Bule Voador

Dossiê Darwin: as evidências, importância e o apoio à Teoria da Evolução

Fonte: Uma Visão do Mundo

Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

A Teoria da Evolução é um fato tanto quanto qualquer outro fato estabelecido pela ciência

Basicamente, a visão darwiniana tradicional sustenta que pequenas mudanças na estrutura e no comportamento, efetuadas pela seleção natural das variações, produz, após um longo período de tempo, organismos que diferem tão grandemente de seus ancestrais que eles não são mais o mesmo organismo, e devem ser classificados como uma espécie separada. Este ponto da Teoria da Evolução não é mais discutido entre os cientistas, sendo aceita como um fato que serve de base para a biologia e que é parte indissociável de outras ciências, como a paleontologia.

Contudo, pessoas que não conhecem profundamente sobre biologia nem sempre têm elementos suficientes para “acreditar” (a palavra correta seria “entender”) na Teoria da Evolução. Pensando nisso, coloco aqui uma série de argumentos e evidências que comprovam esta teoria, que é vital no mundo moderno (embora muita gente desconheça sua importância). Exponho estes argumentos de maneira que qualquer leigo possa ler e entender. A organização em tópicos é necessária, pois, o material é extenso e isso facilita a localização de trechos que venham a interessar. As fontes seguem sempre próximas ao assunto sendo exposto.

A teoria da evolução de Darwin como um fato

Stephen Jay Gould: A evolução é uma teoria, mas também é um fatoAntes de começar, vale frisar que há um post falando sobre como ocorre o processo da evolução e da seleção natural. Precisamos nos precaver ainda daquelas pessoas que confundem o termo “teoria”, usado coloquialmente, daquele usado na ciência. Para tanto, vale explicar uma vez mais o que é uma “teoria”.

Stephen Jay Gould, paleontólogo, nos explica que a evolução é uma teoria. Mas também é um fato. E fatos e teorias são coisas diferentes, e não estágios de hierarquia de certeza crescente. Fatos são dados do mundo. E teorias são as estruturas de ideias que explicam e interpretam os fatos. Os fatos não desaparecem enquanto os cientistas debatem teorias rivais que tentam explicá-los. A teoria gravitacional de Einstein substituiu a de Newton, mas as maçãs não ficaram pairando no ar, à espera da definição. E os seres humanos evoluíram a partir de ancestrais parecidos com símios, quer através do mecanismo proposto por Darwin, quer através de qualquer outro ainda por descobrir.

Ademais “fato” não quer dizer “certeza absoluta”. Em lógica e matemática, as provas finais fluem dedutivamente de premissas estabelecidas, e essas provas só são válidas porque não dizem respeito ao mundo empírico. Os evolucionistas não reivindicam para si a perpétua verdade, embora os criacionistas frequentemente o façam (e nos ataquem por pretensamente adotarmos um tipo de argumento usado por eles). Em ciência, “fato” só pode significar “confirmado a tal ponto que seria perverso suprir uma concordância provisória com ele”. Eu suponho que as maçãs podem começar a subir amanhã, mas essa possibilidade não merece tempo igual nas aulas de física.

A evolução é amplamente aceita na comunidade científica

Muitos, ainda, alegam ser a “Teoria da Evolução” uma controvérsia entre cientistas. Não há falácia mais perversa contra o mundo acadêmico. Cientistas de diversas áreas concordam quanto à validade de teoria, ainda que restem pontos a serem explicados e entendidos.

Um dos mais influentes e renomados paleontólogos do séc. XX, George Gaylord Simpson afirmou: “Darwin de uma vez por todas, definitivamente, estabeleceu a teoria da evolução como um fato.” Como Simpson elaborou diversos trabalhos que tinham como base justamente a teoria da evolução, também disse certa vez que: “Eu não acho que a evolução é sumamente importante por ser minha especialidade; ela é minha especialidade porque acho que ela é sumamente importante”. Sua visão naturalista do mundo, também, fica bem clara quando declarou: “O homem é o resultado de um processo natural e sem propósito que não tinha ele (o homem) em seus planos”.

O geneticista Hermann Joseph Muller, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1946, foi um dos primeiros a cunhar o termo “complexidade irredutível”, mas diferente dos adeptos do “design inteligente”, Muller tinha convicção que até isso seria resultado da evolução. Estudou e trabalhou tanto tendo como base a teoria da evolução, que disse: “Tão grandiosa, ramificada e consistente que se tornaram as evidências para a evolução, que se alguém puder contradizê-la eu teria minha concepção da ordem do universo tão abalada que colocaria em dúvida minha própria existência

Hermann Joseph Muller: Se a Teoria da Evolução fosse falsa, duvidaria de minha própria existênciaKenneth Raymond Miller, um professor de biologia que já lecionou em Harvard e atualmente trabalha na Brown University, é um católico. Como cientista renomado que é, tornou-se um ferrenho defensor da teoria da evolução, tendo constantes debates para confrontar o “design inteligente” de Michael Behe. Foi um dos cientistas que depuseram contra Behe no caso de Dover, onde uma escola queria ensinar o “design inteligente” como se fosse ciência. Miller deixou bem claro: “a evolução é um fato como qualquer outra coisa que conhecemos como fato na ciência”.

Stephen Jay Gould foi um paleontólogo, isto é, ele estuda a vida pré-histórica através de fósseis para entender o curso da evolução biológica. Professor de Harvard, era um dos cientistas de maior renome em sua área, além de ser um dos grandes difusores da ciência. Gould era um grande defensor da Teoria da Evolução, uma vez que seus estudos e descobertas acabavam por confirma-la. Claro que há acertos pontuais na ciência que estuda a Teoria da Evolução, mas isso não a descaracteriza em absoluto. Sobre isso, ele disse: “Teorias poderosas e verdadeiramente grandiosas não podem descansar sob observações solitárias. Evolução é uma inferência de milhares de fontes independentes, a única estrutura conceitual que pode criar um senso unificado para todas estas diferentes informações. A falha de uma alegação em particular geralmente registra um erro local, não uma quebra da teoria central

Há ainda uma outra ciência que confirma e usa a Teoria da Evolução: a geologia, que é a ciência que estuda a Terra, sua composição, estrutura, propriedades físicas, história e os processos que lhe dão forma. Uma rápida procura na internet e veremos que a teoria da evolução faz parte da maior parte das grades curriculares das maiores universidades do mundo. Para usar um breve texto explicativo que pode ser encontrado no Departamento de Geologia da Universidade de Baylor, em uma espécie de apresentação do curso nos é mostrada a seguinte pergunta: O registro de fósseis sustentam a ideia de mudanças biológicas através dos tempos? A resposta segue abaixo:

“Sim. Os fósseis claramente indicam que:

– uma progressão da complexidade de organismos de fósseis muito simples nas rochas mais antigas (mais de 3,5 bilhões de anos) até um amplo espectro de simples e complexas formas nas rochas mais jovens;

– alguns organismos que um dia eram comuns estão hoje extintos;

– os organismos vivos que habitam o mundo atualmente são similares (mas geralmente não os mesmos) de organismos representados como fósseis em depósitos de rochas sedimentares mais jovens, os quais por sua vez possuem ancestrais evolucionários representados como fósseis em rochas mais antigas.

Royal Society: "A crença de que todas as espécies da Terra sempre existiram na sua forma atual não é consistente com as abundantes evidências da evolução, como os registros fósseis"

A Royal Society, organização que atua como conselheira científica do governo britânico, reúne entre seus membros os maiores cientistas da Inglaterra e de alguns outros países. Entre eles, há alguns ganhadores de prêmios Nobel, como o atual presidente, Sir Paul Maxime Nurse, geneticista ganhador do Nobel em Medicina em 2001. A organização se posiciona abertamente como defensora da Teoria da Evolução. Em 2006, quando houve alegações de que algumas escolas ensinam o criacionismo lado-a-lado com a evolução, a organização se manifestou dizendo:

“A crença de que todas as espécies da Terra sempre existiram na sua forma atual não é consistente com as abundantes evidências da evolução, como os registros fósseis. De maneira similar, a crença de que a Terra se formou em 4004 a.C não é consistente com as evidências da geologia, astronomia e a física de que o sistema solar, incluindo a Terra, se formou aproximadamente há 4,6 bilhões de anos.

