Bule Voador

Bulecast 08 – Humor Depreciativo

Rafinha Bastos no CQC

O humor tem limites? Há uma patrulha vigiando nossas piadinhas pela internet? Vale censurar piadas que incitam ao crime? Debatendo isso e um pouco mais, estamos aqui em mais um bulecast! O podcast do Bule Voador para você ouvir em qualquer lugar sobre um tema que vez ou outra emerge nas discussões: até onde o humor poder ir, afinal?

Participantes do Bule: Eduardo Patriota, Natasha Avital, Asa Heuser, Vanessa Prates e Daniel Oliveira.
Edição: Eduardo Patriota
Para baixar o bulecast, clique no link de download acima com o botão direto do seu mouse e vá em “Salvar Link Como” ou similar (varia de acordo com o navegador sendo usado). Se você clicar diretamente sobre o link, o player padrão do seu navegador ou computador irá tocar o podcast. Você pode também ouví-lo clicando no player abaixo.
Eduardo Patriota
Uma pessoa que sempre gostou de debater e de ouvir diferentes pontos de vista. Blogueiro há muitos anos, se sustenta trabalhando com informática, mas é apaixonado pela área de humanas e psicologia.
  • Vanessa Almeida

    Eu tenho um professor de biologia que vive fazendo esse tipo de piada. Ano passado ele fez uma piada de estupro na sala (“se não quiser, a gente ‘estrupa’ mesmo”). Muita gente reclamou, o diretor brigou com ele e ele parou. Por um tempo. Agora ele anda fazendo esse tipo de piada de novo (para uma aluna: “se você fosse uma fruta, qual seria”, ela: “melancia” e ele disse algo sobre “te chupar”). Eu e uma amiga sempre ficamos indignadas, mas estamos nos cansando de reclamar das coisas, porque já ficamos conhecidas como as chatas, reclamos, etc. Algumas pessoas acham que, só por ele estar falando rindo, não tem problema.
    Me entristece ter que aguentar esse tipo de coisa.

  • Vanessa Almeida

    Eu tenho um professor de biologia que vive fazendo esse tipo de piada. Ano passado ele fez uma piada de estupro na sala (“se não quiser, a gente ‘estrupa’ mesmo”). Muita gente reclamou, o diretor brigou com ele e ele parou. Por um tempo. Agora ele anda fazendo esse tipo de piada de novo (para uma aluna: “se você fosse uma fruta, qual seria”, ela: “melancia” e ele disse algo sobre “te chupar”). Eu e uma amiga sempre ficamos indignadas, mas estamos nos cansando de reclamar das coisas, porque já ficamos conhecidas como as chatas, reclamonas, etc. Algumas pessoas acham que, só por ele estar falando rindo, não tem problema.
    Me entristece ter que aguentar esse tipo de coisa.

    • deedeehellblazer

      Faz uma coleta de assinaturas dentro de sua escola e entrega ao diretor.
      Vcs com toda a certeza não estarão sozinhas 🙂

  • Leon Cavalcanti Rocha

    Pessoal, que tal disponibilizar o feed para download desse podcast? Acho que só tem a adicionar, e vocês podem ganhar muitos ouvintes 😀

    • Como seria isso, Leon?

      • Leon Cavalcanti Rocha

        Ele funciona mais ou menos como o Feed de RSS de um blog, só que só traria os episódios do podcast. Daí qualquer agregador de podcasts poderia pegar os episódios automaticamente. O iTunes é o maior exemplo de agregador de podcasts atualmente, mas ele tem um sistema próprio, atrelado à Apple. Não sei bem como funciona, mas acho que é só olhar com outros podcasters. Não duvido que eles darão facilmente o caminho das pedras!

  • Wismar Zanella

    Gosto em geral das matérias do blog, mas esse bulecast ficou um pé-no-saco, sinceramente, não consegui ouvir mais de 20 minutos…

    Bom, primeiro porque na descrição está escrito que seria um “debate”… Debate pra mim significa pessoas com ideias opostas discutindo sobre um tema e tentando dialogar sob pontos de vista diferentes. Claramente não foi esse o caso, porque todos tem a mesma opinião sobre o assunto.

