Bule Voador

Por que não estarei no TAM esse ano

Introdução: Com um atraso de 6 meses, apresento a vocês a tradução do texto de Rebecca Watson sobre o segundo capítulo de sua saga com o The Amaz!ing Meeting (TAM), escrita por ela dia 1 de junho de 2012. Ela já tinha ido ao TAM de 2011 sob ameças de morte e estupro da própria comunidade cética, por ter feito um comentário de 2 minutos sobre um constrangimento que ela passou em um evento cético; ela conta essa história nesse outro texto que também está no Bule, que envolve Richard Dawkins e um elevador, e cuja tradução é de Caroline Jamhour. Confiram o caso sobre o TAM de 2012 a seguir:

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“Falar sobre machismo não é o problema. Machismo é o problema”

Durante minha visita à Alemanha semana passada, uma pessoa presente na conferência que eu estava me perguntou o que eu achava que podíamos fazer para trazer mais mulheres para participarem de encontros céticos e ateístas. Eu dei a resposta que quase sempre dou: quando aumentamos o número de mulheres no palco, aumentamos o número de mulheres na platéia. Como sempre, eu dei este exemplo: A Amaz!ng Meeting (TAM) organizada pela James Randi Educational Foundation (JREF). Eu apontei que quando eu comecei a comparecer (TAM 3), havia muito poucas mulheres no palco e no público havia apenas 20% de mulheres. Expliquei que no ano passado (TAM 9) foi feito um esforço para que mulheres compusessem 50% do total de palestrantes. A maioria dessas mulheres estavam em mesas redondas e workshops, mas já foi um passo gigantesco. Isso, combinado com programas em andamento como a Skepchick, em que a Surly Amy arrecadou milhares de dólares para subsidiar viagens de dezenas de mulheres, ajudou a aumentar finalmente a porcentagem de mulheres na plateía para 40%.

Eu também aconselhei que mais conferências deviam instituir políticas anti-assédio, como o TAM fez ano passado, e que deviam fazer cumprir essas políticas para ajudar as mulheres a sentirem-se bem-vindas e seguras.

Por isso, é bem estranho para mim estar aqui anunciando que eu não vou participar do TAM este ano, pois não me sinto bem-vinda e nem segura e discordo fortemente das ações recentes do presidente da JREF, DJ Grothe.

Eu tenho ido ao TAM desde o TAM 3 em 2005, e desde o TAM 4 eu tenho arrecadado dinheiro ativamente para garantir a ida de mais mulheres. Isso na verdade foi como o Skepchick começou – vendendo calendários para juntar dinheiro para que mais mulheres fossem ao TAM. Calendários autografados foram até leiloados no TAM para conseguir ainda mais fundos para a JREF. Por vários anos, nós do Skepchick também tentamos trabalhar ativamente com a JREF para ajudar a aumentar a quantidade de mulheres no palco, criando longas listas de mulheres palestrantes em potencial e sugerindo mesas e outros eventos que seriam do interesse de mulheres. O TAM era o evento principal para o Skepchic, mesmo depois que começamos a fazer nosso próprio evento, a SkepchickCon.

Este ano deveria ser como todos os outros: eu iria para o TAM, prepararia uma mesa para o Skepchick com a Surly Amy ao meu lado, atuaria no palco como parte do poscast ao vivo Skeptic’s Guide to the Universe e encontraria amizades antigas e novas na conferência e no bar Del Mar. Quem sabe até ganharia um dinheiro no blackjack.

Amy e eu montamos o plano uns meses atrás – ela iria conduzir mais uma vez sua arrecadação de muito sucesso para subsidiar a ida de mulheres ao TAM; juntaríamos nossas mesas e planejaríamos “eventos” divertidos como saraus de leitura nas salas; eu continuaria incentivando o entusiasmo pelo evento e encorajando quem lê o Skepchick a comparecer.

Tudo estava indo muito bem, com a Amy arrecadando até mais dinheiro que o ano passado.

Ontem, alguém que colaboradora com o Skpechick nos enviou um link para o site de Stephanie Zvan, em que DJ foi citado dizendo o seguinte:

Ano passado tivemos 40% de mulheres no público e estou realmente feliz por isso. Mas este ano apenas 18% dos inscritos até agora são mulheres, um decréscimo significante e alarmante e, julgando pelas dezenas de e-mail que recebemos das mulheres em nosssas listas, essa diminuição pode ser por conta das mensagens que algumas mulheres recebem de vaŕios cantos de que ir ao TAM ou conferências similares significa que elas vão ser abordadas ou assediadas. (Isto é desinformação. Mais uma vez, não houve nenhum registro de tais assédios nos últimos dois TAMs enquanto eu estava na JREF, bem como nenhum relato registrado com as autoridades em nenhum outro TAM, de que eu esteja ciente). Nós recebemos e-mails nos últimos meses de mulheres jurando que nunca irão ao TAM porque elas ouviram que a JREF supostamente apóia o tráfico sexual de menores de idade, e e-mails em resposta a vários posts de blogs sobre a JREF ou sobre mim que parecem sugerir que eu ou outros membros da JREF estimulamos a objetificação das mulheres, ou que somos coniventes com violência ou ameaça de violência contra mulheres, ou que acreditam que mulheres não vão estar seguras porque temos aquele ou aquele outro homem na nossa programação. Eu acho que essa desinformação é resultado de boatos irresponsáveis que partiram de um grupo de mulheres céticas proeminentes e bem intencionadas que, ao tentar ajudar a corrigir problemas reais de sexismo no movimento cético, por fim acabam elas mesmas, de maneira desajeitada, ajudando a criar um clima em que mulheres sentem – e que de outro modo não teriam essa impressão – que não são bem-vindas e não estão seguras, e eu acho isso uma pena.

DJ estava culpando as mulheres céticas por criarem um ambiente hostil. Eu acho essa afirmação assombrosa, já que eu só estava sabendo de mulheres falando francamente sobre suas próprias experiências e suas impressões. Eu não conseguia conceber que DJ estava literalmente culpando a vítima por ter se manifestado. Para ter certeza, perguntei a ele naquele tópico para nos dar exemplos do que ele estava falando. Para minha surpresa, esta foi sua resposta:

Rebecca: De memória, sua frase que está no USA Today pode sugerir que o movimento cético ou livre pensador não é seguro para as mulheres. Isto é do artigo:

“Eu pensei que era um espaço seguro”, falou Watson sobre a comunidade de livres pensadores. “A maior lição que eu aprendi através do anos é que não é um espaço seguro…”

(http://www.usatoday.com/news/religion/story/2011-09-15/atheist-sexism-women/50416454/1)

Nos vários últimos anos, eu fui apalpada, agarrada, tocada de outras maneiras não consensuais, me disseram que eu devia esperar ser estuprada, que eu sou uma puta, uma vadia, uma vagabunda, uma frígida, uma sapatão, uma pentelha, uma imbecil, que eu devia ficar esperta nas conferências, que eu era feia demais para ser estuprada, que eu não posso dizer nada em minha defesa porque já tirei fotos sensuais, que eu devia tirar uma foto melhor porque aquela não faz jus ao quanto sou sexy pessoalmente, que eu merecia ser estuprada – e por céticos e ateístas. Tudo por céticos e ateístas. Constantemente.

Este obviamente não é um espaço seguro para mim ou para qualquer outra mulher que queira viver livre das injúrias machistas e das ameaças e avanços sexuais que vivenciamos no nosso dia-a-dia. Mas, aparentemente, DJ acha que eu estou mentindo sobre isso, já que aparentemente minha percepção de que a comunidade de livres pensadores não é um espaço seguro é ‘desinformação’. Aparentemente eu devia botar um sorriso no rosto e fingir que isso tudo não acontece, porque ao relatar o tratamento que recebi, estou criando “um clima em que mulheres sentem – e que de outro modo não teriam essa impressão – que não são bem-vindas e não estão seguras”.

DJ diz que sou eu que estou fazendo isso. Eu, que nunca desencoragei ninguém a ir ao TAM e na verdade dei milhares de dólares para a JREF para que enviassem mais e mais mulheres ao evento. Eu, que nunca disse que o TAM é um lugar perigoso para mulheres. Eu sou o problema.

E mais uma vez nós vemos que a tragédia não está necessariamente no problema inicial – como por exemplo um homem cantando uma mulher que havia acabado de dizer que não queria ser cantada, às 4 da manhã em um elevador – mas na reação à leve reprimenda feita pela mulher. A avalanche contínua de ameaças de estupro que ela recebe porque ela teve a audácia de dizer “Caras, não façam isso”.

Também aqui a tragédia não está na torrência inicial de agressões. Afinal, ela foi (inicialmente) apenas um pouco mais violenta do que eu já tive que lidar na minha vida cotidiana, fora desta comunidade. Não, a tragédia acontece quando o presidente da organização que me inspirou a entrar para essa comunidade diz ao mundo que mulheres sentem que não são bem-vindas e que não estão seguras por causa de mim. Por conta de eu falar sobre os homens que me assediam nessa comunidade, mesmo enquanto eu encorajo mais mulheres a participarem dessas conferências e a levantarem-se para serem notadas, dou dicas a quem organiza a conferência sobre como melhorar a experiência para as mulheres, e até mesmo enquanto eu ajudo a arrecadar milhares e milhares de dólares para enviar mulheres para essas conferências.

Além de culpar vítimas de assédio sexual por serem abertas demais sobre o que sofreram, DJ também insistiu que nunca houve nenhum problema de assédio no TAM (um tópico que nunca comentei, na verdade, mesmo no ano passado quando um homem me disse no Twitter que ele iria me agarrar em um elevador; quando outros reclamaram sobre ele para a JREF, eles não fizeram nada a não ser pedir pro homem para por favor não me molestar). Ashley Miller apontou que um homem bêbado estava perturbando ela e várias outras mulheres, e que ela parabenizou DJ por ter tomado uma atitude rápida quando o próprio DJ fez com que o colocassem para fora. Isto deveria ser um exemplo admirável sobre como a JREF reconheceu um problema de assédio e tomou a medida apropriada para garantir que o homem fosse removido e que as mulheres se sentissem mais uma vez seguras.

Ao invés disso, DJ está tão empenhado na sua ideia de que assédios nunca acontecem e que tudo foi inventado para afastar as mulheres da sua conferência, que ele usou o efeito gaslight* em Ashley, falando que ela não está se lembrando direito do que aconteceu. Ele a disse que ela só presumiu que foi um membro da JREF que removeu o homem, apesar do fato de que Ashley lembra que o próprio DJ participou. Há pelo menos seis pessoas que disseram que testemunharam o evento. Uma diz que parabenizou pessoalmente DJ depois que isso foi feito. Uma disse que marcou DJ no Facebook em um comentário de congratulação. Mas, apesar de DJ ter feito a coisa certa, ele prefere que isso seja esquecido para que ele possa sustentar sua nova narrativa. É realmente de cair o queixo. E agora Ashley está lidando com uma enxurrada de apoidores raivosos de DJ exigindo que ela dê provas de que seu assédio aconteceu e que DJ expulsou o cara, e de que ela não é secretamente uma mentirosa descarada.