Harvard, a instituição de educação mais conceituada e respeitada do mundo, mantém a mais de 100 anos um Departamento de Biologia Evolucionária onde deixa claro:

“Toda a vida evoluiu – e, sobretudo, por seleção natural. A vida tem uma imensamente complexa diversidade que pode ser compreendida e manipulada apenas pelo entendimento de sua longa história genética e as capacidades especiais de cada espécie.”

A Academia Brasileira de Ciências, que congrega centenas de cientistas de grande renome do Brasil e do exterior, também defende abertamente a Teoria da Evolução. No começo de 2012, enviou o seguinte comunicado à imprensa:

“O grupo de Membros da Academia Brasileira de Ciências signatário desta correspondência, atuantes na área de Genética, manifesta a sua preocupação com a tentativa de popularização de ideias retrógradas que afrontam o método científico, fundamentadas no criacionismo, também chamado como ‘design inteligente’ (…)sentimo-nos afrontados pela divulgação de conceitos sem fundamentação científica por pesquisadores de reconhecido saber em outras áreas da Ciência.”

O “Académie des sciences”, que reúne os expoentes da ciência da França e de alguns outros países, chegou mesmo a publicar uma homenagem à Charles Darwin.

Mas bem antes dela, a “Deutsche Akademie der Naturforscher Leopoldina, que é a Academia de Ciências da Alemanha, já tinha bolado uma homenagem. Entre seus mais de 1400 membros, há cerca de 157 ganhadores do Prêmio Nobel. Albert Einstein, Max Planck e o próprio Charles Darwin figuram entre seus membros mais ilustres. Para celebrar e homenagear Darwin, a Leopoldina criou am 1959 a “Darwin-Plakette”, uma condecoração dada aos 18 maiores cientistas e pesquisadores da evolução no mundo, em comemoração ao centésimo aniversário da publicação do livro “A Origem das Espécies”.

Darwin-Plakette, condecoração dada pela Academia de Ciências da Alemanha a cientistas de todo o mundo, da Rússia até as Américas, por suas pesquisas da evolução do seres

A “National Academy of Sciences”, dos EUA, é uma corporação dos maiores cientistas daquele país, servindo mesmo como conselheiro do governo em questões de ciências. Entre seus mais de 2100 membros, há mais de 300 ganhadores de prêmios Nobel. A corporação é clara em sua postura de defender a Teoria de Evolução, conforme estabelecido aqui:

“As ideias de Charles Darwin e o conceito de evolução por seleção natural continuam a ter uma profunda influência na biologia moderna: elas permeiam quase todas as áreas de exploração científica”

Mais recentemente, um grupo de pesquisadores da USP (que está entre as 100 melhores universidades do planeta) está propondo à Universidade de São Paulo a criação de um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) sobre Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução Biológica. O problema, segundo eles, é que os questionamentos não são feitos com base em argumentos científicos, mas em dogmas religiosos “disfarçados” de ciência.

“Temos assistido a alarmantes manifestações de membros da comunidade científica se posicionando publicamente a favor da perspectiva criacionista, distorcendo fatos para questionar a validade científica da evolução biológica. Tais ações visam a influenciar os currículos escolares brasileiros, por meio de polemistas que ostentam supostas credenciais científicas e utilizam argumentos pretensamente complexos extraídos de diferentes campos.”

A proposta é assinada por Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, Mario de Pinna, do Museu de Zoologia da USP, Paulo Sano, do Departamento de Botânica da USP, Maria Isabel Landim, também do Museu de Zoologia, e Acácio Pagan, do Departamento de Biociências da Universidade Federal de Sergipe.

Acho que agora, assim, fica bem claro que a Teoria da Evolução é aceita como um fato. Este é um consenso entre os cientistas de todo o mundo. E isso se deve, principalmente, porque são pessoas que trabalham ano após ano com experimentos que, justamente, são embasados nesta teoria. São estas pessoas e seus estudos que tornam nossos remédios mais eficazes, por exemplo.

Departamento de Biologia Evolucionária de Harvard: "Toda a vida evoluiu – e, sobretudo, por seleção natural"

A evolução registrada em nossos genes

A religião quer afastar a ideia de que partilhamos de ancestrais comuns. Afinal, umas das possíveis implicações disso seria o fato de que não somos lá tão especiais assim, apenas mais uma das milhões de formas de vida que se manifestaram por aqui. Infelizmente (para alguns), a ciência prova que pessoas que pensam assim estão completamente enganadas. Partilhamos genes com animais que sequer imaginamos. Ainda que isso pareça improvável, é compatível e previsível à luz da Teoria da Evolução.

Isso significa que, um dia, todos partilharam o mesmo código genético, ou seja, somos verdadeiramente irmãos de cada ser vivo que habita o planeta: de uma rosa até uma barata, de um dinossauro até uma bactéria, da grama que pisamos até a comida que comemos. Para muitos, esta é verdadeiramente uma bela visão do mundo e da vida em si. É algo que torna todos os seres vivos da Terra uma grande família.

Qualquer semelhança não é coincidência: é parentesco mesmoPara exemplificar, cientistas constataram que ratos e humanos tem aproximadamente 30.000 genes, mas apenas 300 são únicos em cada organismo. Como o rato, nós temos o gene para ter uma cauda, mas em nós ele está desativado. “Por volta de 99% dos genes humanos tem contrapartes em ratos. Cerca de 80% são completamente idênticos”, disse Eric Lander, diretor do Whitehead Institute Center for Genomic Research em Cambridge.

Em outro caso, cientistas das Universidades da Califórnia, Berkley e do Joint Genome Institute, descobriram que partilhamos cerca de 70% dos genes de uma espécie de esponja do mar. O que indica que nosso ancestral comum (sim, o seu progenitor e o da esponja) viveu há mais de 600 milhões de anos. A importância desta descoberta ajudará no estudo do câncer nos humanos e do desenvolvimento de novos fármacos.

Até mesmo a banana que comemos possui contrapartes de seus genes nos genes humanos! Em termos comparativos, somos 50% parecidos com bananas. Sim, bananas e nós, um dia, tivemos um ancestral em comum. Difícil entender, não? Mas lembre-se que basta mudar um pequeno gene de uma drosófila, por exemplo, para conseguir criar uma nova mosca com 2 ou 4 asas. Imagine centenas de milhões de anos de mudanças neste código genético, quantas criaturas diferentes hão de surgir?

Vale lembrar que esta comparação entre genes é relativa. Não temos quase a totalidade de nossos genes iguais aos de um rato ou chimpanzé (tampouco uma banana). Estas comparações são sobre aqueles genes similares entre os organismos. Para entender melhor como estas comparações são realizadas, há um ótimo artigo (mais técnico) no site do Evolucionismo.

Ainda assim, fica muito claro que, definitivamente, partilhamos sim de mesmo material genético e, portanto, de um mesmo ancestral. Isso não é uma especulação ou achismo: é um fato. Tão importante e tão verdadeiro que nossos futuros remédios serão produzidos graças a estas pesquisas.

As evidências da evolução em curso

Biólogos, geneticistas e alguns outros cientistas mais especializados entendem a evolução nos seus mínimos detalhes. Justamente por isso, para estes não lhes restam dúvidas de que ela ocorre basicamente como previu a Teoria da Evolução de Charles Darwin. Mas pessoas de outras áreas precisam de evidências mais didáticas, mais próximas da realidade do dia-a-dia. Se contra fatos não há argumentos, seguem abaixo algumas destas evidências para que fique bem claro para qualquer leitor que a evolução dos organismos e das espécies ocorre sim. Ela pode ser previsível e, em alguns casos, até mesmo guiada.

