Bule Voador

Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas (Parte 14: “Pessoas merecem respeito, ideias não”)

O lema da imagem acima, “Pessoas merecem respeito, ideias não”, é muito repetido por antiteístas que reivindicam o direito de não só criticar as religiões e considerá-las “contos de fadas”, mas também de zombar delas, tratar a fé alheia como lixo e assim ofender a sensibilidade religiosa de outras pessoas. A frase é problemática por não revelar que conceito de “respeito” ela usa e dar margem, inclusive para os próprios autores da frase, a desrespeitar indiretamente os religiosos – ainda que a imagem em si deixe claro qual é o significado da palavra.

O termo “respeito” tem múltiplos sentidos possíveis, inclusive de acordo com os dicionários. Quanto ao “respeito” mencionado pela sentença, não fica claro se significa “direito de não ser ofendido e vilipendiado”, “direito de não ser criticado a ponto de ter o prestígio esvaziado” ou uma combinação de ambos os significados. Com isso, a frase inspira tanto os neoateus respeitosos, que se restringem a criticar e desprestigiar de forma racional e equilibrada as religiões em seus dogmas, crenças, mitos e valores, como aos antiteístas que se veem no direito de considerá-las em geral, desde suas correntes moderadas e saudáveis até suas vertentes fundamentalistas e destruidoras, puro lixo a ser pisoteado, amassado e jogado em lixeiras.

Está em seu direito quem critica religiões como o cristianismo e o islamismo, apontando-lhes contradições internas, incompatibilidades com a realidade, inverossimilhanças de suas narrativas mitológicas, ditames morais hoje imorais que constem nos livros sagrados ou na tradição, crenças específicas que inspirem credocentrismo (centralização de toda a verdade do universo na religião que a pessoa segue e invalidação de tudo o que outras crenças religiosas pregam), a prática de sacrifícios contra seres sencientes, o respeito incondicional a quem não professa da mesma fé etc.

Esse tipo de crítica não só é válido como também é essencial na mudança cultural interna às religiões, forçando-as a mudarem sua moral a algo cada vez mais interseccionado com a ética – que é basicamente o que vem acontecendo nas sociedades de passado cristão desde pelo menos a Reforma Protestante. É algo necessário para humanizar as crenças e valores morais religiosos, tornando-os simpáticos à libertação humana, ao respeito a todos os seres que merecem respeito, à oposição manifesta ao uso da religião como meio de controle e escravização mental, ao uso integral da razão pelo ser humano, à igualdade entre todos os seres humanos – e também entre todos os seres sencientes – etc.

Nesse sentido, que coloca o termo “respeito” como blindagem a críticas fortes e desconstrutoras, é que convém afirmar que ideias em si não precisam ser respeitadas e incluir as crenças religiosas entre elas. Mas vale frisar que isso não equivale a dizer que as divindades dessas religiões podem ser desrespeitadas. É esse, aliás, o grande erro dos antiteístas que usam a mencionada frase para extravasar sua intolerância contra religiões em geral – tratar divindades ou humanos míticos veneráveis, vistos como seres concretos, ainda que imateriais, pelos religiosos, como se fossem tão “ideias” ou abstrações quanto um dogma ou uma norma elencada no Velho Testamento cristão.

Os antiteístas que vivem publicando imagens de escárnio contra Jesus, Deus, Mohammed, Maria e outros personagens das narrativas religiosas, por se mostrarem antropologicamente ignorantes, não compreendem que os religiosos os tratam e os estimam como tão reais, concretos e íntimos quanto as pessoas de sua família. Ao se falar impropérios nada racionais sobre Deus, desenhar charges ofensivas de Mohammed e satirizar maliciosamente Jesus, é como se estivessem ofendendo a mãe, o irmão, o cônjuge ou os filhos da pessoa religiosa. É, em outras palavras, desrespeitar e ofender os religiosos, tal como alguém se sente ofendido ao ser chamado de “filho da p…”.

E até para o próprio ponto de vista dos ateus humanistas, fazer imagens estabelecendo uma divisão maniqueísta maliciosa dos seres humanos entre “religiosos maus, fanáticos e irracionais” e “ateus bons, lúcidos e racionais”, dizer que religiões são algo “99% maligno”, generalizar a todas as religiões e subdivisões religiosas existentes as insanidades típicas do fundamentalismo religioso, chamar a religião em geral de “a raiz de todo o mal” e colocar o ateísmo e a irreligião como a salvação da humanidade passam muito longe de serem críticas honestas, racionais e éticas às religiões. E também são um claro desrespeito não só às ideias trazidas pelas religiões, mas também aos próprios religiosos.

Os neoateus e antiteístas precisam deixar claro qual é a concepção de “respeito” que usam quando afirmam que “pessoas merecem respeito, ideias não”. Sem essa clareza, as portas do inferno da intolerância religiosa mútua permanecerão escancaradamente abertas, os ateus continuarão perdendo sua credibilidade de defender o fim do preconceito contra eles e a cultura de respeito às diferenças será cada vez mais apenas uma utopia distante.

Mas deve-se deixar claro que alguns grupos de neoateus antiteístas, como o que fez a imagem acima, já decidiu qual o sentido da frase em questão: o ato de “não respeitar” ideias como as religiões implicaria zombar das religiões, literalmente tratá-las como lixo e assim desrespeitar frontalmente a fé das pessoas, injetando a frase com uma grave contradição, uma vez que, ao mesmo tempo que se prega o respeito às pessoas, promove-se o desrespeito à fé delas – e isso implica, queiram os antiteístas ou não, desrespeito às próprias pessoas.