    Segundo, falar que a piada do Rafinha Bastos teve conotação de estupro??? Assim, não sou fã do cara, também achei sem graça a piada, mas falar de estupro é no mínimo não saber interpretar basicamente o que ele quis dizer. Me digam: que homem hetero nunca comentou numa roda de amigos: “Ah, eu comeria Fulana”?? Até eu que sou gay já disse “Nossa, se eu fosse hetero eu comeria Ciclana” 😛
    Enfim, o fato de qualquer pessoa falar uma coisa dessas primariamente quer dizer: “Acho Fulana muito atraente sexualmente e certamente faria sexo com ela SE ELA QUISESSE” e não: “Eu com certeza estupraria ela se tivesse oportunidade”!!!

    Por último, definir qual tipo de humor é ofensivo ou não é subjetivo e extremamente injusto. Porque 99% do humor adulto é baseado em fazer chacota de algum grupo social, sexo, etnia, país, nacionalidade, características físicas ou personalidade, etc.
    “Fazer piadas consideradas sexistas, racistas e homofóbicas é ofensivo, porque podem ter mulheres, negros e gays que vão se ofender, mas piadas que depreciam gordos(as), feio(as), gaúchos, italianos, pessoas famosas, etc. aí é aceitável, porque nenhuma pessoa que se encaixa em algum desses grupos vai se ofender”.
    Não tem a mínima lógica! Seguindo esse raciocínio, o humor se reduziria a coisas completamente infantis do tipo: “O que é um pontinho preto no céu?”.
    E, dependendo da resposta, ainda teria gente que ia julgar a piada racista.
    Ah, e nem piadas sobre ET seriam válidas, porque eventualmente alguém que acredita piamente em extraterrestres se ofenderia com um humor que banalizasse a existência deles…

    • vanessa prates

      Wismar, debate é uma discussão entre duas ou mais pessoas que desejem colocar suas ideias em questão OU discordar.
      Onde que não foi um debate?

      E vc diz:
      ”Porque 99% do humor adulto é baseado em fazer chacota de algum grupo social, sexo, etnia, país, nacionalidade, características físicas ou personalidade, etc.”

      Precisa aprender a fazer diferente, ué.
      E o *humor adulto* não é isso, não. Temos exemplos de humor diferenciado e não depreciativo. Precisa aprender a fazer diferente.

      Não existe subjetividade quando o alvo da piada são grupos que já foram oprimidos o suficiente pela história. Aliás, pq vc acha que só tem “graça” quando o alvo são as minorias(leia-se: gays, mulheres, negros)? E pq a maioria dos piadistas ~e interlocutores ~ são homens, brancos e hetero?

      Acho que vale a pena refletir.

      • guilherme

        Acompanho a um tempo o blog e acho muito bom, estão de parabéns mas no caso tenho que concordar com o Wismar em um ponto, o debate ficou bem pobre sem pelo menos um humorista para acrescentar um ponto de vista diferente no debate.

      • Wismar Zanella

        Vanessa, sim, essa é a definição de “debate” de acordo com o dicionário, mas olhando mais pra frente no que está escrito na Wikipédia, por exemplo:

        “Geralmente debates são longos, e raramente se chega a alguma conclusão, porém é uma prática considerada saudável onde uma pessoa pode ver vários lados de uma mesma questão, desta forma, as pessoas que participam, aprendem concomitantemente sobre algo que uma e a outra não sabiam.”

        Sei que Wikipédia não é parâmetro pra muita coisa, mas acho que é isso que vem à mente da maioria das pessoas quando imaginam um debate, especialmente se ele for acerca de um tema polêmico como esse.

        “E o *humor adulto* não é isso, não. Temos exemplos de humor diferenciado e não depreciativo. Precisa aprender a fazer diferente.”

        E vc não citou nenhum… então tá né!!

        Se vc analisar mais atentamente, quase todo humor deprecia em maior ou menor grau raça, etnia, etc etc…A diferença é que alguns o fazem de forma mais velada ou simplesmente depreciam grupos que até hoje não se importaram em se sentirem ofendidos e por isso as pessoas acham que realmente é um humor não-depreciativo.

        “Não existe subjetividade quando o alvo da piada são grupos que já foram oprimidos o suficiente pela história.”

        E quem define que grupos já foram oprimidos “o suficiente” pela história? Negros sofreram muito no passado, então nada de piadas, mas judeus também foram muito oprimidos na II GM (e nem faz tanto tempo assim). Ah, protestantes também foram oprimidos e perseguidos na Idade Média. Então melhor banir também do humor “politicamente correto” (sic) piadas sobre judeus e “crentes”. E assim vai… Vê como é subjetivo?

