Bule Voador

O estupro de homens

Autor: Will Storr
Fonte: The Guardian
Tradução: Luiz Henrique Coletto

Violência sexual é uma das mais terríveis armas de guerra, um instrumento de terror utilizado contra mulheres. Contudo, grandes quantidades de homens também são vítimas. Neste relato pungente, Will Storr viaja para Uganda para se encontrar com sobreviventes traumatizados e revela como o estupro de homens é endêmico em muitos outros conflitos do mundo.

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Morrendo pela vergonha: uma vítima de estupro do Congo, atualmente vivendo em Uganda. A esposa deste homem o abandonou, pois ela não podia aceitar o que havia acontecido. Ele tentou cometer suicídio no final do ano passado, 2010. Foto: Will Storr for the Observer.

De todos os segredos de guerra, há um que é tão bem guardado que existe sobretudo como um rumor. É frequentemente negado pelo criminoso e sua vítima. Governos, agências humanitárias e ativistas de direitos humanos das Nações Unidas  mal reconhecem sua possibilidade. Ainda assim, de vez em quando alguém reúne coragem para falar sobre isso. Foi isso que aconteceu numa tarde comum no escritório de uma gentil e cuidadosa conselheira em Kampala, Uganda. Eunice Owiny foi empregada pelo Projeto Legal de Refugiados (RLP) da Universidade de Markerere [maior instituição acadêmica de Uganda] para auxiliar pessoas desalojadas por toda a África a lidarem com seus traumas. Este caso em particular, entretanto, era um enigma. Uma cliente mulher estava com problemas maritais. “Meu marido não pode fazer sexo“, ela se queixava. “Ele se sente muito mal com isso. Estou certa de que há algo que ele está escondendo de mim.

Owiny convidou o marido para entrar. Por algum tempo, eles não chegaram a lugar nenhum. Então Owiny pediu para que a esposa saísse da sala. O homem então murmurou misteriosamente: “Aconteceu comigo.” Owiny franziu a testa. Ele colocou a mão no bolso e tirou de lá uma espécie de velho absorvente. “Eunice“, ele falou, “Estou sentindo dor. Eu tenho que usar isso.

Deixando aquele absorvente coberto de pus na mesa à sua frente, ele contou seu segredo. Durando sua fuga da guerra civil no vizinho Congo, ele foi separado de sua esposa e capturado por rebeldes. Seus captores o estupraram, três vezes por dia, todos os dias, durante três anos. E ele não foi o único. Ele assistiu a homem após homem serem pegos e estuprados. Os ferimentos de um deles eram tão graves que ele morreu numa cela em frente à dele.

Aquilo foi muito difícil de lidar para mim,” Owiny me conta hoje. “Há certas coisas que você simplesmente não acredita que possam acontecer a um homem, você entende? Mas agora eu sei que violência sexual contra homens é um grande problema. Todos ouviram as histórias das mulheres. Mas ninguém ouviu as dos homens.

Não é apenas no Oeste da África que essas histórias permanecem desconhecidas. Uma das poucas pesquisadoras que lidou com o tema com alguma profundidade é Lara Stemple, do Projeto Legal em Saúde e Direitos Humanos da Universidade da Califórnia. O estudo dela chamado Male Rape and Human Rights [Estupro Masculino e Direitos Humanos, em tradução livre] observa incidentes de violência sexual com homens como uma arma em períodos de guerra ou de agressão política em países como Chile, Grécia, Croácia, Irã, Kuwait, a antiga União Soviética e a antiga Iugoslávia. Vinte e um por cento de homens do Sri Lanka que foram atendidos num centro de tratamento para torturados, em Londres, relataram abuso sexual enquanto estiveram presos. Em El Salvador, 76% dos prisioneiros políticos entrevistados nos anos 1980 descreveram pelo menos um incidente de tortura sexual. Um estudo com 6.000 detentos de um campo de concentração em Saravejo [capital da Bósnia] descobriu que 80% dos homens relataram terem sido estuprados.

Vim a Kampala para ouvir as histórias dos poucos homens corajosos que concordaram em falar comigo: uma rara oportunidade de apurar sobre um controverso e profundo tabu. Em Uganda, sobreviventes correm o risco de serem presos pela polícia, uma vez que estão mais suscetíveis a assumirem [os policiais] que estes homens são gays – um crime em Uganda e em outras 38 das 53 nações africanas. Eles provavelmente serão ostracizados pelos amigos, rejeitados pela família e ignorados pelas Nações Unidas e pela miríade de organizações não governamentais (ONGs) internacionais que estão equipadas, treinadas e prontas para ajudar mulheres. Esses homens estão feridos, isolados e em perigo. Nas palavras de Owiny: “Eles foram desprezados.

Entretanto, eles estão dispostos a falar, em grande parte graças ao diretor britânico do RLP, Dr. Chris Dolan. Dolan ouviu falar pela primeira vez em violência sexual contra homens em períodos de guerra no final dos anos 1990 enquanto pesquisava para sua tese de doutorado no norte de Uganda, e ele percebeu que o problema poderia estar dramaticamente subestimado. Interessado em ter uma compreensão mais ampla da profundidade e natureza do problema, ele colocou alguns cartazes por toda Kampala em junho de 2009 anunciado um “workshop” sobre o assunto numa escola local. No dia marcado, 150 homens apareceram. Numa explosão de sinceridade, um dos homens admitiu: “Isso aconteceu com todos nós aqui.” Logo se tornou de conhecimento dos 200.000 refugiados ugandenses que o RLP estava ajudando homens que haviam sido estuprados durante conflitos. Lentamente, mais vítimas começaram a aparecer.

Encontrei Jean Paul no quente e empoeirado telhado do edifício do RLP em Old Kampala [região da capital]. Ele vestia uma camisa de botões vermelha e mantinha-se segurando o pescoço para baixo, seus olhos fixos no chão, como numa espécie de desculpas por sua impressionante altura. Ele tem o lábio superior mais proeminente que treme de forma contínua – uma condição nervosa que o faz parecer à beira das lágrimas.

Jean Paul estava na universidade no Congo, estudando engenharia eletrônica, quando seu pai – um empresário rico – foi acusado pelo exército de estar ajudando o inimigo e morto a tiros. Jean Paul fugiu em janeiro de 2009, para logo ser raptado por rebeldes. Junto de outros seis homens e seis mulheres, ele foi levado para uma floresta no Parque Nacional Virunga.

Mais tarde naquele dia, os rebeldes e seus prisioneiros encontraram-se com seus comparsas que estavam acampados na mata. Pequenas fogueiras podiam ser vistas aqui e ali entre as sombrias fileiras de árvores. Enquanto as mulheres foram colocadas para fora para preparar comida e café, 12 combatentes armados cercaram os homens. De seu lugar no chão, Jean Paul olhou para cima para ver o comandante inclinando-se entre eles. Com seus 50 anos, era careca, gordo e usava uniforme militar. Vestia uma bandana vermelha ao redor do pescoço e tinha pedaços de arbustos amarrados ao redor dos cotovelos.

Vocês são todos espiões,” disse o comandante. “Vou mostrar a vocês como punimos os espiões.” Ele apontou para Jean Paul. “Tire suas roupas e fique posicionado como um homem muçulmano.

Jean Paul pensou que ele estivesse brincando. Ele balançou a cabeça e disse: “Eu não posso fazer essas coisas.