Com isso, fica a necessidade de que os bons neoateus (os que não promovem violência contra símbolos religiosos e apenas criticam racionalmente as religiões naquilo que é passível de ser criticado) e os ateus humanistas se posicionem contra aqueles que, sob o pretexto de que “ideias não merecem respeito”, promovem blasfêmias nada racionais e inteligentes magoando adjacentemente as pessoas que são aderentes das “ideias” chamadas religiões. Deve-se evitar que o “desrespeito de ideias” continue saindo do campo filosófico e humanístico e desaguando nas desnecessárias baixarias que vemos em imagens compartilhadas por certas páginas do Facebook.

Autor: Robson Fernando de Souza
Fonte: Consciencia.blog.br

Robson Fernando de Souza
  • Adroaldo

    Parece fácil simplesmente tolerar uma pessoa desonesta que está deliberadamente mentindo para conseguir controle e dinheiro. Até ver seus amigos e família acreditando na mentira e dando seus bens ao bandido. Não são as mentiras que causam mal. As vezes nem pessoas merecem respeito.

  • Maiko

    Pelo o que eu entendo de liberdade de expressão eu posso falar o que bem entender sobre o ser mitológico que eu quiser.

    Se a pessoa se ofende o suficiente para tentar matar um cartunista por ver um profeta maomé em uma satíra, o problema é dela, eu não devo ser tolerante com pessoas intolerantes e me calar.

    Ideias não valem nada, e se vale pra você que você fique quieto você não tem o direito de ser mimado o suficiente pra nunca ser debochado.

    Tirando a religião do argumento, pelo seu texto eu não posso esboçar meu desprezo por um time de futebol rival porque meu colega de trabalho considera o estadío do time dele sua segunda casa ?

    Concordo apenas com a parte que o deboche não é a estratégia mais inteligente de se usar para evitar preconceitos. Mas quem sou eu pra falar pra alguém o que ele deve fazer, eu nem sei se ao menos ele se importa com alguma causa especifica (preconceito contra ateus).

  • AntonioOrlando

    Estava eu a ler o livro do Dawkins, para evolucionistas e ateus, o clássico “O gene egoista”, quando para minha surpresa, lá pela página 57, Dawkins diz: “A descrição da origem da vida que apresentarei é necessariamente ESPECULATIVA: por definição não havia ninguém lá para observar o que aconteceu.”. Nesse sentido, o texto abaixo:

    …..Está em seu direito quem critica religiões como o cristianismo e o islamismo, apontando-lhes contradições internas, incompatibilidades com a realidade, inverossimilhanças de suas narrativas mitológicas, ditames morais hoje imorais que constem nos livros sagrados ou na tradição, crenças específicas que inspirem credocentrismo (centralização de toda a verdade do universo na religião que a pessoa segue e invalidação de tudo o que outras crenças religiosas pregam), a prática de sacrifícios contra seres sencientes, o respeito incondicional a quem não professa da mesma fé etc……

    Poderia ser modificado para: Está em seu direito quem critica o neoateísmo, apontando-lhes contradições internas, incompatibilidades com a realidade, inverosimilhança de suas narrativas “mitológicas” (o gene egoista, por exemplo), moral programada pela evolução que constam nos livros “sagrados” de caras como Harris, Pinker, Dawkins etc., ou “credocentrismo (centralização de toda a verdade do universo na teoria dawiniana da evolução) e, em função disso a invalidação de toda a filosofia, história ou qualquer coisa que se choque como o credo neodarwinista e afins.

    Acho que a arrogância neoateia , e seu consequente desrespeito ao que não lhe é espelho, não raro, é fruto da ignorância a respeito daquilo que criticam. Li Sam Harris, Pinker, Dawkins e agora estou lendo Daniel Dennett. Harris, Pinker e Dawkisn foram uma decepção: falta de embasemnto das criticas, ignorância do objeto da critica e, aqui e ali, diluido em subtextos, racismo e misoginia. Esperava mais do Dennett, no entanto, quando um filósofo, é assim que ele se chama, coloca toda a base, e origem, do conhecimento humano na teoria da evolução ele perde toda a crediblidade. Como você pode embasar a origem da civilização humana a partir de ESPECULAÇÕES, posto que: ….” por definição não havia ninguém lá para observar o que aconteceu.”?

    • Maiko

      Meu filho toda a ciência é baseada em especulaçoes, se não me engano passamos 1 centena de anos sem conseguir ver um elétron (ainda nem sei se é possível) só especulando.

      A gravidade então é PURA especulação você só não sai voando da terra porque deus não quer porque não temos nada diferente de especulações para explica-la.

      Toda e qualquer área do conhecimento humano é baseado em ESPECULAÇÂO, o que determina a validade da especulação é a quantidade de evidências que tal ESPECULAÇÂO apresenta.

      A prova da especulação (sabe-se deus o que você entende por prova, testemunhar ocularmente um fato é apenas mais uma evidência, uma das fortes mas beeem longe de infalivel) é a soma das evidências, ponto.

      Cara, o que não falta pra Evolução são evidências da até um ruim ter que ficar explicando sempre as mesmas coisas de novo e de novo..