        “Aliás, pq vc acha que só tem “graça” quando o alvo são as minorias(leia-se: gays, mulheres, negros)? E pq a maioria dos piadistas ~e interlocutores ~ são homens, brancos e hetero?”

        Eu não acho isso (e creio que muito menos vc)!! Aliás, penso que a maioria do humor que abranja somente essas 3 minorias já está um tanto “batido”. E parece que você restringiu as minorias a apenas gays, mulheres e negros, como se somente elas fossem as minorias relevantes na sociedade.
        Sobre a maioria dos humoristas serem homens e brancos (heteros eu questiono muito haha, e mesmo se forem, não tem como definir sexualidade de ninguém conhecendo apenas suas piadas e estilo de humor), isso acontece em diversas profissões de destaque, e já é um longo assunto pra outra discussão, que creio não ser o foco aqui!

        • vanessa prates

          Bom, Wismar, sobre humor, temos o conhecido e intrigante (e sutil) humor inglês, por ex.

          No filme que citamos no bulecast, “O riso dos outros”, tb tem um outro ótimo exemplo. Acho que vale a pena dar uma checada. É bem legal. Garanto pra vc.

          Olha, eu não acho que esse humor esteja batido no sentido de já saturado, não! Tanto que é o que mais fazem por aqui. E se o fazem é pq tem recepção/interlocução, né?

          E depois vamos contextualizar, né, amigo? Mulheres morrem por serem mulheres na nossa sociedade, gays o mesmo. E negros…bem, vivemos num país racista que até ontem (séc. XIX) escravizava o grupo – e com embasamento científico (negro preguiçoso, negro irracional, negro perigoso). LÓGICO que são grupos de minorias absolutamente relevantes na sociedade brasileira. (foram oprimidos pela história em escala mundial, mas nós temos a nossa história aqui)

          O mesmo vale para os judeus. O que dizer da segunda maior desgraça humana? (Não que esteja atrás da escravidão. Pra mim, ambas são igualmente desprezíveis. Tá lado a lado pro horror!)
          Brincar com a desgraça, com o holocausto, como o Gentili fez, ahhh, amigo, é totalmente ofensivo e inaceitável.

          Bom, sobre a sexualidade dos piadistas. Até onde sei a grande maioria é, sim, hetero. E ainda que não fosse. Não é pq um gay faz piada de gay que ele representa a opinião de um grupo todo. O mesmo vale pra um negro que faz piada de negros.

          Abs.

          • Gabriel Rodrigues

            Homens as vezes morrem apenas por serem homens também. Ex: alistamento obrigatório em tempos de guerra (exclusividade masculina).
            Judeus as vezes matam outras pessoas em massa também. (Ex: palestina)
            Negros matam brancos por serem brancos. (Ex: bloods e crips) e muitas tribos africanas tinham uma cultura escravagista antes das escravizações em massa por brancos.
            Quanto ao “embasamento científico” para escravidão de negros, nada daquilo era ciência, mesmo naquela época.

            Se o piadista faz piadas preconceituosas infelizes com frequência, ele logo é boicotado e esquecido pela comunidade de comediantes – ou seja, já existe um processo natural para evitar esse tipo de coisa.

            Existe muito espaço para o humor “politicamente incorreto” que vai contra o status quo. Sátira é uma das ferramentas mais eficientes para provocar mudanças sociais, e como tal é importante demais para ser censurada em nome do direito (inexistente, por sinal) de não ser ofendido.

            Liberdade de expressão atropela todos os direitos existentes (e inexistentes, como no caso).

          • vanessa prates

            gabriel, meu amigo, já me cansei desse papinho:
            ah, mas nós tb morremos em massa.

            amigo, mulheres tb vão pra guerra, tá? só essa dica pra vc.

            e quando digo que mulheres morrem por serem mulheres, me refiro a misoginia presente na nossa sociedade msm.

            judeus matam palestinos? bem, mas isso não é argumento pra relativizar o horror racial do holocausto ~ logo, estaria permitido tb rir de judeus.
            nunca, jamais, amigo.

            agora equipar gangues formadas e nascidas da marginalidade (que o próprio sistema racista e opressor criou), que supostamente matariam tb brancos, com o que a escravidão representou….meu amigo, sem comentários pra isso.

            e sim, gabriel, não é ciência pra nós hoje, obviamente! mas o racismo científico foi um fato. aliás, racismo esse que influenciou o imaginário social ~ através de crenças e mitos ~ e que ainda é muito presente na nossa sociedade.

            e veja bem: isso foi praticamente há 3 gerações atrás.