1-) Um casal de biólogos norte-americanos conseguiu observar pela primeira vez um fenômeno da seleção natural entre espécies de pássaros do início ao fim. Peter e Rosemary Grant, da Universidade de Princeton, verificaram a redução do tamanho médio de bicos em uma população de tentilhões-da-terra-médios (Geospiza fortis) no arquipélago de Galápagos, no Oceano Pacífico;

2-) Uma evidência de convergência evolutiva, isto é, quando duas ou mais populações adquirem uma mesma característica de forma totalmente independente, foi recentemente comprovada quando cientistas estudaram se outros povos, que não os europeus, possuíam tolerância à lactose. O exemplo mais expressivo é o do povo massai, pastores nômades do Quênia que se alimentam não apenas do leite e da carne, mas também do sangue dos bovinos que criam. Em todas essas populações estudadas, o casamento entre mutação genética e meio ambiente propiciou enormes vantagens competitivas;

3-) Por falta do receptor celular CCR-5, o vírus da AIDS simplesmente não consegue entrar nas células, infectá-las e se replicar. Por isso, 1% da população mundial é imune ao vírus da AIDS. Mas a proteção só é eficaz se os genes defeituosos forem passados por pai e mãe. A falta do CCR-5 é uma herança genética caucasiana (pessoas originárias da Europa Oriental). “Eles provavelmente sobreviveram por serem resistentes à cólera na Idade Média. O mesmo defeito que os protegeu na época contra a cólera agora age contra a AIDS”, afirmam os médicos;

4-) O vírus da gripe aviária, o H5N1 é um grande risco à humanidade, pois, há a possibilidade do vírus sofrer alguma mutação genética que facilite sua transmissão entre seres humanos e, neste caso, tecnicamente, não existirá uma vacina específica. O que poderia custar milhares, senão milhões de vidas, como foi a gripe espanhola, que matou mais de 20 milhões de pessoas;

5-) O laboratório Acambis, do Reino Unido, desenvolveu uma vacina para gripe que funciona mesmo com as constantes mutações do vírus. Até então, as vacinas para gripe eram eficazes apenas com um tipo muito específico do vírus Influenza. Todo ano, a vacina é “atualizada” para contemplar as mutações que o vírus sofre;

6-) Numa experiência controlada, o grupo de pesquisadores do laboratório do Dr. Richard Lenski, fez uma experiência ao longo de 20 anos, começando com 12 populações da bactéria Escherichia coli, que se desenvolveram separadamente ao longo de 44.000 gerações. Por volta da geração 31.500, as bactérias de uma das populações adquiriram a capacidade para metabolizar citrato, um nutriente que está presente em seu meio de cultura, mas que elas não conseguem aproveitar. Congelando bactérias a cada 500 gerações, eles puderam isolar o momento aproximado de quando estas alterações começaram a ocorrer. Refazendo a experiência várias vezes, eles puderam obter a prova de que a mutação genética foi resultado de uma série de alterações, cujo elemento-chave ocorreu por volta da geração 20.000;

7-) Durante a década de 1930, pesquisadores introduziram uma espécie de salmão em um hábitat no noroeste dos Estados Unidos composto de um rio e uma praia fluvial. Alguns animais se especializaram em viver na correnteza e desenvolveram características distintas daqueles que habitavam as águas calmas da praia. Hoje em dia, os peixes de uma população dificilmente se reproduzem com os da outra e, caso isso ocorra, os descendentes têm poucas chances de sobreviver. “Ainda não se pode dizer que são duas espécies diferentes, mas esse caso é um modelo de como surgem novas linhagens“, afirma Andrew Hendry, da Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, o autor do estudo. Isso mostra que a evolução pode ocorrer sim em “saltos”, o que explicaria a ausência de alguns fósseis de transição entre duas espécies (algo que os criacionistas adoram usar como prova de que a evolução não ocorre);

8 -) O uso excessivo de antibióticos, em muitos casos inadequado, na medicina humana e veterinária e na agricultura contribuiu para o aumento rápido da prevalência de microrganismos resistentes aos medicamentos, exatamente como prevê a teoria da evolução. De fato, muitos dos antigos antibióticos tornaram-se seja ineficazes seja menos fiáveis do que antes. Por exemplo, a resistência à penicilina – o anterior tratamento preferido nas infecções provocadas pelo Staphylococcus aureus – está agora banalizado em muitos países.

9-) A evolução ajudou cientistas a identificarem fontes de drogas capazes de salvar vidas. A “Pacific Yew”, por exemplo, era a única fonte de Taxol, uma excelente droga usada no combate ao câncer de ovário, pulmão e mama. Esta planta ameaçada de extinção cresce muito devagar e são necessárias de 3 a 6 plantas para produzir apenas uma única dose de Taxol. Mas cientistas usaram a história evolucionária do “Pacific Yew” para rastrear seus ancestrais, descobrindo assim os componentes do Taxol em plantas mais comuns, aumentando dramaticamente o suprimento de Taxol. A evolução salva vidas.

Como se vê, a evolução está a pleno vapor, como sempre esteve desde que as moléculas começaram a interagir e se tornaram um ser auto-replicante. Muitas coisas ainda estão obscuras sobre a evolução, isso porque em geral ela se dá lentamente, ao longo de milhares ou milhões de anos (embora há teorias sobre “saltos evolutivos”, como no caso do experimento do salmão, nos EUA). E a teoria como a conhecemos só tem 150 anos. Você pode tomar duas atitudes ante os pontos ainda não resolvidos pela ciência. Pode falar que “foi deus” ou aguardar até que a ciência entenda e explique o que hoje é desconhecido.

Segue, no vídeo abaixo, algumas explicações extras, além de mais evidências, incluindo sobre os tão procurados “elos perdidos”. O que muitos não sabem é que justamente por terem sido encontrados diversos fósseis de transição é que pudemos montar as árvores genealógicas de tantas espécies diferentes.

Eduardo Patriota
Uma pessoa que sempre gostou de debater e de ouvir diferentes pontos de vista. Blogueiro há muitos anos, se sustenta trabalhando com informática, mas é apaixonado pela área de humanas e psicologia.
  • Gilbson Fonseca do Nascimento

    É preciso urgentemente de uma reeducação no Brasil principalmente com os avanços das Seitas neo-pentecostais pregando uma vida de alucinação e superstição arrecadando milhões de dinheiro. Temo por nós, pois até mesmo no meio universitário há uma ignorância quanto a esse tema.

    •  Caríssimo Gilbson, uma reeducação envolveria certamente evitar maniqueísmo e rotulações.Criacionismo não tem necessariamente nada a ver com “seitas neo-pentecostais”. O relato bíblico da Criação tem seus originais escritos há milênios e ditas “seitas” não existiam naquele tempo. A parte final do texto sobre uma entre duas posturas a assumir é interessante. Lembra Einstein (indevidamente insinuado como evolucionista): “não se acredita em milagres ou se acredita que tudo é um milagre”. E Einstein não era ateu. Com todo o respeito ao autor da resenha, há refutação – científica, sim – para seus argumentos (consultar, por exemplo, o site da SCB Sociedade Criacionista Brasileira). Permaneço, portanto, na companhia de Einstein, Newton e muitos outros grandes vultos da história e da ciência que acreditam no DEUS Criador de todas as coisas (nada contra a observação científica das adaptações pontuais). Por sinal, as evidências de registros fósseis em abono a TE não foram apresentadas até hoje. Espero que sua proposta não seja impor proibição de acesso à informação sobre o criacionismo e calar os cientistas que se opõe a TE. Só dizer que os criacionistas distorcem fatos não é suficiente para apoiar amordaçá-los. A menos que o estoque de evidências da TE não seja consistente.

      • Aolacedanhey Zirisgleibe Auche

        Lembra Einstein (indevidamente insinuado como evolucionista): “não se acredita em milagres ou se acredita que tudo é um milagre”. E Einstein não era ateu. 

        Ele não ser ateu, não significa que seja teísta muito menos que siga qualquer preceito judaico-cristão, citando o próprio Einstein:I believe in Spinoza’s God, who reveals himself in the lawful harmony of all that exists, but not in a God who concerns himself with the fate and the doings of mankindfonte: biografia chamada “Einstein: His Life and Universe” do Walter Isaacson

        p.s.: Até onde tenho conhecimento não existe declarações do mesmo sobre a teoria da evolução. Então é no mínimo falacioso dizer que é “indevidamente insinuado como evolucionista”.

  • Magnífica a frase de Hermann Muller ¨ Tão grandiosa……própria existência ¨. Por outro lado achei no mínimo estranha a declaração da NAS dos EUA : ¨…profunda influência na biologia moderna…¨. Profunda influência ? Simplesmente ? Quer dizer então que… Não, não quero crer naquilo que estou pensando. Deve ter sido uma falha de interpretação de minha parte. Sim, deve ter sido isto. De qualquer modo parabéns Eduardo pela sua iniciativa e pelo texto conciso sobre praticamente todos os aspectos relevantes para a discussão do tema.

  • Excelente dossiê, Daniel. Deve ajudar muita gente a “cair na real” e outros a juntar argumentos para resistir à onda criacionista. Parabéns, ficou ótimo!


  • Para exemplificar, cientistas constataram que ratos e humanos tem aproximadamente 30.000 genes, mas apenas 300 são únicos em cada organismo. Como o rato, nós temos o gene para ter uma calda, mas em nós ele está desativado. “
    .