      • AntonioOrlando

        Maiko

        “Toda e qualquer área do conhecimento humano é baseado em ESPECULAÇÂO…”, logo, você vai fazer uma operação no joelho na presunção de que as teorias especulativas de seu médico estão corretas. Ou, a indústria farmaceutica, sem testar antes em cobaias, libera um remédio, baseado na idéia especulativa de que TODAS AS EVIDÊNCIAS, levam a crer que surtirá o efeito especulado/esperado. Um dos preceitos da ciência é o empirismo e e experimento, no caso em questão, o livro “O gene egoista” do Dawkins ele, Dawkins, apenas especula, posto que a possiblidade empirica e experimental não existe mais.

        Em seu livro “Evolução em quatro dimensões” Eva jablonka e Marion J. Lamb, duas biólogas evolucionistas e ateias, implodem o conceito de “meme” do Dawkins assim como boa parte das bases do neodarwinismo. Alister MCgrath já havia, antes, criticado o conceito de “meme”. Embora teólogo, MCgrath, tem doutorado em micro biologia.

        Especulações à parte, Dawkins, é um ótimo ficicionista. Prezado, o neoateísmo vive pela fé – de que um dia as especulações cientificas se tornem realidade.

        Algumas especulações que não vingaram: Eugenia e a teoria/especulação do criminoso nato do Lombroso. Dentre muitas. Coincidentemente, os dois, estavam ligados ao Darwin – um era sobrinho e o outro admirador.

        Abs.

        • Gabriel Rodrigues

          Na verdade o Dawkins cita diversos experimentos que ele mesmo realizou em seu livro “O Gene Egoísta”. Ele também cita diversos estudos de outras pessoas. Depois ele cita alguns trabalhos científicos de colegas dele relacionados ao seu livro. Depois ele publicou outro livro “The Extended Phenotype” onde ele aborda as críticas ao seu “O Gene Egoísta”, além de expandir alguns aspectos de sua teoria e corrigir outros.

          Quanto ao conceito de criticar a teoria dos “memes”, o que diabos existe que pode ser criticado? É praticamente fato. Leia de novo, você não entendeu.

          Na verdade, dados seus comentários, vou simplesmente te acusar de mentiroso: você não leu nenhum livro de Dawkins e se limita a vomitar especulações sem base de sites criacionistas. Prove que você leu o livro e a discussão pode continuar, porquê tudo que você falou até agora o próprio Dawkins aborda em seus livros.

          • AntonioOrlando

            Gabriel

            Dawkins escreveu “The Extended Phenotype” .em 1982. O livro das biólogas que citei “Evolução em quatro dimensões”, de Eva jablonka e Marion J. Lamb, é de 2005. Ademais, dentre do universo evolucionista, hoje em dia, elas não são as únicas a criticarem o conceito de “meme”. Não diria o que existe para ser criticado na especulação dos “meme”, ao contrário, eu perguntaria como um conceito tão frouxo se sustenta?

            Não entro em sites religiosos. Leio livros “cientificos” de figuras como Pinker, Sam Harris, Daniel Dennett, Dawkins, e outros, bem como outros teóricos da ciência com especulações diversas dos Pinker, Harris, Dennett e Dawkins da vida.
            A ideia é fuçar e descobrir ideias contrantes dentro do universo evolucionista. Por exemplo, Dennett discorda dos neurocientistas em relação ao livre arbítrio.

            Enfim, o neodarwinismo, em sua criatividade especulativa, daria inveja nos maiores escritores ficcionistas da história.

            Abs.

        • Maiko

          Acho que estudar um pouco sobre epstemologia do conhecimento ajudaria. Não existe algo como prova, apenas na matemática, o que existem são evidências.

          Sim toda a medicina é baseada em especulações. Forte e sustentadas especulações.

          Você está argumentando contra algo que se provasse falho tudo o que conhecemos de biologia não faria sentido. E você achando que evolução é coisa de neo-ateus.

          Segundo eu nunca li um livro do Dawkins eu só estou defendendo que na ciência as coisas são especulativas por definição. Não existe nenhuma prova de que o sol vai aparecer no leste amanhã de manhã, só a mais forte das convicções, porque todo os dias contados até agora foi lá que ele apareceu.

          obs: discuta o conteúdo do post aqui não é casa da mãe joana.

          • AntonioOrlando

            Maiko
            Uma Lei é, groso modo, a generalização de um conjunto de
            observações, não tendo sido encontrada nenhuma exceção a tais observações, por exemplo, a lei de Newton: Ação e reação. As hipóteses são presunções,
            especulações, previsões sobre determinado tema, ou muitos chutes sobre um
            fenômeno da natureza, ou não, e como ele se comporta. Hipóteses ou especulações DEVEM SER TESTADAS POR MEIO DE EXPERIÊNCIAS. Dawkins quase nunca faz isso com suas especulações. No dicionário de português um dos sinônimos para especulação é fofoca, elucubração e agiotagem.

            Quanto ao “meme”, a partir do momento, que é impossível ser testada
            por meio de experiências essa agiotagem “cientifica” do Dawkins é mais um chute
            especulativo do nobre ficcionista inglês.

            Quanto ao tema do post, se você não notou, eu já respondi:
            respeito mutuo.

