Bule Voador

Sob o espírito de Jezabel, me libertei do cristianismo

Desde que nos mudamos, em 1995 para nossa nova casa, vou à igreja com a minha mãe. Eu tinha 3 anos de idade e íamos na Igreja Metodista no domingo e pela tarde frequentava a creche e o pré neste mesmo local. Nas aulinhas não me sentia doutrinada, mas rezávamos sempre e à nossa volta havia inúmeros cartazes com versículos bíblicos. Nesta época minha mãe era uma mulher mais moderada e escutava as tais chamadas “músicas mundanas”.  Cresci com apego aos anos 70/80, pois minha mãe sempre as ouvia.
Os cultos da Metodista eram tediosos, creio que para a maioria das crianças que acompanham seus pais. Não raramente eu dormia nos bancos envernizados, cuidadosamente enfileirados voltados para a clássica logo dessa denominação: Um crucifixo envolto por uma chama de fogo. Confesso que a decoração externa se contradizia com seu interior, pois era escura, com um verde musgo terrível. Parecia uma masmorra. Os sentinelas durante a noite, com certeza eram a Família Adams.

Anos mais tarde nos mudamos de igreja, também por escolha minha. Era escola bíblica dominical às 9h da manhã; terça às 20h; quinta, estudos bíblicos às 8h; sábado, culto dos jovens.
Lá, os cultos eram mais divertidos, as músicas mais “modernas”, mas de mensagens tão antiquadas quanto um hinário do século 19. As orações eram fervorosas, sob o “fogo do espírito santo.” Fora na Igreja Batista Independente que conheci o chamado batismo do Espirito Santo, no qual as pessoas  balbuciam em línguas incompreensíveis, batem os pés no chão, se rolam, dançam, caem no chão. No início eu tinha muito medo. Mas podia piorar, pois lá também conheci pessoas que incorporavam o demônio. Era definitivamente assustador alguém que engrossava a voz que se afirmava ser “o senhor do inferno e que iria matar você e sua família por ter roubado as laranjas do vizinho”. No entanto, nada se comparava à doutrinação doméstica que recebi. E a mãe passou a falar em línguas quase o dia todo com músicas evangélicas;

Cresci com medo dos meus próprios pensamentos. Que deus me ouvia em todos os meus maus pensamentos e que Satanás me observava 24 horas por dia. Minha vida era ser observada pelo diabo e por deus sem direito ao descanso para o banho, dormir, me tocar. Tanto, que foram anos e anos com receio até de tocar meus genitais para lavar durante o banho. Minha mãe sempre teve e ainda tem pavor da nudez, da exposição do corpo, mesmo sem qualquer conotação sexual. É estranho, pois ela tolera roupas relativamente curtas, mas a nudez completa é sempre uma porta para o diabo entrar.
Até havia uma música que dizia que o diabo só pedia um “buraquinho” e deus a casa toda, pois para o “Inimigo”, um espaço pequeno já era suficiente pro estrago. Assistir filmes de terror eram permissões para agir em nossa casa e nossa vida da mesma maneira que beijar alguém do mesmo sexo. Este último, durante anos, um problema no qual eu pensava se originar da influência maligna. Tinha atração por mulheres e me martirizava por isso.  Se assistia pornografia, eram súplicas para o perdão e após sempre uma nova recaída de espírito fraco, tendenciosamente para os braços da carnalidade. Quando desconfiei que fosse lésbica, eram choros, dias e dias pedindo para que deus me mudasse. Isto tudo combinado ao abuso sexual que sofri na casa antiga que jurei jamais contar para meus pais, já que era filha única e temia que passassem a ter pena de mim ou zombassem por ser chamada de “privilegiada que se faz de coitadinha”.
Fui alegre e ao mesmo tempo melancólica. Carregava toneladas e toneladas de culpa sobre as costas e ideias milenares de pastores bárbaros. Não saiam palavrões da minha boca (ef 4:29), não beijava ninguém na escola, não desenvolvi minha sexualidade pessoal, pois era abominável. Lembro-me de uma vez que estava deitada na cama da minha mãe com a mão dentro do shorts, e era apenas para conforto da pose e relaxamento. Não passava nada sexual na mente, minha mãe de súbito chegou e com espanto imperativo:
— Tira esta mão daí!

