Bule Voador

Os estupradores estão contando com você

RespeitoEste é um post sobre como não encorajar estupradores. Sobre como, através das suas atitudes, você pode diminuir as chances de que um estupro aconteça. Ele é baseado em estudos americanos a respeito do modus operandi de estupradores, além de estudos ingleses e australianos sobre estupro. No entanto, ao contrário da maioria dos conselhos circulando por ai a respeito disso, esse não tem nada a ver com o tamanho da sua saia. Ou com quem você sai, a que horas ou para onde. Ou com quanto interesse você demonstra em sexo. Na verdade, nem tem nada a ver com você ser mulher. Homens, prestem atenção: vocês podem contribuir tanto quanto as mulheres para desencorajar estupradores. Provavelmente, podem até contribuir mais.

É importante lembrar que o fato dos estudos aqui citados terem sido realizados em outros paises, não invalida sua aplicação à realidade brasileira. Embora não haja estudos do tipo no Brasil, nossa cultura é suficientemente parecida com a cultura destes países no que se refere aos principais fatores que influenciam o modus operandi de estupradores. Temos os mesmos mitos sobre estupro, a mesma idéia de “estupro verdadeiro” como apenas o estupro violento praticado por estranhos, temos a mesma cultura de culpabilização da vítima pelo estupro, e a mesma tendência a julgar e rotular mulheres por demonstrar interesse em sexo. Temos também a mesma cultura no que diz respeito a condicionar as mulheres a não dizer “não” de forma direta, principalmente no que se refere a um pedido sexual e/ou romântico por parte de um homem.

Nossa narrativa clássica sobre estupro tem pouco a ver com a realidade

Responda rápido: o que vem á sua cabeça quando se fala em estupro? Provavelmente, é a imagem de um homem armado atacando uma desconhecida, em algum lugar escuro e deserto. Afinal, essa é a narrativa clássica de estupro, aquela que nos acostumamos a ver como “estupro de verdade”. No entanto, esse não é o tipo mais comum de ataque, inclusive por uma razão muito simples: nós mulheres somos ensinadas desde muito cedo a vigiar nosso comportamento a fim de “evitar um estupro”. Quantas mulheres vc conhece que andam por aí de madrugada sozinhas, de salto alto e minissaia? Na verdade, nos EUA, 70% dos estupros são cometidos por alguém que a vítima conhece. No Brasil, embora haja menos dados a respeito, dados recentes revelam que, por exemplo, dos 16 estupros por dia registrados no Estado do Rio de Janeiro em 2012, a maioria foi cometido por amigos ou conhecidos e pesquisa de vitimização do instituto Ilanud revelou que 35% dos estupros ocorrem dentro de casa, e que armas são usadas apenas em 18% dos casos, o que revela uma facilidade do agressor em abordar a vítima. Não deveria ser surpresa pra ninguém. Afinal, amigos e conhecidos tem mais acesso á vítima, contam com a confiança dela e tem mais chances de intimidá-la para que ela não os denuncie.

Por que, então, o tipo mais comum de estupro não é visto como a regra? Por que as “dicas para evitar estupro” parecem sempre presumir um agressor desconhecido, que vai atacar violentamente a mulher em um beco, ou que vai drogar sua bebida? A maioria das dicas que correm por aí não são apenas em grande parte ineficientes contra o estupro por desconhecidos (muitas mulheres, p.ex: não podem se dar ao luxo de evitar esperar pela condução em pontos de ônibus desertos, ou percorrer o caminho do trabalho até em casa a pé, em ruas mal iluminadas), elas partem de dois pressupostos errados: o de que muitos estupros são “mal-entendidos” e o de que certas atitudes da mulher são “tentadoras” demais para que o homem possa se controlar.

Esses dois falsos pressupostos permeiam praticamente todo o debate sobre estupro porque, a princípio, eles parecem verdadeiros, quase intuitivos. Afinal, se uma mulher está se comportando de uma forma que parece indicar interesse em sexo, é possível que o homem interprete tais sinais de forma errada, certo? Aceitar ir para a casa de um homem após um encontro, aceitar ir para o motel com um desconhecido após uma noite de beijos e carícias, aceitar uma carona de um colega de trabalho após meses de flerte…todos estes são comportamentos que aprendemos a interpretar como indicadores de disposição para uma relação sexual. Não é difícil de acreditar que falta de comunicação leve um homem a iniciar o contato sexual, presumindo que a mulher assim o deseja, e que ela em nenhum momento diga “não”, levando a um trágico mal-entendido no qual uma mulher se sente estuprada sem que o parceiro tenha tido a intenção de estuprá-la, certo? Na verdade, se torna cada vez mais difícil de acreditar quanto mais a gente se lembra de como a comunicação humana funciona. A maioria de nós já passou por ao menos uma situação na qual expressamos, ou vimos alguém expressar, a falta de interesse em algo sem empregar em nenhum momento a frase “Não quero fazer isso”.

Estudos de “análise de conversação” conduzidos por Ktizinger e Frith no Reino Unido e O’Bryne, Hansen e Rapley na Austrália demonstraram dois fatos muito importantes a ser levados em consideração quando se discute alegações de “mal-entendido” e “falta de comunicação” culminando em estupro. Uma é a de que mulheres são ensinadas a não recusar diretamente propostas sexuais ou românticas. As mulheres entrevistadas relatam que dizer “Não estou interessada em você” seria percebido como “rude” e “arrogante”, que elas se sentiriam “mimadas/frescas” se fizessem isso, e que em geral suas recusas eram apresentadas de forma a demonstrar uma “inabilidade” de atender á vontade do rapaz (“não posso”, em lugar de “não quero”). A segunda é a de que os homens participantes do estudo eram perfeitamente capazes de entender tais respostas, juntamente com os sinais não-verbais que as acompanham (hesitação, silêncio, etc.) como recusas. O estudo de O’Bryne, Hansen e Rapley é particularmente interessante por demonstrar que, quando perguntados sobre como eles percebem a falta de interesse de uma mulher em fazer sexo ao final de um encontro, nenhum dos exemplos fornecidos pelos participantes icnluiu uma recusa explícita. É também digno de nota o fato de que estes homens declararam que, quando eles recusam sexo, também recorrem a frases que, embora mais diretas do que as femininas, também não contém a palavra “não” ou a expressão “não quero fazer sexo com você”, revelando que recusas diretas não são consideradas necessárias por eles para expressar/compreender a falta de interesse sexual.

Parece claro, então, que “mal-entendidos” resultando em estupro não são tão comuns assim, mesmo quando a mulher demonstrou em algum momento, ou parece ter demonstrado, interesse em sexo. Mesmo assim, tais fatores influenciam o estupro, certo? Afinal, roupas e comportamentos “provocantes” despertam o desejo sexual do estuprador, aumentando as chances dele decidir estuprar. Muitas pessoas acreditam, inclusive, que o estupro parte de um desejo sexual descontrolado do agressor, que não consegue se controlar ante a visão da “sensualidade” feminina e é dominado por seus instintos (embora sejam raras as ocorrências de estupros em circunstâncias nas quais o agressor corre o risco de ser flagrado no ato, embora mulheres usem roupas “sensuais” diariamente nos mais variados locais. O tal “instinto incontrolável” parece convenientemente só se manifestar quando não há muito risco de consequências negativas).

Tais mitos sobre estupros são muito úteis para estupradores. Eles fornecem um roteiro de como agir para não ser condenados pela agressão. Basta examimar um estudo recente conduzido na Universidade de Leicester, na Inglaterra, que demonstrou que homens tem mais facilidade de admitir que estuprariam quando a vítima hipotética usa saia curta, bebe álcool e é extrovertida. Os resultados do estudo foram reproduzidos internet afora, mas pouca gente parece ter compreendido o que realmente estava sendo pesquisado (basta observar o titulo do artigo em português na Hype Science, que declara “Mulher que usa minissaia tem mais chance de ser estuprada”). O estudo não mediu incidências reais de estupro entre a população (se medisse, veria que existem indícios de uma correlação negativa entre roupas “sensuais” e estupro, pois muitos agressores dão preferência a mulheres com baixa autoestima, e sensualidade costuma ser interpretada como sinal de autoconfiança). O que ele mediu foi a facilidade com que os homens estudados admitiam a disposição de recorrer á coerção sexual (medida em vários níveis, sendo 1 ser convidado para a casa da mulher e 27 o que é entendido como estupro propriamente dito). Não há que se falar aqui em nenhum instinto sexual despertado pela visão da mulher, já que a suposta “vítima provocante” sequer existia. Tampouco em “mal-entendidos” provocados por um comportamento que, supostamente, indicou que a mulher queria sexo. Estes homens estavam em um ambiente controlado, respondendo a um questionário, e sendo explicitamente questionados a respeito das circunstãncias nas quais forçariam o sexo. Antes de acreditar na pouco plausível teoria de que tais homens sabem de antemão em qual situação se veriam “dominados pelos instintos” a ponto de “não conseguir evitar” estuprar, é necessário examinar a hipótese de que eles se sentiram mais á vontade para admitir um estupro hipotético quando a vítima se encaixava no estereótipo de “mulher que provocou”. Estes homens passaram a vida inteira ouvindo que certas mulheres são ao menos parcialmente responsáveis por seus estupros. E aprenderam a lição: certos estupros são mais aceitáveis.

Estratégias de estupradores: se aproveitando da cultura de culpabilização da vítima

Em uma sociedade que repetidamente apresenta a idéia de que certos tipos de estupro são mais aceitáveis e certas vítimas mais culpadas pela violência que sofrem, não é difícil entender como certos agressores desenvolvem estratégias para estuprar com maior chance de impunidade. É o que demonstram dois estudos americanos, um deles conduzido em 2002, com estudantes universitários, e outro em 2009, com integrantes da Marinha. Tais estudos demonstram que apenas 7% dos estupradores atacavam somente desconhecidas; mais da metade atacava somente mulheres que conhecia; mais da metade embriagava suas vitimas propositadamente. Outra revelação assustadora do estudo foi a de que um número pequeno de homens estuprava repetidamente. 4% dos homens entrevistados para o estudo de 2002 haviam cometido, quando somados, 400 estupros (tentados ou consumados), quase 30% de todos os estupros autoreportados pelos participantes. Dentre os entrevistados em 2009, 8.4% eram responsáveis por 95% de todos os estupros autoreportados. Um dos autores do estudo de 2002, David Lisak, é autor de um estudo de 2008 baseado em pesquisas anteriores, tanto de sua autoria, como de outros autores, que traz dados muito importantes para o entendimento do problema, entre eles o de que estupradores, tanto os encarcerados como os não detectados, “tem mais raiva de mulheres, são mais motivados pela necessidade de dominar e controlar mulheres, são mais impulsivos e desinibidos em seu comportamento, mais hipermasculinos em suas crenças e atitudes, tem menos empatia e são mais antisociais”.

Além disso, estupradores “não detectados” (ou seja, não denunciados): planejam seus estupros com antecedência; estudam vítimas em potencial, e testam seus limites antes de decidir-se por um ataque; usam força apenas na medida necessária para assustar a vítima; usam álcool deliberadamente para incapacitar as vítimas” Observa-se, portanto, com base nestes dados, que a maioria destes homens desenvolve uma estratégia para o estupro, não corroborando a idéia clássica de que estupros cometidos entre conhecidos e/ou durante encontros românticos/sexuais são “mal-entendidos”. Observa-se, ainda, que tal estratégia se baseia em mitos sobre estupro para garantir a impunidade.

Nas palavras de Thomas Macaulay, autor de uma brilhante análise desse estudo no blog Yes Means Yes:

“Homens com uma visão rígida a respeito de papéis de gênero e com raiva de mulheres são superrepresentados entre estupradores. […] Caras que parecem odiar mulheres…odeiam. Se eles parecem não gostar de mulheres ou não as respeitar e enxergar mulheres como obstáculos a ser superados…eles estão dizendo a verdade. É isso que eles pensam, e eles vão cometer abuso se acharem que podem sair impunes.

Lisak não diz isso com todas as letras, mas tendo estudado com profundidade seu trabalho, eu realmente acredito que a maior diferença entre os estupradores que estão na cadeia e os que estão soltos é que os primeiros não conseguiram ou não quiseram utilizar apenas táticas que representassem baixo risco. Os estupradores não detectados em sua grande maioria usam pouca ou nenhuma força, em geral usam bebidas alcóolicas e estupram mulheres que eles conhecem. Eles criam situações nas quais nossa cultura vai protegê-los, arrumando desculpas para o comportamento deles e questionando ou negando o relato de suas vítimas. Eu acredito que os estupradores que estão presos são aqueles que usam as táticas que a sociedade está mais disposta a reconhecer como estupro e menos disposta a justificar.

É o modus operandi que mantém tais estupradores não detectados: eles identificaram corretamente uma metodologia que os coloca sob a proteção da cultura de estupro. É improvável que eles sejam condenados porque a história não se encaixa no script [do que convencionamos como estupro “de verdade”]. É improvável que eles sejam presos porque a história não leva a uma condenação fácil. Aliás, é improvável que eles sejam denunciados porque as sobreviventes do estupro sabem que as táticas que estes homens usam as deixam com poucas chances de fazer justiça. Na verdade, tais estupradores podem colocar a vítima em uma situação na qual ela está tão embriagada ou apavorada ou simplesmente isolada e se sentindo derrotada que ela nunca sequer diz “não” e, porque nossa cultura se recusa a reconhecer tais táticas pelo que elas são, até as próprias vítimas podem só chamar de estupro o que aconteceu muito tempo depois do fato, ou talvez nunca.”

Não é difícil entender como isso funciona. Uma mulher pode se culpar pelo acontecido, acreditando que “provocou” o estupro por suas roupas, seu comportamento, por ter bebido demais. Ela pode refutar os avanços sexuais de alguém de várias formas, inclusive fisicamente, porém sem jamais dizer a palavra “não” ou usar de força (como, por exemplo, empurrar o agressor), e sentir que a culpa foi sua por não ter deixado “claro o suficiente” que não desejava sexo. Ela pode enxergar o ocorrido como estupro, porém jamais denunciar, seja por vergonha de ter “contribuído” para ele, seja por saber que tem pouca ou nenhuma prova da violência, que a chance de condenação é baixa, que sua vida pessoal e seu comportamento antes, durante e após o crime serão julgados, que ela pode ser vítima de represálias tanto por parte do estuprador como dos amigos em comum que tem com ele, que vão culpá-la por estar “arruinando a vida” de um pobre rapaz por causa de um simples “mal-entendido” ou por um estupro que ela mesma “provocou”. Ela pode não se lembrar do que aconteceu, e não ter certeza se sofreu ou não uma violência, e não procurar saber o que aconteceu por vergonha das circunstâncias, medo de cometer uma acusação falsa ou simplesmente por saber que, ainda que um estupro tenha ocorrido, ela não dispõe de provas. Ela pode sequer saber que certas violências configuram estupro, imaginando, por exemplo, que “sexo” com uma pessoa desacordada não é estupro (é sim), ou que sexo forçado durante um encontro ou por parte de um namorado não é estupro (é sim), ou que não é estupro caso ela tenha, a princípio, consentido com a relação sexual (a partir do momento em que uma pessoa declara não desejar a relação, ou está incapaz de consentir, é estupro). Ela pode ter a intenção de denunciar, mas desistir após ouvir dos amigos e da família que ela teve culpa, que ela provocou, que tudo não passou de um “mal-entendido”.

E é aí que você entra, leitor/a. É aí que é possível o seu trabalho para não criar um ambiente no qual estupradores se sentem seguros e sobreviventes se sentem sozinhas. Não perpetue mitos sobre estupro. Quando você culpa uma vítima de estupro porque a saia dela era muito curta ou o decote muito grande, ou porque ela bebeu demais; quando você diz que uma mulher não pode reclamar de um estupro quando demonstrou interesse sexual no agressor, o estupro ocorreu após uma “ficada” ou um encontro, ou ela já havia feito sexo com ele antes; quando você reage a uma notíicia de estupro com um comentário sobre a “irresponsabilidade” ou “ingenuidade” de uma mulher estuprada; quando você naturaliza o sexo forçado dentro de um namoro…você está dizendo pras mulheres á sua volta que, caso elas sejam estupradas nessas circunstãncias, você não vai ajudá-las. Que você vai dizer que a culpa foi delas. Que, se você, que é amigo/a, irmã/o, mãe ou pai, vai acusá-las de ser “vadias” ou “irresonsáveis” ou “burras”, então as pessoas que não a conhecem, a polícia, a promotoria, o juiz ou juíza, vão julgá-la de forma pior ainda. E, mais importante, você está dizendo a todos os estupradores á sua volta que, caso eles estuprem uma mulher nestas circunstâncias, você provavelmente vai defendê-los, e acreditar neles quando eles disserem que foi apenas um mal-entendido ou que eles não tiveram como se controlar, porque a mulher provocou.