            Abs.
            Fonte: Blog da Ciência

    • Eneraldo Carneiro

      O Antonio Orlando realmente parece ter alguma dificuldade com a ideia de que comentários a um poste devem se referir ao assunto do post, dialogar com ele (o texto do post). ‘On topic’ é um conceito francamente lhe escapa.
      Além disso, o que dizer de alguém confundindo, provavelmente pela 597634ª vez, Evolução e Origem da Vida? Algo que já deve ter sido explicado a ele umas 597633 vezes antes? Ou o cara é burro feito uma porta, coitado, ou é apenas mais um troll fazendo o que os trolls fazem.

      • AntonioOrlando

        Eneraldo

        Acho que os articulistas/editorialistas do Bule estão em crise de criatividade. Esse tema do (des)respeito entre religiosos e neoateus é recorrente no site de vocês, em função disso, para um assunto requentado pouco há o que se dizer. No entanto, posso falar por mim, minha mulher é ateia e nunca houve zombaria de parte minha ou dela. Há respeito. Além disso, como já disse, grande parte dos meus amigos são ateus, e nos damos muito bem.

        Enfim, folgo em saber que a cIência é tão “especulativa” quanto a religião – que o diga o Dawkins que na frase: “….POR DEFINIÇÃO NÃO HAVIA NINGUÉM LÁ PARA OBSERVAR O QUE ACONTECEU” -, resume toda a robustez de suas especulações neodarwinistas.

        Abs.

        • Eneraldo Carneiro

          AntonioOrlando

          Se você acha que os articulistas do Bule são repetitivos, e desinteressantes, você pode bem ir catar coquinho em alguma outra freguesia, amiguinho. A Internet é vasta, e você não é obrigado nem a ler, nem a comentar nada do que é posto aqui.
          Se contudo, você se dispõe não apenas a ler, mas a escrever longos comentários, é de bom tom que eles se refiram ao texto em questão. Do contrário, o que você está fazendo é algo desrespeitoso, com o articulista e com os demais leitores. É uma atitude de troll, repito.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            As a matter of fact, I think you didn’t get me. Anyway, portuguese will do. Or anything goes.

            Prezado, seu site, o Bule, tem o péssimo hábito, talvez falta de assunto, de falar “coquinhos” de religiosos. Por conta disso sinto-me obrigado a participar de tão douto espaço. Se o tema fosse culinária eu não estaria aqui.

            Acho que seu costume de pensar de forma reducionista e determinsita, influência de Dawkins e amigos, talves o tenha feito perder o hábito de lidar com opostos. E, afinal, parafraseando vocês eu digo:

            …..Está em seu direito quem critica o neoateísmo, apontando-lhes contradições internas, incompatibilidades com a realidade, inverosimilhança de suas narrativas “mitológicas” (o gene egoista, por exemplo), moral programada pela evolução que constam nos livros “sagrados” de caras como Harris, Pinker, Dawkins etc., ou “credocentrismo (centralização de toda a verdade do universo na teoria dawiniana da evolução) e, em função disso a invalidação de toda a filosofia, história ou qualquer coisa que se choque como o credo neodarwinista e afins….. Coisa, que, eu, no Bule, tenho feito até de forma respeitosa.

            Abs.

  • Rodrigo César Dias

    Fazia um mês que eu não frequentava essa página. Agora, ao retornar, lembrei por quê… A covardia moral do Bule é deprimente.

    O Robson acha que podemos criticar a religião, mas não zombar dela, porque isso ofende os religiosos. Eis o resumo do seu pensamento.

    A questão é a seguinte: quem, nesse mundo, tem imunidade contra zombarias? Quem tem o direito de não se sentir ofendido? Ninguém. Até outro dia George W. Bush era o homem mais poderoso do mundo e era ridicularizado o tempo inteiro. O ex-presidente Lula era satirizado toda terça pela turma do Casseta e Planeta. Outro dia, quando o São Paulo ainda corria risco de ser rebaixado para a segunda divisão, vi um meme na internet em que o goleiro Rogério Ceni aparecia trajando um vestido, e ao lado da imagem havia a seguinte frase: “tomara que caia”. E o que falar de Rubens Barrichello? Alguém conhece um ser humano que foi mais vítima de troças quanto ele?

    É curioso como nós usamos um duplo padrão para tratar a zombaria. Se o alvo da facécia é um jogador de futebol, um presidente da república, um cientista famoso ou uma celebridade midiática, isso é considerado como algo inofensivo, como uma manifestação legítima da liberdade de expressão. Quando, entretanto, o alvo do chiste é a religião, ou um personagem religioso, aí dizem que é intolerância, preconceito, perseguição etc.

    Esse texto abjeto e pusilânime do Robson poderia ter sido assinado por qualquer religioso, porque ele reflete muito bem aquela hipersensibilidade doentia que é a marca registrada de quem crê em Deus. Os religiosos podem ser definidos como os “homens de porcelana”, ou “o povo do dodói”. Você não pode encostar o dedo neles que eles começam a gritar.

    Não devemos nos esquecer ainda que os próprios religiosos jamais – REPITO, JAMAIS – deixaram de utilizar a zombaria para atacar seus adversários ideológicos. Pensem, por exemplo, naquele pastor da Universal chutando uma santa no feriado de Nossa Senhora, ou na vandalização dos templos católicos e na destruição de ícones sagrados promovidas pelos huguenotes na França logo após a Reforma. Ou então naquelas caricaturas grotescas, publicadas nos jornais ingleses após o lançamento de A Origem das Espécies, em que o Darwin aparecia como um híbrido de homem e de macaco. Pensem, se quiserem, no modo como os pastores evangélicos se referem, em seus cultos inflamados, aos deuses das religiões de matriz africana. Todos eles são descritos como demônios. Na Cidade de Deus, Santo Agostinho não vê o menor problema em chamar Júpiter de estuprador. Se você não percebe o nível de agressividade disso, imagine se eu dissesse que o Deus cristão é um assassino.

