Bule Voador

Os Ensaios Céticos de Bertrand Russell

A trajetória racionalista de Bertrand Russell é formada, em parte, por uma intransigente defesa do humanismo secular, da ciência e do ceticismo. Todos que o conhecem sabem que a influência do seu trabalho perdurará por várias gerações. No século XX, ele presenciou as piores crises que a humanidade sofreu na era moderna: contemplou os restos mortais e os escombros das duas Grandes Guerras Mundiais e enfrentou o temperamento obscuro de religiosos e políticos fanáticos. A nossa história contém abundantes registros de que, enquanto milhões de pessoas empreendiam a violência e o dogmatismo, poucos faziam oposição a esses impulsos da estupidez humana. Enquanto as propagandas de governos incentivavam o ufanismo doentio, Russell estava lá para combatê-las, sem nunca deixar de propor soluções racionais para os problemas de sua época. Foram raros os filósofos que desafiaram, com ousadia, as mais variadas formas de autoritarismo, tendo que enfrentar prisões, censuras e até mesmo ameaças de morte.

Por volta de 1920, Russell escreveu 17 ensaios filosóficos que serviram de matéria-prima para forjar uma de suas obras mais memoráveis: Ensaios Céticos. O livro reúne pensamentos sobre política, educação, filosofia, religião e ciência, e é possível notar que, graças a esse trabalho, a Filosofia obteve maior credibilidade em várias regiões do Ocidente. Que os líderes das grandes potências mundiais, por várias vezes, já estiveram dispostos esmagar nações inteiras, disso ninguém duvida. Basta recordar o que ocorreu em agosto de 1945, quando as bombas nucleares docilmente apelidadas de “Little Boy” e “Fat man” foram lançadas pelos EUA nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki; ou quando a Crise dos Mísseis em Cuba quase culminou em uma guerra nuclear entre os soviéticos e os norte-americanos. Mas muito antes que a Guerra Fria congelasse os corações humanos, a atitude filosófica advogada por Russell tentava nos conduzir a um desfecho diferente da extinção da nossa infantil espécie. Ao refletir sobre o mundo civilizado, Russell planejava abolir os obstáculos que impediam as pessoas de serem céticas, racionais e, sobretudo, amáveis.

O ceticismo que Russell sugeriu em seu livro é compreendido em três partes inseparáveis:a) “quando os especialistas estão de acordo, a opinião contrária não pode ser tida como certa” (a menos que possua evidências que a suportem); b) “quando não estão de acordo, nenhuma opinião contrária pode ser considerada correta por um não especialista” (Richard Dawkins entendeu esse item quando disse que, caso a Evolução se prove como errada, a refutação terá vindo de um cientista, não de um idiota); c) “quando todos afirmam que não existem bases suficientes para a existência de uma opinião positiva, o homem comum faria melhor se suspendesse seu julgamento”. Porém, “suspender o julgamento” não é igual a “suspender a investigação”, que deve continuar enquanto estivermos vivos.

A humanidade vive um momento no qual os recursos naturais e tecnológicos estão disponíveis para promover o nosso bem-estar. No entanto, faltam-nos os recursos morais que nos tornem capazes de fazer bom uso da natureza e da tecnologia. Uma mente cética está ciente de que o método científico, embora tenha suas imperfeições, é o ponto de partida mais prolífico que existe. É o que nos faz buscar fundamentos racionais para as opiniões que desenvolvemos, não de forma apaixonada, como dizia Russell, mas com lucidez e comprometimento com a verdade. Russell reconhece que, no campo das ideias, “a paixão é a medida da falta de convicção racional de seu defensor”, e percebeu, diante disso, que “opiniões sobre política e religião são quase sempre defendidas de forma apaixonada”. A falácia wishfull thinking pode resumir esse estado emocional em que o indivíduo acredita no que lhe soa agradável, não no que é verdadeiro. O desejo de acreditar em algo sem evidências simboliza a conspiração de crenças ilusórias contra a racionalidade. E quanto mais agradável uma crença ou opinião aparenta ser, mais cuidado devemos tomar para não cairmos em superstições ou em ideologias cegas.