Quando você diz que mulheres tem “que se dar ao respeito” você está dizendo pras mulheres á sua volta que respeito é um privilégio que elas tem que fazer por merecer, e não um direito irrevogável de todo ser humano. Quando você conta ou compartilha uma piada sobre estupro, principalmente uma piada cujo mote seja “A mulher estuprada na verdade curtiu o estupro” você está dizendo pras mulheres á sua volta que você não leva estupro a sério e que, dadas as circunstâncias, você inclusive o acha hilário.

Quando você naturaliza e justifica uma violência vista como menos grave, como o assédio verbal na rua, o assédio sexual no ambiente de trabalho, o assédio sexual que parte do professor, o assédio online, o assédio repetido do vizinho/colega de trabalho/colega de faculdadeque não aceita “não” como resposta, quando você diz que, lá no fundo, toda mulher gosta desse tipo de assédio, quando você diz que a assediada, quando ficar “velha e feia”, terá saudades dos dias em que desconhecidos mexiam com ela na rua…quando você naturaliza e justifica a violência física que muitas vezes acontece em ambientes de festa, nos quais homens passam a mão em desconhecidas, arrancam beijos á força, cercam uma mulher em grupo e não a deixam ir embora antes de coagi-la a um beijo….você está dizendo pras mulheres à sua volta que existem certas violações do corpo e do espaço dela que não são “nada demais”, que a recusa dela não precisa ser respeitada, que o que ela tem a dizer sobre como aquela experiência a faz sentir não vale nada (afinal, “todo mundo sabe” que, no fundo, no fundo, ela adorou a atenção masculina).

Ah, e sabe aquele cara que tem problemas com mulheres? Aquele que vive repetindo o quanto toda mulher é interesseira, e só quer saber de homens com dinheiro/carro/posição social? O que tira sarro de homens que tratam bem suas parceiras? O que tira sarro de homens que se mostram apaixonados, ou que não traem a companheira? O que acha que toda mulher bonita usa a aparência pra se dar bem na vida ou que, no mínimo, é convencida e arrogante por conta da beleza, e provavelmente usa as roupas/acessórios/maquiagem que usa só pra alimentar o ego? O que vive rotulando mulheres como “vadias” por conta do que vestem, de como agem, de com quem fazem sexo, e que vive repetindo que mulher “tem que se dar ao respeito pra ser respeitada”? O que chama toda mulher da qual não gosta de mal-comida? O que reage com raiva a qualquer tentativa de falar sobre machismo ou privilégios masculinos? O que encara a paquera ou o sexo como um jogo no qual o homem “convence” a mulher a ficar com ele, por meio de elaboradas táticas que mais parecem uma lavagem cerebral, e que partem sempre do pressuposto de que ela quer ser dominada? (jogue no Google “sedutólogos” se quiser ver links simultaneamente hilários e deprimentes…pra quem fala inglês tb vale “PUA ou Pick Up Artists”) O que diz que a melhor forma de seduzir é “pisar” nas mulheres? O que tem certeza de que mulher gosta mesmo é de ser maltratada?

Sabe aquele cara que, em suma, “tem raiva de mulheres, é motivado pela necessidade de dominar e controlar mulheres” e “é hipermasculino em suas crenças e atitudes”? Pois é. Você tem certeza de que quer manter esse cara perto de você e das mulheres da sua vida?

Faço minhas as palavras de Macaulay:

“Eis o que a gente precisa fazer. Precisamos identificar os estupradores, e precisamos acabar com as estruturas sociais que dão a eles uma licença para atuar. Eles estão na população, entre nós. Eles tem uma média de seis vítimas, mulheres que eles conhecem, e portanto provavelmente algumas mulheres que você conhece. Eles usam de força ás vezes, mas na maior parte do tempo embriagam as vítimas. Eles não se viram por acidente num quarto com uma mulher bêbada ou chapada demais pra consentir ou resistir; eles planejaram estar lá e foi lá que eles acabaram. 

Escute. As mulheres na sua vida vão te contar quando os homens nos quais elas acharam que podiam confiar as estupraram; se e quando elas souberem que você não vai negar o que elas estão dizendo, que não vai culpá-las ou julgá-las. Deixa elas te contarem que ficaram bêbadas, e acordaram com teu amigo em cima delas. Escute. Não defenda o cara. Provavelmente não é a primeira vez que ele fez isso. Provavelmente não vai ser a última.

Mude a cultura. Pra que possam estuprar várias e várias vezes, esses caras precisam de silêncio. Eles precisam saber que a combinação certa de fatores – a maior parte consistente em álcool e em nossa tendência de envergonhar as pessoas por desejarem/fazerem sexo – vai manter suas vítimas caladas. Se não fosse assim, eles seriam identificados mais cedo e seria mais difícil continuarem encontrando vítimas. As mulheres na sua vida precisam saber que podem falar francamente com você sobre violência sexual. Elas precisam ser capazes de te contar, e elas precisam saber que podem te contar, sem ser julgadas, consideradas culpadas ou acusadas de estar mentindo.

Escute. Os homens na sua vida vão te contar o que eles fazem. Desde que a palavra com “E” não seja dita, os estupradores se autodenunciam. O cara que enxerga como uma “oportunidade” uma mulher bêbada demais pra saber onde está não tá brincando. Ele tá te dizendo o que realmente pensa. O cara que diz “os manos antes das minas”, o que diz que “os amigos tem que vir antes das mulheres”, tá te pedindo pra fazer um pacto.

O Pacto. A estrutura social que permite a predadores se esconderem á vista de todo mundo, sentarem no bar na mesma mesa que todo mundo, levar uma vítima pra casa, estuprá-la, e continuar no mesmo círculo social porque ela não pode ou não quer contar pra ninguém o que aconteceu, ou porque ninguém faz nada se ela contar. O pacto de arrumar desculpas, de procurar atenuantes, de botar panos quentes na coisa – de acreditar que o que acontece com nossas amigas – o que os nossos amigos fazem com as nossas amigas – não é “estupro de verdade”.

Mude a cultura. Nós não vamos tirar seis ou dez ou doze milhões de homens de circulação em pouco tempo, mas se queremos diminuir a incidência de estupro, precisamos mudar o ambiente no qual o estuprador atua. Escolha não ser parte de um ambiente que apoia estupro. Piadas de estupro não são piadas. Piadas de ódio ás mulheres não são piadas. Esses caras tão te dizendo o que eles realmente pensam. Quando você ri junto pra ter a aprovação deles, você tá dando a eles a sua aprovação. Você diz a eles que a licença social que eles tem pra operar tá funcionando a toda força; que você vai manter o pacto de virar a cara pro outro lado pra não ver as provas; de arrumar desculpas pra eles; de presumir que foi um engano, que ele nunca fez isso antes, que foi uma situação confusa. Você tá dizendo pra eles que eles não estão correndo riscos.

Há pouco tempo atrás eu vi uma palestra do James Galbraith – um economista muito admirado pelos progressistas. Ele disse, entre outras coisas, “Primeira regra da Economia: incentivos funcionam.” Ele estava se referindo a outro contexto, mas isso se aplica ao estupro. A enorme prevalência de estupros de conhecidas, e não de desconhecidas, e de estupros auxiliados por embriaguez e não por força, e a relativa raridade de uso de armas e danos físicos, é facilmente explicável. Os estupradores sabem o que funciona. Eles gostam de estuprar, eles querem continuar estuprando, eles não querem ser descobertos. Atende aos interesses deles estar atentos a quais narrativas de estupro são consideradas verdadeiras e quais são atacadas e saber quais vítimas e métodos oferecem o menor risco.

O que eles fazem é o que funciona. Eles estupram suas conhecidas embriagadas porque funciona. Eles estupram suas conhecidas embriagadas porque nós deixamos.

Nós precisamos revogar a licença social que os estupradores tem pra atuar. Precisamos parar de perguntar “Porque a gente acha que ele não sabia que ela não deu permissão?” que, sinceramente, é a primeira pergunta que fazemos nessa situação. Acima de tudo, como questão cultural – deixando de lado a questão jurídica – precisamos adotar a perspectiva de que interações sexuais devem sempre acontecer em um estado de consentimento expresso de todos os participantes; que qualquer outra coisa é anormal. Se alguém diz “Eu sofri uma violência sexual”, a primeira pergunta deveria ser “Porque a outra pessoa continuou a atividade sexual quando a/o parceira/o não queria?”

É assim que são as coisas: acontecem estupros de verdade quando o agressor está bêbado e a vítima está ainda mais bêbada e sozinha e isolada. Isso é “estupro de verdade”. Se ele sair impune, vai ser, na média, estupro-estupro-estupro-estupro-estupro-estupro de verdade. Se nós nos recusarmos a escutar, ele pode continuar fingindo que o estuprador é um cara no estacionamento tarde da noite, quando na verdade é ele, no quarto da nossa amiga meia hora depois que o bar fechou. Se a gente deixar isso acontecer, somos parte do problema.

Os estupradores não podem ser seus amigos, e se você é leal a eles, mesmo encarando as provas do que eles fazem, você é cúmplice.

Complemento com uma dica para evitar estupros que vale muito mais do que tudo o que já foi escrito sobre o comprimento da saia feminina, o uso de salto alto e “se dar o respeito”:

“Em outras palavras, procure as táticas e interrompa o procedimento. Identifique o estuprador que está deliberadamente embebedando a mulher ou tentado levar a mulher pra um lugar que ela não conhece e no qual eles vão ficar sozinhos, e intervenha. Um cara oferecendo uma carona pra uma mulher bêbada pode tar só oferecendo uma carona, mas se ele continua insistindo mesmo depois que outra pessoa já se voluntariou, isso deveria ser um sinal de alerta pra todo mundo.

No meu último post sobre o trabalho do Lisak eu disse que os homens precisavam escutar, e mudar a cultura pra tirar dos estupradores a licença social que eles tem pra atuar. Eu escrevi sobre a linguagem de atitudes de apoio que diz ao estuprador que ele vão protegê-lo e confiar nele, e vão rejeitar, interrogar ou não acreditar em sua vítima. Mas existe mais trabalho a ser feito, trabalho mais concreto. Quem está por perto pode procuar o padrão e interferir no padrao. Se um cara é hostil em relação ás mulheres e coloca muita ênfase no sexo como conquista ou vitória, e ele está violando os limites de uma mulher e tentando ficar sozinho com uma mulher embriagada, nós não precisamos ter certeza do que ele está fazendo pra ficarmos preocupados, e começarmos a dar a essa mulher meios de fuga desse comportamento predatório.
[Por “meios de fuga” entenda-se meios de evitar que os dois fiquem sozinhos, ou de manter/levar a mulher para um lugar seguro longe da presença do possível agressor]

Se enfie no meio, se coloque no caminho, e bloqueie o movimento dele. É concreto e é factível. Não é necessário ser um herói pra fazer isso. Basta ser humano.”

Natasha
  • Bosco Ferreira

    O estupro e um assunto que deve ficar em pauta sempre. É uma violência inaceitavel que pode vir a acontecer cada vez menos através da concientização do homem.

  • Texto chocante e excelente. Muito bom!

  • Marcelo Gaio

    As campanhas e orientaçoes contra estupro são semelhantes as contra assaltos, raptos, agressoes. Os casos em mente não deixam de ser estupro-assalto, estupro-raptp, estupro-agressão, que sao tais ‘estupros verdadeiros’ do texto. Estes estupradores são auto-motivados.

    • Natasha

      Bom, presumo que por “rapto” vc quis dizer “sequestro”, certo? Já que o crime de rapto não existe mais no Código Penal. E não, muitas orientações contra estupro são absolutamente desconectadas da realidade e, portanto, inúteis. Por exemplo: se dá muita ênfase à roupa que a mulher usa (a própria Marcha das Vadias começou pq um policial canadense orientou universitárias a “não se vestirem como vagabundas”), embora, como eu apontei no texto, existam indícios de CORRELAÇÃO NEGATIVA ENTRE “ROUPA SENSUAL” E ESTUPRO, ou seja, mulheres que são vistas como sensuais são vistas como alvos menos atraentes para muitos estupradores, pois sensualidade/beleza é vista como sinal de autoconfiança e muitos agressores preferem vítimas com baixa autoestima (que, presumivelmente, vão oferecer menos resistência e tem menos chance de denunciar o crime e, inclusive, de se culpar por ele).

      Além do mais, orientações sobre roupas dão a idéia de que devemos limitar nossas escolhas de vestuário para não deixar o estuprador com vontade de estuprar, o que dá a idéia de que o estupro é fruto de um impulso incontrolável do agressor, o que é uma mentira. Se fosse, mulheres com roupas “sensuais” seriam atacadas em todo tipo de lugar, e não apenas em situações nas quais o agressor corre poucos riscos de ser visto/denunciado.

      Além do que, dicas sobre roupas tem pouca relação com a realidade. A maioria dos estupradores são amigos/conhecidos das vítimas. É bem implausível imaginar que um belo dia eles simplesmente olharam pra mulher em uma roupa sensual e ficaram com vontade de estuprá-la. Até parece que, caso a mulher só ficase na presença deles de moletom e sem maquiagem, o estupro nunca teria acontecido.

      Ah, e vc viu menção a roupas naqueles dois estudos lá de cima? Não né? Nenhum dos estupradores mencionou levar a roupa da vítima em consideração.

      Além do quê, essas orientações só se focam nos tais “estupros verdadeiros”, que são a MINORIA dos estupros, o que faz com que quem é denunciada por um amigo/conhecido/parente/namorado, etc, se sinta desestimulada a denunciar, por achar que o estuprador não vai ser condenado, e até por achar que a agressão não foi estupro. E muitas vezes dão dicas que a maioria das pessoas já segue, ou que não tem condições de seguir (não adianta nada falar pras mulheres terem cuidado por onde andam se tem gente que não tem como evitar esperar o ônibus tarde da noite em um ponto deserto).

      Seria muito mais útil focar na MAIORIA dos estupros, que são os cometidos por pessoas que a vítima conhece. Uma campanha reforçando junto às mulheres que elas não tem que dar desculpas ao dizer “não” a uma proposta masculina, por exemplo, já ajudaria muito. Como diz o texto, os agressores contam com o fato de que, se a vítima não recusou explicitamente o sexo, ela pode se culpar pelo crime, não conseguir um processo ou uma condenação, ou sequer enxergar a violência como um estupro. Precisamos de campanhas descondicionando as mulheres a deixar que homens violem nossos limites, precisamos ensinar que não tem problema algum ser firme e forte com um cara, que não precisamos ficar com medo de “magoar os sentimentos” de alguém por exercer nosso direito de dizer não.

      Precisamos, como bem coloca o Thomas Macaulay, educar terceiros para prevenir possíveis estupros. Precisamos de foco em estratégias que efetivamente impeçam o estupro, em lugar de nos focar na minoria das agressões, e muitas vezes com orientações que não tem embasamento algum na realidade.