Não compreendo exatamente como a minha saga na igreja se entrelaçava com meus gostos científicos e filosóficos. A minha primeira profissão dos sonhos foi ser astronauta. Minha mãe até incentivava e achava lindo. Não raramente,  minhas disposições filosóficas seculares eram substituídas por estudos bíblicos e teológicos. Sempre preferi as teorias de uma reunião que o abastecimento “do óleo ungido”. E nisto sempre me enxerguei como um problema. Não era batizada pelo espírito santo, não falava em línguas de fogo e pentecostes. Por que não comigo? Por que não entrava em êxtase purificador? Não profetizava a vontade de deus? Provavelmente porque não lia a bíblia o suficiente, não tinha fé o suficiente, mas uma pecadora excedente. Tão excedente que colocava os pés no altar com medo que o diabo finalmente me escolhesse como alvo expondo todos os meus pecados vergonhosos para a igreja toda. Tinha sido infiltrada emocionalmente por medo, desejo, impotência e traumas através da “espada de dois gumes”, como diz Hebreus 4:12.
A minha mãe jurava que não me levava obrigada, mas dizia que havia feito uma promessa à deus que enquanto fosse criança, me levaria para a igreja e seus caminhos. Cresci ouvindo que depressão era possessão demoníaca,  também a homossexualidade, a sexualidade pré nupcial e pessoal, e que mesmo na minha igreja não houvesse uma veemente pregação em prol do dízimo, 10% era de deus, caso contrário seria roubo.
No entanto, dentro de mim havia o chamado “espírito de Jezabel,” a predisposição da mulher diabólica e rebelde. A sua história é de uma Rainha fenícia, sacerdotisa da deusa Astarte, assassina de profetas hebreus e também esposa do Rei Acabe, que os evangélicos depreciativamente chamam os homens que não se personificam como os “senhores da casa”, mas “submissos” à sua esposa.
As mulheres sob esta influência são “mandonas”, rebeldes, sexuais, independentes, autônomas, líderes. Em contraposição com as noções bíblicas de uma mulher exemplar, a que se submete ao seu marido, pois em Efésios 5:23 diz “Porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo” , eu era resistente e insistente ao dizer que repudiava todos os versículos que me tratavam como ser humana de segunda classe. Era um descarado disparate! E me impressionava mais ainda com nenhuma mulher emitir opiniões sobre o assunto.
Cheguei a discutir com a futura esposa de um pastor jovem que nos ministrava, ao afirmar que as mulheres não tinham condições emocionais nem psicológicas de liderar um lar. O irônico é que apesar dos meus questionamentos constantes nos estudos bíblicos, o olhar torto e até de deleite de alguns irmãos com meu temperamento, meu pastor me adorava. Dizia que eu era inteligente, especial. Confesso que até hoje é uma das pessoas mais doces, ternas e compreensivas que já conheci.

Meu espírito de revolta por injustiças, desigualdades que para mim não eram dadas, mas ensinadas, construídas milenarmente e perpetuadas através dos hábitos e religiões se expressavam também na escola, com professores, amigos.
Fiz ballet e teatro e nestes lugares era motivo de piada. Mesmo que as ideias e pensamentos deles estivessem completamente contaminados, infestados de noções judaico cristãs.
Sabia que havia algo errado, mas não sabia exatamente o quê. Me irritava a ideia que haveria de riscar no meu sobrenome, minha história, minha família caso casasse de papel passado com um homem. Me perguntava a mim, aos meus pais: “Por que ele não poderia pegar o meu? Não poderíamos juntá-los democraticamente? Gosto e quero manter meu sobrenome.”
Ainda assim, pensava em casar um dia, mas casar virgem. Tantas controvérsias. Só que ao mesmo tempo, achava terrível quando via as “irmãs da igreja” tão novas casando, noivando com 15, casando com 16, 17 anos. Me provocava calafrios. Por que tão novas? Sem estudar? Sem experiência? Vidas atalhadas para evitar a fornicação. Mas já sonhava em ser estéril.
Via meu casamento algo tão distante quanto a minha morte.

Meus movimentos de “vanguarda” começaram com meus interesses em ecologia. Não queria ver água desperdiçada e dormia pensando na camada de ozônio com 9 anos, mas foi com 13 anos que vi o hiperlink “feminismo” brilhando na minha tela. Cliquei e gozei. Gozei tendo naquele momento a certeza que não estava louca, “sentindo” algo estranho. Que havia, sim, um tratamento desigual para mulheres e homens, que as mulheres eram vítima de ódio e desprezo, mas comemorei sabendo que havia muito material a respeito. Muita luta que jamais imaginara antes de sequer conceber um pensamentozinho ou minúsculo desconforto.
Com certeza a minha convivência com o ambiente cênico, oficinas e meus colegas foi um dos grandes propulsores da minha mudança de hábitos. Eram pessoas de hábitos (não necessariamente de pensamentos) mais livres, incomuns.
Com 15 anos me vestia completamente de preto. Gótica, com crucifixos gigantes pendurados no peito, cabelos tingidos de preto, um verdadeiro reflexo da masmorra que vigiava dia e noite dentro de mim.
Bem, conheci a Marcha das Vadias, busquei a origem, seus objetivos, a proposta e terminei de chocar a sociedade do interior com meu feminismo mostrando os peitos nas ruas. Minha mãe descobriu. Sabem como? Porque o pastor me reconheceu no jornal e contou pra ela, que chorou quase um dia todo e não posso negar que é uma paisagem tragicômica.
Nesta época eu já namorava e um ateu, nunca me questionou, rebaixou, desprezou. Pelo contrário, sempre me apoiou em minhas escolhas, me respeitava e me admirava como ser humano inteligente e livre. Me acompanhou nas marchas, reuniões e até nos cultos. A virgindade havia se perdido em algum ponto da história um anos antes.