Aposto que muitas mulheres lendo isso agora se sentem totalmente à vontade para denunciar um caso de assédio no TAM.

DJ parece não perceber que mulheres não vão inundar o TAM por conta de ele alegar que assédios nunca acontecem (e qualquer pessoa que disser o contrário vai ser atormentada até ceder). O modo de fazer mulheres se sentirem confortáveis é mostrar a elas que quando o assédio acontece, ele é reconhecido e solucionado. Por exemplo, nós tivemos um incidente semelhante no ano passado na SkepchickCon, que é parte de um congresso maior, o Convergence. Um homem tocou de maneira indevida uma das voluntárias que estava servindo bebidas no nosso salão de festas. O ato foi testemunhado por uma Skepchick, que chamou por ajuda para remover o homem do recinto. Eu fui encontrada e informada imediatamente e chamaram o staff do Convergence e do hotel. O staff removeu o crachá de convenção do homem e o hotel o colocou pra fora dizendo para ele nunca mais voltar.

Não estou feliz de ter havido um caso de assédio, mas tenho orgulho pelo fato de todas as atitudes de resposta terem sido ágeis e severas. Essa resolução foi o que manteve nossa voluntária se sentindo segura e parte valiosa do nosso time. E você pode ter bastante certeza de que eu lembro do incidente com clareza, apesar de ter acontecido tarde da noite e enquanto eu tinha milhares de outras coisas da conferência para me preocupar. Porque ele foi importante.

Então, quando se trata de DJ Grothe, eu não posso continuar apoiando alguém que é tão desdenhoso das experiências das mulheres. Eu não posso dar meu tempo, dinheiro e energia a um homem que culpa mulheres por falarem abertamente sobre seus assédios, e eu não posso dar meu tempo, dinheiro e energia para a organização que ele comanda. Eu sempre terei extremo respeito por James Randi, que é responsável por inspirar a mim e milhões de outras pessoas a pensar criticamente e lutar contra pseudociências e superstições perigosas. Fico extremamente triste por não poder mais apoiar a JREF.

O Dinheiro que eu e Amy já arrecadamos irá ainda, como prometido, para mulheres que querem comparecer ao TAM, e acredito que Amy decidiu que ainda vai ao TAM esse ano como uma guerreira, para dar apoio às mulheres que ela está financiando. Também deve haver outras Skepchicks que têm responsabilidades no TAM, que fizeram planos de viagem sem chances de desmarcar, ou que simplesmente querem ir, e está tudo perfeitamente bem assim. Os eventos dos últimos anos têm sido extremamente estressantes para todas nós, muitas das quais se conheceram no próprio TAM e que têm boas lembranças dos tempos legais que passamos.

Mas, oficialmente, não haverá nenhuma presença Skepchick no TAM este ano ou no futuro próximo, e se arrecadarmos dinheiro para enviar mulheres para alguma conferência futura, escolheremos outra. Prefiro usar nossa plataforma para encorajar as pessoas a frequentar conferências organizadas por grupos que se propuseram a lançar eventos que realmente dão valor a todos os seus participantes – obviamente muitas de nós estarão na SkepchickCon mês que vem e esperamos ver vocês lá. Além disso, várias Skepchicks, incluindo eu mesma (e o Skeptics’ Guide to the Universe), estaremos na CSICon 2 em Nashville-TN agora em outubro, e algumas de nós também faremos presença na Skepticon em Springfield-MO em novembro. Também estou sabendo de conferências futuras, como a excelente Women in Secularism, que estão agora no estágio de planejamento e vocês podem ter certeza de que estarei envolvida o máximo possível com elas.

Como já está rolando uma tempestade de merda nos últimos dias, eu já espero que também haja uma tempestade de merda nos comentários. Como lembrete digo que moderamos os comentários aqui para que eles não sejam dominados por imbecis. Antes de comentar, talvez você queira ler nossa política de comentários. Se você não tem certeza se seu comentário vai passar pela moderação, tente primeiro escrevê-lo em um pedaço de papel, depois amasse e coma. Espere ele “passar” pelo caminho todo e depois não se incomode nunca mais em tentar comentar no Skepchick. Obrigada.

A foto é cortesia de Surly Amy, que a criou para o projeto Mad Art Lab.

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Fonte: Skepchick
Autoria: Rebecca Watson
Tradução: Guilherme Balan

* (tradução livre do primeiro parágrafo da wikipedia sobre o termo:) “Gaslighting é uma forma de abuso psicológico, em que informações falsas são apresentadas com o intuito de fazer a vítima duvidar das suas próprias memórias, percepções e sanidade. Pode ir desde a negação de um agressor de que atos de abuso ocorreram de fato, até a encenação de eventos bizarros pelo agressor com a intenção de desorientar a vítima”

- não deixem de ler o outro texto de Watson, sobre a reação excessiva em cima de seu relato de uma cantada no elevador, com participação do próprio Richard Dawkins: “Feminismo: Um delírio

- confiram também esse outro texto sobre a dificuldade das mulheres em serem aceitas como iguais dentro de grupos como a própria comunidade ateísta/cética, que tambrém traz um pouco do caso do elevador de Watson: “Está frio aqui dentro?“, por Jennifer Ouellette.

- outro texto sobre feminismo no movimento atéista: “Por que o ateismo é consistente com o feminismo e a postura pró-escolha“, de Amanda Marcotte.

  • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

    Pessoal, vocês tem os números do Congresso Humanista? Acho que seria legal ver as estatísticas no Brasil desses eventos (até onde sei, o CH foi o único).

  • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

    “Falar sobre machismo não é o problema, machismo é o problema”

    A tradução está errada. O correto seria sexismo, isso está bem óbvio mesmo para quem não entende completamente a língua inglesa. Mas, o erro foi proposital, não é mesmo? Para mostrar que só os homens são capazes de cometer sexismo.

    Eu só quero ver o dia que o bule parar de escrever textos tendenciosos e ver a realidade como ela é. Sexismo é algo que pode vir dos dois lados, a Sra Rebecca Watson prova isso de forma incontestável.

    Mas, talvez eu esteja sendo muito duro com a Sra. Watson. Talvez ela de fato tenha sido ameaçada de estupro naquele elevador pelo sujeito que absurdamente a convidou para um café por achá-la interessante. Acho que nenhum homem deveria jamais tomar atitudes tão ousadas assim na tentativa de convencer mulheres ao sexo consensual, ao invés disso, segundo próprias sugestões da Sra. Watson, nós, homens, deveríamos simplesmente abrir buracos em melões, ou comprar bonecas infláveis para nos satisfazer até o momento em que uma mulher gentilmente nos escolha para ter a relação sexual. Nenhum homem deveria jamais tomar a iniciativa e correr o risco de assustar as pobres e frágeis mulheres que vivem cada segundo com o risco e o medo de serem estupradas por todos os homens do planeta terra. Todos os homens são seres malignos vindos do inferno que querem estuprar mulheres na primeira oportunidade, sem nenhum auto-controle. A Sra. Watson com certeza é um exemplo para todas as mulheres.

    • Gabriel Rodrigues

      Eu costumava imaginar que ateus aplicariam o ceticismo, companheiro de longa data, para analisar absurdos como esses do Atheism+.

      Infelizmente, o senso comum dita que o feminismo é sagrado, acima de qualquer crítica. Cuidado com as heresias, Sidnei Barbosa.

      • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

        Oi, Gabriel

        O feminismo não é exatamente ‘acima de qualquer crítica’, mas vamos combinar que está acima de “Nenhum homem deveria jamais tomar a iniciativa e correr o risco de
        assustar as pobres e frágeis mulheres que vivem cada segundo com o risco
        e o medo de serem estupradas por todos os homens do planeta terra.
        Todos os homens são seres malignos vindos do inferno que querem estuprar
        mulheres na primeira oportunidade, sem nenhum auto-controle”. Obviamente não é isso, mas vocês fazem questão de brotar aqui encher o saco. Por isso não posso ter outra impressão se não que vocês são os homens que chegam aqui pra negar os problemas que Watson enfrentou. Aplicar ceticismo, pra mim, é perceber o quão estúpido seria achar que Watson demoniza homens e que eu e tantos outros céticos, como o PZ Myers, estão aplaudindo isso. Interpretação de texto, galera, vamos lá, vamos ler Watson, não é tão técnico assim. Mais importante: vamos ler sem pensar nos nossos privilégios ‘perdidos’ (como de abordar mulheres sem sermos convidados) e na possibilidade de uma ‘conspiração feminista’. E pro dia 21, estão nervosos? Vamos lá, eu sei que vocês podem mais.

    • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

      Sidnei

      Da wikipedia: “The term sexism commonly refers to discrimination against women”. Isso na América Latina inteira se chama ‘machismo’, e ‘sexismo’ é uma palavra a qual não estamos acostumados. Além do mais, o cartaz foi feito por feministas, sobre casos específicos como esse do TAM que está no texto, então obviamente é sobre ‘sexismo’ de homem contra mulher. Eu traduzir como ‘sexismo’ seria imprimir um viés de ‘todo sexismo é relativo’ que nem você está querendo, seria tendencioso além de ser má tradução.

      Daí, primeiro que o texto nem é sobre o elevador. Depois, duvido que você tenha lido, porque a Rebecca fala mil vezes que o problema não foi a cantada, mas o escândalo de homens na Internet por conta dela ter dito só ‘achei desconfortável’. E obviamente ela não acha que todo homem bla bla bla, sei lá por que você está falando isso. Só desejo melhoras aí pra você.

      • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

        Sexismo é sexismo, por mais que se queira dar um significado tendencioso à palavra. A conotação cultural da palavra sexismo pode até se referir ao machismo, mas isso não significa que isso é certo. Ao traduzir o termo sexismo como machismo da mesma maneira que a Sra. Watson, ou qualquer outra feminista, fez, você corroborou com o conceito desigual de que as mulheres não são capazes de sexismo. Se fosse tão preocupado assim com questões como igualdade social, deveria ater-se a traduzir a realidade como ela é.

        Quanto ao caso da Sra. Watson e o indivíduo no elevador, digo que ela tem direito de se sentir desconfortável com essa situação, afinal, isso diria respeito somente a psique dela. A minha grande crítica à situação da Sra. Watson é em relação ao fato dela não só ter se sentido desconfortável (o que é perfeitamente aceitável), mas de ter recriminado todos os homens e dizer que eles não devem agir de uma determinada maneira por causa disso. Os gostos da Sra. Watson servem de parâmetro para o comportamento de todos os homens?

