Bule Voador

Desmascarando a camarilha pseudo-científica

Enézio Eugêmio dirigindo insultos a cientistas
Leandro Tessler

Leandro Tessler

Rubens Pazza (foto © 2012 Eneraldo Carneiro)
Rubens Pazza

Provavelmente devido à frustração, pelo cancelamento do Convescote Criacionista na UNICAMP mês passado, o notório criacionista militante Enézio Eugênio de A. Fº decidiu baixar o nível de vez. Conhecido pelo histrionismo e o uso de expressões idiossincráticas, como: “contexto de justificação teórica”, “insuficiência epistêmica”, “status heurístico”, e outras igualmente criativas, mas que não querem dizer coisa alguma, Enézio Eugênio se pôs a atacar pessoalmente o Prof. Tessler da UNICAMP, e agora também o biólogo Rubens Pazza, Prof. da UFV, campus de Rio Paranaíba (MG), e responsável por várias iniciativas de divulgação científica, como o podcast Rock com Ciência, e o Biologia na Web.

Já sabemos que o ódio ao Prof. Tessler decorre da denúncia feita por ele contra o cancelado convescote Criacionista. Quanto ao Prof. Pazza, o que provavelmente (tipicamente Enézio Eugênio nunca fornece os links de quem critica, ou do que ele está criticando) motivou a santa ira de Enézio foi o post: Criacionistas e o método do papagaio. Nele, o Prof. Pazza desmonta uma das típicas distorções de Enézio no post contra Tessler. Enézio, como de hábito, retira citações de cientistas do seu contexto (o conhecido quote minning), para dar a impressão de que a Teoria da Evolução “está em crise”, ou que há cientistas sérios que duvidariam do Fato da Evolução.

Enézio Eugênio é um um militante de longa data do Criacionismo. Seu discurso repetitivo, suas táticas e maneirismos já são bem conhecidos. De fato, creio ser ilustrativo revisitar o que escrevi sobre o vetusto cidadão há exatos 4 anos.

Conspiracionismo indigente, ou desmascarando a camarílha pseudo-científica

Como já vimos, criacionistas em geral, e os partidários do chamado “design inteligente” em particular, tem a tendência de advogar uma espécie de Conspiracionismo para justificar a ausência de apoio para suas teses no seio da comunidade científica. Isto é, haveria uma especie de Grande Conspiração Global, envolvendo todos os cientistas, de todo o Mundo, independente de instituição, país, regime político, religião, ou ideologia.
Paradigmático desse delírio conspiracionista é o blog “Desafiando a Nomenklatura Científica”, que no próprio nome já diz ao que vem:

“Nomenklatura é um termo emprestado de Milovan Djilas (1911-1995), líder comunista dissidente e escritor, nascido em Polja, Montenegro. Suas críticas ao Partido Comunista, em 1954, levaram à sua expulsão e prisão entre 1956 e 1966. O que Djilas contestou foram dogmas ideológicos de uma classe dominante. É nesse sentido que empregamos o termo”.

Aqui, o autor do blog, Enézio Eugênio de A. Fº, no seu primeiro post, de Janeiro de 2006, cita a si próprio em carta ao Observatório da Imprensa[1]. A carta é de 1999, e Enézio Eugênio se apresentava então como “Bacharel em Letras, mestre em Artes (como Darwin…) e Estudos Bíblicos [grifo meu], pesquisador em Educação em Ciências”. Já em outro texto, anterior àquele (1998), no mesmo Observatório da Imprensa, Enézio Eugênio revela que

…Há mais de 10 anos (isso mesmo – há mais de 10 anos) venho salientando isso[*] a diretores de redação/editores de Ciência dos maiores veículos de comunicação do Brasil..

[*questionando a validade científica do “paradigma neodarwinista”]

Hoje, Enézio Eugênio é Mestre em História da Ciência (doutorando [desde 2009] na mesma área), e tão convicto como há já mais de 20 anos, das “insuficiências epistêmicas”(sic) da Teoria da Evolução (ou Darwinismo/Evolucionismo, termos que gosta de usar como se designassem uma ideologia política) em um “contexto de justificação teórica”(sic).
E também das ‘maquinações’ da “Nomenklatura Científica”(sic), a qual, segundo ele, continua aprontando:

Uma triste nota para a ciência: por detrás dos bastidores, a Nomenklatura científica já impediu a publicação do documento com as conclusões que chegou o grupo que ficou conhecido como “Os 16 de Altenberg” sobre a necessidade de uma nova teoria da evolução – a Síntese Evolutiva Ampliada, que não seria selecionista.

Uau! Soa grave não é? Mas do que se trata afinal? Quem e o que são esses “16 de Altenberg”? Uma espécie de sociedade secreta?
Para entender é preciso recuar há Março de 2008, quando a jornalista Suzan Mazur deu publicidade a um encontro de cientistas e filósofos realizado em Altenberg, Áustria, em Julho do mesmo ano. A jornalista descreveu o encontro como um “Woodstock da evolução”, composto por verdadeiras “estrelas do rock” da ciência, a quem ela chamou de os “16 de Altenberg”. A partir do artigo inicial outros se seguiram formando uma série no sítio neozelandes Scoop, sendo compilados depois em livro:
The Altenberg 16: An Exposé Of The Evolution Industry. O livro é vendido, mas alguns capítulos ainda podem ser lidos online.
O título já diz bastante. Existiria um “Negócio da Evolução” que precisa ser exposto, desmascarado. E os “16 de Altenberg” estariam justamente promovendo esse desmascaramento. Segundo a escritora é necessário

….nos livrar da mentalidade de “sobrevivência do mais apto”
da seleção natural que tem empesteado a civilização por um século e meio…

Na esperança de que essa

…ideologia possa ser substituida por uma explicação mais humana para a nossa existência e previna próximas guerras, crises econômicas e a destruição da Terra…

O que fica claro é que a moça tem uma objeção “ideológica” à Teoria da Evolução (TdE) por seleção natural. Provavelmente por que ela não entende realmente do que se trata, a julgar pelo uso que ela faz do batidíssimo chavão “sobrevivência do mais apto”, que não é sequer da autoria de Darwin. Mas mesmo que o fosse é gritantemente óbvio que isso não explica os séculos e séculos de guerras contínuas, e crises econômicas (que não eram chamadas assim óbviamente), que aconteceram muito, mas muito antes de Darwin entrar em cena. Então, além de não entender de fato o que é a TdE, Suzan Mazur não tem qualquer senso de proporção .
A espalhafatosa caracterização da reunião de Altenberg, vendida como uma espécie de encontro quase-secreto de conspiradores dissidentes do “darwinismo” (termo usado pela jornalista como se se tratasse de uma ideologia política, no que ela parece acreditar), contrasta fortemente com a sóbria descrição dos fatos feita pelo co-organizador do encontro, o filósofo Massimo Pigliucci: uma reunião de trabalho, um workshop (parte de uma série regular promovida pelo Konrad Lorenz Institute), com reduzido número de participantes para facilitar a discussão e a troca, com o propósito de incorporar ou não à TdE novas descobertas empiricas, e novos conceitos, produzindo uma atualização da Teoria. Como já foi feito nos anos 1930 e 1940, quando os então novos avanços da genética mendeliana foram incorporados ao Darwinismo original, produzindo o que ficou conhecido como a Síntese Moderna (pois ao contrário do que alguns imaginam a atual TdE já é verdadeiramente pós-darwinista). Portanto, não se trata de uma “revolução” com mudança de paradigma, nem de uma “nova” teoria da Evolução, ou de derrubar o “darwinismo” e “nos livrar da mentalidade da…seleção natural…”, e muito menos de adotar o “design” (sic) “inteligente” (sic) como “alternativa”. É Pigliucci quem fala:

Massimo Pigliucci

Massimo Pigliucci

você viu qualquer coisa aqui que aponte para a evolução como uma “teoria em crise”? Eu disse qualquer coisa acerca de designers inteligentes, de rejeição ao “darwinismo”, ou de qualquer das outras tolices que abarrotaram os muitos comentários desinformados ou francamente ridículos em toda a Web, sobre a reunião de Altenberg? Creio que não. Se o encontro for um sucesso, o que teremos conseguido é dar mais um passo na discussão contínua entre os cientistas sobre como nossas teorias dão conta dos fenômenos biológicos, e como a elaboração de novas construções teóricas se equiparam às descobertas de novos fenômenos.