          • Gabriel Rodrigues

            já me cansei desse papinho:
            ah, mas nós tb morremos em massa.

            eh mesmo né… esse papinho já deu. Talvez nós homens devêssemos morrer em massa calados. É isso que você está sugerindo?
            amigo, mulheres tb vão pra guerra, tá? só essa dica pra vc.
            Mas não obrigatoriamente, como eu escrevi acima. Leia meu post direito. Já ouviu falar de alistamento obrigatório feminino? Quando as mulheres são forçadas a participar de guerras, é sempre junto com crianças e idosos, e porquê os homens já morreram todos.
            judeus matam palestinos? bem, mas isso não é argumento pra relativizar o horror racial do holocausto ~ logo, estaria permitido tb rir de judeus.
            Não diminui o horror do holocausto mas mostra que os judeus não aprenderam nada com as próprias mazelas. Se tivessem aprendido, não seriam tão rápidos ao arrancar os palestinos de seu território a força.
            E outra, desde quando não é permitido rir de judeus? Posso rir e fazer piada de judeu se eu quiser. Posso fazer piada de palestinos, católicos, muçulmanos, ateus, o que quer que seja, independente de se eu vou “ofender” os grupos ridicularizados. Lembra-se do “dia de desenhar maomé”?
            agora equipar gangues formadas e nascidas da marginalidade (que o próprio sistema racista e opressor criou), que supostamente matariam tb brancos, com o que a escravidão representou….meu amigo, sem comentários pra isso.
            Nota zero em leitura e interpretação de textos para você. Estou citando especificamente casos de crimes raciais de negros contra brancos, e usando isso para explicar que o fato de ser negro e nascido na marginalidade não perdoa os crimes raciais cometidos por eles.
            e sim, gabriel, não é ciência pra nós hoje, obviamente! mas o racismo científico foi um fato. aliás, racismo esse que influenciou o imaginário social ~ através de crenças e mitos ~ e que ainda é muito presente na nossa sociedade.
            Não, não foi ciência naquele tempo também. As pessoas queriam muito que fosse, e tentavam pintar o racismo como científico, mas não era ciência. Ciência é atemporal em seus métodos, que precisam de evidências e controles. Se tivessem sido encontradas evidências incontestáveis da superioridade de determinadas raças com relação a outras, seríamos forçados a aceitar que determinadas raças são “piores”.
            A mesma coisa ocorre hoje, e sempre ocorreu no mundo todo. Essa tentativa de se passar pseudociência como ciência. Esse blog aqui era um que tinha diversos artigos sobre o assunto antes de começar a procurar pelo em ovo e tentar censurar comediantes.
            Repare que eu não estou negando que o racismo existiu, e que diversos países tinham programas de eugenia, estou afirmando que isso não conformava com os métodos científicos e portanto não poderia ser considerado ciência.

          • vanessa prates

            Gabriel, eu já cansei pq esse argumento é argumento número uma na boca de mascus. Cansei mesmo.

            Morrer em massa calados? (rs) Não, amigo, então se unam contra alistamento obrigatório pra homens, por ex. Eu não sou a favor, obviamente, mas como feminista tenho preocupações mais urgentes do que isso.

            E o alistamento obrigatório é algo criado dentro de um sistema patriarcal/machista que pensam que vocês homens é que devem tomar contam disso. Já pra nós, mulheres, ficaria reservado o mundo doméstico – e os bastidores, como cuidados com os feridos e esteiras para construção de armas.

            Sobre os judeus.
            Se os judeus se comportam como também genocidas, amg, eu é que não tenho o direito de brincar com o horror que o povo passou. Não mesmo. Se você acha que isso te permite a fazer piadinhas com judeus&holocausto, meu lamento.