        “A word for the wise: guys, don’t do that”

        Acho que isso diz o bastante a respeito da atitude da senhora Watson.

        • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

          “Os gostos da Sra. Watson servem de parâmetro para o comportamento de todos os homens?”
          Façamos o seguinte então. Pergunte às mulheres que você conhece como elas se sentiriam se no meio da madrugada um estranho no elevador, fechado, as chamassem para seu apartamento. Eu tenho o palpite que muitas vão ter o mesmo “gosto da Sra. Watson”, mas posso estar errado. Como os meus parâmetros são o dela e o meu, eu prefiro aceitar o dela (afinal, nunca recebi uma cantada de madrugada num elevador).

          Talvez mulheres de fato adorem abordagens de estranhos no meio da rua ou em elevadores. Até o momento eu não vi mulheres se manifestarem defendendo essas abordagens. Mas eu vi um monte de homens fazerem isso, veja só! Por que será?

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Na boa, você viu o vídeo no qual ela explica a situação? Segundo a interpretação dela da situação, ele foi bastante educado. Talvez o cara tenha escolhido a hora errada, e o ambiente errado também, mas foi só isso. Ele não tinha intenção de estuprá-la, ou sequer ameaçá-la de alguma forma.

            Qual o problema de abordagens de estranhos na rua? Existem milhares de relacionamentos e amizades que começaram assim. Uma conversa casual com um desconhecido que leva a algo mais, qual o problema? O homem pode sim abordar uma estranha na rua visando ter sexo, ou relacionamento, com ela, ele só não pode ser rude – chegar dizendo algo como: “Ei, gostosa, quero comer você!” – e intimidar a garota. Se ele for educado e a mulher se mostrar receptiva aos seus avanços, mesmo sendo ele um estranho, pergunto novamente: qual o problema?

            O grande lance disso tudo é que nós homens não temos bolas de cristal para nos dizer quais mulheres que abordarmos estarão mais receptivas aos nossos avanços, também não temos um olfato muito desenvolvido para identificar a secreção de feromônio, o que nos deixa somente uma opção: tentar. A única maneira de sabermos qual mulher está receptiva e qual não é tentando a sorte, se der, deu, se não der, deixe pra lá.

          • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

            Como eu entendi a discussão toda, o problema foi a abordagem ser num elevador fechado. Pra você pode não significar nada. Mas muitas mulheres temem muito estupro. Se uma mulher desvia de você numa rua deserta, não adianta você reclamar “mas eu não sou estuprador!”. ELA não tem bola de cristal pra saber quem é só um cara educado e quem vai aproveitar qualquer oportunidade para avançar nela.

            Sobre tentar a sorte, esse é o mesmo argumento usado por caras que dão cantadas grosseiras na rua. Vou chamar mulheres de puta e dizer que quero chupá-las. Se der deu, se não der, deixe pra lá.

            Ninguém está falando que homens não podem conversar com mulheres. Mas dado todo o contexto em que violência acontece, evite reproduzir essas situações. Se você acha que não, e que é “direito” seu convidar qualquer mulher que você acabou de conhecer pro seu quarto em algum recinto fechado, não posso fazer mais nada.

          • Gabriel Rodrigues

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          • Gabriel Rodrigues

            Sobre tentar a sorte, esse é o mesmo argumento usado por caras que dão cantadas grosseiras na rua. Vou chamar mulheres de puta e dizer que quero chupá-las. Se der deu, se não der, deixe pra lá.
            E “chamar uma mulher de puta e dizer que quer chupá-las” é a mesma coisa que dizer que gostou de suas opiniões e gostaria de discutí-las mais a fundo e educadamente convidá-la para um café? Porque segundo a Srta. Watson, foi exatamente esse o comportamento do indivíduo.

            Mas dado todo o contexto em que violência acontece, evite reproduzir essas situações
            E qual é esse contexto? Que eu saiba, a maioria dos estupradores são conhecidos pela vítima. Além disso, estupros não costumam ocorrer em elevadores monitorados de centros de conferência.

            Se você acha que não, e que é “direito” seu convidar qualquer mulher que você acabou de conhecer pro seu quarto em algum recinto fechado
            Igualmente, questiono sua experiência com relacionamentos. Você nunca fez sexo casual na vida? É direito de todos convidar desconhecidos para seu quarto, segundas intenções ou não. É direito da outra pessoa recusar.
            Novamente volto a afirmar: lutar contra o sexismo é tornar sexualmente aceitável que a mulher faça isso sem ser taxada de vagabunda (ai sim você tem um caso de sexismo).

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Você leu o que eu postei? Eu disse que o homem deve ser educado na sua abordagem. Não é meu direito chamar a mulher de puta e dizer que ela tem de me chupar.

            Eis o trecho:

            “(…)O homem pode sim abordar uma estranha na rua visando ter sexo, ou relacionamento, com ela, ele só não pode ser rude – chegar dizendo algo como: “Ei, gostosa, quero comer você!” – e intimidar a garota. Se ele for educado e a mulher se mostrar receptiva aos seus avanços, mesmo sendo ele um estranho, pergunto novamente: qual o problema?”

          • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

            Sim, eu li. Eu tentei mostrar que a situação é parecida, e não que é a mesma. Mas eu pergunto, então você acha que abordar (com conotações sexuais) numa rua deserta uma mulher, mesmo que educadamente, não tem nada de errado?

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Uma rua deserta é absurdamente diferente de um elevador vigiado por câmeras de segurança num prédio cheio de pessoas com seguranças, mas vou responder sua questão. Numa rua deserta realmente ficamos desconfiados até da própria sombra, daí cabe o bom senso do homem de não abordá-la, mas se ainda assim – numa demonstração de completa insensatez -, o homem acabar abordando-a, mas mostrar educação e polidez, ela, a princípio, não tem motivos para crer que ele quer estuprá-la.

            Além do mais, se ela anda pela rua deserta e um homem vem andando na direção dela querendo estuprá-la, por que ele se incomodaria em abordá-la educadamente?

            “Ah, mas e se o estuprador for algum psicopata manipulador e quiser somente enganá-la e estuprá-la na casa dele ou coisa do tipo?”

            Bem, isso é uma possibilidade, mas não é motivo para assumir que todos os homens farão isso. Todos são inocentes até que se prove o contrário. Mas, se a mulher recusar o convite dele e ele não insistir depois, ela não tem de ficar falando para todos os homens não fazerem isso ou aquilo, afinal, qual é a probabilidade de uma mulher ser abordada educadamente numa rua deserta, presumivelmente, tarde da noite?

            Mas, voltemos a realidade, que tipo de homem iria abordá-la numa rua deserta tarde da noite? Um drogado, um mendigo, psicopatas e lunáticos noturnos talvez. Qual a probabilidade de um homem educado abordar uma mulher à noite? Mas a situação do elevador era muito diferente. Era uma conferência cheia de pessoas educadas em que um deles pediu para tomar um café com ela. O horário não faz a mínima diferença, assim como o incidente ocorreu às quatro da manhã, poderia ter acontecido às três da tarde e daria o mesmo resultado. O medo de ser estuprada lá era injustificado, compreensível, mas injustificado.

          • Gabriel Rodrigues

            Além do que o Sidnei destacou – uma rua deserta é absolutamente vigiado por câmeras de segurança – existe outro ponto:

            Mesmo que fosse insensível abordar uma mulher em uma rua deserta com conotações sexuais, isso ainda não torna a atitude “errada”, “machista” ou “ilegal”, como alguns querem colocá-la. É uma falta de tato, claro, uma insensibilidade social. Mas daí a dizer que é errado? “Schrodinger’s Rapist” [sic]? Faça-me o favor.

            Vou fazer uma analogia: Imagine que você está em um elevador, as 4 da manhã, e um negro mal vestido também. O negro diz que gostou muito da sua palestra sobre ganhar dinheiro. Ele diz que visitou seu site e gostou especialmente das fotos que você tirou com seu porsche. Ele então te pergunta se você não tem algumas “dicas extras” pra te dar.

            Suspeito? Muito. Mas daí a falar “negros, não façam isso. Vocês não imaginam como nós brancos nos sentimos!” e depois chamar ele de “ladrão/sequestrador em potencial” é racismo extremo.

          • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

            Sobre a situação hipotética, isso seria bizarro com um negro, com um japonês ou com um branco. Se isso fosse adicionado de um “vamos pro meu quarto” eu ia sim ficar de cara. E sim, possivelmente na próxima eu falaria: “olha, eu não gosto desse tipo de coisa, então pessoas, por favor, não façam isso”.

            Na rua eu evito cruzar pessoas andando sozinhas, ou em dupla. Não importa se negros ou não. Já passei perto de pessoas hostis (brancos ou não), e é uma coisa que eu prefiro evitar. Sabe aqueles caras querendo arrumar confusão? Então seria demais falar “pessoal, não me sigam em ruas desertas. Não é legal.” Estou sendo um monstro anti-social? Não sei. Acho que não.

            O ponto é, que já foi levantado aqui diversas vezes. Ela falou algo como “po, isso não é legal. Não façam isso”. E aí um monte de caras estão pirando. Que absurdo! Como ela ousa reclamar!!! Na boa, vocês falam muito que ela não “tem o direito” de não se sentir ofendida, mas parece que os ofendidos são vocês.

          • Gabriel Rodrigues

            Então Daniel, mas percebe como é diferente… você tem o direito de falar que não gosta, mas dai a dizer que o outro tem que ser proibido de fazê-lo é um salto muito maior.

            E o problema não foi isso, o problema principal foi o que rolou depois, quando ela publica a video resposta, em que ela compara o cara a um pervertido doente incapaz de ter um relacionamento, xinga todo mundo de machista, dispensa todos que discordam dela como misoginistas ignorantes…

          • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

            Bom, de fato, tirando o episódio principal do elevador, eu não acompanhei o que aconteceu depois. Prometo depois dar uma lida aí no que você sugeriu.

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Eu não me sinto nem um pouco ofendido pelo que ela disse. Acredito que ela tem direito de falar o que ela quiser, quando quiser, como quiser e quantas vezes quiser. Nunca, repito: nunca faria nada para limitar o direito dela de se expressar, isso seria uma violência contra ela, contra o direito inalienável da liberdade de expressão. E mesmo que de alguma forma tivesse me ofendido, não acho isso motivo suficiente para censurá-la.

            Mas, eu tenho o direito de dizer que ela falou um monte de merdas sexistas e misândricas, assim como tenho o direito de protestar. Tantos fizeram, porque eu não poderia? Como eu disse anteriormente, minha crítica à reação da Sra. Watson foi o fato dela usar o fato dela ter ficado constrangida com uma determinada situação e usar isso para estabelecer padrões de comportamento para todos os homens (e até para mulheres também, já que ela simplesmente assume que todas as mulheres, assim como ela, se sentem desconfortáveis ao serem abordadas educadamente por um desconhecido). E, não só isso, ela ainda usou isso para desmerecer eventos importantes e até mesmo o Dawkins – não que ele esteja acima de críticas, mas ele estava certo naquela situação -, e ficou acusando todos os que discordavam dela de misóginos.