Se não bastasse, isso fica ainda mais claro com a publicação das notas de trabalho de Pigliucci, partes 1, 2 e 3, e da declaração final, consensual, do grupo: “Altenberg 2008: What Happened?”, que conclui:

Ao incorporar esses novos resultados e intuições a nossa compreensão da evolução, acreditamos que o poder explanatório da teoria evolucionária, dentro da Biologia e além, se expande enormemente. Como é da natureza da Ciência, algumas idéias sobreviverão ao teste do tempo, enquanto outras sofrerão modificações significativas.

Evidentemente tudo isso desmonta a historinha da nossa brava (para)jornalista, mas, como manda o manual, quando os fatos desmentem uma boa história, a saída é desqualificar o portador das “boas” novas, i. é., mata-se (metafóricamente é claro) o mensageiro. Além, é claro, de dar voz e vez a qualquer maluco que apareça com alguma “nova teoria”. Pois no fim das contas, não se pode mesmo confiar muito nesses “16 de Altenberg”, que afinal também fazem parte do “Negócio da Evolução”, não é?
Curiosamente, para alguém sempre tão vigilante das “insuficiências epistêmicas” da TdE, todas essas insuficiências factuais passam batidas, incólumes, pelo exame “crítico” do nosso “pós-darwinista”, que não vê nenhuma “falha epistêmica em contexto de justificação teórica” nas histórias da Srta. Mazur. Pelo contrário, nosso diligente blogueiro repercute a “história” com inaudito entusiasmo, em várias postagens e notas. O Google conta 72[2] menções a “Altenberg” e “16”, e 167[3] para “Sintese Evolutiva Ampliada”, que, segundo o “pós-darwinista”(sic) será a “nova teoria da evolução que não será selecionista”, a ser lançada em 2010[4], conforme ele vem alardeando em tom triunfalista desde então.
A luz do que realmente ocorreu em Altenberg, informação a qual Enézio Eugênio tem acesso, todo esse oba-oba é simplesmente incompreensível. Puro nonsense. Qual o sentido disso tudo? De duas, uma é que o “pós-darwinista” (sic) esteja de fato preparando a sua própria versão de “exposé do negócio da evolução”. Quando os resultados do encontro estiverem disponíveis, e ficar claro que não é nada daquilo que ele vem trombeteando, daí sairá mais uma vez denunciando a “Nomenklatura Científica”. Ou então, vai simplesmente continuar ignorando os fatos, e dizendo que uma coisa é outra coisa. No mínimo o trabalho desse grupo de cientístas vai render toneladas de quote minning por muito tempo ainda.
Haja “insuficiência epistêmica em contexto de justificação teórica”!

Notas de atualização:

[1] Os textos dessas cartas não se encontram mais no sitio do Observatório da Imprensa, embora possam ser encontradas reproduzidas alhures.
[2] e [3] 4 anos depois Enézio Eugênio continua trombeteando incansavelmente o nonsense dos “16 de Altenberg”, pesquisando hoje (11/2013) pelos mesmos termos encontramos 1.340 e 34.100 (!) menções, respectivamente.
[4] Atualmente ele garante que a nova “Síntese Evolutiva Ampliada” que “não será selecionista (sic)” sairá em 2020.

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Eneraldo Carneiro
Eneraldo Carneiro é Fotógrafo profissional, com pós-graduação (especialização) em Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais (UCAM 2003), graduado em Física pela UFRJ (bacharelado). É carioca (1962 vintage), ateu, botafoguense, e pai de Nara. Não necessariamente nessa ordem. Se interessa por Ciências, Política, Fotografia, Filosofia, História entre outras coisas. É membro da Associação de Fotógrafos Fototech (www.fototech.com.br), e escreve também nos blogues Gato Pré-Cambriano(gatoprecambriano.wordpress.com) e Aponta & Chuta.(apontaechuta.wordpress.com)
  • Rodrigo Smarzaro

    Pequena correção. É campus de Rio Paranaíba. 🙂

    • Pois é. Já corrigi, alertado pelo Rubens no Facebook. Todo mundo sabe que as praias de Minas ficam no ES, né? Se estivessem se expandindo (os mineiros) pro Paraná, era caso de Guerra Civil. 😉

  • AntonioOrlando

    Não há ciência sem ideologia. Logo, a teoria da evolução tem sua postura politico ideológica – assim como qualquer outro ramo idiossincrático do pensamento humano. E como em todas a ideologias, há o debate, grosso modo, das várias tendências e das várias facções evolucionistas. Isso gera dissidência e a consequente formação de grupos com pensamento mais alternativo e, por vezes, com teorias contrárias ao mainstream. Essas dissidências não são mais uma adesão ao grupo de religiosos ou que defendem o design inteligente. No entanto, a multiplicidade de leituras para a teoria da evolução, inequivocamente, demonstra que, cada vez mais, cientistas procuram alternativas ao mainstream do neodarwinismo onde, ainda, reina “absoluto” Dawkins e amigos. A continuar assim, sim, o neodarwinismo será enfraquecido e fragmentado. Na verdade, toda a divergência ao neodarwinismo é implodida por Dawkisn e amigos – que o digam, se pudessem, Stephen Jay Gould e Margulis dentre muitos outros.

    Dawkins é um ótimo relações públicas/porta voz do movimento neodarwinista e neoateu. O sucesso de Dawkins na divulgação dos ideais neodarwinistas gera frutos – inúmeros “mecenas da ciência” querem associar seu nome às eventuais pesquisas e financiar cientistas. Não sou eu que digo isso, está no livro “Evolução em quatro dimensões” (livro que estou lendo) de Eva Jablonka e Marion J. Lamb, duas das cientistas que constam da lista de Altenberg, e que, nesse livro, tentam “ressuscitar” Lamarck. Não elas não são religiosas e não defendem o design inteligente. Em outras palavras, nem sempre as melhores ideias são premiadas mas aquelas que tiveram um marketing melhor.

    Eu não diria que a teoria da evolução está em crise. Não pode estar em crise um ramo da ciência que nos últimos 150 anos tem vivido de especulações cientificas erráticas. Com efeito, existe, sim, a ideologia neodarwinista sustentada por especulações que são impossíveis de se comprovar. Está sim, ideologia neodarwinista, está em crise.

    Estão errados os criacionistas em dizer que a teoria da evolução está em crise – não cabe a eles, criacionistas, criticar isso ou aquilo do neodarwinismo. Arrogância e presunção dos criacionistas religiosos!!! Por outro lado, de fato, o que ocorre é que os próprios evolucionistas é que estão fragmentando de tal forma o que restou do neodarwinismo que ele está a ruir – de dentro para fora. Ninguém mais se entende , do jeito que vai, da ciência só restará a ideologia.

    O problema do neoateísmo é que ele está “sustentado” sobre areia movediça. O neodarwinismo viu seu apogeu no século XX e, pelo visto, verá seu Waterloo no Século XXI. A dúvida é a teoria da evolução se sustenta sem o neodarwinismo posto que o neodarwinismo serve para preencher as falhas epistemológicas da teoria da evolução. Ou melhor, o neodarwinismo seria o lado fashion chic da teoria da evolução, ou seja, uma fachada idiossincrática que está muito mais ideologia do que ciência.

    • Eneraldo Carneiro

      [bocejo]

      • AntonioOrlando

        Eneraldo

        Qual a superioridade ética e moral do neoateísmo com essa sua atitude? Isso demonstra, apenas, ao contrário, que o neoateísmo à semelhança da criança mimada e traquinas não sabe lidar com “nãos” ou opiniões contrárias. E, sobretudo, ao olhar, só, para o umbigo o neoateu perde a opotunidade de perceber que um dos fundamentos ateológicos do neoateísmo, a teoria da evolução, está se fraccionando POR DENTRO. Enfim, eu perguntaria fundamentalismo ateu resolve? Ou, é só arrogância mesmo?

        • Antônio, o que o post do Eneraldo tem a ver com o que vc está falando ou mesmo com o neo-ateísmo ou ‘neodarwinismo’, em senso estrito?

          Como o que vc falou tem relação ou relevância direta com o que está sendo discutido?

          O post não tem nada a ver com ‘neoateísmo’, Dawkins ou Harris.

          O Eneraldo, em seu post, usa as próprias palavras de um dos participantes do encontro em Altenberg – que, por sinal, defende uma expansão da síntese evolutiva – para explicar que o encontro não tem nada a ver com colocar a evolução em dúvida, como sugere o Enézio.