Na faculdade fiz amigos, e o melhor para toda a minha vida contou que era gay, e que me recordo ter dito que iria para o inferno quando me questionou sobre o assunto.
— Glenda, tu realmente pensa que eu vou pro inferno?
— Não penso que tu deveria ir, não acho errado, mas a bíblia disse que vai.
Percebam a mudança, eu já não achava errado, mas me convencia, me obrigava a dizê-lo porque estava escrito na palavra de deus. Chorei na frente do pc por não ficar com uma menina da faculdade pelos mesmos motivos. O medo de errar sob a boa, agradável e perfeita vontade de deus. ( Rm 12:2)
Numa noite, estavam inúmeras pessoas durante o culto recebendo as orações de um pastor não residente, pôs a mão na minha cabeça e após olhou em meus olhos e disse:
— Deus fez o homem e a mulher! Entendeu? – Não posso negar minha surpresa. O que havia feito para que ele desconfiasse? A gente sempre pensa que não dá bandeira.
No entanto, foi quando passei a participar do coletivo LGBT Plural Coletivo SDiverso da cidade vizinha em Passo Fundo, que tudo se tornou oficial. Via Silas Malafaia vociferando em seus programas ódio, manipulações e posicionamentos anti humanistas que nunca vi sentido. Nunca fui contra casamento gay, nem adoção de crianças por casais LGBT. Foi neste período que minha paciência teve seu juízo final.
Não havia absolutamente mais nada em comum entre eu e aquelas pessoas, ou crenças, ou reuniões. Não haviam mais razões para que eu permanecesse indo.
Não aceitavam meus amigos, nem a mim.

Podem ser gentis, doces, mas muitos disfarçam a arrogância de uma auto percepção de espiritualidade e iluminação superior com humildade, generosidade com os “desviados”. A regra é para aceitar os pobres, miseráveis pecadores que não conhecem a Verdade. De um lado pode haver preconceito, do outro presunção espiritual. É uma noção que converge com o paternalismo sexista: “São ignorantes na palavra, pobrezinhos, são menores na fé. Olhem com condescendência, complacência, talvez, até com pena, mas os proteja-os e digam o que é melhor para eles”.
Saí, saí finalmente e há dois anos que me considero ateia. Mas confesso que ainda me causa desconforto afirmar para os antigos irmãos na fé que o sou. Que não acredito mais em nada. Tentei, juro que tentei e inclusive, cri que fé era me manter nos caminhos cristãos, apesar de todas as circunstâncias, evidências dizendo o contrário.
Contei à minha mãe que gostava de gurias e guris, e ela reagiu inicialmente com compreensão, contou ao meu pai e meu pastor e as reações dos dois foram nulas. Nada mudou. No entanto passei alguns perrengues com a minha mãe como quando uma mulher me deixou em casa, e após entrar, ela afirmou “Não me interessa quem te traga, se for homem ou mulher, mas da próxima, desça lá na esquina”. Me senti humilhada. Até então, nunca havia reclamações sobre isso, pelo contrário, se fazia questão que eu descesse aqui na frente por minha segurança.
E não é que profetas realmente existem? Um dia briguei com a minha mãe e ela zombou de ter sido abusada exatamente como eu havia avisado ainda na infância. Ela é uma criatura complicada e não raramente, como todo ser humano, contraditória. Para algumas coisas é extremamente tolerante, aberta e para outras parece que ainda não descobriu o fogo.  Desenvolvi e assumi uma sexualidade e estilo de vida completamente avessas ao que ela aprova, expectou ou imagina ser bom para mim e sofro pelo sofrimento dela, no entanto não posso viver uma vida que não é minha.
Ao meu pai, agradeço por nunca ter se convertido ao cristianismo pentecostal, por ter me comprado revistas Super Interessante desde muito cedo, ter se matado de trabalhar para me pagar os estudos e por ter dito anos atrás “…depois que morre, terminou tudo, não há mais nada”.
Ano passado finalmente conheci com sucesso meu corpo, libertei-me de muitas amarras que foram se soltando durante anos, todavia ainda assombrada pelas potestades do passado que sinceramente não sei se um dia me libertarei. Como a sensação que estou sendo observada por pessoas o tempo todo, 24 por dia, no banho ou quando durmo. Não são mais demônios ou deus, mas pessoas nos quais admiro e que me julgam. “O bicho papão” apenas trocou de fantasia.