    Por favor, consertem esse trecho. “Calda”, com L, é o que a gente coloca no pêssego enlatado, pra significar rabo é “cauda”, com U.

  • Michael J. Benton, em seu livro, História
    da vida, na página 10, diz: “Ninguém sabe a proporção de vida que terminou
    fossilizada, mas é sem dúvida uma fração minúscula, muito menos de 1%.”, e
    na página 14, Benton diz: “De fato, pouco mudou em nosso conhecimento sobre os
    registros fósseis desde a época de Darwin”. Basear uma tese, tão ousada e
    abrangente, como a teoria da evolução em dados tão insignificantes, é abrir
    espaço para criticas e desconfiança. Talvez, a maioria da comunidade cientifica
    aceite [não sem reservas] a te e, sobretudo, não a questione [não raro, com
    medo de serem ridicularizados]. No entanto, há inúmeros cientistas que se opõem
    a aceitar a te como explicação para tudo.
    Ademais, ao se
    arvorar a explicar tudo, a te, corre o risco de não poder negar nada.

    Se só menos de 1% dos da vida terminou
    fossilizada, como a te poderia negar a existência de unicórnios ou dragões?
    Desse modo, unicórnios e dragões são uma [real] possibilidade no enorme
    universo de espécies que já não existem mais. Ou não?  Não se trata
    aí [menos de 1%] de lacunas fósseis, mas de total ausência de fósseis para se
    embasar toda uma mitologia darwiniana. Como diz Russel a respeito do bule
    voador, eu diria que existe um unicórnio no meio desses 99% de vida não
    fossilizada.

    Nessa estória da te, o que realmente me
    incomoda, são todas as assertivas – [dignas do mais brilhante autor de ficção
    cientifica] que os evolucionistas fazem da origem das espécies e, sobretudo, da
    vida na terra, grosso modo, especulando sobre bilhões de anos quando, nós,
    seres humanos, ainda temos dificuldade para saber, de fato, o que ocorreu há míseros
    5000 anos.  Com efeito, a te é explicação para a organização das
    espécies vivas. E nisso ela é irretocável.

    Lynn Margulis, diz sobre o neodarwinismo: “(…)
    pequena seita religiosa do século XX, dentro da fé religiosa geral da biologia
    anglo-saxônica” e pergunta se alguém algum exemplo de formação de uma nova
    espécie pelo acúmulo de mutações. Margulis é uma evolucionista, sem dúvida, mas
    como Stephen Jay Gould – dentre muitos – ela destoa do fundamentalismo de um
    Dawkins. Até ateus veem com reserva o uso da te como explicação para tudo. Raymmond
    Tallis, intelectual britânico e ateu diz: “É a crença de que Darwin não apenas explica como o organismo do h***
    sapiens se transformou no que é hoje — o que certamente ele faz—, mas que
    explica também como somos e agimos atualmente. Há muitas pessoas que acham que,
    por causa de Darwin, temos que negar um abismo imenso que existe entre nós e
    outros animais. Isso está ligado à neuromania. Se você acredita que a mente é
    idêntica às ondas cerebrais e acredita que o cérebro é um órgão que evoluiu,
    então, certamente, acreditará que o nosso modo pensar é apenas moldado pelo
    evolucionismo. Nossas ações e a forma como agimos, tudo seria a respeito de
    simplesmente maximizar a passagem de nosso código genético e nada mais. Isso
    coloca em risco a própria noção de livre arbítrio.” 

    • ”como a te poderia negar a existência de unicórnios ou dragões?”

      A teoria da evolução, pelo poquíssimo que sei, não tem como objetivo negar a existência de nenhuma forma de vida.

      ”Ninguém sabe a proporção de vida que terminoufossilizada, mas é sem dúvida uma fração minúscula, muito menos de 1%.”

      Dizendo isso parece que você infere que todo conhecimento e provas em que a teoria da evolução está baseado vem de fósseis.O que não é verdade, existem observações atuais que corroboram a teoria.Sinto que preciso frizar que a teoria da evolução pode estar profundamente errada quanto a afetar todos os modos  de vida, mas o que a teoria prediz se observa na formas de vidas observadas.

       ”Se você acredita que a mente éidêntica às ondas cerebrais e acredita que o cérebro é um órgão que evoluiu,então, certamente, acreditará que o nosso modo pensar é apenas moldado peloevolucionismo. Nossas ações e a forma como agimos, tudo seria a respeito desimplesmente maximizar a passagem de nosso código genético e nada mais. Issocoloca em risco a própria noção de livre arbítrio.” 

      Aqui acho que se perdeu completamente (ou eu).O que tenho a acrescentar é que a Evolução, mais precisamente a noção de que estamos aqui somente para procriar, não limita o ”livre arbítrio” ( o que é isso, afinal?). Simplesmente, se você nao quizer  não procrie, mas saiba que a sua influência no futuro da(s) espécie(s) será menor, geneticamente falando. 

      Por fim, percebi que queria que víssemos a teoria da evolução de forma mais cética, pois, óbviamente, ela pode explicar pouco da realidade, ou estar errada sobre tudo.Entendo e concordo que o ceticismo é necessário, contudo, a Evolução, baseado em todas as suas eviências, é simplesmente e APENAS, a melhor ‘teoria’ que explica a diversidade da vida na terra, por enquanto.

  • Eu tenho uma dúvida acerca do surgimento da vida. 
    O surgimento dela não contraria a Lei da Entropia, uma vez que temos um estado desorganizado que passa a se organizar ?

    • AlexRodriguesdoNascimento

      Oi Lucas,

      recomendo os textos abaixo para que vc reflita sobre sua dúvida:

      Termodinânima e Evolução
      Caos, Complexidade e Evolução

      2012/5/11 Disqus

  • Vinícius

    “A
    teoria da evolução, pelo poquíssimo que sei, não tem como
    objetivo negar a existência de nenhuma forma de vida.”

    E
    nem pode negar. Posto que a te não
    conhece a origem das espécies ou mesmo quais foram as espécies
    extintas

    “Dizendo
    isso parece que você infere que todo conhecimento e provas em
    que a teoria da evolução está baseado vem de fósseis.O que não é
    verdade, existem observações atuais que corroboram a teoria.Sinto
    que preciso frizar que a teoria da evolução pode estar
    profundamente errada quanto a afetar todos os modos 
    de vida, mas o que a teoria prediz se observa na formas de vidas
    observadas.”

    Não
    há nenhuma observação que sustente especulações sobre fatos que
    ocorreram há bilhões da anos. Nesse sentido, a te, pode falar o que
    quiser. Como diz Dawkins, a te, se dá ao longo de milhares ou
    milhões de anos ou até bilhões de anos. Isto é, é impossível
    comprovar qualquer assertiva evolutiva – ninguém estava vivo antes
    e ninguém estará vivo depois. Em razão disso, se você disser que
    a te é a teoria da organização das espécies vivas eu nunca me
    oporia. Ademais, em bilhões de anos, a “cena do crime” já foi alterada milhares de vezes e o pessoal do CSI evolutiva não tem elementos para embasar nada.

    Prezado,
    grosso modo, não há ciência sem ideologia. O calcanhar de Aquiles
    do ateísmo é a te. Dawkins
    afirmou no seu livro ‘O relojoeiro cego’ que antes de Darwin era até
    possível ser ateu, mas que depois de Darwin é possível ser um ateu
    realizado. Darwinismo e ateísmo, hoje em dia, se confundem, isto é,
    grande parte da ateologia cética está fundamentada em Darwin e na
    te. Ou seja, o Darwinismo, hoje me dia, mais do que ciência é
    ideologia ou ateologia. Após cerca de 150 anos, a te, está
    conceitualmente
    fragilizada e é critica por céticos/ateus e crentes. Inclusive no
    mundo da ciência. Boa parte da comunidade ateia, mundo afora, hoje
    em dia, percebe que essa dependência que o ateísmo tem com a
    te/darwinismo, e com a neurociência, é nociva. Raymmond Tallis,
    dentre muitos, em seu livro Aping Makind, alerta para esse
    reducionismo determinista.

    A
    te, com efeito, chegou ao início do século XXI, no entanto, não
    chegará ao século XXII como Darwin a concebeu e muito menos como
    Dawkins a entende. Isso não é teoria é realidade.

    Abs.

    • AlexRodriguesdoNascimento

      É um erro (e bem grosseiro, por sinal) atrelar qualquer conclusão sobre a existência de deuses ou do sobrenatural à Teoria da Evolução. Quem afirma que se tornou ateu por entender a Teoria da Evolução (e somente por isso) está sendo, no mínimo, ingênuo.