      • Alemao

        Legal o texto e bastante aplicável para educar a sociedade como um todo, mas nao posso concordar quanto ao ponto de vista da criminalização/jurídico como condutas idênticas.
        O texto deveria discutr essa questão mais como ética e moral do que criminal, por isso, que nao concordo com uso do termo “estuprador”.
        “Estupro” é um termo criado no âmbito penal e tem suas variáveis préviamente definidas em lei, ja no âmbito da psicologia forense provável que outros nomes sao utilizados para as tais “táticas” utilizadas como mencionadas no texto. Juridicamente dizendo no minimo 2 considerações devem ser levadas em conta:
        1º A lei nao diz expressamente que sexo com alguém alcoolizado é de fato estupro, pode vir a ser, nessa esteira, a lei prevê estupro em caso de violência física, grave ameaça ainda que psicológica, mas veja GRAVE ameaça ou os VUNERÁVEIS nas hipóteses que a lei prevê, simples fato de barganhar ou condicionar por sexo nao é, pelo menos no Brasil, uma conduta criminosa previamente prevista em lei, inclusive nos casos de assédio sexual no ambiente de trabalho, que, ao contrário que todos pensam, o simples fato de propor a outra pessoa vantagem em troca de sexo é configurado o crime supra citado, tal ilicito penal exige reincidência em carater de perturbação e superioridade hierarquica, mas voltando a questão do sexo com pessoa embriagada, que pode estar classificada na hopótese de vulnerabilidade, entretanto, a prática penal com o decorrer dos anos nao consegue classificar até que ponto uma pessoa embreagada nao entende o que esta fazendo ou nao é capaz de consentir com o ato,(senao abriariamos margem para àquele que fosse pego dirijindo embriagado alegar nao ser capaz de entender o que estava fazendo), digo que até que ponto a embriaguês causou a perda de senso critico da pessoa, estudos científicos provam em tribunais que tal comprovação torna-se impossível uma vez que depende de cada pessoa e que o ato sexual envolve, especialmente se estiver com medo de algo pior venha acontecer, uma mudança hormonal alta causando mudanças de estado cerebral de imediato, sendo dificil acreditar que algém nao se recorde de um ato sexual mesmo embriagado, entao com base nesses estudos já apresentados em tribunais brasileiros, os tribunais entendem que caso nao haja comprovação expressa que a pessoa embriagada estava de fato sem reação ou desacordada, a questão da prova será comprometida e o direito penal nao trabalha e nao deve trabalhar no âmbito de suposições, princípio de “indubio pro reu” na duvida a favor do réu.
        2º Eu também nao posso concordar com a tal “cultura do estupro” exercida pela sociedade como diz o texto, fácil explicar tal negativa, antes de tonarmos uma sociedade livre e democrática de direitos que deveriam procurar a igualdade social, uma Contituição Federal foi promulgadas e recebida pela sociedade nao simplesmente como lei, mas como principios norteados para a vida em sociedade, e nela esta previsto uma diferença entre pessoa fisica e pessoa jurídica de direito público, ser cidadão e ser Estado tem diferença em direitos e obrigaçoes, e vamos nos perguntar o que isso tem relação com o caso em tela? Respondo: totalmente relacionado, ente de direito público nao pode fazer aquilo que a lei proibe mas também nao pode fazer aquilo que ela nao diz, o cidadão nao, o cidadão nao pode fazer aquilo que a lei diz que ele nao pode fazer, o que ela nao diz ele pode fazer, significa que, criar táticas para chegar a um ato sexual nao é ilegal, desde que a conduta nao enquadre naquelas que a lei proiba, significa que cria uma situação que a pessoa se envergonhe de dizer “não” pode ser anti-ético e imoral mas criminoso nao, que o fato da pessoa ter bebido um pouco e tal hipotese mudou o ânimo da libido onde caso nao tivesse bebido tel ânimo seria controlado e o ato sexual nao aconteceria, tb pode ser imoral por parte de quem aproveitou da situação mas nao criminoso, e digo o porquê, porque a constituição norteia principios que nao priobem tais fatos, porqueno âmbito de ilicito penal a própria constituição prevê principios que desautorizam que as cundutas pairem no mundo do “talvez” do “pode ter sido como pode nao ter sido assim”, do principio que na “duvida a favor do réu” pois punir alguém com privação de liberdade é considerado grave pelo estado democrático de direito e nao pode gerar duvidas quanto a razão de punir, que o estado nao tem direito e obrigação de punir penalmente toda e qualquer conduta, apenas aquelas mais graves para a convivência da sociedade, etc.
        Quanto ao texto acho legal para concientizar a sociedade criando sentimento de culpa principalmente aos homens, fazendo com que pensem e reflitam e passem a se preocupar com o que a mulheres estão sentindo com os atos, com eles se importarem se a mulher ta gostando de fazer sexo ou esta fazendo porque esta com medo ou para simplesmente agradá-lo etc…. Isso é legal e deve ser feito, mas culpar a sociedade pq pessoas bolam táticas para facilitar seus desejos de serem realizados sendo que a própria carta maior que rege os principios da sociedade que ela vive, permite que ele o faça nao é válido.

    • Marcelo Gaio

      Obrigado assim mesmo mas eu sei ler e escrever até bem, portanto se quisesse dizer sequestro escreveria sequestro. Rapto é papto esteja ele tipificado pelo codigo-não-o-que ou não.

      Se eu estou comentando é claro que eu li e reli o seu texto, nao precisa repetir.

      O seu problema é presumir demais. Já te provei que isso te leva a erro.

      Minoria de estupro é ESTUPRO. E voce jamais deveria menospresar ou diminiuir um tipo de violencia dessas. Mesmo que todos estes seus estudos, testes, numenos e estatisticas sejam frias em relaçao a dura realidade.

      • Natasha Avital

        Não, rapto não é rapto. Rapto era um crime tipificado pelo Código Penal. Tal crime não existe mais, portanto ninguém pratica rapto hj no Brasil. O número de raptos por aqui é precisamente zero, e vai continuar sendo enquanto não houver nenhuma lei que crie a figura penal do “rapto”. E me aponte por favor onde estou mensopreZando ou diminuindo qualquer violência sexual.

        • Marcelo Gaio

          Quem escreve aqui sou e quem tifica é o direito penal, aqui voce nao tipifica nada naon Natasha. Faz o que voce escreveu. Tire a figura do estupro do codigo penal que o numero de estupros do brasil fica zero. Aproveita e tira do dicionario tambem.

          • “Quem escreve aqui sou eu”. Não sei como vc está acostumado a falar com as pessoas á sua volta (ou seriam apenas as mulheres), mas esse tom agressivo, além de revelar sua pouca vontade de debater, é meio ineficiente considerando que eu não estou na sua frente e sequer conversando em tempo real, certo? Enfim…argumentos até agora vc não apresentou, sequer disse o que é que entende como “rapto”, o que viria a ser um “estupro-assalto” ou o que quis dizer com “esses estupradores são auto-motivados”. Tb não apontou onde foi que eu “menospreZei” (é com Z, viu?) ou “diminuí” qualquer tipo de violência.

          • Marcelo Gaio

            Perfeitamente. Pra demonstrar a minha boa vontade eu vou escrever sequestro pra voce. Repetindo entao. As campanhas e orientaçoes contra estupro são semelhantes as contra assaltos, sequestros e agressoes.

            A policia está na rua, os estupradores estao na rua, as mulheres estao na rua. As campanhas são pra essa situação. Saídas de shows, portas de faculdade onde essa semana mesmo teve varias tentativas aqui em São João, parques, trilhas de caminhadas, locais publicos enfim onde é de dominio da policia, poder publico etc.
            O estupro é precedido ou inicia com um arrebatamento, um assalto, um rapto como eu gostaria de dizer. Em muitos depoimentos a gente ve que a mulher pensava ser uma tentativa de assalto. O que tem de errado as campanhas serem semelhantes as de assalto?

          • O que tem de errado é que elas não visam a maioria dos estupros.

          • Marcelo Gaio

            um comentario desses num site que defende as minorias, eneida?

          • Se você é incapaz de entender que ensinar a mulher a não ser estuprada é inútil e redundante mesmo após ler este texto, por favor, deixe os adultos conversarem!

          • Natasha Avital

            O que tem de errado é tudo o que eu falei no texto e na resposta ao teu primeiro comentário.

          • Sem falar Marcelo que quando o poder público foca apenas nestes casos, ele reforça as ideias sociais amplamente difundidas de que uma mulher que é ataca por alguém que conhece, não sofre crime de estupro. É muito comum em depoimentos na internet mulheres que foram estupradas por conhecidos não quererem fazer a denúncia, por que a vergonha é muito grande. O poder público tem o dever de vincular campanhas para coibir este tipo de impunidade.
            É só por isso. Não adianta fazer campanha para o menor número de casos (ninguém está pedindo para parar, a reivindicação é para ampliar), quando a maioria esmagadora não é denunciada por que sequer as vítimas conseguem identificar a violência que sofreram como o mesmo crime.

          • “Quem escreve aqui sou eu”. Não sei como vc está acostumado a falar com as pessoas á sua volta (ou seriam apenas as mulheres), mas esse tom agressivo, além de revelar sua pouca vontade de debater, é meio ineficiente considerando que eu não estou na sua frente e sequer conversando em tempo real, certo? Enfim…argumentos até agora vc não apresentou, sequer disse o que é que entende como “rapto”, o que viria a ser um “estupro-assalto” ou o que quis dizer com “esses estupradores são auto-motivados”. Tb não apontou onde foi que eu “menospreZei” (é com Z, viu?) ou “diminuí” qualquer tipo de violência.

  • Daniel Oliveira

    Excelente texto, Natasha!

  • Gustavo Crivellari

    Texto sensacional!

  • Belíssimo texto, Nat.
    Queria ficar publicando as palavras de Macaulay a todo tempo e em todos os lugares.

  • Gostei muito. Trecho favorito: “Quando você diz que mulheres tem “que se dar ao respeito” você está dizendo pras mulheres á sua volta que respeito é um privilégio que elas tem que fazer por merecer, e não um direito irrevogável de todo ser humano.”

    • Vitor Oliveira

      Excelente.

    • Pedro Enrique Ferreira Palmeir

      cada vez mais respeito e admiro você!

  • Caruê Gama Cabral

    Foi perturbador ler este texto.

  • Eu achei esse texto incrivelmente bom e o trecho que eu guardo comigo nesses dias desleais é: “…E, mais importante, você está dizendo a todos os estupradores á sua volta que, caso eles estuprem uma mulher nestas circunstâncias, você provavelmente vai defendê-los, e acreditar neles quando eles disserem que foi apenas um mal-entendido ou que eles não tiveram como se controlar, porque a mulher provocou….”

  • Obrigada por postarem esse texto! : )

  • Gostei muito do texto, muito esclarecedor. Se posso deixar uma sugestão, seria a de fazer um texto resumido, pois infelizmente sabemos que poucos chegarão ao fim da leitura. Um texto mais curto e objetivo acredito que atingiria mais pessoas. 🙂

    • Ludmila Pervin Panda Version

      Não sei se é o assunto que me desperta muito interesse, mas eu li tranquilamente o texto e ainda dei uma olhadela nos links em inglês, posso dar uma dica a quem tem vista cansada? Aumentem a letra, funciona comigo. 😉

  • Ludmila Pervin Panda Version

    Gostaria de ter a eloquência e firmeza dx autorx do texto para explicar para algumas pessoas (homens e mulheres) com as quais convivo no meu dia-a-dia que partilham sem saber da cultura do estupro. Você disse tudo que eu penso e sinto, porém não tenho ainda tanta maturidade para defender. Desconfio que a chave da prevenção e repressão deste crime contra a liberdade sexual da mulher (principalmente) é o reconhecimento da autonomia sexual feminina, não somos troféus a ser conquistados e convencidos a fazer sexo, pois troféus são objetos. A nossa dignidade independe da intensidade de nossa libido. Chega de vivermos sitiadas como se qualquer atitude de liberdade nossa fosse autorização para o crime e o desrespeito!

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  • chris

    Perfeito esse texto

  • Bruno_Moura

    Muito bom o Texto.

    Mas não sei se fui apenas eu, fiquei com dúvidas no que o texto estava se
    referindo que usava e expressão “estupro”, e gostaria de ser esclarecido
    sobre este ponto.

    Toda vez que o termo surgia, me via a cabeça o ato de alguém usando de algum
    tipo de coerção física no ato sexual, independente da situação que a vítima se
    encontra. Estar em um quarto de motel (os dois embriagados) e o homem usar da
    força para obter o sexo, isso é estupro. Estar em um relacionamento estável e o
    homem usar de coerção física (podendo ser através de uma arma), isso é estupro.

    E ficou claro para mim que fazer sexo com alguém incapaz de nega-lo, seria
    estupro. Isto daria conta dos casos em que o agressor tira vantagem em caso de embriaguez total ou mesmo doping da vítima.

    Existe estupro quando a mulher está consciente, e não negou a relação?

    Teve partes que eu fique confuso, parece que permitir o coito por conta alguma
    pressão de natureza emocional, e não pelo desejo sexual pelo ato,
    poderia ser considerado estupro… Estou enganado?

    Tenho algumas considerações sobre esse tema, mas gostaria de tirar tais dúvidas antes.

    • Natasha

      Bruno, as perguntas que foram feitas nos dois estudos (se eu não me engano eram 6 perguntas) falavam em uso de força (ou ameaça de força) ou em uso de bebida como forma de impossibilitar/diminuir a reação da mulher. Se vc fala inglês, elas estão na matéria linkada do Yes Means Yes (Meet the Predators), e lá tb dá pra pegar os nomes dos estudos e pesquisar no Google pelo abstract, que talvez tenha a transcrição das perguntas na parte referente á metodologia.

      Mas o texto chama a atenção justamente para um outro tipo de estupro, que é aquele em que está claro que a mulher não quer transar, mas o homem escolhe ignorar esse fato e praticar o sexo mesmo assim. Sabe aquele trecho que fala em “ela estar tão bêbada ou assustada ou se sentindo isolada e derrotada que ela nunca nem diz não”? Uma amiga minha colou esse trecho pra mim ontem e disse “TODAS as mulheres que eu conheço já passaram por isso.”

      Uma outra relembrou uma experiência que se encaixa bem nessa situação: um amigo ligou pra ela dizendo que queria conversar, pq estava com alguns problemas. Sugeriu um bar na cidade vizinha àquela onde ela morava (já sugerindo que ele queria que ela estivesse longe de casa e dependendo de carona dele). Chegando lá, em vez de cerveja, que era o que eles normalmente bebiam qdo estavam em turma, ele pediu vinho. Ela ficou muito bêbada. Durante a noite inteira, ele não falou em nenhum momento dos tais “problemas” sobre os quais supostamente precisava desabafar. Ás 3 da manhã, insistiu pra que ela conhecesse o estúdio dele e, lá, começou a beijá-la. Ela falou várias vezes da esposa dele, falou que aquilo não era certo, e ele simplesmente ignorava. Só parou qdo ela teve uma crise de choro. Agora, imagine se ela não tivesse chorado. O que ela ia fazer? Empurrá-lo, sair correndo? Pra onde, ás 3 da manhã? Ela já tinha deixado claro que não queria, e ele já tinha ignorado; pq ele ia começar a ouvir ela agora?

      Eu lembro de ter lido um tópico uma vez no Reddit no qual um cara contava como ele costumava estuprar garotas na faculdade. Ele saía com essas moças, as chamava pra ir ver um filme no dormitório dele e “transava” com elas. Algumas gostavam (e aí ele sentia menos tesão, pq o que ele gostava mesmo era saber que elas não tavam a fim). Algumas tentavam parar as carícias, tentavam mostrar através da linguagem corporal que não estavam gostando, e ele simplesmente ignorava. É óbvio que a conduta dele era estupro, ELE sabe que era estupro.

      Mas caras como ele e o que quase estuprou a minha amiga confiam na nossa narrativa clássica, a de que só é estupro se o agressor tiver armado ou se a vítima berrar “Não!” a plenos pulmões, lutar ferozmente e sair correndo. Mas a maioria de nós não vai fazer isso. A gente cresce vendo muitos homens reagirem com muita agressividade a qualquer contestação (semana retrasada um cara JOGOU O CARRO em cima de uma ciclista pq ela reagiu mal a uma “cantada” dele). Muitas vezes a escolha mais sensata parece simplesmente esperar acabar. É melhor do que despertar a ira de alguém que já demonstrou que não se importa com o que vc quer. Eu fico pasma com a quantidade de abuso que muitas mulheres por aí aguentam, vinda de caras que violam seus limites, que insistem em ter algum tipo de relação quando elas já deixaram claro que não querem, e essas mulheres não cortam esses caras da vida delas. Elas “não querem magoar”. Elas “não querem ser orgulhosas”. Elas querem “ser amigas” de um cara que já demonstrou que não quer ser amigo delas! E, toda vez que elas dão mais um corte no cara (um corte que nunca é direto, que nunca é “Eu não quero ficar com vc”, pq aqui, assim como na Inglaterra, dizer “não” é “rude” e “arrogante” e coisa de mulher “mimada”) elas dizem “Acho que agora ele entendeu”. Sendo que o cara entendeu da primeira vez, ele não é burro, ele (assim como os caras pesquisados nos estudos citados, assim como a grande maioria das pessoas) sabe muito bem qdo alguém não tem interesse nele, mas ele quer vencer pelo cansaço.

      Vc pergunta “Existe estupro quando a mulher está consciente e não negou a relação?” E eu diria “Não, não existe”. Mas “negar a relação” pode ser feito de infinitas formas. Ficar inerte, por exemplo, é uma forma de negar a relação. Ninguém pode dizer que “não sabia” que uma companheira que nem se mexia estava consentindo na relação. Não podemos negar todas as formas como interagimos no dia-a-dia, os eufemismos, as hesitações, a linguagem corporal, as formas “delicadas” de dizer uma coisa, e finigr que os homens simplesmente esquecem como isso funciona qdo sexo está envolvido. Se for assim, vamos continuar permitindo que tantos estupros sejam disfarçados de “mal-entendidos”.

    • Natasha Avital

      Bruno, as perguntas que foram feitas nos dois estudos (se eu não me engano eram 6 perguntas) falavam em uso de força (ou ameaça de força) ou em uso de bebida como forma de impossibilitar/diminuir a reação da mulher. Se vc fala inglês, elas estão na matéria linkada do Yes Means Yes (Meet the Predators), e lá tb dá pra pegar os nomes dos estudos e pesquisar no Google pelo abstract, que talvez tenha a transcrição das perguntas na parte referente á metodologia.

      Mas o texto chama a atenção justamente para um outro tipo de estupro, que é aquele em que está claro que a mulher não quer transar, mas o homem escolhe ignorar esse fato e praticar o sexo mesmo assim. Sabe aquele trecho que fala em “ela estar tão bêbada ou assustada ou se sentindo isolada e derrotada que ela nunca nem diz não”? Uma amiga minha colou esse trecho pra mim ontem e disse “TODAS as mulheres que eu conheço já passaram por isso.”