O comandante chamou um rebelde. Jean Paul podia ver que ele tinha apenas nove anos de idade. Foi dito ao menino, “Bata neste homem e tire as roupas dele.” O garoto atacou Jean Paul com a coronha da arma. Finalmente, Jean Paul implorou: “Ok, ok. Eu tiro minhas roupas.” Uma vez nu, dois rebeldes o seguraram numa posição ajoelhada com sua cabeça empurrada contra o chão.

Naquele momento, Jean Paul interrompeu o relato. A tremedeira em seu lábio superior era mais evidente do que nunca, ele baixou a cabeça um pouco e disse: “Sinto muito pelas coisas que vou dizer agora.” O comandante colocou a mão esquerda na nuca de Jean Paul e usou a mão direita para bater em sua bunda “como num cavalo”. Entoando uma canção de feiticeiro, e com todos assistindo, ele começou. No momento em que ele começou a estuprá-lo, Jean Paul vomitou.

Onze rebeldes aguardavam numa fila e estupraram Jean Paul. Quando ele estava muito exausto para se manter [naquela posição], o próximo agressor envolvia o braço ao redor do quadril de Jean Paul e o levantava pelo estômago. Ele sangrava sem parar: “Muito, muito, muito sangramento,” ele diz, “Eu podia sentir como se fosse água.” Cada um dos homens prisioneiros foi estuprado 11 vezes aquela noite e em todas as noites que se seguiram.

No nono dia, eles estavam procurando por lenha quando Jean Paul viu uma enorme árvore com raízes que formavam uma pequena gruta. Agarrando aquele momento único, ele rastejou para dentro dela e ficou assistindo, trêmulo, aos rebeldes procurando por ele. Depois de cinco horas observando as pegadas dos soldados enquanto eles o procuravam, Jean Paul ouviu o plano deles: eles iriam disparar um rajada de tiros e dizer ao comandante que Jean havia sido morto. Finalmente ele saiu do esconderijo, fraco após seu calvário e pela dieta de apenas duas bananas por dia durante sua captura. Vestido apenas de cueca, ele rastejou pelo matagal “lenta, lenta, lenta, lentamente, como uma cobra” até a cidade.

"As organizações trabalhando com violência sexual não falam sobre isso. Chris Dolan, diretor do Projeto Legal de Refugiados. Foto: Will Storr for the Observer.

Hoje, apesar do tratamento hospitalar, Jean Paul ainda sangra quando caminha. Como muitas vítimas, seus ferimentos são tão graves que ele deveria restringir sua dieta a alimentos leves como bananas, as quais são caras, e Jean Paul pode pagar apenas por milho e painço [tipo de cereal]. Seu irmão seguidamente pergunta o que há de errado com ele. “Não quero contar a ele,” diz Jean Paul. “Temo que ele vá dizer: ‘Agora meu irmão não é um homem.‘”

É por esta razão que tanto agressor quanto vítima entram numa conspiração de silêncio e o motivo por que homens sobreviventes frequentemente descobrem, uma vez que suas histórias são descobertas, que perderam o apoio e o conforto daqueles que os cercam. Nas sociedades patriarcais que existem em muitos países em desenvolvimento, papéis de gênero estão rigidamente definidos.

Na África, a nenhum homem é permitido ser vulnerável,” diz a funcionária do RLP que lida com questões de gênero, Salome Atim. “Você tem que ser masculino, forte. Você nunca deve desmoronar ou chorar. Um homem deve ser um líder e provedor para a família toda. Quando ele falha em alcançar este padrão, a sociedade entende que há algo errado.

Às vezes, afirma ela, esposas que descobrem que seus maridos foram estuprados decidem abandoná-los. “Elas me perguntam: ‘Agora como que vou viver com ele? Como o quê? Isso ainda é um marido? É uma esposa?’ Elas perguntam, ‘Se ele pode ser estuprado, quem está me protegendo?’ Há uma família com a qual estou lidando de perto em que o marido foi estuprado duas vezes. Quando a esposa descobriu, ela foi para casa, embrulhou suas coisas, pegou as crianças e foi embora. Claro que aquilo destruiu com os sentimentos daquele homem.

De volta ao prédio do RLP, fico sabendo sobre as outras formas de sofrimento infligidas àqueles homens. Eles não são apenas estuprados, são forçados a penetrar buracos em bananeiras em que corre seiva ácida, a sentar com seus genitais numa fogueira, a arrastar pedras amarradas a seus pênis, a fazer sexo oral a filas de soldados, à penetração com chaves de fenda e pedaços de pau. Atim já viu tantos sobreviventes que, com frequência, ela pode apontá-los no momento em que se sentam. “Eles tendem a se inclinar para a frente e geralmente vão sentar sobre uma das nádegas,” ela me relata. “Quando tossem, eles seguram suas partes inferiores. Algumas vezes, haverá sangue na cadeira quando eles se levantarem. E com frequência eles têm um odor característico.

Porque há tão pouca pesquisa sobre estupro masculino em períodos de guerra, não é possível afirmar com alguma certeza por que isso ocorre ou mesmo quão frequente é – ainda que uma rara pesquisa de 2010, publicada no Journal of American Medical Association, tenha encontrado que 22% dos homens e 30% das mulheres no leste do Congo relataram violência sexual decorrente de conflitos. Conforme afirma Atim: “Nosso pessoal está sobrecarregado com os casos que temos, mas em termos de números reais? Esta é a ponta do iceberg.

Mais tarde conversei com a Dr. Angella Ntinda, que lida com encaminhamentos do RLP. Ela me diz: “Oito de dez pacientes do RLP vão falar sobre algum tipo de abuso sexual.

Oito em cada dez homens?“, esclareço.

Não. Homens e mulheres,” ela diz.

E quanto aos homens?

Creio que todos eles.

Eu estou horrorizada.

“Todos eles?” eu pergunto.

Sim,” ela afirma. “Todos eles.

A pesquisa de Lara Stemple na Universidade da Califórnia não mostra apenas que a violência sexual contra homens é um componente das guerras pelo mundo todo, ela também sugere que as organizações humanitárias internacionais estão falhando com vítimas do sexo masculino. O estudo dela cita uma revisão de 4.076 ONGs que lidaram com violência sexual em períodos de guerra. Apenas 3% delas mencionaram as experiências dos homens em sua literatura. “Tipicamente,” Stemple afirma, “com uma passagem curta de referência.

Foi dito a um homem: 'Temos um programa para mulheres vulneráveis, mas não para homens': uma vítima de estupro do Congo. Foto: Will Storr for the Observer.

Na minha última noite, fui à casa de Chris Dolan. Estávamos no topo de uma montanha, vendo o sol se pôr nas redondezas de Salama Road e Luwafu, com o lago Victoria ao longe. À medida que o céu foi passando do azul para o lilás e para o preto, uma miríade confusa de luzes brancas, verdes e laranjas cintilavam; pontinhos de luz de um acidente distante no vale apareciam. Um burburinho magnífico vinha disso tudo. Bebês chorando, crianças jogando, cigarras, galinhas, pássaros, vacas, televisores e, sobressaindo-se sobre tudo isso, um chamado para orar numa mesquita distante.

As descobertas de Stemple sobre o fracasso das agências humanitárias não é surpresa para Dolan. “As organizações trabalhando com violência sexual e de gênero não falam sobre isso“, ele afirma. “É sistematicamente silenciado. Se você for muito, muito sortudo eles darão a isso uma menção tangencial no final do relatório. Você deve conseguir cinco segundos de: ‘Ah, e homens também podem ser vítimas de violência sexual.’ Mas não há quaisquer dados, nenhuma discussão.

