Bule Voador

Jurista responde a Silas Malafaia – Maria Berenice Dias

 

Advogada Especializada em Direito Homoafetivo, Direito das Famílias e Sucessões.
Desembargadora aposentada do TJRS.
Vice-Presidente Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família — IBDFAM.
Presidenta da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB.

www.estatutodiversidadesexual.com.br
www.direitohomoafetivo.com.br
www.mariaberenice.com.br

“Queridos todos,

Eu já havia decido que não debateria mais sobre temas ligados a orientação sexual com Silas Malafaia, mas depois da participação no programa ‘De Frente com Gabi’ fica difícil aceitar que fale sobre temas que não o competem.
Então lá vai minha resposta!
Ajudem a compartilhar!
Conto com a participação de todos!
Um beijo e meu afeto,
Maria Berenice Dias.

Guilherme Balan
  • Jonas

    Silas já tratou de responder ao Eli Vieira:
    http://livrenocaos.blogspot.com.br/2013/02/a-ciencia-de-silas-malafaia.html

    Vamos ver a resposta que ele vai dar para a Maria Berenice, que certamente será tão boa quando a outra.

  • André Martins

    A homofobia do pastor fica clara quando ele coloca o sexo homo na mesma categoria de crimes, como assassinato, e não na categoria de coisas erradas, como gostar de pizza doce, por exemplo. Mas, para mim, ele faz alguns questionamentos relevantes. Então repito as perguntas do post anterior: o que seria caracterizado como violência filosófica? É possível para a psicologia readequar tanto o desejo quanto o ego, apenas um deles, ou nenhum deles?

    • Reges Mendes

      Pelo jeito, André, ainda que possamos concordar em linhas gerais com os ideais que ganham espaço por aqui, sempre será mal vista toda tentativa de questionar qualquer parte desses ideais, ainda que o objetivo seja evoluir a tese.

      Daí minha perturbadora percepção de que o meio cético brasileiro ainda tem mais semelhanças que diferenças com o meio religioso.

    • AlexRodriguesdoNascimento

      André, talvez sua pergunta fosse melhor respondidas por profissionais da área da psicologia, mas tentarei expor algumas coisas.

      Vc pergunta: “É possível para a psicologia readequar tanto o desejo quanto o ego, apenas um deles, ou nenhum deles?”

      Bom, achei um questionamento meio estranho, uma vez que quando vc utiliza a palavra “readequar”, imagina-se que esteja se referindo a algo que, em tese, não estaria “adequado”. Porém, o que as posturas atuais relativas à orientação sexual dizem é que não existe tal coisa como “inadequação de orientação” nos casos de pessoas hetero, homo, bi (excluindo-se, aqui, algumas parafilias, claro).

      Mas deixando essa parte de “inadequação” de lado, pois nãos ei se foi isso que vc quis dizer. Passemos a um próximo ponto.

      Me parece que o cerne da sua pergunta é o seguinte: “é possível para a psicologia mudar o orientação sexual de uma pessoa?” (antes de mais nada, deixo claro que pra mim isso é equivalente a perguntar se é possível para a psicologia mudar a mão com que a pessoa escreve, se é possível pegar um canhoto e fazer dele um destro, mas divago…).

      Bom, sobre isso, acho que um documento da APA (American Psychological Association) pode ser útil: http://www.apa.org/pi/lgbt/resources/therapeutic-response.pdf

      Transcrevo aqui parte do texto presente na página 54:

      Our systematic review of the research on SOCE (Sexual Orientation Change Efforts) found that enduring change to an individual’s sexual orientation as a result of SOCE was unlikely. Further, some participants were harmed by the
      interventions.

      • What appears to shift and evolve in some individuals’ lives is sexual orientation identity, not sexual orientation (Beckstead, 2003; Beckstead & Morrow, 2004; Buchanan, Dzelme, Harris, & Hecker, 2001; Cass, 1983/1984; Diamond, 1998, 2006; McConaghy, 1999; Ponticelli, 1999; Rust, 2003; Tan, 2008; Throckmorton & Yarhouse, 2006; Troiden, 1988; Wolkomir, 2001, 2006; R. L. Worthington, 2003, 2004).

