Bule Voador

O Mais Poderoso Palhaço

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O seguinte é um transcript do último episódio do waking up podcast, no qual Sam Harris reflete sobre a eleição de Trump e os prospectos da sua presidência.

Bem, aconteceu. Presidente Trump. O homem que muitos de nós tratamos como um bufão, e só levamos a sério como uma ameaça na última hora, será o 45º Presidente dos Estados Unidos. Com um Congresso republicano na sua retaguarda e com pelo menos uma vaga, provavelmente mais, na Suprema Corte para preencher. Então, o que deu errado? E quão ruim isto é?

Bem, eu acho que há duas partes nesta história. A primeira é inequivocamente deprimente. Esta é a parte que tem sido aproveitada pela maioria dos liberais. Mas é só metade da história. E é esta: Trump ascendeu ao poder apesar de mostrar todo sinal de ser periculosamente inadequado para ele. E por expor em si mesmo e no eleitorado o pior que a América tem a oferecer. Racismo, sexismo, antissemitismo, um desprezo pelos mais vulneráveis entre nós, insinuações de fascismo, um amor afirmativo pela intimidação, um desdém total por nossas instituições democráticas, uma disposição a fazer ameaças de violência política só por diversão, um desprezo pela ciência e um amor por teorias da conspiração.

Digo, eu posso passar de novo por todas as coisas loucas que ele disse e as alianças tóxicas que ele fez. A ironia é que, se ele tivesse sido meramente metade tão ruim, ele teria parecido pior. Ele teria sido mais reconhecivelmente perigoso. Houve tantos momentos horríveis que a mídia não pôde se concentrar neles por tempo suficiente ou pesar a sua significância. E as coisas grandes foram tão grandes quanto o possível, certo? “Mudanças climáticas são um embuste”, “por que não podemos usar armas nucleares?”, “talvez proliferação nuclear seja uma coisa boa”, “que os sauditas, os japoneses e os sul-coreanos construam as suas próprias armas nucleares”, “quem disse que devemos apoiar as nossas alianças da OTAN? O que elas fizeram por nós?”, “Putin é um grande líder”, “Talvez devamos simplesmente dar default na nossa dívida, fazer um negócio melhor”.

Qualquer uma dessas coisas deveria ter dado um fim. Mas é claro que as coisas pequenas foram tão esquisitas quanto e deveriam ter sido tão desqualificantes quanto. Digo, acabamos de eleger um presidente que se vangloriou de ter invadido os vestiários de concorrentes de concurso de beleza para vê-las nuas, quando elas eram efetivamente as suas empregadas — ele era dono do concurso. E então ele até intimidou algumas dessas jovens publicamente, algumas na mídia social ao raiar do dia enquanto fazia campanha para a presidência. E daí ele negou ter feito qualquer uma dessas coisas quando nenhuma negação era sequer possível. E todos nós tínhamos visto os seus tuítes. E em resposta ao espanto da mídia, ele olhou para o povo americano no olho e disse: “Ninguém respeita as mulheres mais do que eu. Ninguém”. E metade do país aceitou isso como o quê? A verdade? Como boa encenação? Como comédia de esquete?

Realmente não há palavras para descrever quão longe do normal nos desviamos aqui. David Remnick, o editor do New Yorker, descreveu a situação, na noite da eleição, num artigo intitulado “Uma Tragédia Americana”. Lerei um pouco disso para vocês terem uma sensação do que as elites liberais estavam pensando às três da manhã.

“A eleição de Donald Trump para a presidência é nada menos que uma tragédia para a república americana, uma tragédia para a Constituição e um triunfo para as forças, no lar e no exterior, do nativismo, do autoritarismo, da misoginia e do racismo. A vitória chocante de Trump, sua ascensão à presidência, é um evento nauseante na história dos Estados Unidos e da democracia liberal. Em 20 de Janeiro de 2017, daremos adeus para o primeiro presidente afroamericano — um homem de integridade, dignidade e espírito generoso — e testemunharemos a inauguração de uma falcatrua que pouco fez para desdenhar o endosso das forças da xenofobia e da supremacia branca. É impossível reagir a este momento com qualquer coisa menos que revolta e profunda aflição.”