Como parte de um esforço em corrigir isso, o RLP produziu um documentário, em 2010, chamado Gender Against Men [O Gênero Contra os Homens, em tradução livre]. Quando ele foi exibido, Dolan disse que tentativas de impedi-lo foram feitas. “Essas tentativas foram feitas por pessoas bem conhecidas, agências humanitárias internacionais?” eu questiono.

Sim,” ele responde. “Há um temor entre eles de que este é um jogo de soma-zero; de que há um bolo pré-definido e se você começar a falar sobre homens, você irá de algum modo comer um naco deste bolo que eles levaram bastante tempo para assar.” Dolan comenta sobre um relatório de 2006 das Nações Unidas que se seguiu a uma conferência internacional sobre violência sexual nesta área do leste africano.

Eu sei de fato que as pessoas por trás do relatório insistiram para que a definição de estupro fosse restrita a mulheres,” ele afirma, completando que um dos doadores do RLP, Dutch Oxfam, recusou-se a fornecer qualquer outra doação a menos que ele [Dolan] prometesse que 70% dos clientes fossem mulheres. Ele também se recorda de homem cujo caso era “particularmente grave” e que foi designado para a agência de refugiados da ONU, a UNHCR. “Eles o disseram: ‘Nós temos um programa para mulheres vulneráveis, mas não para homens.’

Isso me lembra de uma cena descrita por Eunice Owiny: “Há um casal“, ela conta, “O homem foi estuprado, a mulher foi estuprada. A divulgação é fácil para a mulher. Ela recebe o tratamento médico, ganha atenção, é apoiada por diversas organizações. Mas o homem está isolado, morrendo.

Em resumo, é exatamente isso que ocorre,” Dolan confirma. “Parte do ativismo em torno dos direitos das mulheres é: ‘Vamos provar que mulheres são tão boas quanto os homens.’ Mas o outro lado disso é que você deveria olhar para o fato de que homens podem ser fracos e vulneráveis.

Margot Wallström, a representante especial para violência sexual em conflitos do Secretário-Geral da ONU, insiste em uma declaração que a UNHCR estende seus serviços para refugiados de ambos os gêneros. Mas ela reconhece que o “grande estigma” que homens enfrentam indica que o número real de sobreviventes é maior do que o reportado. Wallström diz que o foco permanece nas mulheres porque elas são “a esmagadora maioria” das vítimas. Ainda assim, ela complementa, “nós de fato sabemos de muitos casos de homens e meninos sendo estuprados.

Mas quando contato Stemple por e-mail, ela relata “uma constante tecla batida em que mulheres são as vítimas de estupro e um ambiente em que homens são tratados como uma “classe agressora monolítica”.”

Leis internacionais de direitos humanos deixam os homens de lado em praticamente todos os instrumentos elaborados para tratar de violência sexual“, ela prossegue. “A Resolução 1.325 do Conselho de Segurança da ONU, em 2000, trata violência sexual em tempos de guerra como algo que impacta apenas mulheres e meninas… A Secretária de Estado Hillary Clinton recentemente anunciou 44 milhões de dólares para implementar esta resolução. Por causa de seu foco inteiramente em vítimas mulheres, parece improvável que qualquer parte destes fundos vá atingir os milhares de homens e meninos que sofrem deste tipo de abuso. Ignorar o estupro masculino não só negligencia os homens, também fere as mulheres ao reforçar um ponto de vista que iguala ‘mulher’ com ‘vítima’, assim dificultando nossa capacidade de ver mulheres como fortes e empoderadas. Num mesmo sentido, o silêncio sobre vítimas homens reforça expectativas deletérias sobre homens e sua suposta invulnerabilidade.”

Considerando-se  a conclusão de Dolan de que “o estupro de mulheres é significativamente sub-reportado e que o de homens quase nunca é reportado“, eu pergunto a Stemple se, baseando-se em sua pesquisa, ela acredita que isso seja uma parte até agora inimaginável de todas as guerras. “Ninguém sabe, mas eu realmente acho que é seguro dizer que é provável que isso tenha sido parte de muitas guerras ao longo da história e o tabu tenha desempenhado uma parte neste silêncio.

Enquanto deixo Uganda, há um detalhe de uma história que não consigo esquecer. Antes de receber ajuda do RLP, um homem foi ver seu médico local. Ele contou ao médico que foi estuprado quatro vezes, que estava ferido e depressivo e que sua mulher havia ameaçado deixá-lo. O médico deu a ele Paracetamol.

Os nomes dos sobreviventes foram modificados e suas identidades ocultados para a proteção deles. O Projeto Legal de Refugiados (RLP) é uma organização parceira da Christian Aid (christianaid.org.uk)

Luiz Henrique Coletto
Professor, pesquisador e ativista, atualmente é vice-presidente da LiHS.
  • Estômago revirado.

    E penso: será que assim os homens, sobretudo vítimas de estupro, se colocam no lugar das mulheres que sofrem a mesma atrocidade?

    • Caruê Gama Cabral

        Qualquer pessoa com um minimo de empatia deveria ser capaz de se por no lugar, existem estupradores? é claro que sim, mas ate dentro dos presídios tal crime é mal visto.
        Homens podem não ser as maiores vitimas de estupro mas geralmente são dizimados em um percentual maior na guerra. Foi uma tremenda falta de repeito com as vitimas esse comentário.

      • Joane Farias Nogueira

        Não vejo como crueldade. Sinceramente, eu acho uma dúvida honesta. Será que os homens se colocam da mesma maneira? Não basta ser mulher para entender a causa, tb não basta ter sido estuprado para se dizer que se empatiza com a coisa.E por favor, não compare estupro com mortes em guerra. Na cadeia, o crime não é mal visto. Estupro em presídios é tb usado como castigo,então, não acho que seja mal visto por todos lá dentro. Muito homens não se simpatizam por ser uma mulher, mas por que poderia SER A MULHER DELE. Então, não acho válido. Tem que empatizar mesmo. Não querer sexo forçado para nenhuma mulher. Não é só querer que ela não sofra traumas. É reconhecer o direito da mulher ao próprio corpo. Quantos HOMENS se colocam no lugar dessa maneira? Não é que eu duvide da capacidade masculina de se empatizar, só não acredito que obrigatoriamente por terem passado por isso eles se colocaram mesmo no lugar da mulher.

    • Victor Fernandes


      E penso: será que assim os homens, sobretudo vítimas de estupro, se colocam no lugar das mulheres que sofrem a mesma atrocidade?”

      Por que, normalmente eles não se colocam? O homem médio, comum, não criminoso-estuprador precisa ler sobre homens sendo estuprados ou SER uma vítima de estupro para sentir alguma empatia? Seu pensamento é idêntico ao das pessoas que minimizam o sofrimento das vítimas masculinas de estupro atacas pelo artigo, percebe?

      • Ana Carolina Bordini

        Me desculpe, mas apenas dando a minha opinião pessoal, “O homem médio, comum, não criminoso-estuprador” infelizmente não é empático com as mulheres vítimas de estupro. Comentários sobre: o que ela vestia; por quê ela bebeu tanto; aposto que ela transou e se arrependeu; quem mandou ir sozinha na casa do cara; veja na internet quantas piadas de estupro existem. Tudo isso é estupro, e não só o estupro que acontece em guerras, e infelizmente não vejo os homens sendo empáticos com essa questão.