Gostaria de impedir que as crianças fossem submetidas a anos, diariamente, constantes de abusos emocionais e psicológicos quase irreversíveis que a religião causa. É um período de vulnerabilidade psicológica, física, dependência em que elas não possuem a mínima condição de defesa. Apenas podem se submeter, ouvir, receber, consentir sob ameaças e subornos.
É interessante também perceber o quanto as pessoas possuem seus próprios processos de libertação doutrinária do senso comum, das leis vigentes e mais poderosas. Enquanto a maioria, ou em grande parte dos leitores deste blog foi a crença em divindades, para mim foi a última de todas. Em geral, me considero um ser humano, uma mulher de sorte. A maioria das pessoas não consegue sair da caverna, ainda mais quem já nasceu dentro dela, que não são mais correntes, mais raízes que os prendem por entre as rochas.

Sou o que não havia sido tanto como hoje, feliz.

Glenda Varotto
Formada em publicidade e propaganda ao invés de seguir seus objetivos passionais. Bailarina clássica e jazz dance dos 12 aos 22 com muita dor e amor.
Escritora amadora de poesias e com um conto publicado.

Com esse trecho não há nada do que esconder, sonhadora e idealista, apesar de ao mesmo tempo assombrada por sentimentos niilistas motivados pela consciência da nossa natureza.
  • Ergon Cardia

    Olá Glenda !!

    Eu quase nunca comento nada, apesar da quantidade de coisas que leio. Mas fiquei muito emocionado com muita coisa que li aqui. E tenho certeza que inúmeras pessoas que o lerem vão se identificar e se emocionar também, principalmente por expor de maneira tão pessoal uma maldade extremamente séria e envolvidas em tabus, que é o abuso psicológico e físico na infância.

    E a lógica que mais me angustia é que estes abusos se dão por pessoas que deveriam ser seus guardiões e guias, e como você mesma lembrou, numa fase tão frágil da vida.

    Eu não sei, mas tenho a impressão que a sociedade tolera isso, pois ainda há uma ideia de que crianças são de certa forma “propriedade” de seus pais ou cuidadores, independente de suas índoles, e que teriam o direito de educar como quiserem. E quando os operadores das religiões, que se denominam “guardiãs da justiça” apoiam esse estado de coisas, me irrita profundamente.

    Também me tornei ateu de forma bastante demorada, com uma infinidade de conflitos internos, e mesmo hoje em inúmeras ocasiões de convivência social as pessoas tratam isso como uma aberração. E não escaparemos de comentários, de que “deus ainda não tocou em seu coração”, “na hora certa você enxergará a verdade”, “você deve ter algum trauma que te deixou desse jeito” e para não ficar citando uma infinidade de outras, finalizo com o que considero a mais ridícula delas “quando você estiver em um avião caindo, garanto que vai gritar desesperadamente por deus” . . . . e eu fico me perguntando, como é que sabem como vou morrer !?!? Nem só deus é onisciente em algumas religiões . . .

    A situação do ateu, mesmo que a cada dia inúmeras pessoas também passem a assumi-la, piora bastante e nos coloca em risco, quando alguns pastores (e mesmo idiotas da tv, por isso me libertei disso há muito tempo) se utilizando da imunidade que a igreja os proporciona, nos vincula ao que existe de mal neste mundo. Isso é grave e me preocupa de sobremaneira, pois na cabeça de muitas pessoas o mal deve ser combatido.

    Eu também não tenho muita esperança de me livrar da marca psicológica de inúmeras culpas do que nos impuseram como “pecados”. E para não repetir o que considero um crime, criei meus filhos com total liberdade em relação ao que devem acreditar, sempre com uma única obrigação, questionar o que tentam lhes impor como ideia pronta. Hoje, adultos, percebo que isso os deixa muito livre e felizes em poderem escolher sem qualquer culpa suas crenças e identidades. E no fim, advinha, são ateus também. Se quiserem se converter, ficarei incomodado, mas tratarei com a mesma liberdade e respeito que os levou ao ateísmo.