Então ele prossegue:

“Nos dias vindouros, os comentaristas tentarão normalizar este evento. Eles tentarão apaziguar os seus leitores e espectadores com pensamentos sobre a “sabedoria inata” e “decência essencial” do povo americano. Eles minimizarão a virulência do nacionalismo exposto, a decisão cruel de elevar um homem que passeia num avião de carreira banhado a ouro mas que reclamou com a retórica política de sangue e solo. Os comentaristas, em sua tentativa de normalizar esta tragédia, também encontrarão modos de descontar do comportamento desajeitado e destrutivo do F.B.I., a interferência maligna da inteligência russa, o passe livre, as horas de cobertura ininterrupta e direta dos seus comícios, provido a Trump pela televisão a cabo, particularmente nos primeiros meses da sua campanha. Nos pedirão para contarmos com a estabilidade das instituições americanas, a tendência até dos políticos mais radicais a pôr rédeas em si mesmos quando admitidos ao cargo. Os liberais serão advertidos como presunçosos, desligados do sofrimento, como se muitos eleitores democratas não estivessem familiarizados com pobreza, luta e infortúnio. Não há razão para crer nesta lengalenga. Não há razão para crer que Trump e o seu bando de associados — Chris Christie, Rudolph Giuliani, Mike Pence e, sim, Paul Ryan — estão em qualquer humor para governar como republicanos dentro das fronteiras tradicionais da decência. Trump não foi eleito sobre uma plataforma de decência, justiça, moderação, compromisso e governo da lei; ele foi eleito, no geral, sobre uma plataforma de ressentimento. O fascismo não é o nosso futuro — não pode ser; não podemos permitir que seja — mas assim certamente é como o fascismo pode começar.”

Eu acho que a maior parte disso é verdade, infelizmente. Mas não é toda a verdade. E nas partes que são verdadeiras provavelmente não vale a pena ficar cismando neste ponto. Não estou certo de quão útil será ficar no poço da culpa e do desespero e resistir à “normalização” da situação. Mas é verdade que a “normalização” parece um ato de prece. Considerem só o discurso de vitória de Trump, que foi alarmante por quão não-trumpiano ele foi. Digo, parecia que foi escrito por Van Jones com calmante. Foi o mais paliativo exemplo de ficada em cima do muro. Mas você pode sentir o desespero na mídia para ler nas entrelinhas das suas notas surpreendentemente graciosas a normalidade de que Remnick está falando aqui. Digo, “talvez estivéssemos simplesmente errados sobre ele, certo? Talvez ele seja um cara legal afinal”. Quais são as chances disso? Será possível que uma pessoa ética meramente fingiu ser um tremendo babaca por 18 meses? De algum modo, isso parece forçado. Mas que fazemos do fato de que Trump não tinha nada além de coisas boas para dizer sobre Clinton? O que aconteceu com o “Põe ela na cadeia”? Alguém se importa que o Trump que falou na noite da eleição era totalmente irreconhecível? Quem os seus apoiadores acharam que tinham eleito? Os seus apoiadores se surpreenderam ao vê-lo meramente elogiar Hillary? É tudo teatro? Quem é este cara? Será que ele tentará fazer alguma coisa que ele prometeu fazer? Alguém sabe? Será que Ivanka tem alguma ideia do que o seu pai fará como presidente?


Agora, eu recebi uma tanto de desgosto das pessoas neste ponto por ter estado tão errado sobre a eleição. Não estou certo do que elas querem dizer. Eu admito que eu a gorei por postar uma foto convenientemente repugnante de Trump no Twitter cedo no dia e dizer “Tchau, tchau, Donald”. É claro que não foi uma predição. Eu estava simplesmente dizendo como seria legal nunca mais pensar nele de novo. É claro que quando enviei aquele tuíte as pesquisas estavam lhe dando cerca de 20% de chance de ganhar. Agora, se as pesquisas estavam erradas ou não fica para o palpite de qualquer um neste ponto. Uma chance de 20% de ganhar não é nada, certo? Passe uns minutos com uns dados e veja quão frequentemente vem uma chance de 20%. Vem com bastante frequência; as vez na própria primeira jogada. Então, eu gorei a eleição. Sinto muito por isso. Mas com certeza não pode ter sido uma falha de juízo ter confiado nas pesquisas de melhor reputação. Basicamente todo o mundo estava fazendo isso. O que mais havia para confiar? Só as torrentes de ódio que vi nas mídias sociais? A história sobre o que aconteceu com as pesquisas será interessante nos próximas semanas e meses à frente.