Os ensaios deste livro deixam o alerta contra os perigos de uma educação dogmática e patriótica, que envenena a razão e sabota o pensamento crítico. Se as crianças continuarem a ser ensinadas a idolatrar autoridades mundanas ou sobrenaturais, ou a confiar cegamente no propósito que os poderosos lhes impuseram, o nosso futuro será formado por indivíduos sem imaginação, sem conhecimento e, o que é ainda pior, sem amor. Mais do que uma força racionalista e humanista, Russell é uma fonte inesgotável de inteligência para as pessoas que buscam um mundo justo e benevolente. E são essas as mensagens que precisamos levar adiante.

Ricardo Silas
Faço estudos sobre revoluções históricas e sou perdidamente apaixonado por literatura russa. Não invejo a fé dos crentes. Aprendi a nunca ser um espectador da injustiça e da estupidez, pois o túmulo me dará muito tempo para o silêncio.
  • AntonioOrlando

    Ricardo Silas
    Como Monteiro Lobato, notório racista e eugenista brasileiro, Russel é um ídolo moral de barro. Não vou discutir aqui suas contribuições para o estudo da lógica contemporânea, do mesmo modo como não vou fazer análise literária de Lobato. Os dois foram talentosos nos seus respectivos metiês. No entanto, a postura ética dos dois deixou muito a desejar. Lobato era admirador da Ku Klux Klan – e devia ter orgasmos múltiplos com linchamento de negros. Ademais, foi um dos artifices da vinda de imigrantes, brancos e europeus ou do branqueamento eugênico no Brasil.

    Russel tentou, no fim da vida, retratar-se por seu notório racismo. A racionalidade sem compaixão, apreço pela alteridade e respeito pelas diferenças é estéril. O mesmo ocorre com as religiões.

    Enfim, os recursos, naturais e tecnológicos, do planeta estão sendo exauridos pela lógica racionalista e predatória de empresas e pessoas que não tem nenhuma preocupação com o outro na sua cruzada predatória de acumulação de riquezas. Dentro da lógica racionalista desse segmento da nossa sociedade, demitir 5.000 funcionários é apenas adequação de custos e despesas. Não há nenhuma preocupação com os problemas sociais, e outros, que advirão daí. Ou destruir todo um rio, Rio Doce, e tudo que o margeia por apreço à lógica racionalista de contenção de custos.

    Achar que o racionalismo irá resolver os problemas éticos, existências e mundanos do mundo é de uma ingenuidade tocante…, sobretudo, é reduzir o ser humano a uma máquina monocórdica e “racional” – sem contradições, dúvidas, conflitos e angustias.

    Abs.

    • Guilherme Muller

      Incrível como os niilistas se multiplicam no século 21, assustador.

      • AntonioOrlando

        Guilherme

        Não entendi! Niilista por quê?

        Abs.

  • Fábio Alves

    Sempre desejei conhecer um pouco mais de Russell, mas na correria nunca parei para pesquisar. Obrigado pelo texto.

    Senti uma alegria ao ver como o ceticismo aliado ao humanismo pode ser um caminho autêntico para o Amor e a Paz.

  • Cícero

    A falácia wishfull thinking se aplica exatamente a Russell!
    Como um naturalista materialista secularista vem defender a racionalidade e o amor? se para crença deles somos apenas um pedaço de massa de elementos químicos surgidos ao léu por acidentes cegos do acaso??… então será racional admitir que elementos químicos produzem razão, amor e todos os outros atributos imateriais presentes exclusivamente nos humanos como: moral, ética, justiça, consciência, intelecto, cognição etc??

    Russell como agnóstico também, comete erros grosseiros de lógica como todo agnóstico…
    Alega que:
    “o agnóstico encontrará seus fins no próprio coração e não numa ordem” ou “sei com certeza sobre a existência de Deus que vc não pode saber nada com certeza sobre a existência de Deus”. (What is an agnostic p. 583).

    Mas como ele sabe e afirma isso?! tal conceito implica conhecimento da realidade – sendo contrário ao conceito de agnosticismo. Conhecer o suficiente ou algo da realidade e afirmar que nada pode ser conhecido dela (no caso Deus) é ilógico e contraditório. Será possível saber que algo existe; sem saber nada dele? Então não deveriam jamais fazer afirmações sobre este assunto!

