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Perfil – Bertrand Russel

Fonte: ABCCético

Editor: Pena Ajena

Bertrand Arthur William Russell nasceu em Ravenscroft, no País de Gales, em 18 de Maio de 1872.

Foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos do século XX, bem como um importante político liberal, ativista político e popularizador da Filosofia.

Milhões de pessoas respeitaram Russell como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade. Sua voz sempre possuiu autoridade moral. Foi um crítico influente das armas nucleares e da guerra do Vietnã.

Em 1950, recebeu o Nobel de Literatura, em reconhecimento aos seus variados e significativos escritos, nos quais lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento.

 

Vida e Obra

Russell estudou Filosofia na Universidade de Cambridge. Iniciou os estudos em 1890. Tornou-se membro (fellow) do Trinity College em 1908. Pacifista, recusou alistar-se durante a Primeira Guerra Mundial e, por isso, perdeu a cátedra do Trinity College e esteve preso durante seis meses. Nesse período, escreveu a Introdução à Filosofia Matemática. Em 1927, fundou a escola experimental de Beacon Hill.

Na primavera de 1939, Russell foi viver nos EUA, em Santa Barbara, para ensinar na Universidade da Califórnia. Foi nomeado professor no City College de Nova Iorque. Após uma controvérsia pública, sua nomeação foi anulada pela justiça. Suas opiniões secularistas – como as encontradas em seu livro “Marriage and Morals”, “Por que não sou cristão” e o ensaio “Aquilo em que Creio” – tornaram-no “moralmente impróprio” para o ensino no college. Regressou à Grã-Bretanha em 1944 e voltou a integrar a faculdade do Trinity College.

Em 1962, já com 90 anos, mediou o conflito dos mísseis de Cuba. Organizou, com Albert Einstein, o movimento Pugwash, de luta contra a proliferação de armas nucleares.

Bertrand Russell escreveu a sua autobiografia em três volumes, nos finais dos anos 60. Nela. O filósofo propôs um “código de conduta” liberal, baseado em dez princípios, à maneira do decálogo cristão. “Não para substituir o antigo”, diz Russell, “mas para complementá-lo”. Os dez princípios são:

 

•Não tenhas certeza absoluta de nada.

•Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.

•Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.

•Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.

•Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.

•Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.

•Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.

•Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.

•Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.

•Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

 

Russel faleceu em 1970, no País de Gales, vítima de uma gripe. Suas cinzas foram espalhadas sobre as montanhas galesas.

 

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