A verdade é que eu sempre tive uma sensação ruim acerca da eleição e por isso que falei dela tanto neste podcast. Podia ver que os defeitos de Hillary como candidata estavam fazendo com que as pessoas ignorassem os defeitos de Trump como ser humano. Bem, estamos prestes a descobrir quão alto será o preço que nós e o resto do mundo pagaremos por isso. Falando pessoalmente, posso dizer que sinto que dei tudo de mim em campo. Sei que alienei muitos de vocês na minha depreciação tão plena de Trump. E continuei fazendo até às custas de entediar aqueles entre vocês que concordavam comigo porque achei tão importante. Honestamente, não vejo como poderia ter feito mais, e neste momento essa é uma sensação boa na verdade. Estava me preparando para este momento. E certamente conheço muitos cientistas, empresários e escritores que não podem dizer o mesmo. Mas quem sabe? O fato de que eles seguraram a língua pode parecer bastante prudente neste momento. Estamos prestes a ver um homem assombrosamente vingativo chegar ao poder sem muitos freios ao seu poder. Ele ameaçou ir atrás dos seus inimigos, prender Hillary, processar as mulheres que o acusaram de assédio sexual, modificar nossas leis de difamação, ir atrás do Washington Post.

Novamente, este não é um momento normal na história americana.


Agora, muita gente me perguntou sobre se eu me arrependo de não ter apoiado Bernie Sanders. Se confio tanto nas pesquisas, por que não confiei nas pesquisas que mostravam que ele tinha uma chance melhor que Clinton contra Trump? Porque não havia testes com Sanders. Ele nunca tinha sido sujeito à pesquisa de oposição do modo como Clinton tinha. Sabíamos o que os republicanos iriam dizer sobre Clinton. Quem sabe o que eles teriam feito com Sanders? É verdade que ele teria trazido para si alguns dos votos isolacionistas e anti-sistema que foram para Trump. E talvez ele tivesse trazido mais gente para as urnas do que Clinton, e parece que isso poderia ter sido decisivo. Parece que Hillary ganhou 6 milhões menos votos que Obama em 2012 e 10 milhões menos que ele ganhou em 2008. Então, os democratas não deram as caras e espero que todos aqueles apoiadores de Bernie que ficaram em casa ou votaram num terceiro partido estejam prestando atenção nos próximos quatro anos. Mas partilho da opinião de que a eleição foi em geral um repudio à esquerda, e à politico-corretice em particular, tanto quanto foi simplesmente um voto pela mudança. Foi um repudio à política de identidade negra e parda pela política de identidade branca. E é importante observar que isto não é o mesmo que racismo. Não creio que a maioria das pessoas que votaram em Trump foram motivadas pelo racismo. Há gente que votou em Obama duas vezes que votou em Trump. Racismo não pode ser o melhor jeito de explicar isso. É aí que a análise prevalecente na esquerda está errada, do tipo que acabei de ler de David Remnick no New Yorker.

