Genes associados com nível de escolaridade e associação (muito, mas muito, de leve mesmo)

bule_academicoUm grande consórcio (Social Science Genetic Association Consortium) de cientistas, envolvendo mais de 200 pesquisadores, conduziu um gigantesco estudo de associação genômica, publicado no dia 30 de maio na revista Science, em que seus autores buscam identificar variantes genéticas que pudessem estar correlacionadas com medidas de escolaridade [1]. O estudo contou com uma impressionante amostra inicial de 101.069 pessoas, a amostra de descoberta (ou seja, usada para a prospecção de eventuais associações), e uma segunda amostra de replicação
menor, mas ainda assim impressionante em termos de tamanho, contando com 25.490 indivíduos [2].

Os estudos genômicos amplos associativos (GWAS, do inglês genome-wide association studies) envolvem a análise de variações nas sequências de DNA através do genoma humano em um amplo número de indivíduos em busca de associação estatística destas variantes genéticas com alguma variável fenotípica comum na população [3]. Geralmente estes estudos são utilizados para detectar fatores hereditários de risco a certas doenças [3], mas sua aplicação, como este estudo mostra, é bem mais ampla. Tradicionalmente o que é feito é a identificação, em uma população, de grupos de pessoas com as características de interesse (os casos) e sem as características de interesse, os controles. Uma vez definidos os grupos, os cientistas passam a verificar se alguma das variantes genéticas estudadas está sistematicamente mais associada com alguma das categorias contrastantes (casos vs controles), repetindo-se este procedimento para cada variante genética de interesse e para cada medida de escolaridade testada, ao mesmo tempo que são feitas medidas da significância estatística das eventuais diferenças (por exemplo, na proporção de variantes em cada categoria) e dos eventuais tamanhos dos efeitos destas influências.

A figura mostrando o design de GWAS foi feita com a combinação de diferentes figuras [Modern Psychiatry, GWAS, Neurology.org]de sites distintos.

A figura mostrando o design de GWAS foi feita com uma combinação de diferentes figuras [Modern Psychiatry, GWAS, Neurology.org]de sites distintos.

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Postado por Rodrigo Veras em Ciência,Diversos

Protestos e provocações

4º ato contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, na quinta-feira passada. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

4º ato contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, na quinta-feira passada. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

 

Esta última semana, no Brasil, foi marcada por um ar de atipicidade. Manifestações contra aumentos das tarifas no transporte público em diversas cidades, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, deram vazão a insatisfações muito mais fortes. A maior delas, alimentada pela violência repressiva do Estado, descobriu-se no ato: nem mesmo o direito a se manifestar estava garantido. Afinal, quando e como podemos manifestar que estamos descontentes com a qualidade do transporte público, com os gastos bilionários e remoções forçadas em eventos como a Copa ou com a criminalização de movimentos sociais? Nas caixas de comentários dos jornais, nas urnas a cada dois anos? A resposta que diversas capitais brasileiras — impulsionadas por outras cidades, e por brasileiros em outros países — deram foi não. Especialmente São Paulo após a manifestação de quinta-feira, 13, em que toda a estratégia violenta da polícia militar produziu muitas imagens e relatos de agressões, descontrole, cerco e ilegalidades (como ausência de identificação nos uniformes, detenção por porte de vinagre e revistas abusivas).

Hoje ocorre na capital paulista (e em outras capitais brasileiras) mais uma manifestação, desta vez o 5º ato convocado pelo Movimento Passe Livre (MPL), cuja origem remonta ao começo dos anos 2000, como se pode ler aqui. A expectativa inicial é de que 20 mil pessoas compareçam no ato, embora mais de 240 mil tenham confirmado presença na página do evento no Facebook. Um grande ato também deve ocorrer no Rio de Janeiro, e dezenas de outros em várias cidades brasileiras.

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Postado por Luiz Henrique Coletto em Crítica,Denúncia,Luiz Henrique,Política,Questões polêmicas

Posso me casar, e agora?

Sempre fui ativistas de muitas causas. Ainda quando criança, com o senso crítico aguçado, me indignava com a situação da educação pública. Eu era o tipo de aluno que fazia abaixo-assinados, organizava reuniões de classe, conversava com a direção da escola e que acreditava que exigir um ensino público de qualidade era um direito meu.