    Um outro tema que você tocou, e não consigo fixar uma opinião em relação à isso, é a questão do feminismo, hoje consigo enxergar que é necessário, como na questão do racismo uma correção histórica, mas o movimento acabou se infestando por odiadoras de homens, que defendem inclusive o extermínio de parte deles para que possam ficar “sob controle”. Sinto muito, mas estas e inúmeras outras ideias esdrúxulas, só me faz enxergar como um movimento de ódio e que não devo, não só não apoiá-lo, como combatê-lo. E começo a ver inclusive o surgimento de mulheres anti-feministas, que por definição poderia parecer estranho, mas diante do que temos visto, acaba sendo até necessário.

    Não é pela violência que conseguiremos um mundo mais igualitário, ideia batida, mas bem pouco tentada. Se fosse assim, países com uma polícia tão violenta como o nosso, seria um paraíso livre de bandidos. Se o movimento feminista não levar em consideração que homens também tem seus sofrimentos, e que igualdade é um conceito bem definido, e não passarem a respeitar as diferenças que o gênero nos proporciona, só continuarão atraindo odiadoras e uma reação bastante negativa de boa parte da sociedade. Entenda que uma mãe que tenha um garoto como filho dificilmente será simpática a um movimento violento.

    Eu realmente faço votos para que você, que luta tanto por uma vida plena, e tem uma visão tão questionadora da sociedade do seu tempo, se torne a cada dia mais feliz e livre com seus relacionamentos, pois gosto de pensar num mundo onde os encontros da vida nos traga principalmente prazeres, felicidade e um sentimento de completude, com a imperdível oportunidade de olhar nos olhos de outra pessoa e nos perguntar porque ela nos deixa tão bem . . .

  • Mônica Mello Braga

    Um texto belo e sensível. Embora não seja atéia, acho que as religiões atualmente são mais instrumentos de controle social do que de elevação do Homem. Sistemas religiosos podem escravizar e “estupidificar” o indivíduo, colocando-o a mercê de espertalhões oportunistas que propagam suas agendas teocraticas em benefício próprio. Só lamento que até hoje homens e mulheres não tenham se tornado aquilo que deveriam ser um para o outro: amigos e parceiros em uma jornada rumo ao aperfeiçoamento da Humanidade… No mais, parabéns por sua busca pela felicidade!

  • Antonio Porto Rosa Filho

    O seu testemunho me lembrou William, filho de Madalyn O’Hair, que doutrinou o filho no ateísmo
    e teve um fim terrível.
    O fanatismo é perigoso em qualquer esfera da vida.

  • D R

    Sinto te decepcionar, não quero aqui julgar se você vai para o Céu ou para o Inferno; pois, a grande maioria de nós humanos, ateus ou crentes, não somos dignos de Deus e deixamos muito a desejar no quesito de ser cristão. Penso que, se Deus não usar de muita misericórdia para com todos (conforme diz a Bíblia: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.” ), quase ninguém se salva; apenas os raríssimos santos da Igreja que foram exemplos de verdadeiros cristãos e realmente dignos de Deus e da salvação eterna.

    Mas, posso te dizer por experiência própria, que agora, enquanto és jovem e bela, o caminho que seguistes parece ser lindo e maravilhoso, parece que vais viver para sempre neste mundo terreno. Porém, quando a idade avançar e chegar a hora derradeira, é que (espero que não tarde demais) perceberás o quanto esta vida é como “sombra passageira” e o quanto vão foi o caminho que tomastes; e quão sábios eram os conselhos dos teus anciãos e dos teus pais e os ensinamentos bíblicos do Deus que abandonastes e que, por fim, rejeitastes; e o qual agora, mesmo fingindo para si mesmo não acreditar mais nele, combates valentemente. Talvez, terás até inveja daquelas tuas amigas que, na tua juventude, julgavas tão ingênuas e imbecis por terem se casado tão cedo e ter tido tantos filhos; pois, perceberás, que a única coisa realmente importante e eterna que poderias ter deixado neste mundo eram teus filhos e descendentes; e não teus estudos, teus artigos, teus contos e tuas poesias. Então, te lembrarás de Eclesiastes quando afirma que “debaixo do sol, tudo é vaidade”; e que, neste mundo, tudo passa. Nem poderás dizer como Paulo: “Combati o bom combate, guardei a fé…”; pois, ao invés de combater e vencer o pecado, infelizmente, te entregastes com alegria a ele.

    Agora, provavelmente, tu irás desdenhar destas palavras; mas, na tua velhice, espero que se lembre delas e que faça como Voltaire; que foi um dos maiores pilares do ateísmo e do anticristianismo em sua juventude; mas que, antes de morrer, tudo indica que se confessou e morreu em paz com Deus e com a Igreja.

