Bule Voador

ÁGORA… e sempre – a História se repete

Autora: Åsa Heuser

O filme ÁGORA (Mod Producciones, 2009), que conta a história de Hipácia de Alexandria, também retrata a ascenção do cristianismo na época, e a destruição da Biblioteca de Alexandria. A história é contada do ponto de vista dos não-cristãos e dos que cultuavam os antigos deuses, inclusive mostra um sincretismo entre a religião grega e egípcia. Os neo-cristãos é que não compartilham dessa tolerância e partem para o desrespeito aos deuses dos outros, arrogantemente. São retratados no filme como uma turba de vândalos, depredando as estátuas e imagens do que eles consideram idolatria, culminando com a invasão e destruição da Biblioteca, sem se importar com o fato de ali haver obras únicas e insubstituíveis. Vendo o filme surge na mente a pergunta, “como foi possível chegar a esse ponto?” Aqui cabe inclusive uma análise sociológica para o fenômeno.

Quem eram as pessoas que se convertiam ao cristianismo na época? Eram os pobres, desassistidos, desamparados, desesperados. Quem é que não valoriza o conhecimento e as artes? Aqueles que não têm acesso a eles, ou se beneficiam com eles.

Em certo momento os não-cristãos resolvem agir de forma violenta contra os cristãos, mas percebem tarde demais que o movimento havia crescido enormemente e que já não havia mais como reverter a situação.

Assistindo ao filme, não pude deixar de traçar alguns paralelos com a época atual, porque a natureza humana permanece basicamente a mesma, e as pessoas tendem a repetir a história, principalmente quando a desconhecem.

E hoje em dia, quem é que vemos se converter às religiões neopentecostais, aquelas igrejas que prometem prosperidade aqui e AGORA? A maioria são os pobres, desassistidos, desamparados, desesperados.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Soube que o filme foi proibido em vários países, inclusive Espanha, por bater forte na religião e na Igreja Católica. Mais um bom motivo para assisti-lo.

 

Algumas informações sobre Hipácia na Wikipédia.