Hoje percebo que não consegui muitas mudanças, mas as poucas que obtive fizeram com que a minha estadia no ensino público, durante o ensino fundamental e médio, fosse mais proveitosa. Porém, ao entrar no ensino médio, com a inquietante vontade de conseguir um curso superior de qualidade, percebi que as milhas lutas não seriam suficientes para mudar todo um colégio. Assim, consegui uma bolsa de estudos em uma escola particular, onde o ensino era de qualidade e me dava o suporte necessário para alcançar a meta desejada.

Essa foi uma das minhas primeiras derrotas como ativista. Eu me vi obrigado a mudar de colégio caso almejasse uma educação adequada. Não digo que lutar pelo os meus direitos não tenha valido a pena. Eu somente lamento saber que independente do meu esforço e dedicação, a realidade da escola onde eu estudava não seria mudada a curto prazo.

A minha segunda derrota não foi uma derrota de uma guerra. Foram apenas algumas batalhas perdidas, no meio de uma série de sucessos. Desde os meus 16 anos eu sempre defendi o vegetarianismo. Felizmente eu não o faço desvairadamente, como muitos ativistas. Apenas o faço como alguém que se preocupa com o bem-estar animal, com o planeta e com a saúde das pessoas. Desta forma, ajudei a organizar diversas intervenções, nas quais conversávamos com  população e abríamos uma porta de acesso a novas informações. Da mesma forma, ajudei a promover vivências vegetarianas, através de encontros e almoços, onde explorávamos o paladar das pessoas na tentativa de mostrar que a alimentação vegetariana, além de saudável, pode ser extremamente saborosa.

Contudo, pouco a pouco, pude entender que, independente da informação apresentada, ou por mais sólido que fossem meus argumentos, algumas pessoas ainda continuariam a comer carne, a usar peles e, até mesmo, a explorar os animais. Aceitar a liberdade alheia, mesmo que ferindo a vida daqueles com os quais eu me importo, foi uma derrota para mim mesmo e uma quebra de paradigma. Depois disso me senti desestimulado, pois, assim como no meu problema anterior, independente do que eu fizesse, a curto prazo, a grande maioria das pessoas continuaria a comer carne. LEIA MAIS…

Postado por Lenon Mendes em Ativismo,Direitos Humanos,Homoafetividade,Lenon Mendes,Reflexões

Genes criminais e cérebros criminosos

Já estamos lá?

Publicado em 7 de maio de 2013 por Patricia Smith Churchland, B. Phil no Neurophilosophy

Prevenir o crime, ao invés de esperar pelo crime ser cometido, é atraente. Identifica-se o indivíduo que irá cometer o crime, e aí se intervem. O que poderia ser mais sensato? Primeiro, entretanto, como se identifica o malvado incipiente? Calombos no crânio foram já considerado pelos frenologistas

Foto: JAMES KING-HOLMES/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Foto: JAMES KING-HOLMES/SCIENCE PHOTO LIBRARY

como fornecendo uma pista importante. A hipótese caiu sobre sua própria lâmina por que seu poder preditivo não pode ir além do zero. Estas ambições preditivas permanecem completamente vivas, contudo, o mais importante, os métodos de identificação foram aperfeiçoados. Conselho: Não perca seu tempo observando o crânio. Olhe dentro dele. O próprio cérebro. E também para os genes que fazem o cérebro.

No The Wall Street Journal (edição de Sábado/Domingo, 27-28 de de abril de 2013),  os psiquiatra/neurocientista Adrian Raine postulou uma assinatura cerebral da mente criminosa. A sugestão é que existiria uma ligação entre os baixos níveis de atividade nas regiões pré-frontais do cérebro com a psicopatia. Um segundo resultado envolveu não a atividade cerebral, mas a estrutura do cérebro: supostamente o tamanho do corpo estriado é, em média, maior em criminosos. Raine também alega que a genética começa a “identificar quais genes específicos promovem um comportamento [criminoso]“.