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Cara, eu to te dizendo que o assunto não é sobre a cantada, ela realmente levou isso de boa. Ela fala nisso nesse texto aí em cima e no outro. Vou colar os trechos pq eu to perplexo de vocês quererem insistir no assunto do elevador:

            Do texto de hoje:
            “E mais uma vez nós vemos que a tragédia não está necessariamente no problema inicial – como por exemplo um homem cantando uma mulher que havia acabado de dizer que não queria ser cantada, às 4 da manhã em um elevador – mas na reação à leve reprimenda feita pela mulher. A avalanche contínua de ameaças de estupro que ela recebe porque ela teve a audácia de dizer “Caras, não façam isso”.

            Também aqui a tragédia não está na torrência inicial de agressões. Afinal, ela foi (inicialmente) apenas um pouco mais violenta do que eu já tive que lidar na minha vida cotidiana, fora desta comunidade. Não, a tragédia acontece quando o presidente da organização que me inspirou a entrar para essa comunidade diz ao mundo que mulheres sentem que não são bem-vindas e que não estão seguras por causa de mim. Por conta de eu falar sobre os homens que me assediam nessa comunidade, mesmo enquanto eu encorajo mais mulheres a participarem dessas conferências e a levantarem-se para serem
            notadas, dou dicas a quem organiza a conferência sobre como melhorar a experiência para as mulheres, e até mesmo enquanto eu ajudo a arrecadar milhares e milhares de dólares para enviar mulheres para essas conferências.”

            Do texto passado (http://www.bulevoador.com.br/2012/04/feminismo-um-delirio/):

            “Vocês podem lembrar de quando relatei um incidente
            em que recebi uma cantada, e falei, ‘“Caras, não façam isso’.” Verdade,
            foi o que eu falei. Eu não disse que o sexo deveria deixar de existir,
            não acusei o homem da história de me estuprar. Eu não falei que todos os
            homens são monstros. Eu falei: ‘“Caras, não façam isso’.””

          • Gabriel Rodrigues

            Vou colar os trechos pq eu to perplexo de vocês quererem insistir no assunto do elevador

            O caso se chama elevatorgate. Quando nos referimos ao “elevador”, pode ser tanto o elevador em si quanto a história toda, junto com suas repercussões, junto com o atheism+.

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Ai, velho, que seja, bocejei pra você. Se quer tanto falar de elevador, vai procurar quem queira também. Um abraço

          • Gabriel Rodrigues

            Acabaram os argumentos então?

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Meu querido, a gente nem tá ‘trocando argumentos’, eu só to falando que você veio aqui ‘bla bla elevador’ e que não tem porra nenhuma a ver com o texto. Se vc gosta de argumentos, procura ‘derailing’ no google, que é o nome do que vc tá fazendo. E se quer *tanto* um argumento, procura uma clínica de argumentos (rs):

            http://www.youtube.com/watch?gl=BR&hl=pt&v=kQFKtI6gn9Y

          • Gabriel Rodrigues

            Com um atraso de 6 meses, apresento a vocês a tradução do texto de Rebecca Watson sobre o segundo capítulo de sua saga com o The Amaz!ing Meeting (TAM), escrita por ela dia 1 de junho de 2012. Ela já tinha ido ao TAM de 2011 sob ameças de morte e estupro da própria comunidade cética, por ter feito um comentário de 2 minutos sobre um constrangimento que ela passou em um evento cético; ela conta essa história nesse outro texto que também está no Bule, que envolve Richard Dawkins e um elevador, e cuja tradução é de Caroline Jamhour.

            Ou seja, um texto que é o segundo capítulo de uma saga, que começou com um constrangimento que ela passou em um elevador.

            Falar sobre tal constrangimento agora é derailing, e não tem porra nenhuma a ver com o texto.

            Pelo visto sua sanidade mental foi embora – você não gosta de argumentos, o que está fazendo no bule voador? Já que me deu a dica da “clínica de argumentos”, vou te dar uma dica de um lugar pra pessoas que aceitam tudo que é dito como verdade absoluta e inquestionável, onde argumentos e ceticismo são vistos com maus olhos: chama-se igreja. Dá uma olhada, tem um monte.

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            “Ela já tinha ido ao TAM de 2011 sob ameças de morte e estupro da própria comunidade cética, por(…)” – é essa a semelhança entre os dois textos, e você pra mim faz parte dessa turba que surgiu no caso do elevador e agora surge no caso do “mulheres, não falem sobre os assédios que vocês sofrem” pra dizer que era pra elas ficarem caladas. Por isso que é derailing falar do elevador, porque você está fazendo a mesma coisa que a turba, sendo que A TURBA é o assunto. Cara, vc é muito jovem, dá um rolê pelo mundo antes de voltar pro Bule, vai, eu imploro.

          • Gabriel Rodrigues

            Ameaças de morte e estupro que ela postou aonde? Conforme eu já disse, ela não abriu espaço nem para investigar tais ameaças.

            Além do mais, é só eu falar “sofri ameaças de morte aqui no bule voador por meus comentários!!!!1111umumum” e eu automaticamente tenho razão?

            E por favor, é derailing falar sobre o caso agora? Não entra na sua cabeça que é tudo uma coisa só? Você não consegue entender que o sexismo pode ser praticado por mulheres e contra homens?

            E você age como se eu estivesse falando só do elevador! Eu falei dos argumentos que ela usou em resposta a confusão, sobre o Richard Dawkins, sobre o PZ Myers e sobre a “turba” que, como você, simplesmente ignora argumentos de quem discorda, e rotula seus autores de machistas/misóginos.

            E depois eu sou “jovem”, e preciso “dar um rolê pelo mundo antes de voltar pro bule”? Você pelo visto é muito elucidado, conhecido, um alto pensador, com anos de experiência e viagens pelo mundo, refletindo sobre os mais profundos tópicos, então? Tanto que não consegue refutar sequer um dos argumentos?

            A única coisa que você conseguiu fazer até agora foi convencer o colega de que a tradução sexism -> machismo era apropriada no contexto, rapaz.

            E quem é você pra me dizer quando eu posso frequentar o bule?

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Okay, vou refutar um dos seus argumentos, de passando um link que está no texto acima:

            http://skepchick.org/2011/09/mom-dont-read-this/

            Sobre cantadas de rua, vou te passar um texto de um broder homem pra ter certeza que você vai confiar no que está sendo dito (recomendo todos os tópicos pra quem sabe você sair dessa idéia de ‘empate técnico dos gêneros com o feminismo fudendo tudo’):
            http://papodehomem.com.br/feminismo/#feminismo5

            Mas daí caso a voz das mulheres comecem a te interessar, recomendo essa página de facebook que coleciona relatos (depois me diz se ‘seu direito de cantar e quem sabe fazer sexo’ pesa bem na balança):
            https://www.facebook.com/CantadaDeRua

            Daí quem sabe você está pronto pra ler uma opinião (ai q nojo!) feminista:
            http://blogueirasfeministas.com/2012/04/cantadas-seu-prazer-meu-nojo/

            Parar de frequentar o Bule foi só um toque de broder, pq não parece fazer bem pros seus nervos de homem ler mulheres contando como é ter que lidar com gente como você.

          • Gabriel Rodrigues

            link do skepchick

            O autor do comentário poderia ter substituído a palavra “cunt” por “asshole” (ou que tal “dick”? Mas esse não é considerado ofensivo aos homens, não é mesmo?), o que removeria o sexismo do comentário mas manteria o ponto. Ela desviou o assunto, de novo tentando enquadrar o ódio a ela como um ódio a mulheres. Ela sempre faz isso – “está contra mim é estar contra as mulheres”.

            Sobre cantadas de rua, vou te passar um texto de um broder homem pra ter certeza que você vai confiar no que está sendo dito

            O “Papo de homem” é um dos sites mais sexistas que eu conheço, PRINCIPALMENTE contra as mulheres. Eles vem com essa desculpinha de neutralidade, mas eles sim são um exemplo de machismo!

            Ainda assim, o texto é irrelevante – não tem ninguém aqui defendendo cantadas de rua agressivas ou culpar a vítima. Esse é um espantalho que você criou, Guilherme, ele não é o meu argumento. Imagino que você tenha se referido apenas à 5º seção, já que é para onde o link aponta, porque o resto do texto se aplica a machistas, e não ao movimento do direito dos homens.

            Mas daí caso a voz das mulheres comecem a te interessar, recomendo essa página de facebook

            Fala sério, né? Uma página que conta histórias de terror de cantadas invalida meu argumento?

            Então vamos fazer o seguinte, eu tenho um monte de histórias incômodas de pessoas ouvindo funk na rua. É pra proibir também?

            Eu também conheço diversas experiências desagradáveis relacionadas a mendigos – talvez devêssemos proibir a mendicância?

            Daí quem sabe você está pronto pra ler uma opinião (ai q nojo!) feminista:
            Mas ai tem que proibir cantadas partindo de gays e travestis também, né?

            A autora muda o assunto completamente, e mistura cantadas (que são uma mera inconveniência) com assédio sexual, e eventualmente estupro, como se fossem todos a mesma coisa!

            Quanto ao “velho assediador” do ônibus – ele chegou a inclusive encostar nelas! Que absurdo!!!!111!!1!

            Enquanto isso, elas não falaram nada. Nem mesmo a autora teve capacidade de falar com o indivíduo. Mas fantasiar sobre agredí-lo… ah, isso sim!

            As feministas parecem querer que os homens tenham bolas de cristal. Abordagens só são bem vindas quando a mulher deseja o homem em questão. Mas tomar a iniciativa e abordar o homem, correr o risco de ser rejeitada… ah, isso nenhuma feminista quer fazer, isso exige coragem, coisa que elas não tem.

            A propósito, todas as conquistas do feminismo foram asseguradas com pouco ou nenhum derramamento de sangue. Elas simplesmente pediram, e a sociedade concedeu.

            Parar de frequentar o Bule foi só um toque de broder, pq não parece fazer bem pros seus nervos de homem ler mulheres contando como é ter que lidar com gente como você.

            Continue com as ofensas, soldadinho da Rebecca Watson. Quem não concorda com ela só pode ser um machista misógino infantil gritante, não é mesmo?
            Porque você não compra mais um de seus preciosos calendários sensuais e fantasia um pouco sobre como é ter um relacionamento com uma feminista nerd gostosa?