    Os religiosos jamais abominaram a blasfêmia. O que eles não toleram é que a blasfêmia seja utilizada contra o seu Deus. É por isso que, se aquele arremedo de lei da blasfêmia que existe aqui no Brasil fosse rigorosamente aplicado, não ficaria ninguém fora da cadeia, nem ateus e muito religiosos.

    • Gabriel Rodrigues

      Rodrigo, e por um acaso você achou outro site pra substituir o Bule? Eu concordo que o mimimi está atingindo níveis épicos ultimamente. Os únicos textos que prestam são de leitores ou traduções.

      Por sinal, idéias não merecem respeito mesmo. Assim como pessoas, elas conquistam respeito baseadas em seus méritos. Pessoas tem um nível mínimo de respeito devido aos direitos humanos e ao senso de sociedade, idéias não tem esse privilégio.

      Ultimamente o bule tem publicado textos que são obviamente contra a liberdade de expressão, procurando inventar um “direito a não se sentir ofendido” para qualquer grupo com o mínimo de coesão (e nem importa se são minorias ou maiorias).

      • Rodrigo César Dias

        Gabriel, infelizmente eu não conheço outro site para substituir o Bule. Existe o blogue do Paulo Lopes, que é o mais perto do que chegamos de um site ateu. Mas o blogue do Paulo Lopes é mais jornalístico do que opinativo. Ele faz um apanhado de notícias sobre religião e depois publica. Há também o Diário de uns ateus, que é um site português. O problema deste site é que ele, embora ataque a religião como um todo, não tem tanto a ver assim com a nossa realidade.

        O que me irritou enormemente no texto do Robson, além de tudo o que eu já expus, é o seguinte: ao contrário do Dawkins, eu não acho que nós devemos combater a religião, tentando varrê-la da terra. A nossa luta é contra os privilégios da religião, não contra a existência dela. E os privilégios da religião são, na ordem: 1º) privilégios intelectuais (ela não pode ser zombada, ao contrário de tudo o mais), 2º) privilégios fiscais (igrejas não pagam impostos, apesar de arrecadar uma fortuna) e 3º) privilégios jurídicos (os religiosos raramente vão para a cadeia pelos crimes que cometem). Os últimos dois privilégios só existem por causa do primeiro. As consequências disso são terríveis. Um exemplo: quem denuncia padres estupradores corre o risco de ser perseguido, enquanto padres estupradores são defendidos com unhas e dentes por paroquianos. Eu já vi alguns casos desses. O Robson não percebe como o privilégio intelectual da religião resulta no privilégio jurídico. A melhor coisa que eu posso fazer é sugerir a ele a leitura do Mencken.

        Nós precisamos de ateus que, em vez de lutar para santificar os privilégios da religião, tenham a coragem de combatê-los. Ateus que, em vez de exigir que outros ateus parem de zombar da religião, comecem a exigir que os religiosos parem de agir como loucos furiosos cada vez que se sentem ofendidos.

    • Eneraldo Carneiro

      Rodrigo

      Segundo a Linha Editorial do Bule Voador:

      A opinião individual de um editor NÃO é a opinião de todos os editores, tampouco da LiHS, a não ser quando for expressamente definida como tal. Há uma pluralidade de personalidades, ideologias e posicionamentos dentro do Conselho de Mídia e é este conjunto que chamamos de Bule Voador.

      Portanto falar em

      covardia moral do Bule

      Não é correto. A opinião expressa no artigo é do Robson, e eu discordo dela inclusive.
      Amanhã explico porquê.
      []’s

      • Rodrigo César Dias

        Ao Bule, minhas sinceras desculpas pela generalização. É que eu vejo tantos textos desse tipo aqui que julguei ser uma opinião de todos.

  • Paulo Costa

    Basta trocar o termo “respeito” por “reverência”.
    Brincadeiras que tenham o contexto religioso não devem ser motivos de censura (vide a polêmica Porta dos Fundos, interpretada de forma errônea pelos críticos), evocando o velho “com Deus não se brinca”. Por outro lado, a abordagem com o intuito de fazer chacota com a fé alheia, pura e simplesmente é abominável.
    Bom senso deve prevalecer em uma democracia.

  • Eneraldo Carneiro

    Caro Robson

    Tenho varias discordâncias com seu texto.

    Não é coerente dizer que critica racional, filosófica, tudo
    bem, desde que se tenha respeito pelas “divindades” quando é o próprio conceito
    de divindade, de sagrado, que está em questão. Dizer que Deus não existe é
    desrespeitoso por definição. Dizer que não aceito Jesus como meu Salvador é
    blasfêmia, o que é tudo, menos uma demonstração de respeito. O único jeito de
    ser um ateu respeitoso das divindades é ser um ateu calado, que se abstém
    totalmente de criticar a religião da forma que seja. Acho que você confunde ser
    respeitoso com não ser agressivo na retórica, seria um problema de tom,
    portanto. O que é um equívoco. É perfeitamente possível ser extremamente
    desrespeitoso sem elevar o tom.