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Postado por Rodrigo Veras em Ceticismo,Ciência,Crítica,Diversos,Filosofia,Mente/Cérebro

Lógica e argumentação

AristotelesParece ser intenção inerente aos seres humanos a adesão ao que é verdadeiro e rejeição do que é falso. Essa alegação encontra suporte desde a filosofia grega: Aristóteles (384 – 322 A.C.), em seu livro Metafísica, já sublinhava o desejo de conhecer como algo natural de todos os homens. Em uma das versões clássicas, e provavelmente a mais aceita, sobre o conceito de conhecimento, Platão o definia como crença verdadeira e justificada. Além disso, não apenas a crença verdadeira é vista como uma busca pertinaz; igualmente o compartilhamento e o convencimento dos outros parece ser algo notável no comportamento humano. Não obstante, por motivos diversos, o uso do procedimento argumentativo pode ser um recurso valioso no exame daquilo que se tem como verdadeiro. Nesse sentido, uma possível maneira de definir o objetivo da lógica é estudar e sistematizar a validade ou invalidade da argumentação, além de proporcionar o estudo da inferência.

O estudo da lógica não se faz necessariamente apenas na filosofia, e mesmo quando se tratando dessa há vários tipos de lógicas dos quais os filósofos têm se dedicado ao longo dos séculos. Uma divisão aceitável é separar os argumentos entre dedutivos e não dedutivos [1]. No caso dos últimos, podem estar inclusas as generalizações e previsões, também chamadas de induções. Grosso modo, os argumentos dessa classe são caracterizados basicamente como intensidade que suportarem as conclusões a partir de premissas como prováveis, ou provavelmente verdadeiras. Vejamos o clássico exemplo de John Vickers:

Todos os cisnes vistos até hoje são brancos. (1)

Portanto, todos os cisnes são brancos. (2)

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Postado por Cicero Escobar em Filosofia,Periódico Bule

A “ciência” moraliza as pessoas? O efeito de se juntar ciência ao julgamento moral e comportamento.

Tradução e adaptação do artigo: Does “Science” Make You Moral? The Effects of Priming Science on Moral Judgments and Behavior, publicado no periódico PLOS one. Estudo realizado na Universidade da Califórnia e publicado em Março de 2013.

 

ARTIGO ORIGINAL

 

Panorama

 Alguns trabalhos anteriores mostraram que a ciência atua como uma força ideológica na medida das respostas que ela oferece para questões fundamentais. Aparentemente, aqueles envolvidos em atividades científicas demonstram preocupação com os desdobramentos de suas empreitadas.

 

A publicação do trabalho supracitado levanta questões diversas. Seria de fato a ciência uma fonte de moralidade, ou estaria ela associada a um background de formação pessoal que levaria a atitudes mais positivas no campo da moralidade? Aparentemente, visões clássicas e leigas de ciência estão envolvidas na tomada de decisões e comportamentos que ponham em teste a moralidade dos indivíduos. Como não há até o momento estudos que tenham levantado semelhante questionamento, vale a pena refletir sobre a extensão e a importância do envolvimento em atividades científica e/ou crença no método científico e suas relações com a moral.

A publicação do trabalho supracitado levanta questões diversas. Seria de fato a ciência uma fonte de moralidade, ou estaria ela associada a um background de formação pessoal que levaria a atitudes mais positivas no campo da moralidade? Aparentemente, visões clássicas e leigas de ciência estão envolvidas na tomada de decisões e comportamentos que ponham em teste a moralidade dos indivíduos. Como não há até o momento estudos que tenham levantado semelhante questionamento, vale a pena refletir sobre a extensão e a importância do envolvimento em atividades científica e/ou crença no método científico e suas relações com a moral.

 

Introdução

 A ciência se apresenta como uma força modeladora da civilização e comportamento humano. Sendo tanto um sistema ideológico, quanto um método para se angariar informações a respeito do mundo, ela oferece explicações para a origem do universo e responde a uma ampla gama de questões fundamentais.

Pesquisas anteriores notaram que valores pessoais influenciam tanto as perguntas que são feitas quanto o método para se chegar às respostas, como tanto, os cientistas estão frequentemente preocupados com as ramificações sociais de suas jornadas científicas.

Não menos surpreendente é o fato de que há um consenso geral de que a ciência possui valores “pré-aprovados”, no entanto, nenhum estudo até o momento verificou as possíveis conexões entre a exposição à ciência e valores morais.

É importante salientar que a ciência é uma construção multi-facetada, que assume formas distintas. Por outro lado o modo de pensar empregado pelos cientistas é incomum e difícil.