      • Some participants in SOCE reported benefits, but the benefits were not specific to SOCE. Rather, clients perceived a benefit when offered interventions that emphasized acceptance, support and recognition of important values and concerns.

      Tentando clarear um pouco o que quero dizer, vou destacar o seguinte: “What appears to shift and evolve in some individuals’ lives is sexual orientation identity, not sexual orientation”
      ou seja
      “o que parece mudar e evoluir na vida de alguns indivíduos é a identidade da orientação sexual, não a orientação sexual”.

      Ok. isso aí acima não clareia nada, só confunde! Que diferença é essa entre “orientação sexual” e “identidade de orientação sexual”? Bom, vamos lá para outro trecho do mesmo documento:

      “sexual orientation refers to an individual’s patterns of
      sexual, romantic, and affectional arousal and desire
      for other persons based on those persons’ gender
      and sex characteristics. Sexual orientation is tied to
      physiological drives and biological systems that are
      beyond conscious choice and involve profound emotional
      feelings, such as “falling in love”.”

      Em resumo, orientação sexual se refere ao padrão individual de afeição, excitação e desejo por outra pessoa.
      Por outro lado:
      “‘Sexual orientation identity’ refers to acknowledgment
      and internalization of sexual orientation and reflects self-exploration, self-awareness, self-recognition,
      group membership and affiliation, culture, and selfstigma. Sexual orientation identity involves private and public ways of self-identifying and is a key
      element in determining relational and interpersonal
      decisions, as it creates a foundation for the formation of
      community, social support, role models, friendship, and
      partnering (APA, 2003; Jordan & Deluty, 1998; McCarn
      & Fassinger, 1996; Morris, 1997; Ponticelli, 1999;
      Wolkomir, 2001).”

      Resumindo, identidade de orientação sexual se refere ao reconhecimento e internalização da própria orientação sexual, refletindo autoexploração, autociência, autoidentificação, cultura. Envolve meios públicos e privados de autoidentificação.

      Voltando, quando os autores concluem que “What appears to shift and evolve in some individuals’ lives is sexual orientation identity, not sexual orientation”, o que eles querem dizer é que em decorrência das SOCE (Tentativas de mudança da orientação sexual) o que parece mudar é tão somente a expressão que a pessoa faz de uma orientação sexual, e não a orientação em si. Por exemplo, um homem homossexual que se submete a tais terapias pode até a passar a se relacionar com mulheres, mas será que o desejo dele realmente deu uma volta de 180º? Ou será que ele mantém o desejo por outros homens (e, portanto, continua a ser homossexual, ou quem sabe bissexual)? As pistas e embasamento para responder isso estão no documento citado.

      Seria como treinar um canhoto a usar a mão direita pra escrever; sim, ele pode aprender a fazer diversas tarefas com a mão direita, mas ele deixa de ser canhoto por isso?

      Abraço e bom feriadão.

      Em 8 de fevereiro de 2013 09:01, Disqus escreveu:

      • André Martins

        Pessoalmente eu acho que a aceitação é o melhor remédio, tanto que nunca usei finasterida. Mas pode ser que outras pessoas pensem diferente. Um canhoto querer treinar a mão direita para escapar da perseguição de quem acha que ser canhoto é coisa do capeta é diferente daquele que apenas quer escrever numa lousa sem os inconvenientes óbvios. Claro que sexualidade é muito mais complicado que ser canhoto, só queria ver esse tema melhor discutido. E ainda gostaria de saber o que é violência filosófica.

  • elymarsca

    Acredito que não precisemos de tantos estatutos assim para dar direitos as pessoas.

    Veja o estatuto da igualdade racial: Nada mais é que um “xupetex” da Constituição e do Código Penal.

    E o estatuto da diversidade sexual será a mesma coisa.

    É fato e é direito que todas as pessoas deverm ser respeitadas como seres humanos que são e terem seus direitos em igualdade.

    Uma pergunta: quando virá o estatuto do homem branco, de uma classe A, entre 25 e 55 anos, o responsável pelas desgraças do mundo?

  • marcelo

    Lamentável esse depoimento. Deus destruiu nações no passado por causa dessa mldição. Prostituição ilícita. Os defensores dessa maldição se fazem malditos também e Deus pedirá contas. tome cuidado sra excelência equivocada.