          • Gabriel Rodrigues

            Eu traduzir como ‘sexismo’ seria imprimir um viés de ‘todo sexismo é relativo’

            Melhor que “todo sexismo é perpetrado por homens contra mulheres”

            duvido que você tenha lido, porque a Rebecca fala mil vezes que o problema não foi a cantada, mas o escândalo de homens na Internet por conta dela ter dito só ‘achei desconfortável’.
            Já li sobre o caso Elevatorgate mais de vinte vezes, e pelo visto li vinte vezes mais que você. Não, o escandalo não foi por conta dela ter dito “só achei desconfortavel” – não sei se isso é desonestidade da sua parte ou simplesmente ignorância.

            O escândalo é a Srta. Watson fazer calendários e tirar fotos provocativas, visando ser objetificada (não conheço definição melhor de objetificação, ela tira fotos sensuais de si mesma, as transforma em objetos – calendários – e os vende), tendo nerds como público alvo – e ao encontrar um desses nerds, provavelmente pela primeira vez, agir da forma que agiu.

            O coitado do indivíduo deve ter reunido toda sua coragem para se adequar ao papel esperado, em que os homens tomam a iniciativa, e ouvindo o fora deve ter ficado morrendo de vergonha e não falou mais nada. Apenas para depois ser comparado com um estuprador, ser chamado de pervertido, creep, e a Stra. Watson dizer que indivíduos como ele devem limitar seus relacionamentos sexuais futuros à bonecas infláveis e fleshlights.

            Quando confrontada INCLUSIVE POR MULHERES, utilizou sua posição de palestrante para denegrir tais blogueiras (isso mesmo, no feminino) sem dar a elas direito de resposta.

            Em seguida, jogou lama em Richard Dawkins (que, ao contrário dela, merece estar em conferências), por ele ter mostrado pra ela a realidade, e mandado ela calar a boca – que é o que ela merecia. Não por denunciar sexismo, como alguns acreditam, mas por subverter o tema da palestra, por tentar dividir a comunidade atéia, por fazer FALSAS ALEGAÇÕES de ameaças – afinal até o momento ela ainda não postou nenhuma dessas mensagens, nem deu a comunidade oportunidade para investigar se tais ameaças (se é que existem) partem realmente de ateus.

            Mas melhor não, melhor fazer como ela fez, e xingar todos que discordaram de sua posição, mesmo de forma educada e com argumentos racionais, de machistas misóginos privilegiados… como ela de fato fez.

            Pergunte às mulheres que você conhece como elas se sentiriam se no meio da madrugada um estranho no elevador, fechado, as chamassem para seu apartamento.

            Ah sim, elevadores… popularmente conhecidos como “caixas de estupro”! Ainda mais um vigiado eletronicamente, dentro de um centro de conferências lotado! Que absurdo!

            E que tal se eu realmente for e perguntar? E se muitas disserem que discordam de Watson? E se eu te disser que nem precisa perguntar, e que muitas fizeram videos-resposta para a Srta. Watson, e depois foram xingadas de “cegas” ou tiveram sua carteirinha de feminista revogada?

            Mas eu vi um monte de homens fazerem isso

            Nossa, talvez nós homens devêssemos parar de convidar mulheres para um café, e não insistir depois de rejeitados, apenas para serem chamados de estupradores em potencial depois. É, acho que esse é o caminho mesmo. Ou talvez devêssemos seguir o absurdo guia do PZ Myers…

            O feminismo não é exatamente ‘acima de qualquer crítica’
            Não exatamente? Só em alguns casos então?

            Obviamente não é isso, mas vocês fazem questão de brotar aqui encher o saco.

            Você viu os vídeos? É praticamente isso que ela fala! Ela abre exceções apenas para os que concordam com ela! E isso é ceticismo? Cara, isso é coisa de muçulmano fundamentalista!

            vocês são os homens que chegam aqui pra negar os problemas que Watson enfrentou.

            E quais problemas são esses? Ser abordada em um elevador? Já recebi cantadas de gays, mesmo sendo hétero. Quer dizer que todos os gays são maníacos por sexo incorrigíveis que devem ser educados? Quer dizer que existe uma “cultura do estupro gay” que permeia nossa sociedade? Porque segundo a Srta. Watson, é nesse mundo que vivemos.

            Isso já foi discutido Ad Nauseum, inclusive aqui no bule voador (voltando naquela questão, será que o ceticismo foi aplicado?): Se sentir ofendido por algo é completamente diferente de algo ser ofensivo.

            como de abordar mulheres sem sermos convidados

            E como é que vamos fazer sexo então? Esperar que elas nos abordem? Você não sai muito com mulheres, sai?
            Igualdade de sexos seria incentivar as mulheres a tomar a iniciativa, e não proibir os homens de fazê-lo. Se ninguém toma a iniciativa… bom, você lembra da segunda série não lembra?

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Caramba, não acredito que você está usando o calendário da Watson pra reverter a culpa pra ela. E eu já te falei, e o próprio texto falou, que o problema da Watson foi machistas pirando (como VOCÊ está nesse exato momento) somente por ela ter dito que não gostou da tal cantada. “Guys, don’t do that”, em 2 minutos de vídeo. Se você é crianção demais pra entender isso, só lamento. Já me enchi o saco de machista ignorante como você. Pode ficar aí descascando as cantadas à vontade, o assunto NÃO É sobre cantadas. Quando você entender isso a gente conversa de novo.

          • Gabriel Rodrigues

            Caramba, não acredito que você está usando o calendário da Watson pra reverter a culpa pra ela.
            Uso e abuso do calendário porque isso tem um nome: Hipocrisia!

            Ela se utiliza de objeto sexual quando isso lhe traz lucros, mas quando traz nerds com suas cantadas – respeitosas mas desengonçadas (afinal, são nerds) – aí não pode?

            Não seja desonesto, Guilherme, esse não é o mesmo caso de “ela usa saia curta, merece ser estuprada”! Não me venha com esse espantalho!

            A mulher que usa roupas provocativas tem o direito de não ser estuprada, ou se for estuprada, a culpa do estuprador em hipótese alguma pode ser diminuída, mas esse não é o caso!

            A mulher que usa roupas curtas ou, no caso, vende calendários provocativos, vai sim ser abordada mais vezes! Porra, esse é o maldito propósito! E ela não tem direito de não ser abordada! Esse é o mesmo argumento de crentes que dizem que meu ateísmo os ofende! Como você não enxerga isso pra mim é um mistério.

            Se você é crianção demais pra entender isso, só lamento. Já me enchi o saco de machista ignorante como você.
            E, de repente, ganhei o rótulo de machista ignorante crianção. Igualzinho eu disse que os soldadinhos da Watson fizeram. Não tem discussão com gente como você não é mesmo? Achei que um ateu fosse menos propenso a DOGMAS.

          • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

            “A mulher que usa roupas curtas ou, no caso, vende calendários provocativos, vai sim ser abordada mais vezes! Porra, esse é o maldito propósito! E ela não tem direito de não ser abordada!”

            Então o propósito do calendário não foi arrecadar dinheiro mexendo justamente com um tabu, mas ser abordada? Foi isso que eu li?

          • Gabriel Rodrigues

            Deixa eu explicar de outra forma, já que ficou confuso: o objetivo do sexy é sexo, assim como o objetivo do provocativo é provocar.

            Ela pode até não querer ser abordada, mas esse não é um direito dela. Da mesma forma que objetos ostentativos são demonstrações de riqueza (ou seja: ostentam riqueza) e, portanto, atraem interesseiros. As pessoas que ostentam carros esportivos, joias, roupas caras e etc. não gostam de interesseiros, mas não é direito delas nunca ser importunado por eles.

          • buckaroo banzai

            Cara, o mais perto do que você está dizendo que eu acho possível sustentar é que, uma mulher, ou homem, que se expõe (como em um calendário) de forma sexy vai inevitavelmente atrair atenção e eventuais interações. E nem todas as pessoas vão ter muito bom senso, mesmo se o público alvo seria o de um grupo que se imaginaria tender a ter bom-senso acima da média. Ok, concordo 100%.

            Mas a pessoa ainda tem o direito de “dar um toque”, de dizer que isso pode ser desconfortável, dependendo de como for feito. E aqueles que são o “alvo” do toque também argumentavelmente “não têm o direito de não se sentirem ofendidos” por esse toque. Você vai ver um vídeo no youtube, não é direito seu não ouvir algo que te desagrade.

            Repito: o problema todo nem esteve aí, foi hipersensibilidade de vários homens (na maioria homens, inicialmente) à (argumentável) hipersensibilidade da RW, que desencadeou em alegações exageradas de misoginia/sexismo/machismo (e algumas tentativas de refutação extremamente idiotas que só colocam mais lenha na fogueira), ao que o Dawkins tentou dar as devidas proporções com a comparação do ocorrido no elevador com a situação das muçulmanas. O que por sua vez resultou no que pareceu ser uma sugestão de boicote a seus livros, algo como “não sei se posso mais recomendar”.

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Se eu, ou o outro sujeito, não concordamos com as atitudes da Sra. Watson, somos machistas? Muito fácil acusar as pessoas que não concordam com ela de misóginos, não é mesmo? Ela vem fazendo isso há muito tempo. Não tente diminuir a atitude dela dizendo que foi só a opinião dela – se tivesse sido, nada disso estaria acontecendo. O problema foi que ela disse um monte de merda depois disso, chamando de machistas misóginos todos aqueles que não concordassem que os homens devem agir de acordo com os parâmetros da Sra. Watson. Ela não tem o direito de reprimir homens de conhecerem mulheres só porque ela passou por uma situação que ela considerou constrangedora. Isso é absurdo. Uma pena que ela não teve a racionalidade e a frieza para perceber isso e preferiu jogar no ventilador. Aí o Dawkins faz um comentário sarcástico e é apedrejado pela Sra. Watson e suas asseclas.

            Ninguém está demonizando a Sra. Watson, apenas apontando que ela, de fato, sexista.

          • buckaroo banzai

            Cara, o fato dela ter posado para calendários não quer dizer nada, não diz nada sobre como alguém deve/pode agir diferentemente com ela, do que agiria com outra mulher (ou homem).

            Mas ao mesmo tempo, o principal problema é que na verdade não aconteceu nada demais no elevador. Um cara fez o convite que a maioria interpretou como cantada, ela recusou, ele aceitou, e pronto. Acabou. Ela depois comentou que se sentiu “objetificada” ou “sexualizada”, não lembro qual foi o termo que usou. Acho que até mesmo até aí estava tudo OK.

            Uns caras então se sentiram doídos pelas “dicas” que ela deu para não colocar mulheres numa situação desconfortável, que provavelmente não se aplicam universalmente a todas as pessoas não-Rebeca-Watson, e então daí por diante a coisa virou um caos.

            Inicialmente não tinha nada de “medo de estupro” ou qualquer coisa minimamente relacionada a estupro. Era apenas sobre se sentir “objetificada” e/ou “sexualizada”, o que, pelo tom leve do vídeo, não parecia implicar que ela visse naquilo uma ameaça de estupro, apenas uma falta de polidez ou tato.

