Tradução e adaptação do artigo: Does “Science” Make You Moral? The Effects of Priming Science on Moral Judgments and Behavior, publicado no periódico PLOS one. Estudo realizado na Universidade da Califórnia e publicado em Março de 2013.
ARTIGO ORIGINAL
Panorama
Alguns trabalhos anteriores mostraram que a ciência atua como uma força ideológica na medida das respostas que ela oferece para questões fundamentais. Aparentemente, aqueles envolvidos em atividades científicas demonstram preocupação com os desdobramentos de suas empreitadas.

A publicação do trabalho supracitado levanta questões diversas. Seria de fato a ciência uma fonte de moralidade, ou estaria ela associada a um background de formação pessoal que levaria a atitudes mais positivas no campo da moralidade? Aparentemente, visões clássicas e leigas de ciência estão envolvidas na tomada de decisões e comportamentos que ponham em teste a moralidade dos indivíduos. Como não há até o momento estudos que tenham levantado semelhante questionamento, vale a pena refletir sobre a extensão e a importância do envolvimento em atividades científica e/ou crença no método científico e suas relações com a moral.
Introdução
A ciência se apresenta como uma força modeladora da civilização e comportamento humano. Sendo tanto um sistema ideológico, quanto um método para se angariar informações a respeito do mundo, ela oferece explicações para a origem do universo e responde a uma ampla gama de questões fundamentais.
Pesquisas anteriores notaram que valores pessoais influenciam tanto as perguntas que são feitas quanto o método para se chegar às respostas, como tanto, os cientistas estão frequentemente preocupados com as ramificações sociais de suas jornadas científicas.
Não menos surpreendente é o fato de que há um consenso geral de que a ciência possui valores “pré-aprovados”, no entanto, nenhum estudo até o momento verificou as possíveis conexões entre a exposição à ciência e valores morais.
É importante salientar que a ciência é uma construção multi-facetada, que assume formas distintas. Por outro lado o modo de pensar empregado pelos cientistas é incomum e difícil.
Embora a ciência sirva como um modelo de crença, é um modelo de crença distinto, enquanto sua natureza contra-intuitiva e o grau em que não depende de sistemas cognitivos automáticos, inconscientes e universais. Como consequência, em comparação a outros sistemas de crenças, a ciência possui poucos “seguidores”. Por outro lado, independente do modelo do método científico para angariar informações sobre o mundo, nós argumentamos que há uma imagem leiga sobre ciência, que a associa a conceitos de racionalidade, imparcialidade, justiça, progresso tecnológico, e por último, à ideia de que devemos utilizar ferramentas racionais para o benefício de todos os indivíduos da sociedade.
Filósofos e historiadores notaram que a investigação científica floresceu quando o ocidente mudou de noções centradas na vontade divina, para uma na qual a mente racional servia como meio primário de entender e melhorar nossa existência.
Desse modo, a noção de ciência contém uma visão moral mais ampla de uma sociedade na qual a racionalidade é usada parra o benefício de todos.
Nós prevemos que essa noção de ciência como parte de uma visão moral mais ampla de sociedade, facilita julgamentos e comportamentos pró-sociais.
De modo consistente com a noção de que a ciência é algo primordial na visão moral de uma sociedade de benefício mútuo, acadêmicos tem argumentado que a abordagem cientifica para estudar causas e consequências, possibilita a emissão de opiniões mais bem formadas sobre questões do bem e mal, e muitos tem dito que a o caráter científico clássico surge como um amontoado de princípios eticamente neutros, mas moralmente normativos, que guia a investigação científica.
Nós acreditamos que o mesmo caráter científico que serve de guia às investigações científicas, facilita a execução de normas morais de maneira mais ampla. LEIA MAIS…