Bule Voador

Richard Dawkins e outras personalidades céticas assinam boicote contra Irã

Fonte: Comitê Internacional Contra o Apedrejamento e Comitê Internacional Contra a Execução
Tradução: Leo Lauria
Introdução: Eli Vieira

Opressão contra mulheres, gays e descrentes no Irã é o novo Apartheid

O texto abaixo, assinado por pessoas que admiro, faz uma comparação muito importante: a situação de crueldade contra mulheres, gays e descrentes em países como o Irã é comparável ao Apartheid sul-africano. Se o mundo não tivesse condenado o Apartheid, se tivesse obedecido os relativistas culturais para dar respeito ao racismo como uma suposta prática cultural digna de preservação, é possível que até hoje os negros fossem oprimidos naquele país, sendo proibidos até de sentar num mesmo banco de praça com os brancos. Nelson Mandela teria morrido na prisão. Hoje, quem está na prisão e chamando a atenção do mundo por isso não é um ativista político como Mandela, mas uma mãe das mais comuns, que só quer ter a chance de viver em paz com seus filhos. Mas o Apartheid fundamentalista do regime do Irã não quer deixar, porque pensa que mulheres que supostamente traíram seus maridos merecem morrer com pedradas. Está na hora do mundo se unir contra isso, como se uniu contra o Apartheid. Está na hora do mundo se lembrar das palavras de Nelson Mandela (Long Walk to Freedom, 1995): “Ninguém nasce odiando outra pessoa por sua cor da pele, ou criação, ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar, pois o amor vem mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto”.

Resolução sobre o boicote ao regime islâmico do Irã

O caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani tornou-se uma controvérsia internacional;  a opinião pública mundial sentiu-se ultrajada com a sentença de morte por apedrejamento a que foi condenada por adultério e também com a abominável tortura e os maus-tratos que ela vem sofrendo ao longo dos últimos cinco anos.

Seu caso chamou a atenção do mundo para o repressivo regime Islâmico do Irã, com seu sistema jurídico medieval baseado na Sharia, e especialmente para o tratamento brutal dado às mulheres. Este é um regime que ainda condena seres humanos à morte por apedrejamento, em pleno século 21, sendo especificado por lei inclusive o tamanho das pedras a serem utilizadas. O regime tampouco demonstra qualquer clemência – no dia 10 deste mês o filho de Sakineh, Sajjad Ghaderzadeh, de 22 anos de idade e o advogado desta, Houtan Kian, foram também presos, juntamente com dois jornalistas que cobriam o caso.

Reiterando nossa exigência de que os quatro, bem como a própria Sakineh Mohammadi Ashtiani, sejam imediata e incondicionalmente libertados, acreditamos que é chegado o momento de condenarmos de forma clara e inequívoca o regime islâmico do Irã. É chegada a hora de governos e instituições boicotarem o regime Islâmico Iraniano, fechando suas embaixadas e escritórios e oferecendo denúncia contra seus funcionários de alto escalão.

O clamor público em relação a Sakineh Mohammadi Ashtiani tornou-se o grito de toda a humanidade em face de tal barbárie ocorrendo em nossa era.  Este caso em específico, assim como o apedrejamento de seres humanos em geral, tornou-se o apartheid de nossos dias – uma prática intolerável e inaceitável.

Um regime que ainda apedreje pessoas até à morte na atualidade é evidentemente passível de isolamento diplomático, como o que ocorreu com o regime do apartheid na África do Sul. Além disso, a morte por apedrejamento em si precisa ser considerada como um crime contra a humanidade. Este episódio precisa ser o princípio do fim de tais atrocidades.

Assinam:

Mina Ahadi é fundadora e porta-voz do International Committee against Stoning (Comitê Internacional Contra o Apedrejamento) e do International Committee against Execution (Comitê Internacional Contra a Execução).Recebeu o prêmio Secularist of the Year (Secularista do Ano) da National Secular Society em 2007. Foi também selecionada como uma das mulheres mais importantes do ano pela Elle Quebec em 2007. Sua biografia, “I Have Renounced Religion” (Eu Renunciei à Religião) foi publicada em 2008 na Alemanha pela editora Heyne. (Alemanha)

Richard Dawkins é escritor e cientista. Ganhou vários prêmios, incluindo o Prêmio Sci-Tech por Melhor Programa de Ciência de 1987, a Medalha de Prata da Sociedade Zoológica de Londres de 1989, o Prêmio Michael Faraday para a promoção da compreensão pública da ciência da Royal Society em 1990, o Prêmio Nakayama de Ciências Humanas de 1994, e em 1997 o quinto Prêmio Cosmos Internacional comemorando a Expo ’90 (Reino Unido)

Sonja Eggerickx é presidente da União Humanista Ética Internacional (IHEU) e da Federation of Flemish Humanist Organisations (Federação das Organizações Humanistas de Flandres) da Bélgica (UVV) e Coordenadora da women’s Network (Rede de Mulheres) da IHEU. Profissionalmente, atua como inspetora sênior de Educação Moral na rede de ensino (Bélgica).

