Bule Voador

A Epistemologia do Espírito Santo de William Lane Craig

Autor: Michael Martin
Fonte: Secular Web (1998)
Tradução: Eli Vieira

William Lane Craig

Em Reasonable Faith [“Fé razoável”], William Lane Craig faz uma distinção marcada entre saber que Deus existe e ter a capacidade de mostrar isso. Ele afirma que se sabe que o cristianismo é verdadeiro “pelo testemunho autoconfirmador do Espírito Santo de Deus”.[1] Pode-se mostrar que Deus existe, que Jesus é seu Filho, e que outras alegadas doutrinas teológicas cristãs são verdadeiras através da pura argumentação. Neste artigo, não me preocuparei em mostrar se esta distinção é viável ou se Craig mostrou que as doutrinas teológicas cristãs são verdadeiras através de argumento.[2] Em vez disso, vou me concentrar nos problemas epistemológicos conectados à alegação de Craig de que pode-se saber que o cristianismo é verdadeiro pelo testemunho autoconfirmador do Espírito Santo de Deus.

Eu argumentarei que Craig fracassa em esclarecer o que é uma experiência com o Espírito Santo e não justifica sua tese de que esta experiência é universal, verídica, e inequívoca. Defenderei ainda que, mesmo se sua posição é aceita, sua alegação de que os descrentes não têm desculpa para descrer deve ser rejeitada ao menos que se assuma que todas as crenças são ações, e que ele não dá razão alguma para aceitar este pressuposto.

A. A Teoria de Craig Explicada

O apelo que Craig faz a um conhecimento direto do Espírito Santo por todos os seres humanos desempenha um papel importante em sua defesa do cristianismo. Combinado a seu pressuposto de que a crença é uma ação sob o controle voluntário, [o apelo] permite a ele culpar os ateus por não acreditar em Deus mesmo quando eles se deparam com argumentos teístas insensatos e quando têm argumentos persuasivos pela inexistência de Deus. Se uma cética faz oposição a argumentos teístas, Craig pode sempre alegar que ela está apenas sendo teimosa e que ela sabe em seu coração que Deus existe. A pressuposição da perversidade humana também permite a Craig defender-se de objeções a seus próprios argumentos. Permite-lhe alegar sem argumento que os humanos sabem em seus corações que Deus existe, mas teimosamente se recusam a admiti-lo. Além disso, permite a Craig alegar que a perversidade humana os induz a rejeitar seus argumentos para a existência de Deus. Obviamente, a estratégia de Craig pode ter grande força retórica. A questão é se há nela qualquer mérito lógico ou filosófico.

O Espírito Santo

Por uma ‘experiência autoconfirmadora do Espírito Santo’, Craig quer dizer uma experiência que é verídica e inequívoca para “aquele que a tem” (p. 32), embora seja “não necessariamente irresistível ou indubitável” (pp. 31-32). Tal experiência não funciona, diz ele, como uma premissa num argumento a partir da experiência religiosa da existência de Deus. Embora argumentos e evidências possam ser usados para apoiar a fé de um crente, eles nunca são a base dessa fé. Em vez disso, a base é a experiência imediata com o próprio Deus. Craig afirma, entretanto, que “em certos contextos” esta experiência com o Espírito Santo implicará a percepção de verdades básicas da religião cristã tais como “Cristo vive em mim” e “sou condenado por Deus”.

Embora Craig não o diga tão explicitamente, ele assume que a experiência com o Espírito Santo é universal. Esta suposição torna-se clara em sua visão segundo a qual embora os descrentes tenham tido a experiência com o Espírito Santo, eles a rejeitaram. De acordo com Craig, o Espírito Santo “culpa o descrente por seu próprio pecado, de arrogância diante de Deus, e de sua própria condenação diante de Deus. Pode-se dizer, então, que o descrente assim culpado sabe de tais verdades, como “Deus existe”, “sou culpado diante de Deus”, e assim por diante” (p. 35). Craig acredita que o homem natural deixado à própria sorte não viria a Deus, pois, embora Deus chame os seres humanos para si, algumas pessoas ignoram-no e rejeitam-no. Porém, os descrentes que recebem argumentos ruins para a existência de Deus ou rejeitam Deus por causa desses argumentos ruins não têm desculpa para não acreditar:

“Suponha que alguém tenha sido convidado a crer em Deus por causa de um argumento inválido. Poderia ele estar diante de Deus no dia do juízo final e dizer, “Deus, esses cristãos me deram apenas argumentos porcos para acreditar em ti. É por isso que não acreditei”? É claro que não! A Bíblia diz que todos os homens são indesculpáveis. Mesmo aqueles que não receberam boas razões para acreditar e muitas razões persuasivas para descrer não têm desculpa, porque a razão última pela qual eles não acreditam é que eles deliberadamente rejeitaram o Espírito Santo de Deus.” (p. 37)

Craig afirma que embora os descrentes tenham rejeitado o Espírito Santo, os cristãos devem usar evidências e argumentos para convencê-los, e defende que às vezes eles podem ser convertidos. Contudo, ele acrescenta, “não podemos fazer alguém entrar no reino de Deus através da argumentação. A conversão é exclusivamente o papel do Espírito Santo. Mas o Espírito Santo pode usar nossos argumentos para chamar pessoas para si (p. 47)”. Se um apologista não tem sucesso em converter pessoas pelo argumento, isso não é culpa de Deus. Significa que o apologista é um apologista ruim, ou que o descrente se recusa, de forma perversa, a aceitar uma premissa do argumento do apologista. De fato, os descrentes podem adotar alguma “hipótese esquisita”, por exemplo, de que o Universo veio a existir sem causa a partir do nada em vez de aceitar um argumento que prova que Deus existe (p. 45).

B. A Teoria de Craig Avaliada

No que se segue eu mostrarei que Craig fracassa em tornar claro o que é uma experiência com o Espírito Santo e que não justifica sua tese de que essa experiência é universal, verídica e inequívoca. Além disso, para firmar sua ideia ele deve assumir que todas as crenças são ações. Contudo, Craig não nos dá razão para supor que todas as crenças são ações. E ainda, a suposição de que as crenças dos descrentes estão sob seu controle gera mistérios profundos que indicam sua implausibilidade: a ação dos descrentes fica inexplicavelmente irracional e as razões para a distribuição geográfica e temporal da crença cristã tornam-se um enigma.

1. A natureza não especificada da experiência

Para avaliar a opinião de Craig é importante saber precisamente o que ele quer dizer com “a experiência com o Espírito Santo”. Mas, infelizmente, ele não oferece explicação alguma para essa expressão. É uma experiência mística na qual a consciência comum é substituída por uma consciência especial de unidade com Deus? Ou é uma visão talvez similar àquela de anjos ou Jesus, que poderia ser descrita como perceptual? É meramente o sentimento de estar na presença de um ser sagrado em particular? Poderia ser uma coisa ou outra dependendo das circunstâncias? Craig não responde essas questões. Uma vez que, no entanto, ter uma experiência com o Espírito Santo diferiria presumivelmente em conteúdo das experiências religiosas de não teístas tais como os budistas e mesmo daquelas dos teístas não cristãos como os judeus e os muçulmanos, nem toda experiência religiosa seria considerada uma experiência com o Espírito Santo.

2. A alegada natureza universal da experiência

Qualquer que seja sua natureza exata, Craig assume que todos os seres humanos têm a experiência com o Espírito Santo. Este pressuposto generalizante presumivelmente inclui todos os não teístas através das eras. Se é a intenção que inclua também bebês que morrem prematuramente e pessoas com retardo mental severo que não podem pensar ou raciocionar, não está claro. Mas mesmo se a tese de Craig não inclui tais pessoas, ela é dúbia.

Não há, em absoluto, razão alguma para supor que todas as pessoas, excluindo bebês e pessoas com retardo mental, tiveram uma experiência com o Espírito Santo. Garante-se que pessoas em várias tradições religiosas relataram ter tido experiências religiosas. Se essas experiências são verídicas ou não é em si uma pergunta difícil. [3] Mas, verídicas ou não, não há razão para pensar que mesmo todos os cristãos devotos tenham experimentado o Espírito Santo, muito menos [para pensar] que todos os não cristãos o tenham feito.