      A TE não diz absolutamente nada sobre a não existência de um criador, tanto é que há inúmeros exemplos de religiosos que a entendem e a aceitam sem problemas. O que a TE faz, e muito bem, é postular como que a diversidade de espécies pode ser explicada sem a necessidade obrigatória de intervenção divina.

      Em 11 de maio de 2012 11:43, Disqus escreveu:

      • Alex
        Acho que esse erro não é cometido por crentes ou religiosos. Dawkins, em “Deus um delírio”, usa a te como embasamento maior para sustentar seu fundamentalismo  ateísta. Isso em função de que, quando fala sobre religião ou filosofia, Dawkins, não consegue convencer com seus argumentos, não raro, primários.   Dawkins afirma, no seu livro “O relojoeiro cego”: “antes de Darwin era até possível ser ateu, mas, depois, de Darwin é possível ser um ateu realizado”. Ou seja, fica difícil separar o darwinismo da ateologia Dawkiniana e, consequentemente, do ateísmo. David Eagleman, em “Incógnito”, página após página, cita a a “máquina” humana pré-programada pela evolução.  

        Ateus, dissidentes da Dawkimania, hoje em dia, rejeitam essa dependência da neurociência e neodarwinismo e buscam outros caminhos.

        Abs.

        • AlexRodriguesdoNascimento

          Antonio,

          eu não disse que esse erro é cometido apenas por religiosos, tanto que afirmei textualmente que “*Quem afirma que se tornou ateu por entender a Teoria da Evolução (e somente por isso) está sendo, no mínimo, ingênuo*”.

          Em 11 de maio de 2012 12:36, Disqus escreveu:

        • “Ou seja, fica difícil separar o darwinismo da ateologia Dawkiniana e, consequentemente, do ateísmo.”

          Deve ter um nome pra esse tipo de falácia.  Entenda que cada ateu tem sua própria “ateologia”.  A ateologia de Dawkins não é, nem nunca será O ateísmo.

          A TE nunca se propôs negar a existência de um (ou mais) deus(es).  Pra quem acredita em deus, basta crer que a TE foi a forma que deus escolheu pra criar os seres vivos.

          • AlexRodriguesdoNascimento

            Eneida,

            acredito que a falácia presente na frase do Antonio que vc destacou seja uma falácia de composição.

            Em 11 de maio de 2012 16:37, Disqus escreveu:

      • Bruno_Moura

        Não diz nada a respeito a existência de um criador, mas certamente de um tipo de criador… talvez o único tipo de criador que faria sentido contemplarmos. Um tipo de criador que não veria razão em criar o mundo de modo que “parecesse” que foi por processos evolutivos e randômicos. Que tipo de criador onipotente faria algo tão sem sentido? Não seria alguém muito inteligente e de cara já seria uma criatura idiota demais para merecer nosso louvor.

  • Eneida

    Torço pelo Santos FC. Infelizmente, o Santos FC corre o risco de ter uma Neymar dependência. Do mesmo modo, em nível mundial, o ateísmo sofre, hoje em dia, de uma Dawkins dependência. Dawkins é hoje, sem dúvida, o garoto propaganda número 01 do neoateísmo. Todos o reverenciam. De Harris a Dennet, ou em qualquer o site ateu que você visite. Não entendo, como você, que cada ateu interpreta o ateísmo à sua maneira. O ateísmo, pós moderno, tem um fio condutor – a ciência. E, na ciência, duas linhas mestras de pensamento embasam o ceticismo/ateísmo pós moderno: Darwin/evolução, cujo porta voz é o Dawkins, e a neurociência, cujos MCs, dentre muitos, são: David Eagleman e agora Sam Harris que lança, seu mais recente livro, “Free Will”. É claro que há outras, entretanto, essas duas vertentes se destacam.

    Um outro dado do neoateísmo é a militância. Dawkins, no final de “Deus um delírio”, coloca o endereço de várias instituições ateias, mundo afora, para que os ateus se manifestem [ou protestem]. Ademais, nunca se escreveram tantos livros alardeando o ateísmo como atualmente.  Isso sem falar no número de sites e afins. Nesse sentido, o neoateísmo é uma ideologia e, como toda a ideologia, quer fazer seguidores e “fiéis”.

    Se a ideologia de Dawkins não é o ateísmo, eu perguntaria: qual foi o último trabalho ou tese cientifica que Dawkins publicou em revistas especializadas em ciência?

    A grande falácia do ateísmo, hoje em dia, é tentar convencer as pessoas de que ser ateu é a melhor opção e, sobretudo, de que a ciência tem todas as respostas que um individuo precisa/procura. Ou de que a “racionalidade” é a única forma de se preencher o vazio [de cada um] da existência.

    Em virtude disso, o ateísmo, acaba se confundindo com aquilo que mais abomina – a religião/teísmo. Ademais, a maior visibilidade alcançada pelo ceticismo/ateísmo, o coloca como vidraça e, não raro, suas incongruências são expostas. Às vezes, dentro da própria comunidade ateia.  

    Não tenho nada contra ateus. Minha mulher é ateia e, eu mesmo, estive ateu por um período de 10 anos – dos 17 até os 27. Durante esse período de 10 anos, ao invés de ler livros científicos [embora eu os tenha lido] que fundamentassem  meu ateísmo, para mim, era mais salutar ouvir “Bitches Brew” do Miles Davis, tentar comprar o disco branco dos Beatles [proibido à época], ver, no cinema, Amacord de Fellini 5 vezes ou ir às sessões de cinema de “arte” no Cinema 1 [em Santos] frequentar o Festival de música Nova do Gilberto Mendes para ouvir música contemporânea ao vivo  etc e etc.

    Não havia a necessidade de alardear meu “ateísmo”. Sou cristão. Não aprovo, todavia, os excessos que se cometem em nome do cristianismo evangélico: tele evangelismo, as igrejas ultra neoneoneopentescotais, Renascer ou Universal ou Mundial e coisas afins.

    Enfim, não há sustentação cientifica para nenhuma propositura ateia ou teísta. A ciência term seus limites e quando ela se arvora a dona da verdade, ela, ciência, vira  religião.

    Abs.

    • ”A grande falácia do ateísmo, hoje em dia, é tentar convencer as pessoas de que ser ateu é a melhor opção e, sobretudo, de que a ciência tem todas as respostas que um individuo precisa/procura. Ou de que a “racionalidade” é a única forma de se preencher o vazio [de cada um] da existência.”

      melhor opção em relação a que? 
      Ciência é um método, não um ditador de respostas.
       Não sei de que vazio você se refere.

      ”Enfim, não há sustentação cientifica para nenhuma propositura ateia ou teísta. A ciência term seus limites e quando ela se arvora a dona da verdade, ela, ciência, vira  religião.”

      Lá vamos nós em discussão filosófica-chata. A resposta mais próxima da verdade, baseada em nossos conhecimentos, para  a pergunta há deus? É : Não sei, CONTUDO, eu também não sei se há um bule voador na órbita de marte…, mas vivo como se ele não existisse.

      Se os cientistas buscam a verdade por meio de métodos baseado em evidências, observações… aonde está a religião nisso?

      ”Não havia a necessidade de alardear meu “ateísmo”.

       Bom pra você. Se alguém juga que deve ”alardear” a sua crença de que deus não exista, e daí? 

      Não entendi ainda qual o motivo de suas postagens.O que você quer Antonio? seja específico.Qual o problema de o ateísmo se espalhar?

      • Boa tarde Vinícius!

        O “Bule Voador” e as dezenas de sites ateístas, existentes hoje no Brasil, repercutem uma ideologia e, sobretudo, têm a ciência como escudo. E, não raro, almejam dar e ter respostas para tudo. Isso é uma realidade. Ademais, esses mesmos sites ateístas fazem julgamento de valor: ateísmo é bom e teísmo é ruim ou ateísmo é culto e teísmo é barbárie. Não acho que a te seja isenta de ideologia ou que tenha respostas teleológicas.

        O tema do tópico enaltece as qualidades da te e, eu, ao contrário, acho a te um amontoado de especulações sobre a origem das espécies que não apresenta evidências para as assertivas que apresenta.

        A te, creio eu, é, em todas as suas incongruências, sumarizada  por Dawkins quando em, “O relojoeiro cego”, na página 383, para justificar o fato de que só há menos de 1% de fósseis, ele, Dawkins, diz que é bom que não haja todas as informações fósseis. Segundo ele, seria muito “difícil” classificar as espécies.