          Creio que é você que está deixando sua ideologia turvar uma questão
          muito mais simples: a evolução é um fenômeno aceito e consensualmente
          estabelecido como um fato pela comunidade científica e as tentativas dos
          criacionistas de negarem este fato passam por distorcer as posições e
          discussões internas à biologia evolutiva moderna.

          De fato, você está fazendo uma coisa muito parecida com o que os criacionistas fazem, ao misturar os canais, aparentemente, você tenta criar um vínculo necessário entre o que você chama de ‘neo-ateísmo’ com a perspectiva meta-teórica ‘genecentrista’ de Dawkins sobre a evolução biológica, que você parece equiparar ao ‘neodarwinismo’.

          • AntonioOrlando

            Rodrigo

            Não tiro a minhas informações/conclusões a partir de sites cirstãos. O que eu disse é baseado na leitura do livro “Evolução em quatro dimensões” da Eva Jablonka que, inclusive, esteve, ela mesma, no encontro em Alterberg.

            Na contracapa do livro da Jablonka, está escrito: “Evolução em quatro dimensões oferece uma visão evolutiva mais rica e mais complexa do que a visão unidimensional e centrada nos genes {Dawkins} que muitos adotam hoje.”
            .”…. e dexia claro que há muito mais variação disponível para a seleção natural do que sonha a biologia”

            Jablonka foge do mainstream evolucionista que orbitra ao redor de Dawkins e o neodarwinismo genétco. Por outro lado, em nenhum momento usei isso como argumento a favor, ou contra, o criacionismo e sim como evidência de que há mais dúvidas do que certezas do mundo evolucionista e, sobretudo, que elas, dúividas, só aumentam..

            Acho que você não leu o livro da Jablonka. Enfim, colocar a teoria da evolução como Lei, e não como teoria especulativa é, na verdade, um dos vicios do discurso neo ateísta ou neodarwinista – não dá para separar um do outro -, são como irmãos siameses. A teoria da evolução, até agora, é uma colcha de retalhos a ser redesenhada sempre que aparecem novas criticas/especulações. Ela, teoria da evolução, poderia ser chamada de teoria camaleão.

            Por favor, leia o livro Evolução em quatro dimensões e você vwerá que Lamarck não morreu…

            Abs.

          • Olá, Antônio.

            “Não tiro a minhas informações/conclusões a partir de sites cirstãos. O que eu disse é baseado na leitura do livro “Evolução em quatro dimensões” da Eva Jablonka que, inclusive, esteve, ela mesma, no encontro em Alterberg.”

            Ou seja, a partir da leitura de um livro de divulgação, vc tira todas essas conclusões?

            “Na contracapa do livro da Jablonka, está escrito: “Evolução em quatro dimensões oferece uma visão evolutiva mais rica e mais complexa do que a visão unidimensional e centrada nos genes {Dawkins} que muitos adotam hoje.”
            .”…. e dexia claro que há muito mais variação disponível para a seleção natural do que sonha a biologia”

            O que só mostra que você está fazendo uma grande confusão, já que Jablonka e Lamb, duas biólogas evolutivas por sinal, discutem uma perspectiva mais ampla para a teoria da evolução, elas não negam a teoria evolutiva moderna e muito menos negam o consenso sobre a realidade da evolução biológica. Elas apenas chamam a atenção para a necessidade de incorporar ao edifício teórico da biologia evolutiva (que é o que chamamos de teoria evolutiva moderna), os múltiplos sistemas de herança não genéticos que elas investigam já faz algumas décadas, uma proposta interessante, mas ainda discutível.

            A questão é que isso nada tem a ver com críticas a realidade do fenômeno evolução e nem ao menos com a ideia que processos e mecanismos evolutivos mais convencionais tenham uma grande participação na evolução. É sobre esta confusão que estou tentando alertar você, pois vc não parece ter muita consciência das diferenças entre o fenômeno da evolução, os padrões evolutivos, os mecanismos evolutivos e a moderna teoria evolutiva que visa explicar estas duas últimas questões.
            O texto do Eneraldo, claramente, não tratava destas questões e mesmo assim você as trouxe à tona, incorrendo na mesma falácia criacionista que equipara discussões sobre os detalhes e ênfase da moderna teoria evolutiva como ataques a evolução e aos aspectos mais gerais da teoria evolutiva como um todo.

            “Jablonka foge do mainstream evolucionista que orbitra ao redor de Dawkins e o neodarwinismo genétco. Por outro lado, em nenhum momento usei isso como argumento a favor, ou contra, o criacionismo e sim como evidência de que há mais dúvidas do que certezas do mundo evolucionista e, sobretudo, que elas, dúividas, só aumentam.”

            Não, mas usou o mesmo tipo de retórica viciada dos criacionsiats, confundindo alhos com bugalhos, e faz isso de novo neste exata mesma resposta.
            Esse seu comentário indica que você consome material sobre evolução apenas de fontes terciárias de divulgação. Dawkins não é o arauto da moderna biologia evolutiva, ele apenas é um divulgador que parte de uma perspectiva bem específica sobre evolução. Caso você acompanha-se a biologia evolutiva pela literatura primária ou pelo menos por livros textos, você perceberia que a teoria evolutiva já é muito mais diversa do que consta nos livros de Dawkins e que ela mesma mudou bastante desde a síntese moderna da biologia evolutiva que ocorreu nos anos 30 e 40 do século passado.

            “Acho que você não leu o livro da Jablonka.”

            Eu li o livro em questão (e o de 1995 – Jablonka, Eva, and Marion J. Lamb. Epigenetic Inheritance and Evolution: The Lamarckian Dimension. Oxford; New York: Oxford University Press, 1995.), além de vários dos artigos de Lamb e Jablonka. Conheço bem a abordagem de ambas.
            Não se preocupe quanto a minha informação. Procuro me manter sempre bem informado sobre biologia evolutiva, já que escrevo quase diariamente sobre o tema. Acho que você deveria preocupar-se mais com a sua formação na área. 🙂

            “Enfim, colocar a teoria da evolução como Lei, e não como teoria especulativa é, na verdade, um dos vicios do discurso neo ateísta ou neodarwinista – não dá para separar um do outro -, são como irmãos siameses. A teoria da evolução, até agora, é uma colcha de retalhos a ser redesenhada sempre que aparecem novas criticas/especulações. Ela, teoria da evolução, poderia ser chamada de teoria camaleão.”

            É neste trecho acima que vc comete o mesmo erro dos criacionistas. Você está confundindo as questões e usando expressões e termos de um jeito quando deveriam ser empregados de maneira mais cuidadosa.

            O que é considerado um fato (um fenômeno abduzido a parir de muitas linhas de evidência convergente) – e não apenas entre os ateus, mas para a comunidade científica de modo geral – é o fenômeno da evolução, o que você parece referir-se como ‘teoria da evolução’ é apenas uma perspectiva sobre a evolução que é bastante divulgada por autores como Dawkins, mas que não dá para ser considerada equivalente a moderna teoria evolutiva que norteia o campo da biologia evolutiva.
            É verdade que uma parte substancial da pesquisa em evolução envolve o estudo de mecanismos como seleção natural, deriva genética e mutações no DNA, mas basta dar uma olhadinha na literatura de paleobiologia, sistemática filogenética e evo-devo para ver como os tópicos são muito mais diversos.

            Não tenho problema nenhum em criticar perspectivas particulares sobre a evolução biológica, como é a de Dawkins, por exemplo, (que eu chamaria de ‘ultra-darwinista’ ou ‘gene-centrista’), mas equiparar isso com a teoria evolutiva moderna é completamente equivocado.
            O problema é tarnsformar uma crítica pontual e bem específica em um ataque a evolução biológica, a biologia evolutiva e aos aspectos mais gerais e consensual da teoria evolutiva moderna.

            Mas vc ainda comete alguns outros equívocos, por exemplo, ao sugerir que ‘leis’ seriam epistemicamente superiores às teorias científicas, quando, na realidade, leis científicas são apenas generalizações de regularidades quantitativas sobre fenômenos naturais e que inserem-se dentro de teorias explicativas mais amplas, as teorias científicas.
            Este tipo de generalização quantitativa tem um impacto maior nas ciências físicas e químicas, por sinal, e bem menor na biologia, especialmente na biologia evolutiva, em que as regularidades são mais estatísticas e melhor tratadas dentro de modelos específicos.