            Mas a coisa virou uma avalanche, foram dramatizando tudo e conectando coisas cada vez mais sérias em cima do ocorrido (estupro sendo mencionado), como se fosse tudo uma coisa só, um terrível problema de machismo/sexismo/misoginia generalizada na nossa sociedade/sociedade americana/”no meio cético”. Aí veio o Dawkins e lembrou todo mundo do que é uma verdadeira “cultura do estupro” (em países/culturas árabes/muçulmanas) e então uns ficaram furiosos, achando que era “diminuir o sofrimento” das mulheres e foi feita uma leve sugestão de boicote ao Dawkins, que, ironicamente, parece que faz algo como pagar algo como uma creche para que mulheres (e homens) com crianças possam comparecer a esses eventos…

            E agora outra parece achou “desumanizador” ou algo assim, uma camisa usada por outra mulher, expressando ter achado toda essa polêmica algo vazio, infundado.

          • Gabriel Rodrigues

            Cara, o fato dela ter posado para calendários não quer dizer nada, não diz nada sobre como alguém deve/pode agir diferentemente com ela, do que agiria com outra mulher (ou homem).

            Claro que ela continua tendo os mesmos direitos que todas as outras mulheres, mas é muito estranho falar “Pessoal, não me objetifiquem! Não me abordem!” enquanto se objetifica ao vender uma imagem altamente sexualizada de si mesma.

            Não estou querendo afirmar que ela “perde os direitos, já que mostrou não ser uma boa moça”, estou querendo dizer que era pra ela esperar esse tipo de coisa, não é mesmo? Se você vai na favela de BMW, estaciona no meio da rua e deixa a chave na porta, depois quando alguém rouba seu carro você continua tendo o direito de ir na polícia fazer boletim de ocorrência e de achar ruim a atitude do ladrão. E a culpa do ladrão também não é diminuída – roubo é roubo.

            Ainda assim, você não pode depois gritar “FAVELADO É TUDO LADRÃO! BANDO DE MARGINAIS! TINHA QUE ENTRAR O BOPE LA E QUEBRAR TUDO!”

            A comunidade cética não é mais misógina que nenhuma outra (na minha opinião, até a comunidade feminista é mais misógina). Ela fez um xilique e quase ninguém viu, so uns 3 ou 4 gatos pingados. Ai ela não ficou contente e fez uma tempestade no copo d’água. Quando Dawkins entrou na jogada, mostrando pra ela o que é REALMENTE um problema de sexismo, ela pirou, e a história saiu do controle.

            Uns caras então se sentiram doídos pelas “dicas” que ela deu para não colocar mulheres numa situação desconfortável, que provavelmente não se aplicam universalmente a todas as pessoas não-Rebeca-Watson, e então daí por diante a coisa virou um caos.
            Isso, e o “guia” do PZ Myers no pharyngula. No começo, pra você ter idéia, a galera ficou puta com ela não por causa do sexismo, mas por ela ter abusado da posição de palestrante para criticar uma estudante e acusá-la de misógina (uma acusação séria, no mesmo pé de ser chamado de racista), e não deu espaço para que a acusada respondesse.

            Inicialmente não tinha nada de “medo de estupro” ou qualquer coisa minimamente relacionada a estupro. Era apenas sobre se sentir “objetificada” e/ou “sexualizada”, o que, pelo tom leve do vídeo, não parecia implicar que ela visse naquilo uma ameaça de estupro, apenas uma falta de polidez ou tato.

            Pois é, mas quando tinha só esse vídeo, ainda não tinha crise nenhuma.

            Mas a coisa virou uma avalanche, foram dramatizando tudo e conectando coisas cada vez mais sérias em cima do ocorrido (estupro sendo mencionado), como se fosse tudo uma coisa só, um terrível problema de machismo/sexismo/misoginia generalizada na nossa sociedade/sociedade americana/”no meio cético”.

            E quem é que “foram dramatizando tudo”? A Rebecca Watson, seus soldadinhos do skepchick, e o PZ Myers.

          • buckaroo banzai

            Acho que “os dois lados” dramatizaram a coisa. Não sei nem se dá para colocar a coisa numa “seqüência”, porque possivelmente foi um pouco ao mesmo tempo. De um lado homens se sentiram incomodados com a “dica” do vídeo, e do outro outras pessoas foram associando o relato do vídeo a coisas bastante piores do que supostas cantadas supostamente sem-noção, o que fez com que homens/pessoas que pegassem o bonde andando ficassem com uma impressão ainda pior da coisa.

            Mas continuo achando que não tem nada ver, nem há qualquer hipocrisia, no fato dela ter posado como quer que seja, onde quer que for. Para começar pode ser que o cara com quem ela falou nem soubesse disso (eu que li um bocado do assunto na época não sabia de nada disso). Poderia ser uma modelo da playboy falando a mesma coisa, e o “toque” ainda não seria descabido mesmo se ela não tivesse feito uma palestra antes sobre como acha ruim certas abordagens (ainda que talvez o cara não achasse que a sua abordagem se enquadrasse).

            E continua valendo o que você disse, ela não teria “direito” de nunca ser abordada de forma que não gostasse (até eventualmente infringir os direitos “de verdade”, claro), mas tem todo direito de achar ruim, de dar um toque, etc. Sem ser necessariamente hipocrisia dela, o que, mesmo que argumentavelmente seja o caso, é o de menos em tudo que ocorreu. Menos importante que as ameaças de estupro e assassinato, e menos importante que a proposta de boicote e associação a ameaças de estupro e assassinato que fez com quem discordava dela. E praticamente que qualquer outra eventual mentira/desonestidade que for argumentável. Ela posar para um calendário é tão irrelevante quanto ela usar batom.

            Mas não estou dizendo que ela é “santa” nem nada, mencionei o boicote ao Dawkins, e tinha me esquecido dessa associação que ela fez à garota que discordava dela em algo, com ameaças anteriores de estupro e assassinato. Mas são coisas independentes, a única coisa que “une” tudo é o padrão de aumentar o drama da coisa.

            Acho que ao mesmo tempo que o “lado” dos defensores da RW estão todos nessa de “ah, a terrível misoginia generalizada no movimento cético”, do outro lado estão também fazendo uns argumentos meio aleatórios, sem sentido, e beirando/chegando a meros ataques ad hominem (ou “ad molierem” talvez).

            E agora ficam esses “timinhos” inimigos criando encrenca vazia, por nada, perdendo foco dos problemas de verdade, quando provavelmente a maior parte das principais figuras envolvidas e do “público” concorda muito mais do que discorda em tudo que há de importante no assunto.

          • Gabriel Rodrigues

            Cara, no geral tem troll pra todo lado.

            Dá uma pesquisada no google por “freethought kampala skepchick” (sem aspas) e lê a história do elevatorgate pra você ver. Claro que teve muita gente que atacou a Rebecca Watson com argumentos completamente mongoloides.

            O problema é que ela, sendo uma pessoa influente, não pode agir como um comentarista troll, que foi o que ela fez.

            Pra você ter idéia, tem muito ateu que não acredita em Deus porque tem “raiva” dele. Tipo “Você não me deu o que eu queria! Deixou eu me fuder! Agora você vai ver, não vou acreditar em você mais!” – por mais idiota que isso seja.

            Tem inclusive muita mulher que não acredita em Deus simplesmente porque ele é homem, e acha que isso é uma noção machista da patriarquia. Se fosse uma Deusa, tava tudo beleza, mas como tem lugares onde a opção se restringe a cristianismo ou ateísmo, a feminista maluca prefere ser atéia.

            Se você reparar, a discussão aqui nem é sobre o elevador – é sobre o absurdo da alegação feminista de que as mulheres não podem ser vistas como objetos de desejo, que a luta contra o sexismo é incompatível com a sexualidade, e que os homens deveriam parar de abordar as mulheres.

            Além disso, existem os meus ataques à Rebecca Watson (e o PZ Myers), porque eu não gosto dela. Antes eu era neutro, mas depois fiquei com uma sensação incômoda de que ela só era chamada para as palestras por ser uma mulher que fala alto, e não por mérito próprio como outros palestrantes – na minha opinião a Srta. Watson rouba o lugar de outras mulheres, e enfraquece a presença feminina no ateísmo.

        • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

          “Ao traduzir o termo sexismo como machismo da mesma maneira que a Sra.
          Watson, ou qualquer outra feminista, fez, você corroborou com o conceito
          desigual de que as mulheres não são capazes de sexismo. Se fosse tão
          preocupado assim com questões como igualdade social, deveria ater-se a
          traduzir a realidade como ela é.” – cara, você leu o que você falou:? Não é então pra eu traduzir o que as pessoas querem falar, é pra eu traduzir a ‘realidade como ela é’ por trás das palavras que as pessoas usam? Não faz sentido nenhum, a ponto de eu nem saber por que estou te respondendo.

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Achei que vocês do bule se esforçavam para acabar com os conceitos de igualdade social. Eu sei que nos EUA, o termo sexismo se refere a machismo, mas isso não é correto. Eu acho sim que isso deve acabar, não é um conceito para se concordar. Sexismo é privilegiar um sexo em detrimento do outro.

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Ok, senhor linguista, obrigado pela aula sobre traduções que educam os leitores sobre as mazelas da palavra traduzida. Vou tomar essa atitude política e trocar o ‘machismo’ pra ‘sexismo’, por um mundo melhor.

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            Você traduz ou não, a seu desejo. Se achou que isso foi a respeito de exatidão linguística, acho que você não entendeu o ponto da discussão. A questão toda foi o conceito por trás da conotação da palavra, da qual não acho válido concordar. O motivo pelo qual achei absurdo esse tipo de tradução é porque a escritora, a Sra. Watson, é sexista, e traduzir dessa forma só ajuda a fortalecer o sexismo dela.

            É estardalhaço por pouca coisa? Vejamos se fosse a situação contrária, onde a tradução, levando em conta a conotação cultural sobre a palavra, fosse: “Falar sobre feminismo não é problema, feminismo é o problema.”, não seriam vocês os primeiros a protestar?

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Claro que eu não protestaria, porque feminismo -> feminism, não existe ambiguidade na tradução, e acho que ninguém seria prepotente a ponto de achar ‘motivos políticos’ pra se usar uma palavra que não significa feminismo no lugar de feminismo, que é exatamente o que você está fazendo. O ‘sexism’ do cartaz obviamente se traduz pra ‘machismo’ em português, não importa sua opinião sobre a Watson, o movimento dela, se ela está sendo ‘justa’ ou não… Por exemplo: se eu traduzisse uma frase racista tirasse o racismo implícito por ‘não concordar’ com ele, faz algum mínimo sentido?? Discorde à vontade de Watson, mas procure motivos pelo menos plausíveis, por favor.