Embora a ciência sirva como um modelo de crença, é um modelo de crença distinto, enquanto sua natureza contra-intuitiva e o grau em que não depende de sistemas cognitivos automáticos, inconscientes e universais. Como consequência, em comparação a outros sistemas de crenças, a ciência possui poucos “seguidores”. Por outro lado, independente do modelo do método científico para angariar informações sobre o mundo, nós argumentamos que há uma imagem leiga sobre ciência, que a associa a conceitos de racionalidade, imparcialidade, justiça, progresso tecnológico, e por último, à ideia de que devemos utilizar ferramentas racionais para o benefício de todos os indivíduos da sociedade.

Filósofos e historiadores notaram que a investigação científica floresceu quando o ocidente mudou de noções centradas na vontade divina, para uma na qual a mente racional servia como meio primário de entender e melhorar nossa existência.

Desse modo, a noção de ciência contém uma visão moral mais ampla de uma sociedade na qual a racionalidade é usada parra o benefício de todos.

Nós prevemos que essa noção de ciência como parte de uma visão moral mais ampla de sociedade, facilita julgamentos e comportamentos pró-sociais.

De modo consistente com a noção de que a ciência é algo primordial na visão moral de uma sociedade de benefício mútuo, acadêmicos tem argumentado que a abordagem cientifica para estudar causas e consequências, possibilita a emissão de  opiniões mais bem formadas sobre questões do bem e mal, e muitos tem dito que a o caráter científico clássico surge como um amontoado de princípios eticamente neutros, mas moralmente normativos, que guia a investigação científica.

Nós acreditamos que o mesmo caráter científico que serve de guia às investigações científicas, facilita a execução de normas morais de maneira mais ampla. LEIA MAIS…

Postado por Adelino de Santi J em 2. Bule Escreve,Adelino Santi Jr,Ciência,Crítica

A (não) redenção dos ateus, o não mais sumo pontífice e a perda da moral da Igreja Católica

papa-francisco1Recentemente o papa Francisco surpreendeu o mundo ao dizer que os ateus de bom coração e boas obras também são dignos da salvação divina. Mas, pouco tempo depois, foi “desmentido” por alas hierárquicas inferiores do Vaticano, as quais, por meio de algum porta-voz, declararam que, por não terem fé em Cristo e nos dogmas católicos, os ateus não terão qualquer redenção depois da morte. A instituição Igreja Católica, por insinuar que o “infalível” papa “falhou”, mantém sua milenar intolerância religiosa oficial a um preço muito alto: a integridade do seu moral político e espiritual.

Com essa providência que visa manter o controle sobre seus fiéis pelo medo de renunciar à fé e continuar negando o reconhecimento da dignidade de quem pensa diferente do dogmatismo católico oficial, a ICAR entra em contradição, ao revogar de forma oficiosa o dogma da infalibilidade papal – ao “corrigi-lo” – e tirar dele o moral que tinha como porta-voz de Deus. Aliás, o próprio Deus católico se mostra indeciso, falho e imperfeito, ao anunciar que redime os ateus e voltar atrás em seguida.

Os ateus, por sua vez, não estão nem aí, já que para eles uma declaração do Vaticano tem tanto valor normativo quanto uma pedra sem nada escrito nela. Mas, para alguns, incomoda o fato de que a ICAR, nem que tivesse que contrariar sua própria hierarquia, se mantém uma adversária dos ateus, ao lhes prestar a intolerância de insinuar que eles irão para o inferno e interditar a possibilidade de que a tradição ateofóbica de dizer que “sem Deus não há vida e felicidade” seja combatida pela Igreja. LEIA MAIS…

Postado por Robson Fernando de Souza em Ateísmo,Política,Religião,Robson Fernando de Souza

A maconha é realmente tão ruim?

A MaLeaves of marijuana plant, Cannabisrijuana é uma droga polêmica. É demonizada por alguns como porta de entrada a outras drogas, e, por outro lado, também é celebrizada por sua promessa em aplicações médicas. Enquanto o júri não se decide por nenhum dos lados da moeda, uma coisa é certa: o uso dessa droga está em ascensão. De acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, o número de pessoas que, nesse país, admitem ter experimentado maconha no último mês subiu de 14,4 milhões em 2007 para mais de 18 milhões em 2011.