      Uma outra relembrou uma experiência que se encaixa bem nessa situação: um amigo ligou pra ela dizendo que queria conversar, pq estava com alguns problemas. Sugeriu um bar na cidade vizinha àquela onde ela morava (já sugerindo que ele queria que ela estivesse longe de casa e dependendo de carona dele). Chegando lá, em vez de cerveja, que era o que eles normalmente bebiam qdo estavam em turma, ele pediu vinho. Ela ficou muito bêbada. Durante a noite inteira, ele não falou em nenhum momento dos tais “problemas” sobre os quais supostamente precisava desabafar. Ás 3 da manhã, insistiu pra que ela conhecesse o estúdio dele e, lá, começou a beijá-la. Ela falou várias vezes da esposa dele, falou que aquilo não era certo, e ele simplesmente ignorava. Só parou qdo ela teve uma crise de choro. Agora, imagine se ela não tivesse chorado. O que ela ia fazer? Empurrá-lo, sair correndo? Pra onde, ás 3 da manhã? Ela já tinha deixado claro que não queria, e ele já tinha ignorado; pq ele ia começar a ouvir ela agora?

      Eu lembro de ter lido um tópico uma vez no Reddit no qual um cara contava como ele costumava estuprar garotas na faculdade. Ele saía com essas moças, as chamava pra ir ver um filme no dormitório dele e “transava” com elas. Algumas gostavam (e aí ele sentia menos tesão, pq o que ele gostava mesmo era saber que elas não tavam a fim). Algumas tentavam parar as carícias, tentavam mostrar através da linguagem corporal que não estavam gostando, e ele simplesmente ignorava. É óbvio que a conduta dele era estupro, ELE sabe que era estupro.

      Mas caras como ele e o que quase estuprou a minha amiga confiam na nossa narrativa clássica, a de que só é estupro se o agressor tiver armado ou se a vítima berrar “Não!” a plenos pulmões, lutar ferozmente e sair correndo. Mas a maioria de nós não vai fazer isso. A gente cresce vendo muitos homens reagirem com muita agressividade a qualquer contestação (semana retrasada um cara JOGOU O CARRO em cima de uma ciclista pq ela reagiu mal a uma “cantada” dele). Muitas vezes a escolha mais sensata parece simplesmente esperar acabar. É melhor do que despertar a ira de alguém que já demonstrou que não se importa com o que vc quer. Eu fico pasma com a quantidade de abuso que muitas mulheres por aí aguentam, vinda de caras que violam seus limites, que insistem em ter algum tipo de relação quando elas já deixaram claro que não querem, e essas mulheres não cortam esses caras da vida delas. Elas “não querem magoar”. Elas “não querem ser orgulhosas”. Elas querem “ser amigas” de um cara que já demonstrou que não quer ser amigo delas! E, toda vez que elas dão mais um corte no cara (um corte que nunca é direto, que nunca é “Eu não quero ficar com vc”, pq aqui, assim como na Inglaterra, dizer “não” é “rude” e “arrogante” e coisa de mulher “mimada”) elas dizem “Acho que agora ele entendeu”. Sendo que o cara entendeu da primeira vez, ele não é burro, ele (assim como os caras pesquisados nos estudos citados, assim como a grande maioria das pessoas) sabe muito bem qdo alguém não tem interesse nele, mas ele quer vencer pelo cansaço.

      Vc pergunta “Existe estupro quando a mulher está consciente e não negou a relação?” E eu diria “Não, não existe”. Mas “negar a relação” pode ser feito de infinitas formas. Ficar inerte, por exemplo, é uma forma de negar a relação. Ninguém pode dizer que “não sabia” que uma companheira que nem se mexia estava consentindo na relação. Não podemos negar todas as formas como interagimos no dia-a-dia, os eufemismos, as hesitações, a linguagem corporal, as formas “delicadas” de dizer uma coisa, e finigr que os homens simplesmente esquecem como isso funciona qdo sexo está envolvido. Se for assim, vamos continuar permitindo que tantos estupros sejam disfarçados de “mal-entendidos”.

      • Bruno_Moura

        “Mas o texto chama a atenção justamente para um outro
        tipo de estupro, que é aquele em que está claro que a mulher não quer transar,
        mas o homem escolhe ignorar esse fato e praticar o sexo mesmo assim. Sabe
        aquele trecho que fala em “ela estar tão bêbada ou assustada ou se sentindo
        isolada e derrotada que ela nunca nem diz não”? Uma amiga minha colou esse
        trecho pra mim ontem e disse “TODAS as mulheres que eu conheço já passaram por
        isso.”

        Isso significaria que todas as mulheres que sua amiga conhece já foram
        estupradas. Acho que há uma generalização em torno do que viria a ser estupro e
        acho que essa generalização não é prudente, porque coloca condutas bem
        diferentes no mesmo saco. Não podemos equiparar o estupro propriamente dito,
        com esse tipo de aliciamento sexual. Não estou dizendo que não seja condenável,
        mas há uma diferença bem nítida entre os dois atos. Aquele cara que pega a
        mulher a força e estupra totalmente contra sua vontade, executa um ato de
        agressividade e de total desconsideração com a vontade da vítima, enquanto
        aquele que busca outros meios para levar alguém para a cama e acaba se apoiando
        em fatores que em algum nível pode dialogar com a disposição da “vítima”
        de fazer por outros fatores que teriam parcial ou nenhuma relação com o seu
        desejo sexual. Esta segunda possibilidade engloba uma série de nuances e que
        não podem ser desprezadas.

        Penso que até mesmo o caso de “estupro por embriagues”, não
        equivalente ao caso de “estupro através de agressão”. Obviamente. não
        estou dizendo seja não seja algo danoso e é uma violação que merece ser visto
        como crime, mas devemos ter a serenidade de enxergar que são ações diferentes,
        que produz consequências diferentes.

        Devemos atribuir culpa e a resposta para a cada tipo de conduta de acordo com
        as implicações de cada caso. É comum nos sensibilizarmos com um caso de
        aliciamento sexual e buscarmos retribuição imediata pelo dano imputando a
        reputação de “estuprador” a um estuprador. Mas estuprador é
        estuprador! Não é correto perdermos esta perspectiva.

        “Ninguém pode dizer que “não sabia” que
        uma companheira que nem se mexia estava consentindo na relação. Não podemos
        negar todas as formas como interagimos no dia-a-dia, os eufemismos, as
        hesitações, a linguagem corporal, as formas “delicadas” de dizer uma coisa, e
        fingir que os homens simplesmente esquecem como isso funciona do sexo está
        envolvido. Se for assim, vamos continuar permitindo que tantos estupros sejam
        disfarçados de “mal-entendidos”.

        Então Natasha… Eu espero que vocês não me julguem, mas isso já aconteceu
        comigo… de levar uma mulher para o motel, ela concordando em ir, tudo na
        maior tranquilidade, e chegando especificamente na hora H, ela ficou a maior
        parte do tempo imóvel. Não interagia. Não sei se foi o caso de que ela não
        queria fazer na hora, o fato é que ela se comportava desta forma. Falo com ela
        até hoje, e ela relatou para amigas, que fui um dos caras mais legais que ela já
        se envolveu. E ai? Eu acho que quando a questão envolve esse tipo de
        interpretação subjetiva, tudo fica nebuloso. O quão bêbada uma mulher pode
        estar para considera-la consciente? Não estou propondo que devido a
        complexidade, essas questões não sejam colocadas… Sim deve, e acho particularmente
        delicado quando uma mulher se exime de reação por medo. Por outro lado, pode
        ser um medo completamente fabricado por sua imaginação e inexperiência, a
        mulher não precisar fazer metade das coisas que fez influenciada pelo medo. O
        homem muitas vezes não repara nestes sinais.

        • Natasha Avital

          “Isso significaria que todas as mulheres que sua amiga conhece já foram estupradas.”
          Exatamente.
          “Mas estuprador é estuprador! Não é correto perdermos esta perspectiva.”
          Perder esta perspectiva é exatamente o que vc está fazendo qdo faz diferenciações entre “graus de estupro” (onde o estupro com violência seria “mais estupro” ou um “estupro pior”) e qdo reluta em chamar de estupradores homens que usam de “outros fatores” (no caso, o medo de dizer não) para fazer sexo com alguém que não quer participar daquela relação.
          Da mesma forma como vc pode contar uma história sobre transar com uma mulher que, pelo que que vc diz, mal participou da relação e ela não enxergar isso como uma violação, amigas ontem me contaram que se sentiram estupradas/quase estupradas em situações nas quais elas não disseram não, mas foram levadas a uma situação na qual dizer “não” não foi visto como uma possibilidade. E, sinceramente, se não passou pela sua cabeça que a mulher estar praticamente inerte não podia ser um sinal de que ela não estava curtindo, então temos MUITO trabalho de educação junto à sociedade como um todo.
          “O homem muitas vezes não repara nestes sinais.”
          As pesquisas linkadas no texto indicam que a maioria dos homens repara sim nestes “sinais” (que, sinceramente, são iguaiznhos aos outros sinais que a gente usa o tempo todo pra se comunicar), só que há alguns que não ligam. Aliás, essa inabilidade de interpretar sinais só aparece na hora de interpretar os sinais de que a mulher não quer sexo, pq um monte de coisa é usada como sinal de que ela quer: a roupa dela, o comportamento, o que ela falou, a orientação sexual ou status trans dela (o que tem de homem que acha que mulher bi ou trans vai transar com qualquer um que dê oi pra ela é assustador). Disposição pro sexo não é algo que os homens deveriam presumir, e que as mulheres tem que deixar claro que não tem.
          Presta atenção: O QUE VC ESTÁ FAZENDO É EXATAMENTE AQUILO COM QUE OS ESTUPRADORES CONTAM. Vc acabou de ler um post inteiro com evidências estatísticas de que a maioria dos homens sabe perfeitamente interpretar sinais de que a mulher não quer transar. Vc acabou de ler um post inteiro com evidências estatísticas de que tem estupradores por aí criando repetidamente situações de estupro das quais vão sair impunes pq eles, e as vítimas deles, estão cercadas de gente que vai dizer as mesmíssimas coisas que vc disse: que certos homens não conseguem “interpretar os sinais” de que uma mulher não está a fim, de que não há problema algum em presumir que uma mulher está a fim (e a responsabilidade é dela de provar que não), que estupros de mulheres incapacitadas é “menos pior” do que estupros envolvendo força (é EXATAMENTE isso que esses caras tão usando pra estuprar repetidamente sem repercussões), que um homem que planeja a melhor forma de assustar e isolar o suficiente uma mulher pra que ele satisfaça os desejos sexuais dele com ela, independente do que ela queira não é um “estuprador” e, por causa dessa diferença semântica, a gente deve ter maior tolerância com esse homem de comportamento predatório.

          Vc seguiu á risca O Pacto, lembra dele? “A estrutura social que permite a predadores se esconderem á vista de todo mundo, sentarem no bar na mesma mesa que todo mundo, levar uma vítima pra casa, estuprá-la, e continuar no mesmo círculo social porque ela não pode ou não quer contar pra ninguém o que aconteceu, ou porque ninguém faz nada se ela contar. O pacto de arrumar desculpas, de procurar atenuantes, de botar panos quentes na coisa – de acreditar que o que acontece com nossas amigas – o que os nossos amigos fazem com as nossas amigas – não é “estupro de verdade”.”

          • Bruno_Moura

            Não, não estou perdendo a pespectiva. Forçar a mulher através de agreções físícas, uma mulher que reluta, e nintidamente rejeita o ato sexual é diferente dos casos que você citou. Exige pessoas completamentes diferentes para fazer esses dois tipos de coisas, e equiparar como se fossem a mesma coisa é um delírio, uma forcação de barra.

            Quanto ao caso que citei, uma mulher aceita ir ao motel, racha a conta, faz todas coisas, mas na hora da penetração ela se silência. Eu levo a sério o que uma mulher fala… se a mulher fala que sim, ela quer, logo “sim, ela quer”.

            E tipo, se ela não tivesse completamente relaxada naquele momento, mas queria continuar com aquilo, por qualquer razão pessoal, porque achava que estaria me agradando, ou porque acha que tinha que superar uma timidez… sei lá. Foi isso que (eu quis dizer com “outros fatores”). Ela não tem esse direito, ela não é livre para fazer isso?

            E pelas dicas que ela me deu durante a noite, eu não fiz nada de errado. Parece que vocês estão querendo libertar a mulher de sua própria individualidade. Uma mulher pode quer usar o sexo para sair de uma situação desconfortável e para ela não ser nada de mais isso. Parece que isso estaria errado… a mulher teria que se indignar por ceder, colocando o sexo em uma redoma.

            Sou da favor da individualidade da mulher. Se a mulher e o homem são iguais, a mulher também deve se responsavel pelas escolhas que fazem, e isso inclui ir para a cama com o cara errado.

            A mulher pode fazer sexo por dinheiro, por prazer, por querer retribuir alguma coisa, por afeto ao companheiro, por pressão da familia, para atender aos ditames da sociedade, e claro por medo de ser agredida (que pode ser legítimo). Há uma discussão relevante aqui. Tratar a mulher sempre como vítima das circunstâncias, remove sua individualidade. Sempre enxerguei o feminismo como um movimento de libertação da mulher da opressão física, dando a ela iguais direitos em uma sociedade civilizada.

          • Natasha Avital

            Bruno, se sua companheira disse “Sim, eu quero” nem sei pq vc a citou como caso relevante. Só tenha em mente que, assim como existe a sua experiência, existe a de várias mulheres por aí que não disseram “sim” em momento algum, e se sentiram violadas por ter cedido ao sexo por medo de dizer “não”.

            “Parece que vocês estão querendo libertar a mulher de sua própria individualidade. Uma mulher pode quer usar o sexo para sair de uma situação desconfortável e para ela não ser nada de mais isso.”

            A “situação desconfortável” no caso sendo “Se eu disser que não quero posso ser agredida fisicamente”. Pelo seu raciocínio então a mulher que faz sexo sob a mira de uma arma tb só está “saindo de uma situação desconfortável”.

            “A mulher pode fazer sexo por dinheiro, por prazer, por querer retribuir alguma coisa, por afeto ao companheiro, por pressão da familia, para atender aos ditames da sociedade, e claro por medo de ser agredida (que pode ser legítimo). Há uma discussão relevante aqui.”

            Sim, há uma discussão muitíssimo relevante aqui. Quando ela faz sexo por medo de ser agredida, ela está sofrendo uma violência (física e psicológica). E há homens por aí com comportamento predatório, que constantemente cometem tal violência contra a mulher.

            “Sempre enxerguei o feminismo como um movimento de libertação da mulher da opressão física, dando a ela iguais direitos em uma sociedade civilizada.”
            Não apenas da opressão física, de qualquer opressão. Inclusive da opressão de ver seu corpo usado sem permissão por alguém, e depois não poder contar com o apoio de outras pessoas, pq pessoas como vc enxergam o comportamento dela como “simplesmente usando o sexo pra sair de uma situaçao desagadável”.

          • Bruno_Moura

            Meu comentário saiu invertido… na ordem errada, na verdade esse último não era para ser publicado, pois não me expresse bem, pois estava no trabalho, não tive tempo de revisar. Se você perceber, as mensagens são meio redundantes.

          • Bruno_Moura

            Gabriel, sua resposta foi mais para a Natasha do que para mim… e minha resposta também será meio enviesada.

            O que eu acho que acontece, e já expliquei, é que queremos retribuição imediata sobre um cara que seria um canalha. Um cara que usa táticas de intimidação a fim de fazer com que a mulher aceite a fazer sexo e faz uso oferecimento abusivo álcool e/ou pressão psicológica é o tipo de cara que certamente não tem muita consideração com os sentimentos femininos… Está interessado em fazer sexo e contar um pontinho no seu histórico de pegação. Então chamar esse cara de “estuprador”, imputando nele a personalidade e caráter de um cara que violenta a mulher para conseguir sexo, pode ser uma ofensa que vai descontar nosso ódio imediato pelo ato praticado (talvez produza nele até algum efeito). Mas é uma equiparação falsa e que levará, mas cedo ou mais tarde em uma injustiça. Estou à disposição de discutir que tipo de coisa pode ser considerado crime ou não, mas só adianto que na nossa vida, somos levados a fazer coisas que não queremos e consideramos que isso “faz parte”… Quem já encarou um vendedor hábil, sabe do que estou falando. Já teve situações de ouvir coisas de mulher que me fez ficar com ela, mesmo contra a minha vontade. Ela não me “seduziu”… Ela me pressionou verbalmente colocando em jogo minha honra, e eu otário cedi.

            Não queremos nada disso para nossas vidas, e que tipo de tática de “convencimento” é permissível e quais não e em que circunstância, é discutível sob o aspecto legal e moral. No entanto, não deveríamos perder de vista a responsabilidade do indivíduo nas escolhas.