        Talvez, Dawkins pense assim por que, caso houvesse registros fósseis completos, ele não poderia especular ou filosofar em suas divagações literárias sobre a te.

        Prezado, do mesmo modo que há um bule voador, em algum lugar do espaço há, igualmente, um unicórnio nas lacunas fósseis – tão apreciadas por Dawkins.

        Abs.  

        • Gabriel Rodrigues

          Ai você já distorce as palavras de Dawkins. A teoria da evolução é tão “teoria” quanto a teoria da gravidade. Teoria, em ciência, não quer dizer o mesmo que especulação.
          Não existem incongruências na TE, ela explica a diversificação das espécies de forma perfeita e, principalmente, verificável – como a matéria acima exemplifica.

          Quando Dawkins diz que é bom que não haja todas as informações fósseis, ele fica feliz sarcasticamente, pois se TODOS os animais fossem fossilizados, não haveria como chamar um determinado fóssil de “Homo Sapiens” ou “Homo Erectus”, já que tal fóssil seria um intermediário, o que complicaria um pouco o sistema de nomenclatura das espécies e o trabalho dos taxonomistas – o que não atrapalharia em nada a TE.

          Mesmo que houvessem ZERO fósseis, a TE ainda assim continuaria sendo uma teoria sólida e perfeita, apenas demoraria mais para ter sido descoberta.

          Quanto ao resto de seus argumentos, não sei que evidências ainda estão faltando para que você a aceite. Fósseis transicionais? Eles existem aos montes. Espécies transicionais? Posso citar alguns exemplos. Evidências da evolução acontecendo? Posso citar vários exemplos (o exemplo clássico sendo o da mariposa que mudou de cor devido à revolução industrial).
          Além disso existem evidências (leia-se: provas) da TE no DNA de todos os seres vivos (sem exceções – sério, foram encontradas zero exceções) da evolução das espécies.

          Se quiser embasar seus argumentos, cite as evidências contrárias à TE ou a falta de evidências ao seu favor. Aposto que não consegue encontrar nada sólido.

          • AlexRodriguesdoNascimento

            Olá Gabriel,

            aposto que, caso o Antonio responda seu questionamento, ele virá com todos aqueles argumentos batidos utilizados pelos defensores de bobagens como “design inteligente”… sabe aquela baboseira de “complexidade irredutível”, “violação da 2ª lei da termodinâmica”? acho que não passaria muito disso…

            Em 16 de maio de 2012 02:58, Disqus escreveu:

  • Boa tarde Gabriel!

    (…) Na extinção massiva que ocorreu no final do período permiano, há 225 milhões de anos, 96%  das espécies existentes foram extintas. Será que as espécies restantes, 4%, sobreviveram por que eram mais aptas? Gould, a respeito disso comenta: “e os sobreviventes podem simplesmente estar entre os 4% com mais sorte. (…) nossa atual gama de desenhos biológicos importantes podem não representar um conjunto de melhores adaptações, mas de afortunados sobreviventes”. (…) Fonte: “A evolução criativa das espécies” de Goswami.

    A te não é uma teoria verificável, em função dos furos. Em virtude disso, a te se assemelha mais a uma ideologia ou arremedo de filosofia. 

    Ademais, de onde surgiram as espécies/vida? Depois do fracasso de Miller, sem respostas, alguns evolucionistas até aventaram a hipótese da vida ter vindo do espaço/extraterrestre. Até Dawkins já sugeriu isso. Seria desespero?

    http://www.youtube.com/watch?v=fHLrC0AEYF8

    • Gabriel Rodrigues

      E os sobreviventes da extinção do permiano teriam de ser, a seu ver, de que forma(Lembre-se que toda teoria verificável deve fazer previsões – é isso que a torna verificável)?
      Será que, para a evolução ser considerada válida aos seus olhos, os 4% sobreviventes teriam de ser aqueles que se adaptaram ao impacto de asteroides gigantes? Esses eventos não são frequentes o suficiente para criar uma pressão evolutiva, e aqueles animais que porventura são mais resistentes a impactos de bólidos celestiais o fazem por outros motivos – caso contrário seriam penalizados por gastar recursos com uma eventualidade extremamente rara.
      Não sei como Goswami contradiz a TE com sua afirmação. De vez em quando, especies sobrevivem (e prosperam) simplesmente por ter “sorte” – a exemplo o fato de a Austrália ser ocupada por vários marsupiais – a muito tempo atrás, um marsupial sortudo, provavelmente a deriva agarrado em uma arvore, chegou até a Austrália e, na falta de predadores e na abundância de alimentos, prosperou, dando origem à várias espécies especializadas em preencher as lacunas deixadas pelos dinossauros (novamente, prova disso é que temos marsupiais na Austrália ocupando quase todos os nichos que mamíferos).
      Isso não é, nem de longe, um furo. As espécies com maiores chances de sobreviver (devido a seus hábitos, como por exemplo viver em cavernas ou embaixo da terra) sobreviveram. Algumas delas, mesmo com seu hábitos favoráveis, pereceram. Fazer o quê, não é todo dia que jogam uma rocha gigantesca a milhares de Km/h em nosso planeta.

      Ademais, a TE não se atreve a explicar a origem da vida na Terra, apenas as espécies. A teoria que você está procurando é a teoria da Abiogênese. Algumas teorias sugerem que a vida chegou aqui da mesma maneira que o resto da terra: via impactos de asteroides e cometas. Talvez em algum desses cometas existisse alguma bactéria extremófila extremamente simples que prosperou ao chegar no planeta terra (existem algumas evidências, como o fato de terem sido encontrados alguns aminoácidos em cometas).

      Quanto ao vídeo, Dawkins admite que é POSSÍVEL que a vida na terra tenha sido semeada por alguma outra civilização, o que não é tão fantasia assim – nossa tecnologia atual nos permite semear vida em marte se quisermos, por exemplo. Tal teoria é altamente improvável (já que não foi encontrada nenhuma evidência), e não exime essa outra civilização hipotética do processo evolutivo, nem explica como se deu o surgimento dessa outra espécie. Quanto a pergunta de “como surgiu a vida no universo”, as evidências apontam para o surgimento da primeira molécula capaz de se auto-replicar. Como surgiu essa molécula, por sua vez, ainda não sabemos. Foram feitos alguns avanços significativos nessa área na última década e, imagino, devemos estar perto de descobrir.

      Algum outro argumento?

  • Bom dia Gabriel!

    Usei, a meu favor, o argumento de que “96%” das espécies  pereceram na extinção do permiano. No entanto, como inferir, com acuidade, o que ocorreu há 225 milhões de anos? Posto que, não há como saber [dentre muitos outros fatores] o número real de espécies que já existiram e foram extintas. Sobretudo, como inferir a parte [96% ou 4%] se você não conhece o todo. 

    Na verdade, nem os evolucionistas, e ninguém mais, sabe  se foram os animais mais sortudos ou os que melhor se adaptaram ao impacto de asteroides gigantes que sobreviveram. Ademais, como explicar a surgimento, e diversidade, de espécies da explosão cambriana?

    “Ademais, a TE não se atreve a explicar a origem da vida na Terra, apenas as espécies”. E como desassociar as espécies da origem da vida?  

    Levar a origem da vida para o espaço, como você bem disse, não explica a origem da vida. Por outro lado, tentar explicar a origem da vida em função do aparecimento de uma “célula replicante”, dentre outras inferências, sugere afirmar que essa “célula replicante” tivesse “vontade” de se replicar e, sobretudo tivesse o “objetivo” de permanecer [ou sobreviver]. Ou seja, essa “célula replicante” seria uma célula teleológica. Ou não?

    Você pode até afirmar que essa “vontade” de se replicar não tenha partido da célula. No entanto, qual seria, então, a “motivação” para essa célula se replicar?

    Talvez os evolucionistas não percebam, mas mas do jeito que elaboram a tese da “célula replicante”, é dada, a essa célula, uma capacidade de ação volutiva. Vontade é o nome dado à capacidade de uma pessoa agir com intencionalidade definida. Como algo tão primitivo teria algo tão sofisticado?   E, sobretudo, essa “célula replicante” teria a capacidade de fazer julgamento de valor, isto é, ela “saberia” que sobreviver seria melhor.  