    Isso são conceitos absolutistas incompatíveis com o agnosticismo. Assim, o agnosticismo destrói-se a si mesmo!

    • Quando você falou sobre Russel cometer erros grotescos de lógica eu fiquei esperando uma coisa espetacular, afinal, não podemos esquecer que Russel ajudou na construção da Lógica como a conhecemos hoje. Mas prossigamos… “o agnóstico encontrará seus fins no próprio coração e não numa ordem”. Será que isso não tem a ver com os 10 mandamentos? Enquanto o crente decide não matar por ser um dos mandamentos, o agnóstico não mata por acreditar que matar é errado, uma coisa que vem do coração do agnóstico. Não existe contradição nessa afirmação. O agnóstico não pode afirmar ou negar a existência de Deus, mas pode discutir sobre ética e moral e de onde eles acreditam ser a sua origem. Já na segunda afirmação, “sei com certeza sobre a existência de Deus que vc não pode saber nada com certeza sobre a existência de Deus”, isso é uma pegadinha e reflete muito bem o pensamento de um agnóstico. Imagine que existe um agnóstico e um crente colocando pesos em uma balança. O agnóstico colocaria o seu conhecimento a respeito de Deus num dos pratos, e o crente faria a mesma coisa no outro prato. A balança não sairia do lugar, mostrando que ambos não sabem nada a respeito de Deus. Outra afirmação livre de contradição.

      • Cícero

        Agnosticismo absoluto – “Conhecemos o suficiente sobre a realidade para afirmar que nada pode ser conhecido dela”.
        Essa afirmação é ilógica, e contraditória.
        Quem não sabe totalmente nada sobre a realidade não tem base para fazer uma afirmação sobre a realidade e muito menos sobre Deus, o Criador da realidade existencial e universal.
        Em vista da ordem e beleza incrível do universo que todos admiram; é racional e lógico admitir um Ser Sobrenatural Super Inteligente por trás de tudo. O desenho requer um Desenhista.

        Até o maior agnóstico filosófo, Immanuel Kant afirmou:
        “Duas coisas enchem a mente com admiração e reverencia cada vez maior e mais nova, por mais frequente e constante que seja nossa reflexão sobre elas: o céu estrelado e a lei moral dentro de mim”.
        Sim, o maior milagre já foi realizado. O surgimento do tremendo universo e da complexa e multiforme vida inteligente do NADA!

        O materialismo/darwinismo é incompatível com esses conceitos nobres e elevados presentes naturalmente nos humanos como moral, ética, justiça.
        Afinal, elementos químicos não podem avaliar se uma teoria é falsa ou não. Os elementos químicos não raciocinam, apenas reagem. Como você consegue saber o que é errado a não ser que saiba o que é certo.
        Que combinações de materiais podem ser responsáveis pelos atributos cognitivos, morais/éticos e metafísicos no homem?

        Se tais conceitos morais estão naturalmente gravados no coração do homem, logo sua origem vem de um Autor Moral. Toda lei possui o criador da lei. Existe uma lei moral. Portanto, existe o Criador da lei moral, não somos pura matéria.
        “Todo mundo conhece certos princípios. Não existe uma terra onde o assassínio seja uma virtude e a gratidão seja um defeito” – C.S. Lewis.

        Veja que em muitas de suas declarações, Russell deixou transparecer a Necessidade de Deus e de seu amor, confessou:

        “Mesmo quando a pessoa se sente mais proxima de outras pessoas, algo nela parece pertencer obstinadamente a Deus e recusar-se a entrar em qualquer comunhão terrena – pelo menos é assim que eu deveria expressar isso se acreditasse em Deus. É estranho não é? eu me importo ardentemente com este mundo e pessoas nele, e no entanto o que é? deve haver algo mais importante, acredita-se, apesar de eu não acreditar que haja” (Autobiografia p.125-6).