            Existe muita pressão para o homem também… A mesma pressão que a mulher tem em “dar” ou não “dar”, o homem também sente em “comer” ou “não comer”. Há uma pressão para que o homem seja “o pegador hétero” e que este tenha relações com várias mulheres (atraentes, se for feia, vai acabar sendo zoado). Eximir o homem da responsabilidade por “ser esse tipo de cara” seria contraproducente, da mesma forma que é para a mulher. Mulher sente a pressão pelo tipo de “pacto” que existe na sociedade? Sim… Identifique o problema e não ceda a tal pressão.

          • Natasha

            Bruno, um homem que usa de álcool pra incapacitar uma mulher e fazer sexo com ela É um estuprador, inclusive do ponto de vista legal. Um homem que coloca uma mulher em uma situação na qual ela só faz sexo com ele por medo de sofrer uma violência física é um predador. Independentemente de o chamarmos ou não de estuprador, ele é perigoso e vale muito mais a pena discutirmos a forma de criar uma cultura que não deixe esses caras agirem e saírem impunes do que participar de longas e infrutíferas discussões a respeito do que é ou não um “estuprador de verdade”.

          • Interessante a sua argumentação Bruno.
            Quando algum bandido leva algo seu, sem agressão ou coação, chamamos furto, e quando o faz de forma violenta, chamamos roubo. São crimes diferentes, e punidos de forma diferente.
            Da mesma forma, não dá pra colocar no mesmo balaio de um mesmo crime uma situação em que uma pessoa faz sexo mediante violência, e outro em que faz sexo com uma pessoa com a qual ficou a noite inteira, mas na hora H foi incapaz de se manifestar contrariamente por N motivos. Não são crimes equivalentes (não que deixe de ser crime).

          • Gabriel, para mim homens como você é que são uma ameaça. Estupradores em potencial sim. E homens que procuro não ter no meu círculo social. Sua incapacidade crônica de debater os argumentos e criticar a autora é intolerante e agressiva. Assim como a maioria dos agressores, espero que seja só coincidência.

          • Em nenhum momento passou pela sua cabeça perguntar para ela se estava tudo bem e se ela queria continuar?
            Se não passou pela sua cabeça, temos aí um problema. Pelo que contaste, essa menina não se sentiu mal com isso, talvez estivesse muito tímida por ser o primeiro contato sexual de vocês e a sociedade dita que a mulher deve se comportar na cama, especialmente na primeira vez….
            Mas sim, observar as reações da parceira/parceiro é necessário, fundamental. Continuar o “sexo” mesmo percebendo que a outra pessoa não quer não denota lá muita empatia…
            Mas a questão é que os homens são também ensinados a não enxergar as mulheres como seres humanos e este dever de casa a maioria está fazendo direitinho.

          • Martins

            Você não leu os comentários anteriores não? Ele disse com clareza que ela gostou dele…

          • Bruno_Moura

            Há diferenças sim. Uma pessoa que usa de força física, coloca uma faca no pescoço para violentar a mulher, está a violando não apenas no quesito sexual, mas a agredindo fisicamente. Uma mulher que reluta para não fazer sexo, está explicitando: “Eu não quero fazer sexo com você, quero que você me largue agora.”.

            Uma pessoa que agride fisicamente uma mulher, além de possuir uma perversão, é violento… é outro perfil e pessoa e outro tipo de ocorrência.

            Você vai me dizer que acordar na cama com um carinha que conheceu na balada depois de muitos drinks e lero lero é a mesma coisa que ser obrigada a fazer sexo mediante o uso de força bruta?

            Isso não é razoável. Vai me dizer que essas duas pessoas são igualmente perigosas para a sociedade?

            Olhe, você está deturpando minhas palavras. Eu não disse que os “outros fatores” era sobre o “medo de dizer não”.

            Eu estou falando de uma série de razões que uma pessoa pode ser levada a fazer sexo sem o real interesse sexual no ato. Não querer magoar o amigo interessado, achou que era papel da mulher seria ceder naquele momento, para atender a vontade do marido e não entrar em um conflito familiar, a perspectiva falsa de uma promoção (por que não). Para mim há situações em que a mulher faz sexo contra a vontade e não significa que seja estupro, principalmente se ela pode dizer não. e dizer não evitaria o sexo. Ela, diante do envolvimento que tem com as pessoas, a circunstância que se encontra, ela prefere o sexo, mesmo sem o desejo de fazer sexo.

            Se isso é bacana, se é escroto, se é crime… em que circunstância que é e que não é, isso é uma outra questão… (que vamos separar por hora para não embolar as coisas), eu só estou dizendo que não podemos equiparar as duas coisas. esta questão tem muito mais variáveis, nuances, pontos de vistas e considerações a serem feitas dependendo do caso.

            O medo de ser agredida em tal situação é algo complexo, ao meu ver, pois a mulher geralmente é mais fraca, e ao se envolver com homens pouco conhecidos, ela pode constantemente se sentir com medo. Mas o cara pode estar realmente não se importando para esse medo. Isso não significa que o cara fez a situação para ela sentir medo.

            Novamente, eu não estou dizendo que é legal, eu só estou dizendo que não é o mesmo que estupro, ou não deveria ser.

            Se o cara deveria considerar o medo dela e não fazer sexo, isso é outra questão. Se ele não tem culpa pelo fato dela ser insegura, uma vez que ela topou estar ali etc..

            Agora. Quanto o caso que eu citei. Cara, você está colocando a mulher como vítima de uma coisa que ela declaradamente curtiu. Ela aceitou minhas propostas, dividiu o motel… consentiu tudo. Só que não sei porque diabos ela na hora da penetração ficou estática. A mulher pode ter medos, timidez, etc, mas isso não implica que ela não estava ali coagida. Te garanto que não estava e ela nunca me acusou disto.

            A mulher tem que tomar para si o papel que ela tem na sociedade. Se a mulher é independente, assuma os riscos de sua independência. Admita a possibilidade de fazer escolhas erradas, de sair com o cara errado, de ter bebido demais quando não deveria. Ser responsável pelo seu corpo e suas escolhas. Acho um tanto estranho este entendimento que mulheres e homens são iguais em diversas questões, e por isso merecem ser tratados como iguais, mas ao mesmo tempo a mulher é vista como a “vítima natural”, como alguém que precisa ser protegida de si mesma. A mulher é mais fraca, fisicamente falando, e devemos pensar em como proteger a mulher neste sentido. Mas o que estou vendo, de certas interpretações do feminismo, é que a mulher parece fraca também para ser responsável pelas próprias decisões… Escolher com quem se envolve, e com quem vai para cama etc. Ai, eu não concordo. Mulheres devem ser tratadas como independentes e autônomas em suas escolhas, se não não faz sentido.

            Falar “não”, pode ser rude… mas é mais escroto do que se fazer sexo contra a sua vontade? Ela deve saber que pode dizer “não”, e pode ser preferível ser rude, mas se mesmo assim resolve fazer sexo, para não magoar alguém etc, putz… Independente do juízo que fazemos do atitude do cara, a mulher está sendo cabeça fraca.

          • Bruno, responsabilidade por seus atos todos devem ter, inclusive aqueles que se aproveitam da fragilidade dos outros. Ou os homens não podem ser responsáveis quando ao sexo e parar uma relação sexual que não é boa para a parceira?

            As mulheres já são ‘responsáveis’ demais por todas as suas condutas e a dos parceiros também.

            “O medo de ser agredida em tal situação é algo complexo, ao meu ver, pois a mulher geralmente é mais fraca, e ao se envolver com homens pouco conhecidos, ela pode constantemente se sentir com medo. Mas o cara pode estar realmente não se importando para esse medo. Isso não significa que o cara fez a situação para ela sentir medo.” – Mas ele é responsável por se valer dela para ter prazer pouco se importando com a parceira, me diz, em que mundo mental moral um ato como esse não é violência?

            “Novamente, eu não estou dizendo que é legal, eu só estou dizendo que não é o mesmo que estupro, ou não deveria ser.” Na perspectiva, deveria, sempre. Se não o for, muitas mulheres continuaram a sentir coagidas a fazer sexo contra a sua vontade, seja essa coerção por força física, ou por vantagem de situação de fragilidade.

            “Se o cara deveria considerar o medo dela e não fazer sexo, isso é outra questão. Se ele não tem culpa pelo fato dela ser insegura, uma vez que ela topou estar ali etc. Mas ele tem culpa por se aproveitar dessa situação.” Como pode só as mulheres serem responsáveis por seus atos e os homens não??

          • Luana

            Sou mulher e concordo contigo em gênero, número e grau… Acredito que se a mulher tiver o poder de dizer não, ela poderá dizê-lo. Acho que é obrigação dela falar nestes casos.

            Eu digo isso tendo feito muitas bobagens, inclusive fiz sexo com um cara com quem eu ficava, depois de ter bebido demais. Claro que depois eu me senti uma vagabunda, mas jamais o acusaria de estupro porque EU consenti. Consenti e na hora foi bom! Mesmo embriagada, eu consenti e aceitei, portanto eu que arque com as consequências disso.

            Agora, o que é bem diferente de uma mulher estar quase em coma alcoolico e a criatura abusar e se aproveitar dela… Tudo depende das circunstâncias… Que nem um caso que eu soube de uma menina de 20 anos que tinha recém casado, e pelo estado e embriaguez, os homens da festa abusaram dela sem ela nem saber direito onde estava… Isso obviamente é estupro, devendo portanto tomar as medidas cabíveis para prender os criminosos.

            Mas igual… Ainda é mais grave quando um homem chega em uma mulher e a aborda se usando de violência física, ou quando um pai abusa de uma filha, por ex…

            Há casos e casos… Não dá pra ficar colocando todos em um saco só!

          • Bruno_Moura

            Luana, colocar tudo no mesmo saco, até em casos de uso de pressão psicológica, pode fazer, na verdade, que o conceito de “estupro” na verdade se torne algo quase banal. Ser estuprada, não é apenas ser vítima de crime brutal que cometido por pessoas violentas perigosamente violentas que precisam urgentemente ser afastada do convívio social, mas um tipo de assédio psicológico que acontece corriqueiramente e que produz efeitos bem mais brandos, embora não afirme ser nem um pouco desprezíveis. Imagine se todas essas tais “vítimas de estupro” fossem de fato estupradas mediante o uso de força? Viveríamos em um outra realidade, obviamente muito pior.

          • Natasha

            Luana, ninguém tem obrigação de falar com todas as letras “Não quero fazer sexo com você.” O que as pessoas tem obrigação de fazer é não fazer sexo com alguém que não disse que quer transar com elas, ué! Assim como eu não tenho obrigação de dizer pra todo mundo com quem interajo “Não quero dar meu dinheiro pra você”, as pessoas é que tem obrigação de não me roubar. Assim como um homem hetero não tem obrigação de dizer pra todos os homens com quem ele fica sozinho “Não quero transar com você”.

            Vc leu o artigo? Lá tem links pra pesquisas que demonstram claramente: NENHUM HOMEM PRECISA OUVIR “NÃO QUERO FAZER SEXO COM VOCÊ” PRA ENTENDER QUE A MULHER NÃO QUER FAZER SEXO COM ELE. Se ele faz sexo mesmo assim, sabendo que ela não quer, isso é justificável?! É um comportamento respeitoso submeter alguém a uma situação que a pessoa não deseja, só pra se satisfazer?! Vc acha sinceramente que esses homens, que propositadamente colocam mulheres em situações nas quais elas vão ter medo de dizer “não” diretamente, não são perigosos? Que não cabe a nós fazer nada pra mudar uma cultura que permite que homens armem situações nas quais a mulher vai servir quase como uma boneca inflável pra que ele tenha prazer, independente do que ela quer ou não?

            E não entendi pq seria “claro” que vc se sentiu uma vagabunda só por ter feito sexo com alguém (?!) Vc participou de uma atividade consensual que não prejudicou ninguém (acredito eu), qual é o motivo pra sentir culpa?! É uma pena que a gente viva numa cultura em que mulheres se sentem culpadas por exercer a própria sexualidade. E é uma pena que haja predadores por aí que se aproveitam disso, como os homens que estupram mulheres inconscientes, e contam com a vergonha delas pra permanecer impunes (pois muitas tem vergonha de contar que ficaram bêbadas e “transaram” – no caso delas, contra a vontade – com alguém, afinal isso é coisa de “vagabunda”).

          • Natasha

            EU ESTOU COLOCANDO A MULHER QUE TRANSOU COM VC COMO VÍTIMA?! Onde?! No trecho em que eu disse que, se ela disse que queria transar com vc, eu não sabia nem pq vc estava falando dela em uma discussão sobre sexo sob coerção? Ou será que foi em todas as outras coisas que eu falei sobre as pessoas em geral?

            Sinceramente, parei de ler seu comentário aí. Eu só falei pra vc não generalizar sua experiência como se ela fosse a de todas as pessoas, mas vc parece ser incapaz de entender que isso não é sobre você, nem sobre a mulher com quem vc transou. Se você acha que eu estou acusando você de alguma coisa, não sou eu que vou te convencer do contrário (já que, obviamente, dizer que seu caso nem tinha relação com o que está sendo discutido aqui não foi suficiente pra fazer vc entender que isso não é sobre vc). Mas não vou discutir com alguém que está respondendo ao que eu não disse, já que qualquer discussão nesse tipo de situação é inútil.

    • Kat

      Olha, a Natasha respondeu muito bem e elaboradamente à sua pergunta, mas devo acrescentar que a violência contra a mulher pode, sim, ser de natureza psicológica. Se um homem a pressionar a agir afetando seu emocional isso se caracteriza como uma forma de violência. Se o parceiro ameaçar a mulher de isolamento ou de terminar a relação – o famoso “se vc me ama, faz isso” – é considerado violência emocional e se caracteriza, sim, como estupro – é visto como coerção e violência psicológica.

      Aqui, em .pdf divulgado pelo tribunal de justiça de sp, se caracterizam os tipos de violência contra a mulher e a em questão encontra-se esclarecida no item II:
      http://www.tjsp.jus.br/Download/LeiMariaDaPenha/FormasDeViolencia.pdf

      Vale ressaltar, aqui, o trecho do texto em que se diz que o comportamento do estuprador mais comum é se aproveitar das pessoas com baixa auto-estima, como forma de controlar suas ações e torná-las inseguras quanto ao ato de denunciar. Vê-se muito isso em histórias de esposas e crianças que sofreram abusos, sempre levadas à se sentirem impotentes.

      • Luana

        “Se um homem a pressionar a agir afetando seu emocional isso se caracteriza como uma forma de violência. Se o parceiro ameaçar a mulher de isolamento ou de terminar a relação – o famoso “se vc me ama, faz isso” – é considerado violência emocional e se caracteriza, sim, como estupro – é visto como coerção e violência psicológica.”

        Eu não concordo contigo, Kat… Falo isso sendo mulher, já tendo feito coisas sem ter vontade, por baixa autoestima, mas que se deixe claro: POR ESCOLHA MINHA! Eu não vou responsabilizar o outro por ter escolhido fazer algo em troca de atenção ou afeto. Canalhice do cara se nota que a mina tá mendigando atenção em troca de sexo, mas dizer que é estupro é muito pesado!

        Concordo com os rapazes numa coisa: nós mulheres podemos ser mais frágeis fisicamente, mas NUNCA devemos nos pôr na posição de vítima se temos o poder de negar algo que não queremos fazer. Se por escolha própria o fizemos sem ter vontade, não deveria nem ser cogitada a hipótese de estupro, exceto se a criatura em questão for menor de idade.

        • Luana, cada mulher tem o direito de perceber o que aconteceu consigo mesma. Assim como não é ético que eu contrarie a sua perspectiva da sua história, você não tem o direito de dizer em que circunstâncias outra mulher deve se considerar agredida! Especialmente depois da história que a Kat narrou aqui! Isso é proteger os estupradores.

        • Natasha

          Luana, acho que o pessoal tá se fixando muito em definir “o que é estupro”, quando na verdade uma discussão mais útil seria “o que é comportamento predatório?” e “o que é comportamento saudável?” no que se refere a relacionamentos, inclusive sexuais. Dizer “Se vc me ama, transa comigo” ou “se me ama, transa comigo sem camisinha” ou “se me ama, transa comigo da forma tal” pode não se encaixar na definição legal de estupro ou pode não merecer um nome como “estupro” para algumas pessoas. Mas definitivamente é uma atitude que demonstra desprezo pelo bem-estar da mulher, afinal o homem sabe que, se ela fizer o que ele quer, é por medo de perdê-lo e não pq ela se sente bem com aquilo. Isso não deveria ser o suficiente para que tal ato fosse reprovado, pra que fosse muito menos aceito do que é hj? A manipulação emocional de companheirxs não pode ser vista com naturalidade. Cabe a nós não legitimar esse tipo de desrespeito.

        • Kat

          Olha, eu sei bem e acredito que muitas pessoas sabem a diferença entre do ‘fiz por fazer’ e do ‘não queria em absoluto’. Não sei se vc leu o que eu escrevi lá em cima, em resposta ao Bruno. Não sei se vc já passou pelo que eu passei – e espero que nunca passe.