    Você acusa os “neoateus” de tomarem os religiosos
    fundamentalistas como os legítimos representantes da Religião. Pode ate ser,
    embora você não forneça nenhuma evidencia disto, contudo o que me parece, é que
    você cai no extremo oposto, que é negar qualquer legitimidade, em absoluto, aos
    fundamentalistas. Eu não sei quanto a você, mas eu não estou em posição de ser
    juiz em campeonato de cristianismo. Logo, embora eu reconheça que sim, há
    religiosos e religiosos, minhas razões para fazer tal diferenciação, são
    estritamente politicas e seculares. Do ponto de vista, vá lá, teológico, não
    tenho qualquer razão para preferir A ou B, não tenho nenhum motivo, de novo,
    religiosamente falando, para preferir Católicos a Adventistas, ou Sunitas a
    Xiitas. Não tenho qualquer razão para achar que as convicções religiosas de um
    Leonardo Boff sejam menos “insanas“ (para pegar um termo que você utilizou
    contra os fundamentalistas e que é nada respeitoso) do que as de um Marco
    Feliciano. Por mais que eu seja simpático ao primeiro, e não ao último.

    Também acho problemática a ideia que parece estar subjacente ao
    seu texto, de que o escracho, a zombaria, o escarnio, a galhofa, não seriam um
    recurso legitimo do discurso, da critica. Primeiro porque isso não é verdade
    historicamente falando. Segundo porque diferentes pessoas em diferentes momentos
    respondem a diferentes estímulos, racionais, e emocionais. Luke Muelhauser,
    conhecido pelo blogue Common Sense
    Atheism, por exemplo, conta que no seu doloroso
    processo de desconversão (filho de um pastor, vindo de uma formação cristã
    evangélica), teve papel fundamental não só a desconstrução racional da religião
    feita pelo programa The Atheist
    Experience, mas também a gozação que um dos apresentadores, Matt Dillahunty
    (outro ex-evangélico), fazia frequentemente com as crenças de religiosos que
    ligavam para o programa:

    …And that was what really got through me…”Holly shit. I
    actually have an invisible friend who grants me wishes. I actually believe in
    magic and the power of magical incantations and magical substances. Maybe those
    things are real but WOAH I’d better look into this.”…

    [E isto foi o que realmente conseguiu me atingir (…)
    ”Caralho. Eu efetivamente tenho um amigo invisível que realiza meus desejos. Eu
    acredito realmente em mágica e no poder de encantamentos e substâncias mágicas.
    Talvez essas coisas sejam reais, mas, UAU melhor ver isso
    direito”….]

    Como disse Jefferson:

    Ridicule is the only weapon which can be used against
    unintelligible propositions

    Também acho um tremendo equívoco igualar o uso, evidentemente
    metafórico, da lata de lixo na imagem, com o ato real, literal de promover
    “violência contra símbolos religiosos”, ainda mais quando não há, até onde eu
    sei, registro de violência (real, física) antirreligiosa sistemática perpetrada
    por grupos ateus. Não se sabe de ateus invadindo e depredando templos,
    terreiros, nem chutando santas. Mas há registro de muçulmanos destruindo
    estátuas de Buda, e cristãos queimando o Corão, e depredando terreiros de
    Candomblé. E há registro de escritores, como Salman Rushdie, ameaçados de morte,
    e de cartunistas assassinados por desenharem Maomé. Infelizmente quando você faz
    essa equivalência, o que você está dizendo é que o ato de desenhar Maomé (o
    problema dos islamitas não é com desenhos “ofensivos”, mas com qualquer desenho)
    é um ato de violência equivalente ao ato de assassinar um cartunista. E isso é
    inadmissível.

    Por fim é particularmente falacioso o argumento (se e que
    merece ser chamado assim) de que temos que compreender ‘antropologicamente’ que
    os religiosos tratam e estimam [suas divindades] “como tão reais, concretos e
    íntimos quanto às pessoas de sua família”, e que, portanto ofender suas
    divindades e como ofender “a mãe, irmão, o cônjuge ou os filhos da pessoa
    religiosa”… Bem, torcedores do Flamengo (ou Corinthians, Grêmio, etc.), por
    exemplo, tem uma relação “tão real, concreta e íntima” com seu Clube do coração
    (alguns até mais) quanto com membros das suas famílias. Eles chegam a se referir
    a camisa do time como “Manto Sagrado”. Muitas pessoas levam futebol muito a
    sério, no entanto, acho duvidoso que você tenha qualquer objeção à zombaria que
    torcedores dedicam aos dos outros clubes. Porque uns são merecedores de respeito
    (no sentido em que você usa o termo), e os outros não?

    • AntonioOrlando

      Eneraldo

      Entrei no site do Luke Muelhauser e vi suas razões para deixar de ser cristão, e pelo que ele diz, acho que ele terá dificuldade para acreditar na existência de Sócrates, Confúcio, Homero, Platão. Ou qualquer coisa que tenha ocorrido há mais de 2000 anos. Não raro, a história como a conhecemos, grosso modo, é uma idealização contada a partir do ponto de vista de vencedores. Não dá para voltar no tempo. Sobretudo, em virtude da escassez de documentação/registros ou, mais comum, a inexistência de contraditórios, quase sempre, a leitura de um período histórico é a opinião de uma comunidade politico, econômica e ideologicamente hegemônica. Quem matou Getúlio? Ele se suicidou? Quem matou Martin Luther King? Ou Kennedy? Foi um complô? Nunca saberemos. Padre Cicero foi um “santo” ou um latifuniário que comia menininhas? O embasamento critico do sr Muelhauser é tão sólido que seu último post é de 2012 – com zero de participação. O cristão vive pela fé. E o ateu também….

