Bule Voador

Daniel Dennett – membro emérito da Liga Humanista Secular do Brasil

Autora: Åsa Heuser
Introdução: Eli Vieira

Eu tinha dormido pouco na noite anterior (um vício moderno), meu astigmatismo parecia ter aumentado diante daquelas luzes fortes, mas ainda assim eu posso dizer: eu vi e ouvi Daniel Dennett na minha frente, e não era papai-noel, embora parecesse com um pouco de magia. É… esta foi uma frase piegas, mas eu não tenho vergonha de fazer tietagem com o novo membro emérito da LiHS.

Daniel Dennett, filósofo da mente, autor de “A perigosa ideia de Darwin” entre outras obras. Foto: (CC) David Orban

Antes do relato da Åsa sobre a palestra de ontem aqui em Porto Alegre, o que eu tenho a acrescentar é que agradeço imensamente ao meu caro amigo Gregory Gaboardi, membro da nossa diretoria, por ter levado nossa carta às mãos do homem na entrevista que fez com ele hoje (e vocês ainda vão conferir aqui no Bule Voador), e também não posso deixar de agradecer ao próprio Dennett por ter respondido tão rápido e calorosamente ao convite. Então é isso… Daniel Dennett é membro da Liga Humanista Secular do Brasil – membro emérito!

***

Correndo o risco de levar uma tijolada na cabeça de alguns fãs de carteirinha dos Beatles, digo que se tivesse que escolher entre o show do Paul MacCartney e a palestra de Daniel Dennett, teria escolhido a palestra (não que eu tenha tentado ir ao show).

Nunca li nenhum livro dele, e talvez por isso tudo que ouvi era novo para mim; não o assunto em si , mas a forma como foi apresentado. Eu, Eli e Roberto sentamos bem na frente, na primeira fila, atrás da telinha por onde o palestrante controla o DataShow. A primeira coisa que Dennett fez foi pedir que aumentassem a iluminação do auditório, ele queria ver o público melhor. Ele fala um inglês muito claro, fácil de entender, e ele é muito didático. O resumo da palestra se encontra aqui:

http://www.unimedpoa.com.br/mkt/resumo_fronteiras_081110.pdf

Depois que a palestra terminou ele se dispôs a responder algumas perguntas. Dois assuntos me chamaram a atenção, a questão da consciência do EU, e a questão do livre arbítrio. Vou tentar descrever o melhor que posso como foi que eu entendi esses assuntos, do ponto de vista de alguém completamente leiga nisso.

– A consciência do EU (individualidade): Quando ouvimos a nossa própria voz, quando expressamos o que pensamos e sentimos, de alguma forma compreendemos que existe algo dentro de nós a que ninguém tem acesso a menos que a gente conte; podemos inclusive esconder informações, e temos consciência dessa área particular dentro de nós, a que só nós mesmos temos acesso.

– Livre Arbítrio: Ao contrário do que alguns  gostam de alegar, temos livre arbítrio ao tomar decisões baseadas no conhecimento que temos e com a melhor da nossa capacidade. É evidente que as nossas decisões não poderiam estar desvinculadas daquilo que sabemos, das nossas experiências, e variam de acordo com a experiência da pessoa que as toma, mas isso não invalida o fato de que tomamos decisões, e que essas decisões poderiam ser diferentes. Ele disse também que quando as pessoas assumem a postura de que o livre arbítrio não existe, tendem a agir de forma mais irresponsável.

Como dissemos na carta que entregamos ao Professor Dennett, convidando-o para se tornar um membro emérito da LiHS, “seu esforço em defender um conceito sólido de livre arbítrio nos parece humanista em seu cerne, da mesma forma que sua clareza na promoção da explicação evolutiva para a origem das nossas mentes”.

E isso é, sinceramente, melhor que qualquer strawberry field. (Não que eu não goste de Beatles!)

***

Conheça os outros membros eméritos da LiHS aqui.

Bule Voador