          Como vc diz, eu já me senti mal por ter ficado com uma pessoa: por ela não ser tão bonita, por ela ser chata, por não ter sido bom…por vários motivos. Mas isso é algo que eu fiz e eu tenho consciência de assumir isso.
          Outra coisa é ser levada pra um lugar desconhecido e ser violentada por três homens e não conseguir dizer não ou se mexer, por medo que eles façam algo pior.
          Outra coisa é “apagar” depois de ter bebido e encontrar em um lugar pra onde vc não foi; é acordar sem roupas e sem respostas: eu fiz sexo? eu estava consciente? ele usou camisinha? quem é ele?
          São coisas distintas.

          Pressão e violência psicológica são consideras armas de estupro, sim, pois, se alguém te faz uma ameaça psicológica, se alguém usa desse tipo de força sem se importar como isso irá te afetar, esse mesmo alguém pode, tempos depois, te dar um tapa, um soco ou algo pior.
          Sei de muitas histórias de esposas que se submeteram ao ato sexual por medo de que seus parceiros as agredissem ou as matassem e deixaram de denunciar pelos mesmos motivos. Esposas que se sentiam submissas aos maridos graças ao terror psicológico. Que pensam que é o marido quem decide. Assim como todos sabemos de muitas histórias de crianças que sofreram abuso sexual por imposição de adultos, acreditando que “precisavam obedecer”. Se tudo isso fosse tão banal, tão irreal como vc pensa, não existiriam tantos casos assim, certo?!
          Aquela sua amiga que não usa tal roupa ou que parou de falar com os amigos pq o parceiro pediu: ela sofre violência psicológica. Começa aí. Precisamos parar de pensar e agir como se isso fosse “coisa de namorado, marido” ou “homens são assim”. Homens são assim pq foram criados para o serem e a luta aqui é pra que eles sejam educados de outra forma; pra que eles não cresçam pensando que o corpo da mulher é deles e uma mulher que bebe ou faz sexo deve fazer com ele pq ela é ‘uma vagabunda’ e ‘gosta de sexo’.

        • Nem toda violência contra a mulher configura estupro, mas sim, faz parte de uma mesma cultura que nega humanidade às mulheres, como se as mulheres por si só não fossem dignas de respeito e consideração, mas sim, que devem lutar bravamente e aceitar perder sua humanidade por qualquer escorregão.
          Luana, você pode não saber, mas chantagear uma pessoa desta maneira é extremamente violento. E o autor da chantagem sabe exatamente o que está fazendo e não se importa.

  • Daniel Scarpim

    Olha, eu comecei a ler este texto achando que ia encontrar um monte de bobagens que costumam aparecer nesse tema. Fiquei positivamente surpreso. Natasha, você tocou em pontos importantíssimos que costumam ficar de fora dessas discussões.
    Achei que deixou alguns detalhes de fora, tem algumas ainda muito simplificadas, mas no geral, é difícil encontrar alguém com um ponto de vista correto.

  • A coletâne de dados sobre o estupro e pesquisa são muito boas, parabéns. Mas algumas de suas opiniões beira o ridículo.
    a) A mulher pode e deve ser clara com relação a não querer sair com alguém ou ter relação sexual.
    b) Os sedutólogos não tem nada a ver com estupro, não sei da onde você tirou isso.
    c) Opiniões sobre as mulheres serem interesseiras tem lá suas verdades e não tem nada a ver com estupro.
    Suas dicas sobre como prevenir um estupro são bizarras.
    a) Impedir a mulher de se embebedar com alguém?
    b) Intervir quando um cara está levando uma mulher pra um local para que fiquem sozinhos?
    Uma coisa é presenciar uma cena de violência que um homem pratica com uma mulher, isso sim merece intervenção. Outra completamente diferente é achar que qualquer mulher ta no mundo da lua e tem uma tatuágem escrito VÍTIMA na testa.

    • Natasha Avital

      Deixa eu entender: as pesquisas são boas, mas as conclusões derivadas diretamente delas beiram o ridículo. Ok então.
      “a) A mulher pode e deve ser clara com relação a não querer sair com alguém ou ter relação sexual.”
      Exatamente. Ela não deve viver em uma sociedade que diz a ela que dizer não a um homem é uma “grosseria”, uma “arrogância” e coisa de “mulher orgulhosa”. E ela definitivamente não deve viver em uma sociedade em que homens se sentem tão no direito de ter a atenção, inclusive sexual, dela que ficam agressivos qdo ela diz “não”. Cabe a nós mudar essa cultura.
      E o homem pode e DEVE não prosseguir ou iniciar uma relação sexual qdo percebe que a mulher não quer. Homens não são idiotas que não sabem como comunicação humana funciona, eles sabem qdo uma mulher indica que não está interesada (o que, aliás, está indicado com todas as letras lá, nos estudos e pesquisas que vc admitiu serem bons) e não devem fazer sexo com quem já demonstrou que não quer fazer sexo com eles, só pq as palavras “Não quero fazer sexo com vc” não foram ditas.
      “b) Os sedutólogos não tem nada a ver com estupro, não sei da onde você tirou isso.”
      Eu não falei que os “sedutólogos” tem algo a ver com estupro, nao sei de onde vc tirou isso. O que eu falei foi que estupradores em geral são mais motivados pela necessidade de dominar mulheres, e que os tais “sedutólogos” partem em geral de premissas como as de que toda mulher no fundo quer ser dominada, e encaram o flerte como uma “conquista”, qse como um jogo no qual o homem vence a resistência da mulher e a “convence” a ficar com ele. Isso indica necessidade de dominar e controlar a mulher e, somado a outros fatores, pode ser um sinal de que a pessoa em questão não é alguém com quem é seguro manter relações próximas.
      “c) Opiniões sobre as mulheres serem interesseiras tem lá suas verdades e não tem nada a ver com estupro.”
      Opiniões sobre “as mulheres” serem interesseiras, atribuindo uma característica negativa a todo um gênero, revelam raiva de mulheres, traço que está mais presente em estupradores do que em não-estupradores.
      “Suas dicas sobre como prevenir um estupro são bizarras.”
      MINHAS dicas?! Qdo eu disse “Faço minhas as palavras do Macaulay” achei que tava claro que elas são do Thomas Macaulay. Mas eu concordo com cada palavra delas.
      Mas deixa eu entender: estudos e pesquisas demonstram que há homens que propositadamente embebedam mulheres e as estupram. mas intervir para que homens evitem embebedar mulheres e isolá-las é uma dica “bizarra”?
      “Uma coisa é presenciar uma cena de violência que um homem pratica com uma mulher, isso sim merece intervenção”
      Vc pulou a parte que dizia que a maioria desses caras não usa violência física né? Volta lá e relê: MAIS DA METADE DESSES CARAS NÃO USA VIOLÊNCIA, USA BEBIDA pra incapacitar a mulher. A forma de conter esses caras é….evitando que eles consigam usar bebida pra incapacitar a mulher.

      “. Outra completamente diferente é achar que qualquer mulher ta no mundo da lua e tem uma tatuágem escrito VÍTIMA na testa.”
      Uma mulher bêbada a ponto de não conseguir reagir, pra um estuprador, TEM uma tatuagem escrito “vítima” na testa.

    • Kat

      Fui violentada por três homens que, a principio, me levariam a um lugar onde teria uma festa. Minha amiga estava comigo e a levaram em outro carro, pra festa em questão. Eu estava ficando com UM deles. Eu estava ficando bêbada. Em momento nenhum eu disse: vamos fazer sexo. Pra ele ou pros outros dois. E em nenhum momento eu disse: não, não faremos sexo. Pois nem passou pela minha cabeça, afinal, estávamos indo a uma festa e, pelo menos pra mim, não é normal que role um “menage à trois” ou uma relação a dois sem que todas as partes se manifestem em favor – ou quando vc sai com seus amigos homens, eles simplesmente decidem que irão introduzir seus pênis em seu anus? Espero que não. Enfim, ninguém me perguntou nada, apenas fizeram o que queriam.

      Enquanto os três abusavam de mim, o restante das pessoas sabia. Minha amiga, inclusive, desconfiou que tinha algo errado. Ela não fez nada. Ninguém fez nada. Os amiguinhos, aliás, riram e tiraram sarro quando um deles fez uma ligação pra narrar o momento (relatos da minha amiga). Eu não consegui gritar. Não consegui dizer o seu tão estimado NÃO. Não conseguia nem me mexer.

      Não vou mais a festas da faculdade pois, sempre que eles me veem, eles tiram sarro, me chamam, já fizeram uma roda a meu redor pra que eu não passasse.

      Estudo em uma universidade pública de renome no país inteiro. Os agressores eram do mestrado e doutorado. Minha tal amiga e três amigos pra quem contei me disseram coisas do tipo: “vc tava bebada” ou “vc deu a entender” ou “eu sei como homem pensa” e “reveja suas atitudes”. Nunca denunciei, pois pensei as mesmas coisas que foram narradas ali – não tenho provas, estava bêbada, se nem meus amigos acreditam em mim, quem vai? Seria um escândalo no campus e eu seria pra sempre “a menina estuprada” ou, pior ainda, “a menina que se fez de vítima”. Minha família não sabe. Eu tinha 19 anos. Faz dois anos.

      Pelo seu nome imagino que vc não seja mulher. Pelo seu comentário, imagino que nunca sentiu medo ou opressão. Sabe aquele sentimento ruim de que alguém possa assaltar sua casa, roubar seu carro? Mulher não se preocupa APENAS com isso. Ela tem que se preocupar se vão roubar seu corpo, sua dignidade e humanidade. E, infelizmente, muitas vezes não há justiça que alcance isso!

      Eu sou extrovertida, tenho vida sexual ativa e saudável, eu bebo, eu uso a roupa que quero e saio a hora que quero na rua, bêbada ou sóbria e até sozinha. Faz parte da minha liberdade. Não tiraram isso de mim e nunca vão tirar – nem mesmo o seu comentário machista, cego ao assunto e completamente sem tato.

      • Natasha Avital

        Nossa, Kat, é chocante saber disso. Fico chocada com o fato de que o estupro seja tão aceito socialmente que os agressores se sintam à vontade pra falar sobre isso com a maior naturalidade, pra literalmente se vangloriar de ter estuprado. É uma pena que até seus “amigos” tenham colocado a culpa em vc. Espero que vc tenha encontrado, ou venha a encontrar, outras pessoas que ao menos tenham respeito pelas tuas opiniões sobre o que acontece com vc mesma. Tb espero, e MUITO, que o comportamento dos caras que te agrediram tenha servido pra queimar o filme deles com ao menos algumas das mulheres que convivem com eles, e que tenha servido pra alertá-las de que eles são pergisosos. Acho que é a única consequência positivada falta absoluta de vergonha deles pelo que fizeram.

        • Kat

          Sim…é chocante que eles tenham esse comportamento animalesco de dominância. E mais chocante, ainda, é que sejam permitidos pela sociedade! Também acho uma pena que tantas pessoas, inclusive mulheres, pensem dessa forma machista e torpe. Tenho pena delas. E vergonha da sociedade que permite isso. Por outro lado, tenho alguns amigos que sabem e compreendem que eu não fui culpada e se revoltam muito com isso. Também, me parece, que algumas pessoas, por mais que eu não tenha contado, saibam do que acontecem e não se relacionam mais com os agressores. Eu, sinceramente, nem penso neles.

      • Kat, toda a minha solidariedade a você. E fique sabendo que você tem o direito de fazer a denúncia. Ainda pode processá-los civilmente, exigir que a universidade dos expulse por má conduta, entre outras medidas legais. Tem o direito de ver sua história aceita e reconhecida como verdadeira. A decisão é sua, mas saiba que você não está sozinha. Existe uma rede de apoio especializada em lidar com casos como o seu, se for seu desejo, informe-se. Você tem direito a tratamento psicológico gratuito (acredite, ajuda muito a processar e a lidar com a dor). Não desista de si, nem da sua história. Você é mulher digna, um ser humano inteiro e completo, e merece o mesmo respeito que todo mundo.

        • Kat

          Muito obrigada pelo apoio e solidariedade, isso é muito importante e fico feliz por isso.
          Além das questões que apontei ali, existe outro motivo pra que eu não os tivesse denunciado. Só conhecia de fato um deles, com quem eu estava ficando. Ele eu poderia denunciar, mas dos outros não lembro nem o rosto e acredito que não conseguiria formular um caso a respeito. Além disso, não queria que minha família soubesse, devido ao fato de, na época, meu pai ser doente terminal. Tanta coisa fica impune por aqui e pelo mundo, que, na duvida entre expor a mim e minha família e receber justiça, preferi me silenciar. As vezes penso que foi egoísta da minha parte pq, sim, eles provavelmente fazem isso com outras, pra nosso terror e infelicidade. Mas eu não me senti capaz de fazer isso.
          A minha justiça é que eu estou bem e que isso me mudou positivamente. Recebi apoio psicológico, sim, pois minha universidade oferece esse tipo de serviços. Não me vejo como uma vítima, mas como uma sobrevivente (:

      • Renata*

        =/ Chorei aqui.
        Também fui estuprada e sei como a maioria das pessoas é em relação a isso.

    • Joane Farias Nogueira

      A)Desculpe, mas acabou de fazer o que os estupradores fazem. Sério! Medo existe para fazer vc se calar e ter medo de dizer não.

      B)Os jaguares são quadrúpedes;

      Meu carro é um Jaguar

      logo, meu carro é um quadrúpede

      Foi igualzinhooooo!!

      D)Há homens interesseiros,olha quem são os maiores golpistas, quem são os políticos ladrões,os bandidos e por aí vai. Há homens tão fúteis que só valorizam a beleza e isso tb é interesse. Desculpe,maninho,sinto em te informar, mas isso é característica humana e não feminina ou masculina

      E)Sim, se vc é amiga e se tem intimidade, fique por perto ou convença a pessoa a ir embora. Sim, pode intervir quando vir um homem levando uma mulher para casa. Gente ruim não traz letreiro na cara e todo mundo, até a Xuxa, é suspeito nessa hora.

      E eu não podia deixar de comentar isso, por favor, não excluam : VÁ SE FODER!

      • Alemao

        BOA RESPOSTA, MAS DA MESMA FORMA QUE “GENTE INTERESSEIRA” É CARACTERISTICA HUMANA NAO APENAS MASCULINA OU FEMININA, SINTO EM TE INFORMAR QUE “GENTE OPORTUNISTA” TAMBÉM É CARACTERISTICA HUMANA NAO APENAS MASCULINA OU FEMININA….

  • Reflexão impecável e necessária. Parabéns, Natasha. Estas pesquisas colocam algo muito mais amplo sobre que tipo de relações pretensamente consensuais (presumidas apenas pela verbalização) ocorrem em nossa sociedade, e como contribuímos coletivamente ao dar espaço para os discursos que reforçam essas assimetrias que encobrem o estupro culturalmente.

    Eu tentei estender estas várias questões para as relações entre pessoas do mesmo sexo/gênero, mas não pude ir muito longe pensando nas minhas próprias. (eu sou, frequentemente, acusado de ser muito “compreensivo” porque repetidamente me preocupa com questões como consensualidade, prazer e conforto com quaisquer interações sexuais com meus parceiros). Confesso que conheço pouco sobre os indicadores ligados às relações entre homens-homens, mas imagino que haja alguns pontos de semelhança quanto ao aspecto dos discursos que incentivam certas práticas.

    O texto coloca muita coisa para pensarmos, e para agirmos no cotidiano. Não raro eu já “fingi” que estava como ficante, acompanhante ou namorado de amigas em festas para evitar a simples importunação agressiva e invasiva de certos homens em relação a elas. Eu só posso falar aqui como alguém que, não tendo um olhar sexualizado para mulheres, vê rapidamente o olhar ‘agressivamente’ sexualizado de homens em festas, não raro em modo de dominância (quando você percebe a própria projeção do olhar e do corpo para cima dos corpos das mulheres). Eu vejo isso sempre, incontáveis vezes, diria que é uma regra.

    O que eu vejo aí é assimetria, enquanto alguns veem “relações/jogos de conquista”. Há todo um conjunto de fatores desfavoráveis a uma reação explícita e negativa da mulher em quase todos estes ambientes (basta lembrar do cara que quebrou o braço de uma mulher, numa balada, porque ela não quis ficar com ele), que só mesmo consentindo com esta assimetria para achar que um “jogo de conquista” esteja em curso. As situações absurdas repetem-se aos montes. Num Carnaval, aqui no Rio de Janeiro, duas amigas minhas (bem brancas e facilmente ‘passáveis’ como gringas, cujas presenças já é regra no Carnaval carioca) e eu fingimos que só falávamos inglês andando pelas ruas da Lapa dada a quantidade de homens cantando-as. Uma inventou que tinha namorado no “país de origem”, que seria os Estados Unidos, para tentar encerrar as investidas de um deles. Isso na rua, isso comigo junto, com muita gente ao redor.

