Bule Voador

Comentários a algumas repercussões do vídeo-resposta de Eli Vieira ao pastor Silas Malafaia

307464_531371870230939_508909514_nPretendo neste post compartilhar  comentários que surgiram no grupo de emails da Diretoria da LiHS, além de contribuições minhas, referentes a alguns textos publicados em repercussão ao vídeo do biólogo, geneticista e ex-presidente da LiHS, Eli Vieira, que respondeu a algumas opiniões emitidas pelo Pastor Silas Malafaia no programa De Frente com Gabi, do SBT. Disponibilizarei os links dos textos e reproduzirei apenas parte destes, com os subsequentes comentários de diretores da LiHS.

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Juilian Rodrigues, atual coordenador do CADS – Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo – publicou no Facebook um texto e em parte dele, Julian escreve o seguinte:

Acabo de ver a vídeo do simpático geneticista que tenta responder ao telepastor. A intenção é boa, mas é todo cheio de equívocos. E, pior, já estamos no campo do inimigo. O debate tem que se dar no campo dos DIREITOS HUMANOS, das ciências sociais, da filosofia. Trata-se de discutir construções sócio-históricas. NÃO INTERESSA SE ALGUÉM É HOMOSSEXUAL OU PESSSOA TRANS POR FATORES BIOLÓGICOS, CULTURAIS OU O QUE FOR. O que interessa é que todas e todos temos os mesmos direitos, e temos direito de expressar nossa sexualidade e nossa identidade de gênero como bem quisermos. Não precisamos de nos escudar na NATUREZA para justificar nosso direito de ser quem somos.

Segundo Guilherme Balan:

Eu concordo que a ‘origem’ da homossexualidade não precisa ser foco (assim como a ‘origem’ da heterossexualidade não precisa), mas se o Silas Malafaia falou que a ciência acha isso e aquilo, nada mais óbvio que dizer ‘não é isso o que a ciência diz, você não sabe do que tá falando’.

Concordando e complementando o email do Guilherme, a Natasha Avital escreveu o seguinte:

Acho uma tremenda falta de foco. Sim, é óbvio que não interessam as “causas da homossexualidade”, afinal se seguíssemos a lógica do “o que é opção não precisa ser respeitado” então nao teríamos que respeitar a religião ou posição política alheia. O ponto é: o Malafaia e outros pastores MENTEM qdo falam em genética, e cabe a nós fazer com que as pessoas tenham as informações corretas.

Genética não deveria importar no debate, mas importa. Mentiras sobre genética e biologia, mentiras sobre “causas” da homossexualidade (como a absurda tese do abuso na infância, que o Malafaia ressuscitou na entrevista dele) influenciam sim o preconceito. Não faz sentido deixarmos mentiras preconceituosas sem resposta só pq elas “não deveriam” importar. Discurso é muito bonitinho, mas enquanto o Julian (branco, cis e classe média) reclama de retrocesso, tem pais e mães de jovens homo, bi e trans (que, pra MUITA gente, são gays/lésbicas “ao quadrado”) que talvez reflitam um pouco com o vídeo do Eli, e com outras coisas no mesmo estilo, antes de tentar submeter os filhos e filhas a agressão psicológica e física pra “corrigir” o comportamento “antinatural” delxs. 

O Eli fala mais de uma vez no vídeo que orientação sexual e gênero em seres humanos é complexo e construído culturalmente, em nenhum momento ele disse que a gente nasce com “o gene gay”, que “nasce homem ou mulher”, ou nada parecido.

Um outro texto, publicado também no Facebook, que comenta o vídeo do Eli foi da socióloga Regina Facchini. Segundo essa autora:

“(…) penso que amplificar a visibilidade dos opositores é um erro de estratégia política.”

Sobre isso eu opino o seguinte: não vejo problema nessa amplificação de visibilidade neste caso específico. É certo que não estamos falando aqui de algum Zé Ninguém obscuro e desconhecido. Silas Malafaia é conhecido nacionalmente, tem à sua disposição centenas de púlpitos em templos, várias horas semanais de TV e milhares de seguidores nas redes sociais; deveríamos realmente nos preocupar em estar “amplificando a visibilidade” desse senhor? A resposta foi às declarações feitas em um programa de entrevista em uma rede nacional de TV aberta, ou seja, ele já contava com certa visibilidade considerável. O alcance que ele tem já é enorme, e o problema é justamente que raramente aparece alguém para contrapor seus argumentos de uma forma consistentemente embasada e amplamente divulgada, por isso esse vídeo do Eli é tão importante, e espero que a mídia tradicional saia um pouco de sua zona de conforto e passe a dar mais visibilidade a pessoas que se proponham a questionar o extremismo religioso, muito bem representado por pessoas como o Malafaia. Deixá-lo falar sem que se questionem as suas respostas, creio eu, é muito mais danoso.