    Gosto de cinema. Tenho cerca de 450 DVDs cobrindo toda a história do cinema. Em especial dos meu diretores preferidos: Fellini, John Ford, Antonnioni, Capra, W. Allen etc. Esses diretores trabalham com um negócio chamado roteiro e para colocar em prática o roteiro eles, diretores, tem que ter atores, cenários, dinheiro etc. Sem isso não tem filme.
    Os teóricos da evolução criaram um roteiro, no entanto, esse roteiro não é factível. Faltam os atores – os fósseis – e, sobretudo, falta o cenário primitivo da terra.

    Abs.

    • AlexRodriguesdoNascimento

      *Antonio: “tentar explicar a origem da vida em função do aparecimento de uma “célula replicante”, dentre outras inferências, sugere afirmar que essa “célula replicante” tivesse “vontade” de se replicar e, sobretudo tivesse o “objetivo” de permanecer [ou sobreviver]. Ou seja, essa “célula replicante” seria uma célula teleológica. Ou não?”*

      *Antonio: “Você pode até afirmar que essa “vontade” de se replicar não tenha partido da célula. No entanto, qual seria, então, a “motivação” para essa célula se replicar?”*

      *Antonio: “Talvez os evolucionistas não percebam, mas mas do jeito que elaboram a tese da “célula replicante”, é dada, a essa célula, uma capacidade de ação volutiva. Vontade é o nome dado à capacidade de uma pessoa agir com intencionalidade definida. Como algo tão primitivo teria algo tão sofisticado? E, sobretudo, essa “célula replicante” teria a capacidade de fazer julgamento de valor, isto é, ela “saberia” que sobreviver seria melhor.”*

      Não, Antonio. É você quem está sugerindo coisas baseado em uma noção teleológica do mundo. É vc está afirmando que a existência de um replicador sugere uma vontade desse replicador. Uma molécula que começa a se replicar * pode* estar simplesmente sujeita a leis físico-químicas que levariam invevitavelmente a essa replicação caso outras condições sejam satisfeitas
      (existência dessa molécula, ambiente propício, reações químicas naturais,
      etc). Pela sua argumentação, vc teria que admitir que o decaimento
      radioativo é teleológico, que átomos de um deteminado tipo sabem que devem
      liberar prótons e neutrons para se tranformarem em atomos de um outro tipo.
      Completa baboseira sem sentido. Vc está tão confuso que sequer consegue
      estar errado.

      É importante esclarecer que isso (origem da vida por meio da origem das
      primeiras moléculas replicantes) são hipóteses, não certezas absolutas (e
      nenhum cientista sério afirmaria tal certeza no atual estágio de
      conhecimento).

      *Antonio: “E como desassociar as espécies da origem da vida? “*

      Novamente esclarecendo algo que vc parece se recusar a entender, a TE não
      diz absoutamente nada sobre a origem da vida na Terra ou onde quer que
      seja. O que a TE explica muito bem (obviamente com alguns espaços ainda não
      preenchidos no conhecimento, mas isso é comum a qualquer teoria científica
      séria) é que uma vez que haja vida, dada as condições necessárias, ocorrerá
      a evolução e o aparecimento de novas espécies a partir de ancestrais em
      comum. Claro que seria interessante ter uma hipótese sólida de como surgiu
      a vida na Terra, coisa que ainda não temos, porém a TE continua caminhando
      a despeito dessa lacuna. Em ciência nem sempre é necessário “saber” de
      absolutamente tudo e, principalmente, não é recomendado que se afirme que
      se “sabe” de tudo, coisa que cientistas sérios não costumam fazer. O fato é
      que uma teoria científica bem estabelecida não costuma cair por causa de
      suas lacunas, uma vez que nossas próprias limitações sensitivas e
      intelectuais podem estar na gênese dessas lacunas; uma teoria científica,
      por outro lado, provavelmente cairá caso seja refutada, coisa que
      cirancionistas e o pessoal do autodeclarado “design inteligente” não
      consegue fazer com a TE, apesar das constantes birrinhas.

      Em 18 de maio de 2012 11:11, Disqus escreveu:

      • Alex

        [[[Uma molécula que começa a se replicar * pode* estar simplesmente sujeita a leis físico-químicas que levariam invevitavelmente a essa replicação caso outras condições sejam satisfeitas (existência dessa molécula, ambiente propício, reações químicas naturais,etc).]]] 

        A molécula replicante é uma especulação. Como boa parte da tentativa evolucionista de explicar a origem das espécies.  Há ainda de se considerar as elaboradas interações de RNA/aminoácidos/enzimas/DNA que têm uma probabilidade ínfima de acontecer ao acaso. 

        Prezado, você mesmo se contradiz ao reconhecer que a tese de “moléculas replicantes” é furada: (…) É importante esclarecer que isso (origem da vida por meio da origem das primeiras moléculas replicantes) são hipóteses, não certezas absolutas (e nenhum cientista sério afirmaria tal certeza no atual estágio de
        conhecimento).” (…)
        [[[Novamente esclarecendo algo que vc parece se recusar a entender, a TE nãodiz absoutamente nada sobre a origem da vida na Terra ou onde quer queseja. O que a TE explica muito bem (obviamente com alguns espaços ainda nãopreenchidos no conhecimento, mas isso é comum a qualquer teoria científicaséria) é que uma vez que haja vida, dada as condições necessárias, ocorreráa evolução e o aparecimento de novas espécies a partir de ancestrais emcomum.]]] 

        Ninguém jamais viu uma especiação. E jamais verá. Ninguém vive milhões de anos. A te quer inferir o passado a partir do presente. Isto é, por meio das frágeis evidências que se conseguiu garimpar, para embasamento da te, pretende-se deduzir todo uma mapa de espécies que supostamente tenha surgido pela seleção natural. 

        A te tem um pouco de Nações Unidas: todo mundo fala e ninguém se entende.

        (…) “Todos os cientistas concordam que a evolução ocorreu… A questão é, a seleção natural é suficiente bastante para explicar a evolução? … Este é o problema que eu tenho com os neodarwinistas: Eles ensinam que a geração de novidade é o acúmulo de mutações aleatórias no DNA, numa direção estabelecida pela seleção natural… A seleção natural elimina, e talvez mantenha, mas ela não cria. …Eu fui ensinada muitas vezes que o acúmulo de mutações aleatórias resultava em mudança evolucionária — resultava em novas espécies. Eu acreditei nisso, até que eu procurei pela evidência. … Não existe gradualismo no registro fóssil… O ‘equilíbrio pontuado’ foi inventado para descrever a discontinuidade… Os críticos, inclusive os críticos criacionistas, estão certos em seu criticismo. Apenas que eles nada têm a oferecer a não ser o design inteligente ou ‘Deus fez.’ Eles não têm alternativas que sejam científicas. … Os biólogos evolucionistas acreditam que o padrão evolucionário é uma árvore. Não é. O padrão evolucionário é uma teia…”(…)

        Lynn Margulis, em entrevista para a revista DISCOVER. 

        Abs.

        • AlexRodriguesdoNascimento

          Antonio, eu não me contradigo, uma vez que estou reconhecendo que a resposta para a pergunta “Como surgiu a vida?” ainda não existe. Eu não afirmo que a hipótese das moléculas replicantes é “furada”, eu apenas disse que ela ainda é uma hipótese e que não sabemos se ela é realmente factível e, se for, se ela é a mais plausível.

          Parece-me que vc está tão acostumado a ter opiniões baseadas em uma suposta “verdade incontestável” que não consegue enxergar que como qualquer boa teoria científica a TE não se apoia em “verdades incontestáveis”, além de admitir que o conhecimento advindo de seu estudo ainda não está completo, o que não é, como argumentei, motivo suficiente para simplesmente descartá-la, pelo menos até que apareça uma teoria melhor, coisa que até hoje não existe.

          Óbvio que a TE está sujeita a críticas. Toda teoria científica deve estar sujeitas a críticas, caso contrário não seria uma teoria científica. Entretanto, isso não quer dizer que todas as críticas sejam pertinentes ou façam sentido, e também não quer dizer que determinadas críticas derrubem a teoria. E é isso que vc parece não entender.

          Existem toneladas de fósseis, isso ninguém que tenha um mínimo de honestidade intelectual pode negar. Dentre os fósseis que temos, há diversos casos em que é possível verificar um parentesco entre espécies diferentes (a maioria das quais já extintas) separadas temporalmente por
          milhões de anos, isso tampouco pode ser negado por quem tenha um mínimo de
          honestidade intelectual. A TE oferece uma explicação para isso, repetindo,
          uma explicação ainda incompleta, mas bem sólida e cooroborada por fontes
          diferentes. E o que acontece ao redor do mundo são trabalhos que cada vez
          mais lançam luzes nas lacunas existentes, revelando novas evidências onde
          antes havia mistério. Porém, para descartar a TE (que não ocorre somente
          pela seleção natural) é preciso que haja explicações melhores para algo
          reconhecido como um fato.