    Enfim, parabéns novamente. Vou compartilhar esta reflexão, ela é mais do que necessária.

  • Kat

    Parabéns pela publicação! Os trabalhos são realmente interessantes e sei que serão de valor inestimável pra tão necessária mudança de comportamento social. É importante que o maior número de pessoas tome ciência deles.
    Além disso, o texto está muito bem estruturado em relação ao tópico e a argumentação e conclusão, impecáveis.

    Continuem sempre com o ótimo trabalho de vcs (:

  • Luix Gustavo Silverio

    Fantástico o texto, fez uma análise bem aprofundada.
    Só não concordo com a parte dos “sedutologos”, acho que voce compreendeu mal a comunidade PUA.

    • Natasha

      Luiz, usei o exemplo dos “sedutólogos” como um em uma lista de características que, em geral, vem em conjunto em homens misóginos. Minha intenção era pintar uma imagem de um determinado tipo de homem, e não dizer “Qualquer um com as características desse parágrafo tem estatisticamente mais chances de ser um estuprador”.

      Mas vou te dizer uma coisa: das 04 primeiras páginas de resultado no Google para “sedutólogos”, TODAS levam a blogs/sites/grupos masculinistas. Caso vc não saiba, mascus são misóginos que se reúnem em grupos pra alimentar a teoria da conspiração de que as mulheres tem mais privilégios do que os homens na sociedade, e pra destilar idéias a respeito do quanto mulheres são interesseiras, volúveis, estão sempre tramando pra usar o sexo como forma de domínio dos homens (aliás, segundo os mascus, mulheres não gostam de sexo, elas só o usam como uma arma pra controlar os homens), dignas de desprezo, etc. As idéias dos “sedutólogos” e PUA são atraentes pra tais homens pq partem do pressuposto de que toda mulher, no fundo, quer ser dominada, quer o “macho alfa” e blablabla. Essas idéias são perigosas: elas justificam violências, inclusive sexuais, pq o homem pode convencer a si mesmo de que, “no fundo”, é isso que a mulher quer. Além disso criam uma hierarquia de homens, nas quais os “alfa” são os que tratam a mulher com agressividade ou desprezo (os que “pisam”), e homens que tratam a companheira com respeito são fracos (“manginas”, na denomimação super madura dos mascus – caso vc não tenha pecebido, é uma junção de “man” com “vagina”, pq ter vagina é coisa de gente fraca) e estão sempre em risco de perder as companheiras pro “macho alfa”. Não preciso nem dizer que isso estimula os homens a ser babacas, desrespeitosos, e ainda justificar com “É isso que as mulheres querem” né?

      Além disso PUAs e sedutólogos costumam encarar o flerte como uma estratégia de dominação. Não é um processo no qual as duas partes participam de igual pra igual, é uma “conquista” através da qual o homem “vence a resistência” da mulher e a “convence” a ficar com ele. Isso pode ser muito atraente pra homens motivados pelo desejo de dominar a mulher que, como a pesquisa do Lisak e de outros mostram, prevalecem entre estupradores.

      Como eu disse: não é pq o cara acredita em PUA que ele necessariamente é misógino, mas o tipo de homem que eu estava descrevendo naquele parágrafo normalmente tem várias ou todas daquelas características juntas.

    • Natasha Avital

      “Se a mulher bebeu bastante, de devido a falta de senso crítico causado pela embriagues ela QUIS transar com o cara, e no outro dia quando sóbria se arrepende, isso não é estupro!”
      Por favor aponte qualquer trecho no post ou nas pesquisas linkadas que discorde dessa afirmação.

    • Gabriel Rodrigues

      Comentário do Gabriel Rodrigues excluído por acusar uma das comentaristas de estar mentindo sobre o próprio estupro. Peço desculpas a ela e às outras pessoas participantes pelo comentário ter permanecido no ar. Ele foi excluído pelo sistema Disqus, mas aparentemente tal exclusão não funcionou, e só percebemos agora que ele continuou no ar.

      • Manuela Perpetuo

        Cara, você é um psicopata, sabes disso né? Psicopata e possivelmente um estuprador.

      • Joane Farias Nogueira

        Culpa do machismo e do feminismo? Era para ser engraçado? Porque foi mesmo. Deus do céu…
        E se uma mulher está acordada, mas não está totalmente em posse de suas faculdades , então, não tem como ser sexo consensual. Sei que é difícil aceitar, mas não tem malabarismo certo aqui não.

    • Luiz, usei o exemplo dos “sedutólogos” como um em uma lista de
      características que, em geral, vem em conjunto em homens misóginos.
      Minha intenção era pintar uma imagem de um determinado tipo de homem, e
      não dizer “Qualquer um com as características desse parágrafo tem
      estatisticamente mais chances de ser um estuprador”.

      Mas vou te dizer uma coisa: das 04 primeiras páginas de resultado no
      Google para “sedutólogos”, TODAS levam a blogs/sites/grupos
      masculinistas. Caso vc não saiba, mascus são misóginos que se reúnem em
      grupos pra alimentar a teoria da conspiração de que as mulheres tem mais
      privilégios do que os homens na sociedade, e pra destilar idéias a
      respeito do quanto mulheres são interesseiras, volúveis, estão sempre
      tramando pra usar o sexo como forma de domínio dos homens (aliás,
      segundo os mascus, mulheres não gostam de sexo, elas só o usam como uma
      arma pra controlar os homens), dignas de desprezo, etc. As idéias dos
      “sedutólogos” e PUA são atraentes pra tais homens pq partem do
      pressuposto de que toda mulher, no fundo, quer ser dominada, quer o
      “macho alfa” e blablabla. Essas idéias são perigosas: elas justificam
      violências, inclusive sexuais, pq o homem pode convencer a si mesmo de
      que, “no fundo”, é isso que a mulher quer. Além disso criam uma
      hierarquia de homens, nas quais os “alfa” são os que tratam a mulher com
      agressividade ou desprezo (os que “pisam”), e homens que tratam a
      companheira com respeito são fracos (“manginas”, na denomimação super
      madura dos mascus – caso vc não tenha pecebido, é uma junção de “man”
      com “vagina”, pq ter vagina é coisa de gente fraca) e estão sempre em
      risco de perder as companheiras pro “macho alfa”. Não preciso nem dizer
      que isso estimula os homens a ser babacas, desrespeitosos, e ainda
      justificar com “É isso que as mulheres querem” né?

      Além disso PUAs e sedutólogos costumam encarar o flerte como uma
      estratégia de dominação. Não é um processo no qual as duas partes
      participam de igual pra igual, é uma “conquista” através da qual o homem
      “vence a resistência” da mulher e a “convence” a ficar com ele. Isso
      pode ser muito atraente pra homens motivados pelo desejo de dominar a
      mulher que, como a pesquisa do Lisak e de outros mostram, prevalecem
      entre estupradores.

      Como eu disse: não é pq o cara acredita em PUA que ele
      necessariamente é misógino, mas o tipo de homem que eu estava
      descrevendo naquele parágrafo normalmente tem várias ou todas daquelas
      características juntas.

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  • Natasha Avital

    Comentário do Gabriel Rodrigues excluído por defender o “direito” masculino de fazer sexo com uma mulher que ele sabe que não deseja fazer sexo com ele, e por conter ofensa pessoal à autora do texto. O espaço de comentários é um lugar para debates, e não para incitação à violência e ataques ad hominem a colaboradores do Bule.

    • Gabriel Rodrigues

      Então que tal você parar de associar os que discordam de você de serem estupradores? Retardamento mental tem limite, natasha. Só você pode xingar aqui, não é mesmo? Porque você é mulher… mais uma demonstração dos privilegios femininos.

      • Joane Farias Nogueira

        Retardo mental tem limite, mas para vc parece não ter. Defender direito de homem de estuprar uma mulher é o que?

    • Não é crime de apologia isso?

      E bem, se quiser me processar, me processe. Mas, senhor Gabriel Rodrigues, se o senhor nunca estuprou ninguém foi apenas por falta se coragem ou oportunidade, afinal, a mente de um estuprador você já tem.
      Se após ler todo este texto você diz barbaridades deste tipo e ainda defende o direito do homem de ter sexo com ou sem vontade da mulher…O que dizer de uma pessoa dessas?

  • Pessoal, peço que se atentem para não acusar falsamente uns aos outros. Pelo menos um comentário foi excluído por calúnia, ainda que tivesse uma argumentação interessante contra o texto.

    • Gabriel Rodrigues

      Eduardo Patriota, numa boa, meu comentário é excluido porque eu acusei a autora de ser idiota, no entanto os comentários dela acusando um monte de gente de ser estuprador ou quase-estuprador – o que é bem pior – não são excluídos?
      Isso é uma injustiça ridícula. Ou volta com meu comentário ou exclui os dela também! Aproveita e apaga de uma vez esse texto preconceituoso misandrista!

      Ou será que feministas são frágeis demais pra isso? Se não tiver moderador apagando comentário de quem discorda, não dá pra argumentar, não é isso mesmo? Ela pode falar o que bem quiser, xingar as outras pessoas, acusar todo mundo de insensível e troll, mas quando alguem fala alguma coisinha contra ela, bam, comentário deletado?

      Desde quando o bule exclui falsas acusações? Péssima atitude, que revela o quanto os argumentos “feministas” são frágeis. Quero meu comentário de volta.

  • Natasha Avital

    Um comentário do Gabriel Rodrigues foi apagado pois, além de conter ofensas pessoais à autora do texto, me acusava falsamente de ter acusado o Bruno Moura de ser um estuprador (sendo que eu disse com todas as letras que a situação que ele narrou, na qual a mulher disse que queria fazer sexo com ele, não tinha relação alguma com o que está sendo discutido aqui). Mas, segundo o Gabriel Rodrigues, eu acho que “todo homem é um estuprador em potencial”, uma acusação normalmente usada pra intimidar qualquer mulher que aponte pro fato de que estupradores não são apenas psicopatas armados atacando desconhecidas.

    Reiteramos que comentários contendo ataques ad hominem serão deletados.

    • Gabriel Rodrigues

      Ah, me desculpe. Então se maquiar o comentário pode?
      Dizer “mas você está fazendo/fez exatamente o que os estupradores fazem!” e “você seguiu o pacto a risca” não é equiparar com um estuprador?

      Aqui vai então, natasha, você é como aquelas retardadas mentais que repetem tudo o que falam sem pensar! Você despejou todas as falácias normalmente utilizadas por mongoloides sem nenhum conhecimento de ciência!

      Melhor assim? E olha que comparar com idiotas é mais “light” que com estupradores. No entanto seu comentário fica e o meu some. Tsc tsc tsc.

      • Natasha Avital

        Gabriel, deixo seu comentário aqui como prova de que vc não apenas ofende como mente. Eu não disse pra nenhum comentarista que eles estavam fazendo “o que os estupradores fazem” e “você seguiu o pacto à risca” não tem nada a ver com SER um estuprador, e sim com manter a cultura que permite que estupradores permaneçam impunes (eu TRANSCREVI o trecho sobre “o pacto” imediatamente após tal comentário, então sua má-fé é mais do que evidente.
        Estou deixando esse comentário aqui pelo seguinte; MAIS UMA OFENSA PESSOAL OU ACUSAÇÃO FALSA E VOCÊ FICA BLOQUEADO PERMANENTEMENTE. Essa sua resposta fica aqui em cima como exemplo da sua tendência a desrespeitar e falsear a verdade, pra que ninguém mais tarde diga que excluímos pessoas só pq discordamos delas.

        • Gabriel Rodrigues

          E aqui estão os trechos que você disse:

          O QUE VC ESTÁ FAZENDO É EXATAMENTE AQUILO COM QUE OS ESTUPRADORES CONTAM

          é EXATAMENTE isso que esses caras tão usando pra estuprar repetidamente sem repercussões

          Vc seguiu á risca O Pacto, lembra dele? “A estrutura social que permite a predadores se esconderem á vista de todo mundo, sentarem no bar na mesma mesa que todo mundo, levar uma vítima pra casa, estuprá-la, e continuar no mesmo círculo social porque ela não pode ou não quer contar pra ninguém o que aconteceu […]”

          Quem é mentiroso agora?

          Vamos pedir a moderação do bule que te bloqueie permanentemente também? Ou vai abusar de seus poderes de moderação para escapar com impunidade?

          • Natasha Avital

            O que eu disse foi
            “Vc acabou de ler um post inteiro com evidências estatísticas de que a maioria dos homens sabe perfeitamente interpretar sinais de que a mulher não quer transar. Vc acabou de ler um post inteiro com evidências estatísticas de que tem estupradores por aí criando repetidamente situações de estupro das quais vão sair impunes pq eles, e as vítimas deles, estão cercadas de gente que vai dizer as mesmíssimas coisas que vc disse: que certos homens não conseguem “interpretar os sinais” de que uma mulher não está a fim, de que não há problema algum em presumir que uma mulher está a fim (e a responsabilidade é dela de provar que não), que estupros de mulheres incapacitadas é “menos pior” do que estupros envolvendo força (é EXATAMENTE isso que esses caras tão usando pra estuprar repetidamente sem repercussões), que um homem que planeja a melhor forma de assustar e isolar o suficiente uma mulher pra que ele satisfaça os desejos sexuais dele com ela, independente do que ela queira não é um “estuprador” e, por causa dessa diferença semântica, a gente deve ter maior tolerância com esse homem de comportamento predatório. ”

            Então, quem é o mentiroso agora? Considerando que eu estava obviamente me referindo ás coisas que o Bruno Moura DISSE, e que em nenhum momento eu o chamei de estuprador (sério mesmo que vc consegue COLAR O TRECHO QUE TE CONTRADIZ E CONTINUAR INSISTINDO QUE VC TÁ CERTO?) a mentirosa certamente não sou eu.

          • Gabriel Rodrigues

            Falar “você está fazendo o que os estupradores fazem” é o mesmo que acusar de ser um estuprador. Ou podemos adicionar “leitura e compreensão de texto” à crescente lista de coisas que você é incapaz de entender?

            Talvez eu tenha errado em te acusar de mentirosa, a acusação certa é burra.

          • Joane Farias Nogueira

            Vc está fazendo o que os estupradores fazem : Usar uma desculpa idiota para violentar uma mulher(não que haja motivos). No caso,da sociedade, ela não violenta, mas usa a mesma justificativa e acha isso aceitável.

  • Excelente Natasha, excelente!

    Lembro de uma piada do Rafinha Bastos que sintetiza bem a situação. Ele disse que o estuprador de uma mulher feia não merecia cadeia, mas sim um prêmio por fazer um favor.

    O MESMÍSSIMO argumento, do qual muitos rirar, foi usado por um estuprador de verdade, nos EUA, antes de estuprar uma garota de 12 anos. Ela era feia e ninguém queria ela, então ele ia fazer um favor para ela.

    É um mundo amedrontador. Tenho MUITO medo que o pessoal que mexe com minha namorada na rua, qualquer dia, decida dar um passo a mais e passar a mão ou coisa pior.

    • Nicabugodonossor

      E você é tão frouxo que não consegue defender sua mulher de quem passa a mão na bunda dela. É o que a gente ganha com essa onda de feminismo. Um monte de homens afeminados e bunda-moles que assistem enquanto levam chifres e em vez de reagir “ficam com medo”.

      • Julia

        Talvez a “mulher dele” saia sozinha na rua. Talvez a “mulher dele” merecesse respeito mesmo estando sozinha, sem que um homem “não -frouxo” a defendesse. Talvez você sua um psicopata porque não é possível esse grau de falta de empatia num ser humano normal. Talvez você seja um mentiroso e não seja nem mulher nem formando em direito. Vai pro inferno, infeliz!

  • Natasha Avital

    Comentário do Gabriel Rodrigues excluído por acusar uma das comentadoras de mentir sobre ter sido estuprada. Como já dito anteriormente, mais um comportamento negativo por parte dele (como ofensas pessoais ou outras acusações falsas, que vem sendo dirigidas à autora do texto) serão motivo para bloqueio permanente.

    • Gabriel Rodrigues

      Quem discorda de você é bloqueado permanentemente, Natasha Avital? Ainda bem que você não é a única moderadora aqui.

  • Fabiola Ladeira

    Texto muito muito bom, ô vontade de imprimir umas 10 cópias e deixar na bolsa para entregar para muitos desavisados por aê!

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  • “Privilégios femininos”

    É mascuzão de primeira! Não respondam.

    • Nicabugodonossor

      Você é uma puta de primeira.

  • Uma coisa que definitivamente me choca sobre este assunto é que os homens só são confusos quanto a consentimento quando o assunto é sexo, ou será que estou ficando louca?
    Se uma pessoa é incapaz de perceber a diferença entre uma mulher consentindo e uma mulher relutante, não deveria estar fazendo sexo.
    Só para constar, uma mulher consentindo geralmente participa do ato sexual, sabe? Ela beija, geme, arranha, chupa, morde, enfim, expressa tesão de muitas maneiras não-verbais. Quem não consegue saber a diferença entre uma mulher com tesão e uma mulher assustada é que tem um problema. Quem não consegue perceber se uma mulher está ou não tesão realmente deveria ficar só na punheta e deixar o sexo para os adultos conscientes.