Sim, elegemos um homem que foi oficialmente aprovado pela Ku Klux Klan, então vocês podem estar certos de que todo racista branco no país votou em Trump. Mas há milhões de outras pessoas decentes que têm preocupações razoáveis com um movimento como o Black Lives Matter. E a maioria dessas pessoas provavelmente votou em Trump também. Estas pessoas não são racistas. Elas estavam simplesmente recuando de acusações de racismo e de uma estirpe tóxica de política de identidade. Muito do que tem saído da esquerda — nem tudo, mais muito dela em particular sobre raça, sobre lei e ordem, sobre islamofobia, sobre terrorismo e sobre questões que são fundamentais para a segurança da nossa sociedade — tem tido toda a clareza moral e honestidade intelectual do veredicto de O.J. Simpson. O que quer dizer absolutamente nenhuma. Estou confiante que muita gente que não percebe Trump como um vigarista perigoso do jeito que eu percebo provavelmente votou nele por pura exasperação. Elas estavam fartas de serem chamadas de racistas por não se preocuparem com fantasias de Halloween em nossos campus da Ivy League. Milhões destas pessoas junto com racistas genuínos mandaram todos vocês, justiceiros sociais chorões em Yale e Brown, se foderem. E vocês podem realmente culpá-los? Digo, espaços seguros, alertas de gatilho, novos pronomes de gênero, conseguir com que grupos estudantis muçulmanos proíbam Ayaan Hirsi Ali e Bill Maher de discursar. Foi essa a causa da sua geração? É essa a trincheira em que vocês estão dispostos a morrer? Então, a questão é: uma campanha democrata que se inclinasse mais ainda para a esquerda teria prevalecido mais nesta situação? Duvido. E Sanders tinha algo de sensato para dizer sobre política externa? Ele teria sido capaz de se dirigir aos medos do terrorismo? Certamente não parecia desse jeito na época. Suspeito que este seja realmente o ponto crucial da questão. Pelo menos é a principal razão pela qual até aqueles que enxergaram os defeitos de Trump não se importaram com eles. O problema que me preocupou o tempo inteiro foi o fracasso total da esquerda em falar honestamente sobre o Islã, o terrorismo e a crise de refugiados na Europa. Isso, penso eu, foi decisivo. Foi uma das coisas que, caso tivesse ido por um caminho diferente, teria nos dado um resultado diferente.

Reconheço que parece estranho citar pesquisas neste ponto, mas o que mais podemos fazer? As pesquisas de boca de urna mostram que as pessoas que disseram que suas preocupações principais eram terrorismo e imigração votaram arrebatadoramente em Trump, ao passo que aqueles que se preocupavam mais com a economia ou política externa votaram em Clinton. Então, não foi “a economia, estúpido” desta vez, embora medos econômicos certamente tiveram um papel. E não foram só os brancos pobres que apoiaram Trump. A renda média dos eleitores de Trump era $72,000. Acho que nesta eleição preocupações com o terrorismo e imigração em grande parte se resumiam a uma preocupação com o Islamismo e o medo e desconfiança provocados pelas mentiras liberais acerca dele. “Imigração” significa outras coisas, é claro, mas não acho que seja principalmente que há muita gente branca cuja renda média é $72,000 que quer colher morangos para ganhar a vida. Se minhas colisões nas mídias sociais me disseram alguma coisas pelo ano passado é que muitas pessoas eram quase eleitores de uma só questão quando o assunto era o Islã. Eu apostaria que isto dá conta de muito mais pessoas do que as que votaram num candidato de terceiro partido, o que também foi provavelmente decisivo. O fato de que temos um presidente que nem sequer usaria a expressão “terrorismo islâmico”, que pode até dizer coisas como “o terrorismo tem menos a ver com o Islã do que com qualquer outra religião”, e o fato de que Clinton parecia abraçar este delírio, embora ocasionalmente ela tenha usado a expressão “jihadismo radical”, como se isso fizesse algum sentido — isso era um problema terrível. E é claro que o fato de que ela e o seu marido levaram dez milhões de dólares dos sauditas e outros regimes islamistas não ajudou. Junte isso com este desejo não explicado de aumentar o número de refugiados sírios em 550% sem jamais reconhecer o que está ocorrendo de errado na Europa. Esta foi a gota d´água para muitas pessoas. E eu ouvi estas pessoas incessantemente pelo ano passado. O problema, claro, é que as pessoas estão certas em se preocupar com o Islamismo e o Jihadismo, e tudo que a esquerda tem oferecido neste ponto são mentiras, santarronice e acusações de racismo e intolerância. Preocupar-se com o Islã mais do que com qualquer outra religião neste momento não é sinal de racismo ou intolerância. Os próprios muçulmanos deveriam estar mais preocupados com o Islã neste momento do que com o Mormonismo, o Anglicanismo ou o Judaísmo. Isto é sanidade humana básica e a maioria das pessoas sabe disso. Mas Clinton era o tipo de política que no resultado imediato do massacre de Orlando falou apenas de controle de armas e expediu alertas graves acerca uma ascensão da islamofobia, quando tínhamos acabado de sofrer ainda outra atrocidade jihadista em solo americano. Isto foi imperdoavelmente estúpido. Eu sabia na época que este era o tipo de estupidez que poderia pavimentar o caminho para Trump. Até escrevi uma seção de um discurso que achei que Clinton deveria dar acerca do Islamismo e do Jihadismo e o coloquei no meu blogue. Teria sido tão fácil para ela ter feito sentido desta questão e ter diferenciado um entendimento são do jihadismo da intolerância contra os muçulmanos em geral. Mas ela não podia fazer isso. Ela não estava disposta a fazê-lo. Todas estas coisas contribuíram para a sua derrota e para a ascensão de Trump.