Ainda sobre esse ponto, Thiago Viana escreve:

Vejo muitos reclamando que damos holofotes para Malafaia. Discordo por inteiro disso: holofotes ele já tem e das duas uma, ou a gente aproveita pra atacar quando ele aparece, desconstruindo as asneiras por ele ditas, ou o discurso dele será tomado como verdade porque ninguém o contesta

Em outros trechos, Facchini diz:

“Após ver, rever o vídeo e observar o debate em meios ativistas, não tenho dúvida de que a contribuição científica mais interessante ao debate político em torno do reconhecimento dos direitos de LGBT em curso no Brasil é o fato de Vieira diferenciar GENÉTICA de INATISMO, de modo a abrir a possibilidade de botar fim ao simplismo e ao reducionismo que imperam a partir da evocação da dicotomia entre “comportamento inato” X “adquirido”. No entanto, há um ponto que me preocupa muito: a repercussão nas redes sociais foi bastante grande, especialmente entre pessoas preocupadas com a defesa dos direitos de LGBT, mas infelizmente parece não se ater a essa diferenciação. Qual o problema disso? A questão é que essa diferença é o que faz com que Vieira não seja apenas mais um determinista que pretende ignorar aspectos políticos e culturais que envolvem a conduta humana. (…) Lamento o uso que se tem feito na rede desse vídeo pra dizer que “vejam, que bom, a gente nasce assim!”. Além de simplificação absurda da questão e distorção do que o autor do vídeo diz, há uma acomodação a um olhar reducionista em relação ao “comportamento humano”, que desconecta a questão de seu norte político mais profícuo: trata-se de reconhecimento ou não dos direitos humanos (e, portanto, do status humano) de um contingente de pessoas que se identificam ou são identificadas a partir de desejos e afetos não direcionados para pessoas do “sexo oposto”. Observando tudo isso, meu primeiro impulso é um olhar bastante pessimista sobre as possibilidades e limites da articulação entre ciência e luta política. Tendo a pensar que as pessoas, inclusive ativistas por direitos LGBT, não estão prontas ou dispostas a ver complexidade alguma e que de fato esperam que alguém aponte uma origem única e bem simples do “comportamento humano”. O que mais pode explicar que Malafaia tenha tantos ouvidos e que a difusão do vídeo de Eli Vieira tenda a aquipará-lo a um determinista de quinta categoria? Infelizmente, me parece que esse desejo de simplificação é nosso maior inimigo político e – o pior! – ele mora dentro de nós mesmos.”

Acerca dessas ponderações, Rodrigo Véras opinou que:

Muito bem colocado e as preocupações dela são realmente bem pertinentes, mas, como ela mesmo diz, a maioria das pessoas tendem a ter esta gana por simplificações exageradas, como fica patente ao não reconhecerem que afirmar que existem influências biológicas, especialmente genéticas, em nossa forma de sentir e de nos comportarmos, não é mesmo que dizer que somos determinados por estas influências e que, portanto, a experiência e reflexão pessoal consciente e mesmo toda sorte de influências socioculturais não fariam parte da matriz causal que realmente faz de nós o que somos. Só não compartilho do pessimismo dela em relação a articulação entre ciência/divulgação científica e política, pois, embora realmente muita gente tenha passado batido nas distinções e ressalvas do Eli, temos um cientista e um divulgador científico as fazendo abertamente e não simplesmente repetindo simplificações grosseiras.  Eu acho que é um bom começo e, na verdade, a continuação de uma tradição de cientistas mais engajados e socialmente sensíveis que não gostam do excesso de simplificação que muitas vezes a mídia e as pessoas demandam.

Luiz Henrique Coletto complementa:

“acho que este texto dela é muito bom, reflete bem as questões colocadas neste momento em torno do vídeo. Acho que ela interpretou de forma bem sofisticada o vídeo do Eli, fugindo das reações mais massificadas (e compreensíveis dada a complexidade da genética para leigos) que recaem no determinismo mesmo.”

Um outro texto que analisou a repercussão foi publicado por Leandro Colling, e em um trecho ele escreve:

“o geneticista produziu um vídeo bem intencionado, no qual apresenta alguns estudos que comprovariam a tese que “existe sim uma contribuição dos genes na orientação sexual homossexual”. Vejam que ele fala em “contribuição” e não em determinação, lembra que o ambiente e a cultura também devem ser levados em consideração, mas ainda assim ele tem o objetivo de defender a genética como uma área com “a verdade” sobre as nossas sexualidades. (…) Para o geneticista, ainda que ele, às vezes, relativize um pouco o seu argumento, algumas pesquisas já poderiam apontar que sim, que questões genéticas podem explicar o que torna alguém com orientação sexual homossexual.  Pois eu chamo a atenção para as relativizações que estão na fala do próprio geneticista e, em especial, nos textos sobre as pesquisas que ele mesmo cita.”

O texto é longo e o autor faz críticas pertinentes aos estudos citados por Eli Vieira em seu vídeo, não vou descrever tais críticas aqui para que este post não fique mais longo do que já vai ficar, mas recomendo que deem uma olhada no link do texto de Colling.

Sobre o texto de Colling, Rodrigo Véras responde:

“O autor toca em questões interessantes e que merecem serem discutidas como a questão das limitações dos estudos  com gêmeos, mas discordo dele em vários pontos em que acho que ele exagera e meio que defende ‘uma reserva de mercado’ para as abordagens culturais do fenômeno de identidade de gênero e orientação sexual.