        • Na verdade eu não colocaria, “o homem médio comum não criminoso”, como você colocou. Por experiencia própria eu colocaria, “a pessoa média não criminosa”, infelizmente estuprador para a sociedade, é ou o cara que abusa de menininhas, ou o estuprador em série. Quando uma menina é vítima de um namorado, ou uma mulher é vítima de seu marido, ou mesmo de um parente próximo, ou autoridade as pessoas, mesmo muitas mulheres vão apontar para a menina.

          Muitas vão dizer que ela não parava de correr atrás do garoto; que ela é casada, como assim não queria cumprir com sua obrigação matrimonial; e por aí vai, sempre tem alguém que vai dizer que a garota é uma vagabunda e que estava pedindo por isso e infelizmente não é só homem.

          • Jean Fleurs

            Tirou as palavras da minha boca, Maria Lucia, o que tem de mulher que fala isso diante da notícia de um estupro é surreal. As pessoas médias, comuns, são assim, infelizmente.

        • Jean Fleurs

          Mulheres médias, comuns, não criminosas-estupradoras também fazem esses comentários, sobre a roupa da mulher, ou o lugar e horário, ou sobre se estava bêbada ou não, mulheres também são machistas e misóginas.

      • Luan Garcia

        Nossa, Victos, achei que só eu tinha percebido a pitadinha de preconceito no comentário do amigo Thiago Viana…

    • Luan Garcia

      Thiago, será que essa visão dos homens como frios e pouco empáticos não é justamente a causa de poucas pessoas darem ouvidos aos casos de abuso pelos quais eles passam? E como assim “se colocam no lugar das mulheres”? Por que se colocar no lugar das mulheres se ELE foi a vítima?

  • Thaislan Douglas

    Chocado.

  • Texto perturbador, por existir uma realidade tão vasta e tão subreportada. Vale lembrar que até três anos atrás, a lei brasileira não considerava a conjunção carnal forçada com homens como “estupro” e sim como atentado violento ao pudor, o que legalmente desqualificava a prática como crime hediondo. Mas esta diferenciação ainda existe em muitos países, infelizmente.

    • Jonathan Malavolta

      Por isso meus agressores não foram punidos e acabei me tornando vítima do escárnio de nossas repartições públicos (delegacias, fóruns, tribunais e etc).

  • Sim, a maioria das vítimas de violência sexual é mulher. Mas em se tratando de vidas humanas, paga-se um preço alto demais quando assumimos que a maioria é a totalidade. Infelizmente, o círculo de empatia de certos homens é muito limitado e não conseguem se horrorizar diante das estatísticas corriqueiras de estupros de mulheres. Talvez essa relevante informação sirva para sensibilizá-los: se não conseguem se colocar no lugar de mulheres, que ao menos saibam que o machismo também prejudica homens, de formas excruciantemente revoltantes como as relatadas neste artigo.

    • Luan Garcia

      Os estupros de homens podem ajudar os homens a se sensibilizarem sobre estupros de mulheres? Como assim? :S

      • Hellen Cristine

        qem q estupra homens? HOMENS. quem que estupra mulheres? HOMENS. quem que estupra crianças? HOMENS. (generalizando claro) só que os homens são os maiores responsáveis pelos crimes sexuais. então sim. serve para os homens se conscientizarem de que eles são os maiores agressores, mas podem virar vitimas também.

        • Luan Garcia

          Tem certeza? Como podemos dizer isso se nenhum estudo foi realizado até hoje para saber quantos homens já foram coagidos a sexo por uma mulher? Não se obtém respostas a perguntas que não se faz… Aliás, foi feito um estudo na Inglaterra que revelou que cerca de 20% dos adolescentes do sexo masculino já foi coagido sexualmente pela namorada, contra cerca de 25% das adolescentes do sexo feminino, um número bem próximo. Então eu não teria tanta certeza assim de que homens são os principais responsáveis…

          Mas a questão do meu comentário nem foi essa, eu quis dizer foi o seguinte: por que a dor de um homem estuprado deve ser usada para falar de mulheres estupradas? Isso não seria desviar a atenção para outro público? Acho que a dor deles é concreta e profunda o suficiente para que se fale sobre ela sem precisar desviar o foco para outro público. Focar nos homens é extremamente importante porque as pessoas sempre associam o estupro a vítimas mulheres, o que coloca os homens vítimas quase como invisíveis e dar visibilidade a eles e suas especificidades é algo que quase nunca acontece.

          Além disso, comentários como esse dão a impressão de que homens não dão a mínima para mulheres que sofrem estupro, que eles só ligariam caso fossem vítimas também, o que não é verdade. Ou pior: que todo homem é um potencial estuprador e só deixaria de ser caso houvesse a possibilidade de ser vítima. Ambas são ideias absurdas! Pensar assim é basicamente defender que é bom que os homens sejam estuprados, assim não estupram outras mulheres, um pensamento bem irracional…

          • Aldir Gracindo

            O Eli Vie pode estar “certo”, só que ao contrário. Os homens se sensibilizam com o estupro das mulheres muitíssimo mais do que com estupro de outros homens. Se estupro de homem fosse tão chocante para qualquer um assim, “cultura do estupro” (a real) não seria coisa pra presidiário.

            A propósito, discordo de você quando mescla “sexo mediante coerção” com estupro. Estupro é mediante coação (diferente de coerção) ou grave ameaça. Misturar as coisas é coisa de certos fanáticos religiosos (“não ofensa pequena perante Jeová”), feministas e outras aberrações.

          • Luan Garcia

            Mas eu não usei a palavra “coerção”, eu usei o verbo “coagir”, pois disse “homens coagidos a sexo com uma mulher”. O verbo “coagir” pode ser usado tanto para prática de coerção quanto para coação, isso causa confusão mesmo… 😛

          • Aldir Gracindo

            É verdade. Estupro é “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Coagir, no sentido de forçar fisicamente alguém a ato sexual não é o que você quis dizer, é? Creio que não.

          • Luan Garcia

            Kk, na verdade eu me referi mais à questão da “grave ameaça”… Mas foi bom você falar sobre o assunto pois, mesmo eu não tendo me referido à coerção sexual – que, acho eu, seria classificada como abuso sexual e não como estupro (preciso ler direito a lei) – o abuso também é outra questão interessante a ser debatida, pois nesse caso, o número de homens vítimas de mulheres pode ser ainda maior. Mas valeu pelo toque, a maneira como escrevi pode gerar confusão mesmo.

        • Aldir Gracindo

          “qem q estupra homens?” (sic) coloca o feminismo nazi de lado um pouco e fala a informação inteira: Quem mais estupra, entre outras das piores violências, são HOMENS POBRES que foram vítima de abusos graves quando crianças, sendo a maioria deles NEGROS. Se a maioria das vítimas de estupro são homens, como são, é tudo “machismo”, “pobrismo” e “negrismo”, portanto. Parabéns pra você, falando seletivamente, só dos homens você tem IBOPE garantido!

        • Há uma confusão quando se fala em “machismo”, que é a imposição da heteronormatividade e dos estereótipos de gênero para homens e mulheres. Há quem entenda como o oposto de “feminismo”. Temos que concordar que há tendências feministas radicais e misândricas (busque na Wikipedia o termo W.I.T.C.H.) que acabam distorcendo o sentido do movimento. Creio que poderíamos nomear o movimento com outro nome, talvez feminismo igualitarista? Vejo que “feminismo” tem esse nome porque é a luta pelo fim da opressão contra as mulheres, que são realmente o grupo mais oprimido, mas o machismo, que defini acima, afeta mulheres e homens, como o post demonstra. E, sim, os homens são os maiores perpetradores de violência (embora mulheres também sejam capazes disso). Então a luta deve ser, sim, contra o machismo, pela transformação da sociedade numa sociedade que não apenas tolere as diferenças, mas as celebre, tornando-se mais justa e igualitária. Movimento feminista igualitarista para uma sociedade sem machismo!