            Nota zero?
            Enfie sua avaliação no seu orifício, colega. Não preciso de ”catedrático” num espaço de debate.
            Vc citou gangues americanas de negros que não só matavam brancos. Eles se enfrentavam também (e tb com gangues de latinos). E essas gangues são a epítome da segregação/marginalização sofrida graças a um mundo/ordem branca racista.
            Lembre-se vc que os negros, nos EUA, tinham o seu ir e vir vigiado e cerceado. Não eram todos os espaços que eles podiam acessar, não.
            O que você acha que pode emergir de um clima opressor e violento como esse? Violência, evidentemente.
            Se você não consegue ver isso, tb não posso fazer nada 😉

            E depois como é que você pode imaginar ser ‘de boa’ piadinhas com negros através desse argumento ridículo de ‘que alguns deles tb mataram brancos’? COMO?
            E grandes bostas que alguns grupos étnicos africanos escravizavam outros. Em que mundo isso é justificativa pra massiva comercialização/escravidão promovida pela europa/américa? Escravidão, sob qualquer aspecto, é IMORAL.

            o.O
            Ciência atemporal?
            Você é daqueles que acredita numa verdade/ciência pura e etc?
            Acho que você precisa pegar um livrinhos sobre ciência e ciência no século XIX, viu.
            A ciência, como tb produção/atividade humana, não tá nada livre de influências políticas, religiosas, socioculturais. Não mesmo.

            A pesquisa científica avançou horrores no século XIX, mas não temos como negar as teorias racistas que legitimaram as próprias aspirações imperialistas – como a escravidão.
            Sim, naquela época eles acreditavam que negros representavam uma raça inferior a branca (no que diz respeito às qualidades morais, psicológicas, intelectuais). Uma raça muito próxima a dos animais. Pq você acha que existe a palavra mulato, por ex?

            Mas o pior é que sentimos o peso dessas crenças ainda nos dias de hoje. É lamentável, mas acontece. E as piadinhas que revisitam essas crenças pra causar riso no racismo do outro, é um belíssimo exemplo.

            Eu fiz um trabalho sobre negros no século XIX, Gabriel. Se você quiser posso passar umas bibliografias bem bacanas pra você.

          • Gabriel Rodrigues

            Gabriel, eu já cansei pq esse argumento é argumento número uma na boca de mascus. Cansei mesmo.
            E, como o argumento é de “mascus” ele é automaticamente inválido. Herp derp.
            Morrer em massa calados? (rs)
            Vai rindo, não é com você mesmo…
            Não, amigo, então se unam contra alistamento obrigatório pra homens, por ex. Eu não sou a favor, obviamente, mas como feminista tenho preocupações mais urgentes do que isso.
            E ai quando os homens tentam se unir para acabar com esses problemas, eles são taxados de “mascus”, “machistas” e prontamente ignorados pelas feministas, que “tem preocupações mais urgentes que isso”.
            E o alistamento obrigatório é algo criado dentro de um sistema patriarcal/machista que pensam que vocês homens é que devem tomar contam disso. Já pra nós, mulheres, ficaria reservado o mundo doméstico – e os bastidores, como cuidados com os feridos e esteiras para construção de armas.
            E que as mulheres aceitaram enquanto era conveniente. O sistema patriarcal/machista deu de bandeja as requisições do movimento feminista sem nenhum derramamento de sangue, que seria esperado caso realmente existisse uma opressão.
            Se os judeus se comportam como também genocidas, amg, eu é que não tenho o direito de brincar com o horror que o povo passou. Não mesmo. Se você acha que isso te permite a fazer piadinhas com judeus&holocausto, meu lamento.
            Não é porque os judeus se comportam como genocidas que temos direito de zombar deles. Temos direito de zombar deles independente de qualquer coisa. São pessoas, e como tal estão sujeitas a zombaria. O exemplo serve pra mostrar que judeus não são santos, e não estão acima de cometer atrocidades.
            Enfie sua avaliação no seu orifício, colega. Não preciso de ”catedrático” num espaço de debate.
            Então pare de cuspir falácias e distorcer o que foi dito.
            Vc citou gangues americanas de negros […] Escravidão, sob qualquer aspecto, é IMORAL.
            E eu por um acaso apresentei algum argumento em favor da escravidão? É por isso que eu te dou nota zero em interpretação de textos. Atenha-se ao que está sendo discutido ao invés de tentar me pintar como escravagista, falácia do espantalho é uma coisa abominável em uma discussão e revela sua desonestidade.
            Ciência atemporal?
            Você é daqueles que acredita numa verdade/ciência pura e etc?