Não vi nada no vídeo que desse a entender que o Eli tivesse o  “o objetivo de defender a genética como uma área com “a verdade” sobre as nossas sexualidades.”. Uma vez que ele evita cair na armadilha do inatismo e reconhece as multiplas influências nestes processos, me parece que o autor está tentando ‘ler a mente’ do Eli.

Embora haja limitações no que pode ser concluído por delineamento como as comparações entre gêmeos mono e dizigóticos e que em muitos casos existam indícios de vicio amostral, a falta de consenso é muito mais em torno se existe algum tipo de variação genética comum que pode explicar parte desta variação herdável. Eu particularmente não acredito que sejam encontrados genes gays strictu senso, mas que combinações genéticas e epigenéticas tenham em certas combinações uma influência causal maior ou menor em certos ambientes e dentro de certos processos de construção de gênero e orientação sexual. A alegação é na verdade bem modesta e em nenhum momento necessariamente exclui outros tipos de componentes que por vezes podem ter uma influência muito maior.

Porém, creio que o maior problema é partir da ideia que sempre que se fala de influências genéticas ou biológicas, de modo geral em qualquer característica cognitivo-afetiva humana, muitas pessoas entram em pânico e acabam passando por cima do que realmente é dito e proposto, imaginando que  os autores estão sempre pressupondo ou defendendo alguma forma velada de determinismo genético.

Ao meu ver o vídeo do Eli é uma reação aos erros crassos cometidos pelo Malafaia que nega peremptoriamente qualquer influência genética e hereditária na orientação sexual das pessoas, como se isso fosse estabelecido de maneira clara e inegável, quando na verdade o consenso dos especialistas é bem diferente disso e, ainda que não completamente conclusivo, pende muito mais para o lado da existência desses componentes que interagiriam com outros fatores causais não-biológicos de maneiras muito complexas em virtude de várias linhas de evidências que apesar de ainda não serem conclusivas são muito sugestivas, especialmente caso não se adote a ideia que devem haver um número pequeno de loci que tenham um enorme impacto neste processo e estejam por trás de todas as manifestações e que determinem a ferro e fogo todas as orientações sexuais e de identidade de gênero.

Mas o texto é muito bom, ainda que as conclusões sejam na minha opinião fracamente apoiadas pelo raciocínio que ele monta.”

Em um outro email, Luiz Henrique Coletto opinou sobre os textos de Colling e do Julian:

Acho que o texto do Colling acabou reverberando este pé atrás que quase todos os pesquisadores do campo da sexualidade nas humanidades e os ativistas LGBT têm em relação à biologia. Não sem razão, pois história é história e não se apaga.

Eu li o texto do Julian mais cedo, e afora o tom mais agressivo, vai muito na linha do que o Colling colocou. Eu entendo que essas críticas que estão pipocando (e são minoritárias, mas são importantes) refletem a dificuldade de lidar com este tema da genética e da “origem” da orientação sexual em relação ao ativismo. O que me parece um erro neste caso específico em relação ao “debate genético” – mas não em outros contextos – é descontextualizar o vídeo do Eli de seu propósito e enfoque inicial. Não era uma abordagem holística (no sentido de ampla ou completa) sobre sexualidade, mas sim um réplica a afirmações específicas sobre genética, ainda que feitas por um ignorante-bom-orador como o Malafaia. Então este é o contexto de produção do vídeo, e é nisso que me parecem estar pecando as críticas.

Logo após, Rodrigo Véras respondeu ao Coletto:

“Não poderia concordar mais com sua análise, Luiz. Concordo que os textos e as críticas da Regina e do Colling são pertinentes e que merecem ser lidos e até divulgados, e que mesmo a  preocupação sobre a forma como muitos dos pesquisadores das ciências naturais algumas vezes tratam questões individuais, sociais e culturais complexas não é nada absurda. Realmente existe um histórico de medicalização e de simplificação grosseira destas questões e até politicagem criminosa com cooptação de parte do ‘establishment’ científico que envolveram temas como racismo, sexismo, homossexualidade, transsexualidade etc. Mas creio que as coisas melhoraram com o tempo e, como disse antes, existe também um histórico de pesquisadores mais engajados e atentos a estas distorções, como Haldane, Jacquard, Lewontin, Kamin e Gould que sempre denunciaram os abusos cometidos e alertaram para o fato de que isso pudesse acontecer de novo, mesmo às vezes exagerando a mão em certas críticas.”

Em um texto que pretende (e falha miseravelmente) ser uma resposta a Eli Vieira (cujo teor vocês podem ler no portal A Tarde), Silas Malafaia escreveu:

“Se o rapaz metido a doutor em Genética quiser saber mais, leia o livro Nascido gay?,  do Dr. John S. H. Tay, que tem mestrado em Pediatria e dois doutorados: um em Genética e outro em Filosofia, e analisou 20 anos de pesquisas sobre o assunto.”