    • Cap.

      Este artigo é a prova viva de
      como a sociedade é extremamente condescendente com a irresponsabilidade da
      mulher. Uma mulher não conseguir evitar o estupro porque “não estava lúcida” ou
      “não quis dizer “não” para não parecer rude” ou “não desconfiava de certa
      pessoa”, tudo isso gira em torna de incapacidades femininas – e os estupradores
      tiram vantagem desse misto de ingenuidade e irresponsabilidade.

      Sim, o estuprador é o culpado, disso
      não há dúvida, mas as mulheres estão longe de serem vítimas inocentes. Elas
      possuem todo o aparato estatal do lado delas: se gritarem por ajuda, virá alguém
      para socorrê-las; se sofrerem agressão, possuem uma delegacia só para elas
      (sustentada pelos impostos dos homens, é claro); se inventarem caso de
      agressão, o suposto “agressor” é mandado para cadeia mesmo sem nenhuma
      evidência.

      A mulher bate no peito que pode
      beber o quanto quiser (ela conhece os riscos da embriaguez, mas bebe mesmo
      assim porque é irresponsável); vestir a roupa que quiser (sabe que isso atrai
      estupradores, mas se veste de forma provocativa mesmo assim para fortalecer o
      próprio ego e porque é irresponsável); se comportar de forma dissimulada (como
      disse, ela possui todo o aparato policial do lado dela e seria plenamente capaz
      de afastar um determinado homem se realmente quisesse, mas dissimula suas intenções
      completamente porque gosta de se sentir desejada e porque é irresponsável).

      O artigo diz que familiares e
      amigos poderiam fazer muita coisa, porém a própria mulher poderia ter feito muita
      mais: ela poderia ter evitado a maioria dos casos de estupro se tivesse sido
      responsável por um segundo sequer. Não se trata de culpar a vítima e sim de
      cobrar responsabilidade. Ah! Mas cobrar responsabilidade das mulheres é feri-las
      no ego (e isso ninguém quer fazer).

      Cobrar responsabilidade da vítima
      na maioria do caso dos estupros (os estupros sem o uso da força física) é diferente
      de responsabilizar um pedestre que foi vítima de acidente de carro. Enquanto
      este último foi vítima por aleatoriedade (passava na calçada e foi pego por um motorista
      embriagado, por exemplo) a mulher, na maioria dos casos, poderia ter evitado
      completamente o crime com um simples “não”, dito com convicção.

      Aliás, é ridículo o homem ter que
      adivinhar se a mulher consente ou não com o sexo baseando-se em comportamentos contraditórios e
      respostas não-objetivas da mulher. Sejam objetivas no que querem e sejam
      responsáveis.

      • Lilith

        Não, vc não acha que mulheres são seres humanos. Entenda: uma mulher nua na rua e bêbada não é motivo pra estupro, e ponto final. Cobrar responsabilidade das mulheres??? responsabilidade do q??? de beber??? de usar roupa curta??? até onde sei isso não é crime nem errado, estuprar é. Que parte de 70% dos estupros são causados por conhecidos das vítimas vc NÃO ENTENDEU??? E o cara finaliza fazendo exatamente o q o cara falou pra não fazer: passar a mão na cabeça dos estupradores q agem assim, de maneira abusiva, de maneira serial. E ainda emite opiniões histriônicas e fora da realidade Parabéns, misógeno do caralho!! Por isso que esses caras continuam agindo assim: por causa de uns passa pano imbecil como vc.

        • Nicabugodonossor

          Ô sua besta (besta é a mulher do burro), dizer que estupro é todo sexo em que simplesmente não se DIZ SIM (não importando se a vadia NÃO DISSE NÃO) é uma definição extremamente vaga, retardada e sem base jurídica. Por isso que milhares de mulheres que se arrependem do sexo saem dizendo que foram estupradas – basta elas não dizerem “sim” (ou disserem que não disseram, afinal a palavra da mulher é absoluta nesses casos) na hora que têm de vocês feminazis escrotas o aval para colocar qualquer homem com que fizeram sexo na vida na cadeia. Se eu fosse homem só faria sexo com uma mulher (principalmente uma feminazi – se eu desse sorte o suficiente para encontrar uma que não fosse uma monstrenga e nem lésbica) se ela assinasse um termo dizendo que foi consensual. Essa é a única maneira de provar que o sexo não foi estupro (segundo a lógica ilógica de piranhas que nem você). Sorte que eu sou mulher e nunca vou passar por isso – e tenho decência o suficiente para não chamar de estupro aquele sexo que eu fiz num dia em que eu não estava muito a fim, ou aquele sexo ruim, ou aquele sexo do qual eu me arrependi no dia seguinte, ou aquele sexo que eu fiz com um carinha com quem eu briguei na semana seguinte.

          • Bruna

            Se você curte fazer sexo a força, ou é adepta de qualquer fetiche do tipo, entenda que sua opinião não é soberana e ela se aplica somente a você. Além disso, se a “vadia” (como você disse) não consentiu, então é estupro sim, você querendo ou não.

            Só um toque: seu discurso é extremamente ofensivo e preconceituoso. Você pareceu bastante amarga e visivelmente com raiva de alguém ou algo (séria alguma “vadia-feminazi”? huahuauhauh). Sugiro que procure resolver esses assuntos pendentes ao invés de propagar ódio pela rede. Melhoras. ^_^/

          • Nicabugodonossor

            Quem falou em sexo a força, sua demente? Estupro só acontece quando há uso de violência. Ninguém é obrigado a advinhar que a mulher não quer transar e se ela não quer, basta dizer NÃO com clareza e firmeza. Se o mané forçar, mete uma bicuda no saco dele, sai correndo, grita ou na pior das hipóteses grava bem a cara dele e faz um boletim de ocorrência.

          • Lara

            Com a nova redação que foi dada ao artigo 213 do Código Penal, o crime de estupro se caracteriza pela conduta de “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”, com a mesma pena de outrora (reclusão de 6 a 10 anos).

            Como se nota, o estupro passou a conter a conduta de constranger alguém (e não apenas a mulher) à prática de atos libidinosos diversos da conjunção carnal, que anteriormente caracterizava o crime de atentado violento ao pudor (art. 214 do Código Penal), agora revogado.

            Assim, para a configuração do estupro basta que uma pessoa (homem ou mulher) obrigue outra (homem ou mulher) a com ela praticar qualquer ato libidinoso (conjunção carnal, coito anal, felação etc.).

            novo artigo 213 é aplicável tão-somente nas condutas contra maiores de 14 anos, pois, se a vítima for menor de 14 anos, aplica-se o artigo 217-A que prevê o crime de estupro de vulnerável, que tem pena mais grave.

            Com a revogação do artigo 224, que previa a presunção de violência, o estupro previsto no novo artigo 213 do Código Penal só pode ser praticado mediante violência real (agressão física) ou grave ameaça.

            Leia mais: http://jus.com.br/artigos/13357/novo-crime-de-estupro#ixzz2xeb7MkLX

          • Nicabugodonossor

            Minha cara, eu estou a poucos meses de me formar na melhor faculdade de Direito do Brasil, então não venha querer ensinar o padre a rezar a missa.

            1) Sim, sexo com menores de 14 é estupro presumido DESDE QUE O SUPOSTO ESTUPRADOR SAIBA QUE A PESSOA TEM MENOS DE 14.

            2) Para se configurar o estupro, não basta constranger alguém a praticar condutas libidinosas. É necessário constranger alguém MEDIANTE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA, como decorre do tipo penal em questão. E não, não se faz analogia in mellius no direito penal. Portanto dizer para alguém “ou transa comigo ou eu te demito”, “ou transa comigo ou eu termino com você”, “ou transa comigo ou a gente não viaja para Paris mês que vem” não é estupro. Estupro é “ou transa comigo ou eu te mato”.

            3) Sexo com alguém tão bêbado que a pessoa não consiga mais oferecer resistência também é considerado estupro de vulnerável. Mas também tem que haver o dolo (não se usa responsabilidade objetiva em direito penal). Ou seja, a pessoa tem de perceber que a outra está sem condições de dizer sim ou não e mesmo assim prosseguir com o ato. A lei não exige que ninguém leia mentes.

            4) Se a pessoa não deixa claro que NÃO quer transar, a outra não tem como advinhar, não pode ser responsabilizada, pois não se pode dizer que tinha a intenção de estuprar. Vocês feminazis alargaram a definição de estupro para poderem dizer que existe um número exageado desse tipo de crime no Brasil, o que não é verdade em absoluto. O que existe é um dos maiores índices de criminalidade violenta do mundo, um dos países onde há mais homicídios, por exemplo, cujas vítimas são em 90% dos casos homens.

          • Mariana

            É realmente sério que você está dizendo que não tem como saber se a mulher quer ou não transar? Se a mulher demonstra qualquer tipo de relutancia ou não responder carícias ao longo do sexo isso já fica claro. Além disso você fala como se o alto número de homens vítimas de homicídio no Brasil fosse culpa das mulheres, mas esquece que quase 60% desses casos estão relacionados ao tráfico de drogas, que possui uma participação muito maior do sexo masculino do que feminino, sem contar que cerca de 95% da população carcerária brasileira é formada por homens, mostrando que vocês se envolvem com mais frequência em atividades ilícitas. Agora poupe-nos desse vitimismo e fiquem a vontade para se matar apenas não culpe as mulheres por isso.

          • Nicabugodonossor

            Olá, Mariana, eu não sou homem, sou mulher. O fato de os homens cometerem violência principalmente contra outros homens demonstra que as mulheres não são, nem nunca foram, alvos preferenciais. Muito pelo contrário, são em geral protegidas.

            Segundo, você não pode colocar alguém na cadeia, ainda mais por um crime tão grave quanto o estupro (que em geral recebe uma pena de morte extra-oficialmente) porque a pessoa não percebeu que a reação da mulher ao sexo não era receptiva.

            É engraçado você dizer que EU estou me fazendo de vítima, quando eu trouxe apenas definições legais e construções doutrinárias sobre o crime de estupro, enquanto você aparentemente precisa que o estupro seja amplamente alargado, para que possa continuar choramingando por aí – mesmo pertencendo ao sexo que tem menos chances de sofrer qualquer tipo de acidente, violência, ou qualquer outro tipo de morte prematura.

      • Débora

        Isso ai concordo …. Mas falar isso em público , é suicídio.

        • Julia

          Não é, querida. Vivemos numa cultura do estupro, a maioria vai concordar com você. Fica tranquila. Só fica esperta que se um dia acontecer todos vão defender o estuprador…

          • Nicabugodonossor

            Só na sua cabeça de feminazi maluca nós vivemos numa cultura de estupro. O estupro é o crime mais mal visto na sociedade, a maior parte das pessoas defende a pena de morte para estupradores e o Brasil NÃO É UM PAÍS MACHISTA, como a alardeada pesquisa do IPEA tão bem demonstrou, apesar do desespero da ideologia oficial e dominante em tentar subverter o resultado.

          • Julia

            O que te impede de dizer pra uma mulher que te contou que foi estuprada que ela está mentindo? Que ela esta inventando que foi estuprada porque o sexo foi ruim? Que a vadia quer acabar com a vida de um inocente? Que ela não disse “não” o suficiente e portanto o cara não podia adivinhar? Que ela não está toda roxa e está até conseguindo andar logo ela não foi estuprada coisa nenhuma?

            Tirei todas essas justificativas pra livrar a cara do estuprador e pra culpar a vítima DOS SEUS COMENTÁRIOS. Isso é cultura do estupro. Tchau, mascu 🙂

            E não é pesquisa que vai determinar se vivemos num país machista ou não. É a realidade das mulheres.

    • Alemao

      Concordo Nicole, gostei da sua respostas, mas você deixou claro que se um homem sai na noite econtra uma mulher na balada e ela beija, acaricia, arranha e te chama para sair de la direto para um motel significa que ela consentiu, correto??
      Agora, ela acordar de manhã no mesmo motel dizendo que nao teria feito caso nao tivesse bebido nada na balada e acusar o cara de estupro nao da para engolir também.

  • Caruê Gama Cabral

    Foi um texto muito bem escrito no entanto consiste em um exagero, que mulheres sejam estupradas após embriagadas por conhecidos não é novidade a unica novidade é a incidência apontada. E fundamental lembrar que muitas mulheres bebem para perder a inibição e terminar na cama premeditadamente e isso é muito comum, também é cultural que o homem parta para a dianteira isso é muitas vezes esperado, quando não é esperado diga não,caso insista grite não!!, peça ajuda a grande maioria dos homens são contra o estupro e estarão dispostos a intervir, não vivemos a cultura do estupro, um dos poucos crimes que levam a pena de morte é o estupro conforme o PCC.

    Vale apena fazer um paralelo com os casos de abuso de menores que também são praticados por pessoas próximas, a família, padre ou medico. Devemos então tratar como criminosos nosso pai,tio, pastor ou medico? claro que não, devemos fundamentalmente acreditar nestes relatos e prestar assistência e quando provado punir os algozes.

    Existem relatos aterrorizantes de todos os tipos incluindo alguns que foram postados, mas não podemos viver a cultura do medo da paranoia. Temos relatos de abusos mas também temos relatos de pessoas que encontraram o amor apos um drinque na balada.

    • Manuela Perpetuo

      Exagero cara? Não tem UM dia que eu consiga sair na rua sem ter que aturar velhos, novos e etc falando besteiras do tipo: “bunda gostosa hein” e olha que não sou linda. Cara isso não é normal, isso é assédio sexual, isso é falta de respeito. Em momento algum eu dei liberdade pra ninguém me tratar assim, acima de tudo sou um ser humano e quero ser tratada com respeito.

      • Nicabugodonossor

        Acho que é melhor ser chamada de “gostosa” do que ter 10x a mais de chance de ser assassinada, correto? Eu pelo menos prefiro.

  • Isabelle Dias

    Gostei bastante do texto e das informações contidas nele. Sem dúvidas é um assunto que por si só já é chocante e acabamos por vezes nos esquivando dele por isso. No entanto…é preciso falar dessas coisas, para que tenhamos essa consciência tal como as coisas são e de como podemos evitar isso, de certa forma. Não colocando apenas a culpa na vítima mas ao contrário disso, colocando a culpa em quem realmente tem a culpa, os estupradores. E não compactuando em momento algum com isso. Enfim, eu acredito que tudo que foi dito foi muito válido. Parabéns pelo brilhante texto!

  • Muito bom o texto. Fala sobre o estupro “velado”: aquele que mais acontece, quase nunca é reportado e quase nunca é entendido como estupro, nem mesmo pela vítima. É importante deixar claro o que é estupro porque as sociedades do mundo parecem não saber. Muitos desses estupradores nem sabem que estupraram. Pra eles, eles fizeram o que era direito deles.

  • Ótimo texto. Um assunto que normalmente queremos empurrar para debaixo do tapete.
    Parabéns pelo artigo.

  • https://apps.facebook.com/quizmaker/quiz.php?quizid=121650&fromresult=1

    Teste: você é um estuprador?

    Fiz este teste porque vi muito sem noção repetindo que estupro é difícil de definir, então para facilitar suas vidas, resolvi “desenhar”.

    • Nicabugodonossor

      Estupro é fácil de definir. Estupro é constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.

  • http://euquesouintolerante.wordpress.com/2013/02/02/batalhao-dos-caras-legais/ Um texto que faz referência a esse texto, mas que na verdade é uma análise dos comentários que foram feitos nesse post do bule. Acho que vale muito a pena ler.

  • resume ae phera

    O texto é bom mas é comprido demais e chega a ser um tanto prolixo e redundante em vários pontos, por ser educativo seria melhor fazer uma coisa bem mais resumida até pq facilita a divulgação, daí se aponta pra versão completa desse texto, que tal?

  • Um estudo muito completo sobre o assunto, Parabéns!!!!

  • Pingback: Os estupradores estão contando com você | Marcha das Vadias Baixada Santista()

  • Ricardo André

    “Em outras palavras, procure as táticas e interrompa o procedimento. Identifique o estuprador que está deliberadamente embebedando a mulher ou tentado levar a mulher pra um lugar que ela não conhece e no qual eles vão ficar sozinhos, e intervenha. Um cara oferecendo uma carona pra uma mulher bêbada pode tar só oferecendo uma carona, mas se ele continua insistindo mesmo depois que outra pessoa já se voluntariou, isso deveria ser um sinal de alerta pra todo mundo.”

    Muito boa a dica. Agora tenho que considerar que mulheres são retardadas e não sabem o quanto podem beber. E o principal sinal de estupro é oferecer carona. Proxima vez que eu ver alguma mulher bebendo ou alguem oferecendo carona, chamarei a policia, pode deixar.