      Antes da década de 1970, via de regra, não havia animosidade entre cristãos, religiosos em geral, e ateus. Sintomaticamente, em O Gene egoista, primeiro livro do ficcionista Dawkins, já há provocações a religiosos. Hoje em dia, em qualquer livro do Dawkins, Hitchens, Sam Harris, Pinker, Dennett, e outros, de forma arrogante e presunçosa, há ofensas e escárnio a religiosos. Gratuitamente.

      Essas agressões neo ateias, dentre muitos outros motivos, só reafirmam que não há superioridade moral ou ética na ateoligia.

      Woody Allen, um dos meu diretores preferidos, é ateu, no entanto, não usa seus filmes para veículo de escárnio contra religiosos. Se Allen fizesse isso, sua arte seria menor – do tamanho da sua ofensa. Essa incontinência ofensiva dos neoateus só configura, e evidência, uma certa imaturidade ou rebeldia juvenil, ou seja, spoiled brats pós moderrnos.

      Ateus não tem o direito de zombar de religiosos. Religiosos não tem o direito de zombar de neoateus. E só. Respeito mutuo.

      Abs.

      • Eneraldo Carneiro

        Antonio Orlando

        Não sei o que seu primeiro parágrafo tem a ver com alguma coisa do que eu disse. Talvez você deva tentar ser um pouquinho menos obtuso. O último post do Common Sense Atheism é de 2012 porque Luke parou de publicar lá. O blogue é mantido só como arquivo (cuja leitura recomendo enfaticamente aliás) o que ele explica lá, era só você ler. No mais se você tem questões acerca dos critérios dele, e da história de vida dele, sugiro que você escreva para ele, que me parece ser bem acessível. Sobre o ateu se basear na fé, tanto quanto o cristão, acho que você não se dá conta de que você está ampliando o conceito de fé a tal ponto que ele perde toda a utilidade. Pense nisso, mas antes dê uma lida na série ‘Porque o ateísmo é uma crença’, aqui mesmo no Bule, pode ajudar a clarear seus conceitos.
        Também me escapa o que é que Woody Allen tem a ver com alguma coisa aqui. Não está escrito em lugar algum, nem ninguém está argumentando nesse sentido, que alguém por ser ateu seja obrigado a (ou proibido de) falar do que quer que seja, de que maneira for. Você faz cada vez menos sentido, receio. Sem falar que Allen, que é judeu (“cultural” ou “étnico” como se diz), sempre fez piada com o judaísmo e religião em geral nos seus filmes, portanto nem aí você sabe do que está falando.
        Sobre a “incontinência difamatória dos neoateus” você terá que ser específico, se quiser que ter uma conversa produtiva.

        • AntonioOrlando

          Eneraldo

          Você vê o mundo com olhar empirista e reducionista. Com a “certeza”
          de que, virando a esquina, todas as respostas estarão disponíveis para o olhar “atento” do cientista. Ao contrário, cada novo avanço da ciência, nos coloca em face de mais dúvidas e perguntas para as quais não temos respostas. Marcelo Gleiser, o físico brasileiro, ateu ele mesmo, disse que sempre haverá mistérios insondáveis, ou melhor, que a certeza absoluta tem pouco lugar na ciência. Só
          podemos falar pelo aqui e agora. É o que faz, sabiamente, a biologia ao
          organizar e decodificar a vida das espécies vivas. Pois é só isso que lhe
          resta. Fora isso, origem da vida, ou abiogênese,, “genes egoístas”, “memes”
          e afins, a ciência entra no universo do buraco negro – muito se fala e pouco se
          sabe. E, em função disso, grosso modo, a ciência vira uma crença. Em filosofia,
          mais especificamente em epistemologia, crença é um estado mental que pode ser verdadeiro ou falso. Ela representa o elemento subjetivo do conhecimento.
          Platão, iniciador da tradição epistemológica, contrapôs a crença (ou opinião –
          “doxa”, em grego) ao conceito de conhecimento. O Blog do Luke
          Muelhauser, na verdade, é um blog de crença na ciência, assim como a maioria
          dos sites neoateus. E nesse sentido, não é muito diferente de um site religioso.
          Em comum, nos dois, temos crentes.

          O lamentável é que por conta de crenças, cientificas e religiosas,
          alguém possa achar que a ofensa gratuita é o melhor argumento num debate. Religioso ou neoateu. Infelizmente, ofensas descabidas contra religiosos são a regra nos sites neoateus e, sobretudo, nos livros de crença e ideologia cientifica (ficção cientifica seria mais preciso) de Dawkins e amigos.

          Prezado, nenhuma ciência é isenta de ideologia e a religião,
          ela mesma é uma ideologia. Ideologia é conjunto
          de ideias, crenças e doutrinas, próprias de uma sociedade, de uma época ou de
          uma classe, e que são produto de uma situação histórica e das aspirações dos
          grupos que as apresentam como imperativos da razão. Essa definição de ideologia é a tradução fiel da “ciência”, mais preciso seria dizer crença, neodarwinista e neoateia.