Abaixo, mais um email de Rodrigo Véras específico sobre essa questão:

parece que a carta na manga deles é o livro desse tal de John S. H. Tay, um médico e geneticista clínico de Singapura que escreveu o livro “Born Gay? Examining the Scientific Evidence for Homosexuality” que obviamente foi traduzido para o Português por editoras evangélicas e aqui recebeu o título de “Nascido Gay? Existem evidências científicas para a homossexualidade?”. Em uma revisão rápida no Pubmed achei vários artigos dele que mostram que realmente ele é um pesquisador e profissional da área de genética médica, já tendo publicado trabalhos envolvendo gêmeos e estudos genéticos associativos. Contudo, entre os artigos que ele publicou, nenhum deles lida com a questão da homossexualidade. Portanto, os argumentos dele supostamente descreditando estudos genéticos e biológicos sobre a questão não passaram por peer review. Um sinal de alerta importante.

A sinopse que pude achar no goodreads suscita mais sinais de alerta. Vejam só:

“This book examines the frequent statement made by homosexuals and their supporter: “I am born gay and so I cannot change.” The author, a trained clinical geneticist whose two doctorates are in the field of genetics, approaches this issue objectively by reviewing 20 years of high-quality research papers published in reputable international journals. This is done in order to examine the growing public and political acceptance of the view that homosexuality is entirely biological and thus immutable. Written for the general public, this book is devoid of technical terms as far as possible and avoids complex mathematics and statistics.

A parte que me chamou mais a minha atenção é esta aqui: ‘This is done in order to examine the growing public and political acceptance of the view that homosexuality is entirely biological and thus immutable.’.

A questão, como todos já devem ter percebido, é que nenhum dos trabalhos feitos por pesquisadores sérios desta área, mesmo os mais ambiciosos e pouco cuidadosos em suas alegações, como Dean Hammer, que teorizam sobre um ‘gene gay’ (ou pequenos conjunto de genes em um locus bem específico), afirmam tal coisa. Não vejo os geneticistas e neurocientistas que estudam esta questão afirmarem que a homossexualidade é inteiramente biológica ou mesmo que ela seria imutável, o que, diga-se de passagem, não é também endossar as tentativas de mudança ou supressão deste tipo de desejo e muito menos validar as absurdas terapias de conversão, uma vez que não se considera que esta orientação seja patológica, além de não existirem evidências que as tais terapias sejam minimante eficazes. Então, caso a sinopse seja um indicador fidedigno do conteúdo do livro, fica claro que ele vai argumentar contra um espantalho e não contra as posturas mais sérias como a que o Eli defendeu.

 Lendo uma das resenhas do livro com que me deparei, encontrei esta pérola:

 “No capítulo inicial denominado uma avaliação de pesquisas publicadas ao longo das últimas duas décadas o autor propõe uma discussão sobre a tão propalada base biológica para a homossexualidade. Ele inicia a conversa citando o psiquiatra estadunidense Jeffrey Satinover que polemiza a questão ao afirmar que a procura por uma base biológica para a homossexualidade pertence àqueles que querem destruir todas as experiências clínicas que provam ser a homossexualidade sujeita à mudança. Posteriormente, o Dr. Tay expõe condensadamente reveladoras conclusões que fundamentam a fala supra. Já no fechamento desse capítulo o autor assume uma posição sobre ser a homossexualidade mais ambiental ou genética e se os gays podem mudar.”

 Além da besteira de confundir a existência de uma base genética para uma dada característica com imutabilidade da mesma, e de referir-se à ideia ridícula de terapias para curar a homossexualidade, a citação é de ninguém mais ninguém menos que Jeffrey Satinover, o psiquiatra/físico quântico de “Quem somos nós?” que, como se não bastasse ter um histórico de defender ideias pseudocientíficas do tipo nova era, é também um conhecido ativista antigay (que como já visto defende de ‘terapias de coversão’, desacreditadas pela própria APA, sendo um membro da NARTH), além de sugerir que o Prozac poderia também trazer a ‘cura’ e defender outras ideias esdruxulas como a existência de códigos secretos por trás da bíblia hebraica com profecias.

Lendo mais esta e outras resenhas, ao que parece, ele simplesmente defende que as estimativas de herdabilidade são infladas e a influência genética seria menor. Só isso. Claro, ele também parece defender bastante as terapias de conversão, mas não creio que o que ele mostre ou diga e que possa ter algum fundo de verdade refuta o que o Eli colocou.”

E o Luiz Henrique Coletto complementa com informações sobre o autor:

“Bom, só pra complementar com o que andei lendo pela internet sobre a figura. Rodrigo já colocou o essencial, mas queria apontar para alguns pontos que podem ajudar, embora o problema maior seja: não temos acesso ao livro. E a razão é simples: ele foi produzido para servir a grupos religiosos, não foi lançado por editora reconhecida, é de 2010, e não achei discussões sobre a obra feitas por outros pesquisadores em artigos (o que daria alguma credibilidade ao livro). E há uma cereja do bolo interessante ao final sobre o Código Penal de Singapura. Senta que lá vem a história:

O nome dele, segundo o Rodrigo, é John Sin Hock Tay. Eu achei também uma variação para John Tay Sin Hock. É a mesma pessoa, e esta segunda “ordenação” dos sobrenomes aparece em alguns daqueles sites que avaliam médicos. Dito isso, a formação dele foi em pediatria e em genética, e ele chefiou o departamento de pediatria da Universidade Nacional de Singapura (NUS) durante 7 anos, sendo professor da NUS por 22 anos. Aqui me interessa: ele saiu de lá em 1995.