Então a questão agora é: como prosseguimos tendo declarado o próximo presidente como sendo um tremendo jumento, um predador sexual e, como disse num podcast anterior, um mentiroso do tipo que só esperaríamos num hospício? Como nos movemos de fazer piadas sobre colocar os códigos nucleares nas mãos de um narcisista perigoso para efetivamente colocar os códigos nucleares nas mãos dele? Bem, temo que simplesmente o fazemos. E esperamos que este homem que parece mentir sobre tudo também tenha mentido acerca de quão horrível o tipo de pessoa que ele é. Esperemos que ele não seja quem ele tem parecido ser. Esperemos que ele realmente seja uma cifra. Esperemos que ele estivesse só fingindo não acreditar em mudanças climáticas. Esperemos que ele estivesse só fingindo admirar Vladimir Putin. Esperemos que ele só estivesse fingindo crer nos tipos de teorias da conspiração que o ajudaram a ser eleito. Esperemos que ele realmente seja um vigarista sem quaisquer compromissos centrais além de manter sua própria fama e glória. Pois então há uma chance de que gente bem informada possa ser capaz de influenciá-lo.

Achei que o presidente Obama bateu na nota certa ontem. Todos nós devemos ter esperança pelo sucesso de Trump neste ponto. Queremos que a sua presidência seja boa. É como se estivéssemos todos num avião juntos e o piloto verdadeiro tivesse morrido. Agora um homem que nunca decolou com um avião assumiu o controle e está tentando uma aterrissagem de emergência e estamos todos presos no fundo do avião. Estão estamos torcendo pelo homem na cabine. É claro que antes de ele ter posto as mãos no controle alguns de nós reclamaram sobre quão desqualificado ele era. Havia umas outras pessoas aqui atrás com muito tempo gasto voando com aviões. Mas este cara saiu entrando na cabine e agora ele está no assento do piloto, a pista está à vista e estamos sem tempo. Esperemos que ele esteja falando com as pessoas no controle de tráfego aéreo. O problema, claro, é que importa realmente quem está na torre. Pensem só nas pessoas de quem Trump está rodeado: Rudy Giuliani, Chris Christie, Sarah Palin, Mike Pence. Este é um carro de palhaço de ideólogos e incompetentes, e com alguns maníacos religiosos adicionados. Mas novamente, queremos que ele aterrisse este avião e não precisa ser bonito. Não importa se vamos todos acabar cobertos de vômito. Estaremos gratos só de estarmos vivos. E eu estarei muito grato se após quatro anos Donald Trump não tiver regredido com o progresso humano em uma geração.