    • Aldir Gracindo

      “O machismo prejudica os homens” como “o homossexualismo prejudica os gays”, o “negrismo prejudica os negros”.

      O que você diz faz sentido, mas de forma absolutamente predominante ao contrário, já que a maioria da violência sexual é exatamente contra os homens e feministas (como você) têm esse raciocínio de que “é o próprio machismo” em ação.

      Se a maioria dos assassinatos de negros for cometida pelos próprios negros, isso é evidência de que racismo não existe? E se a maioria da dos crimes violentos motivados por homofobia for cometida por enrustidos, isso significa que “homofobia não existe”?

      A lógica do homofóbico e do feminista se encontram justamente na forma como a lógica funciona: movida a preconceito e desprezo. A ponto do feminista sequer conseguir reter a informação de que são os homens as vítimas da maioria e das piores violências e colocar a culpa neles próprios, com a ficção do sistema “machista” de vitimização como suposta evidência de privilégio.

      Homens são maioria dentre os poucos da população no topo, mas são eles na base – a base tem que ser mais ampla, senão não tem pavimentação de rua, construção, limpeza e manutenção e esgoto, mineração, policiamento, forças armadas, lixeiros, trabalhos de altíssimo risco e moradores de rua (áreas onde eles, uzômi são ampla maioria, também).

      A maioria das vítimas de assassinato no Brasil são negros, jovens HOMENS. A maioria dos criminosos violentos condenada são HOMENS, a maioria desses negros pobres.

  • O machismo e o sexismo, além da fuleragem dos valores religiosos q fodem ainda mais, são extremos e só fazem mal. ¬¬

  • Rafael Denaldi

    Realmente chocante. Incrível como pessoas e instituições deixam de ajudar essas pessoas por interesses próprios e desinteresses alheios.

  • sei que nao devemos julgar uma sociedade pelos valores da nossa, mas é chocante a falta de apoio da familia a esses homens..

    • Joane Farias Nogueira

      Vc acha que nossa cultura é assim tão melhor que a deles? Acha que mulheres não são abandonadas pelo marido e pela sociedade quando são estupradas?

      • Tatiana Ruiz

        Gente, nem precisa trocar o sexo pra pensar nisso… Se em um lar conservador, comum, um filho diz que foi abusado sexualmente qual a reação? Se foi por uma mulher, ele é o gostosão que atraiu a atenção da mulher e n tem pq reclamar… Se for por um homem é pq tava de gayzice (What???) e daí deu motivo pro cara fazer isso, que tava gostando pq se n gostasse teria impedido.

        Gente, o mundo É SIM machista e homens estuprados são tão OU MAIS ridicularizados, maltratados e abandonados à própria sorte que mulheres… pelamor… não é questão de pensar “o que ocorre no contrário” é questão de dar apoio e condições melhores em ambos os casos…

        • Mais ridicularizados não são, não.

          • Tatiana Ruiz

            Eu disse “tanto ou mais”, mas vamos la… com base exatamente em que você afirma com tanta certeza que não? Mulheres que sofrem abuso tendem a ser tidas como putas para a maioria das pessoas, mas algumas ainda saem em defesa delas. Homens estuprados são tidos como frouxos, bichinhas e NINGUÉM, nem os próprios homens, os defendem. A maioria tem de ouvir merdas como “e por que não quebrou a cara dele?” ou se foi por uma mulher “Ta reclamando do que?” ou “Só assim pra trepar mesmo…”

            Eu tenho um amigo que quando tinha uns 7 anos (ou menos) foi estuprado por um vizinho de mais de 13. Ele tinha vergonha de admitir pras outras pessoas o que tinha acontecido com ele, e depois de adulto ele falou isso pra mim rindo, como se fosse algo ridiculo, que foi isso que o fez descobrir o quanto era bom ser gay. Ele ouviu isso do estuprador dele… Que já que ele era todo afeminadinho ele iria descobrir o quanto era bom ser gay. Uma criança! E para todos que ele contava sempre sobravam comentarios do tipo “mas vc é viado n é? ta na cara que gostou ja desde aquela epoca” repito… UMA CRIANÇA! E até hoje ele sai por aí fazendo sexo por fazer, pra se sentir preenchido pq algo foi roubado dele naquela tarde… Da mesma forma que uma mulher que é estuprada tende – quando não tem um apoio – a ir pro extremo de achar que seu corpo só serve pra isso ou temer absurdamente os homens, os caras tb passam por isso. Assim como esse caso, eu conheço muitos outros. Amigos E amigas que sofreram abusos e eu vejo um desamparo muito maior com relação aos homens que às mulheres.

            Agora pense prum homem, que tem de ser forte o tempo todo, o que é saber que foi feito algo assim com ele? Saber que se os amigos sonharem que isso aconteceu ele jamais terá respeito de novo, que vão chamá-lo de frutinha, que não vai conseguir uma namorada ou que a esposa o abandonará… Pergunte a qualquer um ao seu lado o que diria se soubesse que um cara foi estuprado e a resposta padrão, que vc vai ter de 90% das pessoas vai ser a pergunta “mas ele era viado né?” Isso não é ridicularizar? Agora tente fazer a mesma pergunta a respeito de uma garota e verá que o numero de pessoas que diz “nossa, coitada” é bem maior do que o numero de pessoas que diriam “nossa, coitado” se fosse um cara.

            Não to dizendo que um seja mais importante que o outro, ou que um sofra mais que o outro, acho que o sofrimento é grande em ambos os casos, é algo que não quero nem imaginar. Eu sou mulher e sou jovem, tenho um filho pequeno e Deus nos proteja de algo assim, mas eu acho que devemos sim abrir os olhos e ver que no mundo de hoje, onde tem tantas campanhas de apoio às mulheres vitimas de abusos, onde o silêncio está deixando de ser uma opção pra muitas, temos mais homens que mulheres sofrendo mudos essa dor e não deveria ser assim.

          • Eu não gosto de comparar sofrimento, mas dizer que é mais é muito forçado. Sabe o que me deixa com a impressão de que nem sempre é mais?É porque imagina esse rapaz sai fazendo sexo com todo mundo para preencher algo. Eu fico imaginando que se uma mulher é estuprada, quantas vezes ela confunde o parceiro com o estuprador? Pelo menos os homens não usam para transar o mesmo órgão que foi usado durante o estupro.
            Então, se for para fechar a conta, vamos dizer que cada um sente de um jeito. Fica mais fácil.

          • Tatiana Ruiz

            Não usam? Meu amigo é gay… Sim, ele usa o mesmo orificio estuprado… E sim, ele provavelmente vê o estuprador dele em muitos dos caras, assim como uma garota que se vê como suja e prostituta e acha que seu corpo só serve pra isso (como é o caso de muitas meninas que sofrem abuso) usam seu corpo e vêem o estuprador. Acho bobagem entrar nesse merito, pq cada um reage de uma forma à essa violência. Não é esse o ponto.

            E eu não estou dizendo que o sofrimento é maior, se você ler as duas respostas com atenção verá isso… Estou dizendo que o numero de piadinhas e ridicularizações por parte da sociedade é maior com relação ao homem do que com relação à mulher e estou dizendo que se temos centenas de mulheres que ainda se calam antes essa violencia, temos pelo menos duas vezes mais homens rindo e fingindo que nada aconteceu, por medo de serem olhados de maneira torta.