Segundo o Rodrigo, não há nada dele publicado especificamente sobre homossexualidade. Uma das minhas questões é: ele publicou alguma pesquisa em periódico, na área dele, depois de 1995? Não consegui achar algum currículo completo dele na internet. Segundo trecho biográfico que aparece em alguns sites, de 1996 (logo após sair da NUS) a 2004, ele foi “decano” e vigário da St Andrew’s Cathedral (diocese de Singapura).

A trajetória dele começa a ficar suspeita depois de 1995 mesmo. E ela segue o padrão de ativismo antigay dos Estados Unidos: utilizam-se de seus títulos, prestígio e publicações sérias sobre certo assunto, para tentar divulgar, seja por má interpretação ou manipulação, “dados científicos” que indicariam que a homossexualidade pode ser revertida, curada ou tratada. Não é possível dizer que seja exatamente o caso deste pesquisador, mas todo o cenário é muito suspeito. E a cereja do bolo parece confirmar isso ainda mais.
O John Sin Hock Tay é hoje Decano da Faculdade de Estudos Bíblicos da Bethany International University (BIU), que fica em Singapura, também conhecida como Bethany School of Missions. A BIU é bem obscura, mas é fácil sacar a ideia deles: treinar pessoas e evangelizar o planeta. Eu achei instituição mais antiga e de nome “homônimo” nos Estados Unidos, localizada em Minnesota, a Bethany College of Missions (BCOM). A filosofia é a mesma: treinar missionários e evangelizar o mundo. É bem feio o negócio…

Voltando à BIU, eles tem alguns cursos, todos sobre “missões, liderança, estudos interculturais, educação intercultural, ministério”, indo de certificados até PhD. Só não é reconhecido por nenhuma instituição séria, claro, apenas pelo International Council for Higher Education (ICHE), que é um organização educacional cristã sediada em Zurique, na Suíça. Ou seja, eles que dão credibilidade aos seus estudos na BIU.

Voltando ao nosso pesquisador-reverendo: sem ler o livro, não temos como pegar pesado sobre o que ele escreveu. Entretanto, a julgar pela instituição a qual ele está vinculado, ao que ele ensina lá, é bem provável que o livro ou não diga nada que contrarie os estudos que o Eli citou, apenas trazendo linguagem truncada e relativizando o peso deles, ou seja um grande lixo à la Paul Cameron. Só lendo pra saber. De tão “impactante” que foi esta obra, não saiu resenha em periódico renomado algum, em site não religioso algum, em lugar nenhum. E a tradução em Português de obra tão importante já existe, pela editora do Silas Malafaia. Claro…

A este respeito, penso que é interessante ressaltar alguns pontos: (1) é um livro, e não um paper que tenha sido avaliado por pares; (2) o autor nunca publicou nada sobre homossexualidade ou orientação sexual; (3) o livro é de 2010, e todas as publicações deste autor depois da vida acadêmica na NUS são religiosas, de autoajuda ou pregação pura mesmo; (4) a obra não foi discutida por nenhum pesquisador renomado, editor de periódico ou elogiado/criticado em revistas especializadas; (5) o autor está vinculado a uma instituição religiosa e educacional cuja missão é preparar missionários para evangelizar as nações não cristãs.”

Ainda no texto que pretende refutar o vídeo do Eli, Malafaia escreve o seguinte:

“Mais uma para o pseudodoutor sobre os gêmeos monozigóticos, que são idênticos geneticamente: 35% desse tipo de gêmeo que é homossexual, o seu irmão gêmeo é heterossexual.  Logo, conclui-se que geneticamente não se nasce homossexual, e o fator externo, do ambiente, é fundamental para determinar isso. Preferência aprendida ou imposta. Ou todos teriam de ser homossexuais ou todos teriam de ser heterossexuais no caso de gêmeos monozigóticos.”

Antes de mais nada, seria interessante que o pastor indicasse exatamente de onde ele tirou esse número. Mas espera um pouco, não é ele mesmo que disse que “Não existe prova científica, apenas teorias científicas”? Então porque insiste em utilizar dados de estudos científicos para fazer valer o seu argumento? Ah, quando corrobora o que ele diz, aí vale, né? A despeito da qualidade dos estudos, né?

Bom, longe de mim querer que o pastor tenha noções epidemiológicas ou estatísticas básicas, afinal, não são áreas de conhecimento em que tenha domínio (assim como não é a genética, ou até mesmo a psicologia, curso em que é formado). Mas pegando apenas esse trecho e analisando-o superficialmente, podemos ver que é um verdadeiro tiro no pé.

Quando ele diz que ou todos deveriam ser homo ou todos hetero, no caso dos gêmeos monozigóticos (aprendeu palavrinha nova, né seu Silas?), o erro dele é, primeiro, achar que a existência de fatores genéticos levaria necessariamente ao inatismo e à completa desconsideração de outros fatores, o que é um equívoco simplista e reducionista, como já chamou a atenção a Regina Facchini linkada no início deste texto, e que o Eli tomou o cuidado de não alimentar.