Para aceitar a tese de Craig, deve-se acreditar numa hipótese ultrajante e esquisita: que bilhões de pessoas agora e no passado não estavam dizendo a verdade quando alegaram que elas nunca tiveram tal experiência. Craig reclama que os ateus insistem em assumir a hipótese esquisita de que o Universo veio a existir sem causa, a partir do nada, para evitar a conclusão do Argumento Cosmológico. Todavia, os ateus podem ao menos usar várias teorias cosmológicas e argumentos para apoiar a teoria controversa deles. [4] Craig não pode apontar para nada exceto algumas passagens questionáveis das Escrituras para apoiar sua tese de que todos os seres humanos experimentaram o Espírito Santo. [5]

3. A alegada natureza verídica e inequívoca da experiência

Craig não nos dá motivos para supor que as experiências das pessoas com o Espírito Santo são verídicas. [6] Certamente, elas podem parecer ser verídicas para aqueles que as têm. Entretanto, parecer verídico não diz nada sobre a verdadeira natureza da experiência. De fato, dizer que tais experiências são autoconfirmadoras é uma petição de princípio. Como as pessoas têm todo tipo de experiências que parecem verdadeiras para elas mas não são, compete a Craig explicar por que a experiência com o Espírito Santo é diferente. Ele falha em fazer isso.

O mesmo pode ser dito sobre a natureza supostamente inequívoca da experiência com o Espírito Santo. Craig não fornece motivo algum para o porquê de não haver equívoco. Afinal, é possível equivocar-se nas experiências comuns. Por que esta experiência em particular seria diferente? Se alguém pode se enganar ao descrever a experiência de algo vermelho cometendo o equívoco de chamar de azul, por que ninguém poderia se enganar ao descrever a experiência com o Espírito Santo? Imagine uma mulher africana vivendo no século X, que não conhece o cristianismo mas teve uma experiência genuína com o Espírito Santo. Dados os repertórios conceituais e linguísticos dela, seria impossível para ela descrever sua experiência em termos e conceitos cristãos. Ela naturalmente descreveria sua experiência em termos familiares para ela, e, por hipótese, ela estaria errada.

Além disso, por causa de falta de atenção ou foco ou pela complexidade da experiência, pode-se ter uma crença equivocada sobre o que se está experimentando. Assim, por exemplo, uma pessoa que tem a experiência de uma figura com 31 lados pode acreditar incorretamente que está experimentando uma figura com 32 lados. De uma forma similar, um monge budista que possua o aparato linguístico e conceitual para tecer uma descrição correta pode confundir sua experiência com o Espírito Santo com a experiência do Nirvana se essas duas experiências forem muito similares em conteúdo.

Neste ponto, Craig diz que a experiência com o Espírito Santo não é necessariamente indubitável, mas não explica a diferença entre ser “inequívoco” e ser “indubitável”. Como em um sentido óbvio significam a mesma coisa, sem esclarecimentos adicionais a tese de Craig é à primeira vista incoerente. Prima facie ele não pode alegar que a experiência com o Espírito Santo é inequívoca e ainda sim não indubitável.

4. O pressuposto sem base do voluntarismo doxástico forte

Assumamos agora, por causa do argumento, que a experiência com o Espírito Santo é de fato universal e verídica e inequívoca. A maior tese de Craig, a saber, de que os descrentes não têm desculpa para sua descrença, não é, deste modo, justificada. Afinal algumas pessoas, por exemplo por causa de um bloqueio psicológico, são capazes de acreditar que algo é verdade mesmo diante de evidências inequívocas [do contrário]. Talvez, entretanto, Craig assuma que aquilo no que uma pessoa acredita é uma questão de escolha; em outras palavras, essa crença é uma ação em vez de algo além do controle voluntário. Assim, ele pode supor que quando confrontados com a experiência com o Espírito Santo, aqueles que não acreditam escolheram não acreditar. Esta suposição pode permitir-lhe argumentar que ninguém tem uma desculpa para não acreditar no que poderia acreditar se assim decidisse.