            Aliás, a analogia é boa também pra você entender o que é um ‘campo
            semântico’ e como se usa ‘sexism’ em inglês: faria sentido eu parar de chamar preconceito contra negros
            de ‘racismo’ porque “existem outras raças que sofrem racismo”, ou ainda, porque
            “raças não existem”? É assim que a palavra ‘sexismo’ funciona em inglês, não tem ‘viés’ nisso. Tanto que o próprio The Amazing Atheist, que tem opiniões provavelmente bem parecidas com as suas, porque ‘denunciou’ o feminismo, falou o quanto homens sofrem, bla, bla, ao falar de sexismo contra homens chamou-o “reverse sexism”. Deu pra entender agora sua total falta de noção sobre línguas ao sugerir essa tradução alternativa? Vai parar de me amolar?

          • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

            É, vejo agora que errei. A tradução, para ser fidedigna ao sentido contextualizado que a Sra. Watson aplica, deve ser essa mesmo. Quanto a isso, admito que errei. Fazê-lo de outra forma seria incoerente, agora vejo isso. Você foi completamente correto ao traduzir a palavra dessa forma, afinal, você não escreveu o texto.

            Mas, se pensar bem, isso só prova o sexismo da Sra. Watson, pois, do site da Skepchik fica realmente óbvio que se trata de “sexism” no sentido de machismo. Ela nunca faria algo como deixar claro o sentido imparcial da palavra. Ela nunca lutaria por igualdade entre os sexos.

            Já que tocou no assunto do The Amazing Atheist, gostaria de lembrar que há um vídeo dele cujo título é: “It’s only sexist when men do it”, o que indica que os estadunidenses, apesar da conotação cultural da palavra, sabem que o termo sexismo se aplica aos dois gêneros.

          • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

            Legal que nisso a gente conseguiu concordar. Vou ficar esperto pra quando ‘sexism’ estiver sendo usado pros dois gêneros, prometo. Infelizmente, sobre igualdade dos sexos, estamos bem distantes. Mas, mesmo você discordando completamente dos protestos da Watson, pelo menos a mensagem tá sendo passada, pra todo mundo amar ou odiar. E obrigado por ter lido.

          • Gabriel Rodrigues

            Calma ai sidnei, eu e você somos “do bule” também.

  • Luiz Fernando Zadra

    É lamentável o Bule estar publicando uma matéria dessas. Essa Rebecca Watson é uma perua sem cérebro da pior espécie. É triste as mulheres estarem sendo representadas nas convenções cético/ateístas por gente desse tipo. Não agrega coisa alguma e ainda causam desunião em um grupo já pequeno, além de afastar potenciais participantes do sexo feminino com suas ilusões paranóicas.

    São idiotas desse tipo que transformam a vida nos EUA num inferno, onde pessoas vivem em estado de pânico constante, com medo até de apertar a mão ou tocar no ombro de uma mulher com medo de ser confundido com um tarado. Patético.

    • Luiz Fernando Zadra

      Eu não acredito que meu comentário foi moderado. O cerceamento à liberdade de expressão é realmente o último bastião dos que não tem nada a dizer. O pior do movimento cético está vindo à tona com esse episódio, e estamos finalmente descobrindo quem são os que realmente pregam o livre pensamento e o livre trânsito de idéias, e quem são os fantoches que defendem o livre pensamento somente até o ponto em que o que é pensado está em conformidade com suas idéias.

      Talvez este blog ignore o dano e a profunda e indesejável divisão no movimento cético que a tal Skepchick está promovendo com seus comentários preconceituosos contra homens, incitando a paranóia e a reação desproporcional. A TAM não é reduto de tarados, e é totalmente irresponsável por parte de uma participante sugerir que participantes do sexo feminino são invariavelmente acossadas nos eventos, ou que, se o problema existe, ele não é da mesma dimensão enfrentada pelas mulheres em qualquer local onde existem homens. Se minha palavra não vale, então passo à voz às céticas adultas, que não é o caso da Skepchick:

      http://www.saramayhew.com/blog/index.php/2012/09/i-am-not-a-skepchick/

      • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

        Luiz,
        Como você voltou aqui sem ofensas pessoais e acusações de paranóia feminista, recuperei seu comentário (alguém mais da moderação pode resolver tirar de novo, não garanto nada). Recuperei porque acho bom também o pessoal que ler sua mensagem saber que estão lidando com alguém que chama a mulher que está sofrendo perseguição de ‘perua’.

        A única coisa que digo pra você é que, na minha opinião, homens que consideram uma ofensa mortal o que Watson fez: falar que não gostaria de receber cantadas em elevadores às 4 da manhã, receber ofensas e ameaças de céticos, e em seguida dizer que não se sente segura dentro desse grupo, e daí receber mais ameaças deles. Primeiro, você está separando os céticos de 50% da população, que são mulheres e agora estão sabendo muito bem o que vai acontecer com elas se insinuarem que um cético as deixou desconfortável. Depois, separando os céticos homens que acham que medo de assédio e estupro são ‘paranóias’. Me dá nojo saber que tem gente se intitulando cético e falando esse tipo de asneira. Isso me afasta do movimento mais e mais, a cada novo idiota que aparece nos comentáeios do Bule pra falar que a perseguição que as mulheres sofrem é um ‘delírio’, ou que elas inventam isso por sei lá que motivo, ou que a reação delas é ‘exagerada’ (fácil falar se você nunca sofreu ou teve medo de sofrer algo do tipo, né?).

        Mas como eu estou bonzinho, vou indicar o mesmo tópico do texto do Alex Castro (é um homem, viu, não tenha medo!), que se chama ‘Não minimize a dor do outro’ (só porque você não sente ela):

        http://papodehomem.com.br/feminismo/#feminismo5

        • Luiz Fernando Zadra

          Jamais concordei que existe algum problema de assédio nas convenções. Se o TAM não é mais perigoso do que qualquer outro espaço público, por que todo esse mimimi? Já não existe legislação específica para casos de abuso contra a mulher? Por que a regulamentação redundante a não ser para dar uma plataforma desnecessária à mulheres vazias como Watson, que não tem nada a acrescentar aos eventos?

          Ninguém está querendo retirar o direito da mulher se defender, falar em público que sofreu alguma ameaça ou minimizando a sua dor.

          Se há alguma ameaça real de atitude inconveniente ou de estupro, a situação deve ser resolvida na segurança do evento ou na polícia, com uma ação contra o indivíduo agressor, não com uma cruzada contra os céticos que frequentam as convenções ou pessoas do sexo masculino em geral, com afirmações irresponsáveis de que a situação é alarmante e generalizada, e que todos os homens são trogloditas tarados e potenciais agressores que precisam de burcas legais para serem contidos em sua fúria misógina estupradora.

          Cantadas correspondidas acabam em casamento, namoro ou simples sexo. Srta. Watson pretende defender seu suposto direito de aceitar as cantadas que lhe convém e transformar em infração regulamentar ou caso de polícia as que não lhe interessam. Um absurdo completo. Por acaso homens possuem poderes telepáticos para saberem se suas cantadas serão correspondidas antes que sejam feitas? Não são homens também alvo de cantadas indesejáveis?

          Falar de mulheres paranóicas, infantis e inseguras não é o problema. Mulheres paranóicas, infantis e inseguras são o problema.

    • http://www.facebook.com/dvieiralopes Daniel Vieira Lopes

      Que existem mulheres que não concordam com ela, é verdade. Agora, você parece sugerir que ao invés de pedir pra homens não serem escrotos com as poucas mulheres, devemos mandar as mulheres que reclamam de assédio calarem a boca, é isso, produção?

      • Luiz Fernando Zadra

        Você está em um elevador em uma convenção de céticos sozinho com um gay duas vezes maior que você e faixa preta de jiu-jitsu. Ele insinua que ia adorar traçar a sua bundinha, e que se você não quiser, ele acha que alguém deveria fazê-lo à força. Aí você tem duas opções:

        1) Lida com a situação como um adulto ignorando o sujeito ou mandando-o calar a boca. Se houver qualquer possibilidade real de agressão física, você dá queixa sobre o indivíduo na segurança do evento e/ou dá queixa na polícia para que as devidas providências sejam tomadas contra o possível agressor;

        2) Inicia uma cruzada de palestras onde você vai insinuar irresponsavelmente que toda a comunidade gay que frequenta os eventos céticos – e gays em geral – são tarados estupradores em potencial, que gays são heteros com cérebro danificado e que regulamentos específicos devem ser criados nas convenções para coibir toda e qualquer expressão homossexual que possa causar qualquer desconforto à sua condição de macho paranóico, infantil e inseguro.

        Creio que a atitude mais racional e que guarda a devida proporcionalidade com o ocorrido no elevador é a opção 1. o Sr. parece entender, como a Srta. Watson, que a opção 2 é a mais indicada.

        • Gabriel Rodrigues

          Adorei a analogia, mas permita-me modificá-la, já que quando a Srta. watson escolheu a opçao 2, a introdução ficaria mais ou menos assim:

          Você está em um elevador em uma convenção de céticos sozinho com um gay maior e mais forte que você, mas ele não é enorme ou bombadíssimo. Ele educadamente (palavras de Watson) diz que gostou muito da sua palestra e insinua que ia adorar “tomar um café” (e dá uma piscadinha) no quarto de hotel dele.

          Note que você é conhecido por tirar fotos seminu e vendê-las para gays, mas odeia ser objetificado. Ocasionalmente você recebe ameaças de morte, assim como todos os outros palestrantes, mesmo os palestrantes gays. Ocasionalmente você recebe ameaças de estupro gay.

          • Luiz Fernando Zadra

            De fato, o problema com a maioria das feministas radicais de plantão é quererem ser objetos somente quando lhes é interessante. Isso sem falar que elas não vêem problema nenhum em tratar homens como objetos descartáveis quando lhes convém.

            Vamos combinar, amigão. A moral dessa vida é molhar o biscoito. É o que todos queremos. É parte integral e de nossa psique. Praticamente tudo que homens e mulheres fazem, atividades, carreiras, eventos sociais, cursos, convenções de céticos, no fim tem um único propósito: aumentar direta ou indiretamente a probabilidade de que vá rolar o rock’n’roll.

            E é o rock’n’roll que dá sentido à vida, que nos possibilita laços de prazer e afeto com outros que nos completam. Infelizmente sempre tem as Skepchics da vida que acham que o joguinho é totalmente asséptico, pode ocorrer sem incomodação ou desconforto pra ambos os lados. Minhas sensibilidadezinhas de fêmea imaculada são sagradas e devem ser protegidas por lei. Se você é homem e está incomodado com a maneira que as mulheres o usam, que cale a boca ou vá dar o fiofó na esquina. Patético

  • http://bulevoador.com.br/category/3-bule-escreve/guilherme-balan/ Guilherme Balan

    Pois é, Luciana, é simples assim e no entanto já são 3 homens pirando na batatinha aqui e achando *um absurdo*. O navegador deles deve estar abrindo uma versão do texto da Watson de uma realidade alternativa em que ela diz “HOMENS MORRAM TODOS, tudo estuprador, tudo tem q se f****, cantadas estão proibidas, my pussy é o poder”, só pode.