Em segundo, e aqui pretendo me alongar um pouco mais, o erro reside também em considerar que em ciência as coisas são do tipo “tudo ou nada”, “0 ou 100%”, o que é mais uma besteira. E aqui vem o tiro pela culatra: se em 35% dos casos em que há um gêmeo monozigótico homossexual o outro é heterossexual, concluiu-se que nos outros 65% os dois gêmeos têm a mesma orientação sexual (ou seja, homo-homo ou hetero-hetero). (Atenção: estou me atendo aos dados utilizados pelo pastor como declaração de vitória, não estou analisando o estudo em si e sua validade, estou tão somente expondo mais essa falácia. Além disso, estou interpretando os dados como se fossem tirados de um estudo que pretendeu analisar a orientação sexual entre gêmeos, seja ela qual for; como não sei a qual estudo ele se refere, não tenho como saber como foi o delineamento do estudo).

Vamos a um exemplo bem fácil e conhecido. Já está bem documentado na literatura científica que há uma relação direta entre o uso do tabaco e o câncer de pulmão, e que essa relação é dose dependente. Isso quer dizer que todo mundo que fuma terá câncer de pulmão? NÃO. E será que quer dizer que as pessoas que não fumam nunca desenvolverão câncer de pulmão? NÃO. O que as centenas de estudos e revisões nos mostram é que quem fuma tem mais probabilidade de desenvolver câncer de pulmão do que quem não fuma; e quem fuma 2 maços por dia tem mais probabilidade de desenvolver a neoplasia do que quem fuma 1 maço por semana. Isso é epidemiologia e estatística básica. Portanto, voltando aos dados que o próprio pastor apresentou, temos que no caso de gêmeos monozigóticos a probabilidade de ambos terem a mesma orientação sexual (65%) é maior do que a probabilidade de um ser homo e o outro hetero (35%), o que nos daria uma evidência interessante de que pode haver fatores genéticos envolvidos na formação da orientação sexual das pessoas (ressalto novamente que não estou analisando o estudo em si, o Rodrigo Véras já fez algumas ressalvas nesse sentido ao comentar o texto do Colling, o qual também levantou problemas com estudos desse tipo).

Para quem quiser ler uma refutação mais completa das falácias e mentiras escritas por Silas Malafaia em sua “réplica”, recomendo o texto de David G. Borges publicado no ENFU.

Para finalizar este post, deixarei um trecho da Carta Aberta ao Pastor Silas Malafaia, de autoria do colunista do Estadão Daniel Martins de Barros:

“Fique em dúvida se deveria ou não escrever-lhe, já que embora eu tenha apreço por polêmicas, não queria entrar em um embate com o senhor. Mas não tive escolha, pois em sua entrevista com a Marília Gabriela o Sr. tocou em temas que me são muito caros, como ciência, cristianismo, comportamentos e moral, expressando, no entanto, visões muito diferentes das minhas, mesmo eu também sendo um cristão confesso. Senti então ser meu dever escrever, se não para estabelecer um diálogo, no mínimo para apontar tais diferenças, sob pena de eu ser acusado de omissão.

Ao contrário do senhor, acredito que os homossexuais devam ser tratados com absoluta igualdade, sendo-lhes facultados direitos civis plenos, inclusive para adoção de filhos, casamento etc. Negar-lhes tais possibilidades é tratá-los como seres de uma classe diferente, inferior, o que, não tenho muitas dúvidas, vai contra a palavra de Cristo.”

Editor: Alex Rodrigues

Alex Rodrigues
Carioca de nascimento (15/07/79), por
  • É meio estranho falar em “genes gays”. Caso isso existisse, creio que já teriam sido extintos, já que casais gays não produzem filhos, não é mesmo?

    • 1 – Levando em conta que em muitas sociedades a homossexualidade é reprimida como violência e já foi considerada criminosa grande numero de homossexuais se casavam por aparência e poderiam repassar esses supostos genes.

      2 – O suposto gene caso também influenciasse a bissexualidade seria facilmente transmitidas pelos mesmos através de suas relações heterossexuais.

      • AlexRodriguesdoNascimento

        Pouca gente séria defende a ideia de um “gene gay”, isso é só mais um espantalho que se tenta criar.

        Uma frase do comentário do Gabriel Moreira resume bem qual a ideia geral em vigor:

        “É importante lembrar freqüentemente que boa parte dos estudos e pesquisas citados não trata apenas da HOMOssexualidade, mas da sexualidade de uma forma geral, e que basicamente o que sabemos sobre a “naturalidade” e sobre o processo de formação de uma, também vale para a outra.”

        Ou seja, o que se discute seriamente é sobre a possibilidade de existência de influências genéticas (veja bem, não um “gene gay”, sequer um “gene hetero”, etc, mas influências com base genética, aí pode ser um , dez ou um conjunto de genes) contribuindo para a formação da orientação sexual das pessoas, deja ela qual for. Segue mais um trecho, retirado de post, que ilustra a questão:

        “a maioria das pessoas tendem a ter esta gana por simplificações exageradas, como fica patente ao não reconhecerem que afirmar que existem influências biológicas, especialmente genéticas, em nossa forma de sentir e de nos comportarmos, não é mesmo que dizer que somos determinados por estas influências”

    • Não necessariamente seria “um gene gay”, mas poderia ser um caso de interação gênica, onde vários genes auxiliassem na manifestação de uma característica quando encontrassem-se em um indivíduo.
      Dessa forma, todos os genes poderiam ser propagados em indivíduos heterossexuais que os possuíssem.
      Mas é claro que isso é só uma simplificação.