            “Por favor, leia o livro Evolução em quatro dimensões e você vwerá que Lamarck não morreu…”

            Como eu já disse, eu já li este livro e você é que faz uma grande confusão a partir de tão pouco. E volto a insistir, você é que deveria abrir seus horizontes e procurar inteirar-se da literatura científica moderna em biologia evolutiva, biologia teórica, histórica e filosofia da biologia. Quando fizer isso vai perceber que o que você parece ter em mente como equivalente as ideias originais de Lamarck, são conceitos periféricos e não originais da obra do grande e pioneiro naturalista e que passaram a adquirir esta conotação moderna, após o falecimento de Darwin em um período da história da biologia evolutiva, chamado ‘eclipse do darwinismo’ em que ‘neo-darwinismo’ (na acepção de George Romanes) passou a ser contratado com o ‘neo-lamarkismo norte-americano’ (de Cope, Hyatt etc) e que se estendeu a moderna síntese evolutiva, dos anos 30 e 40 do século XX, e que, através dela, chegou aos dias de hoje.

            Além disso, vc vai perceber que fenômenos muito interessantes como a herança epigenética transgeracional, além de pouco estáveis, deverão responder basicamente aos mesmos processos e mecanismos evolutivos que mutações convencionais, como seleção, deriva, mutações genéticas etc. Na realidade, aconselho que você procure informar-se sobre processos como a acomodação e a assimilação genética, além do efeito Baldwin (que, se não me engano, são mencionados por Lamb e Jablonka) que está intimamente ligado aos mecanismos antes mencionados. Estes mecanismos e efeito tem sido bastante estudados dentro da moderna teoria evolutiva, uma vez que permitem integrar mudanças fenotípicas e culturais tendo como base processos evolutivos bem convencionais, além de oferecerem um lugar mais plausível para herança epigenética transgeracional na evolução.

            Vou indicar alguns textos meus sobre a questão e, quem sabe, você não se interessa pelo assunto e passa a estudá-lo de maneira menos superficial e sucumba menos aos exageros e as hypes que tipicamente acometem as pessoas que caem de paraquedas neste meio.

            http://pergunte.evolucionismo.org/post/7372455592
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/46635192363
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/38290547827
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/30258864700
            http://evolucionismo.org/profiles/blogs/uma-heresia-epigenetica
            http://evolucionismo.org/forum/topics/epigenetica-e-relevante-para-a-evolucao-por-fernando-gewandsznajd
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/63228286317
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/10768430207
            http://evolucionismo.org/profiles/blogs/de-determinantes-genericos-aos-geneticos-a-importancia-d
            http://evolucionismo.org/profiles/blogs/viva-turing-ou-como-os-camundongos-conseguem-seu-palato-enrugadoa-fisica-
            http://evolucionismo.org/profiles/blogs/e-a-evolucao-genetica
            http://evolucionismo.org/profiles/blogs/e-a-evolucao-genetica-1
            http://evolucionismo.org/profiles/blogs/caminhos-alternativos-para-a-complexidade-e-para-novas-funcoes

            Abs.

          • Eneraldo Carneiro

            SENSACIONAL Rodrigo! Salvei todos os links no Evernote para ler depois. O 9º e o 10º estão quebrados contudo.
            Muito bom.
            []’s

          • Sim, li o livro de Lamb e Jablonka, assim com seu livro anterior e os diversos artigos que ambas publicaram ao longo dos anos. Você confunde a teoria evolutiva moderna e seus diversos debates internos sobre padrões e processos (que sobre o que Lamb e Jablonka discorrem) com o consenso sobre a realidade da evolução como fenômeno, com o qual tanto Jablonka como Lamb concordam e defendem. Essa é uma confusão tipicamente criacionista e caso vc não seja um, isso só mostra como vc está confuso sobre o assunto. Mais sobre isso veja estas minhas respostas: http://pergunte.evolucionismo.org/post/98773445431
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/63228286317
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/10768430207

            Assim como minhas respostas sobre Lamarckismo e epigenética:

            http://pergunte.evolucionismo.org/post/7372455592
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/7372455592
            http://pergunte.evolucionismo.org/post/38290547827

            Rodrigo

        • Eneraldo Carneiro

          Antonio

          O Rodrigo já disse praticamente tudo o que havia
          para ser dito, com mais competência e paciência do que eu poderia.
          Explicou em detalhe as confusões conceituais que você vem cometendo
          sistematicamente, desde a primeira vez que interagi com você aqui no
          Bule. Nunca, jamais dialoga com o conteúdo específico do post,
          qualquer post, e é sempre o mesmo padrão enfadonho, repetitivo:
          -‘por que estou lendo Dawkins/ouquemseja bla-bla-bla, neoateu,
          bla-bla-bla Harris bla-bla-bla Pinker bla-bla-bla neodarwinismo
          bla-bla-bla’

          Então, a arrogância aqui é sua, tentando sequestrar a
          discussão, e dirigi-la para as suas obsessões. Como também o é
          achar que lendo, mal e porcamente, meia dúzia de livros de
          divulgação o capacitam a avaliar o estado da arte de uma
          especialidade. É arrogante e delusional.

          Entenda que eu (falo só por mim obviamente, mas sei que muitos
          outros se sentem da mesma forma) não tenho compromisso algum com
          Dawkins, Harris, Dennett, ou quem quer que seja, por mais notório
          que seja. Então essa sua litania obsessiva contra esses e outros
          autores, sem de fato entrar no mérito das questões, é apenas
          cansativa por irrelevante.

          Você é bem-vindo para discutir e discordar, na medida em que se
          engaje efetivamente com o mérito da discussão de cada post,
          debatendo feito gente grande. Do contrário só terá zombaria.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            [[[[Como também o é achar que lendo, mal e porcamente, meia dúzia de livros de
            divulgação o capacitam a avaliar o estado da arte de umaespecialidade. É arrogante e delusional.]]]]

            Igualmente, a sua leitura “porca” e, sobretudo, simplista e carente de embasamento, das religiões não o autoriza a criticá-las. Se, ancorado em pressupostos e teorias capengas e preconceituosas, você critica religiosos e religões, eu, também posso criticar pressupostos cientificista do neoateísmo.
            Eneraldo, você está tão fissurado na ateologia cientificista do Dawkins, que até usou uma palavra que é parte do título de um livro dele “The God delusion”. “Delusional” não existe em portugês.

            A partir dessa última resposta do Rodrigo, antes de responder à ele, estou lendo os links que ele me sugeriu. Sobretudo, não sou avesso a rever meus conceitos, se for preciso.

            Temos o ateu eo neoateu. O primeiro vive e deixa viver. Não é relevante, para o ateu, se há religião ou não – ele não acredita e pronto. No entanto, lida bem com um mundo religioso. Sobretudo, o ateu não tenta fundamentar seu ceticismo com base em ciência ou afins. Simplesmente não faz sentido, a vida é um absurdo e ponto final. Por outro lado, o neoateu, por meio mormente de ciência, tenta encontrar bases cientificas para a não existência de Deus e, não raro, tem ojeriza a tudo que tenha fundamento religioso. Ingenuamente, o neateu, acredita que se não houvesse religião o ser humano e, grosso modo, o mundo seria melhor. Enfim, a “ateologia” neoateia é baseada em pressupostos cientificos que de certo modo, ” provam” que Deus não existe.

            Pesquisei no bule e encontrei pouquissimos posts que não tenham um viés ou flerte com a ciência e, usando uma lógica de butequim: você é membro do bule e o bule tem enorme apreço pela ciência como fundamento para sua tese neoateísta, logo a ciência tem um un enorme peso na sua, Eneraldo, “ateologia” .

            Susan Haack, filósofa, e membro honorário do bule, traduz melhor que penso sobre o cientificismo neoateu.

            …..Mas enquanto o cientificismo é, seguramente, “uma tendência formada sem fundamentos justos ou conhecimento suficiente”, ele é uma tendência favorável à ciência, não contrária a ela. Então, diferente do sexismo, ou do racismo ou da homofobia, o que é lamentável sobre o cientificismo não é que ele seja um pré-julgamento contra algo, mas que é um pré-julgamento a favor de algo. Então, em vez de usar a palavra “preconceito” nesse contexto, eu simplesmente descrevo o cientificismo pelo que ele é: “UM TIPO DE ATITUDE EXCESSIVAMENTE ENTUSIÁSTICA E ACRITICAMENTE REVERENTE PARA COM A CIÊNCIA, UMA INCAPACIDADE DE VER OU FALTA DE VONTADE DE ADMITIR SUA FABILIDADE , SUAS LIMITAÇÕES E SEUS POTENCIAIS PERIGOS.