          • Foi você quem entrou nesse mérito quanto disse que um homem sofre tanto ou mais que uma mulher. E não seja por isso, tem milhares de mulheres chorando sozinha com vergonha do que ocorreu. A gente pode até ser ouvida, mas é sempre culpada pelo que ocorreu. Então, não creio mesmo que o tratamento para a gente seja tão bom a ponto de tornar o estupro pior para um homem do que para uma mulher. E seria seu amigo e um ou outro gay contra a maioria das mulheres que é estuprada de todas as formas, vaginal e anal. Acho que eu já disse tudo. Boa semana. Até outra hora.

          • Tatiana Ruiz

            Caso você não
            tenha lido o que eu disse, eu repito… Não tem problema. Mas dessa vez começarei
            de modo diferente. Vamos começar com a definição de ridicularização.

            Ridicularização:
            Ato de Ridicularizar

            Ridicularizar: (ridicularia+izar) vtd 1 Meter a ridículo; representar alguém
            como ridículo; zombar de uma pessoa tornando-a ridícula: Gosta de ridicularizar
            os outros. vpr 2 Fazer-se digno de escárnio ou zombaria; tornar-se ridículo:
            Ridicularizou-se com essa atitude.

            Sinônimos de Ridicularizar

            Sinônimo de ridicularizar: achincalhar, caçoar, empulhar, escarnecer, mofar,
            motejar, troçar, zombar e zombetear

            Agora que já temos
            isso bem claro, ali, naquela definição, em algum momento você viu que isso quer
            dizer “sofrimento maior”? Acredito que não…
            Então vamos voltar à questão que eu disse no inicio de tudo. A sociedade
            vê os homens como os fortes, aqueles que tem de estar sempre por cima de tudo e
            as mulheres como fracas e frágeis, suscetíveis a todo tipo de horror… Logo,
            quando uma mulher é abusada a opinião se divide entre “era puta” e “coitada
            dela… Se fosse minha irmã/mãe/mulher/eu(se for mulher) iria estar péssimo/a”
            Pode que muitos sequer apoiem de verdade, mas também não avacalham. Como disse,
            a opinião fica DIVIDIDA. Quando é um homem as piadinhas do tipo “Realizou o
            sonho de ser padeiro? Soube que andou queimando a rosca!” e coisas do tipo são inúmeras
            e de todos os lados… Ninguém pensa “se fosse meu irmão/pai/tio/amigo/eu
            estaria mal…” pq ninguém acredita que
            isso possa realmente acontecer com um homem FORTE E QUE PODE SE DEFENDER se ele
            não quiser. Acredita-se que a mulher não tem como se defender, mas o homem
            sim… Então se ele “deu o rabo” (desculpem o palavreado) é por que quis.

            Em nenhum
            momento eu entrei na questão sofrimento com relação a psicológico abalado…
            Isso é algo que só quem passou por isso pode avaliar. Cada um sabe o sofrimento
            que teve quando se viu usado e descartado como um papel higiênico e isso não é
            maior ou menor dependendo do seu sexo, mas sim de como você reage a isso. Não é
            ser mulher que vai me fazer sofrer mais que um homem ou vice e versa, e sim
            como EU enquanto PESSOA reajo a uma coisa ruim que me aconteceu.

            Quando dei o
            exemplo do meu amigo foi pra te mostrar que homens Tb se sentem sujos, usados e
            sim tendem a acreditar que não merecem amor – tanto quanto mulheres que passam
            por isso sem apoio. Homens Tb se
            suicidam por isso. Em nenhum momento disse “ELES SOFREM MAIS” JAMAIS! Dizer
            isso seria hipocrisia da minha parte… Assim como dizer que mulheres sofrem
            mais Tb seria. Na mensagem anterior, caso você tenha passado batido, eu disse
            que ambos sofrem em igual proporção… Por que a vergonha é a mesma. Mas volto
            a repetir PARA A SOCIEDADE é mais RIDÍCULO (lembra-se da definição de ridículo lá
            em cima?) um HOMEM FORTE ser pego num beco e estuprado até não poder mais nem
            andar do que uma MULHER FRÁGIL ser pega da mesma forma.

          • “”Gente, o mundo É SIM machista e homens estuprados são tão OU MAIS ridicularizados, maltratados e abandonados à própria sorte que mulheres.””

            Mais maltratados, mais abandonados e mais ridicularizados virou coisa boa por acaso? Isso traz sofrimento à pessoa tanto quanto o ato. Isso é sofrer mais. Boa semana.

          • Tatiana Ruiz

            Meu bem… Novamente digo, leia com atenção. É claro queb isso trás dor. E é justamente o que venho dizendo exaustivamente… O LADO PSICOLOGICO cada um sabe o que sente, estou falando VISÃO DE MUNDO SOBRE a pessoa. Como eu ja cansei de dizer acima, A VISÃO QUE SE TEM DA MULHER é a de fragil, de porcelana, que não pode se defender, e que tem de fazer o possivel pra evitar ser estuprada. A VISÃO QUE SE TEM DO HOMEM é a de que é forte, de ferro, que pode resolver tudo na porrada e que se for estuprado é pq quis. Se você prestou a minima atenção em algo do que eu disse vai notar que eu falei que a REAÇÃO COMUM é dizer “Tava querendo dar a muito tempo…” ou “É viado mesmo!”. NÃO É LEVADO A SÉRIO! Isso não quer dizer que psicologicamente ele sofra mais e sim que culturalmente um homem tem de ser daquele jeito ou não é homem. Uma mulher não deixa de ser mulher quando é estuprada, mas um homem deixa de ser homem – segundo a visão machista do mundo – e é a ISSO que me refiro quando falo que são TÃO OU MAIS (note que tem um TÃO) ridicularizados, maltratados e abandonados, porque eles não tem sequer a opção de ir a uma delegacia reportar isso (coisa que as mulheres, por mais que algumas prefiram não encarar a vergonha, tem). EM NENHUM MOMENTO eu disse que PSICOLOGICAMENTE um homem sofre mais que uma mulher. eu disse que SOCIALMENTE eles ficam mais excluidos. E acredito que ficar mais excluido não quer dizer sofrer mais, por que se fosse assim todos os tipos excluidos da sociedade sofreriam muito mais que qualquer um do mundo, sejam eles estuprados ou não.
            E o que quero dizer desde o inicio é que a sociedade deveria enxergar PESSOAS VITIMAS DE ABUSOS EM GERAL da mesma forma e TRATÁ-LAS E APOIÁ-LAS da mesma forma, SEM DISTINÇÃO!

            Mas pude notar que não importa o que eu diga – e não sei por qual motivo – você não vai dar crédito a nada pois já tem sua opinião formada sobre o que eu penso, mesmo que eu te apresente provas de que foi algo que entendeu mal ou te passou batido. Acho que não faz sentido ficarmos discutindo. Você tem sua forma de pensar e eu a minha. Sigamos cada uma com a sua e sejamos felizes. Tenha um bom dia.

          • mcdias87

            misândrica!

        • Elson Glauber Carneiro Felix

          eu concordo com tudo o que voce disse menos que é culpa do “machismo”, a grande verdade é que isso é um crime feito por psicopatas e eu com meu machismo é que sou completamente contra esses crimes, e agora? como fica o machismo pra ti hein?
          o feminismo seria movimento muito mais eficiente se combatesse a violencia ao invez de seu arquinimigo imaginario, o “machismo”, fica a dica!

