Bule Voador

Åsa Heuser, ateia de bom humor, é vice-presidente da LiHS

Autor: Eli Vieira

Åsa Heuser“Saímos do armário justamente para combater o preconceito segundo o qual quem não tem religião não consegue educar uma família com referências morais fortes”. Foi o que disse uma mãe à revista Veja, oito anos atrás, numa raríssima reportagem da grande mídia sobre ateísmo. Uma das fotos da revista era de sua família.

Esta mãe, agora também avó, é Åsa Heuser (pronuncia-se “Ôssa Róizer”). Na época da entrevista, Åsa se dedicava à Sociedade da Terra Redonda, primeira organização de céticos e ateus de que se tem notícia no Brasil. Além da discriminação contra ateus, outro assunto que preocupa a simpática finlandesa são os direitos dos homossexuais – ela criou até um blog para denunciar a pseudociência antigay.

Åsa foi um presente que a Finlândia nos deu: veio de navio com a família, aos 13 anos, e desde então mora na grande Porto Alegre, onde dá aulas de inglês e de sueco. Tive o prazer de conhecê-la no ano passado, compartilhar com ela experiências como o 1º churrasco nacional de ateus (ChurrAsTEU) em Curitiba e outro encontro de ateus em Porto Alegre no mês passado. E agora Åsa e eu compartilhamos a presidência da Liga Humanista Secular do Brasil – nossa diretoria a elegeu neste sábado. Sem dúvida, uma aquisição feliz para a LiHS.

Como tantos outros, Åsa teve uma trajetória de buscas que culminou em seu ateísmo. Mas, diferente da maioria de nós, ela começou no ateísmo – ela vem de uma família europeia com tradição de livre-pensamento que remonta ao século XIX. Uma parte dessa história ela conta em seu blog “Uma ateia de bom humor”. Tendo ouvido histórias sobre o bom Jesus durante a infância, chegou a acreditar na mitologia cristã por poucos anos, mas aos 8 já questionava a ideia de uma versão gigantesca de nós comandando o universo. No fim da adolescência flertou com a ideia de “Deus” como “energia”, se aventurou pela Astrologia, e finalmente, depois de incansáveis leituras e questionamentos, concluiu que nenhum conceito de deus merece crédito e, nas suas palavras, “o ateísmo traz muita paz” e um de seus resultados é que

“Passamos a dar mais importância à compaixão e à empatia para com os nossos semelhantes, em vez de nos preocupar com algumas regras ditadas num livro.
Mais humanismo.

Eu já disse em outras ocasiões, e vou dizer de novo: ateísmo não é algo que decidimos adotar, é uma conclusão a que se chega depois de analisar os fatos e comparar com o que nos disseram. Ninguém convence ninguém a se tornar ateu, é um processo interno particular de cada um. Pode parecer algo simples e pequeno mas, como tentei demonstrar acima, tem consequências dramáticas na maneira como passamos a ver a vida.”

Åsa já ajudou a LiHS legendando o vídeo “A Origem da Estupidez”, com mais de 50 mil exibições na web. Tem também um canal no YouTube, onde já falou sobre sua descrença, sobre mulheres no ateísmo e até mandou o Datena calar a boca.

Fiquei muito feliz de ter ela aqui no Bule Voador e na LiHS. Tenho certeza de que os futuros membros da LiHS também ficarão. Abriremos em breve nosso formulário de afiliação, mas este já é outro assunto.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=bP1XrIamPww[/youtube]

Eli Vieira
Biólogo pela UnB, mestre em genética pela UFRGS, doutorando em genética pela University of Cambridge (Reino Unido). Membro fundador e ex-presidente da Liga Humanista Secular do Brasil. Escreve também em EliVieira.com e Evolucionismo.org