          • Eneraldo Carneiro

            Caro Antonio

            [suspiro]

            Você diz

            Igualmente, a sua leitura “porca” e, sobretudo, simplista e carente de embasamento, das religiões não o autoriza a criticá-las.

            Só que nenhum dos meus 2 únicos posts no Bule tratam de Religião qua Religião, ou de ateísmo diga-se. Ambos são críticas ao Criacionismo e aos criacionistas, e críticas específicas.
            Não, delusional não existe em Português (embora exista ‘delusão’), mas poderia já que vem do latim, e eu acho que deveria, pois descreve melhor o seu caso, como nesta passagem:

            criticar pressupostos cientificista do neoateísmo

            Chamar isso de delirante não me parece preciso, enquanto delusional é perfeito, especialmente no sentido psiquiátrico: A false belief strongly held in spite of invalidating evidence. ‘Sem noção’ (clueless) também soa apropriado. Digo isso porque você acredita estar fazendo algo que você não está, de fato, pois nenhum dos seus comentários até agora pruduziu nenhum argumento discernível. Simplesmente fazer afirmações e repeti-las não é = argumentação. Fora o fato de que você sistematicamente os faz em posts que não tratam do problema que você pensa estar abordando, o que faz as coisas ficarem ainda mais confusas.

            Temos o ateu eo neoateu. O primeiro vive e deixa viver.

            O nome disso é falácia do espantalho. Você (re)define o que é ‘ateu’ e daí ataca a sua definição idiossincrática, não o que os ateus de carne e osso efetivamente dizem. E, de novo, em posts que não abordam essa discussão em absoluto.

            encontrei pouquissimos posts que não tenham um viés ou flerte com a ciência

            Eu não faço a menor idéia do que diabos você quer dizer com isso. “Flerte com a Ciência”? Puro nonsense.

            usando uma lógica de butequim: você é membro do bule e o bule tem
            enorme apreço pela ciência como fundamento para sua tese neoateísta,
            logo a ciência tem um un enorme peso na sua, Eneraldo, “ateologia”

            Isso ainda tinha que comer muito feijão com arroz para chegar a ser lógica de botequim. Para começar, o Bule não é o Partido Comunista, funcionando à base de centralismo democrático, cada autor escreve o que e como lhe apetece, e é responsável pelo que escreve, não pelos textos alheios. Eu sei que é um conceito novo, para você, mas é assim que rola. E ‘ateísmo’, no que me diz respeito, é apenas a resposta óbvia à pergunta mais fácil de todas, e eu a encontrei há quase 40 anos, muito antes de ouvir falar de Evolução ou Mecânica Quântica. Me dê algum motivo racional para julgar que a resposta não é consistente com as evidências, e eu posso reavaliá-la.

            Susan Haack, filósofa, e membro honorário do bule, traduz melhor que penso sobre o cientificismo neoateu.

            Antonio, você acusa o Bule de ser “neoateu” cientificista, e ao mesmo tempo cita uma Filósofa, membro honorária do Bule, que faz uma crítica do cientificismo que foi publicada no próprio Bule. Será que você não consegue ver a inconsistência?
            Por fim, talvez você deva considerar escrever seu próprio blog, ao invés de ficar trollando posts que não tem nada a ver com a discussão que você quer fazer.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            Vou por partes.

            [[[[…Só que nenhum dos meus 2 únicos posts no Bule tratam de Religião qua Religião, ou de ateísmo diga-se. Ambos são críticas ao Criacionismo e aos criacionistas, e críticas específicas…..]]]]

            O Criacionismo, que eu saiba, não está ligado a Associação Protetora dos Animais. Ele é um braço do cristianismo evangélico americano, em especial. Logo, não há como falar de criacionismo sem falar de religião. Quanto a “delusional” acho que o Dawkins usou essa palavra para melhor definir seu trabalho como teórico e ficcionista evolucionista.

          • Eneraldo Carneiro

            Antonio
            Acho positivo você reconhecer que o Criacionismo “é um braço do cristianismo evangélico americano, em especial.”, contudo, se o Criacionismo é redutível a uma vertente religiosa, a Religião não é redutível ao Criacionismo, assim como a Teoria da Evolução não é redutível ao Naturalismo Filosófico, nem vice-versa. Ao contrário do que você parece pensar.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo
            O Criacionismo é um braço do cristianismo evangélico americano. Do mesmo modo que vários setores do neodarwinismo (Dawkins), da neurociência (Sam Harris, David Eagleman) e da sociobiologia (Steven Pinker) são braços do neoateísmo.
            Assim como o Criacionismo é uma ideologia a favor do Cristianismo, o neodarwinismo, e setores da neurociência e sociobiologia, estão a favor do neoateísmo.
            Enfim, nem a ciência ou a religião são isentas de ideologia.

          • Eneraldo Carneiro

            Antonio

            Você tem o mesmo problema que os criacionistas, e dá uma resposta bem parecida. O seu problema é que a Ciência funciona, ela dá resultados, e esses resultados apontam numa direção que desagrada a você (e aos criacionistas). Não são os resultados que você gostaria de ver, você não gosta deles, porque acha que eles jogam água no moinho do Materialismo/Naturalismo. Daí a sua saída é reduzir tudo a uma tábula rasa, construindo uma falsa equivalência entre Ciência e Religião, e fazer de conta para si mesmo que “pão ou pães é questão de opiniães”, como diria Riobaldo. Assim você descarta com um abanar de mãos, todo o acúmulo de conhecimento científico que te desagrada, sem precisar enfrentar as questões reais, o que mostraria o equívoco da sua abordagem. A diferença para os criacionistas é que eles partem para o enfrentamento, tentando mostrar que a Ciência está errada, e que o cubo se encaixa no buraco redondo. Você nem se dá a esse trabalho, simplesmente nega a Ciência que não te convém, porque afinal “tudo é ideologia”.
            Gostaria de dizer que é uma boa tentativa, mas não dá.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo
            Não tenho nada contra a ciência. E nem, grosso modo, os cristãos o tem. Tampouco medo da ciência. Acho que não fui bem claro, não tolero a ideologia travestida de ciência. Quando o Dawkins, em o Gene egoista, diz, logo no início do livro, que são peculações por que ele não estava lá quando tudo aconteceu, ele, Dawkins, dá a verdadeira dimensão do “delusionismo” da sua tese.
            Também não tenho nenhum problema com a idade do universo – cerca de treze bilhões de anos. Igualmente não tenho nada a opor à bilogia como área de estudo, e organização, dos seres vivos. No entanto, há algo de metafisico na teoria da evolução quando fala na “sopa primordial” ou na formação da primeira célula ou do primeiro aminoácido. Todas as probabilidades desaconselham acreditar que tenha ocorrido como pressupõe o neodarwinismo ou abiogénese, ou seja o surgimento da vida no planeta Terra é um mistério e qualquer hipótese a respeito reside no terreno da fé. Não dá para voltar no tempo.Nesse sentido, cristãos e ateus se assemelham. Estou tranquilo, as descobertas da ciência só corroboram, cada vez mais, que as repostas não são tão simples e sedimentadas como determinados campos da ciência faz crer. Não acho racional que aquilo que o ser humano é tenha como origem o acaso da seleção natural.
            A ciência tem seus limites – um deles é explicar a origem da vida ou mesmo explicar, sem especulações, como a vida se organizou. Acredita quem tem fé.
            Abs.

          • Eneraldo Carneiro

            Antonio

            No entanto, há algo de metafisico na teoria da evolução quando fala na
            “sopa primordial” ou na formação da primeira célula ou do primeiro
            aminoácido.