            Nota zero. Eu disse “a ciência é atemporal em seus métodos”. A metodologia científica é a mesma. Você coleta dados, controla variáveis, compara comportamentos e faz previsões refutáveis. Se você não faz isso, não é ciência. Os criacionistas podem gritar e espernear que a terra foi feita a alguns milênios atrás e dinossauros são tentações do capeta, e podem até fundar sociedades “científicas” para provar o grande dilúvio, mas isso não é ciência porque os dados/observações discordam dessa teoria. Da mesma forma, por mais que Hitler tente pintar os negros/judeus como inferiores, isso não é ciência porque as observações discordam.
            Diferentemente por exemplo de modelos atômicos ou astronômicos, que mais tarde foram refutados. Tais modelos faziam previsões que mais tarde descobriu-se serem falsas, mas como a metodologia foi respeitada, isso é ciencia.
            naquela época eles acreditavam que negros representavam uma raça inferior a branca
            Acreditaram sem embasamento científico. As pesquisas tinham furos metodológicos enormes. Não era ciência.
            Mas o pior é que sentimos o peso dessas crenças ainda nos dias de hoje. É lamentável, mas acontece. E as piadinhas que revisitam essas crenças pra causar riso no racismo do outro, é um belíssimo exemplo.
            E…? Vamos negar o racismo agora? Vamos censurar tudo e fingir que não existe e nunca existiu? Qualquer referência ao racismo será punida?
            As piadas podem ser de mal gosto, mas é necessário que existam para que possamos experimentar uma sociedade livre.
            Os cristãos vivem falando que estão sendo oprimidos quando ateus fazem piadas, imagina se fosse proibido? Melhor que todos possam falar o que quiserem, independentemente se o que está sendo dito é controverso.

          • vanessa prates

            Meu amigo, vontade de tacar
            o vídeo do Caetano pra vc, viu

            Eu
            resisto em participar dos comentários do Bule, ainda que seja colaboradora, pq
            o que mais encontramos por aqui são homenzinhos pregando e desmoralizando
            argumentos/idéias com suposição em algo ”ilógico”. Parece as olimpíadas do
            “agora é minha vez de falar que usou falácia” (que nojo)

            Choro
            de mascus? Não, obrigada.

            Derrame
            suas lágrimas que eu nado nelas.

            E é
            isso mesmo, colega, vão lá e reivindiquem o que vcs acharem melhor. Eu que não
            tenho nada a ver com isso.

            “Aceitaram
            quando era conveniente” ?

            Amigo,
            as únicas mulheres que questionam o status quo somos nós feministas. O resto
            caminha conforme a sociedade dita pro gênero. Quero ver vc falar isso na cara
            da sua avó: “vc ficou em casa e com as crianças pq lhe foi
            conveniente”. Ela ficou pq foi orientada pra essa função. O fato é, ela não é
            responsável pelo seu alistamento. Melhor, nós mulheres não somos responsáveis
            pelo seu alistamento.


            lá e brigue com quem inventou essa porra toda. (rs)
            Nós-não-temos-nada-com-isso!

            E
            desonesto é você, criatura.

            Quando
            falava sobre racismo e escravidão pro Wismar, você veio com esse comentário:
            ”Negros matam brancos por serem brancos. (Ex: bloods e
            crips) e muitas tribos africanas tinham uma cultura escravagista antes das
            escravizações em massa por brancos.”

            O comentário é
            estúpido por si próprio. Como se centenas/milhares de brancos morressem nas
            mãos de negros através de uma legião amparada por uma ideologia de morte aos
            brancos. Faz favor, né. Gangues de Chicago, LA??? E ainda vem fazer o
            comentário mais batido dos que desejam relativizar a escravidão: mas na áfrica
            eles tb escravizavam.

            E pra
            finalizar, que tenho um colosso de papéis aqui na minha mesa: Quem foi que
            disse que não existia método, hen? Bacon, Descartes, Comte rolam no túmulo!
            Mas quem disse que eles não encontraram supostas evidências? Os cientistas tinham
            explicações mirabolantes pra falar de raças, como medição de crânios, por ex.
            Mas hj nós sabemos a besteira que isso representa. Mas a ciência é assim, meu
            caro: progresso.

            (Pelo
            menos concordamos que existe racismo. Aleluia!

            Só que enqto vc acha que a piada é uma expressão de denúncia, eu acho que ela – além de
            ofender – ainda corrobora com a manutenção dos próprios preconceitos/estereótipos.
            Mas existem, sim, boas piadas de denúncia, viu)

            Mas parei com vc, pois o tópico já desvirtuou faz tempo.
            Boa tarde.