  • Bruno_Moura

    Esse debate envolve muitas coisas: A extensão de direitos heterossexuais a homossexuais (casamento, adoção etc), a criminalização da homofobia e do discurso considerado odioso contra homossexuais (o que pode conflitar com a liberdade expressão e de crença), questão da ética médica no que diz respeito a “cura gay”, a educação sobre homossexualidade nas escolas e etc.
    Dependendo da questão, a influência biológica na homossexualidade virá a torna como elemento determinante. Na minha concepção, é necessário estar bem informado sobre o assunto para melhor embasarmos nossas ações a cerca desta questão.

    É importante apresentar a questão biológica pois mostraria que as questões em torno da “orientação sexual” não seriam características facilmente substituíveis ou mesmo banais do comportamento humano. Se existe uma forte influência biológica agindo sobre a pessoa, certos tipo de discurso contra a prática gay, passam a ser mais extremamente cruéis. Criticar a orientação sexual de alguém, não seria o mesmo que criticar o tipo de roupa que a pessoa usa ou sua visão política… se fosse, uma lei contra discurso homofóbico seria eticamente insustentável. Discurso odioso e preconceituoso acerca da orientação sexual, seria algo mais próximo ao crime de racismo, em que uma característica inata da natureza do individuo se torna motivo de desqualificação pública.

    Claro que as coisas com relação a homossexualidade não são “preto no branco”, mas seja qual for a conclusão que tiramos a questão biológica se torna presente e vai ditar nosso entendimento sobre o assunto.

    • Concordo que a influência de fatores biológicos pode ser mais uma base de defesa dos direitos LGBT, entretanto, não acho válida sua comparação da homossexualidade com uma preferência política ou tipo de roupa, visto que, ainda que se tratasse puramente de uma opção, tendo em vista o percentual de homossexuais agredidos, física, verbal e moralmente é de extrema urgência não só uma lei, mas toda uma iniciativa pública que os ampare e proteja, o que não ocorre nos casos exemplificador pelo Sr.

      • Desculpe-me, mas acho que você não entendeu o que ele disse.
        Ele afirmou exatamente que homossexualidade “não” é semelhante a visão política, sendo mais próximo de raça, visto que também é uma característica inata.

  • No geral, a análise do Leandro Colling me agradou (embora ele esteja presumindo demais quando fala de genética, mas não vou me deter nisso agora). No entanto, acho um grave descuido, pra dizer o mínimo, alegar que eu disse que algo não é passível de ser questionado, quando o que eu disse foi que a base genética não é passível de ser negada por causa das evidências que apresentei. Trocar palavras para dar o sentido que quer ver no que eu falei, eu vez do sentido que de fato está no que eu falei, não é prática jornalística que se respeite.

  • Gunter Zibell

    Há uma outra discussão, que é política. Trata-se de saber quantas pessoas Malafaia consegue convencer com o discurso dele e qual partido irá querer comprar esse cacife eleitoral em 2014. É isso.

    • Caruê Gama Cabral

      Silas atrai um espanta dois eleitores, adorado por alguns e repudiado por outros. A prova de que o fundamentalismo religioso já não tem a mesma força foi a eleição do Hadad, o alvo preferido dos fundamentalistas por conta do “kit gay´´ foi eleito. Silas pode eleger deputados, vereadores e senadores entretanto seria um incomodo para algum candidato a presidência da republica.

  • Leandro Guedes

    Na minha opinião a resposta de Eli Vieira é válida, pois objetiva esclarecer as asneiras que Malafaia disse com relação aos estudos genéticos durante a entrevista.

    O confronto com o pastor não é falha estratégica, Malafaia já havia conseguido todos os holofotes com a entrevista, e já adota uma postura radicalista em seu discurso, não acredito que possa existir prejuízo em apontar as falhas de argumentação deste homem.

    Quanto a resposta de Julian Rodrigues, concordo sim que a discussão deveria estar em outro nível, e que para o debate de direitos humanos seria mais interessante uma abordagem de respeito às características do indivíduo, independente destas terem bases na sua natureza biológica ou se são frutos de suas escolhas, interações com o meio social, ambiental etc. No entanto, como o embate começou com esta enxurrada de informações inverídicas por parte de Malafaia, é necessário sim conscientizar a população.

    Só não gostei da resposta de Natasha Avital, dizendo que Julian é “branco, cis e classe média” e por isso estaria reclamando de retrocesso e não tendo atitudes positivas. Achei um ataque desnecessário a Julian, utilizando uma falácia ad hominem.