            A Teoria da Evolução (TdE) não diz absolutamente NADA sobre a Origem da Vida (OdV), ela funciona independentemente (exceto no sentido muito trivial de que sem vida, a vida não pode evoluir, dã..). Não importa se a vida foi plantada por uma civilização alienígena, se emergiu espontaneamente, ou se resultou de um escarro do Monstro de Espaguete Voador, uma vez que há vida, há Evolução. Misturar as duas coisas, é desde sempre um dos tópicos favoritos dos criacionistas, o que é compreensível, pois a OdV ainda é uma questão em aberto.
            Quanto aos aminoácidos, para sua informação, eles não só já foram obtidos em laboratório, reproduzindo cenários plausíveis de uma Terra primitiva, como já foram localizados no espaço. Sugerindo portanto, que não é necessário nenhuma mágica, para obtê-los.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            O problema da origem da vida é, na verdade, o Calcanhar de Aquiles da teoria da evolução. É um problema conceitual: não se pode falar em evolução de nada, se você não souber a partir do quê se evoluiu. Ademais, se não fosse importante para a teoria da evolução, Dawkins, não escreveria um livro para especular sobre gene replicantes ou “egoistas” e afins. Miller, circa 1952, e outros cientistas, em ambiente controlado de laboratório, tentaram recriar (ou recriar) a atmosfera original da Terra – não conseguiram criar nem os 20 aminoácidos originais que constituem os blocos de proteinas. E essa ladainha durou cerca de 30 anos. Klaus Dose disse do experimento: “…..terminou num impasse ou em uma confissão de ignorância”.
            Há três bilhões de anos não havia quimicos… Sobretudo, não se pode voltar no tempo.
            Como ciência que organiza, e cataloga, os seres vivos a biologia cumpre o seu papel. No entanto, para especular sobre uma possível “evolução” há de se afirmar a partir do quê se evoluiu – e sem especulações. Não dá, a partir de eventuais mudanças pontuais nas espécies vivas, se concluir uma “evolução” de espécies. Ademais, embora minimizado por evolucionistas, há inúmeras lacunas conceituais na teoria da evolução. Do jeito que está é possível se especular que existiram até unicórpios e dragões…
            A teoria da evolução parte da parte para inferir o todo. E não aceita constestações. Como a teoria da evolução é conceituada, e especulada, hoje em dia, ela não passa de metafisica cientifica. E só. Enfim, a teoria da evolução só tem o aqui e agora e, qualquer descoberta, ou especulação, será sobre o aqui e agora. Sobretudo, sem saber a origem da vida a teoria da evolução é como um prédio sem alicerce e, por conta disso, não raro, o evolucionista vive pela fé.

            Abs.

          • Eneraldo Carneiro

            Antonio

            não se pode falar em evolução de nada, se você não souber a partir do quê se evoluiu.

            Nós sabemos a partir do quê. As primeiras formas de vida de que temos registro, foram micro-organismos anaeróbicos: ciano-bactérias, etc. A partir daí, tem-se uma sucessão de formas de vida que foram surgindo, se diversificando e eventualmente desaparecendo. Entender esse processo posterior não depende de conhecer a OdV mais do que o entendimento da termodinâmica depende de conhecer a Origem do Universo.

            se não fosse importante para a teoria da evolução, Dawkins, não
            escreveria um livro para especular sobre gene replicantes ou “egoistas” e
            afins.

            “O Gene Egoísta” não é um livro sobre Evolução. Se você não entendeu isso, então você não entendeu nada. Assim como você não entende o que especulação quer dizer em Ciência.
            Sobre o experimento de Miller-Urey você definitivamente precisa se informar melhor:

            the experiment tested Alexander Oparin’s and J. B. S. Haldane’s hypothesis that conditions on the primitive Earth favored chemical reactions that synthesized more complex organic compounds from simpler organic precursors….After Miller’s death in 2007, scientists examining sealed vials
            preserved from the original experiments were able to show that there
            were actually well over 20 different amino acids
            produced in Miller’s original experiments. That is considerably more
            than what Miller originally reported, and more than the 20 that
            naturally occur in life

            Isto é, o resultado do experimento foi o contrário do que você acha que foi. Quanto a esse Dose, por que raios eu teria que dar alguma atenção ao que ele diz a respeito de qualquer coisa?

            Há três bilhões de anos não havia quimicos… Sobretudo, não se pode voltar no tempo.

            Como você sabe que não, se não podemos “voltar no tempo”? O que aliás é uma idiotice. Não precisamos “voltar no tempo”, pois os eventos do passado deixaram vestígios, sinais, evidências materiais que podemos estudar no presente, e tirar conclusões. Não tem nada de místico ou metafísico nisso.

            Não dá, a partir de eventuais mudanças pontuais nas espécies vivas, se concluir uma “evolução” de espécies

            Evolução É mudança no tempo, por definição, seu ignorante. Você não sabe do que está falando.

            Lacunas, toda teoria tem, o trabalho científico consiste justamente em ir preenchendo essas lacunas, juntando as peças do quebra-cabeças. Essa é a objeção mais tola que existe, já que nenhuma teoria é “completa”, isso não existe.
            Como eu disse acima Antonio, o FATO é que a vida na Terra se modificou dramaticamente nos últimos 3,8 bilhões de anos. Basta dizer que nós humanos só evoluímos há 200 mil anos, antes disso não existiam Homo Sapiens Sapiens.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            És um homem de fé. Você tem um quebra cabeças e quer que ele faça sentido – mesmo que você não tenha todas as peças..

            [[[[[Evolução É mudança no tempo, por definição, seu ignorante. Você não sabe do que está falando.]]]]

            Voltamos ao início. Se algo muda, essa alguma coisa muda a partir de alguma coisa. Esses “microorganismos anaeróbicos: ciano-bactérias” são algo que é parte integrante, desde sempre, do ecosistema ou biosistema da Terra- coisas tipo fungos e bactérias, por exemplo. No entanto, qual a especiação que tornou esses microorganismos em espécies diversas?.

            Abs.

          • Eneraldo Carneiro

            Se você quiser mesmo saber em primeira mão, largue os livros de popularização vá estudar Biologia Evolutiva em nível de Doutorado, e comece a fazer pesquisa.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo
            [[[[[“O Gene Egoísta” não é um livro sobre Evolução. Se você não entendeu isso, então você não entendeu nada. Assim como você não entende o que especulação quer dizer em Ciência.
            Sobre o experimento de Miller-Urey você definitivamente precisa se informar melhor:]]]]]

            Num ponto você tem razão, “O Gene egoista”, não é sobre a evolução. O livro segue mais na linha dos irmãos Grimm e faz uma releitura dark dos contos de fadas. Na verdade, um conto de fadas evolucionista. Mas na real, ” O gene egosita” é só uma vã tentativa de Dawkins de resolver o enigma: “Enfim, evoluimos do quê para quê?”
            Quanto aos aminoácidos, não havia quimicos há bilhões de anos. O ambiente primitivo da Terra era instável e as possiblidades de formação de vida de forma linear eram pouco prováveis. Ademais, em laboratório tudo é possível, isto é, a experiência de Miller só demonstra, ao contrário, que a teoria da evolução é uma colcha de retalhos conceituais.

            Abs. ….

          • Eneraldo Carneiro

            Ué Antonio?!

            Uma hora você diz que não sabemos, nem podemos saber NADA do passado, que não podemos “voltar no tempo”, e coisa e tal,

            …como podemos ter certeza do que ocorreu há bilhões de anos?…

            mas ao mesmo tempo diz que

            …. não havia quimicos há bilhões de anos. O ambiente primitivo da Terra era instável e as possiblidades de formação de vida de forma linear [o que quer que isso queira dizer] eram pouco prováveis.

            Ou uma coisa ou outra meu filho. Ou bem se é possível saber sobre o passado, não com “certeza” (‘certeza’ é um termo inútil se for visto como um jogo de tudo ou nada), mas com maior ou menor grau de confiança, ou bem não se é. Decida-se..

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            Se você não tentar com piadas dissimular sua ignorância, perceberá que, grosso modo, só nos resta o “aqui e agora”. Até as nossas “memórias” são filtradas pelo “aqui e agora”. Enfim, suas memorias são um amalgama daquilo que foi, o que você pensa que foi e o que poderia ter sido. Nesse sentido, as biografias são obras de ficcão. Pegue um filme de época e escolha a mesma história das várias versões que esse filme teve, Robin Hood por exemplo, não falo em efeitos especiais mas em como os personagens são concebidos. Um dado evidente são os cabelos, eles sempre refletem os modismos da época, décadas de 1920, 1940 1960 1980 ou 2000. Um outro aspecto é como as pessoas gesticulam, entre muitas outras caracteristicas, que demonstram que mesmo em um filme de época você não consegue escapar da sua vião de muindo Ou do seu “aqui e agora”. O mesmo ocorre em filmes de ficcão e por conta disso todos ficam datados. À eceção de gênios como Kubrick e seu “Uma odisséia no espaço”. A partir do “aqui e agora” o neodarwinismo infere sobre como foi o passado e, sobretudo, não aceita constestação. This is somewhat delusional!!

            Abs.

