quero muito que essa redução do mental ao físico seja possível — sendo um naturalista ou fisicista de carteirinha. Mas há complicações adicionais.

O cenário hipotético de Leibniz nos sugerem que sensações não são observáveis “de fora” — mas apenas, digamos, “de dentro”, por quem a experiencia. Por isso entrar no ‘moinho-de-vento’ do cérebro não nos permitiria enxergar quaisquer sensações, e por isso não conseguimos enxergar o verde dentro da cabeça de uma pessoa, apesar de ela claramente estar tendo a sensação do verde!

Enquanto isso, todos os (outros) objetos físicos, como neurônios e as redes neurais que eles compõe, são observáveis “de fora”. Podemos ver o moinho-de-vento e todas as partes mecânicas que o compõem. Podemos saber, apenas com a ajuda de algumas máquinas, qual o spin de um dado fóton, a carga em electronvolts de um elétron, a posição de um núcleo atômico, o momento de um átomo de chumbo, o formato do cérebro, a localizaão de uma coluna neural, a taxa de ativação de um grupo de neurônios — mas não podemos observar a sensação em si, ‘what it feels like’, como uma sensação de vermelho ou uma sensação de dor!

Essa diferença contrastante entre sensações e objetos físicos ordinários, sendo o cérebro aparentemente um destes objetos físicos ordinários, fez com que centenas de pensadoras se sentissem forçadas a concluir que sensações e objetos físicos como o cérebro são tipos fundamentalmente diferentes de coisa.

Já não bastando o contraste que haviamos visto entre as sensações como sendo «experiências qualitativas» e os objetos físicos ordinários como sendo «não-qualitativos», concebeu-se as sensações como sendo «subjetivas», «privadas», «de primeira pessoa» (três termos significando: observáveis apenas ‘de dentro’), enquanto os outros objetos físicos como sendo «objetivos», «públicos», «de terceira pessoa» (significando: observáveis ‘de fora’).

Isto significa que podemos observar objetos físicos como o cérebro e construir uma imagem mental deles e de seu lugar no espaço-tempo — mas não parece que podemos observar sensações e criar uma imagem mental que as localize em algum lugar do cérebro. A consciência e as sensações, e seus aspectos qualitativos, parecem ser observáveis apenas de dentro, apenas pelo sujeito que a experiencia, diferentemente das partículas que supostamente a compõem.

Poderia algo físico, composto inteiramente de partículas, ter não só este aspecto qualitativo, como também este caráter privado? Poderia, então, a consciência ser algo físico? Este é um dos grandes desafio para todas as fisicistas, naturalistas, e materialistas do planeta. ‘Naturalizar’ a mente parece ser quase tão difícil quanto ‘naturalizar’ a moralidade e ‘naturalizar’ a matemática: explicar estas coisas em termos naturais, em termos físicos — e na parte 2 deste texto, explorarei algumas tentativas de solução do cabeludo problema da naturalização da consciência.

Daniel Coimbra é graduando em Filosofia pela Universidade de Campinas. É fascinado pelas ciências naturais e, especialmente, pelas ciências da mente. Naturalista de atitude analítica desde criancinha, está numa batalha ferrenha para entender o mundo de um modo robustamente naturalista. Discussões privadas e públicas sobre este e outros temas são sempre bem-vindas em seu perfil.


Agora, os livros prometidos. Os quatro abaixo são livros não-técnicos divertidos, ricos, e informativos sobre o problema da consciência:

1) O primeiro é um romance do economista e escritor brasileiro Eduardo Giannetti, que detalha a aventura intelectual de uma pessoa pela história do problema mente-corpo. É um ótimo livro, como é costume deste aturo. Ele se chama “Ilusão da Alma: Biografia de uma Ideia Fixa“.

2) O segundo é uma coleção de reviews de livros sobre o problema mente-corpo, escritos por um dos filósofos mais eminentes da segunda metade do Séc. XX e deste começo do Séc. XXI, na New York Review of Books: John Searle. O livro se chama «O Mistério da Consciência», e inclui um pequeno debate entre o autor e o filósofo e cientista cognitivo Daniel Dennett, e também entre o autor e o filósofo David Chalmers. É um livro muito bem escrito.

3) O terceiro é uma coletânea de textos provocativos sobre o problema da consciência, incluindo trechos de ficção científica e até trechos do famoso paper do cientista da computação e matemático Alan Turing de 1950, sobre inteligência artificial. A leitura é uma delícia, e cada um dos textos é comentado por um dos dois criativos e perspicazes editores: Daniel Dennett e Douglas Hofstadter. Ele se chama «The Mind’s I: Fantasies and Reflections on Self and Soul».