        “Nossa época necessita de compaixão, necessita sobretudo de esperança corajosa…a questão é muito simples que quase sinto vergonha em mencionar com receio de sorrisos irônico e sábios cínicos. A coisa que me refiro por favor desculpai-me por mencioná-la é amor. Amor Cristão ou compaixão. Se vc o tem, então tem um motivo pra viver” (What is an agnostic p.579).

        Mesmo um cético como ele, sentiu fome e sede de Deus! sendo isto natural em todos os humanos.

        • Faz um ano que a gente conversou. As suas dúvidas e afirmações são muito interessantes. Algumas eu compreendi e já considero respondida, como as relacionadas a incapacidade de um agnóstico poder fazer afirmações a respeito de Deus (diferença entre conhecimento e sabedoria).

          Quando você fala que trechos de Russell apontam para uma necessidade (pessoal) de acreditar em Deus, eu não descarto a possibilidade de você estar correto. Nós não somos máquinas binárias, já vi muito crente com crise de fé. Por que o contrário não poderia acontecer? Amor cristão é o amor pregado por um grande filósofo judeu chamado Jesus de Nazaré, é um tipo de amor incondicional.

          Quando você diz que a moral, ética e justiça é incompatível com o materialismo e que é a partir de Deus que temos tão nobres conceitos, então porque eles mudam com o passar do tempo? Por que são diferentes em culturas diferentes? Por que uma coisa pode ser moralmente aceita para um e não para outro, se tudo vem de uma única moral, uma única ética, uma única justiça? E quando uma se sobrepõe a outra? Será que justiça é aplicar uma pena proporcional ao crime? É justo receber uma pena eterna no inferno? Qual crime justificaria essa pena? Não existe nada comparado a eternidade. Então é injusto passar a eternidade pagando por um crime infinitamente menor se comparado ao eterno.

          “Não existe uma terra onde o assassínio seja uma virtude e a gratidão seja um defeito”. Uma vez eu encontrei um celular no ônibus e devolvi ao dono. Contei para um amigo o que acontecera e ele disse que eu era baita de um otário. Um caso típico de uma terra onde onde os valores morais são invertidos.

          Se faltou algum tópico a ser respondido pode ser que eu não tenha compreendido.

          Não creio que um vá convencer o outro nessa conversa. Mas é uma área de troca onde cada um mostra seus argumentos e o outro pode refletir e responder.

          • Cícero

            Olá Alexandre!
            é a partir de Deus que temos tão nobres conceitos, então porque eles mudam com o passar do tempo? Por que são diferentes em culturas diferentes?

            Deus criou as criaturas boas com uma qualidade chamada livre-escolha, e é bom ser livre, mas com a liberdade vem a possibilidade do mal, então Deus é responsável por tornar o mal possivel, mas as criaturas livres são responsáveis por torná-lo REAL.
            Por acaso seria justo forçar você, a crer em Deus e segui-Lo? Somente pelo seu próprio interesse de conhecê-lo que é a forma justa.

            Se há uma coisa que Deus respeita, e muito, é nossa INDIVIDUALIDADE, somos livres, mas responsáveis por nossas próprias decisões. Ele só vai agir em nossas vidas se pedirmos para ele interferir, e Ele jamais passa por cima de nossa razão, pois ele nos deu isso para pesquisarmos e indagarmos, não somos robôs e Ele nem quer isso. A bíblia diz “Vinde e argui-me diz o Senhor”. E ele não olha para nossa condição ou situação.
            A onisciência de Deus representa apenas conhecimento, mas o AGIR DELE depende de nós.

            Por que uma coisa pode ser moralmente aceita para um e não para outro, se tudo vem de uma única moral, uma única ética, uma única justiça? E quando uma se sobrepõe a outra? Será que justiça é aplicar uma pena proporcional ao crime?

            Amigo, a base de Deus é dupla: amor, bondade, perdão mas também é juízo, justiça, verdade.
            Quando Israel pecava Deus punia, quando Israel se arrependia, Deus se arrependia do mal que traria. Conforme nossas ações, Deus muda seus propósitos em relação a nós.