          • AntonioOrlando

            Eneraldo

            {{{{{Como você sabe que não, se não podemos “voltar no tempo”? O que aliás é uma idiotice. Não precisamos “voltar no tempo”, pois os eventos do passado deixaram vestígios, sinais, evidências materiais que podemos estudar no presente, e tirar conclusões. Não tem nada de místico ou metafísico nisso.}}}}}

            Os “eventos do passado” deixaram um quebra cabeças e, só, com esse quebra cabeças, os evolucionistas tentam escrever um roteiro que faça sentido. Não sabemos, ainda, como as pirâmides do Egito foram feitas – e isso foi só há cerca de 5000 anos. Querer ter certeza do que ocorreu há bilhões de anos é uma insanidade. Quanto aos vestígios, sinais e evidências materiais eles são, com efeito, praticamente inexistentes. A história da humanidade é contada em livros que são baseados em evidências, isto é, documentos e outros, que de certo modo chegaram aos nossos dias. No entanto, esses documentos são apenas versões da história, não raro, de vencedores que ficaram para contar a história. Mas será que a história ocorreu mesmo como está nos livros? Até que ponto, por vezes, ela não é idealizada? Padre Cicero foi realmente um santos ou só um velho latifundiário que comia menininhas? Hittler se matou ou foi morto? Será que Hittler não escapou? Quem matou os irmãos Kennedy? Cleóplata realmente existiu? Ela era branca ou negra?

            Se não temos nem todos os elementos – documentados – da história recente da humanidade, como podemos ter certeza do que ocorreu há bilhões de anos?

            It feel like delusional!!!

            Abs.

          • Eneraldo Carneiro

            Não sabemos, ainda, como as pirâmides do Egito foram feitas

            kkkkkkkkkkkkvaiverforamosdeusesastonautaskkkkkkkkkkkk

          • Eneraldo Carneiro

            Quanto aos vestígios, sinais e evidências materiais eles são, com efeito, praticamente inexistentes.

            Péééé´errado!

          • Caruê Gama Cabral

            O gene egoísta é um livro sobre evolução, no entanto não é um livro sobre a origem da vida.
            A poucos meses li ele, é um belo livro. O livro apresenta uma perspectiva gene centrista, oque eu considerei muito bem defendida. Ele aborda diversos aspectos da evolução, dando uma atenção especial ao comportamento e as estrategias de sobrevivência e cooperação que são influenciadas pelos genes.
            O meu capitulo preferido é o que ele usa a teoria dos jogos para determinar quais estrategias de cooperação são viáveis.

          • Eneraldo Carneiro

            Mais besteirol

            Todas as probabilidades desaconselham acreditar que tenha ocorrido como
            pressupõe o neodarwinismo ou abiogénese, ou seja o surgimento da vida no
            planeta Terra é um mistério e qualquer hipótese a respeito reside no
            terreno da fé.

            Como eu já disse o “neodarwinismo” não faz suposições a respeito da OdV, e tãopouco é igual a abiogênese, são coisas diferentes, e independentes uma da outra. A OdV é um mistério apenas no sentido de que não temos hoje, elementos que nos permitam afirmar, com alto grau de confiança, como ela se deu. Isso não quer dizer que nunca o poderemos fazer.

        • Concordismo é foda. Basicamente: ‘se você não concorda com os nossos preceitos e hipóteses infundadas você é um ateu, seguidor do Dawkins, filho da puta, masoquista, homossexual, filho do diabo, coisa ruim. E sim nós realmente estamos convictos que fazemos ciência. A gente vêm com umas ideias malucas e nomes legais e isso só pode ser science, bitch!’

        • Cientista normal: “Cara! Isso é metafísica. E não faz sentido.”
          ‘Cientista’ concordista: “Se você consultar as escrituras sagradas, um outro livro qualquer de um esquizofrênico religioso sem histórico científico e considerar que vivemos em um universo ficcional verás que Deus existe, que ele é bom e justo e é o nosso criador.”

          Vou simplificar para muitos: Não existe ciência sem empirismo e metodologia científica. Vocês têm o direito de terem suas ideias e crenças malucas mas vocês não podem chamar isso de ciência e de querer utilizar a academia para promove-las.

    • Antônio, cuidado pois vc pode facilmente cair na velha confusão entre discussões sobre a realidade do fenômeno evolutivo (ancestralidade comum por descendência com modificação) que não cabem mais na ciência moderna, e as discussões (internas a biologia evolutiva) sobre os mecanismos e padrões evolutivos e em um nível mais abstrato, discussões meta-teóricas sobre abordagens ao fenômeno da evolução e que tem mais a ver com ênfases específicas em uma classe de explicações (mecanismos e processos) do que em outras.

      Os criacionistas tentam simplesmente transformar as discussões do segundo tipo que são comuns em qualquer campo científico em pleno desenvolvimento, em discussões do primeiro tipo que não tem mais lugar em círculos científicos, por causa da montanha de evidências convergentes que mostram que a evolução é um fato para todos os fins práticos. O ponto do post do Eneraldo é exatamente mostrar que o que os criacionistas fazem é apenas confundir as questões e usar esta confusão para promover sua agenda ideológica.

      Não misture as coisas.

      • AntonioOrlando

        Rodrigo
        Sou um cético. E na minha primeira crise de ceticismo tornei-me ateu. Isso foi há mais de quarenta e cinco anos atrás. Todo o processo de questionamento de um ateu eu passei. E foi assim por dez anos. Do meu período como ateu aprendi, dentre outras coisas, que não há muitas certezas em relação à existência, ou não, de deus. Ou, se tem fé ou não se tem fé na existência de um ser superior. Ser ateu, ou ser cristão, no fundo tem muito mais a ver com idiossincrasias diversas, sobretudo, não há vilões nessa estória todos, ateus e religiosos, são carentes por um sentido. Religiosos e ateus querem uma resposta – mesmo que essa resposta venha na forma de uma “não resposta”, isto é, não há sentido para a existência/vida. No entanto, para o ateu essa “não resposta” é uma (re)afirmação de que sua idiossincrasia está “correta” e, por conta disso, isto é, ser detentor da “verdade”, de certo modo, satisfaz ao ego do ateu. Num contraponto, a ideologia do ateu, tudo é sempre ideologia, é “superior” à dos religiosos.e assim ele, ateu, é “feliz”.
        Gosto de saber em que eu estou acreditando. Ou em que consiste a minha doutrina cristã e, hoje em dia, meu ceticismo se traduz em leituras e estudos sobre a minha fé. E aquilo que acredito é extremamante racional. Meu cristianismo é racional poque eu tenho fé e eu tenho fé poque minha crenças/religião é racional. Isso é faz sentido acreditar que as coisas são do jeito que eu creio que são por meio da leitura cristã dos fatos.

        Um dos livros mais notórios do século vinte, O gene egoista, do Dawkins, é com certeza uma das maiores influencias dos evolucionistas atuais. Isso é claro na leitura de livros como como Steven Pinker, Sam Harris, Daniel Dennett, David Eagleman e tantos. Nos livros desses evolucionistas ateus você encontra os conceitos da “programação pela evolução” e toda a conceituação do gene como o senhor da máquina de sobrevivência. Conceitos e teorias foram e estão sendo deenvolvidos por conta do conceito de gene “egoista, no entanto, Dawkins no início do livro diz que tudo aquilo é uma grande especulação, pois não da para voltar no tempo e, sobretudo, ele, Dawkins, não estava “”lá”” para ver como tudo aconteceu. Dawkins reconnhece o óbvio, não se volta no tempo. Nesse sentido, a teoria da evolução é a maior criação de ficcão, quase cientifica, da história.

        Não tenho problemas com idade do Universo – quatorze, vinte ou trinta bilhões – na verdade são cerca de treze. No entanto, a formação da vida na Terra reside no terreno do mistério e qualquer especulação que saia do aqui e agora da organização das espécies vivas é chute. Por conta disso, a teoria da evolução se insere dentro dos meandros das maiores obras primas de ficcção da história – As mil e uma noites e outras. Saindo do terreno da ficcção, a única abordagem possível para a teoria da evolução é a fé. Do mesmo modo que os religiosos tem fé em seus deuses os evolucionistas tem fé em suas idiossincrasias especulativas.

        Abs..

        • Vc está misturando de novo as coisas, Pinker, Harris e Eagleman são evolucionistas em um sentido trivial, são pessoas que aceitam a evolução, mas o ponto fundamental são o que pensam os biólogos evolutivos sobre o atual estado de arte da biologia evolutiva. Mas uma vez, vc está trazendo para este post uma discussão que não tem a ver com ele e isso que estou chamando a sua atenção. Você está simplesmente presumindo que qualquer defesa da biologia evolutiva e da evolução como um fato é uma demonstração de neoateísmo, mas isso é simplesmente absurdo.