    Nesse dia, não seja orgulhosa e não pense que Deus não te ama e não te perdoaria por causa da tua rebeldia e dos teus graves pecados; e nem que, para você, é tarde demais para se arrepender. São João da Cruz ensinava que, por mais pecados que cometemos, enquanto tivermos um fôlego de vida, ainda podemos pedir perdão a Deus.

    Segundo o livro “O DIÁLOGO” de Santa Catarina de Sena (que ela alegava ter sido ditado pelo próprio DEUS), não é Deus que condena o pecador ao Inferno, mas o próprio pecador que se condena a si mesmo, julgando-se indigno do perdão de Deus; e que essa é a maior ofensa que podemos fazer a Deus: rejeitar o seu perdão na hora do juízo!

    Se o teu ateísmo, no fundo, for fruto de ódio e rebeldia contra Deus; então, infelizmente, eu nada posso fazer a não ser rezar por você. Agora, se você, do fundo do teu coração, não consegue mais acreditar em Deus; mas, com toda a sinceridade, busca a verdade seja ela qual for. Então, eu respeito o teu ponto de vista e penso que até Deus respeita isso; pois, não podemos lutar contra nossa própria consciência. E se você continuasse seguindo a tua religião sem acreditar mais nela, apenas por conveniência e por status social (como, infelizmente, tantos fazem), penso que seria um erro mais grave ainda, já que passaria a ter de viver fingindo e sendo hipócrita.

    Porém, se Deus realmente existe, não é porque você deixou de acreditar nele que ele deixará de existir. E, se Deus é a Verdade, então, é a Deus que você deve buscar; mesmo não acreditando em sua existência. Por isso, se buscas realmente a Verdade (que, no fundo, é Deus), sugiro que estude a fundo os grandes milagres da Igreja. Mesmo porque, os milagres autênticos são o elo entre a fé e a razão, entre a ciência e a religião, entre Deus e os homens; são como que a assinatura de Deus para confirmar sua existência, sua Igreja e sua verdadeira doutrina.

    Meu raciocínio é muito simples: Se Jesus não existiu ou não fez milagres quando veio ao mundo e nem ressuscitou, com certeza, também não faz milagres agora; e, portanto, todos (repito: todos) os milagres da Igreja têm de ser falsos!

    Por isso, insisto tanto no estudo dos grandes milagres da Igreja, tais como: Santo Sudário (que nada mais é do que a foto radiográfica e tridimensional de um homem ressuscitando), Imagem de Guadalupe (cujo olho reflete a cena do milagre e cuja pupila dos olhos reage à presença de luz como se fosse um olho VIVO, cuja imagem mantém a temperatura de um corpo humano e têm batidas de coração, etc.), Santa Casa de Loreto (a casinha onde viveu a Virgem Maria milagrosamente transportada de Nazaré até Loreto, passando por outras cidades, durante a invasão islâmica à Terra Santa), Milagre Eucarístico de Lanciano (cuja hóstia e vinho virou carne e sangue de uma pessoa viva atualmente), Sangue de São Genaro (que se liquefaz no dia do seu aniversário), Coxo de Calanda (cuja perna reapareceu após enterrada por quase três anos), Espinho da Coroa de Cristo (cujo sangue coagulado se liquefaz a cada 11 anos, toda vez que a sexta-feira da paixão ocorre num dia 25 de março, o suposto dia da crucificação de Cristo), corpos e órgãos incorruptos de santos (que exalam perfume e destilam água e óleo por séculos) e tantos outros espantosos milagres que, por incrível que pareça, só ocorrem na Igreja Católica e em nenhuma outra religião do mundo. Isso é um fato espantoso e extraordinário que existe no mundo e que não deveria ser ignorado ou desprezado por quem quer que seja.

    Não deixe de ver, por exemplo, o incrível documentário do History Channel “GUADALUPE: UMA IMAGEM VIVA” e também o excelente e sério documentário do Discovery Channel “O MISTÉRIO DO SANTO SUDÁRIO” e sua continuação “O SUDÁRIO DE TURIM”, disponíveis no YouTube.

    Por isso, digo e repito:

    QUEREM SABER SE DEUS REALMENTE EXISTE? ESTUDEM OS GRANDES MILAGRES DA IGREJA!

    • Glauco Lima

      “Se o teu ateísmo, no fundo, for fruto de ódio e rebeldia contra Deus; então, infelizmente, eu nada posso fazer a não ser rezar por você.”. Rezar: A melhor maneira de não fazer nada e ainda achar que está ajudando.
      Fico triste por ver pessoas (e são milhões) que tem como base de vida um amontoado de estórias, na maioria das vezes plagiadas de outras civilizações, da idade do bronze condensadas em um livro que até aqui fez mais mal para a humanidade que qualquer tirano da história.