Chamarei a posição de que a crença é sempre uma questão de escolha de voluntarismo doxástico forte. [7] Não há razão para supor que o voluntarismo doxástico forte é verdadeiro, mas não é necessário ir ao extremo oposto e adotar o involuntarismo doxástico forte – a posição de que a crença nunca é uma questão de escolha. Uma posição mais moderada é possível, ou seja, que se a crença é um questão de escolha ou não é relativo à crença e à pessoa. [8] De fato, parece haver boas evidências baseadas em relatos pessoais que muitas pessoas são incapazes de acreditar em algo por um ato de vontade. Craig tem de rejeitar esta evidência e basear sua tese em dogma.

5. A natureza irracional e distribuição inexplicáveis da crença

Quando o voluntarismo doxástico forte é combinado à tese de Craig de que todos tiveram uma experiência com o Espírito Santo, dois mistérios são gerados. O primeiro é que bilhões de seres humanos foram e continuam a ser irracionais. Pois Craig assume que os não cristãos perversamente rejeitam não apenas o que é manifesto e óbvio, mas o que é para sua vantagem eterna se aceito. Em outras palavras, ele assume não apenas que a descrença em relação ao cristianismo é uma ação em vez de algo além de nosso controle, mas que envolve o agente rejeitando sabidamente e irracionalmente o que traria sua salvação final. [9] É concebível que alguns seres humanos seriam tão irracionais, mas Craig precisa assumir muito mais. Como ele assume que todos têm uma experiência com o Espírito Santo, ele deve assumir que houve e ainda há bilhões de seres humanos que conscientemente causam sua própria danação eterna. Se tal irracionalismo em massa existisse mesmo, a razão para sua existência seria um mistério profundo que Craig não faz nenhuma tentativa de explicar.

A maioria da humanidade, segundo Craig.

O segundo mistério é a distribuição temporal e geográfica da crença cristã. Antes da ascensão do cristianismo ninguém aceitava o Deus cristão, embora, de acordo com Craig, todos tivessem uma experiência com o Espírito Santo. Mas então, deve-se assumir que antes da ascensão do cristianismo todos eram inexplicavelmente irracionais no sentido de que tiveram uma experiência com o Deus cristão, mas irracionalmente decidiram não acreditar. Além disso, desde a ascensão do cristianismo, o cristianismo concentrou-se em certas regiões geográficas. Assim, se Craig está correto, todos tiveram uma experiência com o Espírito Santo. Deve-se assumir, então, que as pessoas em certas regiões geográficas são mais irracionais que as pessoas das outras regiões. Entretanto, é difícil entender por que este deveria ser o caso e Craig nem mesmo tenta explicar por que deveria ser assim.

Conclusão

Ao apresentar uma epistemologia baseada no Espírito Santo, Craig não faz esforço para responder as críticas mais elementares à sua posição. Embora ele assuma que todo ser humano teve uma experiência com o Espírito Santo que é verídica e inequívoca, ele não fornece um esclarecimento do conteúdo dessa experiência nem qualquer razão para supor que suas alegações são verdadeiras. Além disso, mesmo se essas alegações fossem verdadeiras, sua opinião de que os descrentes não têm desculpa para descrer não tem base sem o pressuposto do voluntarismo doxástico forte. Mas Craig não dá razão para aceitar este pressuposto e deixa inexplicado por que bilhões de descrentes poderiam ser tão irracionais ao rejeitar Deus.

Notas

[1] William Lane Craig, Reasonable Faith (Wheaton, Ill: Crossway Books, 1994), pp. 31. Referências subsequentes a este livro foram colocadas no corpo do texto.