    • Luiz Fernando Zadra

      Está faltando mais intimidade com o caso. Ao que me parece, você só o conhece por este texto. As atividades da tal “Skepchic” são bem mais extensas do que isso. O que você acaba de descrever não é muito diferente do que a mulher é e de como ela age. Sua posição – Homens são uns misóginos FDP – inclusive é defendida por PZ Myers, que é seu padrinho de plataforma e queimou TOTALMENTE o seu filme neste episódio ao ficar do lado dela, tendo que inclusive expulsar gente do seu “Free Tought Blogs” para que cessassem as denúncias contra a campanha paranóica que a mulher está armando.

  • http://profiles.google.com/hshfduij sidnei barbosa

    Essa vai ser a minha resposta final ao caso da Sra. Watson
    (vulgo elevatorgate). Esse comentário vai ser bem grande, então agradeço a
    paciência de quem lê-lo.

    Primeiramente, eu queria dizer que, de forma alguma, procuro
    aqui diminiur a gravidade dos assédios que mulheres sofrem no dia a dia. Sei
    que deve ser horrível se sentir vulnerável e objetificado tão dura e
    impiedosamente. Não acho que os homens que tratam as mulheres como pedaços de
    carne com uma boceta, que ficam mandando as suas cantadas desrespeitosas são
    inocentes, e digo que eles são uns verdadeiros imbecis. A esse tipo de homem,
    eu me oponho violentamente.

    Mas, vamos colocar um pouco de razão na situação.

    Sei que, para a vítima de um trauma como esse, é difícil pensar racionalmente. O primeiro impulso é querer culpar todos os homens do planeta e não fazer nenhuma diferenciação. Isso é normal. Isso é humano. Mas, ainda assim, não torna certo. A partir do momento que você toma todos os homens por misóginos machistas porque um – ou um grupo de – homens fizeram isso, você está sendo irracional. O caso do elevador envolvendo a Sra. Watson,é um exemplo disso. Ela se constrangeu com a situação, o que é perfeitamente aceitável afinal, ela é um indivíduo com suas características intrínsecas e ela sabe com o que ela fica desconfortável ou não, e não me atreveria a dizer com o que ela deve se ofender ou não. O problema da situação é que não foi um caso onde o homem foi um troglodita machista, foi uma situação onde o sujeito que a abordou se mostrou educado.

    “Mas o contexto da situação era invasivo. Um elevador, às quatro da manhã, num hotel vazio. Ela tinha razão em se sentir ameaçada ou constrangida.”

    O homem escolheu uma hora errada? Sim, ele escolheu. O homem escolheu um momento onde ela se sentia mais vulnerável, e nisso, ele errou feio. Mas, para compensar isso, ele mostrou bastante educação, e, ao que tudo indica, foi bastante respeitoso à negativa da Sra. Watson. Ele genuinamente a achou interessante e atraente, mas não usou isso como motivo para ser insistente ou assediá-la de forma machista. Ele tentou, e falhou, mas foi só isso.

    O possível medo da Sra. Watson era injustificado, afnal, não era como se ela estivesse sozinha numa rua deserta sem ninguém para socorrê-la ou câmeras para gravar o incidente. Ainda assim, digo que o medo dela é perfeitamente compreensível. O que não foi, foi o fato dela não utilizar a razão dela para medir o acontecimento de acordo com o seu verdadeiro peso. Não há desculpas para não utilizar a razão, nem mesmo um trauma.

    A importância da razão é justamente para a análise fria das situações. Situações como essa são situações que exigem frieza na hora de julgá-las. Se deixar levar pela emoção é uma armadilha extremamente perigosa. Principalmente porque pessoas inocentes podem ser acusadas. Existe um filme, baseado em um livro, chamado “desejo e reparação”, que trata justamente da injustiça causada a um homem injustamente acusado de estupro pela falta de frieza e razão da acusadora. O livro decorre sobre as consequências dessa injustiça para o homem que foi acusado e para a sua amada. Esse é um excelente exemplo sobre
    como não importa o quão grave é o trauma e a situação, devemos sempre usar a razão e a frieza; quando isso não acontece, merdas acontecem. E foi o caso da Sra. Watson.

    Ela – e outros blogueiros e blogueiras – estabeleceu parâmetros para todos os homens sobre como se comportar em relação às abordagens a desconhecidas. Eu sou plenamente a favor de dicas das mulheres no que tange a esse tipo de coisa. Mas, esses comentários não acrescentam nada à dita “arte da sedução”, somente dizem que você deve parar com qualquer tentativa de deliberadamente abordar uma mulher, e esperar por um sinal claro de que você deve avançar, o que é muito difícil ter de uma mulher, para não correr o risco de constrangê-la. Infelizmente, poucos de nós são mestres da leitura da linguagem corporal, e menos ainda possuem a capacidade de prever o futuro.

    Minha objeção a esse tipo de “dica” é muito simples: como nós, homens, vamos transar ou ter relacionamentos com as mulheres se temos de esperar sinais delas e esses sinais não são muito frequentes nem muito claros? Talvez seja uma consequência da sociedade machista, talvez de pura e simples biologia, mas o fato é que mulheres tendem a ser mais reservadas nesse sentido; é difícil uma mulher tomar à dianteira e dizer para um homem que quer transar com ele. Eu, pelo menos, nunca vi acontecer, nem conheço alguém que tenha visto. Se mulheres se sentem desconfortáveis com abordagens de homens, esse seria um comportamento a ser bastante incentivado pela comunidade feminista. Mas, infelizmente, isso não acontece. Dificilmente vemos mulheres chamando homens para sair ou transar.

    O problema do movimento feminista, é que, devido a todas as atitudes machistas ainda presentes na sociedade, estão começando a punir a masculinidade. Comportamentos tipicamente masculinos são duramente censurados, por serem confundidos com machismo. Quando digo comportamento masculino, não me refiro a subjugar a mulher ou qualquer outra coisa do gênero, me refiro aos traços comportamentais que fazem um homem. A sexualidade é algo muito mais forte em nós – antes de continuar, quero deixar claro: isso não é justificativa para agir como um idiota, nem para estupro ou qualquer outra violência à mulher –, portanto, sempre seremos mais propensos a tomar a iniciativa, pois queremos sexo, o máximo que pudermos. Produzimos espermatozoides em abundância, o que significa que podemos fecundar muitas mulheres, isso explica o fato de
    querermos sexo numa frequência muito maior que as mulheres.

    Estamos num estado tão civilizado da vida em sociedade, que esquecemos o que somos em nosso âmago: animais. Animais, movidos pelos mesmos instintos, e muitas vezes, com os mesmos desejos deles. Ficamos tão preocupados com direitos, deveres, política, educação, infra-estrutura, e tudo mais que faz uma sociedade civilizada que esquecemos que fomos programados pela biologia. Na natureza, os machos cortejam as fêmeas, isso é natural. Claro, na natureza, estupro – e outras violências contra a fêmea – é algo comum, mas é aí que nossa
    mente hiperdesenvolvida e nossa civilidade têm de atuar: nos dando limites
    claros sobre até onde podemos seguir nossos instintos para não prejudicarmos a
    integridade física de outros. Instintos são coisas tão ruins? É instinto de um
    homem abordar uma mulher para transar com ela, mulheres têm de aceitar isso. O que elas não têm de aceitar são os homens que são rudes e que as chamam de piranhas, putas e outras coisas; o que elas não têm de aceitar é a violência do
    homem. Reprimir instintos (tanto para o homem quanto para a mulher) é um passo para a infelicidade. Precisamos de comida, abrigo, proteção e sexo, e todas essas necessidades vêm de instintos. Portanto, eu acredito que cortejar a
    mulher é algo que o homem está habituado a fazer, e vai continuar fazendo, pois
    é a única maneira de conseguirmos sexo (sem contar com a prostituição, é claro).

    Vale a pena reprimir esse comportamento? Tornar os homens mais mansos, como um bando de gatos castrados só para que as mulheres não passem por momentos de desconforto ou constrangimento? Porque as mulheres são tão especiais a ponto de não poderem se sentir desconfortáveis em qualquer momento da vida?

    As pessoas têm o direito de expressar seus desejos, para quem quiserem, onde quiserem e quando quiserem. Isso é também um assunto de liberdade de expressão. Qualquer pessoa tem o direito de expressar seu desejo, e o interlocutor, de recusá-lo. É assim que funciona: eu tenho direito de expressar a uma mulher meu desejo por ela, e ela tem direito de recusá-lo. Ela não tem direito de me impedir de expressar, assim como não tem a obrigação de sequer ouvir. Isso é liberdade.

    Ninguém tem o direito de passar a vida sem se constranger, sem se ofender, sem se chocar. Situações como essa são parte da vida, e são situações das quais as mulheres tem de aprender a lidar, assim como os homens. Se estiverem incomodadas com isso, têm todo o direito de protestar, mas não de censurar o direito de alguém de expressar seus desejos. Ninguém tem o direito de censurar outra pessoa ou impedir que ela se expresse. A única barreira a ser respeitada é a da integridade física. Liberdade de expressão é o direito de ofender, constranger e chocar uma pessoa, e, por mais que a mulher seja afetada por isso ela não tem o direito de impedir ninguém de se expressar, assim como os homens também não têm. Mas a mulher não tem de ficar calada, ela pode muito bem reclamar, xingar, protestar o quanto quiser. Liberdade de expressão se trata do que não gostamos de ouvir também (se alguém quiser se aprofundar, veja um vídeo do Dâniel Fraga chamado: “liberdade de expressão: quem tem medo dela”,
    eu assino embaixo cada palavra).

    Sinceramente, não tenho nada contra a Sra. Watson. Ela é uma sexista imbecil, mas isso não significa que eu tenha algo contra ela. Seres humanos são escrotos independentemente de cor, sexo ou orientação sexual. Não tenho nada pessoal contra pessoas escrotas, até porque, se eu fosse ficar ofendido por todos os idiotas que existem nesse mundo, eu viveria ofendido. Minha única crítica é à opinião altamente misândrica da Sra. Watson.

    Imagine um mundo onde os homens seguissem as vontades das mulheres. Onde nenhum homem jamais tomasse a iniciativa em absolutamente nada com relação à mulher, com medo de constrangê-la. Um mundo onde o homem fosse absolutamente tímido e a mulher tivesse de tomar todas (ou pelo menos, a maioria das) as atitudes. Um mundo onde um homem jamais poderia correr atrás (no sentido metafórico) da mulher pela qual nutre sentimentos. Um mundo onde os homens fossem completos covardes efeminados? É esse o mundo que seria ideal?