A. C.  Grayling é professor de filosofia da Birkbeck College na Universidade de Londres e Supernumerary Fellow (Membro Colaborador) da St. Anne’s College, Oxford. É autor e organizador de várias publicações. É editor da Online Review London (Crítica Online de Londres) e co-editor da revista Prospect. Faz parte do conselho editorial de várias publicações acadêmicas, é membro da Royal Society of Literature (Sociedade Real de Literatura) e da Royal Society of Arts (Sociedade Real de Artes), e participou da banca do prêmio Booker em 2003 (Reino Unido)

Harold Kroto foi condecorado em 1996 por sua contribuição à química e recebeu o Prêmio Nobel de Química pela descoberta do Carbono 60 ou Buckminsterfullereno, uma nova forma de carbono, juntamente com Robert Curl e Richard Smalley, da Universidade Rice, em Houston, Texas (EUA )

Maryam Namazie é uma ativista dos direitos humanos, escritora, comentarista e radialista. Porta-voz do Iran Solidarity (Solidariedade Irã), One Law for All Britain (Uma Lei para Todos na Grã-Bretanha) e Equal Rights Now (Direitos Iguais Agora), entre outros. Ela também recebeu o prêmio de Secularista do ano da National Secular Society em 2005 e é Membro Honorário da NSS. Maryam foi selecionada como uma das 45 mulheres mais importantes do ano pela Elle Quebec em 2007, e seu blog está entre os 100 blogs ateístas mais visitados (Reino Unido). Maryam é também sócia emérita da Liga Humanista Secular do Brasil.

Taslima Nasrin é médica, ativista dos direitos humanos e premiada autora de vários livros proibidos em Bangladesh. Vencedora de vários prêmios, incluindo o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, o prêmio Feminista do Ano, prêmio Heroína do Livre-Pensamento, Prêmio da UNESCO para a promoção da tolerância e da não-violência, Grand Prix Internacional de Condorcet- Aron de 2005 e prêmio Simone de Beauvoir (Índia)

Daniel Salvatore Schiffer é filósofo, escritor e promotor da “Open Letter to the Iranian Authorities (Carta Aberta às Autoridades Iranianas) em apoio a Sakineh Mohammadi Ashtiani. Este apelo foi assinado por 150 mil pessoas, incluindo renomados intelectuais franceses e italianos e sete ganhadores do Prêmio Nobel (Bélgica)

Terry Sanderson é jornalista, escritor e presidente da National Secular Society (Sociedade Secularista Nacional). É autor de nove livros e tem escrito extensivamente para a imprensa nacional. Sua popular coluna no Gay Times tem sido publicada ininterruptamente há 25 anos – a mais antiga coluna na imprensa gay de todos os tempos (Reino Unido)

Michael Schmidt-Salomon é filósofo e porta-voz da Fundação Giordano Bruno. Seus livros incluem Manifest des evolutionären Humanismus: Plädoyer für eine zeitgemäße Leitkultur (Manifesto do Humanismo Evolucionário: um apelo por uma cultura contemporânea) e Die Kirche im Kopf (A Igreja na Cabeça) (Alemanha)

Annie Sugier fundou a “Ligue du droit des femmes internacional” (Liga Internacional dos Direitos da Mulher) com Simone de Beauvoir, em 1983. Sua formação profissional é científica. Ela é oficial da Legion d’Honneur (Legião de Honra) e publicou vários livros, incluindo “Histoires du MFL” (Histórias do MLF)(França)

Michèle Vianès é fundadora e presidente da Regards de Femmes, vice-presidente da French Coalition of the European Women’s Lobby (Coalizão Francesa pelas Mulheres da Europa), e patrono da Ni Putes ni Soumises (Nem Putas nem Submissas)(França)

Para mais informações, entre em contato com

Mina Ahadi, International Committee Against Stoning and International Committee Against Execution, minaahadi@aol.com , 0049 1775692413; http://notonemoreexecution.org/ ; http://stopstonningnow.com .

Após 26 de outubro você pode também entrar em contato com:

Maryam Namazie
Iran Solidarity
BM Box 2387
London WC1N 3XX, UK
Tel: +44 (0) 7719166731
iransolidaritynow@gmail.com
www.iransolidarity.org.uk
iransolidarity.blogspot.com

A LiHS também se oferece para eventuais dúvidas:
lihsbrasil@gmail.com
bulevoador@gmail.com

No one is born hating another person because of the colour of his skin, or his background, or his religion. People must learn to hate, and if they can learn to hate, they can be taught to love, for love comes more naturally to the human heart than its opposite.
Eli Vieira
Biólogo pela UnB, mestre em genética pela UFRGS, doutorando em genética pela University of Cambridge (Reino Unido). Membro fundador e ex-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil. Escreve também em EliVieira.com e Evolucionismo.org