      • D R

        Quando analisada como um todo, a Bíblia (embora escrita ao longo de vários séculos por diversos autores diferentes) tem sim uma linha de coerência do começo ao fim; indicando que tais livros foram inspirados pelo mesmo Deus.

        O próprio Gênesis (o primeiro livro da Bíblia, que aos olhos da ciência moderna parece mais um conto de fadas) contêm simbologias e profecias que só são explicadas no último livro da Bíblia, o Apocalipse e em aparições mais recentes de Nossa Senhora. Por exemplo, em Gênesis, a SERPENTE tenta a mulher; a qual Deus profetiza que um descendente da MULHER iria esmagar a cabeça da SERPENTE. Uma interpretação literal da Bíblia, nos leva a crer que era uma cobra falante mesmo. Porém, em Apocalipse, a profecia esclarece que o GRANDE DRAGÃO (Satanás) é a ANTIGA SERPENTE, que persegue a MULHER. Finalmente, séculos e séculos após a profecia de Gênesis, em 27 de novembro de 1830, NOSSA SENHORA (a nova EVA) aparece à Santa Catarina Labouré (cujo corpo está incorrupto) pisando na cabeça da SERPENTE e manda cunhar a famosa Medalha Milagrosa, alcançando inúmeras graças.

        No artigo da Wikipedia sobre “CRISTO” há dezenas de profecias do Antigo Testamento (comprovadamente escritas antes do seu nascimento, pelos Manuscritos do Mar Morto) que se cumpriram integralmente no Novo Testamento:

        “…
        Entre os que entendem ser Jesus o Messias, seria relatado que nele foram cumpridas as profecias do Antigo Testamento. Tais como:

        Nasceria em Belém de Judá (Miqueias 5:2)
        de uma virgem (gr. phanteros) (Isaías 7:14)
        por intermédio de Deus (Salmos 2:7)
        descendente de Jacó (Números 24:17)
        da tribo de Judá (Gênesis 49:10)
        iria para o Egito (Oseias 11:1)
        surgiria da Galileia (Isaías 9:1)
        um mensageiro prepararia o seu caminho (Malaquias 3:1) clamando no deserto (Isaías 40:3)
        o Espírito de Deus iria repousar sobre Ele (Isaías 11:2)
        faria profecias (Deuteronômio 18:18)
        abriria os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos (Isaías 35:5)
        curaria os coxos e os mudos (Isaías 35:6)
        falaria em parábolas (Salmos 78:2)
        mesmo sendo pobre, seria aclamado rei, em um jumento (Zacarias 9:9)
        seria rejeitado (Salmos 118:22)
        traído por um amigo (Salmos 41:9)
        por trinta moedas de prata (Zacarias 11:12)
        moedas essas que seriam dadas a um oleiro (Zacarias 11:13)
        seria ferido e depois abandonado por seus discípulos (Zacarias 13:7)
        seria acusado injustamente (Salmos 35:11)
        seria ferido pelas nossas transgressões (Isaías 53:5)
        não responderia aos seus acusadores (Isaías 53:7)
        seria cuspido e esbofeteado (Isaías 50:6)
        seria zombado depois de preso (Salmos 22:7,8)
        teria os pés e mãos transpassados (Salmos 22:16)
        na terra dos seus amigos (Zacarias 13:6)
        junto com transgressores (Isaías 53:12)
        oraria pelos seus inimigos (Salmos 109:4)
        seria rejeitado e ferido por nossas iniquidades (Isaías 53:3:5)
        lançariam sortes para repartir as suas vestes (Salmos 22:18)
        o fariam beber vinagre (Salmos 69:21)
        clamaria a Deus no seu desamparo (Salmos 22:1)
        entregaria seu espírito a Deus (Salmos 31:5)
        não teria os ossos quebrados (Salmos 34:20)
        a Terra se escureceria, mesmo sendo dia claro (Amós 8:9:10)
        um rico o sepultaria (Isaías 53:9)
        assim como Jonas ficou três dias dentro do grande peixe (Jonas 1:17;Mateus 16:21;Lucas 11:30)
        Ele ressuscitaria (Salmos 30:3)
        no terceiro dia (Oseias 6:2)
        subindo também aos céus (Salmos 68:18;Atos 1:11)
        e sendo recebido pelo seu Pai, à sua direita (Salmos 110:1;Atos 7:55).
        …”.