          Em 18 de maio de 2012 13:18, Disqus escreveu:

      • Gabriel Rodrigues

        Uma molécula auto-replicante não precisa ter “vontade” de se replicar. Pela simples razão de ser auto replicante, ela virá a dominar a terra. Moléculas que se replicam melhor vão surgir em maior número, e assim começa a evolução – algumas autoridades, inclusive, acreditam que a vida seja um processo químico natural, que ocorre sempre que existem as condições certas, e tempo suficiente.

        Como já mencionei, existem várias teorias da abiogênese, e cientistas estão trabalhando nelas – lembre-se que há alguns anos, a teoria das placas tectônicas, da gravidade, e até mesmo da terra redonda, eram apenas hipóteses. Hoje a teoria da evolução é teoria, e não hipótese. As hipóteses para o surgimento da vida na terra são apenas hipóteses, e precisam ser confirmadas para virarem teorias (é fácil de imaginar que isso é bem difícil, ainda mais com os cortes no orçamento da nasa).

        O RNA e DNA, igualmente, não precisam surgir “completos” – o livro de Dawkins “Climbing Mount Improbable” explica, de forma bem mais completa que qualquer coisa que eu possa escrever nesse curto espaço, como o processo evolutivo consegue alcançar grandes feitos, como o olho – extrapole para o RNA e você terá sua resposta.

        Quanto à questão da especiação, cuidado com a armadilha da mente absolutista! Quando uma espécie se “divide” em duas, as duas são frequentemente muito similares, e é apenas mais tarde que poderiamos, em retrospecto, separa-las. Isso, por acaso, não é privilégio das espécies – muito tempo atrás, poderíamos dizer o mesmo de gêneros, famílias, ordems, classes – até mesmo filos. Os organismos que iriam dar origem aos seus respectivos filos, há muito tempo atrás, eram provavelmente muito similares, e um taxonomista precambriano provavelmente não os colocaria em filos diferentes.

        Os intermediários entre os cães e gatos estão extintos a muito tempo, por isso podemos definir as duas espécies. Se tivéssemos um registro fóssil 100% perfeito, não poderíamos dizer com absoluta certeza, de um determinado fóssil, se se trata de um cão ou de um gato.

        Ademais, separamos as raças em espécies quando indivíduos, em condições naturais, copulam apenas com indivíduos da mesma raça – de fato, esse é o próprio conceito de espécie. Sendo assim podemos, sim, ver a especiação em tempo “humano”.

        Por último, conforme já disse, não precisamos dos fósseis para provar a teoria da evolução. Se 0% dos indivíduos fossilizassem, ainda teríamos técnicas moleculares e embriológicas.

        Por favor, continue enviando seus argumentos – espero estar conseguindo provar que a teoria da evolução não tem tantos furos quanto você imagina.

        p.s.: Esse sistema de comentários fora de ordem confunde muito…

        • Boa noite Gabriel!

          Quanto a moléculas auto replicantes, você mesmo disse, elas precisam ser confirmadas.

          Creio que não haja nenhuma teoria ou hipótese que explique o surgimento da vida no planeta. E, ao contrário do que o Alex pensa, não é possível ter uma mapa das espécies, em especial se você não tem todos os elementos, isto é, evidências concretas [fósseis e afins] do que já houve um dia.

          As técnicas moleculares [corrija-me se eu estiver errado] funcionam a partir de elementos que nos foram deixados na natureza desde os primórdios da vida na terra. Ou seja, fósseis e afins. Entretanto, esses elementos não são um mapa perfeito de tudo que já houve. Logo, qualquer resultado será [sempre] inconclusivo.

          Os evolucionistas tem um dilema – montar um quebra cabeças sem as peças. A “cena do crime” dos primórdios do planeta terra é incompleta ou inexistente e, sobretudo, não há como reconstitui-la em laboratório.

          Prezado, como cristão sou curioso e critico. E isso afastou-me da religião/igreja por 10 anos. Ainda hoje, mantenho esse espírito de curiosidade e pesquisa em relação àquilo que acredito. Acho que o problema dos evolucionistas, é terem a pretensão de tudo explicar por meio da teoria da evolução – isso à revelia das inconsistências da teoria. 

          Se você tivesse 100 % dos fósseis, você levaria mais tempo para chegar à conclusão de que não se trata de um gato e sim de um cão ou que um cão não é um gato. Talvez anos ou décadas ou séculos. No entanto, todas as lacunas seriam preenchidas. Na verdade, a inexistência de fósseis dão aos evolucionistas a possibilidade de divagar  e nada explicar e, sobretudo, postergar dados conclusivos para um futuro incerto e desconhecido.

          A te tem muito a ver com a Nouvelle Vague francesa ou com o Cinema Novo/Glauber, no Brasil. “Uma camera na mão e uma ideia na cabeça”, e você sai por aí filmando, alterando e improvisando o roteiro do filme a toda hora. É mais ou menos como os evolucionistas fazem ao, sempre, reinventarem a te ao sabor das criticas. 

          Raymmond Tallis, escritor francês e ateu, chama os evolucionistas de “darwinetes” por eles, evolucionistas, tentarem explicar  todas as complexidades do ser humano por meio da evolução. A te, em seus 150 anos, já não é mais unanimidade no meio cientifico ou entre  ateus. Será que a te chega aos século XXII?

          Abs. 
            

  • Gabriel Rodrigues

    Antonio, quanto as moléculas replicantes, elas não existem mais. Mesmo que elas surjam a cada segundo, são prontamente consumidas por bactérias e outros seres. Não é mais possível uma “segunda” árvore da evolução, com sistemas separados. Alguns conjecturam que pode ter existido mais de uma molécula replicante no começo, mas não podemos saber até conhecermos as condições que deram origem a vida. Os cientistas estão trabalhando nisso desde o século passado, e já tem alguns resultados para mostrar. Recomendo que leia sobre abiogênese se quiser saber mais sobre o assunto, já que isso é fora do escopo da evolução.

    Quanto às técnicas moleculares, mais ou menos… sim porque são realmente os mesmos átomos, não porque a técnica não utiliza os átomos, mas sim uma triangulação com base no drift do DNA de espécies similares. A teoria é um pouco mais complexa do que posso descrever aqui, mas dê uma olhada em relógios moleculares.

    A técnica que você deve estar pensando é a de datação radiométrica, essa sim utiliza átomos, mas ela é bem precisa, principalmente a do carbono 14 (que inclusive denunciou que o “santo” sudário não veio de jesus, pois era medieval) – o carbono utilizado é constantemente renovado na atmosfera, mas os organismos mortos, que não fazem parte mais da cadeia alimentar, não fixam mais o carbono da atmosfera, e portanto não tem como conseguir mais carbono 14 – utilizando a meia-vida desse elemento e comparando com o que deveria ser (tomando como base a proporção atmosférica normal, que é constante), conseguimos chegar a uma data com pouca margem de erro.

    Quanto a exigir evidências perfeitas… ai o problema surge de um profundo desconhecimento de como a ciência funciona. Nunca teremos nenhuma evidência ou teoria 100% comprovada – provas do tipo só são possíveis na matemática, e mesmo assim raramente se aplicam ao mundo real (por exemplo, o “cara ou coroa” na vida real não tem 50% de chance para cada face da moeda, mesmo que ela fosse perfeitamente balanceada. Depende, dentre outras coisas, da face virada para cima na hora de atirar a moeda).

    Se você quer que as teorias científicas não sejam propostas por “divagações” e “conjecturas” (na prática é bem mais fundamentado do que isso – leia qualquer artigo científico de porte acadêmico), mas mesmo assim tenham 100% de precisão, vai ter que procurar outro método (dica: a religião não é um deles).

  • Aolacedanhey Zirisgleibe Auche

    “A teoria gravitacional de Einstein substituiu a de Newton”…
    Só uma pequena correção, a relatividade geral de Einstein não “substitui” as leis gravitacionais de Newton, apenas amplia sua aplicação. A Lei da Gravitação Universal de Newton não foi alterada, apenas sua aplicação que foi “ampliada” para “coisas sem massa” como por exemplo, a luz.