Isto tudo pode soar como hipérbole, mas quem sabe de que tipo de erros este homem é capaz? E se você dissesse isto sobre Clinton você estaria simplesmente errado, mesmo com todos os defeitos dela. Não temos ideia nenhuma de quem é Trump, ou do que ele fará. Provavelmente nem ele sabe. O que sabemos é que ele tem menos entendimento das responsabilidades que ele está prestes a assumir do que qualquer presidente antes dele. De fato, ele tem menos entendimento do que qualquer candidato que a maioria de nós já concebeu. Então, esperemos que ele aprenda rápido e que haja milhares de pessoas boas que estão dispostas a trabalhar para ele. O que traz um assunto em que vi sendo tocado na mídia social por algumas pessoas. Não importa quão horrorizado você esteja por este resultado, não importa quão crítico você seja das pessoas que o habilitaram, como Paul Ryan, você tem que ter esperança de que as melhores pessoas disponíveis se apresentem agora e estejam dispostas a servir na administração de Trump. Pessoas com boa reputação e especialização genuína. Não podemos nos dar ao luxo de questionar os motivos e integridade que qualquer um que se juntaria a sua administração. Queremos as melhores pessoas que baterem na porta. Temos que ter esperança de que ser presidente dos Estados Unidos traga para fora o melhor de Donald Trump. Fazer campanha para a presidência trouxe o pior. Mostrou como ele é como um narcisista, fabulista e demagogo conflituoso, mas agora ele venceu. Certo? Agora ele será rodeado por pessoas buscando o brilho caloroso do seu poder. Agora ele inspirará poder, poder genuíno, não meramente desprezo em seus críticos. Ele não é mais só um palhaço. Ele é o mais poderoso palhaço na terra. Temos que ter esperança que vencer neste grau pacifique alguns dos seus demônios. Há algum precedente histórico ou psicológico para isto? Não tenho ideia. Mas estamos prestes a descobrir o que acontece com um homem com um ego notória, palpável e visivelmente insalubre que de repente triunfa sobre todo o mundo que já duvidou dele. Este é um homem que quando votou em Nova Iorque, no seu colégio eleitoral, foi vaiado por uma multidão na terça-feira, numa cidade de votou 87% contra ele. E um dia ele vai voltar lá no Força Aérea I. Imagine como o seu ego se sente agora. Imagine só a satisfação que Trump sentirá quando tomar posse da Casa Branca e mostrar a porta para o presidente Obama. O primeiro presidente negro que o humilhou na frente de toda as elites de Washington no jantar de correspondentes na Casa Branca. Vá assistir ao vídeo disso, todas aquelas gargalhadas às custas dele. Trump tem sido um desfecho de piada por décadas. Ele tem sido o Rodney Dangerfield do bilionários. Mas aquele momento com Obama no pódio foi o pior. E agora ele tem a oportunidade de mandar Barack Hussein Obama sair da sua casa e então deixar o seu legado em pedaços. Temos um homem que sempre questionou a sua legitimidade em termos racistas e agora foi endossado oficialmente pela KKK mostrando a porta para o primeiro presidente negro. Só Shakespeare poderia fazer justiça a este momento.

Então, ao passo que Trump parece que poderia se tornar algum tipo de Calígula com um iPhone, temos que ter esperança que as nossas instituições democráticas o restrinjam. Que as assombrosas responsabilidades lançadas no seu caminho, a responsabilidade de governar uma superpotência, tragam para fora os melhores anjos da sua natureza, caso ele tiver algum. Então, acho que normalizar esta zona pode ser o melhor que podemos fazer por ora. Nem preciso dizer que um balançar do pêndulo para o lado da política de identidade de esquerda não será de ajuda, mas parece extremamente provável que aconteça. De fato, já está acontecendo com estes protestos ridículos que estamos vendo sob a bandeira do “Não é meu presidente”. Boa sorte com isso.


Quantos de vocês votaram num terceiro partido? Ou nem sequer votaram? O que precisamos é de pessoas inteligentes e éticas no centro político que possam defender a liberdade de expressão, a ciência e as normas do discurso civilizado dos seus inimigos tanto na direita como na esquerda. E na medida que possa fazer qualquer coisa de útil nessa área, eu farei o meu melhor. Em parte, é para isso que serve este podcast. Se vocês tiverem quaisquer ideias sobre com quem eu deveria conversar no podcast sobre o destino da civilização, ficarei feliz em ouvir suas ideias. E prometo que entrarei em tópicos interessantes totalmente sem relação com a política. De fato, na maior parte farei isso. Porque o que digo sobre política não parece adiantar muita coisa.


 

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Luan Marques
  • Márcio Peres Biazotti Júnior

    Obrigado pela tradução. Harris costuma ser fantástico em suas análises políticas, e essa não foi diferente!

  • Cícero

    Os cristãos sabem que o islamismo assassino já declarou guerra ao ocidente.
    E Trump pode dete-los com a ajuda de Putin, ainda que brevemente…