          • Tatiana Ruiz

            Claro que é um crime! E sim, eu vejo que um mundo que diz que o homem tem de ser o machão, que não chora e nem tem sentimentos, apenas o dever de lidar com tudo, e a mulher obedecê-lo, pq ele é o MACHO, tá completamente doente! Um mundo onde esses psicopatas são melhores que tudo e que homem que é homem tem de ser macho e aceitar esses crimes como algo certo, pq na natureza os machos dos animais fazem o que querem, inclusive tomar a força as femeas ou outros machos (em caso de querer mostrar superioridade ou seja lá o que for) pq o macho é puro instinto e é assim que os homens devem ser, TEM quer estar doente. E se vc é “machista” e não acha que seja certo ver o homem como um mero instinto ambulante que não pode controlar o que tem dentro das calças, sinto lhe informar (ou talvez não, tenho mais é que te parabenizar pelo fato) de que você NÃO É machista.

            O feminismo de verdade combate SIM a violencia. Tem como principio a igualdade. O direito dos seres humanos (homens ou mulheres – de nascimento ou de reconhecimento) de sentir, de ser respeitados por quem são, sem importar credo, cor, classe social, orientação sexual ou qualquer coisa que possa “diferencia-los”. Existem pessoas extremistas que torcem as coisas pro lado que mais lhe convém, mas a verdade é que as verdadeiras feministas lutavam por isso antigamente, e os verdadeiros feministas de hoje também.

            Há quem diga que isso na verdade se chama igualitarismo, mas pra mim não importa o nome que se dê, o que importa é que cada ser humano tem direito a ser feliz e respeitado, e que esse tipo de atrocidade TEM que sumir da face da terra pelo bem de todos.

          • eu cheguei a achar que igualitarismo seria o nome correto, mas creio que seja uma tendência dentro do movimento feminista – talvez “feminismo igualitarista”. credito que homens e mulheres precisam lutar juntos pra essas mudanças na sociedade acontecerem.

          • Elson Glauber Carneiro Felix

            voce não esta sabendo separar machismo de estupidez, e outra se estamos doente hoje deve ser por engolir tanta asneira feminista, vocês ignoram tudo que os homens em sua grande maioria tem de bom para tentar mostrar tudo de ruim que uma infima minoria tem, e sim eu sou machista sim!
            sou machista, não por escolha, mas pq nós homens ocidentais somos todos machistas pra voces feministas, voces veem machismo em tudo, até mesmo no que nós homens temos de melhor, então é sim eu so machista e com orgulho, mas não sou um psicopata, não sou um criminoso E NÃO SOU UM ESTUPRADOR EM POTENCIAL!

          • Tatiana Ruiz

            Machismo É estupidez! E caso não tenha percebido, em nenhum momento EU reproduzi um discurso “feminazi”, como chamam, que diga que todo homem é estuprador potencial… Novamente, caso você não tenha percebido, eu deixei claro que mulheres TAMBÉM podem estuprar, defendi o fato de que HOMENS OU MULHERES tenham direito a falar em casos como esse, ou melhor: que NINGUÉM tenha de passar por isso, pq é uma dor ferrada.

            Em nenhum momento falei que homens não prestam, ou não estaria nem aqui – em primeiro lugar – defendendo homens que sofrem qualquer tipo de abuso fisico ou emocional. E se você é tão machista (coisa que realmente não vejo em seu discurso, mas enfim) é por escolha sim! Pq o fato de vc ser criado de uma forma não quer dizer que não possa SER INTELIGENTE e PENSAR POR SI MESMO, mudando seu modo de ver o mundo posteriormente.

            Você diz que feministas vêem machismo em tudo, até no melhor dos homens. Entremos nisso… O que seria, na sua opinião, o melhor do homem que as “supostas feministas” vêem mal? O cavalheirismo? Eu não vejo mal nisso, pq acho que é questão de respeito e boa vontade! Mas também não acho que devemos sair comprando charutos e parabenizando os caras que respeitam uma mulher (o mesmo se aplica pra mulheres que respeitam homens, pq não? Chega de ficar só atirando em um. SERES HUMANOS sabem ser cruéis, não é o que tem entre as pernas que define se mais ou menos, é o que tem dentro da cabeça).

            Acho que você está tão irritado com as feministas extremamente radicais (com as quais não concordo, pq acho que todo fanatismo é burro, seja ele de que for), que não consegue separar as coisas. As verdadeiras feministas (e creio que ja falei sobre isso mais pra cima) são as que lutam por um mundo de igualdade e não de superioridade. São as que vêem que sim, somos diferentes dos homens e isso não nos torna melhor ou pior, só diferentes. Homens são diferentes entre si, assim como mulheres são diferentes entre si, qual o problema em ser diferente? Nenhum! As verdadeiras feministas lutam por salario justo segundo a função desempenhada, por direito a sair sem medo, por direito até a servir o exército se quiser – sem o medo de ser estuprada dentro dos batalhões por “ter pedido por isso”. Mas em nenhum momento lutam pra que homens sejam rebaixados. Isso é coisa de gente intolerante, não de lutadoras.

      • Jonathan Malavolta

        Me desculpe me intrometer na conversa, mas creio que você não entendeu bem o posicionamento de nossa colega Tatiana Ruiz. Em momento algum ela afirmou sobre sofrimento, descreveu apenas a estigmatização que a sociedade faz para ambos os casos. E sim, embora hoje em dia seja algo cada vez mais raro de se encontrar, ainda há gente que pensa que uma mulher só é estuprada porque se comportou ou se vestiu como uma prostituta. Aliás, esse tipo de estigmatização muito me irrita. Jamais me considerei como sofrendo mais ou menos do que nenhuma de vocês, a não ser pelo fato de ter perdido a namorada que tinha na época (uma gaúcha que após o ocorrido nunca mais quis contato comigo, nem mesmo como amiga; até as correspondências que enviei depois do ocorrido voltaram intactas, sem sequer terem sido abertas). Felizmente depois disso me apaixonei por uma sexóloga – e leia o que escrevi: UMA; só isso já derruba por terra esse seu argumento de “um gay ou outro” – que compreende esse tipo de questão melhor do que todos por aqui, já que esse assunto é uma das especialidades da sexologia, com a qual me casei e tenho um filho. O estigma é tanto que antes das agressões, eu não ouvi sequer um “Não registrarei um BO porque isso não constitui ameaça” da boca de um delegado filho da puta e muito menos um “Uh!, que falta faz um homem em casa!” de um comandante da PM tão filho da puta quanto, e esta última fala foi ainda pública, na frente de pessoas que sequer conheço e sequer me conhecem, e veio acompanhada de uma sonora gargalhada. Sem contar que nunca mais consegui pisar em uma sala de aula na vida, nem pra estudar Ciências (estava estudando na época, pra entender melhor o mundo da Química, da Física e da Biologia), nem pra lecionar Português ou Inglês (sou professor de idiomas por formação acadêmica). Hoje trabalho mais como artista (músico e escritor) ou como enxadrista do que como qualquer outra coisa (inclusive profissão policial já havia chegado a exercer). Fui vítima dessa merda desse crime para mim hediondo em sua versão oral aos 21 anos, diante de uma turma de 40 alunos E de um professor. Ao conseguir me desvencilhar e acertar um soco (pratico artes marciais desde os 4 anos, o que comprova que até quem sabe se defender está vulnerável e sujeito a isso) na face de um dos agressores, fazendo com que os 3 voltassem para seus lugares, encarei o professor e o questionei sobre qual atitude ele iria tomar. O mesmo se limitou apenas a abaixar a cabeça e fechar os olhos, fingindo não ter visto absolutamente nada, reação idêntica a de todos os alunos quando voltei com uma viatura policial à sala alguns minutos após o crime (Acha que por pertencer ao sexo masculino iria me render à porra da maldita estigmatização social e não denunciaria tal crime? Se ferrou então, crimes sempre serão por mim denunciados, independente de quem sejam a vítima ou o agressor; até contra parentes de sangue já registrei BO) afim de registrar ocorrência, e no processo que permiti ser aberto pelo promotor público só uma aluna (casada e mãe de 3 filhos à época, diga-se de passagem) ficou ao meu lado durante o processo, os outros todos, incluindo o professor, silenciaram até mesmo perante promotor e juiz de direito. Gostaria de pedir que você tenha mais sensibilidade no trato a essa questão, ‘o homem como vítima de abuso sexual’, pois é humilhante para um homem que tem mulher e filho(s) e passou por isso em um dado momento de sua vida ver que vossa personalidade lhe faz redigir a resposta “um gay ou outro” ao invés de reconhecer todos nós como potenciais vítimas, do contrário, lembre-se de que seu nome está aparecendo integralmente na tela e de que atitudes impensadas via internet também rendem processos por injúria caso alguém sinta-se lesado quanto ao princípio da dignidade humana. Ninguém se torna gay ao ser estuprado, orientação sexual e identidade de gênero são coisas que nascem com a pessoa na forma de predisposições e vão se acentuando ao longo da vida, conforme a pessoa vai se descobrindo e descobrindo seu corpo, e não de acordo com o que ocorre ou deixa de ocorrer com a pessoa. Se fosse possível modificar a sexualidade de alguém através de estupro, não existiriam mais lésbicas no mundo dado o elevado número de lésbicas vítimas do chamado “estupro corretivo”.