4) O último é um livro de ficção científica pesada e se chama «Discognition», de Steven Shaviro. Para esse eu só quero dizer: leia!
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Os seguintes são livros mais sérios e técnicos sobre o problema da consciência, mas ainda legíveis por alguém que não lê muita filosofia contemporânea:

A) A filósofa Suzanne Cunningham passa com clareza diversas teses sobre a mente, desde o fisicismo reducionista até o pampsiquismo, desde o dualismo cartesiano ao funcionalismo de máquina (computacionalismo, ou Strong AI). O liro «What is a Mind?: An Integrative Introduction to the Philosophy of Mind» vale muito a pena ser lido.

B) Este é um dos livros que eu li com mais atenção em filosofia da mente, e eu achei-o muito fascinante e persuasivo, do sempre direto e com teorias filosóficas moderadas John Searle: «A Redescoberta da Mente» — em que ele argumenta contra teorias reducionistas da mente, que tentam reduzí-la a fenômenos objetivos e não-qualitativos, ao mesmo tempo que rejeita teorias dualistas sobre a mente, mantendo um fisicismo não-reducionista que ele chama de «naturalismo biológico». Um curto ensaio dele — de 7 páginas — entitulado «Why I Am Not a Property Dualist» é um bom resumo de suas teses.

C) «Philosophy of Mind», de Jaegwon Kim, parece ser um livro mais barra-pesada que introduz muito bem tópicos pertinentes na filosofia da mente. Eu não o li, mas foi-me recomendado por um grande amigo meu da Universo Racionalista.

D) Por fim, um pouco de ciência cognitiva cai bem: «Como a Mente Funciona», de Steven Pinker, entende a mente como um processador de informações (uma visão criticada por Searle e outras) e enxerga muitas de suas características a partir da psicologia evolutiva de boa estirpe (que é uma ciência jovem). De um modo ou de outro, o livro me parece ser bem reputado e é, certamente, muito bem escrito. O neurocientista português Antonio Damasio tem um livro focado no problema da consciência, chamado (não-surpreendentemente) de «O Mistério da Consciência». Está na minha estante há alguns meses, aguardando leitura!

Daniel Coimbra
Daniel Coimbra é graduando em Filosofia pela Universidade de Campinas. É fascinado pelas ciências naturais e, especialmente, pelas ciências da mente. Naturalista de atitude analítica desde criancinha, está numa batalha ferrenha para entender o mundo de um modo robustamente naturalista.
  • Leon Balloni

    Muito interessante Daniel, pego-me indagando diariamente sobre como explicar o amor apenas pela relação entre as partículas e energia em nosso cérebro, afinal se fosse simplesmente explicavel, poderíamos replica-la em qualquer escala que desejássemos e desta forma criar uma maquina inteligente ?

    • Marcelo Gaio

      Interessante. Nao se esqueça que a gente é vivo e maquinas não são.

    • Daniel Coimbra

      Oi Leon!
      De fato, muitas pessoas pensagem hoje que nosso comportamento é totalmente replicável por computadores. Resultados importantes no século XX na ciência da computação foram que tudo que é computável é computável numa máquina de Turing universal, e tudo que é computável é computável em uma coisa chamada ‘redes neurais’ (um constructo artificial das ciências cognitivas).

      Eu, pessoalmente, não vejo porque haveria algo no comportamento humano que não fosse simulávem em sistemas computacionais. Acho que uma dificuldade seria que o cérebro funciona de maneira massivamente paralela, e cada neurônio possui propriedades computacionais *muito* mais complicadas e surpreendentes do que um nódulo numa rede neural. O cérebro possui uma estrutura dinâmica, que muda em tempo real, enquanto chips de silício hoje possuem estruturas fixas.

      Então, acho que poderíamos em princípio ter uma máquina computacional que realizasse comportamento inteligente, tão inteligente quanto o nosso. (Uma nota: o cérebro, se for inteiramente físico, certamente se adequa ao conceito de “máquina”, tal como o corpo é sabidamente uma máquina. Só não seria uma máquina computacional, caso a tese computacionalista esteja errada e o cérebro funcione de uma maneira diferente que sistemas computacionais.)