  • Felipe Lins

    Pq meu comentário foi apagado? Vou colocar mais uma vez o link do conselho federal de psicologia, que se posicionou contra o pastor.
    http://site.cfp.org.br/cfp-se-posiciona-contrariamente-declaracoes-do-pastor-silas-malafaia/

    E mais uma vez vou dizer que SIlas não é psicologo. Ter um diploma não significa nada. Ele nem exerce a profissão. Ele usa a expressão “sou psicologo”, na intenção de ter a opinião respeitada quando fala em comportamento homossexual.

  • Guilherme Henrique

    Antes de prosseguir, pretendo deixar claro que nada tenho contra o Sr. Eli ou contra o pastor, os quais, posso dizer, considero companhias estimulantes para discussões durante um café, cada qual em seu campo de atuação. Tudo aqui se trata, todavia, de honestidade intelectual.

    É interessante considerar que durante a exposição, o biólogo omite certas limitações dos estudos por ele apresentados, limitações estas que poderiam comprometer a interpretação dos resultados. Para citar apenas algumas: o tamanho da amostragem que não possui representatividade em relação à população geral , a discrepância de concordância entre os diversos estudos, a existência de bias a partir do modo pelo qual se configura a seleção dos participantes, utilização de conceitos clássicos( referentes à segregação dos fatores hereditários) para interpretar os resultados.Todos esses fatores que poderiam, de uma forma ou de outra, interferir nos resultados e induzir o falseamento da concordância entre gêmeos monozigóticos não foram sequer citados pelo biólogo. A única informação que certamente pode-se concluir a partir dos estudos apresentados diz respeito à inegável contribuição dos fatores ambientais na orientação sexual. Em contrapartida, tais estudos não comprovam, em momento algum, a contribuição genética na orientação sexual; não existe estudo na literatura científica que permita tal firmação.

    De forma semelhante ao pastor, que teceu comentários envolvendo a genética, o Sr .Eli mostra-se interessado em discursar sobre mapeamento cerebral, o qual direta ou indiretamente faz alusão a conceitos básicos de neurofisiologia e neuroplasticidade que o biólogo negligencia ou desconhece.

    A argumentação de Eli Vieira, embora interessante, não acrescenta nada ao debate. Tudo o que diz é parte de um discurso arcaico, modorrento, que está disponível desde os anos 50, mas é divulgado como “ciência fresca´´.

    É muito triste que exista, assim como o tóxico fundamentalismo religioso, um cientificismo oitocentista que concorre para a cristalização de idéias e conceitos.O mais triste é saber que a população leiga desconheça a episteme, os modos pelos quais se fundamentam a obtenção e a construção do conhecimento, e seja manipulada a considerar como certo algo que, embora se avente a possibilidade, não seja dado como certo.
    Enfim, tanto o fundamentalismo religioso como o cientificismo caquético travestido de neutralidade, ambos deveriam ser varridos da convivência social.

  • Caruê

    A abordagem poderia ser mais completa o que levaria a um vídeo muito longo, muitos abusam da modéstia cientifica dizendo é apenas uma teoria pode ser refutada, como se fosse frágil como vidro. Os estudos apontam algo, uma relação demasiada obvia a comparação que foi feita com gêmeos não idênticos o que descarta que existam apenas fatores ambientais. Todo esse discurso de neuro-plasticidade nos leva ao tratamento em relação a homossexualidade, algo nojento e asqueroso de ser defendido.

  • Eduardo R.E.

    Considerando a tabela de correlação apresentada do vídeo do Eli Vieira e a variável ser gêmeo idêntico ou não, parece-me correto afirmar que há influência genética. A diferença entre as correlações é grande demais para se concluir coisa oposta sem recorrer a alguma explicação extraordinária. Fatores ambientais também são importantes? Parece que sim. Mas se não houvesse influência genética, a relação de coincidência da homossexualidade em irmão gêmeos dizigóticos deveria ser igualmente alta.

    A única forma que eu vejo disso ser derrubado seria os estudos terem vícios de amostragem. Mas isso poderia ter ocorrido em todas essas pesquisas? Não é plausível.

    A negação da influência dos genes acaba comprando mais a ideia do determinismo cientifico do que a aceitação.

  • Alexandre

    Ótima pesquisa sobre a entrevista com o pastor Malafaia

    https://qtrial.qualtrics.com/SE/?SID=SV_06cXxvnr0uaPbxz

  • Ezequias

    Pensando aqui na evolução humana segundo a ciência: Depois dos milhões de anos de evolução dos microrganismos, seres sem inteligência ou consciência: Chegamos aos humanos modernos, ok. 1) Os humanos modernos surgiram bebês? 2) Já eram divididos em macho e fêmea? 3) Nasceram dos próprios ancestrais já trazendo essas características totalmente diferentes? 4) Em que momento houve a divisão ou percepção de consciência e inteligência? 5) E a linguagem? 6) E a criação do certo ou errado, bem e mal, vida e morte, ética e moral? 7) Já imaginou um humano primitivo, não sabemos em quais condições e nível de inteligência criando um ser imaginário e chamando-o de deus? 8) Porque nenhum outro animal conhecido até hoje desenvolveu as mesmas habilidades que temos? 9) Porque com a quantidade de avanço na ciência e tecnologia, ainda tantas pessoas morrem com doenças simples ou tantas passam fome?