          Mais uma vez, você confunde perspectivas muito específicas com a o atual estado de arte da biologia evolutiva.

          Mas o que me incomoda mais em sua resposta é o trecho final que claramente o aproxima dos criacionistas:

          “No entanto, a formação da vida na Terra reside no terreno do mistério
          e qualquer especulação que saia do aqui e agora da organização das
          espécies vivas é chute. Por conta disso, a teoria da evolução se insere
          dentro dos meandros das maiores obras primas de ficcção da história – As
          mil e uma noites e outras. Saindo do terreno da ficcção, a única
          abordagem possível para a teoria da evolução é a fé. Do mesmo modo que
          os religiosos tem fé em seus deuses os evolucionistas tem fé em suas
          idiossincrasias especulativas.”

          Não, o fenômeno sobre evolução não é um chute e as duas autoras, que você insistiu em citar mesmo não tendo nada com a questão do post, engrossam o consenso científico sobre a realidade da evolução. É óbvio que não observamos diretamente processos e padrões que demoraram milhões de anos para ocorrerem, mas podemos inferi-los a partir de uma gama enorme de evidências consensualmente estabelecidas pelos cientistas que incluem, aliás, não só ateus, mas agnósticos, deístas, panteístas e teístas do mais variados tipos. Você é que parece obcecado com a questão do neoateísmo e insiste em trazê-lo para uma discussão em que isso não tem cabimento, apenas, aparentemente, por que eles também aceitam a evolução.

          Note que você não produziu nenhum argumento ou mostrou qualquer evidencia para sustentar sua posição:

          “… a única abordagem possível para a teoria da evolução é a fé. Do mesmo modo que os religiosos tem fé em seus deuses os evolucionistas tem fé em suas idiossincrasias especulativas.”

          Você está claramente entrando em águas criacionistas ao tentar fazer parecer que discussões internas a biologia evolutiva sobre mecanismos e padrões evolutivos, de algum modo, sugerem que a evolução é uma especulação ou um mero chute.

  • Excelente, Eneraldo. Só para acrescentar:

    O MIT, em 2010, editou uma compilação com os trabalhos apresentados pelos cientistas e filósofos que participaram do encontro em Altenberg em 2008 e que foi organizado pelo KLI:

    Pigliucci, Massimo and Müller, Gerd ‘Evolution: The Extended Synthesis’ Cambridge (MA): MIT Press, 2010. 504 pages [O capítulo 1 pode ser encontrado aqui: http://mitpress.mit.edu/sites/default/files/titles/content/9780262513678_sch_0001.pdf%5D

    http://mitpress.mit.edu/books/evolution-extended-synthesis

    Realmente é muito estranho que alguém cite como “documento com as conclusões que chegou o grupo que ficou conhecido como “Os 16 de Altenberg” “,  o livro de entrevistas (e distorções) baseadas nas postagens do blog da jornalista Suzana Mazur (que já deu mostras de não compreender nada de ciências biológicas e evolução, insistindo, por exemplo, em vincular o picareta Stuart Pivar aos trabalhos de evo-devo, o que deixou o biólogo do desenvolvimentismo Stuart Newman, um dos participantes do encontro, muito irritado) e não os trabalhos produzidos pelos próprios autores que participaram do encontro, todos, claro, não concordam com as conclusões da Mazur e muito menos com os devaneios dos criacionistas.

    Essa é uma das mais irritantes e comuns estratégias criacionistas, apresentar as discussões e desdobramentos normais de um campo de pesquisa científica em pleno vigor, como é a biologia evolutiva, como se essas discussões teóricas, conceituais e metodológicas fossem evidência de que há dúvidas sobre a realidade do fenômeno estudado pelo campo, no caso a evolução.

    Neste caso específico, os autores que reuniram-se em Altenberg apenas discutiram se já é hora ou não de considerar uma expansão da síntese evolutiva, ou seja, acrescentar descobertas, conceitos, mecanismos e cenários que tem sido discutidos nos últimos 30 ou 40 anos, aos que foram unificados nas décadas de 30 e 40 e que deram lugar a chamada teoria sinética da evolução. Nada mais normal que um campo tão dinâmico e progressista como a biologia evolutiva expanda seu repertório conceitual, instrumental e empírico sobre a evolução. Pensar que este tipo de discussão poderia significar que existem dúvidas sérias dentro da comunidade científica sobre a realidade do fenômeno da evolução, e sua explicação por processos naturais é, simplesmente, absurdo.

    Como poderíamos achar que mecanismos e processos naturais, bem como novos métodos e conjuntos de dados, que ampliam nossa capacidade de explicar fenômenos e padrões evolutivos poderiam significar que os cientistas põem em duvida a evolução. Só na cabecinha confusa e tendenciosa dos criacionistas mesmo é que isso faria qualquer sentido.

    [ ]s

    Rodrigo

  • Edson Marcon

    Michelson Borges tem um site criacionista, e postou este artigo quando cancelaram o forum na UNICAMP.

    http://www.criacionismo.com.br/2013/10/o-forum-cancelado-e-o-preconceito.html

    O autor Rodrigo Silva tenta defender a encontro “científico”

    Outro post pelo mesmo caminho:
    http://www.criacionismo.com.br/2013/11/adao-e-eva-na-unicamp.html

    Mas peixe morre pela boca: “terrorista pode, criacionistas não” — Admite que o encontro era sobre religião, afinal!

    http://www.criacionismo.com.br/2013/11/terrorista-pode-criacionistas-nao.html

    “Já o criacionismo e o cristianismo bíblico sempre foram
    uma pedra no sapato dos naturalistas, dos marxistas, dos gayzistas, dos
    evolucionistas e dos libertinos.”

  • Cícero

    Não passa de uma desculpa a alegação de “quote minning.”

    Isso só vem confirmar que consciente ou inconscientemente os evolucionistas citam coisas contrárias à sua crença.

    Se contradizendo várias vezes no próprio texto. Então se é fácil encontrar frases aqui e acolá; evidencia que a TE é extremamente vulnerável e instável pois seus próprios defensores falam coisas que no fundo não tem certeza, tropeçando em suas próprias palavras. Isso só prova incertezas confessando tais falhas deste castelo de cartas. Ou não falaram isso? seria um fantasma?

    São simplesmente alegações, suposições, especulações, deduções, então é correto mostra-lhes que falam contradições, logo, essas inconsistências mostram que não há base no que dizem defendendo a TE. Qualquer um lendo os textos atentamente acha essas brechas irreconciliáveis; não precisa ser nenhum Enézio da vida.

    Apenas mostram um momento de imparcialidade do autor que reconhece as dificuldades no campo das evidências que pesam contra a TE.

    Seria preciso então nas Citações, mencionar todo o capítulo ou páginas e folhas para incluir o contexto??? citações em livros diversos não fazem isso.

    Afirmações relevantes atestam bem o pensamento do cientista naquele momento, mesmo sendo necessário incluir o contexto para melhor compreensão em alguns casos de fato, mas geralmente não é necessário.

    Por ex. se eu pegar frases isoladas da bíblia, muitas (não todas) entende-se perfeitamente sem preciso incluir o contexto como:

    Não matarás, não roubarás, Jesus disse: eu sou o caminho a verdade e a vida, quem me odeia, odeia também a meu Pai, E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os curados? E onde estão os nove? etc.

    Na verdade, há farto material incluindo publicações científicas, com citações constrangedoras e comprometedoras demonstrando as insolúveis e crescentes lacunas dessa crença ideológica/filosófica/religiosa. Ex:
    http://www.asa3.org/ASA/PSCF/1996/PSCF9-96DeHaan.html#1

    O fato é que até hoje nenhuma publicação científica, mostrou alguma prova/evidência empírica científica sólida e irrefutável factual com visível, evidente e acentuada transformação morfológica de um ser a caminho, em desenvolvimento, para mudança real em outro ser DIFERENTE, nos fósseis ou vivos. (macroevolução).

    Mas adoram falar que ADAPTAÇÃO pela seleção natural, seria evolução!… Como nos famosos casos da Drosophila e E.Coli , sendo perfeitamente possível qualquer ser se adaptar,… mas as moscas continuam e sempre serão moscas e as bactérias continuam e sempre serão bactérias…

    A seleção natural pode ser capaz de explicar a sobrevivência de uma espécie, mas não consegue explicar o SURGIMENTO de uma NOVA espécie em NOVAS escalas taxonômicas verticais dos seres vivos.