        Atenciosamente, Jonathan Hamelin Malavolta, músico, enxadrista e escritor.

  • O texto é perturbador, porém, necessário para que aceitemos que homens e mulheres sofrem da mesma forma com essa prática horrenda.

  • Como todos afirmaram, o texto é chocante. Mas, não é uma surpresa. A verdade, dura, cruel e revoltante, é que nos acostumamos com as notícias de estupros femininos. Pessoas “comuns, não criminosas-estupradoras”, como foi dito em um comentário acima, quando pensam em estupro já pensam, automaticamente, no gênero feminino como vítima, fato!

    Tenho certeza de que estupros masculinos ocorrem desde o início da humanidade, tanto quanto os femininos, mas ninguém fala disso. Creio que justamente pela máxima da “invulnerabilidade do homem”, como abordado no texto. Essa é a chave do problema, percebermos que as mulheres podem ser tão fortes e invulneráveis quanto homens e que homens podem ser tão fracos e vulneráveis quanto nós. 

    É vergonhoso que a humanidade não tenha percebido que todos estão sujeitos à fraqueza, à força, à dor, à vergonha, apenas pelo fato de serem seres humanos!

  • Washington Ferreira

    O homem vítima do próprio machismo. Irônico, não?

    • Pedro Victor

      Isto não é machismo! Dominação não tem sexo. Não acontece apenas em guerras, por mais que os casos em guerra sejam sempre mais fortes. Homens estuprados são frequentes. Em casa e no colégio, nas igrejas e nos presídios. Não é uma questão de machismo – que pressupõe uma dominação à mulher – mas de dominação por sí. 

      • Ana Carolina Bordini

         Dominação (pelo sexo) tem sexo sim, pois a maioria esmagadora das vezes quem o faz é o homem, embora as vítimas possam ser de ambos os sexos.

        Além disso, a vergonha maior de os homens contarem que foram estuprados – em comparação às vítimas mulheres – também é fruto do machismo: achamos que “homem de verdade” só pode tomar a posição “ativa” no sexo… Uma mulher estuprada não deixa de ser mulher, mas um cara estuprado deixa de ser um “macho de verdade”. Apenas para ilustrar, um homossexual passivo é considerado “mais gay” do que um ativo, pois têm-se a idéia (machista) de que o passivo é mais submisso , e portanto inferior, e portanto mais vergonhoso.

      • Viviane Oliveira

        Cara, de onde vc tirou q machismo só envolve dominação à mulher? O machismo e patriarcalismo atinge a todos, inlusive aos homens q nunca podem se mostrar vulneráveis.

        • Danillo Santos

          Se o machismo atinge a todos, então porque se chama machismo? Se no patriarcado o homem pode ser e fazer o que quiser, por que este não pode se “mostrar vulneráveis”?

      • Luan Garcia

        Concordo com você, Pedro Victor. “Machismo” é uma forma de dizer que os homens são os próprios culpados – mais uma vez, falta de empatia.

    • fernandoildio

      Me diga como é ser o primeiro da classe na aula das feministas sobre como ignorar os próprios problemas e sentir ódio do próprio gênero? parabéns… senti que você só faltou comemorar o fato de meninos e homens serem estuprados.

    • Danillo Santos

      Homem vítima do próprio machismo? Refere-se ao indivíduo ou, quando diz “homem”, refere-se a algo que entende como uma classe?

      Já que entendes que isso é fruto do “machismo”, considera o indivíduo estuprado (ou, da forma que aparentemente considera os homens como uma classe) ou todo e qualquer homem vítima de estupro como culpado e merecedor da violência que recebeu? É isso mesmo? A culpa é das vítimas?

      O que leva alguém a ironizar a situação de uma vítima de estupro?

  • Luke Romanoff

    acho q nao de trata de fato de ser apenas uma humilhaçao, mas o homem q é vitima desse tipo de crime se acha num abismo de incompreensão e sempre se omite, principalmente pelo fato de achar q sociedade esmaga sua “virilidade”, e ele nao quer se comparar a uma mulher, pois até mesmo a palavra estrupo nao se enquadra anatomicamente as parte de um individuo do sexo masculino…

  • O silêncio que é imposto ao homem comumente violentado torna o ato mais cruel.
    Temos obrigação ser perfeitos sempre. Somos assim. Fomos ‘programados’ pra sermos assim. E quando não somos?
    Putz… só sendo homem pra saber…

    • Aldir Gracindo

      Nem homem pra saber, porque nos EUA pesquisaram e viram que os homens com o tempo vão esquecendo violências sofridas, porque aprenderam a ver como normais. Ao contrário das mulheres.

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  • Pingback: ABRINDO ESPAÇO PARA HOMENS FALAREM DE ESTUPRO()

  • Luan Garcia

    Excelente texto. Parabéns, nós, homens e meninos que fomos vítimas de abuso sexual realmente precisamos de mais visibilidade dentro das discussões sobre esse assunto.

    O único ponto que eu discordo de você é quando afirma que homens precisam aprender a ser frágeis e vulneráveis. Um ponto que é bastante discutido, quando se fala de tratamento de homens, é que eles se sentem mais a vontade se, em vez disso, aprenderem que podem ser fortes e viris APESAR DA vulnerabilidade. Em vez de se desfazer dos arquétipos e representações culturais do masculino, já que os homens ainda gostam se identificar com eles, é mais efetivo mostrar que existem inúmeras formas de se alcançar a “masculinidade”, não sei se deu pra entender.

  • Pingback: Doutrinação de vítimas de estupro | Fugere Urbem()

  • Vanesca Franco

    Acabei de fazer uma pagina no face chamada Homem vitima de estupro, depois de saber que um amigo meu havia sido estuprado, fato este que desencadeou um aprofundamento dos vicios, e ele veio a obito.