Esse aumento pode ser devido, em parte, à falta de evidências fortes que suportem os riscos  que se suspeita serem causados pela Cannabis.  De fato, de maneira similar ao fumo do tabaco, embora a fumaça da marijuana contenha substâncias cancerígenas e alcatrão, inexistem dados conclusivos que possam ligar a maconha a danos nos pulmões. Um recente estudo de longo prazo, que, aparentemente, parecia ligar conclusivamente o uso crônico da maconha na adolescência com o baixo Q.I. de consumidores neozelandenses, foi rapidamente contestado por uma contra-análise que apontava razões de status socioeconômicos como um fator de  confusão. De acordo com o levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, o uso da Cannabis entre os adolescentes têm aumentado na proporção em que os baixos riscos da marijuana têm sido percebidos; e os pesquisadores – e sem dúvida os pais também -, estão ansiosos para que se chegue mais ao fundo a questão. LEIA MAIS…

Postado por Cicero Escobar em Ciência,Diversos,Divulgação de Ciência

O que está acontecendo na Turquia?

Manifestantes preparam-se para virar um carro da polícia durante protesto antigoverno na Praça Taksim no centro de Istambul no sábado, dia 1º. Foto: Reuters / Murad Sezer.

Manifestantes preparam-se para virar um carro da polícia durante protesto antigoverno na Praça Taksim no centro de Istambul no sábado, dia 1º. Foto: Reuters / Murad Sezer.

 

O texto abaixo foi publicado pela escritora Defne Suman no sábado, 1º de junho, e traduzido ontem pelo blog Ativismo de Sofá. Os imensos protestos que ocorrem na Turquia (em Istambul e na capital Ankara) desde a semana passada não têm recebido cobertura expressiva da mídia internacional, e é graças à Internet e às redes sociais (sobretudo o Twitter) que há notícias sobre o que ocorre no país. Ao final do texto de Suman, indico mais algumas fontes e links com imagens impressionantes (como a que abre este post) dos protestos no país.

O que está acontecendo em Istambul

Para meus amigos que moram fora da Turquia: Estou escrevendo para que vocês saibam o que tem acontecido em Istambul nos últimos cinco dias. Eu preciso escrever porque a maioria das fontes de mídia foram desligadas pelo governo e o boca a boca e a internet são as únicas formas que restaram para nos explicarmos e pedirmos ajuda e apoio.

Há quatro dias um grupo de pessoas que não pertencem a nenhuma organização ou ideologia específica se reuniram em Gezi Park, em Istambul. Entre eles, muitos dos meus amigos e alunos. A razão era simples: para evitar e protestar contra a iminente demolição do parque para a construção de mais um shopping no centro da cidade. Existem inúmeros shoppings centers em Istambul, pelo menos um em cada bairro! LEIA MAIS…

Postado por Luiz Henrique Coletto em 4. Bule Apoia,8. Bule News,Ativismo,Conselho de Mídia,Denúncia,Luiz Henrique,Mundo,Política,Solidariedade

Yamaha derrapa com publicidade machista ligada a cantadas

Anúncio machista da Yamaha, intitulado "Moto Cantada Factor". Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Anúncio machista da Yamaha, intitulado “Moto Cantada Factor”. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo

Publicidade de mau gosto e sexista é algo muito recorrente entre empresas brasileiras. Agora é a vez da Yamaha derrapar e investir no machismo como motivo publicitário. Com uma campanha intitulada “Moto Cantada Factor” (aplicativo de Facebook incluído), no ar desde 15 de maio, faz apologia às cantadas de rua, situação que desagrada a milhares de mulheres por dia.

Ao contrário do que o senso comum machista acredita, a maioria das mulheres não gosta nem um pouco de sofrer com assédio sexual verbal nas ruas, tal como a fanpage Cantada de rua – conte o seu caso mostra com depoimentos de centenas de mulheres. Mas a agência de publicidade que a Yamaha contratou acredita que não, elas não se incomodam  com isso e até gostam de ser assediadas por motoqueiros.

Minha namorada acrescenta, dessa vez sobre a irresponsabilidade de incitar uma violação da ordem do trânsito com buzinas desnecessárias, já que o app da campanha publicitária em questão também faz uso de buzinas (declaração adaptada): LEIA MAIS…

Postado por Robson Fernando de Souza em Denúncia,Direitos Humanos,Feminismo,Humanismo,Igualdade de Gêneros,Robson Fernando de Souza,Sexualidade