          Abs.

          Fonte; Diconário Informal

          • Eneraldo Carneiro

            Ah é é? Então tá.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            Ainda citando Marcelo Gleiser; entendemos o mundo, ou filtramos nosso entendimento do mundo com os meios cientificos que temos agora, que de certo modo nos parecem absolutos. Não são. Os verdadeiros cientistas sabem disso e são humildes, e sábios, em não jogar todas as suas cartas em teorias ou especulações.

            Abs.

          • Eneraldo Carneiro

            Zzzzzzz

      • Alexandre Medeiros

        Religiosos tem o direito de zombar da minha descrença, a diferença é que eu não dou a mínima.

    • Robson Fernando de Souza

      Obrigado pela argumentação, Eneraldo. Isso dá uma luz à discussão, e compreendo sim a maior parte de suas colocações.

      Só acho que não ajuda em nada fazer o tipo de zombaria religiosa que a ATEA faz (não em todas as suas imagens que associam símbolos religiosos com humor ateu, mas aquelas de blasfêmia gratuita desnecessária pra própria militância neoateísta) e colocar ateus como “superiores” aos religiosos, tal como eu venho denunciando na série “Desmentindo imagens…”. É esse tipo de “desrespeito de ideias” que realmente desrespeita pessoas.

      • Eneraldo Carneiro

        Oi Robson
        Grato pela resposta.
        Como tudo, creio que há zombarias e zombarias. Uma coisa é criticar uma galhofa em particular, seja em texto ou em imagem. Outra coisa é dizer que gozação em si está fora dos limites. Disso eu discordo.

        Logo, não concordo com toda e qualquer zombaria anti-religiosa promovida pela ATEA ou por quem quer que seja, assim como não discordo de toda e qualquer zoação em princípio. Evidentemente ser ateu não dota ninguém de superpoderes racionais extraordinários, e ver as coisas dessa forma é um equívoco que deve ser denunciado. Contudo, acho importante ter clareza de que há sim uma crítica geral a ser feita à Religião em geral. Como o Rodrigo Cézar falou aí em cima, as religiões. O problema com a Religião (ou as Religiões) não se esgota no fundamentalismo, longe disso.

        Então é preciso ver caso a caso, e aí acho importante não esquecer que a ATEA e a LiHS tem missões distintas, que levam a adotar, no mínimo, diferentes ênfases (se a ATEA cumpre bem a missão dela, aí já é outra história). Então é importante, na minha opinião, ser muito pontual e preciso naquilo que se critica, e como você fez agora, dando nomes aos bois. Sem coisas como ‘uma certa página aê, etc. e tal…’
        Por fim, eu acho que se deve evitar um termo religioso tão carregado, e de definição tão ampla, como blasfêmia, pois de cara, cada religião comete blasfêmia em relação à todas as outras. Aliás, segundo os evangelhos, Jesus teria sido condenado pelas autoridades judaicas por blasfêmia, não é? Por isso acho que até os religiosos deveriam evitar esse termo, que dirá os ateus.

        • Alexandre Medeiros

          “não esquecer que a ATEA e a LiHS tem missões distintas”. Correto. Eu não convocaria a ATEA para uma missão diplomática; isso é mais a cara da LiHS. Por outro lado, a LiHS trata de alguns assuntos com luva de pelica em situações que às vezes é necessário engrossas e mostrar os dentes.

      • Alexandre Medeiros

        Mesmo concordando que vários posts sarcásticos e extremamente ofensivos (às ideias e não às pessoas) da ATEA sejam ruins (porque não são inteligentes ou porque são de mau gosto) eu defendo o direito deles de postá-los. Liberdade de expressão acima de tudo.

        • Robson Fernando de Souza

          Da mesma forma temos o direito de criticá-los e as pessoas têm o direito de desacreditar na ATEA por causa da porção idiota do conteúdo que ela compartilha.

    • Rosana Absalão

      Excelente observação. Parabéns!

    • Alexandre Medeiros

      Muito bom. O sarcasmo ou a ironia, o escracho, a zombaria servem também para expor o fanático ao ridículo. Não para convencê-lo, pois este não tem mais “cura”, mas para balançar quem está em cima do muro.

  • Alexandre Medeiros

    “Ao se falar impropérios nada racionais sobre Deus, desenhar charges ofensivas de Mohammed e satirizar maliciosamente Jesus, é como se estivessem ofendendo a mãe, o irmão, o cônjuge ou os filhos da pessoa religiosa”. Discordo. Se a pessoa se
    sente ofendida por isso, terá todo direito de ofender minhas crenças, descrenças, conceitos, convicções, enfim, todo o universo de minhas ideias está à disposição para massacres argumentativos ou ofensivos, mas JAMAIS meu caráter. Ademais, a recíproca não é verdadeira, pois o tempo todo os descrentes ou crentes de outras religiões são alvo de ofensas pessoais e morais.

  • C. Renato C.

    Interessante que os religiosos usam a mesma ideia, porém não conheço texto do bule criticando-os:

    http://2.bp.blogspot.com/-L7aWGGlU3eA/UIf3iD4raNI/AAAAAAAAB0I/dbvvKm1mi9s/s1600/uni.jpg

  • Carlos Costa Cox

    Robson, ao usar o termo “indiretamente” logo no início você já admite que todo o seu argumento é vazio e incoerente pois essa pequena distinção faz toda a diferença.