      No entanto, parece difícil conceber que possamos simular computacionalmente genuínas sensações, como a dor, a sensação de paixão, e a consciência de si mesmo e dos próprios pensamentos. Neste caso, não teríamos mais simulações, mas a coisa real. (Imagine simular uma música, é basicamente tocar a própria música! Simular uma sensação é a mesma coisa que gerar essa sensação.)

      Agora, se podemos simular comportamento inteligente mas não podemos simular sensações, então poderíamos simular uma criatura que se comporte perfeitamente igual um ser humano, mas não tenha sensação alguma. Inclusive, essa máquina poderia sentar e escrever um texto sobre sensações e como elas são bizarras — mesmo sem ter essas sensações e nunca ter entrado em contato com elas! Esse é o problema dos chamados ‘zumbis filosóficos’.

      Isso tudo é muito bizarro, né?

      • Luso

        Oi Daniel, gostei bastante de ter tido a oportunidade de ler o texto e esta resposta, e espero pela parte 2. Além do conteúdo e do ponto de vista, eu acho que gostei da forma como você escreve. Vi agora que você tem outros dois textos mais antigos aqui no Bule, e assuntos interessantes também, já comecei a ler parte deles (e pretendo terminar depois deste comentário).

        Acaba que tenho estudado e trabalhado na área de ciências aplicadas, mas em parte do meu tempo livre eu facilmente me vejo envolvido numa ‘batalha’ que acho que é a mesma desta apresentação sua: “para entender o mundo de um modo robustamente naturalista.”. Que tendência estranha essa de alguns primatas… de qualquer maneira desejo boa sorte para todos nós!

        Não especificamente sobre o ‘problema difícil da consciência’, eu me pergunto se você já teve a oportunidade de ler um livro recente de Y.N.Harari, Sapiens: A Brief History of Humankind (2011), e livros de, a meu ver, muito mal visto, B.F.Skinner, como Beyond Diginity and Freedom (1971), e se sim, eu acho que eu adoraria ler ponderações suas a respeito.

        • Daniel Coimbra

          Legal que você gostou! A segunda parte está em andamento, apesar de eu ter prometido que ela sairia há três semanas. Ela está tão grande que estou pensando em dividí-la em duas partes, e terminar com uma série em três partes. Vamos ver.

          Pois é, coisa maluca essa de gastar tanto tempo tentando entender o mundo a partir de uma perspectiva em específico. Nem sei se é tão racional da minha parte me comprometer com o naturalismo logo de cara (apesar de ter demorado uns 5 anos para eu adotar esta posição explicitamente). Me tranquilizo quando penso que, se tudo der errado, eu sempre poderei rejeitar o naturalismo, hehe.

          Sobre os livros, já foram-me recomendado ambos! Sabia que o Harari inclusive lançou um livro novo recentemente, sobre o futuro da humanidade? Se chama Homo Deus, e parece ser fascinante. Quero ler todos esses! =]

          Obrigado pelo comentário, Luso. Espero que goste das partes 2 e 3 quando elas saírem também!

          • Luso

            Oi Daniel, obrigado pela resposta.

            Já tive a oportunidade de ler estes dois livros do Y.N.Harari, e achei** os dois muito bons e interessantes. Comparando-os, eu tenho que o de 2011 me foi ainda mais significativo.

            Comento que li naquele dia seus outros dois textos aqui no Bule, muito bons também. E acabou que hoje li este aqui de novo, rs. Acredito que vou gostar de ler as outras partes sobre algumas das tentativas de ‘naturalização’ da mente.

            Quando escrevi “tendência estranha essa”, eu até me referia mais era à primeira parte: “entender o mundo”, em comparação com outros primatas. Mas vejo, aprecio, e até espero ter, sua disposição em reexaminar e talvez rejeitar ‘compromissos intelectuais’ pretéritos.

            Por fim, um comentário sobre algo que percebi que não foi mencionado, mas eu acho interessante pensar em conjunto quando se trata do “problema difícil da consciência” (mas talvez eu esteja misturando coisas distintas): ‘As ciências’ além de terem nos convencido sobre a ‘teoria atômica da matéria’, também nos convenceram da ‘teoria de evolução das espécies por seleção natural’ (na qual organismos complexos podem se desenvolver desde que passo a passo, mas não de forma abrupta), o que, a meu ver, coloca para uma naturalista algumas interessantes questões adicionais.

            **Sugestão não pedida e talvez desnecessária: ocorreu que quando os li (versão digital), os achei nesta biblioteca: “gen.lib.rus.ec”.