            Deus é Perfeito, e dar liberdade à suas criaturas é uma das caracteristicas dessa Perfeição. Mas lembre-se, liberdade envolve responsabilidade. Não somos punidos neste mundo por desobedecer certas leis, regras, normativos?? seria justo deixar só vc furar o sinal vermelho no trânsito, não pagar impostos, ou ir num Banco, loja, roubar dinheiro e sair impunemente??

            Seria terrível para as pessoas Deus forçá-las a fazer somente o que Ele desejasse. Seria escravidão e não liberdade. Ele não mexe em nossa personalidade.
            É notório mencionar, e a bíblia tem fartos exemplos, que Deus só interfere em nossas vidas; e nos outros; se clamarmos, pedirmos, buscarmos por isso.
            Quando Israel pecava Deus punia, quando Israel se arrependia, Deus se arrependia do mal que traria.
            Se sofremos consequencias severas ao desobedecer autoridades constituidas dos homens. Por que seria diferente da Autoridade Máxima do Universo?

            É justo receber uma pena eterna no inferno? Qual crime justificaria essa pena? Não existe nada comparado a eternidade.

            Ora, se o céu é eterno com gozo consciente, por que o inferno não seria triste eterno consciente?
            Se Deus aniquilasse os seres humanos estaria atacando a si mesmo (logo não seria Perfeito!), pois somos feitos à sua imagem. Se Deus é eterno e imortal; nós somos igualmente.
            Se os ímpios fossem punidos apenas temporariamente, e depois simplesmente aniquilados, qual o sentido disto? qual sentido moral, existencial e de justiça para todos os envolvidos, se logo desapareceriam da existência? para os punidos não faria a menor diferença serem aniquilados na hora ou um pouco mais tarde…!
            O sofrimento eterno consciente é um eterno testemunho da liberdade e dignidade do homem e sua natureza como criatura moralmente livre.

            Deus prova seu amor respeitando a opção dessas pessoas e não eliminando-as. Um pai não deve matar seu filho que está sofrendo.
            Até ateus insistem em que a liberdade consciente é mais preferível que a aniquilação.
            Jesus fala em níveis de castigo Mt 5:22, mas não pode haver níveis de inexistência.
            Enquanto houver Deus e o mal, eles devem ficar separados um do outro.

            Ninguém no inferno terá desculpas e saberão conscientemente e plenamente o que fizeram e mereceram pra estar lá. O inferno seria apenas para os irrecuperáveis, impenitentes, irreversíveis, abomináveis que odiaram a Deus livre e intencionalmente.

            Jonathan Edwards disse: ”Parece-te incrivel que Deus seja tão absolutamente negligente com o bem-estar do pecador, a ponto de mandá-lo para um abismo ou sofrimento infinito? Isso te choca? E não é chocante para ti que sejas tão absolutamente negligente como tem sido para com a honra e a glória do Deus infinito?”

            E Gerstner completa: “Não parece nem um pouco cruel da parte de Deus infligir sofrimento a criaturas extremamente cruéis e perversas.”

            Assim, já que os incrédulos querem ficar longe de Deus agora, certamente esse será o estado que passarão na eternidade.

    • Completando a resposta sobre um agnóstico não poder fazer afirmações a respeito de Deus por saber da sua ignorância a respeito Dele. Deve-se ficar claro a diferença entre conhecimento e sabedoria. Sabedoria é ser capaz de perceber seus limites e imperfeições. Compreender as ilusões da aparência e a efemeridade das paixões e com a razão controlá-las. Sócrates fazia isso quando discutia com pessoas que acreditavam saber, mas que na verdade não sabiam. Ele iniciava fazendo uma pergunta com quem dialogava, depois de ouvir os argumentos do seu interlocutor, Sócrates fazia mais perguntas e levava o “conhecedor” a entrar numa contradição. Levando-o a perceber que ele não sabia nada do que estava falando. De forma semelhante funciona um agnóstico, mesmo não sabendo, ele está livre para conversar com quem acredita saber e mostrar que seus conhecimento é estéril e sem valor. De onde podemos tirar “sei com certeza sobre a existência de Deus que vc não pode saber nada com certeza sobre a existência de Deus”.

  • Wesley Sousa

    Bom texto.