[2] Perguntas sérias podem ser levantadas sobre se as opiniões de Craig são coerentes. Por exemplo, como Jeffery Jay Lowder apontou em correspondência, a Epistemologia do Espírito Santo de Craig parece inconsistente com seu evidencialismo. Embora Craig, como um apologista evidencialista, deva discordar fundamentalmente da posição baseada em pressupostos [pressuposicionalismo], sua posição parece mais próxima àquela dos pressuposicionalistas. Considere a posição de Craig sobre o papel do argumento e da evidência:

“O uso magistral da razão ocorre quando a razão se eleva acima do evangelho como um magistrado e o julga com base no argumento e na evidência. O uso ministerial da razão ocorre quando a razão se submete ao evangelho e o serve. Apenas o uso ministerial da razão pode ser permitido. (…) Se um conflito surgir entre o testemunho do Espírito Santo para a verdade fundamental da fé cristã e crenças baseadas em argumento e evidência, então é o primeiro que deve prevalecer sobre as últimas, e não vice versa.” (p. 36)

Craig conclui que “o Espírito Santo nos ensina diretamente qual ensinamento realmente vem de Deus” (p. 37). Neste sentido, Craig soa como um pressuposicionalista, pois como explicam R. C. Sproul e colaboradores, “O testemunho do Espírito Santo está no coração do coração do pressuposicionalismo. O Espírito Santo é quem convence interiormente da verdade do Deus autocomprovado.” Vide R. C. Sproul, John Gerstner & Arthur Lindsley, Classical Apologetics: A Rational Defense of the Christian Faith and a Critique of Presuppositional Apologetics (Gand Rapids: Zondervan, 1984), p. 296.

A conclusão é que muitas das mesmas críticas que os apologistas evidencialistas fazem contra os pressuposicionalistas e sua doutrina do testemunho interior do Espírito Santo podem ser recrutadas contra a Epistemologia do Espírito Santo de Craig. Por exemplo, Craig assevera que “o Espírito Santo nos ensina diretamente qual ensinamento [p.ex. Bíblia, Corão ou o Baghavad-Gita] é mesmo de Deus” (p. 37). O que previne um não cristão de dizer “entendo. Meu livro sagrado está correto porque Deus disse para mim?” Se Craig responde que o não cristão está enganado porque Deus revelou realmente que a Bíblia é Sua palavra, como pode Craig responder ao não cristão que diz que, “se um conflito surgir entre o testemunho do meu deus para a verdade fundamental da minha religião, e crenças baseadas em argumento e evidência, então é o primeiro que deve prevalecer sobre as últimas, e não vice versa”?

[3] Michael Martin, Atheism: A Philosophical Justification (Philadelphia, PA: Temple University Press, 1990), Chapter 6.

[4] Vide William Lane Craig & Quentin Smith, Theism, Atheism and Big Bang Cosmology, (Oxford: Clarendon Press, 1995).

[5] Às vezes mesmo Craig não parece crer na natureza universal da experiência com o Espírito Santo. Por exemplo, na p. 32 ele diz que uma experiência com o Espírito Santo é verídica e inequívoca para “aquele que a tem”. Isso parece sugerir que algumas pessoas tiveram tais experiências e outras não.

[6] A natureza completamente subjetiva da alegação de Craig é discutida por Robert M. Price em “By This Time He Stinketh” (<URL:/library/modern/robert_price/stinketh.html>, 1997).

[7] No que se segue eu tenho uma dívida com a discussão de Ted Drange em Nonbelief and Evil: Two Atheological Arguments (Não publicado até então, 1996), Appendix C.

[8] Esta é a posição adotada por Drange.

[9] Como Mark Vuletic apontou em correspondência, pode haver outro mistério conectado à teoria de Craig. Embora Craig não o faça explicitamente, a experiência com o Espírito Santo presumivelmente permite que se compreenda diretamente que Deus é perfeitamente e absolutamente bom, assim fornecendo o padrão moral para toda a conduta humana. Como, segundo Craig, todos tiveram tal experiência, todos os descrentes devem rejeitar cientemente e voluntariamente este padrão, o qual sabem ser o bem absoluto. Entretanto, os descrentes são tão obcecados quanto qualquer outra pessoa em fazer o que eles pensam ser o bem. Como eles poderiam querer fazer o que é bom mas rejeitar o que eles sabem que é o padrão do bem?

Eli Vieira
Biólogo pela UnB, mestre em genética pela UFRGS, doutorando em genética pela University of Cambridge (Reino Unido). Membro fundador e ex-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil. Escreve também em EliVieira.com e Evolucionismo.org