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O que é Humanismo Secular

Autores: Fritz Stevens, Edward Tabash, Tom Hill, Mary Ellen Sikes, Tom Flynn

Fonte: Council for Secular Humanism

Tradução: Luiz Dantas

Via: Bog do Luiz Dantas

Humanismo secularO Humanismo Secular, também conhecido por Humanismo Laico, é um termo usado nos últimos trinta anos para descrever uma visão de mundo com os seguintes elementos e princípios:

1) Uso da razão, do método científico e da evidência factual em lugar de fé ou de misticismo, na busca de soluções e respostas para as questões humanas mais importantes.

2) Certeza de que dogmas, ideologias e tradições religiosas, políticas ou sociais, devem ser avaliados e testados, em vez de simplesmente aceitos por uma questão de fé.

3) Busca da satisfação, do desenvolvimento e da criatividade, para o indivíduo e para a humanidade em geral.

4) Preocupação com a vida presente e compromisso de dotá-la de sentido através de um melhor conhecimento de nós mesmos, de nossa história, das nossas conquistas intelectuais e artísticas e das perspectivas daqueles que diferem de nós.

5) Busca por princípios viáveis de conduta moral, tanto individuais quanto sociais e políticos, julgando-os por sua capacidade de melhorar o bem-estar humano e a responsabilidade individual.

6) Busca constante pela “verdade objetiva”, levando-se em consideração que nossa percepção dessa verdade é imperfeita e que ela pode ser alterada por novos conhecimentos e experiências.

7) Certeza de que com razão, boa vontade e tolerância, pode-se progredir na construção de um mundo melhor para todos nós.  

 

Os humanistas seculares são ateus?

Os Humanistas Seculares tipicamente descrevem-se como ateus ou agnósticos. Eles não se apóiam em deuses ou outras forças sobrenaturais para resolver seus problemas ou oferecer orientação para suas condutas. Em vez disso, valem-se da aplicação da razão, da ciência, das lições da história e da experiência pessoal para formar fundamentos morais e para dar sentido à vida.

Humanistas Seculares vêem o método científico como a mais confiável fonte de informação sobre o universo. Reconhecem, porém, que novas descobertas sempre estarão alterando e expandindo nossa compreensão e possivelmente mudarão também nossa abordagem de assuntos morais. 

 

Como os humanistas seculares vêem as alegações religiosas e sobrenaturais ?

 Os Humanistas Seculares seguem uma perspectiva chamada de Naturalismo, na qual as leis físicas do universo não são subordinadas a entidades imateriais ou sobrenaturais, como deuses, demônios ou outros seres “espirituais”, fora do domínio do universo natural.

Os Humanistas Seculares vêem com alto grau de desconfiança eventos sobrenaturais como milagres (que contradizem as leis físicas) e fenômenos psíquicos (percepção extra-sensorial, telepatia, vidência etc.).

Para os Humanistas Seculares, alegações sobrenaturais devem ser provadas com uso do método científico antes de serem aceitas. Relatos individuais ou imprecisos de milagres ou fenômenos sobrenaturais são rejeitados pelos Humanistas Seculares.

 

Origem do humanismo secular

O Humanismo Secular, como sistema filosófico organizado, é relativamente novo. Mas os seus fundamentos podem ser encontrados nas idéias de filósofos gregos clássicos como os Estóicos e Epicuristas, bem como no Confucionismo Chinês. Estas posições filosóficas buscavam nos próprios seres humanos, e não em deuses, as soluções para os problemas da humanidade.

Durante a Idade Média na Europa Ocidental, as filosofias humanistas foram suprimidas pelo poder político da Igreja. Aqueles que ousavam expressar opiniões contrárias aos dogmas religiosos dominantes eram banidos, torturados ou executados.

Foi apenas na Renascença dos séculos XIV a XVII, com o desenvolvimento da Arte, Música, Literatura, Filosofia e as grandes navegações, que a alternativa humanista voltou a ser permitida.

Durante o Iluminismo do século XVIII, com o desenvolvimento da ciência, os filósofos finalmente começaram a criticar abertamente a autoridade da Igreja e a envolver-se no que se tornou conhecido como “Livre-Pensamento”.

O movimento Livre-Pensador do Século XIX na América do Norte e Europa Ocidental finalmente tornou possível para o cidadão comum a rejeição da fé cega e da superstição, sem o risco de perseguição.

A influência da ciência e da tecnologia, conjuntamente com os desafios à ortodoxia religiosa por célebres livre-pensadores como Mark Twain e Robert G. Ingersoll, trouxeram elementos da filosofia humanista até mesmo para igrejas cristãs tradicionais, que se tornaram mais preocupadas com este mundo, e menos com o “próximo”.

No século XX, cientistas, filósofos e teólogos progressistas começaram a organizar-se num esforço para promover a alternativa humanista às tradicionais perspectivas baseadas na fé.

Nos últimos trinta anos, aqueles que rejeitam o sobrenaturalismo enquanto opção filosófica viável adotam o termo “Humanismo Secular” para descrever sua postura de vida não religiosa.

Os críticos frequentemente tentam classificar o Humanismo Secular como uma religião. No entanto, o Humanismo Secular carece das características essenciais de uma religião, como a crença em uma divindade e uma ordem transcendente que a acompanha.

Os humanistas seculares afirmam que assuntos referentes a ética, conduta social e legal adequadas e metodologia da ciência são temas filosóficos e não pertencem ao domínio da religião.

O Humanismo Secular, conseqüentemente, é uma filosofia e uma perspectiva que se concentra nos assuntos humanos e emprega métodos racionais e científicos para lidar com a larga variedade de assuntos importantes para todos nós. Encoraja a dedicação a um conjunto de princípios que promovem o desenvolvimento da tolerância e compaixão e uma compreensão dos métodos da ciência, análise crítica, e reflexão filosófica.

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Observação: foram suprimidas as notas do tradutor, que podem ser lidas em seu blog.

 

 

 

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