          • Wismar Zanella

            Não ia me meter na discussão de vcs 2, mas seu último post me fez mudar de ideia Vanessa… olha o que vc esceveu:

            “o que mais encontramos por aqui são homenzinhos pregando e desmoralizando
            argumentos/idéias com suposição em algo ‘ilógico’.”

            WHAT?? Senti um tamanho desprezo da sua parte em relação a esses supostos “homenzinhos”

            Ah tá, ja entendi: vc é contra a piada ofensiva, seu negócio eh depreciar e ofender assim na cara dura!
            Isso pq ja tinha mandado o cara enfiar alguma coisa no orifício dele…

            Não concordo com tudo o que o Gabriel disse, mas ele tem seu ponto de vista e argumentos que merecem no mínimo serem discutidos decentemente, e não falando coisas do tipo: “Cansei de discutir com vc” “O comentário é estúpido por si próprio”…

            E outra, se determinada ideia pra vc é totalmente “ilógica”, nao significa que ela seja estúpida em si. Se o cara se deu ao trabalho de escrever e mostrar a opinião dele, eh pq ele acha que tem algo a acrescentar na discussão em questão.

            Enfim, se for pra desmerecer, desprezar e xingar as outras pessoas, é melhor mesmo que vc continue não participando dos comentários do Bule.

          • Wismar Zanella

            Vanessa, conheço o humor inglês… intrigante e que deprecia de forma bem mais sútil, mas enfim, não vou mais discutir isso…
            Vou ver o documentario que vc falou.

            E poxa, eu NUNCA falei que mulheres, negros e gays não são minorias relevantes, até pq eu faço parte de uma dessas minorias! Eu critiquei o fato de que vc continua dando importância SOMENTE a essas minorias, quando na verdade existem várias outras minorias que a maior parte das pessoas não dá a mínima.

            Na boa, se ofender com piadas, quando a intenção é realmente apenas o riso e a diversão, é muita falta de maturidade e/ou complexo de inferioridade e insegurança em relação à minoria que vc pertence. Cara, e daí que tem um monte de hetero que fica fazendo piadas de “viadinhos” e se achando superiores aos gays? Vc acha que eu me ofendendo com eles vão fazer eles refletirem e pararem com as piadas? Não, muito pelo contrário! Se a piada for boa, eu dou risada junto, se for ruim eu apenas dou de ombros e daqui a 10 minutos já esqueci ela, pronto!
            Porque no fim das contas, o respeito e admiração a gente conquista no dia-a-dia, com as nossas atitudes, mostrando que a gente é como qualquer outra pessoa em essência, e não querendo fazer os outros engolir guela abaixo que o nosso grupo é importante (ou até mais importante, como alguns lamentavelmente agem) e deve ser respeitado.

            Bom, já to perdendo o foco, haha
            Só pra terminar, em geral pelo menos a percepção que eu tenho), os mesmos gays que se ofendem com piadas homofóbicas, são os primeiros a rir das que debocham de heteros. As mesmas mulheres que se ofendem com piadas machistas, são as primeiras a rir de piadas feministas, etc.
            É como diz o ditado: pimenta nos olhos dos outros é refresco…

  • kell

    “Chatice” , resume bem esse “debate”.

  • Vinicius Poa

    Acho esse tipo de humor terrível, deve ser criticado, merece todo o meu “buuuuuuuu”. acho mais: humor inteligente não bate em quem sempre (socialmente) apanhou, mas bate nos grandes, nos que são considerados socialmente melhores que os outros. poderia falar horas do meu asco em relação a esse tipo de piada.
    Dito isso, é um absurdo proibir o humor babaca racista homofóbico escória da sociedade de expôr seu lamentável humor, desde que estejamos numa sociedade livre e que queiramos estar. Isso em nome, entre outras coisas, de não ter minha opinião proibida em outros contextos (contextos religiosos fundamentalistas, por exemplo).

