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MasterCard & Visa: Ku Klux Klan pode, mas WikiLeaks não pode

Fonte: Techdirt
Tradução: Adelino de Santi Júnior

Bem, parece que nós podemos adicionar Visa à lista de empresas pressionadas a não trabalhar mais com o Wikileaks, seguindo o mesmo caminho temos o MarterCard. Pelo menos, diferentemente do MasterCard, a empresa Visa ainda não acusou o Wikileaks de ter cometido um crime. Ao invés disso apenas disse que suspendeu qualquer operação junto ao Wikileaks “até estudos mais aprofundados sobre a natureza das suas negócios e se ele viola as regras de funcionamento da Visa.”

Assim como [o jornalista] Charles Arthur mostra, o site do Ku Klux Klan redireciona para um site que pede tanto MasterCard quanto Visa, sugerindo pura arbitrariedade na decisão das duas empresas de cartão de crédito. É uma péssima ideia quando empresas começam a tomar decisões baseando-se em política. Existe todo tipo de companhia por ai que utiliza cartões de crédito para apoiar atividades censuráveis. Seria função das companhias de cartão de crédito selecionar quem eles consideram censuráveis para se trabalhar, e caso sim, quais as bases por elas utilizada para considerar Ku Klux Klan aceitável e Wikileaks censurável?

Isso apenas reafirma o ponto levantado recentemente sobre o papel dos intermediários corporativos em auxiliar governos na censura, embora não haja julgamento ou condenação. De qualquer maneira esse é um péssimo posicionamento, tanto do Visa quanto MasterCard e suas vontades de cederem a pressões governamentais.

Eli Vieira
Biólogo pela UnB, mestre em genética pela UFRGS, doutorando em genética pela University of Cambridge (Reino Unido). Membro fundador e ex-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil. Escreve também em EliVieira.com e Evolucionismo.org