        E os Manuscritos do Mar Morto comprovam, cientificamente, que tais profecias não foram inventadas após o nascimento de Cristo. É lógico que algumas dessas profecias sobre a vinda do Messias poderiam ter sido aproveitadas por Jesus e seus seguidores, caso fosse ele um charlatão; porém, outras não; como, por exemplo, a profecia de sua crucificação, já que ela era um instrumento de pena de morte usada pelos romanos e não pelos judeus,

        Quanto aos milagres bíblicos, realmente, é muito difícil comprovar que realmente existiram. Exceto o milagre da ressurreição de Jesus; já que o Santo Sudário é uma prova histórica e científica da ressurreição e divindade de Jesus e dos relatos dos Evangelhos.

        Porém, milagres permanentes e recentes da Igreja (tão ou mais espantosos do que os milagres bíblicos) é que não faltam para ser investigados pela Ciência moderna. Se Jesus não era Deus e não podia fazer milagres em vida, muito menos agora! Caso contrário, se faz milagres ainda hoje, por quê não poderia ter feitos aqueles milagres descritos na Bíblia?

        Portanto, as profecias e os milagres autênticos são elo entre a razão e a fé, entre a ciência e a religião, entre Deus e os homens; como diz o Pe. Quevedo, são como que a ASSINATURA DE DEUS para comprovar sua existência, sua Igreja e sua verdadeira doutrina.

        E, justamente, são as PROFECIAS e MILAGRES autênticos que podem PROVAR que a Bíblia foi realmente inspirada por Deus e não apenas fruto da imaginação humana. Pois, homens podem contar histórias e estórias, fazer registros históricos, inventar ou exagerar fatos históricos, mentir, escrever belas palavras, lindas poesias e sábios pensamentos, ou mesmo esquecer detalhes passados por tradição oral e cometer erros ou imprecisões durante um cópia ou tradução de um texto original, etc.; menos fazer PROFECIAS e MILAGRES autênticos, isso só Deus pode fazer!

        E, justamente, são as PROFECIAS e MILAGRES autênticos que tornam a Bíblia diferente de qualquer outro livro da humanidade e a Igreja Católica (a única fundada por Cristo, o Filho de Deus) diferente de qualquer outra religião do mundo (fundadas por meros homens mortais).

  • Marcos

    Olá Glenda ! Li seu texto e testemunho, conforme encontro na minha fé e já presenciei, vejo alguns pontos que possa refletir em algum momento da sua vida.

    Tudo que você passa hoje, tenha certeza que tem um inicio, e ele é no abuso sexual que você sofreu, essa grande ferida em sua alma, não foi tratada por quem mais deveria cuidar de você que seriam seus pais, por ser criança; No verdadeiro Cristianismo a cobreria de amor e buscaria a liberação deste perdão para quem te fez tremenda maldade, que quando não é dado do coração só aumenta a ferida, nunca passei por isso, mas acredito que seja algo muito difícil para as mulheres tratarem isso, ainda mais se foi dentro de casa ou algum familiar.

    Como citou de uma possível “possessão de Jezebel” realmente algum dos espíritos malignos podem ter se apoderado e sido cultivado em sua alma, após esse ato e gerado toda e qualquer transformação comportamental em sua vida.

    Essa ferida na alma, conforme testemunhos que já presenciei em vários encontros com Deus que ministramos na igreja que frequento, tanto mulheres como homens, acabam sim desenvolvendo os mais diversos desvios de personalidades após essa agressão, relatados em seus testemunhos, como citei acima, sobre Jezebel, Pomba Gira etc.. que buscam sua vitória na destruição do seu corpo sua carne,, esses demônios que agem e mudam completamente sua forma de ver e lidar com a vida, muitos foram para o lado da prostituição, outros para a completa marginalidade, e todos em comum, tiveram esse inicio.

    A cura desta dor, somente ocorre com o Espirito Santo , ele enche e transborda o teu ser e vai fazendo tudo, é algo mais sobrenatural que nós seres humanos podemos passar, eu não so acredito como tive essa transformação , sentirá a maior paz que já sentiu pelo tempo que conseguir se manter com a mente e o corpo santificado e em oração com o Pai.

    O aceite do Espirito Santo , nos corações aquebrantados, pode ser feito ai mesmo no quarto de quem deseja, Deus age mesmo fora das igrejas, sejam elas de qualquer denominações, mas após receber, é necessário de uma que fortaleça seu crescimento para que ele não “esfrie” . Jesus aceitou a todos, sejam eles marginalizados ou não, sempre os amou, mas pediu para que não pecassem mais.

    Temos igrejas e igrejas, cristãos e cristãos,mas a fé é feita por cada um, e tudo começa com o recebimento do Espirito Santo em nossa vida, e isso nenhum Padre ou Pastor consegue dar, é algo de cada um com Deus, o aquebrantar o coração, não é algo lido é algo presenciado por mim tudo isso.

    Muito amor em sua vida e que a alegria esteja a todo momento com você.

    Abraço !