    • Cordélia Leite

      Espere aí…também odeio piadas que humilham quem sempre apanhou, mas defender um humor que bate nos “grandes” tem cara de revanchismo pra mim. Será que aquele cara rico que está ouvindo a piada sempre humilhou pobre? Ele é um vilão? Merece ele isso? Será que agora é certo contar piadas que diminuam os homens? E olha que sou mulher. Você assumiu a posição de juiz e quer condenar pessoas que você não conhece, mais um grupo que você apenas estereotipa. Brancos podem não ter as mesmas dificuldades que negros, homens podem não ter as mesmas dificuldades que homens e daí por diante, mas será que agora são todos vilões? A vida deles é um paraíso? Deve esses ser massacrados para ter seus direitos respeitados?

      Ao contrário do que um outro disse aí em cima, não temos o direito de zombar de ninguém, sabe porque? Porque todos merecemos respeito. Então um diz que é liberdade de expressão, outro que é sátira, crítica social…e o que acontece é que alguns humilham sem parar sem nunca ter que lidar com as consequencias disso. Não se troca uma degradação por outra. Não se combate um preconceito com outro. E me enoja ver alguns criando teorias para justificar o eterno ciclo do mal. Porque é isso que vamos ter se passarmos a fazer piadas de ricos, homens e héteros e sei lá mais o que. Ideias de dívida cármica social não cheiram bem.
      E o pior é que depois do discurso de alguns verdadeiros racistas mal intencionados qualquer um que não pense exatamente assim ou assado é imediatamente visto como racista ou algo parecido. Mas não posso deixar de colocar aqui minha opinão só para parecer “legal”.

  • Carolina

    Piada, assim como novela, jogos, filme, poesia, livros não têm compromisso em “ensinar” moral (certo e errado). Te expor a algo, “história, fato”, é bem diferente de dizer sejam assim, façam isso! Se as pessoas mudam comportamento, opinião por contato com essas coisas, é porque elas quiseram. Ter contato com algo pode influenciar pensamentos e reflexões, mas não vai mudar quem você é ou o que você pensa a menos que você deixe. E sobre o conteúdo ser ofensivo? Exceto que tenha alguma lei que nos obrigue a ter contato com essas coisas, estaremos a salvo! Fiquem tranquilos.

  • Ótimo podcast. Algumas referências sobre os efeitos sociais nocivos do humor depreciativo (evidências de que ajuda a CAUSAR discriminação): http://lihs.org.br/humordepreciativo

    • Vinicius Poa

      Seria interessante comparar com as evidências dos efeitos nocivos do cerceamento da liberdade de expressão.

  • Leonardo Frohnhofer

    Não acho que deva ser proibido, mas não pode deixar de ser criticado, ou seria o mesmo que dizer “quero falar babaquices e não ser criticado por isso”, o mesmo direito de homofóbicos fazerem piadas com estereótipos de homossexuais, é o meu direito de dizer que eles são babacas e tentar fazer outras pessoas enxergarem que eles são babacas. Resumindo: quer ser babaca? seja, mas não venha de xorôro com “liberdade de expressão” se uma parcela da sociedade não concordar com as merdas que você fala.

  • Leonardo Frohnhofer

    Não acho que deva ser proibido, mas não pode deixar de ser criticado, ou seria o mesmo que dizer “quero falar babaquices e não ser criticado por isso”, o mesmo direito de homofóbicos fazerem piadas com estereótipos de homossexuais, é o meu direito de dizer que eles são babacas e tentar fazer outras pessoas enxergarem que eles são babacas. Resumindo: quer ser babaca? seja, mas não venha de xorôro com “liberdade de expressão” se uma parcela da sociedade não concordar com as merdas que você fala.

    • Gabriel Rodrigues

      É exatamente esse o cerne da questão. Todo mundo tem direito de fazer piadas sobre o assunto que quiser, mas tem que aguentar as críticas depois – afinal a liberdade de expressão vale para os dois lados. Boicotes também são válidos – se o comediante acabar sendo expulso porque acabou com a audiência do programa, isso não é censura.
      O problema é quando começam a querer calar o comediante, enviando cartas pedindo para a retirada de seu programa, sua expulsão, ameaçando acionar a justiça, mandar pra cadeia, ameaçar de morte, etc. Isso é censura, independente de ser uma censura exigida pela própria população (o que inclusive a torna o pior tipo de censura, pelo menos quando é o governo que censura temos a desculpa de dizer que estamos sendo oprimidos).
      O correto seria enviar cartas expressando insatisfação com a piada, exigir pedidos de desculpa, boicotar o programa, reclamar na internet, etc.

  • ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…

    Essa é a minha reação toda vez que eu ouço esse papinho.